Entenda tudo sobre streetstyle e cultura do HYPE

Por Julia Ferreira e Maria Fernanda Rocino

Estranho pensar num mundo onde a tecnologia não afetava diretamente as estéticas e os estilos da moda como vivemos hoje em dia. Um tempo em que a moda era somente uma “ferramenta” utilitária a favor do pudor social e cultural, ela não era vista de forma segmentada em um sistema capitalista de oferta e procura, não qualquer tendência digital em redes sociais capaz de ditar a forma como devemos nos vestir. O guarda-roupa era simplesmente o reflexo dos valores culturais e deveres práticos de seu dono.
Não havia qualquer regra, nem inúmeras possibilidades de estilos ao se vestir cedo pela manhã, sair na rua e continuar com as tarefas do dia. O famoso termo ‘street style’ nem existia como terminologia até os anos 70, com a ascensão do estilo do hip hop em bairros da periferia de Nova Iorque – EUA, como no Bronx e Queens.

Contexto:

Afirmar que existe uma só data de nascimento para o estilo do ‘street style’ na moda é o mesmo que tentar definir a quantidade exata de tendências que nos metralham diariamente nos veículos de comunicação de moda e nas redes sociais, no mundo de hoje termos a resposta parece impossível. Mesmo assim, é de senso comum entre estudiosos de história da moda que a terminologia surgiu na transição da década de 1970 para 1980, com o fortalecimento das tribos urbanas vistas de maneira marginalizada pelo resto da sociedade. Todos esses movimentos de contracultura foram os pioneiros na dialética de usar a moda como ferramenta capaz de traduzir a personalidade, gostos e crenças não somente do indivíduo inserido naquela cultura, mas sim um grupo que foi capaz de se estruturar em um só coletivo com todas as suas ideologias.


Apesar de todos esses estilos, mais cedo ou mais tarde terem atingido o gosto popular, foi com o Hip Hop que o street style dominou o vestuário mainstream no varejo. Roupas largas ou ‘oversized’ , sneakers, jóias em ouro extremamente extravagantes e a reinterpretação de peças do mercado de luxo começaram a ganhar uma força muito grande entre os jovens de regiões marginalizadas.


Na década de 80, longe dos Hampton ou Upper West Side, do outro lado de Nova Iorque, a 125th Street no Harlem tem sido a capital da vida cultural afro-americana desde o século 20. Por lá, lojas tradicionais de famílias vendiam roupas esportivas e de trabalho – como alfaiataria. Dessa forma, com lojas em massa vendendo sempre do mesmo jeito e com produções com intuitos, a única forma de adquirir e mostrar seu estilo, era indo a costureiras fazendo roupas sob medida. Porém, com o alto custo deste trabalho, as únicas pessoas que conseguiam ter esse estilo de vida, eram drug dealers, traficantes, cafetões e outros gangsters. O objetivo era fazer suas roupas aparentarem ser caras com toques clássicos como da alfaiataria, mas com muita representação do gueto. Eles detinham do poder e do dinheiro, todos queriam se parecer com eles.


Com o movimento tendo começado no Harlem, Bronx e em Bedford-Stuyvesant, ganhou força com a proliferação da televisão em programas de tv e em álbuns de artistas de hip-hop com os clipes. A televisão e os programas de tv tiveram influência primordial para espalhar essa cultura país afora. Will Smith e Spike Lee mostravam que a cultura negra era uma proposta viável. Eles usavam Nike. Os pretos não deveriam ter como comprar roupas só dos brancos. O hip-hop realmente poderia ser monetizado.


Além da estética de poder e dinheiro, o streetstyle trazia conforto. Os traficantes de droga ficavam parados por longas horas nas esquinas vendendo produtos que necessitavam de roupas práticas, especialmente no inverno de Nova Iorque. As botas Timberland passaram a fazer parte dos looks, assim como jaquetas puffer e casacos de vela, de marcas como Tommy Hillfinger, Ralph Lauren e Náutica.

LL Cool J, rapper dos anos 90. [FOTO: Reprodução/ Getty Images]

Os diversos estilos de rua não eram vistos de maneira generosa e com o ‘glamour’ que vemos nos dias atuais, esses grupos eram vistos de forma muito preconceituosa levando em conta a origem periférica que tinham, sejam eles vindos dos bairros marginalizados da clássicas Londres, sejam eles do Bronx e do Queens na grande Nova Iorque que começava a mostrar seu potencial como capital fashion nos anos 90.


Uma das primeiras personalidades a de fato esse movimento inserir tais estilos de rua, principalmente a cultura preta do Rap, foi Dapper Dan. O designer nova-iorquino de 77 anos, começou de maneira bem simples com suas criações visionárias no cenário do Harlem em 1982, com a inauguração do seu ateliê ‘Dapper Dan’s boutique’. Ele foi um dos primeiros que teve a sacada certeira de enxergar o potencial criativo que esse estilo emergente tinha para o mercado de luxo. Na época, Daniel descreveu sua marca como “tipo de roupa masculina étnica do gueto”.

Os estilos mais vendidos eram ternos de seda, sapatos de crocodilo e ternos jeans feitos de couro. Muito antes da Nike desenvolver roupas, Day imprimia seu tecido juntamente com o logo da marca esportiva. A elegância e a praticidade impulsionam o que viria a ser conhecido como o estilo do hip hop. Designers como The Mighty Shirt Kings se tornaram conhecidos por suas roupas personalizadas com barulho das correntes, coloridas e com estilo grafite. Roupas largas, grandes, com logo, atléticas como moletons com capuz, além de jeans e jóias de luxo como pingentes personalizados e carros caros. Tudo girava em torno do dinheiro e do poder que esbanjavam.

Dan coletava peças de luxo de grandes marcas europeias como Gucci, Versace e Louis Vuitton, as destrincharam e logo depois se apropriou de seus logos para a criação de novas peças, seu processo é o que chamamos hoje de ‘upcycling’ – processo de ressignificação de um material a partir da reciclagem.

Dapper Dan e Gucci. [FOTO: Reprodução/ Dazed]

Já na europa, mais especificamente em Londres, à medida que o disco mainstream e a música rock and roll prosperavam na década de 1970, o subgênero underground do punk era um fenômeno em progresso. O estilo musical dos anos 70 foi melhor representado pelos jovens da banda inglesa Sex Pistols e por Vivienne Westwood, estilista britânica namorada do integrante Malcolm McLaren e proprietária da loja ‘Sex’, em Londres, local onde foi o centro do estilo punk, com roupas fetichistas e o próprio nome vulgar. À frente da loja, o casal era o grande responsável pelo visual transgressor da banda, graças à visão que os representava.

Num momento no qual tudo estava dominado pela ascensão do movimento hippie, o punk dominou a moda e ascendeu o gênero musical. A contracultura jovem em todo o Reino Unido desejava perturbar a paz da sociedade inglesa, ostentando então o que era considerado roupas e maquiagem chocantes e expressando sentimentalismos revolucionários por meio de sua individualidade.

Movimento Punk, nos anos 80. [FOTO: Reprodução/Folha Um]

Na mesma época, mas na Califórnia, o hip-hop teve sua influência. Partindo de sua origem, o streetwear era uma forma de descrever roupas confortáveis, usadas por grupos de surfe e skate de Los Angeles. A grande parte das roupas de streetwear que vemos hoje vem da influência do skate e surfe. No livro “This Is Not Fashion; Streetwear: past, present and future”, com 304 páginas e 14 capítulos retratando a história do movimento streetwear, a única marca que ganha um capítulo inteiro pra si, é a Stüssy. E, definitivamente, isso não é à toa.


A Stüssy conseguiu dividir as épocas em ‘antes Stüssy’ e ‘pós Stüssy’. A marca define o que é streetwear. Shawn Stüssy, o criador da marca, reuniu tudo o que veio antes dele e misturou com originalidade, influências culturais, detalhes e qualidade. Shawn cresceu na Califórnia trabalhando em lojas que vendiam pranchas de surfe. Em 1979, começou a escrever seu nome de formas diferentes sonhando em lançar sua marca de pranchas.


No ano seguinte, se mudou para Laguna Beach e montou sua loja no Canyon no ano seguinte. Imprimindo sua assinatura, colocava em camisetas para ajudar na sua renda extra, e, viu que, numa feira de pranchas, as camisetas que não estavam à venda, se popularizaram. Em meados da década de 80, Shawn estava vendendo suas roupas em Nova Iorque e montando uma equipe internacional de pessoas com as mesmas ideias. A International Stüssy Tribe, era uma equipe que influenciava surfistas, skatistas, artistas e músicos como DJs de reggae e hip-hop, com suas peças feitas sob medida, largas e com bolsos.

Foto arquivo do início da Stussy. [FOTO:  Reprodução/ The Hip]

Na década subsequente, o fenômeno tomou tamanha proporção que os magnatas do vestuário esportivo, principalmente marcas ligadas ao basquete, viram uma oportunidade de entrarem na crista da onda dessa tendência que rapidamente atingiu outras regiões dos EUA. Marcas como Adidas, Puma, Champion e Nike começaram a investir pesado em novos designs que fundissem o sportswear com o street style desses jovens da cultura do Rap, a partir de então a conexão entre o vestuário esportivo e o estilo de rua se tornou quase que sinônimos.

Designers contemporâneos:

Supreme;

A Supreme começou com James Jebbia, fundador da grife. Em meados de 1991 e 1994, James se juntou com Shawn Stussy e colaboraram juntos. Em 1994 na Lafayette Street, no SoHo- NY, que Jebbia deu início a marca independente. A loja apresentava peças tradicionais de streetwear, como sneakers, camisetas, moletons e acessórios de skateboard, se tornando então um clube underground, galeria de arte e ponto de encontro para pessoas que viviam e gostavam da cultura.


Com o passar dos anos, a marca foi ganhando seu lugar e conquistando o público fortemente. Realizando parcerias e lançando diferentes produtos, todos ganhavam a estética do logo com as linhas marcantes em tira vermelha com SUPREME escrito por cima em letras brancas- inspirado na arte de Barbara Kruger. A marca griou uma comunidade e virou um símbolo de contracultura nos anos 1990. Nos dias de hoje, a Supreme se tornou uma grife do mundo do streetwear, realizando parcerias com marcas de luxo como Tiffany & Co e Louis Vuitton.


Virgil Abloh e Off White;

Virgil Abloh foi a mente, corpo e alma da tão aclamada, respeitada e desejada Off White, além de, estar por trás das coleções de menswear da Louis Vuitton de 2018 até 2022 – ano do seu falecimento.
Abloh se formou em arquitetura e ingressou na indústria da moda em 2009 após estagiar na Fendi, mas sempre esteve ligado a esse universo com sua mãe costureira. O designer realizou a parceria criativa na maison com Kanye West que foi fundamental para a carreira artística de ambos. Ele era uma espécie de assistente craitivo de Kanye, co-criando capas de albuns, ajudando no desenvolvimento de cenários, entre outros.


Apesar do surgimento da Pyrex Vision, primeira grife de Virgil Abloh fundada em 2012, com um conceito baseado em customização de itens de outras marcas, foi a Off White, em Milão, no ano de 2013, que teve sua real ascensão no mundo da moda. Estreando na semana de moda de Paris e nomeada finalista do prêmio LVMH, desde então, a marca ganhou clientes e admiradores fiéis. Com parcerias com marcas como Jimmy Choo, Converse, Dr. Martens, entre outros, a Nike foi a parceria que mais atraiu público e hype para a marca, gerando poder e a devida atenção necessária.

(Foto: Reprodução)

Brasil;


Com toda essa onda de novidade do estilo de rua juvenil ficando mais forte a cada dia nos EUA e na Europa, com a influência dos esportes radicais e dos estilos musicais da periferia, a moda brasileira até meados dos anos 90 não criou uma identidade para si no mundo do street style. Foi com o gradual crescimento do funk brasileiro que o street style começou a ganhar a forma da nossa bandeira verde e amarela.
O funk como ritmo musical chegou nos anos de 1970 ainda com muita influência do funk estadunidense que tem forte influência do Soul Music, mas ainda de origem marginalizada em território norte-americano. No Brasil o ritmo se fundiu com o nosso MPB e teve suas primeiras aparições nas vozes de Tim Maia, por exemplo. Mas somente no final dos anos de 1980 que o ritmo musical ganhou a cara que conhecemos hoje como naturalmente brasileira, sob produção do Dj Marlboro – ele foi o primeiro a introduzir a batida eletrônica presente no funk de hoje.


