Frenezi nas Semanas de Moda Masculina Milão e Paris

Para inaugurar o novo ano no mundo da moda, a indústria apresenta a temporada de Moda Masculina Outono/Inverno 2022.

Com o avanço dos casos de Covid-19 no hemisfério norte, algumas marcas como Armani e JW Anderson, cancelaram seus desfiles presenciais ou até mesmo a apresentação como um todo — o que foi o caso da decisão de Giorgio Armani. Mesmo assim o show continuou e a Semana de Moda Masculina de Milão começou dia 14 de janeiro com encerramento no dia 18; a Semana de Moda Masculina de Paris começa na quarta-feira (19) e termina no dia 23.

Você pode encontrar o calendário oficial da Semana de Moda Masculina de Milão aqui e o calendário oficial da Semana de Moda Masculina de Paris aqui.

Imagem retirada do site da Fendi.

Confira a cobertura completa da Semana de Moda Masculina de Milão

DIA 1

A Zegna, sob o comando de Alessandro Sartori, deu o start na temporada masculina da melhor forma possível: apresentou uma coleção que marca o início de uma nova era para a label. Além da mudança no título, que agora surge sem ‘Ermenegildo’, as roupas parecem romper com a tradicional alfaiataria masculina italiana da marca.

A mudança de nome da Zegna parece refletir também nas roupas e nos leva a pensar que essa é uma nova fase para a marca. A coleção apresentada através de um espetacular fashion film eleva agora a marca italiana de tradicional à contemporânea.

Sem fazer uso da já cansativa “alfaiataria desconstruída” para atualizar o terno, Alessandro adota códigos do loungewear e do streetstyle para construir peças atuais sem abrir mão da elegância e do refinamento atrelados à marca já centenária.

O resultado são looks que equilibram formalidade e informalidade através de shapes mais volumosos e matéria prima e cartela de cores de excelência: suéteres em tricô com detalhes em corda, parkas em lã de carneiro e calças-baggy em seda acolchoada são alguns exemplos. O destaque no entanto ficou por conta dos pullovers em alfaiataria com recortes retos e acabamento em zíper, que quando abertos criavam um visual estético-escultural super potente.

Uma capela italiana praticamente em deterioração foi o cenário escolhido por Matthew Williams, estilista norte-americano que recentemente assumiu o cargo de diretor criativo da Givenchy, para apresentar a coleção de Inverno 2022 de sua marca própria, a ALYX Studios.

Conhecida pelo streetwear elegante e o trabalho excepcional com couro e acessórios em metal — apelidados de “hardwear” pelo estilista —, a marca fez a sua primeira apresentação em solo italiano desde sua fundação em 2015. Levando em consideração que as fábricas da label sempre estiveram localizadas em Milão, apresentar o desfile na cidade foi como “voltar para casa” segundo o estilista.

A coleção foge da cartela de cores tradicional da label, composta essencialmente por preto e branco, e adiciona tons coloridos de vermelho, lilás e verde musgo em modelagens oversized de jaquetas puffer e sobretudo. As camadas mais justas ao corpo ficaram por conta de vestidos de manga comprida em malha para as mulheres e leggings e pullovers para os homens – tudo isso, é claro, na linguagem sportwear-chic clássica da label. Texturas como vinil, tela em rede e plumas deram o arremate final para os looks, substituindo assim o famoso “hardwear” da marca, o qual Williams parece estar focado em transferir para a sua Givenchy.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

DIA 2

Em sua terceira temporada à frente apenas do masculino da marca que leva o seu sobrenome, Silvia Venturini Fendi provou mais uma vez que é mestre em criar peças e acessórios que são desejo absoluto.

Com uma cartela de cores mais sóbria do que a que estamos acostumados, Silvia apresentou uma coleção que reafirma o arquétipo do homem-Fendi que ela vem criando há algumas temporadas: elegante e contemporâneo, com uma inclinação para o feminino e que não costuma beber muito das fontes do streetwear.

Imagem retirada do site da Fendi.

