Rush!: glam rock, críticas sociais e muitas músicas para se dançar

Nesta última sexta-feira (20), a banda italiana de glam rock Måneskin lançou seu terceiro álbum Rush!. Formada em 2016 na cidade de Roma, o grupo conta com quatro integrantes: o vocalista Damiano David, o baterista Ethan Torchio, a baixista Victoria De Angelis e o guitarrista Thomas Raggi. O nome Måneskin vem do dinamarquês e significa “luz da lua’’. A banda decolou após sua vitória no 2021’s Eurovision Song Contest.

‘’Nesse álbum, tentamos experimentar mais e ir em diferentes direções. Cada um de nós tem diferentes personalidades e gostos pessoais. Tentamos explorar isso ao invés de ficarmos apenas em um lugar’’, disse Victoria De Angelis para Esquire.

Capa de Rush! [Imagem: Reprodução:Spotify]

O novo disco conta com 17 faixas e diferentemente dos outros dois álbuns da banda, Teatro d’ira e Il ballo della vita,  Rush! fugiu do costume do grupo italiano e tem a maioria de suas músicas em inglês, contando com a participação de Sly, Captain Cuts, Max Martin em sua produção. De acordo com o grupo, o álbum foi inspirado na banda britânica de rock alternativo Radiohead e em críticas sociais. 

A primeira faixa do álbum é OWN MY MIND, onde os fãs já puderam ter uma noção do que estava por vir. A música foge um pouco do padrão do grupo e explora mais o techno world, perfeita para dançar. Em seguida, GOSSIP não decepciona. Com a participação do guitarrista Tom Morello, foi lançada no dia 13 de janeiro como uma prévia do álbum e faz uma crítica ao American Dream das celebridades, que, segundo eles, se baseia em: fofocas, bebidas, falsidade e cirurgias plásticas. Algo supérfluo, que as pessoas só descobrem quando entram nesse meio.

TIMEZONE é a terceira faixa de Rush!. A letra foi escrita por Damiano como uma carta direta de amor. O ritmo vai ao encontro com a emoção da letra, começando com algo suave e terminando com raiva e desespero. BLA BLA BLA é perfeita para aqueles que acabaram de sair de um relacionamento. A música retrata uma relação totalmente tóxica, mas com tons de ironia e provocação. 

BABY SAID, vem em seguida misturando vários ritmos e abordando algo muito comum. O flerte. Damiano fala sobre aquele sentimento de conhecer alguém que te faz querer ter algo mais sério apenas para depois levar um balde de água fria na cabeça, pois a pessoa não queria nada além de algo casual. Quem nunca passou por isso, né! A sexta faixa é GASOLINE, uma música que muitos fãs da banda já conheciam, afinal ela já havia sido tocada nos últimos shows que eles fizeram, trazendo uma pegada bem rock ‘n roll e abusando da bateria.  

Seguimos com FEEL, uma canção que, de acordo com as explicações que o grupo forneceu ao Spotify no dia do lançamento, as palavras desta canção são usadas exclusivamente para fins sonoros e como uma experiência, sem nenhum significado. Uma coisa é fato, essa foi uma experiência que deu certo.  

DON’T WANNA SLEEP é a oitava música, com um forte contraste: uma letra que fala sobre solidão e uma melodia que te faz querer sair da cama e dançar. A necessidade de escapar da realidade e o excesso de pensamentos que os impedem de dormir são o foco dessa faixa. 

Continuamos com KOOL KIDS, uma das primeiras canções que a banda escreveu após ganhar o Eurovision. “O que te faz ser legal ou não? Até que ponto isso importa?” Esses são os questionamentos centrais da música. As fortes críticas que Måneskin recebeu após o prêmio, como as que desmereceram sua vitória, foi o que motivou o grupo a criar essa faixa. No entanto, o fato que mais chama atenção é que Damiano gravou essa faixa completamente bêbado. 

IF NOT FOR YOU é aquela que se você quiser chorar, é ela! Fugindo totalmente do ritmo tradicional, a banda apostou em uma música lenta e melancólica completamente diferente de todas as outras 16 canções de Rush!. A bateria e o baixo foram deixados de lado e o foco ficou apenas na voz anasalada de Damiano e na guitarra de Thomas Raggi. 