Na virada do século, além do então “novo” ritmo musical ter se saído da periferia e se espalhado para a Zona Sul carioca, o funk toma conta de boates com os grupos musicais que surgiam trazendo a nova proposta. O “Bonde do Tigrão” foi o maior sucesso na época, atraindo mais admiradores para o estilo. Da mesma forma que o estilo musical demorou para chegar em território nacional e teve seu percurso traçado da periferia para os subúrbios de classe média, assim o street style que se comunica com os fãs de funk também levou 20 anos para se estabelecer como estética de moda no país.


Aqui o estilo tomou vários caminhos, desde uma certa continuação do estilo skatista proveniente da Califórnia até a formação de uma identidade própria que remonta hábitos dos funkeiros da periferia. O estilo Mandrake exemplifica que, mesmo com a influência do estilo de rua internacional, a identidade, hábitos e gostos de um povo transforma uma tendência global quando se insere intimamente em uma cultura.

Estilo Mandrake. [FOTO: Reprodução/ Kondzilla]

Mile Lab;


A marca fundada na região do Grajaú – SP em 2017, surgiu com o objetivo de não ser somente mais uma marca no mercado de moda nacional que meramente se inspira no street wear da região que a circunda, mas também atuar ativamente neste ambiente. Fundada por Milena do Nascimento Lima, de acordo com a própria direção, o coletivo criativo “busca o reconhecimento do corpo de periferia, da sua estética e do pertencimento deste corpo em todos os territórios possíveis”.


Ela tem como principal característica a busca e o ensinamento que a moda pode e deve dar voz aos periféricos em manifestar suas lutas, sua história e todo o direito e espaço para mostrarem a cultura marginal da qual fazem parte.
O coletivo, além de contar com a direção criativa de Milena, também apresenta nomes como Breno Luan e Sabrina também na criação e na assistência de estilo; na fotografia, Vinícius Marques; e por fim toda a estratégia de comunicação e as redes sociais ficam sob os cuidados de Italo Augusto. Cada um contribui com suas experiências e pontos de vista sobre tudo o que rodeia a cultura da periferia, tornando a marca ainda mais especial no meio em que atua.

Design de Milena do Nascimento Lima. [FOTO: Reprodução/ MileLab.com]

P.Andrade;

O nome de Pedro Andrade já é um velho conhecido para os fãs de street style no cenário brasileiro, sua marca Piet completa neste ano uma década de história. Andrade em pouco tempo conquistou nomes importantes do entretenimento brasileiro como consumidores, dentre eles Marcelo D2 e Chay Suede.
Tudo começou com a vontade do então estudante de design industrial em criar uma marca que pudesse oferecer às pessoas algo que ainda não era achado no mercado. Anos depois, Andrade resolveu abrir paralelamente a Piet, sua nova marca P. Andrade ao lado de sua esposa Paula Kim.
Ao invés de continuar com lançamentos mensais, a estreante na SPFW P.Andrade tem como principal foco ousar mais em criação; a marca retrata o lado mais imaginativo, jovem e sustentável do designer. Logo em sua primeira coleção, a dupla de designers conseguiu se inspirar no design e na arquitetura nacional e inseri-los em um estilo de vestuário tão “internacional” como é o caso street style.

Coleção Outono/Inverno 2022, P.Andrade. [FOTO: Reprodução/UOL]

High Company:

Não há como falar de street wear no Brasil sem ao menos mencionarmos a High Company, marca fundada em 2017 por Diogo Roccon em Vitória, ES. Diogo viveu sob a influência do surf mas foi a partir do skate que o designer criou a assinatura de sua marca. Roccon se mudou para Curitiba, PR, com o intuito de absorver o máximo possível dessa cultura, inserido dentro do maior epicentro da prática do skateboard no Brasil.


Rapidamente, a marca ganhou tamanha visibilidade que todo fashionista adepto ao estilo começou a ganhar conhecimento do trabalho de Roccon. A pouco tempo,a marca abriu seu primeiro endereço físico na região do Jardins, na Grande São Paulo, SP, conhecida por ser um bairro de extrema importância no cenário da moda nacional.
O mais interessante é que a High Company não se limitou a criação de camisetas, moletons, calças oversized, e acessórios dentro dessa tendência, mas se permitiram a criarem a ferramenta mais necessária aos usuários desse estilo, o próprio skateboard. A High Company entendeu a necessidade do mercado de criar um estilo de vida aos seus consumidores, muito além de só uma criação sazonal de vestuário.

Lookbook High Company. [FOTO: Reprodução/ High Company]

O street style e sua cultura do ‘hype’ que vemos hoje nada mais é do que um reflexo direto dos caminhos que a moda sempre trilhou no cotidiano das pessoas. A forma de se vestir fala muito além dos gostos ou da forma como a pessoa gosta de ser vista, ela está ligada a forma de viver, ideologias, crenças, hábitos, lugares que frequenta; a cultura do Hype não se resume a peças de vestuário em alta nas tendências de mercado e famosas nas redes sociais, ela fala da forma como os adeptos desse estilo vivem e se relacionam.

Como qualquer estilo dentro da moda, o street style sofreu suas mudanças ao longo do tempo, e a cada mudança as gerações deixaram sua marca e seu legado para as gerações futuras. Um estilo que  vive até hoje prestando homenagem à origem dessa cultura, contando uma história. “O que você cria hoje, conta uma história para o amanhã” , Dapper Dan.

Bold Is Beautiful: Benefit Cosmetics promove a 5ª edição do seu projeto filantrópico global

Com intuito de apoiar o empoderamento feminino, a ação destina 100% do lucro de seu serviço de design de sobrancelhas para mulheres em situação de vulnerabilidade social

Durante todo o mês de agosto, a marca californiana Benefit Cosmetics irá promover o projeto global Bold Is Beautiful, que acontece pela 5ª vez no Brasil. Com o intuito de empoderar meninas e mulheres, desde 2015, a ação viabiliza educação, moradia, saúde, bem-estar para a construção de um futuro seguro e com qualidade de vida.

Seguindo o lema da marca, o Bold Is Beautiful surgiu com a filosofia de fazer com que as mulheres se sintam bem, confiantes e ousadas, para alcançarem seu potencial completo. O projeto já está presente em mais de 21 países e totaliza valor maior que 20 milhões de dólares arrecadados para instituições de caridade locais apoiadas em todo o mundo.

No Brasil, a Benefit tem como instituição parceira a Habitat para Humanidade, localizada na comunidade de Heliópolis, na capital paulista. Em parceria com a ONG, a ação pretende sanar as dificuldades de famílias em situação de vulnerabilidade social a terem melhores condições de moradia. Do dia 01 ao dia 31 de agosto, a renda arrecada do serviço de design de sobrancelhas com cera será destinada à instituição, para auxiliar na construção de casas lideradas por mulheres na comunidade.

“A beleza vai muito além da estética! Nosso objetivo é levar uma mensagem positiva através de nossos produtos e, por isso, acreditamos que o Bold Is Beautiful é uma maneira fantástica de proporcionar bem-estar e levar alegria para as mulheres abraçadas pelo projeto. Assim, desejamos cumprir nossa missão de fazer a diferença na vida delas e apoiar o empoderamento feminino.”, compartilha Gabriela Barroso, embaixadora da label no Brasil.

Presente na história da Benefit desde 1976, o BrowBar, que oferece o serviço de Design de Sobrancelhas, é um dos grandes pilares da marca. Nele, especialistas de sobrancelhas fazem um mapeamento exclusivo para encontrar o formato ideal baseado nos traços do rosto das clientes.

O serviço disponível em lojas selecionadas da Sephora custa R$69,00 e pode ser encontrado em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e Recife. Para agendar o serviço design de sobrancelhas da Benefit e ajudar empoderar mulheres, acesse: https://www.benefitcosmetics.com/pt-br/services

Confira os Indicados ao Emmy 2022

Nesta terça (12) a Television Academy anunciou os indicados a 74ª edição do Emmy Awards, apresentados pelos atores J.B Smoove e Melissa Fumero. Como grande novidade foi anunciada que a edição deste ano teve recorde de inscritos ao prêmio.

Succession (2018 – atualmente), com 25 indicações, Ted Lasso (2020 – atualmente), The White Lotus (2021), com 20 indicações cada, Hacks (2021 – atualmente) e Only Murders In The Building (2021 – atualmente), ambas com 17, formam o top 5 de produções mais indicadas ao prêmio. A HBO sai na frente na disputa, com três das cinco séries mais indicadas em seu catálogo: Succession, Hacks e The White Lotus.

A premiação ocorrerá dia 12 de setembro, e até o momento não foi anunciado nenhum apresentador.

Confira a lista dos indicados nas principais categorias.

SÉRIE DE COMÉDIA

  • Abbott Elementary
  • Barry
  • Curb Your Enthusiasm
  • Hacks
  • Maravilhosa Sra. Maisel
  • Only Murders in the Building
  • Ted Lasso
  • What We Do in the Shadows

ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Rachel Brosnahan (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Quinta Brunson (Abbott Elementary)
  • Kaley Cuoco (The Flight Attendant)
  • Elle Fanning (The Great)
  • Issa Rae (Insecure)
  • Jean Smart (Hacks)

ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Donald Glover (Atlanta)
  • Bill Hader (Barry)
  • Nicholas Hoult (The Great)
  • Steve Martin (Only Murders in the Building)
  • Martin Short (Only Murders in the Building)
  • Jason Sudeikes (Ted Lasso)

ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Alex Borstein (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Hannah Einbinder (Hacks)
  • Janelle James (Abbott Elementary)
  • Kate McKinnon (Saturday Night Live)
  • Sarah Niles (Ted Lasso)
  • Sheryl Lee Ralph (Abbott Elementary)
  • Juno Temple (Ted Lasso)
  • Hannah Waddingham (Ted Lasso)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Anthony Carrigan (Barry)
  • Brett Goldstein (Ted Lasso)
  • Toheeb Jimoh (Ted Lasso)
  • Nick Mohammed (Ted Lasso)
  • Tony Shalhoub (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Tyler James Williams (Abbott Elementary)
  • Henry Winkler (Barry)
  • Bowen Yang (Saturday Night Live)

SÉRIE DE DRAMA

  • Better Call Saul
  • Euphoria
  • Ozark
  • Ruptura
  • Round 6
  • Stranger Things
  • Succession
  • Yellowjackets

ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA

  • Jodie Comer (Killing Eve)
  • Laura Linney (Ozark)
  • Melanie Lynskey (Yellowjackets)
  • Sandra Oh (Killing Eve)
  • Reese Witherspoon (The Morning Show)
  • Zendaya (Euphoria)

ATOR EM SÉRIE DE DRAMA

  • Jason Bateman (Ozark)
  • Brian Cox (Succession)
  • Lee Jung-jae (Round 6)
  • Bob Odenkirk (Better Call Saul)
  • Adam Scott (Ruptura)
  • Jeremy Strong (Succession)

 ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

  • Patricia Arquette (Ruptura)
  • Julia Garner (Ozark)
  • Jung Ho-yeon (Round 6)
  • Christina Ricci (Yellowjackets)
  • Rhea Seehorn (Better Call Saul)
  • J. Smith-Cameron (Succession)
  • Sarah Snook (Succession)
  • Sydney Sweeney (Euphoria)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

  • Nicholas Braun (Succession)
  • Billy Crudup (The Morning Show)
  • Kieran Culkin (Succession)
  • Park Hae-soo (Round 6)
  • Matthew Macfadyen (Succession)
  • John Turturro (Ruptura)
  • Christopher Walken (Ruptura)
  • Oh Yeong-su (Round 6)

MINISSÉRIE

  • Dopesick
  • The Dropout
  • Inventando Anna
  • Pam & Tommy
  • The White Lotus

ATRIZ EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Toni Collette (A Escada)
  • Julia Garner (Inventando Anna)
  • Lily James (Pam & Tommy)
  • Sarah Paulson (American Crime Story: Impeachment)
  • Margaret Qualley (Maid)
  • Amanda Seydried (The Dropout)

ATOR EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Colin Firth (A Escada
  • Andrew Garfield (Under the Banner of Heaven)
  • Oscar Isaac (Cenas de Um Casamento)
  • Michael Keaton (Dopesick)
  • Himesh Patel (Station Eleven)
  • Sebastian Stan (Pam & Tommy)

ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Connie Britton (The White Lotus)
  • Jennifer Coolidge (The White Lotus)
  • Alexandra Daddario (The White Lotus)
  • Kaitlyn Dever (Dopesick)
  • Natasha Rothwell (The White Lotus)
  • Sydney Sweeney (The White Lotus)
  • Mare Winningham (Dopesick)

ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Murray Bartlett (The White Lotus)
  • Jake Lacy (The White Lotus)
  • Will Poulter (Dopesick)
  • Seth Rogen (Pam & Tommy)
  • Peter Sarsgaard (Dopesick)
  • Michael Stuhlbarg (Dopesick)
  • Steve Zahn (The White Lotus)

TALK SHOW

  • The Daily Show with Trevor Noah
  • Jimmy Kimmel Live!
  • Last Week Tonight with John Oliver
  • Late Night with Seth Meyers
  • The Late Show with Stephen Colbert

REALITY SHOW DE COMPETIÇÃO

  • The Amazing Race
  • Lizzo Procura por Mulheres Grandes
  • Nailed It
  • Rupaul’s Drag Race
  • Top Chef
  • The Voice

Você poderá conferir a cobertura em tempo real do Emmy Awards pelo nosso Instagram e Twitter.

