Met Gala 2021 – América: uma antologia da moda

Opera como um relógio que badala toda primeira segunda-feira de maio, uma das poucas tradições e instituições intocadas que subsistem na indústria da moda. Desde do primeiro baile em 1948 o baile de gala do Costume Institute dentro do Metropolitan Museum of Art , permanece como um dos maiores eventos de moda até hoje e esperamos ansiosamente toda primeira segunda-feira de maio momentos inigualáveis de extravagância e arte.

O objetivo inicial no ano de fundação era ser um baile de arrecadação de fundos e divulgação da exposição anual para o até então recém fundado Instituto de figurinos do Metropolitan Museum of Art. A primeira edição foi um jantar à meia-noite e cada ingresso agregava o valor de cinquenta dólares, mas o que começou como uma festa apenas para apoiar a instituição se tornou a joia da coroa da sociedade Nova-Iorquina.

Vídeo oficial da primeira parte da exposição

Logo depois ficou conhecido entre esse universo como a “festa do ano” e hoje as associações não são muito diferentes se você gosta ou trabalha com moda, devemos isso bastante a uma editora-chefe extremamente especial da Vogue US que também foi consultora especial do instituto de figurinos entre os anos de 1972-1989 já sabemos de quem estamos falando, de Diana Vreeland. 

Vreeland era conhecida como a editora que levou a Vogue a ficar conhecida oficialmente como a bíblia da moda, quando ela sentia uma visão ia com a mesma até o melhor resultado possível custe  o que custar, o que segundo o livro Glossy – The inside story of Vogue de Nina-Sophia Miralles esse espírito perfeccionista e extravagante não a fez ficar muito popular entre a gestão financeira da Condé-Nast. Mas o mesmo espírito convenceu as maiores celebridades da época como Jacqueline Kennedy Onassis e Pat Buckley a irem prestigiar o baile, fazendo por consequência ele ficar cada vez mais influente.

Bianca Jagger em Halston na edição de 1977 [Imagem: Arquivo/Vogue US]

No ano de 1988 Anna Wintour se torna a editora-chefe da revista Vogue e respeitando a tradição de suas predecessoras em 1995 ela assume como copresidente do evento como um todo;  “Ela transformou o evento em uma das campanhas de arrecadação de fundos mais visíveis e bem-sucedidas do mundo, atraindo convidados dos mundos da moda, cinema, sociedade, esportes, negócios e música”. – Nancy Chilton, diretora de relações externas do The Costume Institute do MET.

Wintour fez o baile ser uma verdadeira mistura entre as maiores celebridades conhecidas no mundo moderno em conjunto com grandes famílias endinheiradas tradicionais, essa mistura com uma campanha de marketing incrível dentro dos próprios looks que são usados durante o baile. A visibilidade que uma marca pode ter estando ali é enorme, porque as celebridades são rostos conhecidos mas as verdadeiras estrelas do eventos são as roupas  sensacionalmente confeccionadas. No Met Gala vale tudo dentro do tema da exposição para ganhar uma boa atenção.

Mas o que acontece quando o mundo pressiona o botão de pausa um mês antes do evento? 

Em 2020 o baile foi cancelado em decorrência da Pandemia do Coronavírus que abalou profundamente o funcionamento das sociedades modernas durante esse primeiro período. A exposição ‘About Time; Fashion and Duration’ chegou a acontecer mas o baile foi inteiramente cancelado. Com uma volta em novos ares em 2021, com a vacinação nos Estados Unidos desenrolando-se foi decidido que o novo baile aconteceria durante o mês de Setembro marcando o aniversário de 75 anos do Instituto de figurino e também marcando o começo da NYFW da temporada de primavera-verão e caso você não esteja familiarizado com o mês de Setembro vale como o ano-novo de toda indústria com as temporadas internacionais acontecendo em ordem, e começando por Nova-Iorque.

Ok… Mas e o tema?

No vídeo divulgado pelo próprio museu sobre a exposição já é possível reconhecer algumas criações de nossos designers contemporâneos favoritos como Christopher John Rogers e Prabal Gurung, muito feliz que nos primeiros glimpses já conseguimos identificar designers não-brancos na exposição.

Prabal Gurung Fall 2021 RTW [Imagem: Leeor Wild / Prabal Gurung]

O Costume Institute apresentará uma exposição de duas partes para 2021, “In America: A Lexicon of Fashion” e “In America: An Anthology of Fashion”. Basicamente, depois de um ano conturbado, o curador da exibição Andrew Bolton decide olhar para a história da moda Estadunidense, a primeira parte tem previsão de ser sobre um dos grandes triunfos da moda americana hoje, trazer para os holofotes novos, independentes e incríveis designers. 

