Avanço da variante Ômicron altera o calendário de premiações

Nos Estados Unidos, uma nova onda de casos da Covid-19 parece ameaçar a estabilidade das premiações e tapetes vermelhos que estavam previstos para acontecer no início deste ano. Em uma tentativa de frear a contaminação, alguns dos eventos marcados precisaram ser adiados ou até cancelados. 

Uma das maiores premiações musicais do mundo, o Grammy Awards, foi um desses eventos. A cerimônia que estava prevista para o dia 31 de janeiro foi adiada para 3 de abril em um novo local em Las Vegas. “O 64º #GRAMMYs foi remarcado e agora será transmitido ao vivo a partir do @MGMGrand Garden Arena em Las Vegas no domingo, 3 de abril no canal @CBS! ✨🎶”.

Originalmente tweetado pela Recording Academy/GRAMMYs (@RecordingAcad) em janeiro 18, 2022.

Essa mudança no calendário das premiações é um reflexo do avanço da nova variante ômicron que vem batendo recorde de novos casos e aumentando o número de óbitos ao redor do mundo. A nova mutação do coronavírus foi descoberta na África do Sul, com seu primeiro caso confirmado em 9 de novembro de 2021. Atualmente, por seu alto poder de contágio, a variante já está presente em todos os continentes e levantou preocupação em vários países.

Em 3 de janeiro, os Estados Unidos registrou mais de um milhão de casos diários de Covid-19 pela primeira vez, quase o dobro das infecções relatadas uma semana antes. Seja pela flexibilização de medidas sanitárias ou as festas de fim de ano, os números de casos no país aumentaram drasticamente.

Segundo dados da agência de notícias Reuters, os EUA estão relatando 696.541 novas infecções em média por dia e lideram o número médio diário de novas mortes, sendo responsável por uma em cada 4 óbitos por Covid-19 em todo o mundo a cada dia. Desses novos casos, a variante ômicron já representa quase todas as infecções no território dos Estados Unidos.

Gráfico de casos e mortes diárias nos Estados Unidos no mês de janeiro.
[Imagem: Reuters]

Apesar disso, de acordo com dados do Our World in Data, a vacinação no país já alcançou 63,6% de pessoas vacinadas, com 535 mil doses aplicadas e 210 mil pessoas com esquema vacinal completo. A diminuição do intervalo da dose de reforço foi uma estratégia dos Estados Unidos para diminuir o surto de casos, e nessa semana, o número de infecções teve uma diminuição positiva

Este é um cenário que parece ser mais favorável e ideal para a realização de premiações e eventos nos próximos meses, mas é indispensável pensar na utilização de medidas contra a Covid-19.

No ano de 2021, a cerimônia do Grammy, que também teve a data adiada para março, aconteceu de maneira diferente: foi realizada no Centro de Convenções de Los Angeles, utilizando o espaço interior e exterior, com quatro palcos diferentes. Pela primeira vez na premiação, não havia público, algumas aparições foram virtuais e as performances foram divididas em ao vivo e pré gravadas. Com equipe reduzida, todos os artistas e seus convidados foram testados e seguiram a recomendação de utilizar a máscara na maior parte do evento.

Já na edição latina do Grammy, que aconteceu em Las Vegas, o cenário da pandemia era de maior normalidade. Assim, a cerimônia foi realizada sem muitas limitações e com duas únicas exigências: o comprovante de vacinação e o teste negativo do Covid-19. O uso da máscara ainda era obrigatório no backstage, mas os artistas tiveram liberdade em suas apresentações ao vivo.

Outras duas grandes premiações da música: o MTV Video Music Awards e o American Music Awards, realizadas no final de 2021, ocorreram de forma semelhante. Nas arenas havia o público normal, comprovante de vacinação e o uso de máscara ainda eram uma obrigatoriedade, mas os artistas e outras celebridades não tinham necessidade rigorosa em estar de máscara nas áreas do evento. Mesmo com uma maior liberdade, ainda houveram artistas que não se sentiram confortáveis em comparecer às premiações. Um dos casos, foi o da cantora neozelandesa Lorde, que desistiu da sua apresentação no VMAs pois as restrições contra o covid não permitiriam a performance idealizada por ela.

No calendário de premiações do primeiro trimestre deste ano, houveram algumas mudanças além do Grammy. O Globo de Ouro, que escolhe os melhores profissionais do cinema e televisão, não teve público, tapete vermelho e nem transmissão ao vivo. Os vencedores das categorias eram anunciados no site oficial do evento. Já o Critics Choice Awards, que reconhece as melhores realizações cinematográficas, teve sua data adiada de 09 de janeiro para o dia 13 de março. O Oscar fez uma decisão parecida, adiando a cerimônia honorária em homenagem a carreira de artistas para outra data ainda não definida.

A instabilidade da pandemia ainda requer adaptações do calendário de eventos, principalmente porque os organizadores esperam fazer um evento incrível e com poucas limitações sem deixar de prezar pela saúde e segurança dos envolvidos. A previsão é que o Grammy e outras premiações adiadas aconteçam de maneira parecida com as do final do ano passado, já que a aplicação da dose de reforço da vacina tem diminuído o número de casos.

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