READ YOUR DIARY é uma canção um tanto peculiar. Quando misturados os sentimentos de obsessão e loucura, obtém-se a letra da décima primeira música. A banda trouxe uma canção que aborda a visão de uma pessoa que age de maneiras bizarras quando está obcecado por alguém. 

O disco segue com MARK CHAPMAN, a primeira música em italiano do álbum. Seguindo a mesma linha da faixa anterior, em que também se fala sobre obsessão, mais especificamente entre um stalker e sua musa. É a canção com o ritmo mais rápido da banda, com cerca de 178 bpm (batidas por minuto).

A próxima faixa também é em italiano e tem um tom mais agressivo. LA FINE retrata as preocupações da banda com a situação de seu país no que tange à direção política que a Itália está indo: a extrema-direita. A ascensão de Giorgia Meloni trouxe esse medo devido os valores mais tradicionais que a premiê apoia e suas críticas à comunidade LGBTQIA +. O governo é formado pela coalizão de outros dois líderes de direita. 

IL DONO DELLA VITA foi a primeira música escrita para o disco. Cantada no idioma materno de Måneskin, a melodia é mais calma, mas igualmente bela, falando sobre a exaltação da alegria e reforçando a necessidade de valorizarmos as coisas simples da vida. 

MAMMAMIA é aquela música para você ouvir no máximo enquanto dirige por aí. Trazendo a clássica combinação de bateria e instrumentos de corda, a banda acertou mais uma vez no quesito de fazer uma música que não sai da cabeça. Não é atoa que a faixa continua sendo ouvida mesmo tendo sido lançada há um ano atrás. Seu videoclipe atingiu mais de 34 milhões de visualizações. Sabe quando você está fazendo algo super bacana, mas alguém insiste em menosprezar seu trabalho? Pois é, é exatamente sobre isso que essa faixa fala. 

A penúltima faixa, lançada em maio de 2022 , SUPERMODEL foi escrita após o grupo ter passado alguns meses em Los Angeles e ficarem intrigados com a concepção do conceito de ‘’celebridade’’. A personagem retratada na canção parece ser super legal, quase a própria definição de it girl, mas na verdade, luta contra vícios, solidão e depressão. 

Por fim, a última faixa de Rush! é THE LONELIEST. O single, lançado em 7 de outubro de 2022, permanece no Today´s Top Hits do Spotify até o início de janeiro. Uma música com uma pegada melancólica dos anos 90, simbolizando uma despedida por si só e mesclando uma carta de amor, de adeus e um testamento em seus 4 minutos e 7 segundos. Funcionando como uma espécie de catarse – liberação de emoções ou tensões reprimidas – para a banda e para aqueles que estão tentando superar a solidão e a falta de uma pessoa querida. 

Com esse terceiro álbum, Måneskin vem conquistando cada vez mais pessoas ao longo dos anos. Rush! mostrou que o grupo entende do que está fazendo e que pode ser versátil, mas sem abandonar suas origens italianas e do glam rock. Mostrando para as novas gerações que o rock ‘n roll não ficou apenas no século XX. 

Um álbum relativamente longo, com cerca de 52 minutos de duração, mas que contém desde músicas que te fazem querer chorar até aquelas impossíveis de ficar parado, tanto por conta de seus ritmos quanto pelo liricismo. É visível que houve um certo cuidado para que Rush! tivesse um pouco da cara de cada um dos integrantes, principalmente no que tange às letras das faixas do disco.  

O álbum, mesmo tendo sido produzido em solo estadunidense, na cidade de Los Angeles, não tentou se encaixar no padrão massificado da indústria musical, muito pelo contrário, trouxe autenticidade. Tentar restringir o álbum em apenas um gênero é praticamente impossível, mas uma coisa é certa: esse pode ter sido um dos melhores trabalhos de Måneskin até agora.