Frenezi Meets: Ana Paula do Narrativa Feminina

Por: Vitória Geremias

A Editoria de Cinema & TV da Frenezi entrevistou a Ana Paula do @narrativafeminina para conhecer um pouco mais sobre seu trabalho e sua jornada como criadora de conteúdo no Instagram. O projeto de Ana tem como objetivo destacar as mulheres e pessoas LGBTQIA+ que estão produzindo e atuando na indústria cinematográfica, de recomendar conteúdos com protagonismo feminino ou de temática LGBTQIA+, além de levantar várias pautas importantes para discussão. Confira abaixo a entrevista na íntegra feita pela repórter Vitória Geremias e conduzida pelas editoras Ana Luiza Neves e Ana Antenore. 

(Frenezi) Como surgiu a ideia de criar a @narrativafeminina?

(Ana Paula) Surgiu na faculdade, faço Jornalismo e no primeiro período, na disciplina de Inovação e Criatividade, havia um projeto cujo objetivo era criar algo pessoal e que fosse a “nossa cara”. Na época, em 2018, a Greta Gerwig havia sido indicada ao Oscar de Melhor Direção, e foi nesse momento que despertou em mim uma necessidade de repensar o consumo de filmes e valorizar mais as produções feitas por mulheres. Fui atrás de sites e pessoas que falavam sobre o assunto e levantavam essa discussão, mas percebi que não haviam muitos. A jornalista Luísa Pécora, do site “Mulheres no Cinema”, foi a minha primeira inspiração para o projeto. Para continuar com o trabalho, era preciso entrevistar alguém de nossa admiração e assim consegui contato com Luísa, que me incentivou ainda mais na criação do Narrativa (Feminina).  Em conjunto com a pauta feminista, também surgiu a necessidade de abordar narrativas LGBTQIA+, justamente por também fazer parte da comunidade e entender a urgência em trazer esses assuntos para discussão. Mas, por conta da faculdade, tive que deixar um pouco de lado por alguns anos, e em 2020, quando resolvi retomar, aproveitei para aprimorar o design dos posts, com cores e carrosséis, tentando trazer conteúdo de maneira divertida e descontraída para atingir um público maior.

(FZ) Quais eram as suas expectativas e objetivos iniciais? Eles mudaram ao longo do tempo? 

(AP) No começo, eu não acreditava que chegaria num nível onde poderia se tornar lucrativo e profissional. Não imaginava que meu hobbie, que era criar conteúdo, se tornaria meu trabalho e, possivelmente, fonte de renda. Hoje, além de trabalhar com o Narrativa, eu também trabalho para a Carol Moreira (@carolmoreira3), que além de chefe, também é uma grande parceira, fonte de inspiração e apoiadora do meu trabalho.

(FZ) O que você espera do futuro do @narrativafeminina? Quais as metas e objetivos que deseja alcançar?

(AP) Além de transformar em minha fonte de renda, quero criar um canal no YouTube, porque aqueles “textões” que não cabem nos carrosséis dariam ótimos vídeos na plataforma. Também gostaria muito de aumentar a equipe, que por enquanto é formada por mim e pelo meu namorado que é designer e responsável pelas artes do Narrativa… Assim que conseguir ganhar dinheiro com esse trabalho eu, com certeza, quero trazer mais pessoas!

(FZ) Para você, qual a importância de mulheres e pessoas LGBTQIA+ na liderança de projetos cinematográficos e televisivos?

(AP) Basicamente como essas pessoas são representadas. Sabemos que a indústria é dominada por homens cis brancos, que tomam as principais decisões e que comandam tudo, então se não pensarmos em quem consumimos, ou não demonstrarmos interesses em outras perspectivas e narrativas, teremos mais histórias de mulheres e LGBTQIA+ com uma representação ruim, mal feita e distante da realidade. Existe uma diferença clara na representação quando ela tem uma perspectiva feminina, e além de toda essa questão do male gaze, é importante também tirar o domínio cis heteronormativo, que resultou numa indústria cinematográfica misógina, racista… Uma maneira de mudar isso é mostrando para a indústria quais histórias queremos e estamos interessadas em ver, ou seja, apoiando outras narrativas e consumindo mais produções feitas por mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIA+. 

(FZ) Você citou em seus stories do Instagram durante a semana sobre a sua indignação com a Netflix e a falta de representatividade através do queercoding. Poderia nos contar um pouco mais sobre o assunto?

(AP) Essa nova temporada de “Stranger Things” é um exemplo: as suspeitas sobre a sexualidade do Will já existem há um tempo, mas nunca foram confirmadas. Essas insinuações são chamadas de queerbaiting, pois agradam os públicos LGBTQIA+ e o cis hétero e conservador sem comprometer a série. As pessoas acham que não é queerbaiting porque temos a Robin como personagem lésbica, mas ela não é a protagonista, não é uma das crianças… é aquele tabu de que não se pode falar de sexualidade com crianças, não se pode dizer que o Will é gay mas a Eleven e o Mike estão ali namorando, sabe? Fico tão agoniada com isso.

(FZ) Em “Heartstopper”, a escritora da graphic novel que inspirou a série, Alice Oseman, é também a roteirista da produção da Netflix. Você acha que esse cuidado com a fidelidade da adaptação influenciou no sucesso da série? 

(AP) Acho que sim, com certeza… é muito parecido! Já li os quadrinhos duas vezes antes de ver a série. Não acho que o roteirista da série precise necessariamente ser o autor do livro, até porque nem todo escritor é um bom roteirista e vice-versa, mas a Alice Oseman se mostrou muito boa no que faz. Reforça a necessidade desse cuidado, e se não fosse ela a roteirista, deveria ser algum LGBTQIA+ jovem e que entende dessa vivência. Podemos notar que foi uma pessoa desse mundo que criou, pois há uma fidelidade e respeito na representação, e faz muita diferença quando a pessoa entende sobre o que está falando, e o sucesso da série se deu justamente devido a isso.

(FZ) Quem é sua maior inspiração feminina no ramo do cinema?

(AP) A Greta Gerwig foi a minha primeira inspiração. Hoje em dia eu tenho uma grande admiração pela Céline Sciamma, que é a diretora de “Retrato de uma Jovem em Chamas”, amo tudo que ela faz, já vi todos os filmes. Hoje em dia é minha diretora favorita, e por ser uma mulher lésbica todos os filmes dela tem essa narrativa feminina e queer… acho que hoje ela é uma das minhas principais influências no cinema. Em relação à criação de conteúdo, além da Luísa Pécora de “Mulher no Cinema”, tem também a Carissa Vieira que é uma das poucas que fala sobre esse assunto no YouTube, acho que no Brasil, uma das únicas… 

(FZ) Quais suas expectativas para o futuro do cinema? Você percebe o surgimento de alguma tendência? 

(AP) Esse ano, especificamente, estou vendo uma grande mudança na representação LGBTQIA+. Acredito que está sendo o ano com as melhores narrativas da comunidade, como por exemplo: “Owl House”, “Doctor Who”, “Minha Bandeira é a Morte”, “Heartstopper”, “First Kill”, “Crush”… então estou percebendo que isso está se tornando mais frequente, como é difícil ter uma história com um arco LGBTQIA+ que não fosse dramático, trágico, triste… E hoje em dia é maravilhoso que isso está se tornando algo mais comum, os streamings estão arrasando nesse quesito. 

(FZ) O que você espera da adaptação de Barbie por Greta Gerwig? 

(AP) Olha, eu acreditava que seria uma comédia romântica clichê dos anos 90, 2000, afinal. Mas acharam o Letterboxd da Margot Robbie com os filmes que ela teve que assistir pro papel, sendo um deles “O Show de Truman”, e foi aí que começaram a teorizar de que seria uma distopia… quem sabe vai ser uma mistura dos dois? Só sei que vai ser surpreendente, talvez seja o clichê com mais ficção… Esse filme se tornou o maior mistério de Hollywood, mas é a Greta e o Noah Baumbach, não tem como ser ruim!

(FZ) Entre os lançamentos de filmes e séries que já tivemos esse ano, qual o seu favorito? 

(AP) Com certeza “Heartstopper” e “Minha Bandeira é a Morte” são minhas séries favoritas. E de filme acho que meu preferido é “Fresh”, fiquei muito surpresa… parece muito “Corra”. Foi escrito e dirigido por mulheres, o que faz muito sentido porque é um medo que muitas têm de conhecer um cara perfeito e no fim ele se mostra um psicopata… Nos primeiros 30 minutos do filme parece ser uma comédia romântica e depois vira um terror bizarro.

(FZ) Qual filme você está mais ansiosa para ver nos cinemas ainda esse ano?

(AP) Tem vários, mas o que estou mais ansiosa é “Don’t Worry Darling”, da Olivia Wilde, que também parece ter uma pegada distópica… Uma mistura de “Mulheres Perfeitas” com “O Show de Truman”. Depois de “Booksmart” eu sinto a necessidade de mais filmes feitos pela Olivia. Outro que também estou ansiosa para assistir é “The Woman King”, com a Viola Davis como protagonista, baseado numa história real de uma guerreira africana e um exército feminino do séc XVIII… e a diretora também é ótima, Gina Prince-Bythewood, ela dirigiu “The Old Guard” da Netflix. Acho que são esses dois filmes que estou mais ansiosa para ver.
Você pode conferir mais sobre o trabalho da Ana Paula pelo Instagram @narrativafeminina.

FRENEZI EXPLICA: Cinema Além de Hollywood

A explicação do sucesso de Hollywood e análise do cinema ao redor do mundo

Por: Vitória da Rosa Geremias

Quando se fala em cinema, é impossível deixar de mencionar Hollywood. O distrito de pouco mais de 200 mil habitantes faz parte da cidade de Los Angeles, Califórnia, e é o maior responsável pela indústria cinematográfica dos EUA, com grande influência sobre o mundo inteiro. Hollywood é muito popular por seus blockbusters, ou seja, filmes super populares com alto rendimento financeiro, e hoje é considerada o polo mundial do cinema. Mas qual a razão para haver essa concentração produtiva e financeira nos EUA? Por que são os filmes americanos os mais populares, lucrativos, premiados e reconhecidos? O que há em Hollywood que favoreceu suas produções diante das outras indústrias cinematográficas?

Ao analisar a história de como tudo começou, o primeiro personagem a ser discutido é Thomas Edison, o inventor da lâmpada. Acontece que, entre o final do século XIX e início do século XX, o empresário criou um monopólio, juntamente com outros empreendedores que detinham patentes no ramo tecnológico, chamado Motion Pictures Patents Company (MPPC), com a finalidade de controlar e lucrar em cima de todas as produções no setor cinematográfico, causando má remuneração e altas cobranças de produtores e artistas.

O poder que Thomas Edison e a MPPC detinham sobre a cidade de Nova York influenciou essa classe criativa a se mudar para outra cidade em busca de “liberdade”. E então, começou a concentração em Los Angeles, a quase 4500 km de distância da metrópole nova-iorquina, a cidade se mostrava favorável pelo clima californiano, além de estar longe do alcance da MPPC. 

Nesse momento, surge a “Era dos Estúdios”, quando se desenvolveram em Los Angeles os grandes oito estúdios responsáveis pela produção cinematográfica estadunidense: United Artists, Paramount, Metro-Goldwyn-Mayer, Warner Bros, Fox, Universal, Columbia e RKO. Agora com o poder em suas mãos, os estúdios que faziam parte do Big Eight controlavam a produção e distribuição de conteúdo. Datam desse período os clássicos Casablanca (1942) e Cantando na Chuva (1952) que marcaram o cinema da época.