Suéteres com recortes no peitoral, golas de alfaiataria removidas e adaptadas em novos shapes e blazers-capa à la batman são as peças do line up que mais chamam a atenção e reforçam o talento e o olhar de Silvia. Destaque também para a nova estampa ‘O’ Clock’ da marca, inspirada no desenho da alta joalheria da label que é feita por ninguém menos que Delfina Delettrez Fendi, filha de Silvia.

Os já clássicos modelos de bolsa ‘Baguette’ e ‘Peekaboo’ também reaparecem em motivos e cores que combinam com as peças, como de costume. No geral, a coleção é mais uma bola dentro de uma estilista que sabe perfeitamente como despertar desejo em clientes do mercado de luxo.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

DIA 3

A brincadeira entre os fashionistas tem sido a mesma desde o primeiro desfile da Prada sob direção criativa conjunta de Miuccia Prada e Raf Simons: “dissecar” look por look e encontrar referências do trabalho de cada estilista em uma peça ou composição. 

De fato essa é uma atividade divertida para aqueles que amam Prada e buscam com olhares atentos os resquícios do trabalho de Miuccia ali, com medo de que a estética de Raf sobressaia a da fundadora — mas a coleção apresentada pela dupla na última semana em Milão mostra que essa não é uma preocupação para a estilista, e que Miuccia está disposta a ceder sem hesitar para o companheiro.

A prova disso são as barras das calças “por fazer” que acompanham todos os looks da apresentação, em um comprimento que ultrapassa em muito os poucos centímetros excedentes de coleções prévias — como Outono 2014 e Primavera 2019. Como Raf conseguiu convencer uma italiana patriota de abrir mão da tradicional alfaiataria do seu país? Essa é uma resposta que todos gostariam de ter.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

Mas isso não quer dizer que a coleção abra mão de certa formalidade. Roupas “que fazem as pessoas se sentirem importantes” foram o mood da apresentação, segundo a própria estilista, em um line-up composto majoritariamente por sobretudos em alfaiataria com botões embutidos e trench coats em couro colorido.

As tradicionais bomber jackets de Raf também marcaram presença, dessa vez em versões mais compridas e com toques à la Miuccia — como cintos e peles de carneiro, uma referência à Primavera de 2017 da marca.

Já as camadas mais próximas à pele foram compostas por macacões de seda em estilo espacial, em uma clara evolução dos long johns apresentados em temporadas passadas pela dupla, e as estampas e grafismos de Raf apareceram em peças em couro que remetem à sua terceira coleção para a já extinta Calvin Klein 205W39NYC.

Acostumada em referenciar coleções passadas através de silhuetas e motivos, Miuccia inovou e trouxe um casting composto por astros de Hollywood, assim como fez há 10 anos no Outono de 2012. Jeff Goldblum, astro de ‘O Grande Hotel Budapeste’, brilhou na passarela ao encerrar a apresentação com um catwalk potente.

A verdade é que o trabalho de Miuccia ainda está muito presente nessa nova fase da marca, e cada vez mais os dois estilistas nos mostram que o objetivo final é entregar roupas impecavelmente bem feitas e não um equilíbrio exato de assinaturas.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

Confira a cobertura completa da Semana de Moda Masculina de Paris

DIA 1:

Egonlab é uma marca francesa que desfilou pela primeira vez na semana de menswear. Florentin Glémarec e Kévin Nompeix, fundadores da marca, fizeram simultaneamente versões de seus produtos para o mundo real e virtual. A casa nasceu há 2 anos com diversas apresentações visuais.

A marca apresentou sua coleção no Oratório do Louvre, em Paris. A coleção é constituída por 37 looks compostos em grande parte pela alfaiataria, jaquetas, trench coat e a então tendência de calças mais alongadas na barra. Suéters, camisas de manga curta e gola alta também estão presentes. Apesar de a coleção em sua maioria ser composta por tons escuros, os looks com cores fortes como vermelho, verde, pink e looks quadriculados atraem olhares. 

Não apenas Balenciaga inseriu as Crocs em suas coleções e passarelas. Egonlab os confeccionou com cristais Swarovski e relata que a ideia veio para homenagear os profissionais da saúde. Cinco modelos virtuais serão leiloados no Metaverso e parte dos lucros irá para associações que auxiliam e facilitam o acesso ao digital para populações desfavorecidas.