A volta da era Sad Girl na indústria musical

Quem nunca, em algum momento de sua vida, foi atrás de uma música triste para escutar enquanto passa por uma situação triste e complicada? O estilo musical Sad Girl tem como público alvo esses tipos de pessoas; aquelas que recorrem às letras melódicas como uma forma de lidar com o sofrimento ou, em alguns casos, até chorar ainda mais durante os três ou quatro minutos daquela canção.  

Seja qual for o intuito da pessoa ao ouvir esse gênero musical, a indústria que promove esse tipo de música vem crescendo com uma força absurda, trazendo consigo alguns nomes populares como Billie Eilish, Lana Del Rey e Olívia Rodrigo. O que as três têm em comum? Todas fazem músicas cativantes com que muitos conseguem se identificar. 

Existe um certo prazer, mesmo em tempos de sofrimento, em encontrar aquela música que se encaixa com tudo aquilo que está sendo sentido. 

 [Imagem: Reprodução/Jillions]

No entanto, esse estilo Sad Girl não é exatamente algo novo. Os anos 90 foram importantes para que muitas mulheres, muitas vezes excluídas, emergissem na indústria musical. Fiona Apple com seu álbum Tidal foi um grande sucesso pelo mundo. A jornalista Rebecca Haithcoat afirmou em matéria escrita para a Spin que se sentia melhor quando via que: ” não era apenas eu que se apaixonava por caras idiotas, se sentia triste, não gostava do seu corpo, e não era perfeita” . 

Fiona tinha apenas 18 anos quando suas músicas estouraram. Ou seja, a cantora estava naquela fase em que decepções amorosas da adolescência são constantes. Esses acontecimentos misturados à uma capacidade magnífica de escrever e cantar foram a receita perfeita para o seu sucesso. Muitas garotas com os corações partidos conseguiam sentir tudo aquilo que a Apple cantava. 

Fiona Apple [Imagem: Reprodução/ Célula Pop]

Atualmente, quando se fala desse estilo musical, é impossível não lembrar de Lana Del Rey. A cantora e compositora americana está há mais de 10 anos produzindo músicas melancólicas de sucesso. Suas canções trazem aspectos da década de 1940 de Hollywood, além de se inspirar  em grandes artistas como Elvis Presley, Janis Joplin e Amy Winehouse. E como consequência de sua genialidade, Del Rey carrega consigo quatro Grammys

Video Games e Blue Jeans foram as duas responsáveis por realmente lançar Lana na indústria musical, iniciando uma nova fase do pop americano. A cantora conseguiu, de forma inigualável, mesclar decepções amorosas com outros assuntos mundanos, como inseguranças pessoais.  

”Você ainda me amará mesmo quando eu não for mais jovem e bela? Você ainda me amará mesmo quando tudo o que eu tiver for uma alma envelhecida?”, escreveu a cantora em Young and Beautiful.  

Outro feito de destaque de Del Rey é conseguir misturar, de forma harmônica, gêneros como o melancólico com o hip hop. Em entrevista cedida à Pitchfork, Lana contou que no início de sua carreira, suas músicas foram muito rejeitadas por gravadoras, pelo fato de não se encaixarem no padrão massificado do pop. Contudo, atualmente, é considerada por seus fãs uma das maiores artistas americanas, com mais de 110 canções lançadas.  

Lana Del Rey [Imagem: Reprodução/ Wikimedia Commons]

No final de 2021, falou-se ainda mais desse estilo após o lançamento do álbum de Adele e Taylor Swift, 30 e Red (Taylor’s Version) respectivamente. Ambos trazem músicas que expressam decepções amorosas de forma singular. Taylor traz a visão de uma jovem de 21 anos (idade que a cantora tinha quando gravou o álbum pela primeira vez) com coração partido e Adele, uma visão mais amadurecida do tema.  

Mesmo que o Sad Girl Pop não seja algo novo, a forma como milhares de pessoas estão se apegando a esse tipo de música é. A indústria cresceu de forma significativa após a chegada de Billie Eilish no mercado. Billie, assim como Fiona Apple, era apenas uma adolescente quando estourou mundialmente. Mas Billie tinha algo que a Apple ainda não tinha: milhares de plataformas de streaming que possibilitam que suas músicas sejam ouvidas em, praticamente, qualquer lugar do mundo.