Cena do filme Casablanca com os protagonistas Humphrey Bogart e Ingrid Berman [Imagem: Reprodução/Veja]

No entanto, foi durante a “Era de Ouro” que a potência de Hollywood foi demarcada. Entre as décadas de 20 e 60, os avanços tecnológicos e os sucessos de bilheteria alavancaram a influência hollywoodiana sobre o mundo. Atores como Charles Chaplin, Marilyn Monroe, Carmen Miranda e Audrey Hepburn, se destacaram no cenário mundial. Foi também nesse contexto que surgiu a Academy of Motion Picture Arts and Science e sua primeira premiação honorária, que mais tarde veio a se chamar Oscar e permanece até os dias de hoje. 

O cinema estadunidense tinha uma fórmula extremamente comercial, o que o tornou bem sucedido. Por volta dos anos 60, influenciados pela contracultura, diretores como Martin Scorcese, Francis Ford Coppola, Steven Spielberg e George Lucas mudaram o rumo do cinema.  A “Nova Hollywood” dava mais destaque aos diretores do que aos atores, e havia uma liberdade criativa que não havia se visto antes. Sucessos como O Poderoso Chefão (1973), Taxi Driver (1976) e Star Wars (1977) marcaram o período que se estendeu até os anos 80.

A partir da década de 80, um último movimento surge no cenário hollywoodiano, permanecendo até os dias atuais. Com a popularização das câmeras VHS, o cinema independente ganha maior espaço no setor cinematográfico, são obras com baixo orçamento mas alto potencial de lucro, visto que são produzidas por cineastas já experientes.

Assim, o cinema estadunidense pode ser resumido em três camadas: os blockbusters, altamente comerciais, com grandes orçamentos que são superados pelos sucessos de bilheteria; as produções mais modestas, com mais lucro que investimento; e por fim, o cinema independente. 

O CINEMA ALÉM DE HOLLYWOOD

Índia: Bollywood, A Maior Indústria Cinematográfica do Mundo

Cartaz do primeiro filme produzido em Bollywood, Raja Harishchandra (1913) [Imagem: Reprodução/IMDb]

Porém, a potência cinematográfica estadunidense tem um concorrente de mesmo nível em termos de produção. Na Índia, mais especificamente, na cidade de Mumbai (também conhecida por Bombaim) fica Bollywood, a Hollywood indiana, onde os filmes de maior orçamento do país são produzidos.

O precursor do cinema bollywoodiano é o cineasta Dadasaheb Phalke, que em 1913 produziu o primeiro filme do país, o curta-metragem silencioso Raja Harishchandra. Com a chegada do cinema sonoro na década de 30, a Índia chegou a produzir mais de 200 filmes por ano, obtendo cada vez mais popularidade e sucesso comercial.  Embora o país estivesse muito afetado nos anos de 1930 e 1940, devido a Grande Depressão e à Segunda Guerra Mundial, o cinema foi como um respiro e uma fuga da realidade, apesar de muitos cineastas da época também abordarem temas políticos e de cunho social.

A “Era de Ouro” de Bollywood foi durante as décadas de 50 e 60, com musicais e melodramas que enchiam as salas de cinema. Foi nesse período que a Índia recebeu a primeira indicação ao Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro”, com Mother India (em português, Honrarás a tua Mãe) de 1957.

Cena do filme Honrarás a tua Mãe (1957) [Imagem: Reprodução/IMDb]

Como forma de rejeição ao mainstream do cinema indiano, surge por volta da década de 60 o “Cinema Paralelo”, um movimento cujo foco eram temáticas políticas, sociais, naturalistas e realistas que conquistaram os críticos da época. Na década seguinte, a indústria bollywoodiana é dominada por produções cinematográficas que incorporavam uma figura de “herói romântico”. Surge então, a primeira super estrela indiana, o ator Rajesh Khanna, que protagonizou 15 filmes do gênero de grande sucesso entre os anos de 1969 a 1971.

É durante a década de 70 que acontece a “Era Clássica” de Bollywood, e também o momento em que o cinema indiano recebe o apelido a partir da junção das palavras Bombaim e Hollywood. Foi nesse período de auge das produções indianas que uma dupla de roteiristas, Salim Khan e Javed Akhtar, redirecionaram o cinema do país. Trazendo narrativas sobre o crime na cidade de Bombaim, com conflitos violentos e que refletiam a precariedade e descontentamento do povo. Surge uma nova figura no cinema, o de “jovem homem revoltado”, que foi frequentemente protagonizado pelo ator Amitabh Bachchan.

Hoje, Bollywood é considerada a maior indústria cinematográfica do mundo e, durante os anos, puderam ser percebidos alguns padrões estéticos do cinema indiano. Por ser um país com uma cultura musical muito forte, os filmes geralmente apresentam cenas de dança e música. A maioria das obras produzidas são melodramáticas e folclóricas, as atuações musicais exageradas criam um espetáculo ainda mais dramático e artístico, se tornando um elemento diferencial do cinema indiano.

Rituais de conquista amorosa são temas muito comuns no cinema indiano, e apesar de romance e sensualidade estarem presentes na narrativa, cenas de sexo são censuradas no país. Os filmes também são famosos por suas tramas clichês: triângulos amorosos, dramas familiares, heróis e vilões, comédia e suspense são enredos que, por vezes, estão todos em uma mesma obra. Características como essas são as que fazem o cinema de Bollywood ser tão lucrativo, pois é o tipo de entretenimento popular que garante sucesso de bilheteria.

Cena do filme Lagaan: A Coragem de um Povo (2001), longa indicado ao Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro” em 2002 [Imagem: Reprodução/MUBI]

Coreia do Sul: A Nova Potência do Entretenimento Mundial

Cena do filme Em Chamas (2018), filme sul-coreano que representou o país no
 Oscar de 2019 [Imagem: Reprodução/IMDb]

Hollywood é a principal indústria cinematográfica do mundo, e Bollywood a maior, no entanto, atualmente um novo país tem se destacado como uma nova potência do cinema mundial: a Coreia do Sul. Até o final da década de 1910, somente filmes estrangeiros, a maioria ocidentais, eram exibidos nos cinemas coreanos. Foi então que Park Seongpil, um produtor e empresário do ramo cinematográfico, comprou um cinema e patrocinou o lançamento do primeiro filme coreano, chamado A Vingança Honrada (의리적구투), de 1919.

Entretanto, devido a colonização japonesa da época, o início do cinema coreano foi um tanto pobre em lançamentos. Os filmes mais famosos da época foram Arirang (아리랑) de 1926 e Ao encontrar o amor (사랑을 찾아서) de 1928, porém, nenhum deles existe mais nos dias de hoje.

Com a libertação do domínio japonês na Coreia, em 1945, o cinema nacional passou a crescer. O primeiro filme que representa e marca essa independência é o romance Viva, Freedom (자유만세), onde o protagonista foge do exército japonês após se envolver com o Movimento  de Independência e se apaixona por uma enfermeira. Ainda na mesma década, outros dois filmes fizeram sucesso e alavancaram o cinema coreano, sendo eles A prosecutor and a teacher (검사와 여선생), de 1948, e Hometown in My Heart (마음의 고향) , de 1949.

Cena do filme Viva, Freedom (자유만세), de 1946 [Imagem: Reprodução/MUBI]

Após a Guerra das  Coreias, na década de 1950, a indústria cinematográfica sofreu para se recuperar. Na Coreia do Sul, filmes com temáticas anticomunistas, além de romances e comédias, eram o foco da produção. Foi nesse período que o sul da península teve sua “Era de Ouro”, com ajuda do governo além de outras contribuições estrangeiras. 

O fim da “Era de Ouro” se deu pelos regimes ditatoriais, com censuras que começaram em 1948 e se tornaram mais brandas somente na década de 80, prejudicando a indústria cinematográfica coreana. A industrialização acelerada que tomou conta da Coreia do Sul, nas décadas de 70 e 80, ajudou o cinema a se reerguer. Entretanto, mais obstáculos surgiram, a crise monetária do FMI em 1997 e os conflitos militares com a Coreia do Norte atrapalharam a produção cinematográfica, mas, apesar dos empecilhos, os cineastas insistiram e assim surgiu um novo movimento.

Cena do filme Oldboy (2003), um dos primeiros blockbusters sul-coreanos 
[Imagem: Reprodução/IMDb]

O Novo Cinema Coreano trouxe consigo a era dos blockbusters, representado pela estreia do filme Shiri em 1999. A partir desse momento, várias produções coreanas passaram a fazer sucesso fora do país, como Oldboy (2003), O Hospedeiro (2006) e Em Chamas (2018). O movimento se mostrou forte durante as décadas seguintes e, em 2020, a Coreia do Sul marcou a história do Oscar. O longa-metragem Parasita (2019) ganhou, não somente, o Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro”, “Melhor Diretor” e “Melhor Roteiro Original”, como também o de “Melhor Filme”, sendo a primeira produção não falada em inglês a receber o maior prêmio da noite. 

Quando o cinema sul-coreano passou a ganhar reconhecimento nos anos 2000, o governo do país criou um sistema de cotas a fim de investir na produção nacional e incentivar filmes independentes. Nasce então o grande diferencial da cinematografia sul-coreana: o balanço entre o comercial e o artístico/original. O diretor Bong Joon-ho (Parasita, O Hospedeiro, Okja, etc), por exemplo, é um dos cineastas que consegue conciliar a produção de um filme blockbuster contentando não somente o público mas também a crítica.

Hoje o cinema da Coreia do Sul é uma das três maiores indústrias cinematográficas do mundo, juntamente com as potências Hollywood e Bollywood.

Momento histórico em que Parasita é premiado com o Oscar de Melhor Filme, 
no ano de 2020 [Imagem: Reprodução/Globo]

França: O Berço do Cinema

Cena do filme Viagem à Lua (1902) [Imagem: Reprodução/Superinteressante]

No ano de 1895, na França, os irmãos Auguste e Luis Lumière inventaram o cinematógrafo, uma máquina de filmar e projetar imagens. Os dois eram engenheiros e filhos de um fotógrafo, e foi na cidade de La Ciutat que a primeira exibição cinematográfica do mundo aconteceu. 

Os primeiros filmes não tinham roteiro, e na verdade, serviam mais como documentários, porque os próprios irmãos Lumière nunca pensaram que a sua invenção teria finalidade comercial no futuro. Somente com o cineasta revolucionário, Georges Méliès, que via a cinematografia como uma extensão dos palcos, é que surgem os primeiros filmes com roteiro. As principais produções de Méliès são Cleópatra (1899), Viagem à Lua (1902), As Viagens de Gulliver (1902) e Fausto (1904).

As duas primeiras décadas do século XX eram dominadas pelo cinema francês. Infelizmente, com a Primeira Guerra Mundial,  a indústria de entretenimento francesa sofreu com a depressão econômica e isso favoreceu as produções estadunidenses, que acabaram ganhando espaço e público na Europa na década de 20. O governo francês a fim de ajudar os cineastas de seu país, estabeleceu uma lei que tornava obrigatória a exibição de um filme nacional a cada sete filmes estrangeiros.

O cinema nacional ainda não tinha se recuperado totalmente até a chegada da Segunda Guerra Mundial e, consequentemente, da invasão alemã ao território francês, o que tornou ainda mais difícil a produção cinematográfica da época. Entretanto, existe uma obra de caráter nacionalista feita no período, que só foi exibida após o fim da guerra, O Boulevard do Crime (1945), filme de Marcel Carné, considerado por muitos críticos como a melhor produção francesa de todos os tempos. 

Cena de O Boulevard do Crime (1945) [Imagem: Reprodução/MUBI]

Entre as décadas de 50 e 60, na recuperação do pós-guerra que reergueu o país , surge um movimento artístico chamado Nouvelle Vague, que via o cinema como uma ferramenta para mudar o mundo. Impulsionados pelo Neorrealismo, o movimento nasceu entre jornalistas e críticos e ia contra o método convencional de fazer filmes. Os cineastas desse movimento eram adeptos de novas técnicas de direção e não necessitavam de grandes orçamentos. 

As principais características estéticas podem ser resumidas a longos planos sequência, roteiros improvisados e falta de continuidade. As temáticas abordadas eram de cunho existencial, com sarcasmo e ironia, principalmente nos momentos em que faziam referência a outras obras cinematográficas. O baixo orçamento também levou a inovações estilísticas no que se refere a cenário e equipamentos, fazendo com que os cineastas buscassem maneiras de expressão artística dentro do que tinham disponível. Mas o maior aspecto da Nouvelle Vague era ir contra a maré do mainstream e desafiar o espectador, revolucionando o cinema e criando novos métodos de direção, como a “quebra da quarta parede”, por exemplo.

