A volta do rock ao mainstream da música

Se você é uma pessoa que ama música e acompanha essa indústria, então sabe que ela tem fases, e que gêneros musicais vão e voltam da moda o tempo todo. E desde 2020 é possível notar a nova tendência: o rock. Um estilo clássico, com muitas vertentes, mas que infelizmente desde os anos 2000, perdeu força. E ritmos como pop e rap têm ocupado seu lugar, contagiado o grande público e liderado as paradas desde então.

Contexto Histórico

O rock, originalmente chamado de Rock n’ Roll, foi criado nos Estados Unidos no final da década de 40, por afro-americanos a partir do desenvolvimento da fusão de gêneros musicais americanos como o Blues, Jazz, Country, Gospel, R&B e a influência de ritmos europeus.

Ainda que criado por artistas negros, o estilo foi bem recebido pelo público jovem branco e também incorporado por artistas brancos. Em meados de 1950, o estilo começa a ganhar força e destaque nacional. Little Richard; Fats Domino; Bo Didley; Jerry Lee Lewis; Buddy Holly; Gene Vincent; Johnny Cash; Chuck Berry, que introduziu e consolidou o uso da guitarra no rock; e Elvis Presley, um dos cantores mais conhecidos até hoje, que se tornou um fenômeno com a variante Rockabilly; são apenas alguns dos nomes dos pioneiros desse ritmo que definiram o padrão do que ainda estava por vir.

Apesar do rock ter sido um grande sucesso comercial, essa cultura incluía diferentes grupos sociais e raciais, o que gerava desconforto e preocupação por parte dos conservadores. Além de que as músicas falavam sobre temas considerados tabus, como sexo, drogas, questões raciais e revoltas no geral. Ao longo do tempo, o rock, mesmo com diferentes problemas e crises, manteve essa característica de ousadia e rebeldia ao falar sobre assuntos difíceis e controversos.

Entretanto, como sabemos, a partir dos anos 60 até o final dos anos 90, início dos anos 2000, o rock continuou a crescer e se ramificar em subgêneros como pop rock, que utiliza os mesmos instrumentos do rock, mas com o padrão de refrão do pop; punk, tem letras mais fortes, sons, toda uma estética e estilo de vida mais intenso; new wave, vem do punk, mas é mais eletrônica e pop e menos agressivo; grunge, possui letras mais introspectivas e também deriva do punk; alternativo, tem a estrutura do rock, mas influências diversas, dependendo do artista; e muitos outros. Assim dominaram por décadas e revolucionaram a indústria musical e o mundo todo.

O Revival

Os padrões de música mainstream estão em constante mudança. O que resulta em artistas e gêneros musicais perderem relevância eventualmente. Mas como toda tendência, o rock voltou. E existem várias razões para o porquê de isso ter acontecido.

O rock desde o começo, passou mensagens de rebeldia, refletiu mudanças sociais e culturais, influenciou comportamentos, a moda, lifestyle, linguagens, danças e aprimorou a ideia de ídolos, principalmente entre jovens adolescentes. Tudo isso, se conecta às razões desse revival. O fato de estarmos em um período muito difícil em relação à política, saúde, clima e economia, também contribui. Pois, não só incita sentimentos de revolta, como também provoca a volta de hábitos conhecidos e “seguros”, no caso, o rock.

Assim, cada vez mais artistas têm explorado o ritmo. Um dos grandes nomes que contribuiu para essa recente popularização, é Travis Barker. O ex-baterista da banda Blink-182, atualmente, além das próprias músicas, possui uma gravadora chamada DTA Records, onde já assinou com muitos novos artistas e faz diversas parcerias, produz e toca com quem deseja trazer o elemento do rock em suas músicas.

Sua discografia é composta por álbuns e faixas que migram do rock ao rap, trap, emo e pop-punk. Alguns de seus sucessos incluem: Machine Gun Kelly, com o álbum de 2020 Tickets to my downfall e seguintes trabalhos; mais recentemente, Willow Smith, com as faixas t r a n s p a r e n t s o u l, Gaslight e Grow (que conta também com a participação da “Rainha Pop-Punk” dos anos 2000, Avril Lavigne); e outros artistas como Yungblud, Maggie Lindemann, Lil Nas X, KennyHoopla, Halsey, Jxdn e muitos mais.

Willow, Travis Barker e Avril Lavigne
[Imagem: Reprodução/ Twitter]

Além deles, há cantores também, na maioria das vezes do pop ou indie, que experimentaram desse estilo, fizeram valer a pena. Como foi com Miley Cyrus, Post Malone e Olivia Rodrigo. Miley, em seu último álbum Plastic Hearts, conta com covers de clássicos, participações de lendas do rock como Stevie Nicks, Joan Jett e Billy Idol, vocais que combinaram perfeitamente com o estilo e músicas originais de qualidade. Dessa maneira, ela consegue fazer essa retomada da melhor forma possível.

No entanto, nos últimos anos, houve também um comeback de bandas antigas como Mötley Crüe e My Chemical Romance e um aumento da ascensão de novas bandas e artistas como Meet me @ the Altar, Dirty Honey, Blind Channel, Sueco, Spyres, entre outros. Mas, um dos mais populares no momento é Måneskin.

A banda Italiana que ganhou o Eurovision Song Contest 2021, viralizou no Tiktok com seu cover de Beggin’ de Frankie Valli & The Four Seasons e surpreendeu o mundo com seu talento. Eles passam a essência do rock, desde músicas com vocais fortes, muita guitarra, baixo e bateria; até o jeito que se comportam e vestem. E têm chamado atenção de grandes artistas do rock clássico como Iggy Pop, que recentemente fez uma parceria com a banda para uma nova versão do hit I WANNA BE YOUR SLAVE.

Måneskin e Iggy Pop
[Imagem: Reprodução/ Instagram]

O Que Esperar Para o Futuro

Um dos pontos positivos desse revival é que o rock hoje está mais diverso do que nunca, em todos os aspectos. O mundo mudou e com ele fatores que uma vez foram considerados exigências e barreiras já não funcionam mais. Fato que favorece a conquista das gerações mais jovens, que dominam a indústria e definem o que está na moda ou não.

Há uma onda de interesse crescente no rock clássico ao mesmo tempo em que há em bandas emergentes. O Tiktok contibui para isso, pois ele tem grande influência sobre a indústria musical, e como músicas de rock e suas vertentes tem feito cada vez mais sucesso na plataforma, com artistas novos e bandas mais antigas como Paramore, Simple Plan, Aerosmith, Nirvana, Green Day e Mother Mother, é possível dizer que esse ritmo está bem consolidado e não vai mais embora tão rápido.

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