Rush!: glam rock, críticas sociais e muitas músicas para se dançar

Nesta última sexta-feira (20), a banda italiana de glam rock Måneskin lançou seu terceiro álbum Rush!. Formada em 2016 na cidade de Roma, o grupo conta com quatro integrantes: o vocalista Damiano David, o baterista Ethan Torchio, a baixista Victoria De Angelis e o guitarrista Thomas Raggi. O nome Måneskin vem do dinamarquês e significa “luz da lua’’. A banda decolou após sua vitória no 2021’s Eurovision Song Contest.

‘’Nesse álbum, tentamos experimentar mais e ir em diferentes direções. Cada um de nós tem diferentes personalidades e gostos pessoais. Tentamos explorar isso ao invés de ficarmos apenas em um lugar’’, disse Victoria De Angelis para Esquire.

Capa de Rush! [Imagem: Reprodução:Spotify]

O novo disco conta com 17 faixas e diferentemente dos outros dois álbuns da banda, Teatro d’ira e Il ballo della vita,  Rush! fugiu do costume do grupo italiano e tem a maioria de suas músicas em inglês, contando com a participação de Sly, Captain Cuts, Max Martin em sua produção. De acordo com o grupo, o álbum foi inspirado na banda britânica de rock alternativo Radiohead e em críticas sociais. 

A primeira faixa do álbum é OWN MY MIND, onde os fãs já puderam ter uma noção do que estava por vir. A música foge um pouco do padrão do grupo e explora mais o techno world, perfeita para dançar. Em seguida, GOSSIP não decepciona. Com a participação do guitarrista Tom Morello, foi lançada no dia 13 de janeiro como uma prévia do álbum e faz uma crítica ao American Dream das celebridades, que, segundo eles, se baseia em: fofocas, bebidas, falsidade e cirurgias plásticas. Algo supérfluo, que as pessoas só descobrem quando entram nesse meio.

TIMEZONE é a terceira faixa de Rush!. A letra foi escrita por Damiano como uma carta direta de amor. O ritmo vai ao encontro com a emoção da letra, começando com algo suave e terminando com raiva e desespero. BLA BLA BLA é perfeita para aqueles que acabaram de sair de um relacionamento. A música retrata uma relação totalmente tóxica, mas com tons de ironia e provocação. 

BABY SAID, vem em seguida misturando vários ritmos e abordando algo muito comum. O flerte. Damiano fala sobre aquele sentimento de conhecer alguém que te faz querer ter algo mais sério apenas para depois levar um balde de água fria na cabeça, pois a pessoa não queria nada além de algo casual. Quem nunca passou por isso, né! A sexta faixa é GASOLINE, uma música que muitos fãs da banda já conheciam, afinal ela já havia sido tocada nos últimos shows que eles fizeram, trazendo uma pegada bem rock ‘n roll e abusando da bateria.  

Seguimos com FEEL, uma canção que, de acordo com as explicações que o grupo forneceu ao Spotify no dia do lançamento, as palavras desta canção são usadas exclusivamente para fins sonoros e como uma experiência, sem nenhum significado. Uma coisa é fato, essa foi uma experiência que deu certo.  

DON’T WANNA SLEEP é a oitava música, com um forte contraste: uma letra que fala sobre solidão e uma melodia que te faz querer sair da cama e dançar. A necessidade de escapar da realidade e o excesso de pensamentos que os impedem de dormir são o foco dessa faixa. 

Continuamos com KOOL KIDS, uma das primeiras canções que a banda escreveu após ganhar o Eurovision. “O que te faz ser legal ou não? Até que ponto isso importa?” Esses são os questionamentos centrais da música. As fortes críticas que Måneskin recebeu após o prêmio, como as que desmereceram sua vitória, foi o que motivou o grupo a criar essa faixa. No entanto, o fato que mais chama atenção é que Damiano gravou essa faixa completamente bêbado. 

