Musicoterapia: como a música pode ajudar no tratamento médico

“Primeiro, devemos educar a alma através da música e a seguir, o corpo através da ginástica”, afirmou Platão. Ao longo dos anos, ouvir música se tornou um hábito diário na vivência das pessoas, onde muita das vezes é impossível viver sem, desde a hora de acordar, para ter mais energia e começar o dia bem, até ao dormir, para relaxar e descansar. Ela está presente em todas as fases da vida, e dita o ritmo das mais diferentes situações e momentos. Para a ciência, não há dúvidas de que a música tem um impacto nas emoções, no comportamento e na saúde.

O chamado “Efeito Mozart” foi descrito em 1998, quando Rauscher expôs ratos recém-nascidos e outros ainda em gestação ao som da Sonata para dois pianos em Ré, de Mozart (K 448). Como resultado, obteve que os ratos apresentavam um desempenho melhor em uma determinada tarefa espacial de memória, quando comparados aos grupos expostos a um ruído branco ou ao completo silêncio.

Este foi um dos primeiros experimentos que sugeriram mecanismos do efeito da música sobre funções cognitivas, tanto em roedores quanto em humanos. Quase 20 anos depois, em 2013, um grupo de pesquisadores espanhóis verificou que pacientes portadores de Alzheimer tinham um senso de autoconsciência melhorado quando ouviam uma canção que lhes era familiar.

Dessa maneira, é possível afirmar que as músicas possuem um poder curativo, que ao chegar no cérebro, passam pelo córtex auditivo, que é o centro de processamento do som do nosso cérebro, e depois vai para um conjunto de estruturas que chamamos de sistema límbico, o que estimula a produção de dopamina, substância relacionada à sensação de prazer. Com isso, a musicoterapia se torna muito importante.

[Infográfico: Reprodução/Behance – Rafael Trinco]

O que é a musicoterapia e como funciona?

A musicoterapia é o uso da música para a melhoria da saúde ou os desempenhos funcionais de uma pessoa. O profissional especializado, conhecido como musicoterapeuta, utiliza de todas as facetas da música: física, emocional, mental, social, estética e espiritual.

Existem dois tipos desse método, a musicoterapia receptiva e a ativa. A primeira consiste em orientar as pessoas a ouvirem canções ao vivo ou gravadas. Já a outra, envolve o ato de produzir música vocal ou instrumental. Portanto, esse tratamento pode ser realizado de diferentes maneiras.

De acordo com a Federação Mundial de Musicoterapia, “a musicoterapia objetiva desenvolver potenciais e restabelecer as funções do indivíduo para que ele/ela possa alcançar uma melhor integração intra e interpessoal e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida”.

Quais são os benefícios?

Existem diversos benefícios que podem ser proporcionados pela terapia através da música, como a melhora do funcionamento cognitivo, habilidades motoras, desenvolvimento emocional, comunicação, habilidades sensoriais, sociais e qualidade de vida. Também é um método efetivo cientificamente comprovado com doenças cardíacas, transtornos neurológicos e autismo.

Segundo uma review publicada pela Cochrane Library, uma organização sem fins lucrativos parceira de pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS), ouvir alguma canção pode melhorar as frequências cardíacas e respiratória, além da pressão sanguínea em pacientes com Doença Arterial Coronária (DAC).

Ainda são necessários mais estudos para comprovar a real eficiência da musicoterapia para pacientes com DAC, mas a pesquisa indica que a música ajuda a reduzir a pressão sanguínea, melhorar a frequência cardíaca e diminuir os níveis de estresse.

A partir de 1980, pesquisas empíricas – que se apoiam em experimentos – começaram a ser feitas nesse campo de música e saúde para o tratamento de diversos problemas psicológicos. Desde então, diversos estudos na área são desenvolvidos, e levam em conta diferentes patologias. Até hoje, a musicoterapia se mostrou uma das mais eficaz no tratamento de sintomas como ansiedade e depressão.

Em casos de AVC, por exemplo, músicas mais calmas e alegres são capazes de despertar emoções e estimular interações sociais, o que auxilia na recuperação do paciente. Também serve como uma via terapêutica para tratar sintomas de demência, já que ativam sinapses que não eram estimuladas há muito tempo, fazendo com que de certo modo, a pessoa doente “acorde”.

Já em situações de estresse, o indicado é tons calmos para aliviar a tensão do dia a dia e o nervosismo acumulado. Ritmos mais lentos também são indicados para as pessoas que sofrem de hipertensão, uma vez que o coração tende a acompanhar as batidas das músicas.

Além disso, a musicoterapia ajuda em casos de Parkinson, onde percussões bem demarcadas auxiliam no tremor e na marcha. Pessoas autistas também são beneficiadas, porque ao brincarem com instrumentos, conseguem interagir com os outros e estabelecer laços sociais mais fortes.

Em decorrência de todos esses benefícios, o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, desenvolveu em parceria ao Spotify, listas de músicas pensadas especificamente para situações comuns de um centro médico, como a hora de aguardar pelo atendimento e o primeiro encontro entre mãe e filho.

A musicoterapia, além de ser benéfica para qualquer indivíduo, ela se torna um momento de expressão de sentimentos e gestos. É uma parte fundamental para a saúde física e mental, e surge como uma opção alternativa de tratamento para algumas doenças, com o intuito de amenizar os efeitos sobre o paciente.

A eficácia das canções não ocorrem do dia para a noite, e também não são radicais, mas o poder que a música tem para mudar o cérebro, é a capacidade de mudar uma vida.

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