Met Gala 2022 – Gilded Glamour

A época da Inocência (1993) Reprodução/ Vogue US

Bem: finalmente chegamos na primeira segunda-feira de Maio, após dois anos turbulentos de pandemia. Em 2021 foi anunciado que o baile e a exposição do Costume Institute — órgão regulador da preservação ativa de tecidos e roupas históricas do Metropolitan Museum of Art — foram divididos em duas partes.

Sendo a primeira parte uma ode a moda Norte-americana com um twist moderno (como roupas de designers independentes), brilharam na exposição peças como o vestido xadrez de Christopher John Rogers ou criações de Prabal Gurung. O tema escolhido para o baile de 2021 foi exatamente sobre essa ativa exaltação da moda Norte-Americana.

Infelizmente o evento acabou sem muito clímax, com uma grande quantidade de convidados esquecendo o tema em casa e oportunidades perdidas de grandes momentos que poderiam ser memoráveis. Poucas previsões sobre a volta do baile naquele ano foram vingadas, e o esforço de um baile pós-pandemia de parar o mundo da moda com grandes entradas realmente não aconteceu com a força que muitos desejavam.

Os organizadores e curadores do evento, Andrew Bolton e Anna Wintour, nunca foram de perder muito tempo — a segunda parte do evento contará com uma representação histórica estadunidense, incluindo vestimentas utilizadas durante o racionamento na época de guerra, Era Dourada, anos vinte, entre outros grandes momentos ligados diretamente com a história da moda americana:

“Esta segunda exposição, apresentada em 13 das salas do período americano no Met, “fornece um contexto histórico para Lexicon, de certa forma”, disse o curador Bolton.  “As histórias realmente refletem a evolução do estilo americano, mas também exploram o trabalho individual de alfaiates, costureiras e designers”, diz ele.  “O que é emocionante para mim é que alguns dos nomes são muito familiares para os estudantes de moda, como Charles James, Halston e Oscar de la Renta, mas muitos outros nomes realmente foram esquecidos, ignorados ou relegados às notas de rodapé de  história da moda.  Portanto, uma das principais intenções da exposição é destacar os talentos e contribuições desses indivíduos, e muitos deles são mulheres.”

Andrew Bolton para a Vogue UK.

Na última linha de cada convite para o baile do Costume Institute é possível encontrar o tema e o código de vestimenta para o evento. Todos os anos desde sua fundação em 1943, o tema do baile é proporcional à exposição anual do instituto de figurinos, sendo a exposição deste ano (‘In America: An Anthology of Fashion’) construída em torno dos princípios do estilo americano entre a sua história e celebrando designs dos EUA, segundo a Vogue. Levando em consideração essa ligação, o tema escolhido para esse ano olhou para uma era específica interessante.

O título oficial do tema é o “Gilded Glamour” uma intrínseca nomeação, qual é a junção do “Gilded” — que se refere a Gilded Age, a era dourada — e o “Glamour” como uma volta para as raízes glamourosas e opulentas do baile. Após críticas sobre o ano passado, esse será um baile com o código White Tie como vestimenta oficial. O evento acontece na primeira segunda-feira (02) de maio, com os co-chairs como Regina King, Blake Lively, Ryan Reynolds e Lin-Manuel Miranda.

A série distribuída e produzida pela HBO Max Era Dourada (2022)

O tema

A Era Dourada foi um momento de grandes inovações em diversos departamentos da sociedade. Máquinas sendo construídas, tecnologias se desenvolvendo, imigrantes embarcando para os EUA, e uma nova classe social endinheirada graças às revoluções industriais surgia após os racionamentos da Guerra de Secessão — em Nova Iorque uma verdadeira guerra fria aconteceu entre os antigos ricos e os novos rico. Um tempo de movimentação social e o começo da dita modernidade, uma nova era estava no ar e era possível sentir.

O nome “Era Dourada” foi popularizado graças ao escritor Mark Twain, que se refere exatamente a 1873 até meados de 1890 como o período dessa efervescência cultural americana. Mas sabem quem realmente prosperava neste tempo? A farta alta-sociedade nova iorquina.

O Met Gala 2022 pedirá a seus participantes que incorporem a grandeza e talvez a dicotomia da Gilded Age de Nova York: a prosperidade, mudança cultural e industrialização sem precedentes, quando fortunas aparentemente surgiram da noite para o dia. A Sra. Astor e seus 400 governaram a sociedade educada até que os Vanderbilts com dinheiro novo se forçaram a entrar. E imigrantes chegavam em navios fartos para tentar a sorte na cidade de Nova Iorque, assim como pessoas dentro do país tentavam se estabilizar e esquecer a guerra passada.

New money x Old Money:

“As melhores histórias tendem a contar com uma fada madrinha para acenar sua varinha mágica para fazer acontecer, mas na vida real, um pai bem colocado pode fazer o truque” Nina-Sophia Miralles em ‘Glossy: The inside story of Vogue‘.