A revista Cahiers du Cinéma era o principal meio pelo qual as ideias do movimento se difundiram. Foi lá que os jornalistas, críticos e cineastas da revista começaram a questionar o cinema vigente na França e o padrão narrativo das obras de Hollywood. Os principais nomes do movimento eram François Truffaut, Jean-Luc Godard, Éric Rohmer, Claude Chabrol e Jacques Rivette. O filme considerado como pontapé inicial da Nouvelle Vague é de Chabrol, chamado Le Beau Serge (1958), que foi seguido por outros grandes exemplos do movimento como Os Incompreendidos (1959), de Truffaut e Acossado (1960), de Godard.

Cena do filme Os Incompreendidos [Imagem: Reprodução/MUBI]

O cinema francês na década de 80 passou a competir com as produções americanas, com produções mais caras, e a partir dos anos 90, os franceses levaram o cinema nacional a outro patamar. Liderados pelo cineasta Jean Pierre Jeunet, grandes obras como Delicatessen (1991), Ladrão de Sonhos (1993) e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) marcaram o cinema internacional com atores talentosos e diretores premiados.

Cena do filme Piaf – Um Hino ao Amor (2007), que garantiu BAFTA, Globo de Ouro e 
Oscar de Melhor Atriz para Marion Cotillard [Imagem: Reprodução/MUBI]

Brasil: Uma Potência Emergente

Cena do filme Alô Alô Carnaval (1936) [Imagem: Reprodução/IMDb]

Em 19 de junho de 1898, data que hoje é dedicada ao Dia do Cinema Brasileiro, dois irmãos italianos, Paschoal e Affonso Segreto, fizeram gravações da Baía de Guanabara, se tornando então, os primeiros cineastas do Brasil. Entretanto, foi no ano de 1897, no Rio de Janeiro, que o cinema chegou ao país pela primeira vez através de Paschoal Segreto, que trouxe para exibição uma série de curtas-metragens sobre o cotidiano das cidades europeias. Desde então, o cinema brasileiro vem crescendo e conquistando reconhecimento mundial, apesar de momentos de desvalorização e baixo investimento na produção nacional. 

A primeira década da sétima arte no Brasil passou por algumas dificuldades logísticas, visto que, a falta de energia elétrica era uma questão que impedia a propagação de salas de cinema pelo país. Foi entre os anos de 1907 e 1910 que o cinema se estruturou no Brasil, primeiramente exibindo filmes estrangeiros e produzindo documentários. Com uma base fortalecida, atores e atrizes foram surgindo e mais de 30 filmes foram produzidos nessa época. A primeira obra de ficção é de 1908: Os Estranguladores, um curta-metragem de Francisco Marzullo e Antônio Leal e é em 1914 que, O Crime dos Banhados, de Francisco Santos, se torna o primeiro longa-metragem brasileiro.

Foi na década de 30, com a criação do primeiro grande estúdio do Brasil, Cinédia, que a produção brasileira alavancou. É dessa mesma época o primeiro filme sonoro do país, a comédia Acabaram-se os Otários (1929), de Luiz de Barros, que foi seguida por outros grandes títulos como Limite (1931), de Mario Peixoto, A Voz do Carnaval (1933), de Ademar Gonzaga e Humberto Mauro, e Ganga Bruta (1933) de Humberto Mauro.

Cena do filme Ganga Bruta (1933) [Imagem: Reprodução/IMS]

A dominação de Hollywood já era um fator recorrente e o público gostava das narrativas estadunidenses, logo, as histórias românticas e musicais que (quase sempre) terminavam com um final feliz, foram vistas pela Cinédia como uma maneira de aproximar o cinema brasileiro do público novamente. É nesse momento que a estética dos cenários grandes e brilhantes surgem, juntamente com a estrela Carmem Miranda, em produções nacionais como Alô, Alô, Brasil (1935) e Alô, Alô, Carnaval (1936). Para entender melhor a história do cinema brasileiro, leia o texto escrito por Rhaísa Borges, “O cinema brasileiro: dos primórdios à atualidade”.

Nigéria:  Nollywood, A Maior Indústria Cinematográfica Africana

Cena do filme The Amazing Grace (2006) [Imagem: Reprodução/MUBI]

Apelidado de Nollywood, o cinema nigeriano é a maior indústria cinematográfica africana, e está entre as maiores do mundo. Suas narrativas têm propostas autênticas e procuram representar a identidade africana, portanto, não se encaixam no perfil comercial das produções estadunidenses. A língua oficial do país é o inglês, o que ajuda a dar mais visibilidade para a representatividade cultural que os  cineastas propõem.

A indústria cinematográfica é responsável por ser a segunda maior geradora de emprego no país, é autossuficiente, ou seja, não necessita de financiamentos governamentais, e leva ao mercado interno e externo mais de 200 filmes por mês. Apesar do país ser o país com maior população no continente africano, ele não possui muitas salas de cinema, portanto, os lucros comerciais dos filmes são, na sua grande maioria, gerados pela compra de DVDs e aluguel de streaming.

Os filmes nacionais são tão populares para a Nigéria como as novelas são para o Brasil. A produção nigeriana de maior bilheteria é de Jeta Amata, chamado The Amazing Grace (2006), que teve cerca de 25 mil espectadores. As produções de Nollywood são a maior representação da cultura africana na sétima arte, e demonstra a necessidade de restabelecer a identidade e buscar suas raízes após anos de colonização britânica no seu território.

Cena do filme Lionheart (2018) [Imagem: Reprodução/Netflix]

Os novos Modernistas: seleção Frenezi de artistas que inovam no cenário artístico brasileiro, assim como na Semana de 22

Texto por Julio Cesar Ferreira

Em comemoração ao Centenário da Semana de Arte Moderna de 22, a editoria de Cultura da Frenezi separa aqui alguns artistas que, assim como naquela data, buscam romper com o conservadorismo e estruturas de poder e renovam o cenário artístico brasileiro atual.

Em meio aos debates sobre a influência da Semana de Arte Moderna, é muito discutido que embora buscassem renovar-se artisticamente, o grupo de criativos selecionados para participar dessa rebelião ainda fazia parte da elite paulistana — com seus privilégios de cor, monetários, entre outros. No entanto, 100 anos depois, ainda acontecem transformações nesse cenário artístico.

Em uma matéria concedida à Revista VEJA, a secretária municipal de Cultura de São Paulo, Aline Torres, relembrou que o Modernismo atual concede mudança não somente às produções artísticas, mas também aos protagonistas. ‘’Se era uma parte da elite que realizou a Semana de 22, escreveu o seu manifesto e dava os rumos da cultura, hoje, é o inverso. É a periferia que está dando a direção da cena artística. São figuras negras, indígenas, LGBTQIA+, asiáticas e mulheres, que estão fomentando o debate”, concluiu.

Diante às mudanças constantes no mundo da arte, selecionamos 5 artistas que estão inovando e são os novos protagonistas nas manifestações artísticas brasileiras.

Ventura Profana

[Imagem: Igor Furtado]

Ventura é cantora, escritora, compositora, performer e artista visual. Nascida na Bahia, em sua arte trabalha questões da vivência negra e travesti. Foi doutrinada em templos batistas, e agora mergulha na crença para construir suas obras — sempre de forma crítica, desconstruindo os preceitos da igreja.

Você precisa conhecer… O álbum ‘Traquejos Pentecostais para Matar o Senhor’ e a música ‘RESPLANDESCENTE – Ventura Profana – podeserdesligado’.

Instagram: @venturaprofana

Samuel de Saboia

[Imagem: Helena Cebrian]

Samuel é pintor e artista autodidata, e aos 15 anos passou a usar sua paixão também como carreira. Com a arte abstrata como maior foco, seu trabalho explora no imaginário pessoal a figura e protagonismo do jovem negro no Brasil.

Você precisa conhecer… As exposições ‘Samuel de Saboia | A Bird Called Innocence’ e ‘O Guia de Sobrevivência Para Adolescentes Incomuns – Por Samuel Saboia’.

Instagram: @samueldesaboia

Grace Passô

[Imagem: Ana Paula Mathias]

Atriz, diretora e dramaturga, em seu trabalho Grace mistura o cinema e o teatro para criar obras que trabalham as experiências de um grupo marginalizado. O ‘filme-teatro’ é como se fosse uma obra cinematográfica, mas mais dinâmica por acompanhar os personagens e as narrativas que são encenadas numa peça.

Você precisa conhecer… Os curtas ‘Vaga Carne’ e ‘República’.

Instagram: @gracepasso

Aun Helden

[Imagem: Arquivo pessoal]

Aun Helden é um espetáculo por si só: seu corpo é seu próprio objeto de trabalho, e a artista utiliza dele para se expressar com modificações — em sua maioria bem distantes da anatomia humana. Sem se apegar a gêneros, a performer usa da maquigem, efeitos especiais e jogos de luz para criar estudos sobre o pós-humano.

Você precisa conhecer… ‘AUN Helden #perfo’.

Instagram: @aunhelden

Ingrid Rizzieri

[Imagem: Arquivo pessoal]

Ingrid é designer e escultora, o que reflete muito bem em suas obras: as jóias não são meros acessórios aqui, mas sim obras de arte que questionam o comum. A ‘Entre Cubos’, sua marca autoral, produz peças para diversas partes do corpo, que tomam seu lugar e chamam a atenção — detalhe para o acessório de nariz na imagem acima.

Você precisa conhecer… Todo o Instagram profissional de Ingrid, o @entrecubos.

A semana de 22 em 2022

Vendo cada um dos criativos que mostramos aqui, fica claro que o movimento criado a 100 anos segue forte no país — temos muitos Modernistas, e agora com ainda mais rostos e vozes: cada vez mais, os grupos esquecidos pela história se levantam para mostrar sua potência. Que possamos valorizá-los.

Frenezi nas Semanas de Moda Masculina Milão e Paris

Para inaugurar o novo ano no mundo da moda, a indústria apresenta a temporada de Moda Masculina Outono/Inverno 2022.

Com o avanço dos casos de Covid-19 no hemisfério norte, algumas marcas como Armani e JW Anderson, cancelaram seus desfiles presenciais ou até mesmo a apresentação como um todo — o que foi o caso da decisão de Giorgio Armani. Mesmo assim o show continuou e a Semana de Moda Masculina de Milão começou dia 14 de janeiro com encerramento no dia 18; a Semana de Moda Masculina de Paris começa na quarta-feira (19) e termina no dia 23.

Você pode encontrar o calendário oficial da Semana de Moda Masculina de Milão aqui e o calendário oficial da Semana de Moda Masculina de Paris aqui.

Imagem retirada do site da Fendi.

Confira a cobertura completa da Semana de Moda Masculina de Milão

DIA 1

A Zegna, sob o comando de Alessandro Sartori, deu o start na temporada masculina da melhor forma possível: apresentou uma coleção que marca o início de uma nova era para a label. Além da mudança no título, que agora surge sem ‘Ermenegildo’, as roupas parecem romper com a tradicional alfaiataria masculina italiana da marca.

A mudança de nome da Zegna parece refletir também nas roupas e nos leva a pensar que essa é uma nova fase para a marca. A coleção apresentada através de um espetacular fashion film eleva agora a marca italiana de tradicional à contemporânea.

Sem fazer uso da já cansativa “alfaiataria desconstruída” para atualizar o terno, Alessandro adota códigos do loungewear e do streetstyle para construir peças atuais sem abrir mão da elegância e do refinamento atrelados à marca já centenária.

O resultado são looks que equilibram formalidade e informalidade através de shapes mais volumosos e matéria prima e cartela de cores de excelência: suéteres em tricô com detalhes em corda, parkas em lã de carneiro e calças-baggy em seda acolchoada são alguns exemplos. O destaque no entanto ficou por conta dos pullovers em alfaiataria com recortes retos e acabamento em zíper, que quando abertos criavam um visual estético-escultural super potente.

Uma capela italiana praticamente em deterioração foi o cenário escolhido por Matthew Williams, estilista norte-americano que recentemente assumiu o cargo de diretor criativo da Givenchy, para apresentar a coleção de Inverno 2022 de sua marca própria, a ALYX Studios.

Conhecida pelo streetwear elegante e o trabalho excepcional com couro e acessórios em metal — apelidados de “hardwear” pelo estilista —, a marca fez a sua primeira apresentação em solo italiano desde sua fundação em 2015. Levando em consideração que as fábricas da label sempre estiveram localizadas em Milão, apresentar o desfile na cidade foi como “voltar para casa” segundo o estilista.