A moda estadunidense além de ter sido historicamente muito ligada a movimentos da cultura pop e Hollywood do filme noir até o glamour de Edith Head em seus figurinos para o cinema, como tem um passado calcado no racismo estrutural dentro do país, muitas costureiras pretas que faziam um trabalho inspirado na alta-costura parisiense para a alta-sociedade eram extremamente descredibilizadas na época. Um enorme exemplo foi o vestido de  casamento de Jacqueline Kennedy feito pela Ann Lowe que assinava vestidos dos Kennedys aos Rockefellers e mesmo assim tinha problemas de reconhecimento na época.

Edith Head [Imagem: Getty Images]

Não muito longe, Willi Smith quebrou barreiras na moda americana que tiveram impactos em âmbitos internacionais e infelizmente ainda algumas vezes é negligenciado ele é reconhecido por ser um dos primeiros a trazer o streetwear para as coleções de moda de luxo juntando o versátil e utilitário com códigos de vestimenta da época. Mas algumas previsões sobre a exposição espero ver nomes de indivíduos geniais que formaram a moda americana como como Halston, Zac Posen, Bob Mackie, Stephen Burrows, Ralph Lauren, Oscar De La Renta, Marc Jacobs, Tom Ford e Ann Lowe.

Durante a legendária batalha de Versalhes, que colocou os estilistas franceses tradicionais contra os novos, jovens e idealistas americanos numa batalha de coleções em um evento beneficente com objetivo de arrecadar fundos para recuperação do palácio. A modernidade e diversidade que os americanos trouxeram levou a própria vitória, isso é um dos muitos exemplos do quanto a indústria pode se beneficiar com representatividade criativa trazendo novas experiências de vida, amor e criatividade para as coleções. Um dos exemplos históricos dentro da moda norte-americana que é esperado tanto para a própria curadoria das exposições como no red carpet.

Willi Smith à direita e Ann Lowe à esquerda. [Imagem: Arquivo / L’Officiel US]

Mas explicando um pouco do que já nos foi informado sobre o evento em si, todos os anos o baile tem vários co-presidentes que ajudam a hospedar o evento. Para o de 2021 temos  Timothée Chalamet, Billie Eilish, Amanda Gorman e Naomi Osaka irão co-presidir, enquanto Tom Ford, Adam Mosseri do Instagram e Anna Wintour servirão como presidentes honorários.

Este ano tivemos o primeiro convidado preto na semana de alta-costura de Outono Inverno 2021 com Kerby Jean-Raymond apresentando em sua marca autoral Pyer Moss. O próprio tema da coleção de Raymond circulou entre sonhos e invenções pretas, o quanto eles foram importantes para a cultura e indústria Estadunidense. Além de designers que fizeram história novas marcas independentes, modernas e jovens que estão trilhando muito bem o mercado como a Pyer Moss também devem ser levadas muito em conta nesta edição. Nomes já conhecidos e amados pelos amantes de moda como Area, Christopher John Rogers, Christian Cowan, Dion Lee e Peter Do para citar alguns.

Lembrando que não podemos esquecer do legado de estilistas Norte-Americanos em grandes casas tradicionais de moda de luxo, Marc Jacobs inaugurando a primeira coleção de pronto-para-vestir na Louis Vuitton, Tom Ford renascendo uma Gucci sexy e campeã de vendas e um exemplo um pouco mais recente é o sucesso que Daniel Roseberry tem conquistado a cada apresentação nova de coleção na Schiaparelli – Misturando elementos de alta-costura, arte surrealista e vestimentas muito bem trabalhadas ele continua o legado que seus predecessores deixaram, criou-se até o ditado; “Nenhum Americano falhou em Paris”.

Schiaparelli Spring 2021 Couture [Imagem: Daniel Roseberry / Schiaparelli]

Aprenda mais:

https://www.vogue.com/article/everything-we-know-about-met-gala-2021

https://www.metmuseum.org/blogs/now-at-the-met/2020/met-gala-costume-institute-benefit-brief-history

https://www.metmuseum.org/exhibitions/listings/2021/in-america

https://www.theguardian.com/fashion/2020/jun/08/willi-smith-williwear-african-american-streetwear-catwalk

3 comentários em “Met Gala 2021 – América: uma antologia da moda

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