Oscar 2022: conheça os indicados a ‘Melhor Canção Original’

A 94ª cerimônia do Oscar, que acontecerá no dia 27 de março, anunciou há duas semanas os indicados de suas categorias. Depois de uma pré-lista cheia de promessas e apostas no mundo da música, finalmente é possível conhecer os nomeados para Melhor Canção Original.

O destaque da lista vai para a música No Time to Die de Billie Eilish e seu irmão, Finneas O’Connell, para o filme 007: Sem Tempo para Morrer. A faixa ganhou ano passado o Grammy de Melhor Música Escrita para Mídia Visual e garantiu também o Globo de Ouro em Melhor Canção Original. A canção favorita para o prêmio debutou em 16º lugar na Billboard Hot 100 e fez história ao alcançar o topo da parada musical britânica de singles

É interessante destacar que se caso Billie e Finneas ganhem o prêmio, será a terceira vez que uma música tema da franquia de James Bond leva uma estatueta na premiação. Em 2012, Skyfall de Adele ganhou a categoria e Sam Smith venceu com Writing ‘s On The Wall em 2015.

Outra indicação importante foi a música Be Alive de Beyoncé e DIXSON para o filme King Richard: Criando Campeãs. Essa foi a primeira nomeação dos artistas ao Oscar e se tornou histórica, pois após 25 anos de carreira, a artista foi indicada à premiação.

A canção é tocada nos créditos finais e a inspiração para a produção da faixa veio após Beyoncé assistir a uma exibição prévia do longa. Will Smith, protagonista da cinebiografia, contou à revista Entertainment Weekly que a cantora quis contribuir com uma música para o filme, pois a história das irmãs tenistas, Venus e Serena Williams, a inspirou por se assemelhar muito ao desenvolvimento da carreira da artista.

King Richard: Criando Campeãs conta a história de Richard Williams, pai e treinador de Venus e Serena Williams. [Imagem: Divulgação/Veja]

A terceira nomeação da categoria foi Dos Oruguitas escrita por Lin-Manuel Miranda e cantada por Sebastian Yatra para a animação Encanto. Miranda já foi indicado na categoria em 2017 por How Far I’ll Go do filme Moana e colaborou em algumas outras produções musicais dos estúdios Disney. A faixa de Encanto foi a primeira música totalmente escrita em espanhol pelo artista e conseguiu chegar a 36ª posição na Billboard Hot 100, sendo também a primeira entrada do cantor colombiano Sebastian Yatra na parada musical. 

O mais curioso da indicação de Dos Oruguitas é que, outra música da trilha sonora de Encanto acabou se tornando o maior sucesso de uma animação da The Walt Disney Company e não foi submetida a premiação. We Don’t Talk About Bruno, escrita também por Lin-Manuel Miranda e cantada pelo elenco do longa, alcançou o topo das paradas musicais da Billboard Hot 100 e Global 200, se mantendo estável há quatro semanas. 

O álbum da trilha sonora do filme está no Top 10 de álbuns globais no Spotify desde dezembro do ano passado e chegou ao primeiro lugar ainda em janeiro, se mantendo quatro semanas no topo. Já We Don’t Talk About Bruno aparece há cinco semanas no Top 10 de músicas globais da plataforma, alcançando a 8ª posição.

Lin-Manuel Miranda explicou à revista Rolling Stones o motivo da música não ter aparecido na premiação, e segundo o artista, ninguém da equipe podia prever que a trilha sonora seria tão popular e que We Don’t Talk About Bruno fosse a música de maior destaque da animação.

Além disso, Miranda afirmou que normalmente são enviados para a consideração do Oscar a canção que melhor exemplifica o espírito do filme e Dos Oruguitas apresenta a história principal do longa. Outra explicação plausível, é que todos os pré-indicados precisam ser enviados até 1º de novembro e na época a música sobre o personagem Bruno ainda não tinha virado um hit global.  

We Don’t Talk About Bruno se tornou a música da Disney com mais semanas no topo da Hot 100. [Imagem: Divulgação/Billboard]

A quarta nomeação de Melhor Canção Original ficou para Somehow You Dode Diane Warren para o filme Quatro Dias Com Ela. A música cantada por Reba McEntire, é a 13ª indicação da compositora e produtora Warren. Infelizmente, a artista nunca ganhou a categoria, mesmo estando presente em 5 edições seguidas nos últimos anos. 