Antes de coordenar a atual casa, o nova iorquino Anthony Alvarez, designer da Bluemarble, lançou e dirigiu a marca de streetwear ‘One Culture’. Com um pai filipino, em sua mais nova coleção apresenta inspirações vindas de velas de barcos da ilha filipina de Mindanao. “Tento voltar às minhas memórias para cada coleção”, relata ele ao Vogue Runaway. As jaquetas oversized da coleção apresentam tons de amarelo, roxo e rosa, padrões geométricos das velas. Anthony insere na coleção roupas esportivas inspiradas em seu gosto pelo esporte, mais especificamente o surf e skate. Malhas de crochê, jeans alongados na barra, camisas com cristais Swarovski, trench coats e jaquetas fazem parte da coleção.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

DIA 2:

A britânica Bianca Saunders se tornou um dos nomes para se prestar atenção depois de ter vencido no ano passado o ANDAN Prize, um dos principais prêmios internacionais para designers de moda em ascensão. Formada pela Royal Academy Of Arts, a designer desenvolve peças apenas para o vestuário masculino e possui um trabalho que é mais pautado no estudo do que na experimentação.

Bianca busca analisar a fundo os códigos, cortes e trajes clássicos do guarda-roupa masculino e adaptá-los ao presente, sem abrir mão da elegância e da formalidade das peças. O resultado são roupas com corte preciso e modelagem que valoriza o corpo de maneira exemplar. As peças de Bianca são um acerto para aqueles que querem um visual fácil e seguro — com estética chic sem muito esforço.

Alfaiataria exemplar e um bom equilíbrio de cores foram os pontos fortes da apresentação, que foi a primeira da estilista na PFW. Destaque também para as peças em estampa xadrez distorcida, que cria uma ilusão de ótica e nos faz questionar as curvas do corpo.

A Lemaire trouxe para a passarela uma mensagem de esperança, nos convidando a acreditar num futuro melhor e a reconher nossa responsabilidade nesta caminhada. A coleção Outono/Inverno apresentada exala positividade com seus tons outonais suaves e jogo de proporções.

Os designers, Christopher Lemaire e Sarah-Linh Tran, inovaram com um mix entre visuais das décadas de 20, 30 e 70, através das silhuetas amplas, casacos de modelagem oversized e, sandálias e botas com salto em bloco, respectivamente, retratando a atemporalidade, característica da marca francesa.

A Acne Studios completa 25 anos em 2022 e, apresentou virtualmente, uma coleção nostálgica, influenciada pela infância do designer sueco e fundador da marca, Johnny Johansson, que, impedido de viajar a Paris, onde planejava desenvolver a coleção, por conta do agravamento da pandemia, buscou inspiração em suas vivências na cidade de Estocolmo, momentos em família e na natureza local.

As peças de lã remetem às tapeçarias bordadas pela mãe do estilista; já os típicos sapatos pontudos, foram o pesadelo de Johansson quando criança, mas afirma que, atualmente, ganharam sua admiração. O clima local é representado pela modelagem oversized e pelo layering, que aparecem na maioria das composições.

Amassadas e desconstruídas propositalmente, as peças traziam a sensação de algo vivido, remetem a um sentimento nostálgico, como um lembrete para aproveitar o momento presente, mas visitar o passado, sempre que necessário.

Talvez um dos nomes mais quentes da moda atual, Glenn Martens apresentou ontem em Paris o que pode ter sido a sua melhor coleção para a Y/ Project — marca que ele comanda desde 2013, quando o fundador da label faleceu.

Internacionalmente conhecido por suas modelagens que desafiam o olhar para a funcionalidade das roupas através do uso de uma multiplicidade de golas, mangas e sobreposições, Glenn foi capaz de unir suas clássicas assinaturas com a estética de outro criador: Jean-Paul Gaultier.

