London Fashion Week: beauty eclética e experimental

A semana de moda de Londres, que teve início na sexta-feira (18 de fevereiro) e fim na terça (22), apresentou ao público as novas apostas e interpretações de diversos designers para a temporada de Outono/Inverno de 2022. Conhecida como a mais experimental das semanas de moda e favorita dos novos estilistas como porta de entrada para a apresentação de suas coleções, a mais recente LFW provou que todo o caráter eclético atribuído a ela vale não somente para as peças desfiladas, mas para as belezas que as complementam também.

Se tratando das makeups exibidas, observamos marcas insistentes da estética limpa e leve que tem imperado nas últimas temporadas na beleza de desfiles como Halpern e Erdem, que optaram por uma imagem limpa, básica, prezando pela naturalidade, sem contornos forçados ou iluminadores exagerados; parece que até o blush tão associado à famosa “carinha de saúde” foi deixado de lado, demonstrando de certa forma, uma mensagem de valorização de uma beleza voltada à praticidade.

No entanto, alguns traços de criatividade e disrupção puderam ser observados por meio de makes que trouxeram cor, luz, brilho e força em pontos estratégicos como forma de criar uma beleza sinestésica e envolvente, que representasse a forma como cada marca deseja se comunicar com o futuro. Matty Bovan nos apresentou olhares fortes, sublinhados por traços marcantes e pesados – trazendo uma vaga lembrança das marcações nos olhos feitas por guerreiros em filmes de ação – demonstrando uma visão focada, firme e determinada do por vir. Já em Simone Rocha, o mesmo olhar forte veio em forma de luz; em uma estética inegavelmente Euphoria like, os delineados que envolveram os olhos por completo eram feitos à base de muito brilho e pedrarias, demonstrando claramente uma visão de dias vindouros ricos, promissores e radiantes – uma verdadeira visão de milhões.

Já quando o assunto são os hairstyles, acende-se o alerta para os adereços capilares e penteados que nos levam a revisitar as épocas passadas, como os altíssimos “rabos-de-cavalo”, em uma vibe anos 80, vistos na passarela de Molly Goddard, ou os lenços brilhosos que cobriam toda a cabeça desfilados pela grife Erdem nos remetendo à estética hippie dos anos 70 – porém, dessa vez, confeccionados em muito brilho e paetês, o que pode ser interpretado como uma forma de ter pensamentos brilhantes em relação ao que nos aguarda – e até mesmo criando uma sutil lembrança dos casquetes da década de 1920, que foi marcada por uma imensa disrupção com padrões anteriormente vistos, o que também pode ser entendido como uma forma de romper com o cinzento e enlutado passado recente. Além disso, adereços, antes tão “desprezados” e vistos como comuns, receberam um novo status de “peças desejo”, como as – polêmicas – balaclavas que marcaram presença na passarela de Simone Rocha. Além disso, o famoso wet hair voltou a dar as caras como aposta de Nensi Dojaka, trazendo um ar de frescor para contrastar com as coleções voltadas para as estações mais frias.

Por fim, a semana de moda londrina seguiu mantendo sua característica de ser um ambiente experimental para o mundo da moda e da beleza, apresentando aos críticos, consumidores e todos os outros espectadores novas formas de revisitar o passado, associá-lo a tendências presentes, sem deixar de expressar desejos para o futuro.

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