A última indicação, e a mais polêmica, é Down to Joy de Van Morrison para o filme Belfast. Baseada em uma demo da música não lançada, Coming Down to Joy,a versão da trilha sonora do longa não pode ser encontrada em nenhuma plataforma de streaming. Isso porque, Morrison se mostrou contra o lockdown durante a pandemia do Covid-19 e até lançou músicas pedindo o fim da medida sanitária. A promoção da contribuição do artista na obra cinematográfica foi bem menor, exatamente por medo das polêmicas do cantor.

Cena do filme Belfast, que será lançado em março nos cinemas brasileiros. [Imagem: Divulgação/Folha de S.Paulo]

Como toda boa premiação, nem todos os favoritos do público e da crítica acabam sendo indicados. As três faixas consideradas esnobadas desta edição são Guns Go Bang de Kid Cudi e Jay Z para o filme Vingança & Castigo, Here I Am (Singing My Way Home) de Jennifer Hudson para a cinebiografia Respect: A História de Aretha Franklin e Just Look Up de Ariana Grande e Kid Cudi para o longa Não Olhe Para Cima

Apesar de terem sido indicadas em algumas outras premiações que servem de termômetro para o Oscar, as músicas acabaram não sendo lembradas pela a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e só contribuíram para a divulgação dos respectivos filmes.

Artistas norte-americanos e o foco em projetos latinos

Não é novidade que o mercado de música latino vem crescendo nos últimos anos e vários artistas ascenderam para o topo das paradas musicais. Em 2019, de acordo com a revista Rolling Stones, a receita da música latina chegou a superar a indústria global de música dos Estados Unidos. 

Esse aumento é motivado principalmente pelo streaming, a maior aceitação de artistas latinos no mainstream e o crossover do mercado norte-americano com o da América Latina. Um exemplo disso, é a música Despacito lançada em 2017. O remix da faixa dos porto-riquenhos Luis Fonsi e Daddy Yankee com o artista canadense Justin Bieber possibilitou um sucesso ainda maior da música e assim quebrou recordes, ficando 16 semanas no topo da Hot 100 da Billboard naquele ano.

Nesse cenário, a América Latina se torna um mercado muito atraente para ser explorado e alguns cantores norte-americanos que tem raízes nesse espaço aproveitam o momento para lançar projetos em espanhol. Um exemplo disso, é o caso da cantora estadunidense Selena Gomez, que possui ascendência mexicana.

Em março de 2021, a artista lançou o seu primeiro EP em língua espanhola chamado Revelacíon. Com 7 faixas, o projeto conta com colaborações de Rauw Alejandro, Myke Towers e DJ Snake. A obra recebeu nota 83 no Metacritic – site americano que reúne críticas – e se tornou o álbum musical melhor avaliado da cantora. Quatro faixas do projeto entraram nas paradas da Billboard Hot Latin Songs, incluindo os três singles de divulgação De Una Vez, Baila Conmigo e Selfish Love.

Capa do EP Revelacíon de Selena Gomez lançado em 12 de maio de 2021.
[Imagem: Amazon/Divulgação]

Sendo bem recebido pela crítica, Revelación garantiu a Selena Gomez sua primeira indicação ao Grammy Awards 2022 na categoria de Melhor Álbum Pop Latino e o videoclipe De Una Vez foi também sua primeira indicação no Grammy Latino 2021 na categoria de Melhor Vídeo Musical Curto.

Já no ano de 2000, Christina Aguilera surpreendeu lançando como seu segundo álbum, um projeto também totalmente em espanhol. Chamado de Mi Reflejo, o disco em homenagem a cultura do seu pai equatoriano, inclui cinco regravações do seu primeiro álbum, Christina Aguilera, e seis canções inéditas. 

