[Crítica] Eternos: o hate é justificável?

Eternos chegou aos cinemas na última semana (04) como o primeiro filme de um grupo de super-heróis a se reunir depois de Vingadores: Ultimato nessa Fase 4.

Normalmente os filmes do incrível universo cinematográfico Marvel possuem uma grande força nos lançamento, mas a obra bateu um recorde negativo: recebeu o primeiro “B” no CinemaScore, site que regista dados de pesquisa de audiência nos cinemas. No Rotten Tomatoes, conhecido por compilar opiniões de diversos críticos, o novo épico da MCU também não teve uma boa performance. Atualmente, o filme possui 49% de aprovação, número mais baixo do estúdio até hoje. Apesar disso, conseguiu ser a segunda maior estreia entre as bilheterias globais nos cinemas na era da pandemia, superando até mesmo Viúva Negra e Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis.

Interpretados por Angelina Jolie, Salma Hayek, Barry Keoghan, Gemma Chan, Richard Madden, Ma Dong-seok, Kumail Nanjiani, Lauren Ridloff, Brian Tyree Henry e Lia McHugh, são uma poderosa raça de seres imortais criados por deuses cósmicos, Celestiais, que os colocaram na Terra como um experimento de avanço tecnológico de uma cultura primitiva, moldando parte da história e das civilizações enquanto enfrentavam os Deviantes, principais inimigos.

A história nas HQs

A história dos Eternos começou nos anos de 1970, quando Jack Kirby deixou a Marvel Comics para trabalhar na DC Comics. O autor tinha como ideia criar uma nova franquia que não estivesse atrelada aos tradicionais heróis da editora. Então, ele produziu os Novos Deuses, que mostram uma casta de seres imortais extremamente poderosos — inclusive Darkseid faz parte deles. Contudo, essa saga ficou incompleta quando Kirby retornou para a Marvel, e a trama foi incorporada ao Universo DC.

Em meados de 1970, Kirby utilizou alguns dos conceitos que havia idealizado em Novos Deuses para criar os Eternos, com uma proposta semelhante de franquia descolada da cronologia tradicional do Universo Marvel. A edição Eternals #1 foi lançado em 1976, com o autor introduzindo os deuses cósmicos Celestiais, que visitaram a Terra há um milhão de anos e fizeram experimentos com os ancestrais, que mais tarde formariam a raça humana.

Já em 1980, os roteiristas Roy Thomas e Mark Gruenwald aproveitaram a criação de Kirby e terminaram algumas linhas de narrativa inacabadas em Eternals na revista do Thor, indo da edição #283 até #301. A saga mostra o Deus do Trovão lutando contra os Eternos, Celestiais e os Deviantes, e a partir disso, eles começaram a ser incorporados à cronologia do MCU, ainda que de uma forma tímida e um tanto desconexa.

Cinco anos depois, 1985, a Marvel resolveu reposicionar os Eternos como parte definitiva da criação do Universo Marvel, com uma minissérie de 12 edições desenvolvidas por Peter B. Gillis e Sal Buscema. Já havia algumas amarrações com os heróis tradicionais e um especial lançado em 2000 fez uma conexão dos Eternos com os X-Men e o vilão Apocalypse.

Após essas histórias, os Eternos chegaram a aparecer em um reboot (reinício) na frente de publicações adultas Marvel MAX. Porém sua maior importância na história do MCU foi em 2006, quando Neil Gaiman escreveu uma minissérie com 7 edições sobre a equipe.

O quadrinho, com arte de John Romita Jr, faz o que todas as outras histórias dos Eternos haviam tentando até aquele momento, mas não conseguiram fazer por completo: integrar a equipe de vez ao Universo Marvel, definindo melhor o papel de cada integrante do grupo, assim como sua função de proteção evolutiva sem interferência no progresso da humanidade.

Os Eternos ganhou mais uma série limitada, de nove edições, em 2008 e 2009 por Charles e Daniel Knauf. Agora, em 2021, foi divulgado um novo título, com autoria de Kieron Gillen, que combina tudo o que aconteceu no passado e encaixa definitivamente a franquia na cronologia do MCU, com direito a elementos diretamente conectados a versão que está nos cinemas.