É quase impossível atribuir quem foi a criadora do estilo Sad Girl, mas uma coisa é fato: Billie Eilish é uma das maiores propagadoras desse tipo de música nessa geração. Em seu primeiro Grammy, a cantora fez história. Conquistou cinco troféus, se tornando uma das artistas mais jovens, e a primeira mulher a conseguir tal feito.

  Billie Eilish no Grammy Awards [Imagem: Reprodução/Vogue Magazine]

Uma parte do grande sucesso das músicas Sad Girl se deve ao fato de que há forte identificação por parte do público com as letras tristes, que trazem a verdade nua e de forma direta; sem floreios, sem eufemismos. A música, arte criada há milhares de anos atrás, foi feita com o propósito de trazer alegria e diversão. Talvez essa ruptura com o intuito original da musicalidade seja outro grande atrativo para os ouvintes. Ou talvez cantar esse tipo de música seja apenas uma forma de catarse.

Com origem grega – kátharsis – o termo significa purificação do espírito humano; é um método de expulsão. Nesse caso, às vezes os ouvintes só estão buscando expulsar todo o sentimento que estão sentindo para fora de si mesmos.

No entanto, não é necessário que a pessoa esteja sofrendo para gostar e ouvir esse tipo de música. Afinal, se elas são tão boas assim, a tendência é que muitos passem a conhecê-las gostem cada vez mais. Por isso, a Frenezi preparou uma playlist incrível, Sad Girl – Frenezi Style, para os amantes da melancolia que trazem as músicas nessa vibe Sad Girl, para que ela possa ser escutada no carro, no banho, na cama… onde a vontade de ouvir e cantar surgir. 

A realidade fora dos palcos: vícios, ansiedade e depressão

No início deste mês de setembro, o Rio de Janeiro recebeu mais uma edição de um dos festivais mais famosos no mundo da música: o Rock In Rio. Dentre os artistas cotados para as apresentações no palco mundo, Justin Bieber e Demi Lovato se destacaram. Não apenas pelo fato de suas performances terem sido impecáveis e cheias de talento, mas também por conta do que aconteceu depois destas.

Ambos os cantores se manifestaram em suas redes sociais falando sobre exaustão física e mental e como isso afetaria suas respectivas turnês. Bieber optou por cancelar os próximos shows e Demi afirmou que essa seria sua última. 

O tema saúde mental é algo que passou a ser muito debatido ao longo dos últimos anos, principalmente na indústria musical. Em 2019, uma distribuidora digital sueca chamada Record Union fez um estudo e concluiu que dentre os 1500 músicos analisados, 73% destes possuem algum tipo de doença mental, principalmente na faixa etária dos 18 aos 25 anos. 

As doenças mais comuns são: ansiedade e depressão. Transtornos que afetam tanto Bieber quanto Demi. Dentro da pesquisa, apenas 19% afirmou ter procurado um tratamento adequado, enquanto 50% admitiu se automedicar, abusando de remédios, álcool e de drogas, lícitas ou não.

 O astro canadense e a ex-estrela da Disney estão longe de serem os únicos afetados pelas pressões da carreira e os dramas que os cercam. Artistas como Sabrina Carpenter e Joshua Bassett são atacados em suas redes sociais constantemente desde o início de 2021, após polêmica envolvendo um triângulo amoroso; fator determinante para suas saúdes mentais. 

Justin Bieber: pausa em Justice Tour por questões de saúde

O astro canadense, em seu documentário Justin Bieber: Next Chapter falou abertamente sobre os problemas que ele enfrenta com sua saúde mental. Em 2020, o cantor revelou que ao longo de sua adolescência chegou a ter pensamentos suicidas por conta de toda pressão e do bullying que estava sofrendo.