A coleção foge da cartela de cores tradicional da label, composta essencialmente por preto e branco, e adiciona tons coloridos de vermelho, lilás e verde musgo em modelagens oversized de jaquetas puffer e sobretudo. As camadas mais justas ao corpo ficaram por conta de vestidos de manga comprida em malha para as mulheres e leggings e pullovers para os homens – tudo isso, é claro, na linguagem sportwear-chic clássica da label. Texturas como vinil, tela em rede e plumas deram o arremate final para os looks, substituindo assim o famoso “hardwear” da marca, o qual Williams parece estar focado em transferir para a sua Givenchy.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

DIA 2

Em sua terceira temporada à frente apenas do masculino da marca que leva o seu sobrenome, Silvia Venturini Fendi provou mais uma vez que é mestre em criar peças e acessórios que são desejo absoluto.

Com uma cartela de cores mais sóbria do que a que estamos acostumados, Silvia apresentou uma coleção que reafirma o arquétipo do homem-Fendi que ela vem criando há algumas temporadas: elegante e contemporâneo, com uma inclinação para o feminino e que não costuma beber muito das fontes do streetwear.

Imagem retirada do site da Fendi.

Suéteres com recortes no peitoral, golas de alfaiataria removidas e adaptadas em novos shapes e blazers-capa à la batman são as peças do line up que mais chamam a atenção e reforçam o talento e o olhar de Silvia. Destaque também para a nova estampa ‘O’ Clock’ da marca, inspirada no desenho da alta joalheria da label que é feita por ninguém menos que Delfina Delettrez Fendi, filha de Silvia.

Os já clássicos modelos de bolsa ‘Baguette’ e ‘Peekaboo’ também reaparecem em motivos e cores que combinam com as peças, como de costume. No geral, a coleção é mais uma bola dentro de uma estilista que sabe perfeitamente como despertar desejo em clientes do mercado de luxo.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

DIA 3

A brincadeira entre os fashionistas tem sido a mesma desde o primeiro desfile da Prada sob direção criativa conjunta de Miuccia Prada e Raf Simons: “dissecar” look por look e encontrar referências do trabalho de cada estilista em uma peça ou composição. 

De fato essa é uma atividade divertida para aqueles que amam Prada e buscam com olhares atentos os resquícios do trabalho de Miuccia ali, com medo de que a estética de Raf sobressaia a da fundadora — mas a coleção apresentada pela dupla na última semana em Milão mostra que essa não é uma preocupação para a estilista, e que Miuccia está disposta a ceder sem hesitar para o companheiro.

A prova disso são as barras das calças “por fazer” que acompanham todos os looks da apresentação, em um comprimento que ultrapassa em muito os poucos centímetros excedentes de coleções prévias — como Outono 2014 e Primavera 2019. Como Raf conseguiu convencer uma italiana patriota de abrir mão da tradicional alfaiataria do seu país? Essa é uma resposta que todos gostariam de ter.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

Mas isso não quer dizer que a coleção abra mão de certa formalidade. Roupas “que fazem as pessoas se sentirem importantes” foram o mood da apresentação, segundo a própria estilista, em um line-up composto majoritariamente por sobretudos em alfaiataria com botões embutidos e trench coats em couro colorido.

As tradicionais bomber jackets de Raf também marcaram presença, dessa vez em versões mais compridas e com toques à la Miuccia — como cintos e peles de carneiro, uma referência à Primavera de 2017 da marca.

Já as camadas mais próximas à pele foram compostas por macacões de seda em estilo espacial, em uma clara evolução dos long johns apresentados em temporadas passadas pela dupla, e as estampas e grafismos de Raf apareceram em peças em couro que remetem à sua terceira coleção para a já extinta Calvin Klein 205W39NYC.

Acostumada em referenciar coleções passadas através de silhuetas e motivos, Miuccia inovou e trouxe um casting composto por astros de Hollywood, assim como fez há 10 anos no Outono de 2012. Jeff Goldblum, astro de ‘O Grande Hotel Budapeste’, brilhou na passarela ao encerrar a apresentação com um catwalk potente.

A verdade é que o trabalho de Miuccia ainda está muito presente nessa nova fase da marca, e cada vez mais os dois estilistas nos mostram que o objetivo final é entregar roupas impecavelmente bem feitas e não um equilíbrio exato de assinaturas.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

Confira a cobertura completa da Semana de Moda Masculina de Paris

DIA 1:

Egonlab é uma marca francesa que desfilou pela primeira vez na semana de menswear. Florentin Glémarec e Kévin Nompeix, fundadores da marca, fizeram simultaneamente versões de seus produtos para o mundo real e virtual. A casa nasceu há 2 anos com diversas apresentações visuais.

A marca apresentou sua coleção no Oratório do Louvre, em Paris. A coleção é constituída por 37 looks compostos em grande parte pela alfaiataria, jaquetas, trench coat e a então tendência de calças mais alongadas na barra. Suéters, camisas de manga curta e gola alta também estão presentes. Apesar de a coleção em sua maioria ser composta por tons escuros, os looks com cores fortes como vermelho, verde, pink e looks quadriculados atraem olhares. 

Não apenas Balenciaga inseriu as Crocs em suas coleções e passarelas. Egonlab os confeccionou com cristais Swarovski e relata que a ideia veio para homenagear os profissionais da saúde. Cinco modelos virtuais serão leiloados no Metaverso e parte dos lucros irá para associações que auxiliam e facilitam o acesso ao digital para populações desfavorecidas.

Antes de coordenar a atual casa, o nova iorquino Anthony Alvarez, designer da Bluemarble, lançou e dirigiu a marca de streetwear ‘One Culture’. Com um pai filipino, em sua mais nova coleção apresenta inspirações vindas de velas de barcos da ilha filipina de Mindanao. “Tento voltar às minhas memórias para cada coleção”, relata ele ao Vogue Runaway. As jaquetas oversized da coleção apresentam tons de amarelo, roxo e rosa, padrões geométricos das velas. Anthony insere na coleção roupas esportivas inspiradas em seu gosto pelo esporte, mais especificamente o surf e skate. Malhas de crochê, jeans alongados na barra, camisas com cristais Swarovski, trench coats e jaquetas fazem parte da coleção.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

DIA 2:

A britânica Bianca Saunders se tornou um dos nomes para se prestar atenção depois de ter vencido no ano passado o ANDAN Prize, um dos principais prêmios internacionais para designers de moda em ascensão. Formada pela Royal Academy Of Arts, a designer desenvolve peças apenas para o vestuário masculino e possui um trabalho que é mais pautado no estudo do que na experimentação.

Bianca busca analisar a fundo os códigos, cortes e trajes clássicos do guarda-roupa masculino e adaptá-los ao presente, sem abrir mão da elegância e da formalidade das peças. O resultado são roupas com corte preciso e modelagem que valoriza o corpo de maneira exemplar. As peças de Bianca são um acerto para aqueles que querem um visual fácil e seguro — com estética chic sem muito esforço.

Alfaiataria exemplar e um bom equilíbrio de cores foram os pontos fortes da apresentação, que foi a primeira da estilista na PFW. Destaque também para as peças em estampa xadrez distorcida, que cria uma ilusão de ótica e nos faz questionar as curvas do corpo.

A Lemaire trouxe para a passarela uma mensagem de esperança, nos convidando a acreditar num futuro melhor e a reconher nossa responsabilidade nesta caminhada. A coleção Outono/Inverno apresentada exala positividade com seus tons outonais suaves e jogo de proporções.

Os designers, Christopher Lemaire e Sarah-Linh Tran, inovaram com um mix entre visuais das décadas de 20, 30 e 70, através das silhuetas amplas, casacos de modelagem oversized e, sandálias e botas com salto em bloco, respectivamente, retratando a atemporalidade, característica da marca francesa.

A Acne Studios completa 25 anos em 2022 e, apresentou virtualmente, uma coleção nostálgica, influenciada pela infância do designer sueco e fundador da marca, Johnny Johansson, que, impedido de viajar a Paris, onde planejava desenvolver a coleção, por conta do agravamento da pandemia, buscou inspiração em suas vivências na cidade de Estocolmo, momentos em família e na natureza local.

As peças de lã remetem às tapeçarias bordadas pela mãe do estilista; já os típicos sapatos pontudos, foram o pesadelo de Johansson quando criança, mas afirma que, atualmente, ganharam sua admiração. O clima local é representado pela modelagem oversized e pelo layering, que aparecem na maioria das composições.

Amassadas e desconstruídas propositalmente, as peças traziam a sensação de algo vivido, remetem a um sentimento nostálgico, como um lembrete para aproveitar o momento presente, mas visitar o passado, sempre que necessário.

Talvez um dos nomes mais quentes da moda atual, Glenn Martens apresentou ontem em Paris o que pode ter sido a sua melhor coleção para a Y/ Project — marca que ele comanda desde 2013, quando o fundador da label faleceu.

Internacionalmente conhecido por suas modelagens que desafiam o olhar para a funcionalidade das roupas através do uso de uma multiplicidade de golas, mangas e sobreposições, Glenn foi capaz de unir suas clássicas assinaturas com a estética de outro criador: Jean-Paul Gaultier.

Isso porque a label se prepara para apresentar uma coleção de alta-costura como parte do novo projeto da maison JPG, que convida diferentes estilistas para assinarem coleções em parceria com a marca. Glenn parece ter mergulhado fundo nos arquivos do criador, trazendo para as passarelas de ontem estampas inspiradas na icônica coleção de Verão 1996 da marca.

Mesmo que o resultado final tenha lembrado o trabalho de Pierre-Louis Auvray – aluno da prestigiosa Central Saint Martins que já vestiu Kylie Jenner e Cardi B com seus designs high-tech – a estampa é com certeza o grande destaque da coleção.

Camisas polo com gola-dupla, cachecóis construídos a partir de jaquetas de camurça e pele e calças de alfaiataria com recorte arredondado e cós em cinto de couro são também peças que chamam a atenção e afirmam o caráter experimental e disruptivo de Glenn – assim como a brincadeira de adicionar torções e curvas em peças como jaquetas e calças de moletom, criando um visual único que já faz parte do DNA da marca.

Peças em jeans também marcaram presença na apresentação, desta vez em lavagens mais ousadas como a “dirty jeans”. À frente da Diesel desde Abril deste ano, o Denin parece ser um material que o criador manipula com maestria, criando modelagens e proporções nunca vistas antes – como as calças-bota em jeans, que já se tornaram peça-hit do estilista e conquistaram até Julia Fox, a it-girl do momento.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

DIA 3:

Um dos pioneiros na estética gótica vanguardista, Rick Owens deixou mais uma vez os fashionistas “de plantão” boquiabertos com a sua recente coleção de moda masculina Outono/Inverno 2022, durante a Paris Fashion Week. Intitulada de “Strobe”, a coleção iluminou todo o ambiente gótico do designer.

Inspirado pelas formas do Egito Antigo e pela luminosidade das obras de arte de Dan Flavin, Owens não se limitou em explorar somente suas referências, mas soube trabalhar muito bem com silhuetas extravagantes já conhecidas pelos seus admiradores. Materiais como o couro e a lã entraram no desfile, como peças opostas de um mesmo quebra-cabeça, construindo as silhuetas soltas de um lado e mais rígidas de outro.

A coleção ganhou novas interpretações das botas Kiss, Beatle Bozo e Tractor, além das peças acolchoadas de nylon, que caracterizam também a assinatura do designer. O preto fez-se presente do início ao fim na passarela, como de costume, mas cores como o laranja, o rosa, os cinzas e prateados souberam comunicar a ideia das formas lindas do Egito Antigo, que tanto maravilharam Owens. 

Capuzes acolchoados com zíperes até o topo da face, malhas rasgadas e cheias de cortes, blazers construídos de maneira “não-convencional” e os moletons com escritas gráficas como “URINAL”, terminam por reafirmar a identidade singular de Owens, um profissional da moda que não pretende ser convencional.

Em destaque, um dos looks finais (look 44), conseguiu reunir toda a mensagem da “Strobe” em um só momento. O modelo usava uma espécie de capacete, que sustentava duas lâmpadas bulbo monumentais, iluminando o look e o resto do ambiente. Além disso, uma jaqueta de pelo de cabra alongada e botas de cano alto clássicas da marca Rick Owens.

