Jean-Michel Basquiat: O precursor do início do grafite e da arte urbana

Na última semana de agosto, a Tiffany & Co divulgou sua nova campanha About Love com os Carters traz para cena o diamante Tiffany, e quase ofusca outra obra de arte tão incrível quanto, que faz parte dessa produção, a Equals Pi, quadro de Jean-Michel Basquiat. Mas quem é o grande nome e autor desta obra avaliada em quase US$ 20 milhões?

Jean-Michel Basquiat- Equalps Pi, 1982.

Jean-Michel Basquiat nasceu em 22 de dezembro de 1960 no Brooklyn (NY). Desde pequeno desenhava nos papéis que seu pai trazia do escritório de contabilidade, sua mãe o levava em museus e lugares artísticos. Aos 7 anos sofreu um acidente que precisou ficar um tempo no hospital, ainda lá, sua mãe o presenteou com um livro de Grey´s Anatomy, o qual no futuro os desenhos anatômicos inspirariam sua arte. 

Sem título (crânio) da série de anatomia, 1982

Nos anos de 1970, a arte predominante nos Estados Unidos era a pop art, artistas como Andy Warhol e Roy Lichtenstein eram referências, além da arte minimalista e conceitual. 

Enquanto isso, na Alemanha, acontecia um movimento que foi chamado de “Die Jungen Wilden”, do portugês “Os jovens rebeldes”. Em todas as partes do mundo era possível ver jovens reagindo a um frizz intelectual que o minimalismo e a arte conceitual costumavam propor diretamente ou indiretamente.

O mercado de arte estava em alta, artistas produzindo arte apenas para vender. Nos EUA as pessoas passaram a consumir mais galerias do que museus. Muitas vezes essas galerias brincavam entre o que era considerado uma cultura elevada e outra mais trivial. Basquiat entra com o equilíbrio, a cultura do gueto, a chamada arte marginalizada (grafite) e a cultura da aristocracia. Nasce a linha tênue entre isso, o movimento do novo. 

Em 1980, aconteceu o desenvolvimento da West Village. Estavam promovendo o marketing da arte do grafite, a divulgação para o mundo, seja em marcas, galerias ou vestimentas, a vez da ascensão do grafite. Basquiat entrou e foi notado por críticos e historiadores. Desde o colegial pichava com seu amigo Al Diaz a palavra SAMO© (abreviatura de “same old shit”), entre 1977 e 1980. Muros, cafés, galerias e lojas passaram a ser telas deste pseudônimo com frases poéticas, chamando ainda mais atenção nos lugares onde a alta renda estava concentrada. 

Boom for Real: The Late Teenage Years of Jean-Michel Basquiat.

“Escolhia os lugares da moda de Nova York que frequentava, como o Mudd Club, para chamar atenção”. No meio da década de 80, triunfou no meio artístico da cidade. Com o tempo, as artes de rua, os grafites e as escritas passaram a não atrair mais policiais e a diminuição dessa arte como marginalização. Grandes nomes no grafite como Kenny Scharf, Fred Brathwaite e Rammellzee, já não eram nomes ligados a jovens delinquentes, mas sim nomes respeitados e conhecidos, tudo devido ao crescimento do grafite e sua enorme onda de marketing.

Não só suas obras eram negociadas como marca, mas ele mesmo. Os artistas visuais estavam no mainstream e era algo considerado cult. Basquiat conheceu Glenn O´Brien que o convidou para ser personagem principal de um filme chamado New York Beat, baseado na arte de Nova Iorque e no próprio Basquiat. Porém, só foi lançado nos anos 2000 com o nome de Downtown 81. A obra Cadillac Moon, participou de um evento chamado New York, New Scene, mostrando que algo novo estava acontecendo na cidade. Ela representava o fim do Basquiat, do Samo. Uma obra importante que risca o pseudônimo. 

Jean- Michel Basquiat, Cadillac Moon, 1981.

Uma época na qual ainda os artistas eram vistos como marginais, assim como Jackson Pollock ou Van Gogh que não foram reconhecidos como tais durante sua vida, Basquiat era um artista marginalizado pela sociedade, ainda mais pela sua cor de pele. Um dos poucos artistas da época que vendeu milhões. Seus desenhos muitas vezes eram vistos como infantis, retratando a vida urbana; namorou Madonna; teve uma banda chamada Gray que tocava noise music e se apresentavam em clubs que o próprio Basquiat tocava como dj; passou a vender cartões postais desenhados a mão para ganhar dinheiro; viveu no subsolo de colecionadores e galeristas em troca de tintas e telas, que muitas vezes eram vendidas sem nem terem sido finalizadas. 

O seu “fim” estava associado na cena artística da cidade, também a uma postura racista da cena artística de Nova Iorque, e como os brancos reagiram à cor da pele do Basquiat. Jean-Michael Basquiat morreu em Manhattan (NY) aos 27 anos de overdose. Hoje suas obras são leiloadas e avaliadas em milhões, algumas em museus e em acervos particulares espalhados pelo mundo, alguns como França e Jerusalém.

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