Recentemente diagnosticado com a síndrome de Ramsay Hunt, doença responsável por causar paralisia facial e perda auditiva, Justin decidiu dar uma pausa em sua agenda lotada de shows, a fim de se concentrar nos tratamentos da síndrome para melhorar o mais rápido possível. Uma atitude que ao mesmo tempo foi muito compreendida pelo seu público, também foi altamente criticada. 

Após uma melhora significativa, Bieber retomou a Justice Tour e inclusive realizou o sonho de muitas beliebers – fãs do astro – vindo  ao Brasil, no início deste mês. O artista entregou um show espetacular na edição do Rock in Rio de 2022, performando por mais de 1h com uma setlist de 22 músicas. No entanto, os fãs perceberam o cansaço que o cantor apresentou ao longo de sua apresentação. Justin estava visivelmente abalado. 

Justin Bieber no Rock in Rio [Imagem: Reprodução/Instagram]

Após sua apresentação no Rio de Janeiro, o cantor confirmou o que a mídia já estava especulando. A Justice Tour estaria sendo suspensa mais uma vez. Os shows que aconteceriam na capital paulista nos dias 14 e 15 de setembro foram cancelados. Bieber, em seu Instagram, se desculpou e agradeceu o apoio de seus fãs.

Comunicado oficial da Time for Fun [Imagem: Reprodução/Twitter]

No entanto, nem todo mundo entendeu a decisão tomada pelo astro. Mais uma vez ele foi considerado como mimado e egoísta por, pasmem, priorizar sua saúde física e mental. Infelizmente, enquanto alguns torcem para que Justin Bieber fique bem, outros simplesmente não compreendem como ele pode agir dessa forma. Colocando o cantor em um patamar muito elevado, esquecendo-se de algo fundamental: Justin Bieber também é humano. 

Demi Lovato: uma jornada de vícios e depressão

Demi Lovato, após uma série de shows pelo mundo, anunciou em seu Instagram nesta última terça-feira (13) que está muito doente e que não consegue mais seguir com a carreira. “Essa próxima turnê será minha última, eu amo vocês e muito obrigada”, disse a cantora. A data prevista para o fim da Holy Fvck Tour é dia 6 de novembro deste ano.

A cantora americana Demi Lovato, em entrevista fornecida à Variety, contou sobre seu documentário Dancing with the Devil, que aborda a sua luta pela preservação de sua saúde mental e contra o vício. “Há dois anos enfrentei o momento mais difícil da minha vida e agora estou pronta para compartilhar minha história com o mundo inteiro. Pela primeira vez vocês poderão ver o meu ponto de vista sobre minha história de luta e cura. Sou grata por ter conseguido encarar meu passado e finalmente compartilhar minha jornada com o mundo”, declarou à revista.

A jornada de Lovato com transtornos em sua saúde mental começou quando a cantora trabalhava para o Disney Channel, em 2010. Além de lidar com a constante busca pela “perfeição”, lidava também com a bipolaridade. A artista foi afastada para um tratamento em Illinois para cuidar de sua bulimia, colapsos nervosos, automutilação e dependência de álcool e cocaína.
Demi contou, também, que quando mais nova chegou inclusive a performar embriagada e sob o efeito de drogas. Uma de suas apresentações mais elogiadas do single Give Your Heart A Break, no programa American Idol, a cantora estava totalmente fora de si. Ao longo desse período difícil, ela foi alvo de muitos ataques e críticas da mídia. Comentários de que a cantora “havia chegado no fundo do poço” foram recorrentes; fator que só contribui para a piora de seu estado.

Sabrina Carpenter e Joshua Basset após Drivers License

No ano passado, a cantora Sabrina Carpenter foi envolvida em escândalos amorosos juntamente com seu ex-namorado, Joshua Basset, e Olivia Rodrigo, que também namorou o cantor e ator em 2020. Os rumores de que Sabrina havia sido a responsável pelo rompimento do casal circularam por toda internet após o single drivers license, lançado por Rodrigo em janeiro de 2021.  