O projeto estreou no topo da Billboard Top Latin Album, permanecendo 19 semanas na liderança da parada musical e foi certificado 6 vezes platina nos EUA pela Associação Americana da Indústria de Gravação, vendendo mais de 360 mil unidades. A recepção da crítica teve avaliações mistas, no Metacritic o álbum só alcançou nota 56 e teve como singles principais Ven Conmigo (Solamente Tú), Pero Me Acuerdo de Ti e Falsas Esperanzas

Apesar das críticas, o disco de Aguilera ganhou três indicações ao Grammy Latino de 2001 nas categorias de Gravação do Ano por Pero Me Acuerdo de Ti, Melhor Performance Pop Vocal por Genio Atrapado e Melhor Álbum Vocal Pop Feminino, sendo vencedora nesta última categoria. No 43ª Grammy Awards, Mi Reflejo também teve uma indicação como Melhor Álbum Pop Latino, mas infelizmente não levou o prêmio para casa.

Capa do álbum Mi Reflejo de Christina Aguilera lançado em 12 de Setembro de 2000. [Imagem: Amazon/Divulgação]

Vinte dois anos após o primeiro lançamento de Christina Aguilera se aventurando na língua espanhola, a artista liberou em janeiro desse ano o EP La Fuerza. Com 6 faixas e participações de Becky G, Nicki Nicole, Nathy Peluso e Ozuna, o projeto é a primeira de três partes que vão constituir o nono álbum da cantora e seu segundo totalmente em espanhol. O primeiro single da nova era, Pa Mis Muchachas, foi uma colaboração feminina que celebra o poder da mulher, inclusive o título do EP faz referência ao poder feminino da mulher latina.

Os dois últimos singles foram Somos Nada e Santo, em parceria com o porto-riquenho Ozuna, grande nome no cenário do reggaeton. O EP fez sua estréia no segundo lugar da parada latina da Billboard Latin Pop Albums e foi aclamado pela revista Rolling Stones destacando o esforço na versatilidade das músicas e os grandes vocais de Aguilera. 

Cenas do videoclipe de Santo, parceria com Ozuna.
[Imagem: Youtube/ Divulgação]

A maior crítica do público em relação a projetos para o mercado latino desenvolvidos por artistas norte-americanos, é a questão de não serem considerados “latinos o suficiente” por algumas pessoas, já que assim como Selena Gomez, Christina Aguilera não fala fluentemente espanhol. Inclusive Gomez teve que contratar um treinador de idiomas para a produção do EP, para que assim pudesse aprender vocabulário e melhorar o sotaque. 

A preocupação surge de uma possível exploração da cultura latina e também da diferença de tratamento de artistas que dedicam inteiramente seu trabalho a América Latina e são ignorados pelas premiações e público, para aqueles que são americanos e só estão se aventurando em um novo mercado.

Apesar disso, muitos cantores continuam se arriscando no idioma, nem que seja apenas com colaborações ou regravações de hits para alcançar o mercado mais desejado da indústria musical. The Weekend, por exemplo, colaborou recentemente com Maluma no remix da faixa Hawái e com Rosalía em La Fama. E por incrível que pareça, até a Beyoncé já lançou em 2007 um EP de regravações em espanhol do seu segundo álbum B’Day

Assim, a tendência é que nos próximos anos essa mistura no pop americano-latino seja ainda mais frequente, principalmente, na era dos streamings que são o maior crescimento do setor na música latina.

Avanço da variante Ômicron altera o calendário de premiações

Nos Estados Unidos, uma nova onda de casos da Covid-19 parece ameaçar a estabilidade das premiações e tapetes vermelhos que estavam previstos para acontecer no início deste ano. Em uma tentativa de frear a contaminação, alguns dos eventos marcados precisaram ser adiados ou até cancelados. 

Uma das maiores premiações musicais do mundo, o Grammy Awards, foi um desses eventos. A cerimônia que estava prevista para o dia 31 de janeiro foi adiada para 3 de abril em um novo local em Las Vegas. “O 64º #GRAMMYs foi remarcado e agora será transmitido ao vivo a partir do @MGMGrand Garden Arena em Las Vegas no domingo, 3 de abril no canal @CBS! ✨🎶”.

Originalmente tweetado pela Recording Academy/GRAMMYs (@RecordingAcad) em janeiro 18, 2022.