Alguns desfiles nos marcam para sempre. O Outono 2022 masculino da Louis Vuitton é um deles. Apresentado ontem em Paris, a coleção é a última que Virgil Abloh deixou pronta antes de falecer em novembro do ano passado.

Se o clima de “Virgil was here”, apresentação realizada pela Louis Vuitton durante a Art Basel deste ano em homenagem ao estilista, era de luto e despedida, o de ontem foi de celebração e firmamento de um legado.

Isso porque a apresentação parece ter sido uma junção de todos os códigos, assinaturas e silhuetas que Virgil criou ao longo de 8 coleções à frente da marca – além, é claro, de referências a cenários e trilhas sonoras também de coleções passadas do estilista. Para quem se lembra do icônico desfile de despedida de Marc Jacobs da Louis Vuitton feminina, em 2014, o clima parecia o mesmo.

O cenário, intitulado “Louis Dreamhouse”, recriou uma casa surrealista a qual uma parte estava submersa, a outra possuía um chão com cama e cadeira acopladas e uma terceira formava uma grande mesa de jantar, preenchida por uma orquestra. Um tom de azul claro dava cor a praticamente todos os componentes do cenário, exceto o telhado, em uma clara referência a um dos mais icônicos desfiles de Virgil: o de outono 2020.

Em meio a este cenário, artistas performáticos cantavam e dançavam ao mesmo tempo que os modelos desfilavam no mesmo espaço. A atmosfera era bem parecida com o também último desfile de Virgil para a Off-White, sua marca própria, que contou com música ao vivo e um mood de celebração ao final da apresentação, quando o estilista e as modelos se juntaram ao lado da cantora MIA no palco.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

As roupas escancaram mais uma vez o talento e legado de Abloh: alfaiataria precisa e contemporânea (desta vez com cinturas bem marcadas), bomber jackets em estilo colegial adornadas com patches mil e looks conjuntinho-total que variavam o material – de paetês à tapeçaria – são alguns exemplos. Os clássicos gorros e bonés com orelhas de animais também apareceram, assim como as saias rodadas, as body-bags e os inúmeros acessórios-desejo que o designer era mestre em produzir: como as bolsas em formato de lata de tinta, as maletas monogramadas distorcidas e as malas com arranjos florais em tecido acoplados.

Mas o destaque ficou por conta de três dos últimos looks do line up: os de número 60, 62 e 68. O que eles têm em comum? Possuem asas de anjo monumentais. Confeccionadas em renda e com pontas pontiagudas, elas compõem o que certamente é uma das imagens de moda mais potentes da temporada – e talvez também do legado de Virgil.

Foi nesta atmosfera angelical que a equipe da Louis Vuitton entrou em conjunto para receber os aplausos de pé dos convidados – ao som de Tyler the creator, que era amigo pessoal de Virgil. Por uma janela no alto do imóvel que sediava a apresentação, estudantes de moda da École Duperre Paris assistiam a tudo que acontecia e marcavam o fim de um ciclo que se iniciou da mesma maneira: no primeiro desfile de Virgil para a LV, parte da plateia eram também alunos de graduação em Moda, só que convidados por ele. Que momento.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

DIA 4:

Em mais uma de suas coleções para a Maison Dior, Kim Jones viajou no tempo e retornou com sua própria interpretação dos maneirismos do fundador da casa, Christian Dior. A coleção de moda masculina Outono/Inverno 2022, contou com 50 looks e sua passarela simulou, em tamanho real, a balaustrada da famosa ponte parisiense, Alexandre III.

O estilista britânico reinterpretou vários ícones do Monsieur Dior para a realidade do homem contemporâneo, como por exemplo a jaqueta Bar feminina de 1947, no look de número 21. Além da reinterpretação de cortes e silhuetas familiares para a casa de alta-costura, Jones explorou também estampas, como: a estampa de leopardo, referindo-se aos looks da coleção de Primavera/Verão de 1947.

A paleta de cores da coleção se concentrou em equilibrar os tons frios e os tons terrosos, mas o preto manteve-se presente também nessa balança. Jones resgata não somente a assinatura de Christian Dior como também diz enxergar um resgate da sua própria assinatura do início dos anos 2000, principalmente, com o uso dos tons acinzentados.

Peças de tule bordado sobre camisas formais, blazers caracterizados com faixas frontais retorcidas, lantejoulas bordadas em suéteres, as clássicas boinas francesas, peças de couro e calças estilo Jogger dominaram toda a coleção. O resgate de arquivos da própria  casa é sempre uma ótima homenagem ao fundador, e dessa vez não foi diferente. 

Ao explorar o universo andrógeno em sua coleção, o designer belga Dries Van Noten trouxe em sua coleção apresentada no formato digital de um fashion film com o fotógrafo dinamarquês Casper Sejersen, a liberdade dos jovens, que tem sido negada nestes últimos tempos devido à COVID-19.

Calças de lurex brilhantes, peças de lã falsa, casacos e blazers trespassados, camisas transparentes e uma fusão riquíssima de cores vibrantes e estampas clichês como: estampas de hibisco e estampas de leopardo; definem bem o tom de toda a atmosfera festiva que o fashion film foi capaz de passar.

Na alfaiataria, Van Noten fundiu os ombros napolitanos com mangas bufantes frisando, mais uma vez, a presença da androginia em seus designs ao som de “Dream Baby Dream” (1979) da banda Suicide. 

O envolvimentos dos modelos entre beijos, carícias e diversão reflete os pensamentos do designer sobre a juventude perdida dos jovens em meio à pandemia. Van Noten afirma: “Eu realmente penso nos jovens que não podem sair, não podem conhecer outras pessoas….Todas essas coisas com a situação do Covid”. 

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

DIA 5:

Vivemos num período em que há pessoas mais preocupadas em criar um Metaverso, do que em melhorar as questões do mundo real, daí partiu o questionamento feito por J. W. Anderson na coleção de outono 2022 da Loewe, que criticou a forma que estamos lidando com a tecnologia, através de uma abordagem surrealista.

O que seria mais comum, nessa época de valorização às aparências, do que fotos altamente editadas? Inclusive, é muito comum encontrar erros de edição, onde corpos e cenários se deformam; esse foi um dos principais pontos abordados na coleção, para criar essa ilusão, as composições apresentavam camisas com a bainha arqueada, em direção oposta à do cós das bermudas.

A crítica ao Photoshop e outros aplicativos semelhantes, também é evidenciada nas peças de estampa listrada (com linhas tortas, brincando com volume e proporção) e, nas camisas e macacões, que traziam rostos e corpos deformados, dos próprios modelos, como estampa, satirizando a busca pelos tamanhos “ideais”.

A utilização constante de filtros e molduras não podia ser ignorada, foram representados pelas balaclavas, tendência da temporada, que vieram com recorte em formato de coração. A febre dos gifs foi simbolizada pelas palavras “Hello” e “Smile”, presas às calças; faziam alusão à necessidade de sempre parecer feliz e comunicativo nas redes, em busca do engajamento.

Tudo que está nas telas é iluminado, a luz é essencial para a tecnologia, por isso, Anderson apresentou este elemento em diferentes leituras. Diversas peças contaram com luzes de fibra óptica, trazendo o brilho dos dispositivos para a passarela, mas as capas de chuva feitas de couro, roubaram todos os holofotes; com um tratamento especial, o material ficou com aspecto translúcido, de forma que as underwears de cores claras ressaltavam, fazendo alusão às luzes de fundo dos aparelhos; esta técnica também foi utilizada nos sapatos, que pareciam feitos de plástico.

Quem nunca postou fotos ou memes de pet nas redes sociais? Ou de algum prato? Inclusive, são as que recebem o maior número de views e dominam o feed, por isso, viraram estampa para regatas, sungas e túnicas. Essa atenção ao que vem da natureza, surge como um pedido de socorro em meio ao caos que estamos enfrentando, ao bombardeamento de informações e surgimento de novas tecnologias, estas, cada vez mais bizarras e sem sentido. J.W. acredita que a era digital contribui para um comportamento psicótico, onde o real e o irreal se confundem, passamos a duvidar de todos, inclusive de nós mesmos.

Imagens dos desfiles comentados retiradas do Vogue Runway.

O Dandismo foi um estilo popularizado entre a aristocracia do século XVIII, principalmente entre os homens, com valores de bom gosto e senso estético impecável, um homem que escolhe viver a vida de maneira intensa e linda, essa é a inspiração de Véronique Nichanian, em sua nova coleção para a marca Hermès.

Ela descreve como o estilo ainda estaria vivo nos tempos modernos, só passou por algumas alterações chaves, mas o verdadeiro núcleo de um Dândi é os ares de amor á vida, e torna-lá o mais esteticamente apresentável possível. Mas vemos nessa coleção da Hermès desde elegantes casacos de inverno e calças de alfaiataria, como jaquetas de couro, coletes puff e suéteres de cashmere , as silhuetas , cortes e detalhes dignos da marca reconhecida internacionalmente por sua qualidade e exclusividade.

Imagem retirada dos arquivos da ALYX.

A nova era do cinema: a influência da pandemia no desenvolvimento e sucesso dos streamings

Por Vitória Geremias

A pandemia causada pelo Coronavírus em 2020 foi devastadora e mudou a rotina de todo mundo. As pessoas não podiam sair de casa, ver amigos ou passear. Compras só no mercado ou farmácia. A economia obviamente saiu afetada dessa história, e o mercado do entretenimento também. Entretanto, nesse cenário, já havia uma figura que vinha ganhando atenção, e agora, viria a ter ainda mais destaque.

Em 2011 chegou ao Brasil uma das primeiras plataformas de streaming, a Netflix. Hoje com um estúdio de produção próprio e diversas premiações da Academia, pode-se dizer que a plataforma criou um legado e revolucionou a sétima arte. No Emmy de 2021, a Netflix liderou a noite de premiações, deixando ainda mais clara sua influência e poder nas produções para televisão.

Nas categorias de Drama, a série “The Crown” levou todas as estatuetas principais, com Olivia Colman como Melhor Atriz, Josh O’Connor como Melhor Ator, Tobias Menzies como Melhor Ator Coadjuvante, Gillian Anderson como Melhor Atriz Coadjuvante e Claire Foy como Melhor Atriz Convidada, além dos prêmios de Melhor Série de Drama, Melhor Roteiro e Melhor Direção. O serviço de streaming também foi premiado nas categorias de Série Limitada por “O Gambito da Rainha”, levando as estatuetas de Melhor Série e Melhor Direção. Para mais detalhes sobre a noite de premiações, acesse o link do guia Melhores Momentos do Emmy 2021, no Instagram da Frenezi.

Olivia Colman com o prêmio de Melhor Atriz Principal por The Crown, da Netflix. [Imagem: https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/emmy-2021-coroa-the-crown-ted-lasso-o-gambito-da- rainha-veja-lista-de-vencedores-1-25204269]

Com o sucesso da Netflix, hoje o mercado de streaming é muito variado. Foi durante a pandemia que grandes estúdios, como a Disney, resolveram criar suas próprias plataformas para abrigar seus antigos filmes e séries, além de trazer novas produções exclusivas. Outros gigantes da produção audiovisual também aproveitaram a repercussão para aprimorar seus serviços digitais, como fizeram com a HBO Max – a melhor e mais completa versão da antiga HBO Go – e, no Brasil, o Grupo Globo, com a plataforma Globoplay.

Nesse panorama, em 2021, a plataforma Disney+ trouxe séries exclusivas em parceria com a Marvel Studios. O pioneiro “WandaVision”, indicado a 5 Emmys, incluindo de Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Ator em Minissérie, foi seguido por “Falcão e o Soldado Invernal”, “Loki”, “What If…?” e “Gavião Arqueiro”. O sucesso das minisséries no streaming surpreendeu os executivos e animou os fãs da Marvel após um ano de hiato devido a pandemia.

Pôster da série “WandaVision”, disponível no Disney+. [Imagem: https://olhardigital.com.br/2021/03/05/videos/wanda-vision-final-da-serie-aponta-para-3-producoes- do-universo-marvel/]

Ainda seguindo a grande quantidade de inovações que o mercado de streaming trouxe, a Disney+, na tentativa de potencializar sua plataforma, tentou trazer estreias paralelamente ao cinema, o que se mostrou uma experiência polêmica e sem muito sucesso. Com títulos como “Mulan”, “Cruella”, “Raya e O último Dragão” e “Viúva Negra”, a empresa testou o Premier Access, uma taxa adicional dentro do próprio streaming, com o intuito de trazer estreias do cinema simultaneamente para dentro de casa.