Deuses e Lendas representados por cada Eterno

O universo cinematográfico da Marvel já usou da mitologia em alguns de seus filmes, como em Thor, que são reinterpretações diretas dos mitos nórdicos. Thor, Odin, Loki, Hel — também conhecido como Hela — e o resto, todos entram no MCU. Os deuses da mitologia inspiram os Eternos, e criam eles em seu próprio mundo ficcional. Na maioria dos casos, a correlação entre uma figura mitológica e um Eterno parece óbvia, mas em outros, a conexão é mais turva.

Thena, interpretada por Angelina Jolie, é baseada na Atenas da mitologia grega. Nos quadrinhos, Thena é filha de Zuras, líder dos Eternos da Terra. Zuras e Thena se parecem com Atenas e seu pai, Zeus. Isso significa que Thena costuma ser confundida com a deusa Atenas, mas elas não são a mesma pessoa no mundo dos quadrinhos.

Na mitologia grega, Atenas é a deusa da sabedoria e da guerra. Nasceu do crânio de Zeus e portanto, possui conhecimento ilimitado. Embora possa ser agressiva, também governa sobre a paz e o artesanato. A personagem Thena é uma combatente feroz com uma mente militar brilhante.

Ikaris, interpretado por Richard Madden, é baseado em Ícaro, também da mitologia grega. Ícaro não era um deus, mas uma figura mítica. Na história, ele é mais conhecido por voar muito perto do sol, e é filho de um famoso inventor, Dédalo, que construiu o labirinto que abrigava o monstruoso Minotauro de Creta.

O rei de Creta não queria que ninguém soubesse como seu labirinto funcionava, então ele aprisionou Dédalo e Ícaro em uma torre. Mas o artesão genial projetou uma saída, construindo asas para si mesmo e Ícaro para que eles pudessem escapar. Essas asas eram mantidas juntas por cera. Notoriamente, Dédalo avisa Ícaro para não voar muito alto e nem muito baixo, já que poderiam derreter com o calor do sol ou ficarem úmidas, tornando-as inúteis.

Como alguns mitos, este é um conto de moralidade, para que uma pessoa não seja muito arrogante e complacente. Infelizmente, Ícaro sucumbe à arrogância, voando muito perto do sol, fazendo com que suas asas derretam e o façam cair para a morte.

Ikaris é conhecido por ser um excelente aviador que pode reorganizar moléculas de outras substâncias. Em certo sentido, isso também se encaixa porque o ápice da história de Ícaro acontece quando o sol reorganiza as moléculas de suas asas.

Sersi, interpretada por Gemma Chan, é baseada em Circe da mitologia grega. Em Eternos, ela tem uma forte conexão com a humanidade. Além disso, ela e Ikaris são almas gêmeas e seu relacionamento se estende por séculos.

Na mitologia, Circe é uma feiticeira poderosa, que por meio de uma combinação de magia e drogas, transforma humanos em animais. Quando o herói Odisseu encontra o caminho para sua ilha, ela transforma seus homens em porcos, mas Odisseu, protegido por um presente de Hermes, permanece imune. Ele a desafia a devolver seus homens, Circe o faz e, impressionada com Odisseu, o convida para ficar em sua ilha. Eles passam um ano juntos. Além disso, as duas são as mesmas nos quadrinhos.

Phastos, interpretado por Brian Tyree Henry, é baseado em Hefesto da mitologia grega. Na história, Hefesto é o deus da forja, o que faz sentido com o filme, porque Phastos é um grande inventor dos Eternos. As criações de Hefesto são elogiadas em todo o mito, forjando muitas armas, como o escudo de Aquiles e também esculpe a primeira mulher humana.

Makkari, interpretada por Lauren Ridloff, é baseada em Mercúrio da mitologia romana. Embora Makkari tenha a imortalidade padrão de um Eterno, a personagem também possui velocidade sobre-humana, sendo a mais rápida que existe. Além disso, pode pensar sobrenaturalmente rápido, permitindo que leia e processe informações rapidamente.

Este impulso de rapidez faz muito sentido quando se trata de Mercúrio, o deus dos viajantes e mercadores. Ele é associado a Hermes da mitologia grega, um deus conhecido por ter pés rápidos. As sandálias aladas de Hermes são icônicas. Mercúrio também atua como uma ponte entre deuses e mortais, muitas vezes servindo como uma espécie de mediador.