Isso porque a label se prepara para apresentar uma coleção de alta-costura como parte do novo projeto da maison JPG, que convida diferentes estilistas para assinarem coleções em parceria com a marca. Glenn parece ter mergulhado fundo nos arquivos do criador, trazendo para as passarelas de ontem estampas inspiradas na icônica coleção de Verão 1996 da marca.

Mesmo que o resultado final tenha lembrado o trabalho de Pierre-Louis Auvray – aluno da prestigiosa Central Saint Martins que já vestiu Kylie Jenner e Cardi B com seus designs high-tech – a estampa é com certeza o grande destaque da coleção.

Camisas polo com gola-dupla, cachecóis construídos a partir de jaquetas de camurça e pele e calças de alfaiataria com recorte arredondado e cós em cinto de couro são também peças que chamam a atenção e afirmam o caráter experimental e disruptivo de Glenn – assim como a brincadeira de adicionar torções e curvas em peças como jaquetas e calças de moletom, criando um visual único que já faz parte do DNA da marca.

Peças em jeans também marcaram presença na apresentação, desta vez em lavagens mais ousadas como a “dirty jeans”. À frente da Diesel desde Abril deste ano, o Denin parece ser um material que o criador manipula com maestria, criando modelagens e proporções nunca vistas antes – como as calças-bota em jeans, que já se tornaram peça-hit do estilista e conquistaram até Julia Fox, a it-girl do momento.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

DIA 3:

Um dos pioneiros na estética gótica vanguardista, Rick Owens deixou mais uma vez os fashionistas “de plantão” boquiabertos com a sua recente coleção de moda masculina Outono/Inverno 2022, durante a Paris Fashion Week. Intitulada de “Strobe”, a coleção iluminou todo o ambiente gótico do designer.

Inspirado pelas formas do Egito Antigo e pela luminosidade das obras de arte de Dan Flavin, Owens não se limitou em explorar somente suas referências, mas soube trabalhar muito bem com silhuetas extravagantes já conhecidas pelos seus admiradores. Materiais como o couro e a lã entraram no desfile, como peças opostas de um mesmo quebra-cabeça, construindo as silhuetas soltas de um lado e mais rígidas de outro.

A coleção ganhou novas interpretações das botas Kiss, Beatle Bozo e Tractor, além das peças acolchoadas de nylon, que caracterizam também a assinatura do designer. O preto fez-se presente do início ao fim na passarela, como de costume, mas cores como o laranja, o rosa, os cinzas e prateados souberam comunicar a ideia das formas lindas do Egito Antigo, que tanto maravilharam Owens. 

Capuzes acolchoados com zíperes até o topo da face, malhas rasgadas e cheias de cortes, blazers construídos de maneira “não-convencional” e os moletons com escritas gráficas como “URINAL”, terminam por reafirmar a identidade singular de Owens, um profissional da moda que não pretende ser convencional.

Em destaque, um dos looks finais (look 44), conseguiu reunir toda a mensagem da “Strobe” em um só momento. O modelo usava uma espécie de capacete, que sustentava duas lâmpadas bulbo monumentais, iluminando o look e o resto do ambiente. Além disso, uma jaqueta de pelo de cabra alongada e botas de cano alto clássicas da marca Rick Owens.

Alguns desfiles nos marcam para sempre. O Outono 2022 masculino da Louis Vuitton é um deles. Apresentado ontem em Paris, a coleção é a última que Virgil Abloh deixou pronta antes de falecer em novembro do ano passado.

Se o clima de “Virgil was here”, apresentação realizada pela Louis Vuitton durante a Art Basel deste ano em homenagem ao estilista, era de luto e despedida, o de ontem foi de celebração e firmamento de um legado.

Isso porque a apresentação parece ter sido uma junção de todos os códigos, assinaturas e silhuetas que Virgil criou ao longo de 8 coleções à frente da marca – além, é claro, de referências a cenários e trilhas sonoras também de coleções passadas do estilista. Para quem se lembra do icônico desfile de despedida de Marc Jacobs da Louis Vuitton feminina, em 2014, o clima parecia o mesmo.

