Centenário da Semana de Arte Moderna: o que foi o evento e sua importância

‘Semana de 22’, o evento que buscou se opor ao conservadorismo artístico e cultural presente no país desde o século XIX e deu novos rumos às manifestações artísticas 

Não se sabe ao certo, até hoje, quem sugeriu a ideia de reunir um grupo de artistas e intelectuais paulistas e organizar uma semana de exposições de pinturas, recitais de poesia e apresentações musicais no Theatro Municipal de São Paulo. Porém, segundo alguns autores, o pintor carioca, Emiliano Di Cavalcanti, pode ter sido essa pessoa que, em 13 de fevereiro de 1922, iniciou a Semana de Arte Moderna e, durante 3 dias, mudou os rumos da arte no Brasil e no mundo, através da oposição à cultura e à arte conversadora presente desde o século XIX. 

Ocorrendo em um contexto de crises políticas, sociais, econômicas e culturais, o Brasil se chocou com as novas ‘’linguagens libertadoras’’ do fazer artístico — com inspiração das vanguardas europeias, como o Cubismo, Futurismo e o Expressionismo – e, consequentemente, o acontecimento recebeu muitas críticas e foi mal interpretado por diversos intelectuais da época. O país não estava preparado para a revolução artística. 

Participaram da Semana de Arte Moderna nomes consagrados do modernismo brasileiro como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Víctor Brecheret, Plínio Salgado, Anita Malfatti, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Heitor Villa-Lobos, Tácito de Almeida, Di Cavalcanti, Agenor Fernandes Barbosa. Na ocasião, Tarsila do Amaral, considerada um dos grandes pilares do modernismo brasileiro, encontrava-se em Paris e não participou do evento.

Embora tenha se passado 100 anos, a Semana de 22 exerce, ainda hoje, influência nas discussões artísticas do país, que se estende para outras esferas, como sociológica e histórica. A sua grande importância se deu por trazer ao país uma atualização de linguagens artísticas que romperam com o passado e com as produções clássicas, para criar uma nova linguagem brasileira de arte. A partir daí, o modernismo brasileiro surge, embora antes houvesse já movimentações para essa renovação, como na ‘Exposição de Pintura Moderna’ de Anita Malfatti que foi alvo de julgamentos de Monteiro Lobato, em 1917. 

Por: Julio Cesar Ferreira | @estoujulio

Fontes: fonte 1 | fonte 2

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