Carolus-Duran (1890) Mrs. William Astor, Caroline Webster Schermerhorn, 1831–1908 (Reprodução/MET)

Nascida como Caroline Webster Schermerhorn, a Senhora Astor era uma herdeira milionária em seu direito próprio: depois de ter criado cinco filhos começou a procurar por seu chamado verdadeiro, era uma mulher descrita como ainda regente às severidades da era Vitoriana. Ela decidiu que sua trajetória era proteger uma hierarquia elitista estabelecida por sua posição vantajosa entre as duas principais famílias ricas de Nova Iorque na época.

Em 1892 foi anunciado para a imprensa que a Mansão Brownstone da família Astor na quinta avenida conseguia acomodar apenas 400 pessoas em seu salão de baile. A capacidade do cômodo era uma simbologia: em conjunto com a tenacidade de sua proprietária, os 400 convidados personificariam o que havia de melhor da sociedade Nova Iorquina — afinal, que jeito melhor de deixar os novos ricos de fora do que literalmente tirá-los das festas?

Figurinos de A época da inocência (1993).

Os quatrocentos se tornaram rapidamente um apelido para a quantidade limite de quem poderia entrar para o status quo tradicional, preparados para serem reconhecidos como socialmente relevantes. Entre dos quatrocentos (e um grande aliado da senhora Astor) estava Arthur Turnure, que também procurava uma nova trajetória e no mesmo ano se preparava para introduzir sua debutante à sociedade — a jovem se chamava Vogue. Não por coincidência, a primeira edição da revista tinha como ilustração de capa uma debutante à bordo de uma cintura apertada e luvas longas, com as letras VOGUE acima.

Turnure era um cavalheiro muito bem conectado na sociedade. Charmoso, eloquente, entusiástico e cosmopolita são palavras utilizadas para descrevê-lo, segundo a autora, e muito da antecipação da cidade em conhecer sua nova empreitada vinha de sua popularidade eminente. A carta de abertura da primeira edição da revista era cheia de significado reforçando a importância da elite de Nova Iorque;

A sociedade americana tem a distinção de ser a mais progressista do mundo: a mais salutar e a mais benéfica.  É rápido para discernir, rápido para receber e rápido para condenar.  Não é atrapalhado por uma nobreza degradada e imutável.  Tem o mais alto grau de aristocracia fundada na razão e desenvolvida na ordem natural.” Parte da carta de abertura da revista Vogue assinada por Arthur Turnure.

Os meios de comunicação também prosperavam durante esse tempo: telefone, jornais e revistas tiveram suas circulações aumentadas e mais páginas adicionadas. O tema deste ano do baile do Costume Institute não apenas é uma ode à um momento especial da cidade de Nova Iorque, é uma ligação direta com a história da própria revista Vogue, sua criação e seu fundador não conseguiriam de forma alguma prosperar sem a ajuda da alta-sociedade e a benção da senhora Astor.

O que esperar do Baile do MET de 2022?

“Para o alto escalão, a moda naquele período era de excessos. Graças às recentes inovações dos teares elétricos e movidos a vapor, o tecido tornou-se mais rápido e barato de produzir. Como resultado, os vestidos femininos geralmente apresentavam uma combinação de muitos tecidos, como cetim, seda, veludo e franja, todos adornados com texturas exageradas, como rendas, laços, babados e babados. (O edital não oficial? Quanto mais acontecendo, melhor.)” – Elise Taylor para a Vogue US.

Grandes capas da Vogue nesta época conseguem traduzir um pouco das lentes, opulência e glamour que a vestimenta reproduzia nessa época, com uma infinidade de tecidos como veludo, renda e tafetá, tons de joias com baixa exposição e grandes pedras adornando os pescoços. Podemos esperar realmente um baile como nenhum outro. Se o tema for seguido.

Acredito que uma previsão com a qual podemos contar é a reinterpretação da palavra Gilded como uma forma de vestimenta completa: vestidos inteiros em dourado, grandes joias em ouro, o dourado como o ponto central e completo do look. Vestidos longos com caudas e bordados no tom, Schiaparelli de Daniel Roseberry, Loewe de Jonathan Anderson e Versace de Donatella Versace seriam ótimos para representar essa parte mais moderna da interpretação do tema.

Afinal, não podemos pedir uma silhueta de 1870 em um baile de 2022, poderia ficar até caricato de certa forma… Mas existem nuances que podem te fazer entrar no tema sem perder a beleza moderna e agradar os amantes da moda. Interpretações de códigos da Era dourada como corsets dos mais variados tipos, especialidades de Vivienne Westwood e John Galliano; luvas adornadas, decotes, tecidos ricos e tons de jóias podem ser ótimas apostas; pedrarias e pérolas podem funcionar a favor do look. Depois de um tempo turbulento na indústria e um baile anti-climático em 2021, esperamos que com um tema tão rico e glamouroso, com inúmeras referências e oportunidades, os convidados tenham criatividade para entregar um Baile do Met memorável.


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