O cenário, intitulado “Louis Dreamhouse”, recriou uma casa surrealista a qual uma parte estava submersa, a outra possuía um chão com cama e cadeira acopladas e uma terceira formava uma grande mesa de jantar, preenchida por uma orquestra. Um tom de azul claro dava cor a praticamente todos os componentes do cenário, exceto o telhado, em uma clara referência a um dos mais icônicos desfiles de Virgil: o de outono 2020.

Em meio a este cenário, artistas performáticos cantavam e dançavam ao mesmo tempo que os modelos desfilavam no mesmo espaço. A atmosfera era bem parecida com o também último desfile de Virgil para a Off-White, sua marca própria, que contou com música ao vivo e um mood de celebração ao final da apresentação, quando o estilista e as modelos se juntaram ao lado da cantora MIA no palco.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

As roupas escancaram mais uma vez o talento e legado de Abloh: alfaiataria precisa e contemporânea (desta vez com cinturas bem marcadas), bomber jackets em estilo colegial adornadas com patches mil e looks conjuntinho-total que variavam o material – de paetês à tapeçaria – são alguns exemplos. Os clássicos gorros e bonés com orelhas de animais também apareceram, assim como as saias rodadas, as body-bags e os inúmeros acessórios-desejo que o designer era mestre em produzir: como as bolsas em formato de lata de tinta, as maletas monogramadas distorcidas e as malas com arranjos florais em tecido acoplados.

Mas o destaque ficou por conta de três dos últimos looks do line up: os de número 60, 62 e 68. O que eles têm em comum? Possuem asas de anjo monumentais. Confeccionadas em renda e com pontas pontiagudas, elas compõem o que certamente é uma das imagens de moda mais potentes da temporada – e talvez também do legado de Virgil.

Foi nesta atmosfera angelical que a equipe da Louis Vuitton entrou em conjunto para receber os aplausos de pé dos convidados – ao som de Tyler the creator, que era amigo pessoal de Virgil. Por uma janela no alto do imóvel que sediava a apresentação, estudantes de moda da École Duperre Paris assistiam a tudo que acontecia e marcavam o fim de um ciclo que se iniciou da mesma maneira: no primeiro desfile de Virgil para a LV, parte da plateia eram também alunos de graduação em Moda, só que convidados por ele. Que momento.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

DIA 4:

Em mais uma de suas coleções para a Maison Dior, Kim Jones viajou no tempo e retornou com sua própria interpretação dos maneirismos do fundador da casa, Christian Dior. A coleção de moda masculina Outono/Inverno 2022, contou com 50 looks e sua passarela simulou, em tamanho real, a balaustrada da famosa ponte parisiense, Alexandre III.

O estilista britânico reinterpretou vários ícones do Monsieur Dior para a realidade do homem contemporâneo, como por exemplo a jaqueta Bar feminina de 1947, no look de número 21. Além da reinterpretação de cortes e silhuetas familiares para a casa de alta-costura, Jones explorou também estampas, como: a estampa de leopardo, referindo-se aos looks da coleção de Primavera/Verão de 1947.

A paleta de cores da coleção se concentrou em equilibrar os tons frios e os tons terrosos, mas o preto manteve-se presente também nessa balança. Jones resgata não somente a assinatura de Christian Dior como também diz enxergar um resgate da sua própria assinatura do início dos anos 2000, principalmente, com o uso dos tons acinzentados.

Peças de tule bordado sobre camisas formais, blazers caracterizados com faixas frontais retorcidas, lantejoulas bordadas em suéteres, as clássicas boinas francesas, peças de couro e calças estilo Jogger dominaram toda a coleção. O resgate de arquivos da própria  casa é sempre uma ótima homenagem ao fundador, e dessa vez não foi diferente. 

Ao explorar o universo andrógeno em sua coleção, o designer belga Dries Van Noten trouxe em sua coleção apresentada no formato digital de um fashion film com o fotógrafo dinamarquês Casper Sejersen, a liberdade dos jovens, que tem sido negada nestes últimos tempos devido à COVID-19.

