Exposed da empresa do rato: a falsa representatividade LGBTQIA+

A The Walt Disney Company, mais conhecida apenas como Disney. Marcou gerações com seus desenhos do Mickey Mouse, a abertura do parque mais mágico do mundo, as séries nostálgicas como “Hannah Montana“ (2006), “Feiticeiros de Waverly Place” (2007) em seu canal televisivo, os filmes de animação como “101 Dálmatas” (1961), “O Rei Leão” (1994) e os clássicos das princesas “Branca de Neve e os 7 anões” (1937), “Cinderella” (1950),  “A Pequena Sereia” (1989) e outros. Esses são só alguns exemplos de produções icônicas que fazem parte do maior  conglomerado do cinema atual, fundado pelos irmãos Walt e Roy Disney na década de 20. 

Mas, apesar da clara importância no imaginário de crianças de todas as gerações, polêmicas e Disney na mesma frase tornou-se algo muito comum ultimamente, seja pelos os diretores, atores ou até a abordagem de seus longas. Recentemente, o Jornal Orlando Sentinel revelou que a WDC financiou políticos que apoiam o projeto de lei “Don’t Say Gay”, este que proíbe as discussões sobre a orientação de gênero nas escolas primárias da Flórida. O CEO, Bob Chapek, não declarou-se publicamente sobre o ocorrido, porém, segundo o The Hollywood Reporter, Chapek é contra colocar a Disney em temas que considera insignificantes, seja para a empresa ou para seus negócios.

Em nota a Disney apenas fez o seguinte pronunciamento: “Entendemos o quanto esses assuntos são importantes para nossos funcionários LGBTQ+ e muitas outras pessoas. Por quase um século, a Disney tem sido uma força que une as pessoas. Estamos determinados em fazer com que continue sendo um lugar onde todos são tratados com respeito”.

Protesto em frente ao parque da Disney // foto reprodução G7 News

Como Chapek não se pronunciou, os funcionários da Disney compartilharam suas indignações nas redes sociais, obrigando, dessa forma, o CEO a falar. Chapek pontuou que para não confundirem sua falta de declaração com a falta de apoio, “todos compartilhamos o mesmo objetivo de um mundo mais tolerante e respeitoso”, acrescentou.

Não é de hoje que os fãs das animações da empresa  pedem por personagens que os representem. Desde 2013, com o sucesso “Frozen”, muitos levantaram a tag “dê a Elsa uma namorada”. Outro filme que acabou sendo sabotado foi o live action da “Bela e a Fera” (2017), a estreia foi adiada na Malásia, devido ao personagem Lefou, que mesmo não envolvido em nenhuma cena explícita de afeto, foi considerado um “momento gay”.

Campanha ‘#GiveElsaAGirfriend’ (dê Elsa uma namorada) // foto reprodução Twitter

O famigerado pink money – termo usado para a comercialização de produtos para o público LGBTQIA+ – entra em ação nas produções, como forma de abaixar a poeira frente às polêmicas. A Disney tentou melhorar sua reputação com o beijo de duas mulheres em “Lightyear” (2022), o próximo filme da Pixar que contará a história do Buzz Lightyear de Toy Story (1995). Um detalhe, esse beijo teria sido vetado pela Disney, mas a Pixar manteve.

Em 2018, a GLAAD (Aliança de Gays e Lésbicas Contra Difamação), apontou os estúdios com a menor representatividade da comunidade naquele ano, dos 110 filmes produzidos em Hollywood apenas 18% dos personagens fazem parte da comunidade e nenhum dos longas pertencem ao conglomerado da Walt Disney. A 20th Century Fox, que posteriormente foi comprada pela WD, contribuiu com 10% nas representatividades.

A Pixar, que atualmente faz parte do conglomerado da Disney, possui animações mais adultas comparadas aos filmes produzidos propriamente pela empresa do rato. O estúdio possui uma maior liberdade, um tanto falsa, para ter personagens dentro da comunidade LGBTQIA+, como foi visto em “RED: Crescer é uma fera” (2022), em que em uma das cenas teve a presença de um casal homossexual de mãos dadas. Entretanto, são detalhes que precisam de atenção para não passar despercebidos, já que essas demonstrações de afeto são rápidas.

Trecho de cena do filme “Red: Crescer é uma fera” // foto reprodução Disney +
Cena de “The Owl House” à direita // foto reprodução Disney +

Muitos funcionários da Pixar denunciaram a censura por parte dos executivos da Disney em uma carta resposta divulgada pela Variety, alegando a exigência de cortes em todos os afetos que sejam explicitamente gay. “Mesmo que criar conteúdo LGBTQIA+ fosse a resposta para consertar a legislação discriminatória do mundo, estamos sendo impedidos de criá-lo. Além do ”conteúdo inspirador” que não temos permissão para criar, exigimos ação”, apontam.

Dana Terrace, criadora de “The Owl House” (2020), usou seu Twitter para desabafar, após a série ter sido cancelada por desavenças criativas. “Estou cansada de fazer a Disney parecer boa. Eu sei que tenho contas a pagar, mas trabalhar para essa empresa me deixou perturbada.” O casal protagonista da animação seria formado por um relacionamento homoafetivo.

Ao mesmo tempo que essas grandes empresas apoiam projetos homofóbicos e falsamente representam a comunidade nas suas produções, o merchandising em cima da causa, estampando produtos com o arco íris da bandeira, cresce cada vez mais, tanto nos bonecos como em materiais escolares, por exemplo. 

Que a empresa do rato só pensa em dinheiro isso não é mentira para ninguém, a linha entre produzir e apoiar as causas e lucrar em cima dela é extremamente tênue, muitos acionistas olham apenas para o merchandising se aproveitando do pink money, porém ter esses produtos não significa que de fato apoiam e acolhem a comunidade LGBTQIA+. 

A Disney alcança um público gigantesco, desde seu conteúdo infantil até o adulto-juvenil, os estúdios ajudam a formar opinião de seus telespectadores, por isso que a inclusão de pessoas LGBTQIA+, tanto na equipe como nos personagens, é necessária, além disso promove o sentimento de pertencimento e que é possível ter produções explicitamente homoafetivas na Walt Disney.

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