8/1 e o ataque terrorista bolsonarista aos Congresso

Neste final de semana, cerca de 4 mil pessoas chegaram em Brasília, para protestar contra a eleição do atual presidente Lula. Em um momento inicial, o ato golpista, que se iniciou pacífico, foi escoltado pela Polícia Militar até a Esplanada dos Ministérios. Após tentarem furar o bloqueio, a PM, com poucas equipes na Esplanada, tentou conter os golpistas, que estavam com pedaços de pau e pedra, apenas com o uso de spray de pimenta e bombas de efeito moral. Alguns policiais foram agredidos e até mesmo um cavalo da equipe da polícia teve de ser socorrido. Com o caos instaurado, os golpistas se direcionaram para os prédios dos três poderes e começaram os atos terroristas. Os golpistas depredaram o patrimônio público, quebraram móveis, vidraças e destruíram documentos e obras de arte.

Imagem: [Reprodução Twitter | @do_prisco]

Por volta das 15h da tarde, terroristas subiram na parte de cima do Congresso para alcançar a área interna da Câmara e Senado. Cadeiras foram jogadas para fora, o chão foi inundado por mangueiras de incêndio, salas de gabinetes destruídas e terroristas de extrema-direita flagrados evacuando. Os prédios já foram esvaziados, porém muitos golpistas ainda se reunem na parte exterior e estão sendo lentamente dispersados pela Tropa de Choque.

A Polícia Militar do DF foi alvo de críticas por não ter evitado os ataques. O jornal Brasil de Fato apontou motivos de que Ibaneis Rocha, governador do DF, possui responsabilidade nos atos golpistas. Um deles, é que durante o governo Bolsonaro, Ibaneis escalou um ministro da Justiça como secretário de segurança do DF, Anderson Torres, que foi autorizado a viajar à Orlando de férias, onde também está Bolsonaro. Além de que, a polícia escoltou os terroristas durante todo o trajeto — falta de resistência, que foi extremamente criticada por toda a imprensa.

O G1 mostrou com exclusividade um grupo de dez policiais militares do DF que foi filmado conversando com bolsonaristas e registrando imagens da invasão ao Congresso Nacional. Agora há pouco, Torres foi exonerado por Ibaneis, e fez um pedido de desculpas público, diretamente para os Três Poderes. A AGU reinvindicou prisão em flagrante de todos os envolvidos e de Anderson Torres, além de comunicar às plataformas, para que todo e qualquer conteúdo que incita atos golpistas, seja removido. O congresso americano questiona a permanência de Bolsonaro no país. Até a imprensa mundial se manifestou sobre o ato golpista.

Até o momento, o governo do DF afirma que cerca de 400 pessoas foram presas em flagrante, por depredação do patrimônio público.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que todas as pessoas serão encontradas e punidas. “Vamos descobrir quem são os financiadores”, comentou. “Se houve omissão de alguém do governo federal que facilitou isso, também será punido.” Lula disse que houve “incompetência, má-fé ou maldade” das forças de segurança do Distrito Federal.

O presidente decretou intervenção federal na segurança do Distrito Federal e nomeou Ricardo Garcia Cappelli como responsável pela segurança pública na capital. Cappelli é secretário-executivo do Ministério da Justiça, braço direito do ministro Flávio Dino.

Segundo o G1, a intervenção está prevista para durar até o dia 31 de janeiro. Com ela, os órgãos de segurança pública do Distrito Federal ficam sob responsabilidade de Cappelli, com subordinação a Lula. “O objetivo da intervenção é pôr termo a grave comprometimento da ordem pública no Estado no Distrito Federal, marcada por atos de violência e invasão a prédios públicos”, diz o decreto.

Dentre inúmeros políticos, grandes personalidades e especialistas, a antropóloga Lilia Schwarz comentou sobre a tentativa de golpe: “O silêncio de Bolsonaro é muito eloquente. O silêncio do procurador geral da república, Augusto Aras, também é revelador. Ele que passou 4 anos passando pano por sobre os atos bárbaros de Jair Bolsonaro.”

O diretor de redação da Revista Piauí, André Petry, também disse em nota: “É fato que boa parte deles passou dois meses penando sob sol e chuva em defesa de um golpe na frente do quartel- general do Exército, em Brasília. Mas sempre foram tratados com aquele carinho desabrido pelos militares e pelas demais forças de segurança. Nunca se viu um aparato de segurança tão gentil, tão respeitoso. Os golpistas eram gente amiga, aliados do peito. Por isso, puderam se organizar com tranquilidade, escolher a data adequada para agir e transformar Brasília num vexame internacional.”

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