Gilgamesh, interpretado por Ma Dong-seok, é baseado na mitologia suméria. O Épico de Gilgamesh é um poema antigo da Mesopotâmia gravado na língua acadiana e existe como uma das primeiras peças da literatura nos registros. O poema apresenta o semideus Gilgamesh, rei da cidade-estado mesopotâmica de Uruk, como uma parte mortal e parte divino. Embora ele busque a imortalidade, nunca a obtém, e em vez disso, consegue uma compreensão do significado da vida.

A Epopeia de Gilgamesh conta uma história de amizade. Quando ele se torna muito arrogante, os deuses criam Enkidu como seu rival. Enkidu representa o mundo natural, enquanto Gilgamesh representa a ordem da sociedade. Os dois inicialmente brigam, mas se tornam amigos. Embora não haja nenhuma palavra sobre um irmão épico para o personagem em Eternos, seria interessante se isso fosse explorado.

Ajak, interpretada por Salma Hayek, é baseada no Ajax da mitologia grega. Ele também não é um deus, mas sim um ser humano excepcional. A força e bravura de Ajax lhe valeram muito renome, ficando atrás apenas de Aquiles. Nos quadrinhos, ele é arqueólogo, homem e um lutador.

Druig, interpretado por Barry Keoghan, não tem uma contraparte clara na mitologia. Nos quadrinhos, Druig vem das regiões eslavas, mas nenhumas das divindades parecem se alinhar com ele. Além disso, se especializou em manipular a realidade e gosta de voar usando plataformas de fogo ou terra que ele mesmo gera. Essa conexão elementar pode ter relação na origem mitológica dos druidas, afinal, seu nome lembra a palavra. Druidas são sacerdotes celtas conectados ao mundo natural, e embora sejam geralmente pacíficos, em certos mitos, eles eram vistos mais como feiticeiros.

Sprite, interpretada por Lia McHugh, tem uma conexão mais difusa com a mitologia do que outros Eternos. Existiu muitos sprites em toda a mitologia europeia. Como as definições mais amplas, eles são elfos ou fadas, e muitas vezes são envolvidos com travessura.

Como os sprites da mitologia, Sprite dos Eternos tem mais poder do que parece. Embora ela tenha vivido por séculos, continua presa à aparência de uma criança de 12 anos. Sprites folclóricos costumam agir infantilmente, e nos quadrinhos, esse era o caso a personagem. No entanto, no filme, a situação tem uma reviravolta, a mente dela envelhece, mas o corpo não.

Kingo, interpretado por Kumail Nanjiani, não tem uma associação mitológica aparente, mas pode ser baseado em Kingu da mitologia babilônica. De acordo com o mito, a mãe de Kingu, uma deusa, deu a Kingu a Placa dos Destinos, que ele usava como uma couraça e que lhe deu grande poder. Mais tarde, foi morto, mas os deuses usaram seu sangue para criar os primeiros humanos. O personagem compartilha das mesmas habilidades na luta e ambos parecem desejar um certo nível de poder.

Easter Eggs e referências

Além de todos os paralelos estabelecidos entre os heróis e figuras místicas, também há referências à Bíblia. Como a semelhança dos sete dias que eles têm para salvar a Terra com os sete dias que Deus precisou para criar o mundo, o que também aparece em forma de piadas. Sem saber como resolver o conflito com os Celestiais, a personagem Sprite chega a dizer: “O que vocês sugerem fazer? Separar todo mundo em casais e embarcar numa arca gigantesca?”.

No filme, quando há o reencontro da equipe no Domo (a nave deles) vários artefatos históricos aparecem, principalmente porque Makkari é uma colecionadora dessas peças. Pode-se reparar no Excalibur, espada do Rei Arthur; Tábua Esmeralda, um dos textos mais antigos relacionados à alquimia; e também o Santo Graal, cálice supostamente usado por Jesus Cristo na Última Ceia.

[Imagem: Reprodução/Marvel Studios]

Eternos também deixa um questionamento de qual época se passa na linha temporal no MCU, e o produtor Nate Moore, da Marvel Studios, afirmou em entrevista à revista Empire Magazine que ocorre no mesmo período de Homem Aranha: Longe de Casa, com o mundo se recuperando do ataque do Thanos e do retorno de metade da população mundial.