Calças de lurex brilhantes, peças de lã falsa, casacos e blazers trespassados, camisas transparentes e uma fusão riquíssima de cores vibrantes e estampas clichês como: estampas de hibisco e estampas de leopardo; definem bem o tom de toda a atmosfera festiva que o fashion film foi capaz de passar.

Na alfaiataria, Van Noten fundiu os ombros napolitanos com mangas bufantes frisando, mais uma vez, a presença da androginia em seus designs ao som de “Dream Baby Dream” (1979) da banda Suicide. 

O envolvimentos dos modelos entre beijos, carícias e diversão reflete os pensamentos do designer sobre a juventude perdida dos jovens em meio à pandemia. Van Noten afirma: “Eu realmente penso nos jovens que não podem sair, não podem conhecer outras pessoas….Todas essas coisas com a situação do Covid”. 

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

DIA 5:

Vivemos num período em que há pessoas mais preocupadas em criar um Metaverso, do que em melhorar as questões do mundo real, daí partiu o questionamento feito por J. W. Anderson na coleção de outono 2022 da Loewe, que criticou a forma que estamos lidando com a tecnologia, através de uma abordagem surrealista.

O que seria mais comum, nessa época de valorização às aparências, do que fotos altamente editadas? Inclusive, é muito comum encontrar erros de edição, onde corpos e cenários se deformam; esse foi um dos principais pontos abordados na coleção, para criar essa ilusão, as composições apresentavam camisas com a bainha arqueada, em direção oposta à do cós das bermudas.

A crítica ao Photoshop e outros aplicativos semelhantes, também é evidenciada nas peças de estampa listrada (com linhas tortas, brincando com volume e proporção) e, nas camisas e macacões, que traziam rostos e corpos deformados, dos próprios modelos, como estampa, satirizando a busca pelos tamanhos “ideais”.

A utilização constante de filtros e molduras não podia ser ignorada, foram representados pelas balaclavas, tendência da temporada, que vieram com recorte em formato de coração. A febre dos gifs foi simbolizada pelas palavras “Hello” e “Smile”, presas às calças; faziam alusão à necessidade de sempre parecer feliz e comunicativo nas redes, em busca do engajamento.

Tudo que está nas telas é iluminado, a luz é essencial para a tecnologia, por isso, Anderson apresentou este elemento em diferentes leituras. Diversas peças contaram com luzes de fibra óptica, trazendo o brilho dos dispositivos para a passarela, mas as capas de chuva feitas de couro, roubaram todos os holofotes; com um tratamento especial, o material ficou com aspecto translúcido, de forma que as underwears de cores claras ressaltavam, fazendo alusão às luzes de fundo dos aparelhos; esta técnica também foi utilizada nos sapatos, que pareciam feitos de plástico.

Quem nunca postou fotos ou memes de pet nas redes sociais? Ou de algum prato? Inclusive, são as que recebem o maior número de views e dominam o feed, por isso, viraram estampa para regatas, sungas e túnicas. Essa atenção ao que vem da natureza, surge como um pedido de socorro em meio ao caos que estamos enfrentando, ao bombardeamento de informações e surgimento de novas tecnologias, estas, cada vez mais bizarras e sem sentido. J.W. acredita que a era digital contribui para um comportamento psicótico, onde o real e o irreal se confundem, passamos a duvidar de todos, inclusive de nós mesmos.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

O Dandismo foi um estilo popularizado entre a aristocracia do século XVIII, principalmente entre os homens, com valores de bom gosto e senso estético impecável, um homem que escolhe viver a vida de maneira intensa e linda, essa é a inspiração de Véronique Nichanian, em sua nova coleção para a marca Hermès.

Ela descreve como o estilo ainda estaria vivo nos tempos modernos, só passou por algumas alterações chaves, mas o verdadeiro núcleo de um Dândi é os ares de amor á vida, e torna-lá o mais esteticamente apresentável possível. Mas vemos nessa coleção da Hermès desde elegantes casacos de inverno e calças de alfaiataria, como jaquetas de couro, coletes puff e suéteres de cashmere , as silhuetas , cortes e detalhes dignos da marca reconhecida internacionalmente por sua qualidade e exclusividade.

Imagem retirada dos arquivos da ALYX.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s