[Crítica] Spencer: “Uma fábula sobre uma verdadeira tragédia”

A aclamada produção, Spencer, estreou recentemente nos cinemas brasileiros depois de constantes adiamentos. Em 2021, o filme já tinha sido lançado no Festival de Veneza e foi bastante elogiado pelo público presente no evento. O roteiro do longa é assinado por Stephen Knight (Peaky Blinders), Pablo Larraín (Jackie) ficou responsável pela direção, Kristen Stewart (Crespúsculo) é a protagonista e interpreta a princesa Diana e, além da artista, o elenco é composto por Jack Farthing (The Lost Daughter), Sally Hawkins (Godzilla 2: O Rei dos Monstros), Timothy Spall (Encantada) e Amy Manson (Once Upon a Time).

Diana Francis Spencer era uma mulher humilde, simpática, espontânea e querida pela nação. Conhecida por ser defensora de causas comunitárias, e desmentir os mitos que existiam sobre as pessoas com AIDS e com hanseníase. A princesa visitava os pacientes e doava fundos para ajudar os hospitais. Por conseguinte, Lady Di acabou se tornando uma das figuras mais icônicas no século XX, tanto que ela foi intitulada, pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, de a “princesa do povo”.

[Imagem: Reprodução/ Getty Images]

No dia 31 de agosto de 1997, o mundo parou e se comoveu com a trágica morte de Diana que aconteceu no túnel Pont de L’Alma, em Paris, milhares de pessoas saíram pelas ruas para fazer homenagem à “princesa do povo” e o seu funeral foi assistido por aproximadamente dois bilhões de espectadores. No funeral, Conde Spencer, o irmão de Diana, disse: “Acima de tudo, nós agradecemos pela vida de uma mulher que tenho muito orgulho em poder chamar de minha irmã – a única, a complexa, a extraordinária e a insubstituível Diana, cuja beleza, interna e externa, jamais se extinguirá de nossas mentes”. Lady Di deixou um grande legado e continua sendo um dos membros mais populares da família real britânica.

A memorável trajetória da sua vida é, atualmente, lembrada pelo mundo, e também fez desenvolver diversas produções sobre sua história. No entanto, de todos os projetos feitos sobre a vida de Lady Di, Spencer consegue, por trás dos holofotes, mostrar um lado mais caótico, sobre a pressão de ser uma mulher perfeita e controlada pelas tradições da monarquia.

Ambientada em 1991, a obra dramática é focada na jornada interna da personagem. O telespectador se torna íntimo acompanhando o estado emocional da princesa Diana durante a vivência na realeza. Após rumores de traição, Diana percebe que seu casamento com príncipe Charles está chegando ao fim e, além disso, ela apresenta uma grande exaustão com as normas impostas pela Família Real. Portanto, Lady Di mostra-se sobrecarregada por tudo que está acontecendo ao seu redor e passa dias e noites bastantes turbulentos.

Por ser uma produção muito intimista, o telespectador acompanha cada passo da princesa e também percebe seu estado emocional abalado no decorrer do filme, conseguindo assistir detalhadamente a angústia e o aprisionamento que ela passa por conta do divórcio e das tradições da monarquia. Nota-se que Diana sempre tentava buscar apoio e procurava formas para tentar fugir daquelas situações e conseguir sua liberdade. Inclusive, a ansiedade e a inquietação podem ser apresentados pelo público que está consumindo a obra, é inegável a torcida para a monarca escapar daquele pesadelo.

[Imagem: Reprodução/ Diamond Films]

Vale pontuar que a saudade pela juventude antes de integrar a Família Real é um ponto importante na produção, Diana se sente perdida e não consegue se encontrar vivendo na monarquia. Ela tenta o possível reviver seu passado e faz de tudo para visitar sua casa. O local onde Diana morou na época da infância era um elemento significativo para a princesa, com objetivo de se livrar do sofrimento e alcançar a tranquilidade e a liberdade que tanto deseja.

Sobre a estética na produção, a brilhante fotografia e a trilha sonora são pontos muito fortes para comunicar-se com o telespectador e remetem a melancolia e a dor que a personagem de Kristen Stewart está sentindo.

Dirigida por Claire Mathon, a fotografia demonstra a proporção dramática de forma digna, a câmera consegue enquadrar o rosto da princesa e seu sentimento sobrecarregado, mostrando de perto a respiração ofegante, a sensação de tremor e os olhos lacrimejados. 

Aliás, é notável que as cores pastéis evidenciam um ambiente elegante e um cenário da realeza. No entanto, a intercalagem entre tons frios e quentes representam determinadas emoções da personagem. Os tons frios correspondem momentos em que Diana se sente desesperada com as situações que estava enfrentando e os tons quentes representam a alegria, conforto e paz, como nas cenas em que a princesa está com seus filhos, William e Harry.

[Imagem: Reprodução/ Diamond Films]

Além disso, a trilha sonora, assinada por Jonny Greenwood, parece ter sido usada para intensificar o estado emocional da personagem, o som dramático e instrumental se estende gradativamente nos momentos em que ela estava com um estado turbulento e tentava o possível para encontrar sua própria identidade. 

A sincronia entre a fotografia, a trilha sonora e as cores frias em momentos de tensão foi bem trabalhada, visto que o telespectador consegue sentir também aquele sufoco e nervosismo que a princesa Diana estava sentindo.

A atuação impressionante de Kristen Stewart é um grande destaque, Kristen evidenciou seu enorme talento como atriz no filme dirigido por Pablo Larraín. A artista consegue alcançar o ápice de sua atuação. Sua performance bem desenvolvida pode levá-la à uma indicação ao Oscar. Inclusive, segundo os críticos, Stewart pode ser a favorita ao prêmio da categoria de Melhor Atriz.

[Imagens: Getty Images/ Diamond Films]

Spencer é um filme bastante distinto de outras obras que foram adaptadas para contar sobre a vida da princesa de Diana. A nova produção consegue mostrar um lado mais sombrio de sua vida, e, de forma profunda, o que ela passou em seu casamento e a convivência com as regras rígidas da realeza. Além dos momentos despertadores que a personagem enfrenta, a produção traz assuntos muito delicados que podem ativar gatilhos para o telespectador. Por fim, a obra soube trazer a oportunidade aos telespectadores de assistir um trágico conto de fadas da personagem e se conectar profundamente com a história.

Confira o trailer abaixo.

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