A obra faz menções diretas e indiretas à guerra contra ele. Primeiro, ocorre um diálogo entre Sersi e Dane Whitman logo após o professor descobrir que sua namorada é, na verdade, uma Eterna. Whitman não entende porque a equipe de heróis não interferiu no conflito contra o Titã Louco, ao que ela responde com uma das regras primordiais que eles receberam dos Celestiais: interferir apenas nos conflitos entre humanos e Deviantes.

Embora não seja mencionado nos filmes, nas HQs Thanos é um Eterno com uma condição chamada de Síndrome Deviante, ou seja, uma mutação no seu DNA que o concedeu algumas semelhanças com os Deviantes. Inclusive, esta é a razão pela qual ele não parece um humano como os demais da sua espécie.

O outro momento em que o vilão é mencionado está mais ao final do filme, quando Ajak conta para Ikaris o prazo que eles possuem para salvar a humanidade. Para a líder do grupo, o fato das pessoas terem conseguido reverter o cenário com um estalar de dedos é um motivo para que eles lutem pelos humanos.

[Imagem: Reprodução/Marvel Studios]

Também há, ao menos, duas menções aos personagens da DC. A primeira foi revelada em um dos trailers do filme, quando Sersi e Ikaris visitam a família de Phastos pela primeira vez, e o filho do Eterno compara o herói da Marvel ao Superman: “Você estava com capa e soltando laser pelos olhos”.

Chloé Zhao, diretora do longa-metragem, afirmou em entrevista ao ComicBook, que o Homem de Aço é um ser mitológico e que se responsabiliza por esse diálogo: “Em todo tipo de cultura há uma versão do Super-Homem. As pessoas que criaram o personagem dos quadrinhos, e os cineastas brilhantes que o trouxeram para a tela, estão fazendo uma interpretação moderna dessa mitologia”.

A outra ocorre quando parte da equipe vai até Thena e Gilgamesh. Diante do ajudante pessoal do Kingo, Karun (Harish Patel), Gilgamesh o chama de Alfred, mordomo do Bruce Wayne.

Além disso, o tio com quem Dane Whitman está brigado no início de Eternos é também um easter egg. Essa misteriosa figura é ninguém mais, ninguém menos que Nathan Gerrett, um dos personagens que já assumiu o título de Cavaleiro Negro nas HQs. Essa menção é importante porque, ao que tudo indica, o filme lança o professor em uma história de origem para tomar justamente esse posto. Primeiro, ele ganha de Sersi o anel com a insígnia da sua família e, na cena pós-crédito, herda de Garrett a Espada de Ebano, ambos acessórios do Cavaleiro Negro.

Whitman não está sozinho quando descobre a Espada de Ebano: uma voz misteriosa o questiona “você tem certeza disso, Sr. Whitman?”. Embora sua figura não seja revelada na cena, sabe-se que se trata de Blade, que ganhará um filme, possivelmente em 2022, estrelado por Mahershala Ali.

[Imagem: Divulgação/Marvel Studios]

Em outra cena pós-crédito, Marvel mostra uma nova camada à história de Thanos ao apresentar o irmão Eros, com quem o Titã Louco tem uma relação de rivalidade. Interpretado por Harry Styles, o Eterno aparece se oferecendo como um aliado na jornada de Thena, Druig e Makkari para avisar os heróis do universo sobre os reais planos dos Celestiais. Vale pontuar que Eros não está sozinho: ele vem acompanhado de Pip, o troll.

MCU e o mundo da fantasia

Eternos é diferente de tudo que a gigante dos super-heróis já fez, a nova produção dirigida por Zhao aposta tudo em uma carga dramática: desenvolve personagens, expande horizontes, levanta reflexões e traz uma brisa de frescor ao Universo Marvel.

Os fãs da empresa são acostumados a sempre se manterem ligados em seus filmes. Desde a junção dos Vingadores, em 2012, é necessário estar atento aos mínimos detalhes e as junções entre diferentes obras a fim de uma conexão maior. Porém, isso não acontece no longa. Destoa do resto das produções da editora, já que apresenta uma narrativa autoral focada em si mesma, com arcos dramáticos dos seus próprios personagens, o que faz o espectador refletir sobre questões existenciais através da simplicidade de diálogos e contradições.