Além do preço de R$69,90 que não agradou os usuários, a empresa também arranjou problema com a estrela da Marvel, Scarlett Johansson. A atriz, que foi prejudicada financeiramente com a decisão da Disney, decidiu entrar com um processo por uso indevido de imagem. A protagonista de “Cruella”, Emma Stone, estava avaliando seguir os mesmos passos de Johansson contra a empresa.

Segundo a Disney, o intuito era trazer a ferramenta como uma sala de cinema particular, para evitar que seus usuários se deslocassem ao cinema em meio a pandemia. Entretanto, essa decisão se mostrou polêmica pois prejudicava os cinemas, que já estavam passando por um momento conturbado, e aparentava apenas fins lucrativos, visto que o preço cobrado já era além da assinatura do streaming. Após as controvérsias e a insatisfação dos assinantes, a Disney encerrou o Premier Access.

Scarlett Johansson em “Viúva Negra”, disponível no Disney+. [Imagem: https://www.legiaodosherois.com.br/2021/viuva-negra-scarlett-johansson-processa-a-disney.html]

O cinema foi muito prejudicado no ano de 2020, mas com a tecnologia de transmissão de vídeo, as pessoas ainda tiveram uma variedade de entretenimento audiovisual disponível nas plataformas. Desde então, cada streaming vêm se destacando por conteúdos diferentes.

A produção da Netflix é incansável, todo mês há uma grande quantidade de títulos que entram e saem da plataforma, tendendo a abrir espaço para mais obras originais. A HBO também está apostando em mais projetos próprios, mas diferentemente da Netflix, a plataforma vem se dedicando aos revivals, ou seja, produções novas de histórias que já são conhecidas – Gossip Girl, Sex and the City e Harry Potter são alguns exemplos que estão sendo revividos pela plataforma. Já a Globo, que trouxe suas famosas novelas para o streaming, está focando em produções derivadas das mesmas, como “Verdades Secretas 2” e “As Five”. O Prime Video, entretanto, se mostrou muito diferente de seus concorrentes, com a opção de assinar mais canais dentro da própria plataforma, o serviço de streaming expande as possibilidades do usuário ao garantir frete grátis nas compras feitas pelo site da Amazon, acesso gratuito ao Amazon Music, Kindle Unlimited por três meses além de download grátis de alguns eBooks.

O streaming foi conveniente para a pandemia e, de certa forma, salvou o entretenimento audiovisual, mas será que sua presença, dessa vez mais predominante, é uma ameaça ao cinema no caminho de volta à normalidade? A preocupação também atinge as obras nacionais e produções independentes, visto que os streamings representam um monopólio dos grandes estúdios, em sua maioria de origem estadunidense. Mas, ao mesmo tempo em que intimida, visto que pode significar supremacia das plataformas, essa tecnologia é também uma maneira de alcançar outros públicos e expandir a cinematografia.
E, apesar do receio, recentemente mostrou-se que o retorno do cinema não será um problema, pois o sucesso do novo filme “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” demonstrou que é possível manter uma relação paralela com os serviços de streaming. Com a bilheteria mundial batendo recorde de 1 bilhão de dólares apenas 10 dias após o lançamento, o novo filme do herói provou que, ir ao cinema, se tornou muito mais do que apenas assistir a um filme, pois a combinação de telas de alta definição, som imersivo e plateia interativa, é uma experiência que não se pode ter em casa.

Recorte do poster de “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”. [Imagem: https://estacaonerd.com/homem-aranha-3-filme-atinge-bilheteria-de-us-1-bilhao-de-dolares-apos-10- dia-confira/]

Entretanto, a demasia de plataformas vêm incomodando alguns usuários. Além de surgir uma certa guerra comercial, para uma pessoa que ama cinema, é quase que necessário adquirir todos os streamings para poder ter acesso às produções de sucesso, o que está se tornando inviável para a maioria dos cinéfilos.

No intuito de ajudar os leitores amantes de cinema e TV, a Frenezi trouxe um infográfico sobre cada plataforma, a fim de servir como consulta antes de assinar um serviço de streaming.

A pandemia afetou diretamente o cinema e as plataformas de streaming serviram de apoio para todos os amantes da sétima arte. O futuro do entretenimento audiovisual agora é compartilhado entre os dois, e promete ainda mais qualidade, além de expandir o mercado cinematográfico com uma tecnologia que aproxima e traz mais pessoas para o entretenimento do cinema e da televisão.

Os melhores profissionais da Moda nacional em 2021, segundo a FRENEZI

Por Izabella Ricciardi e Luiz Neves

Para a indústria da moda no geral, 2021 foi um ano cheio de esperanças. Depois dos drásticos efeitos da Pandemia do coronavírus na economia em 2020, o ano seguinte representava a chegada de um futuro promissor. Com grandes expectativas de recuperação financeira no começo do ano, iniciamos a transição para atividades e eventos de moda em categorias híbridas, ao passo que, ao longo do tempo, as vacinações avançaram e a oportunidade de voltar com eventos completamente  presenciais se tornou uma realidade nos últimos meses. Terminamos assim o ano com a volta de quase todos os grandes eventos e semanas de moda IRL – desde as semanas de alta-costura em Paris até a São Paulo Fashion Week.

A volta dos eventos presenciais foi essencial para que um vasto grupo de criativos nacionais e autônomos – entre stylists, fotógrafos, maquiadores e diretores de arte – pudessem retomar seus trabalhos e se inserirem no mercado novamente, após um longo período de mudanças culturais e estruturais acelerado pela pandemia. Se a moda é um  reflexo dos tempos, não é de se espantar que tais mudanças impactaram o trabalho daqueles genuinamente preocupados em construir novos imaginários e perspectivas de moda. É nesse cenário que marcas como Meninos Rei e MileLab – ambas do projeto Sankofa, iniciativa criada pelo SPFW com o intuito de inserir e dar visibilidade a estilistas negro no mercado – brilharam, e stylists como João Victor Borges e Ode se destacaram com imagens potentes e ultra atuais.

Em contraponto a esse cenário de mudanças estéticas e de imaginário de moda, pudemos observar outro fenômeno gigantesco que atingiu o setor: fusões e aquisições de grandes grupos de moda e marcas de varejo. Baw Clothing, MyShoes, Carol Bassi  e Troc são todas marcas compradas entre 2020 e 2021 pelo grupo Arezzo&Co, do empresário Alexandre Birman, e que, juntas, somam mais de 800 milhões de reais em valor de transação. O mesmo ocorreu com o Grupo Soma, de Roberto Jatahy, que em 2021 adquiriu a gigante hering por nada menos que 5,1 bilhões de reais, logo após incorporar em seu portfólio a também gigante NV, da blogueira Nati Vozza, e uma transação avaliada em 210 milhões de reais.

É fato que essa é uma movimentação não observada no mercado há mais de 10 anos e que evidencia o poder do setor como um todo, mas a pergunta que fica é: quando marcas pequenas e grandes talentos da moda nacional terão a chance de serem apoiados por esses investidores?

Enquanto não encontramos a resposta para essa pergunta, o que nos resta é homenagear e reconhecer aqueles que, em contexto de resistência, marcaram a Moda nacional este ano.

Com vocês a lista de profissionais que, segundo a editoria de Moda da Frenezi, deram o nome em 2021:

Colagem com as fotos de divulgações das marcas.

Marca independente do ano

Misci

Anacê

Meninos Rei

Ateliê Mão de Mãe

P. Andrade

Mile Lab

Estilista do ano

Rafaella Caniello (Neriage)

Isaac Silva (Marca autoral)

Mayari Jubini (Artemisi Gallery)

Igor Dadona (Marca autoral)

Lucas Leão (Marca autoral)

Marca de acessórios do ano:

Esfér

ROOM

pége

Alexandre Pavão

Eduardo Caires

Personal stylist do ano

Pedro Sales 

Rita Lazarotti 

Leandro Porto 

Thiago Biagi 

Carol Roquete 

Stylist do ano

George Krakowiak

Ode 

Leandro Porto

João Victor Borges

Renata Correa

Influencer do ano

Luanda Vieira

Thai de Melo

Vitoria Fiore

Angelica Bucci

Daniel Kalleb

Modelo feminina do ano

Rita Carreira

Marcela Thome

Teodora Oshima

Vivica Ifeoma

Emily Nunes

Modelo masculino do ano

Guilherme Blanco

Guilherme Breves

Elia Lee

Gabriel Pita

Sam Porto

Jornalista de moda do ano:

Luigi Torre

Giu Mesquita

Bárbara Poener

Isis Vergilio

Lucas Assunção

Tiktoker fashion do ano

Harry Ciotto

Mitcho Mezzomo

Marco Quadros

Verena Figueiredo

Arthur Freixo

Disfoggia

Fotógrafo do ano

Ivan Erick 

Gabriela Schmidt 

Edgar Azevedo

Fernando tomaz

Mar Vin 

Maquiador do ano

Hero Rodrigues 

Alma Negrot

Mayra Moreno

Natalie Billio

Steyonce

Magô Tonhon

Nail Artist do ano

Viviane Lee

Sthephani Mauricio

Roberta Munis

Diretor de arte/set designer do ano

Hugo Teixeira

Jean Labanca

Ana Arietti

Manoela Moura

Nídia Aranha

E que em 2022 a potência destes e de novos nomes cresça ainda mais para uma Moda mais plural, verdadeira, criativa e culturalmente significante. 

Boas festas!

A Beleza do Natal

por Fernanda Rosendo e Thaís Lopes Aidar

Quando o assunto é Natal, você provavelmente já ouviu a expressão “se arrumar para ficar na sala de casa”. Isso porque no Brasil é costume celebrar a data de uma maneira mais caseira e com a família. Mas o que há, de fato, por trás desse hábito de se produzir para passar a noite no sofá? Bom, pretendíamos responder com essa matéria e acabamos percebendo que existem outros fatores envolvidos. 

Primeiro, é importante pensar no significado que atribuímos à maquiagem em nossa vida. Geralmente, o ato de se arrumar é motivado por fatores como autoestima e amor-próprio — sentimentos potencializados pelo tal espírito natalino. Afinal, não podemos negar que o Natal é uma das datas mais mágicas e especiais do ano, né? 

E pelo visto essa teoria de beleza natalina não é só da Frenezi, viu? Basta dar uma rápida checada no Instagram durante a data para conferir as superproduções das celebridades. Ao que tudo indica, elas realmente não se importam em gastar make para ficar em casa. Inclusive, a maioria gosta de investir em looks icônicos e maquiagens marcantes, exibindo um visual poderoso e feito especialmente para o Natal. Olha só: 

Mas engana-se quem pensa que esse hábito é exclusivo das celebs: a beleza de Natal está presente, inclusive, nas casas de pessoas normais como nós. A estagiária de análise de dados Natália Zambaldi, de 25 anos, conta que ela nutre esse hábito desde sempre como uma tradição familiar. Por lá, todos fazem questão de estar bonitos para a comemoração. “É uma celebração, então eu gosto de me arrumar e ter a sensação de estar bonita para uma festa em família, para comemorar a união e também o ano que está acabando”, explica. 

Mas será que essa produção impacta mesmo na comemoração? Natália garante que sim e a estudante de moda Hillary Santana, de 24 anos, concorda com ela. “Se eu não me arrumo, parece que tem alguma coisa errada, que não é o mesmo clima e fico até desanimada. Isso acontece também no meu dia a dia, porque minha autoestima está muito ligada ao que eu estou usando”, conta Hillary. 

Ao que tudo indica, o hábito de se arrumar para ficar em casa no Natal faz mais sentido do que pensávamos, viu? É como se parte da magia da data estivesse diretamente ligada ao nosso estado de espírito. Falando nisso, Natália reflete: “Me sinto muito mais alegre em me arrumar, sabe? Me sentir bonita e cheirosa faz toda a diferença para autoestima e, consequentemente, para animação em celebrar a noite”. 

Assim como na família Zambaldi, Hillary diz que a família toda tem o costume de usar roupas novas na data e ela aproveita a ocasião para pôr em prática seu amor por moda e beleza, fazendo uma produção digna de receber um prêmio. Demais, né? 

Portanto, esses relatos nos mostram que o termo “A Beleza do Natal” faz bem mais sentido do que imaginávamos. Isso acontece principalmente pela simbologia que damos à data e as sensações especiais que ela provoca em nós. Por isso, fica mais do que provado que vale, sim, arrasar nos looks e maquiagens de Natal sem nenhuma moderação! O que realmente importa é se sentir bonita e especial para celebrar a comemoração ao lado de quem você ama. Feliz Natal!