Na música, Olivia menciona que uma loira teria sido quem os afastou; os fãs logo concluíram que se tratava de Sabrina, uma vez que a cantora tinha sido vista com Basset várias vezes, inclusive em suas redes sociais. Com isso, Sabrina se tornou alvo de inúmeros ataques, além de ter sofrido ameaças de morte. A cantora, em entrevistas, falou que esses hates excessivos foram péssimos para sua saúde mental. Joshua, que também sofreu com muitos ataques, optou por não responder à cantora diretamente e pediu que seus fãs não jogassem hate em ninguém

Tanto Carpenter quanto Bassett compartilharam seus sentimentos por meio da música. Sabrina lançou o singleSkin”, que pode ser entendida como uma resposta direta à Olivia, levando em conta que a cantora menciona em sua canção: “Talvez loira tenha sido a única rima”. Fazendo alusão à drivers license

 ”Minhas músicas são um reflexo do que está acontecendo na minha vida. Gostaria que refletisse a força que pode ser encontrada em momentos difíceis”, disse Carpenter em entrevista à People Magazine 

Joshua lançou Lie, Lie, Lie e Crisis; ambas sobre todo o drama em que ele foi envolvido publicamente. ”Minha mãe me ligou, porque ouviu que estou recebendo ameaças de morte. Não sei que diabos devo fazer com isso. Gostaria de poder abrir meus olhos e esse pesadelo ter acabado. Mas você sensacionalizou e continua jogando lenha na fogueira”, escreveu Joshua Basset em Crisis.

Uma coisa é fato: pessoas públicas estão mais sujeitas a críticas e pressões externas do que qualquer um; e os cantores não são diferentes. Os cuidados com a saúde mental são essenciais para que os artistas consigam seguir na indústria musical. Felizmente, essa questão está cada vez mais sendo abordada pela mídia, e doenças como depressão estão parando de ser consideradas um tabu.

Quanto mais se fala sobre o assunto, mais informadas ficam as pessoas. Consequentemente, torna-se mais fácil procurar um tratamento. Esses são apenas  alguns, dos milhares de cantores, que convivem com transtornos em suas saúdes mentais. Cabe ao público compreender e respeitar que eles terem suas vidas publicizadas, não anula o fato que também passam por problemas como qualquer um.

A relação conturbada entre alguns cantores e seus empresários fora dos palcos: um universo de abusos e traições 

Por trás de grandes estrelas musicais, existem bons empresários, ou pelo menos é isso que se imagina. No entanto, nem sempre a premissa é verdadeira. Ícones musicais, como Elvis Presley e Britney Spears, não possuem em comum somente um talento inquestionável, ambos são apenas alguns exemplos de artistas que foram enganados por aqueles que, em tese, deveriam facilitar suas vidas e ajudar a lidar, da melhor forma possível, com suas carreiras.  

Os crimes cometidos por esses empresários vão desde abusos psicológicos, até roubo de uma parte significativa da fortuna de seus clientes. Talvez seja a ganância que os motive a agir de forma antiética e trair a confiança de seus artistas, mas às vezes, é apenas uma falta de caráter enraizada nesses indivíduos. 

Claro que não se pode atribuir, exclusivamente, os transtornos mentais de inúmeros famosos à indústria musical. Contudo, a garantia do bem-estar e a saúde deles, que deveriam ser o foco principal de seus empresários e gravadoras, são substituídos pela busca incessante do lucro e a produção massiva de obra-prima.  

Elvis Presley: a estrela que foi enganada desde o início  

A estreia do filme Elvis, protagonizado por Austin Butler, contou sobre a trajetória musical de Elvis Presley durante sua vida. A obra cinematográfica abordou, também, a relação dele com Tom Parker, interpretado por Tom Hanks, e como esse tirou proveito do artista ao longo dos anos

1955: Elvis Presley is taken over by manager Col.... | Sutori

                 Elvis Presley e seu empresário Tom Parker [Imagem: Reprodução/Sutori]

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O Rei do Rock é mais uma das inúmeras vítimas que tiveram suas carreiras sabotadas por conta do mau caráter de seu empresário. Em 1955, quando Elvis tinha apenas 20 anos e estava no início de sua carreira, seu caminho se cruzou com o de Tom, que viu no talento do cantor uma possibilidade de lucrar. Afinal, a voz de Presley era algo que não se via na indústria musical da época. 