IF NOT FOR YOU é aquela que se você quiser chorar, é ela! Fugindo totalmente do ritmo tradicional, a banda apostou em uma música lenta e melancólica completamente diferente de todas as outras 16 canções de Rush!. A bateria e o baixo foram deixados de lado e o foco ficou apenas na voz anasalada de Damiano e na guitarra de Thomas Raggi. 

READ YOUR DIARY é uma canção um tanto peculiar. Quando misturados os sentimentos de obsessão e loucura, obtém-se a letra da décima primeira música. A banda trouxe uma canção que aborda a visão de uma pessoa que age de maneiras bizarras quando está obcecado por alguém. 

O disco segue com MARK CHAPMAN, a primeira música em italiano do álbum. Seguindo a mesma linha da faixa anterior, em que também se fala sobre obsessão, mais especificamente entre um stalker e sua musa. É a canção com o ritmo mais rápido da banda, com cerca de 178 bpm (batidas por minuto).

A próxima faixa também é em italiano e tem um tom mais agressivo. LA FINE retrata as preocupações da banda com a situação de seu país no que tange à direção política que a Itália está indo: a extrema-direita. A ascensão de Giorgia Meloni trouxe esse medo devido os valores mais tradicionais que a premiê apoia e suas críticas à comunidade LGBTQIA +. O governo é formado pela coalizão de outros dois líderes de direita. 

IL DONO DELLA VITA foi a primeira música escrita para o disco. Cantada no idioma materno de Måneskin, a melodia é mais calma, mas igualmente bela, falando sobre a exaltação da alegria e reforçando a necessidade de valorizarmos as coisas simples da vida. 

MAMMAMIA é aquela música para você ouvir no máximo enquanto dirige por aí. Trazendo a clássica combinação de bateria e instrumentos de corda, a banda acertou mais uma vez no quesito de fazer uma música que não sai da cabeça. Não é atoa que a faixa continua sendo ouvida mesmo tendo sido lançada há um ano atrás. Seu videoclipe atingiu mais de 34 milhões de visualizações. Sabe quando você está fazendo algo super bacana, mas alguém insiste em menosprezar seu trabalho? Pois é, é exatamente sobre isso que essa faixa fala. 

A penúltima faixa, lançada em maio de 2022 , SUPERMODEL foi escrita após o grupo ter passado alguns meses em Los Angeles e ficarem intrigados com a concepção do conceito de ‘’celebridade’’. A personagem retratada na canção parece ser super legal, quase a própria definição de it girl, mas na verdade, luta contra vícios, solidão e depressão. 

Por fim, a última faixa de Rush! é THE LONELIEST. O single, lançado em 7 de outubro de 2022, permanece no Today´s Top Hits do Spotify até o início de janeiro. Uma música com uma pegada melancólica dos anos 90, simbolizando uma despedida por si só e mesclando uma carta de amor, de adeus e um testamento em seus 4 minutos e 7 segundos. Funcionando como uma espécie de catarse – liberação de emoções ou tensões reprimidas – para a banda e para aqueles que estão tentando superar a solidão e a falta de uma pessoa querida. 

Com esse terceiro álbum, Måneskin vem conquistando cada vez mais pessoas ao longo dos anos. Rush! mostrou que o grupo entende do que está fazendo e que pode ser versátil, mas sem abandonar suas origens italianas e do glam rock. Mostrando para as novas gerações que o rock ‘n roll não ficou apenas no século XX. 

Um álbum relativamente longo, com cerca de 52 minutos de duração, mas que contém desde músicas que te fazem querer chorar até aquelas impossíveis de ficar parado, tanto por conta de seus ritmos quanto pelo liricismo. É visível que houve um certo cuidado para que Rush! tivesse um pouco da cara de cada um dos integrantes, principalmente no que tange às letras das faixas do disco.  

O álbum, mesmo tendo sido produzido em solo estadunidense, na cidade de Los Angeles, não tentou se encaixar no padrão massificado da indústria musical, muito pelo contrário, trouxe autenticidade. Tentar restringir o álbum em apenas um gênero é praticamente impossível, mas uma coisa é certa: esse pode ter sido um dos melhores trabalhos de Måneskin até agora.

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