Essa mudança no calendário das premiações é um reflexo do avanço da nova variante ômicron que vem batendo recorde de novos casos e aumentando o número de óbitos ao redor do mundo. A nova mutação do coronavírus foi descoberta na África do Sul, com seu primeiro caso confirmado em 9 de novembro de 2021. Atualmente, por seu alto poder de contágio, a variante já está presente em todos os continentes e levantou preocupação em vários países.

Em 3 de janeiro, os Estados Unidos registrou mais de um milhão de casos diários de Covid-19 pela primeira vez, quase o dobro das infecções relatadas uma semana antes. Seja pela flexibilização de medidas sanitárias ou as festas de fim de ano, os números de casos no país aumentaram drasticamente.

Segundo dados da agência de notícias Reuters, os EUA estão relatando 696.541 novas infecções em média por dia e lideram o número médio diário de novas mortes, sendo responsável por uma em cada 4 óbitos por Covid-19 em todo o mundo a cada dia. Desses novos casos, a variante ômicron já representa quase todas as infecções no território dos Estados Unidos.

Gráfico de casos e mortes diárias nos Estados Unidos no mês de janeiro.
[Imagem: Reuters]

Apesar disso, de acordo com dados do Our World in Data, a vacinação no país já alcançou 63,6% de pessoas vacinadas, com 535 mil doses aplicadas e 210 mil pessoas com esquema vacinal completo. A diminuição do intervalo da dose de reforço foi uma estratégia dos Estados Unidos para diminuir o surto de casos, e nessa semana, o número de infecções teve uma diminuição positiva

Este é um cenário que parece ser mais favorável e ideal para a realização de premiações e eventos nos próximos meses, mas é indispensável pensar na utilização de medidas contra a Covid-19.

No ano de 2021, a cerimônia do Grammy, que também teve a data adiada para março, aconteceu de maneira diferente: foi realizada no Centro de Convenções de Los Angeles, utilizando o espaço interior e exterior, com quatro palcos diferentes. Pela primeira vez na premiação, não havia público, algumas aparições foram virtuais e as performances foram divididas em ao vivo e pré gravadas. Com equipe reduzida, todos os artistas e seus convidados foram testados e seguiram a recomendação de utilizar a máscara na maior parte do evento.

Já na edição latina do Grammy, que aconteceu em Las Vegas, o cenário da pandemia era de maior normalidade. Assim, a cerimônia foi realizada sem muitas limitações e com duas únicas exigências: o comprovante de vacinação e o teste negativo do Covid-19. O uso da máscara ainda era obrigatório no backstage, mas os artistas tiveram liberdade em suas apresentações ao vivo.

Outras duas grandes premiações da música: o MTV Video Music Awards e o American Music Awards, realizadas no final de 2021, ocorreram de forma semelhante. Nas arenas havia o público normal, comprovante de vacinação e o uso de máscara ainda eram uma obrigatoriedade, mas os artistas e outras celebridades não tinham necessidade rigorosa em estar de máscara nas áreas do evento. Mesmo com uma maior liberdade, ainda houveram artistas que não se sentiram confortáveis em comparecer às premiações. Um dos casos, foi o da cantora neozelandesa Lorde, que desistiu da sua apresentação no VMAs pois as restrições contra o covid não permitiriam a performance idealizada por ela.

No calendário de premiações do primeiro trimestre deste ano, houveram algumas mudanças além do Grammy. O Globo de Ouro, que escolhe os melhores profissionais do cinema e televisão, não teve público, tapete vermelho e nem transmissão ao vivo. Os vencedores das categorias eram anunciados no site oficial do evento. Já o Critics Choice Awards, que reconhece as melhores realizações cinematográficas, teve sua data adiada de 09 de janeiro para o dia 13 de março. O Oscar fez uma decisão parecida, adiando a cerimônia honorária em homenagem a carreira de artistas para outra data ainda não definida.

A instabilidade da pandemia ainda requer adaptações do calendário de eventos, principalmente porque os organizadores esperam fazer um evento incrível e com poucas limitações sem deixar de prezar pela saúde e segurança dos envolvidos. A previsão é que o Grammy e outras premiações adiadas aconteçam de maneira parecida com as do final do ano passado, já que a aplicação da dose de reforço da vacina tem diminuído o número de casos.