No mesmo ano, Coronel Parker foi o responsável por conseguir fechar um contrato com a gravadora RCA Victor para Elvis, o que garantiu seu primeiro grande cachê após lançar o single Heartbreak Hotel, faturando cerca de 40 mil dólares.  Contudo, o rei não desfrutou plenamente de todo dinheiro que ele conquistou, afinal Tom achou conveniente abocanhar uma quantidade significativa do pagamento de seu cliente, sem avisá-lo, obviamente. 

                      Capa do single Heartbreak Hotel [Imagem: Reprodução/ ElvisRecords]

Ao longo dos anos, a fama de Elvis foi apenas crescendo. Em 1956, decidiu expandir sua carreira para a indústria cinematográfica e fez sua estreia brilhante no filme hollywoodiano Love Me Tender, uma obra que misturava o faroeste com um romance musical. Seu carisma aliado ao seu talento e sua beleza inigualável, foram a receita para que a fama de Presley rompesse fronteiras e se espalhasse mundialmente. 

               Poster do filme estrelado por Presley [Imagem: Reprodução/ Blog Dudu Hamilton]

Ao mesmo tempo que ele se tornava cada vez mais famoso, seu empresário o roubava cada vez mais. O cantor, aclamado internacionalmente, se apresentou fora dos Estados Unidos apenas três vezes. Isso era uma constante fonte de atrito entre ele e o Coronel, visto que turnês internacionais com a possibilidade de lucro de milhões de dólares eram frequentemente vetadas por Tom. 

Apenas anos depois, descobriram que Tom Parker não passava de uma identidade falsa criada pelo empresário, que imigrou ilegalmente da Holanda para os Estados Unidos. Andreas Cornelis – seu verdadeiro nome – não podia mais sair do país sem o risco de ser deportado, o que o impedia de ir em turnês internacionais de seu cliente.  

Parker foi o empresário de Elvis até a morte do artista em 1977. Alguns anos depois, ele foi alvo de processos e investigações que alegavam que havia se aproveitado financeiramente do artista. No final das contas, a justiça americana determinou que ele não teria os direitos legais sobre as obras do cantor. Em 1997, o ex-empresário foi vítima de um derrame cerebral onde ele não resistiu. 

A PRISÃO DE BRITNEY: VÍTIMA DO PRÓPRIO PAI 

A diva pop norte-americana Britney Spears, após um período turbulento durante sua carreira, teve por uma decisão judicial, desde suas finanças, avaliadas em 60 milhões de dólares na época, até as decisões dos mínimos detalhes de sua vida, entregues ao seu pai Jamie Spears, em 2008. A justificativa concedida pelas autoridades, foi que a artista estava passando por sérios transtornos mentais e era incapaz de agir de maneira segura consigo mesma e com aqueles que a rodeavam. 

                                   Britney Spears [Imagem: Reprodução/Slant Magazine]

Nos últimos anos, a cantora decidiu expor ao mundo os abusos com que conviveu por 13 anos. Os depoimentos são ainda mais fortes quando o fato de que seu próprio pai e o empresário Larry Rudolph, foram os responsáveis por cometê-los. As imposições feitas por Jamie e Rudolph, eram absurdas e iam de encontro com seus direitos básicos. Britney, ao longo de entrevistas, contou que foi forçada a tomar remédios psiquiátricos lítios contra sua vontade, além de ter tido seu corpo controlado por uma figura masculina inúmeras vezes. “Meu pai me proibiu de casar com meu namorado Sam e quando eu disse que queria remover o meu DIU para tentar ter outro filho isso também foi vetado”, disse.  

                      Britney Spears e Jamie Spears [Imagem: Reprodução/BBC News]

Por muito tempo, Britney Spears foi considerada uma mulher louca e incapaz de tomar suas próprias decisões. Claro que, em uma sociedade patriarcal e enraizada com estereótipos machistas, esse tipo de discurso é aceito facilmente por muitos. Afinal, é muito menos trabalhoso apenas colocá-la no quadro da loucura, do que buscar entender o que a levou a agir daquela maneira e tentar ajudá-la da forma correta, algo que seu pai foi incapaz de fazer.  