Com 2 horas e 37 minutos de duração do longa, o roteiro abre espaço para permitir a belíssima atuação de um elenco estrelado e múltiplas combinações de personalidades. Um leque de possibilidades é atingido, contendo desde Angelina Jolie dando vida a uma Thena multifacetada e complexa, lutando contra traumas e transparecendo toda a sua dor até Kumail Nanjiani e Brian Tyree vivendo personagens que transparecem seu lado carismático e cômico, abraçando o espectador e não afastando por completo a sensação de estar vendo um filme da Marvel.

Apesar de toda a excelência dos atores, de longe, quem brilha mais é a coragem do seu roteiro. Após 13 anos de filmes de origem baseados na “fórmula do sucesso Marvel”, Chloe Zháo abre mão de uma narrativa reciclada em um mercado já estabelecido e dá origem ao filme mais autoral desse universo de super-heróis. Com o andamento da obra, é possível entender que não se trata de mais um filme de construção para um universo maior, mas sim de uma obra que trabalha seus personagens, desenvolve ideias e promove a reflexão sobre questões mais profundas do que “o bem contra o mal”. 

[Imagem: Divulgação/Marvel Studios]

Eternos não é sobre heróis que lutam contra vilões e nem sobre expandir um universo cinematográfico, mas sim uma história bem contada sobre seres que, assim como os humanos, evoluem, se compadecem, são enganados e possuem o direito de se redimir e exercerem seu livre arbítrio.

Ao se aventurar para o drama, a obra abre mão de sequências de ação empolgantes e eletrizantes características da Marvel, dando lugar a diálogos longos carregados de questionamentos e incertezas que, ao final do filme, se traduzem em ações coerentes. Mesmo com a ausência de cenas empolgantes, os poucos embates são pontuais e muito bem executados.

O movimento dos personagens condiz com sua majestosidade e o certo “tom de superioridade”, dando origem a cenas muito bem coreografadas que parecem ter saído diretamente de uma peça de teatro. Portanto, devido a falta de pancadaria e destruição, muitos se frustraram com o tom do filme por apenas não terem recebido o que estavam acostumados a receber de outras produções do estúdio.

Os efeitos especiais das lutas também são muito simplistas e elegantes, tornando-se uma experiência agradável. Além disso, a figurinista Sammy Sheldon Differ, contou em entrevista ao ScreenRant, que trabalhou em conjunto com o grupo responsável por eles para complementar o visual das roupas e como foi esse processo de desenvolver as vestes, que também se diferenciam de tudo o que a Marvel já fez: “A ideia é que eles parecessem orgânicos. Esperamos que, quando os fãs assistirem ao filme, fiquem se perguntando de que tipo de material as roupas são feitas. Não queremos que as pessoas possam dizer: ‘Oh, é uma armadura’, ou ‘oh, é um traje de spandex”.

[Imagem: Divulgação/Marvel Studios]

Outro ponto a ser mencionado é a representatividade do filme. Sem fazer alarde nenhum na mídia para se vender, a produção apresenta um integrante gay e negro — com direito a um beijo nas telonas e outras cenas de afeto —, três protagonistas asiáticos, uma latina e uma heroína surda afro-latina, tudo no mesmo longa. Não há nenhuma representatividade forçada, todos os acontecimentos se desenvolvem organicamente e muito bem encaixados na história.

Eternos traz a mensagem de esperança na humanidade, na sua evolução e em seu potencial de se unir e se proteger. Eles estão presentes há milhares de anos na Terra, acompanhando a evolução humana, presenciando conflitos, genocídios, guerras, perdas, amor, construções de famílias e todas as emoções que a humanidade é capaz de sentir sem poder interferir. A jornada de autoconhecimento que os personagens percorrem no filme é sobre evolução, livre arbítrio e empatia. Além de aprenderem com os erros e não cometê-los novamente, protegem quem amam simplesmente por sentirem que é o certo a se fazer.

Com uma direção fantástica, roteiro muito caprichado, diálogos precisos e necessários, combates majestosos e pontuais e uma fotografia bonita, Eternos traz o lado mais dramático e humano da Marvel a tona, usando seus personagens como espelhos para os espectadores se permitirem mergulhar nas mais profundas emoções e sentimentos humanos.

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