A história do Carnaval no Brasil

Com mais um ano de folia em casa, os dias de feriado se tornam longos e perfeitos para aprender um pouco mais sobre a comemoração que faz parte de um pedacinho do coração de cada brasileiro. O Carnaval surgiu na Idade Média, diretamente ligado ao cristianismo, trazendo elementos de diversas outras culturas, como a grega, romana e mesopotâmica.

A ideia principal seria o mundo invertido, virar a realidade e seus costumes de cabeça para baixo, e homenagear o deus grego do vinho, Dionísio, promovendo altas bebedeiras e outros prazeres carnais. Com a consolidação da Igreja Católica, no século V, foi estabelecido o período de Quaresma, onde crentes passam os 40 dias após o Carnaval e que antecedem a Páscoa em jejum, ou com restrições alimentares relacionadas à ingestão de carne, com a promissa de repurificação após os “pecados” cometidos no Carnaval.

No Brasil, a festa foi trazida pelos colonizadores portugueses, e foi se popularizando aos poucos, tomando a forma que conhecemos hoje no século XVIII, com os bailes de máscara, até o século XX, quando surgiram os desfiles ao som de ritmos influenciados pela cultura africana, principalmente no Rio de Janeiro. Em 1930, esses desfiles se tornaram cada vez mais organizados, com fantasias e sambas-enredo, e foram criadas diversas escolas de samba, e apenas em 1984, foi inaugurado o Sambódromo da Marquês de Sapucaí, onde são realizados os desfiles até hoje.

[Imagem: Reprodução Mangueira 2020]

Samba

O samba surgiu no Brasil no século XX, em algumas comunidades afro-brasileiras, praticada em rodas de dança que negros escravizados realizavam em seu tempo livre, contava com poucos instrumentos de percurssão e batuques, junto também com a capoeira. Após a abolição da escravatura, essas comunidades foram libertadas e se abrigaram na capital do país na época, o Rio de Janeiro.

Considerado patrimônio cultural imaterial brasileiro, o samba é um gênero musical envolvente e dançante, característico na época de Carnaval nos desfiles de escolas de samba. Muito marginalizado em sua origem, foi se popularizando com o passar do tempo, tocando em rádios de todo país e utilizado por Getúlio Vargas na promoção de uma construção da identidade nacional em seus mandatos. Atualmente, o gênero conta com diversos sub-gêneros, como samba-enredo, pagode e bossa nova, sua importância é tanta que no dia 02 (dois) de dezembro, é comemorado o Dia Nacional do Samba.

Mesmo com tentativas de “desafricanização” do samba, a cultura trazida pelos escravos ainda é muito influente no samba e carnaval que conhecemos, como a ala das “tias baianas”, que remete às práticas das rodas e cultos aos orixás em terreiros, e o ritmo das composições, que contam histórias acompanhadas de instrumentos como o pandeiro, surdo, cavaquinho, cuíca e tamborim.

[Imagem: Reprodução/Facebook]

Samba-enredo

Os sambas-enredo são peças essenciais para puxar uma escola de samba, é o ritmo que delimita o tema abordado, faz com que tudo caminhe e tenha seu tempo, durando por toda a apresentação – em média 1 hora – e um dos itens de avaliação da escola.

Durante o surgimento das escolas de samba em meados da década de 1920, a cantoria era aleatória e improvisada. Em 1935, quando houve a profissionalização da arte por conta do alto número de escolas e pessoas envolvidas, as letras passaram a ser registradas oficialmente, encerrando a prática do improviso e facilitando a avaliação dos jurados. Nesta época, houve a motivação por parte da Prefeitura do Rio de Janeiro para que fossem abordados temas de exaltação à cultura nacional. Em 1950, as letras foram se sofisticando, contendo rimas e estrofes elaboradas, chegando a serem gravadas, tornando- se populares e sendo comercializadas.

O tema é escolhido internamente durante o segundo semestre do ano, avaliando o melhor tema para ser abordado naquele momento, não podendo conter nenhum tipo de propaganda, e o puxador não pode desfilar pela escola. E quanto mais gente cantando o enredo, mais forte se mostra a energia, união, amor e força de vontade da escola.

[Imagem: Eduardo Knapp/Folhapress]

Frevo

O frevo é uma dança folclórica, mais popular nos carnavais do nordeste do Brasil, destacando-se de Olinda e Recife. Também reconhecido como patrimônio nacional imaterial, foi incluído na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas (Unesco) em 2012.

A origem do frevo vem após o fim da escravatura na cidade Recife, em Pernambuco, a dança “frenética” marcava a rivalidade entre bandas militares e de escravos recém libertos. Um pouco diferente do samba, o frevo tem uma marcha acelerada, acompanhada por instrumentos de sopro, como trombone, trompete, saxofone e tuba, movimentos acrobáticos e contam com a utilização de pequenos guarda-chuvas, por outra via, se encontram em sua essência carnavalesca, sua origem, na inserção de elementos da capoeira, roda, míticos e folclóricos.

O frevo tem uma orquestra, chamada de Fanfarra, e possui diversas categorias: Frevo de rua, que não é cantado, mas possui instrumental para a dança, frevo-canção, que é orquestrado para um ritmo mais lento, e o frevo de bloco, que se assemelha a uma marchinha de carnaval, cantada, dançada e contando histórias.

[Imagem: Wikimedia Commons]

O Carnaval deste ano está acontecendo neste exato momento, entre os dias 25 de fevereiro e 1º de março, contando com o dia 2, quando é comemorada a Quarta-Feira de Cinzas. Os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, adiados por conta da agravação da pandemia do Covid-19, acontecerão nos dias 22 e 23 de abril de 2022 no Rio de Janeiro e em São Paulo.

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