“Eles viam eu me trocar todos os dias, de manhã, à tarde e à noite. Eu não tinha uma porta que me desse privacidade no meu quarto… Eu não estou mentindo. Eu só quero a minha vida de volta. Já se passaram 13 anos, então chega. Já faz muito tempo desde que eu ganho meu próprio dinheiro. É meu desejo e meu sonho que isso tudo acabe sem que tenha que passar por testes. Estou com tanta raiva que é loucura. Eu mereço ter uma vida. Eu me sinto presa, me sinto intimidada e eu sinto que me deixaram de fora de tudo”, declarou Britney em entrevista à Verity

O documentário Framing Britney, produzido pelo The New York Times, trouxe à tona um pouco mais sobre a vida da cantora durante todos os anos de tutela indesejada e a misoginia instaurada no cerne da mídia mundial. Após sua estreia, o movimento #FreeBritney ganhou ainda mais força. A obra audiovisual expõe um lado da artista que os veículos de informação, convenientemente, optaram por não mostrar. O lado da mulher forte e independente, que se recusa a abaixar a cabeça para qualquer um, mesmo que essa pessoa seja seu pai. No final das contas, após muitos julgamentos, Britney conseguiu sua liberdade. A diva pop agora possui controle sobre suas finanças, e o mais importante, sobre si mesma. 

         Protestos pedindo pela liberdade da cantora [Imagem: Reprodução/Persona]

Não é apenas o luxo e o glamour que cercam as estrelas musicais. O estresse também é fator constante em suas vidas, o que piora quando ele é causado por empresários. Em 2019, Taylor Swift também foi vítima de um. Nesse caso, não o seu empresário, mas Scooter Braun, empresário de famosos como Justin Bieber e Ariana Grande, que comprou a gravadora Big Machine Label Group por cerca de 300 milhões de dólares, e como consequência dessa compra, adquiriu os diretos sobre todas as músicas da cantora pop até o álbum Reputation. 

Ariana Grande e Scooter Braun, o empresário que adquiriu os direitos das masters de Taylor Swift [Imagem: Reprodução/Instagram]

 Taylor ficou irritada, e com razão, com o fato de que ela não foi comunicada sobre a venda da primeira gravadora com que assinou contrato e com isso, não teve a oportunidade de comprar os direitos das masters de suas músicas de volta. “Ele sabia o que estava fazendo, os dois sabiam. Controlando uma mulher que não queria ser associada com eles. De modo perpétuo. Isso quer dizer para sempre”, afirma Taylor em depoimento publicado em suas redes sociais.

Além disso, a cantora ainda declarou que A mensagem que estão enviando a mim é bem clara. Basicamente, seja uma boa menina e cale a boca. Ou você será punida. Isso é ERRADO. Nenhum desses homens sequer se envolveu na composição dessas músicas”, acrescentou a cantora. 

Ela optou por não se incomodar com o papel de descontrolada que lhe foi imposto em meio a todas essas polêmicas. Taylor Swift, em uma jogada de mestre, decidiu que gravaria todos seus álbuns novamente e os lançaria com a gravadora Republic Records. A diferença é que dessa vez, os nomes das músicas são acompanhados por (Taylor´s Version), uma simples marca, mas que indica que a cantora possui todos os direitos sobre aquela canção. Fearless e Red são exemplos de discos que já foram regravados por ela.  

                  

            Segundo álbum regravado por Taylor [Imagem: Reprodução/Pinterest] 

Uma coisa é fato: existem muitos empresários dispostos a prejudicarem as carreiras de artistas musicais. Sejam eles seus próprios clientes ou não. O Rei do Rock, Britney Spears e Taylor Swift não foram os primeiros a serem enganados e, infelizmente, não serão os últimos. A realidade fora dos palcos diverge bastante do imaginário glamuroso que muitos têm em relação à vida desses artistas. O luxo e o dinheiro, em alguns casos, vem acompanhados de uma série de abusos e traições.