Imagem de mil palavras: como os personagens falam antes de abrir a boca

Você aperta o play, a história começa e, nos primeiros 15 minutos, já é possível identificar o mocinho, o vilão, sentir empatia ou aversão por algum personagem. E é exatamente isso que a produção quer que aconteça. Antes mesmo de a história se desenrolar por completo, ela já quer prender o telespectador por um único ponto que, segundo pesquisas, é responsável por  90% das informações transmitidas ao cérebro: o visual. 

Feche os olhos e imagine: cores suaves – candy colors, mais especificamente -, cabelos soltos e esvoaçantes, make leve, sapatos sem salto, roupas soltas e com muita cara de conforto… aposto uma caixa inteira de produtos da Rare Beauty que você idealizou uma pessoa inocente, boa, de alma leve e sorriso fácil. Agora, feche novamente e faça o caminho inverso: pense em cores vibrantes e profundas, olhares marcados, cabelos milimetricamente controlados, roupas justas e com caimento pesado… a aposta segue a mesma se você idealizou alguém de personalidade forte, quase inacessível, que causa um certo receio só de pensar em se aproximar. Esse é o poder da caracterização, e é ele um dos artifícios mais poderosos na construção de um personagem que cativa. 

Um exemplo nítido desse feito é a transformação instantânea de Anna Delvey na série “Inventando Anna” (que foi um verdadeiro fenômeno quando foi lançada no início do ano). Ao ouvir que sua aparência, antes composta por ondulados cabelos loiros, maquiagem romântica e um estilo mais girlie, não condizia com a de uma mulher de negócios, séria e competente que gostaria de se transparecer ser para conquistar aliados e financiadores, Anna prontamente tratou de escurecer os fios, adotar óculos quadrados e de armação escura (contrariando seu contraste pessoal e gerando peso visual), apostar em peças de corte mais reto, tecidos mais firmes e uma postura mais formal. A forma como ela passou a ser percebida mudou instantaneamente, e isso aconteceu logo na primeira cena em que ela aparece com o novo visual, antes mesmo que o primeiro diálogo dela nessa nova fase fosse construído. 

A aparência, goste ou não, é sim um meio de exercer uma chamada “comunicação silenciosa” e, assim como ela é capaz de externar a personalidade de “pessoas reais” no dia a dia, na criação de um enredo artístico também. Fato é que, a maior intenção dos autores é criar uma conexão com o público, seja por meio do incômodo, da identificação, da polêmica ou da aversão, o que importa é fazer com que o que é fictício não seja esquecido no que é real, e a beleza tem um papel fundamental nisso. Pode parecer ousadia, mas vale dizer que uma boa parte das pessoas que consomem o conteúdo cinematográfico conseguem se lembrar de algum personagem – que para eles foi – marcante quando vê uma determinada peça em uma loja, num corte de cabelo de alguém passando pela rua ou num estilo de maquiagem que está mais em alta – já que a mídia tem, inegavelmente, esse famoso e ao mesmo tempo assustador, poder de influenciar o desejo das massas. O conjunto xadrez de Cher em As Patricinhas de Beverly Hills, o cinto dourado e a capinha de soco inglês da delegada Helô em Salve Jorge, o pretinho básico junto de um colar extravagante de Holly em Breakfast at Tiffany’s… Se notarem, cada um desses elementos se comunica muito estrategicamente à personalidade dos personagens que os tornaram famosos: o xadrez é uma estampa clássica e que, em algumas variações, é ligada à monarquia – como o xadrez Príncipe de Gales – e Cher era uma verdadeira princesinha no clássico dos anos 1990; o cinto dourado traz um toque de glamour e a capinha de soco inglês transmite uma mensagem de força, garra e defesa – e Helô era uma delegada implacável, mas, ao mesmo tempo, muito vaidosa; já o vestido preto acrescido de luvas e um colar de peso comunicam uma classe singular – e Holly era uma personagem que mostrava que a elegância também podia ser simples.

No entanto, esse feito não é tão simples. Como na “vida real” o processo de conhecimento e desenvolvimento do próprio estilo, a curadoria de preferências e a definição dos elementos que vão conseguir transformar a imagem de uma pessoa na extensão da personalidade dela, da mesma maneira ocorre na criação da aparência de um personagem, e quem fica a cargo de fazer com que isso aconteça da melhor forma possível são os profissionais desse ramo da beleza artística: os figurinistas, maquiadores e cabeleireiros que ficam encarregados de exercer uma dupla transformação: despir o ator de si mesmo e vesti-lo de um novo alguém. Nesse sentido, a figurinista Flávia Botelho (no instagram como @a_figurinista) traz mais profundidade sobre as atribuições de um figurinista (que, já adiantando, faz muito mais do que escolher as roupas). “Em uma produção artística, a figurinista deve ter todo o roteiro, entender o perfil psicológico de cada personagem para criar, junto com a direção, o conceito do figurino.” De acordo com a profissional, cores, formas e elementos são avaliados e indicados para ajudar a reforçar a dramaturgia tanto de cada personagem, quanto do conjunto do elenco, “[…] a figurinista precisa entender de composição de cores, de como essas cores ficam na luz do palco ou nas câmeras, quais tecidos e aviamentos devem ser usados, como e quando usar efeitos de tingimentos ou envelhecimento para trazer vida ao figurino, por exemplo.”

Flávia Botelho, figurinista [Imagem: Reprodução/Instagram]

Para chegar a essas definições, o ponto de partida é o diálogo: o primeiro passo para uma produção de sucesso começa no alinhamento das ideias com a equipe: “O primeiro passo é a leitura do roteiro e, em seguida, a conversa com o diretor, porque quando a gente lê o roteiro, já visualiza essa composição.” E o registro dessas ideias são, geralmente feitos por meio de croquis – um processo que pode ser diferente de acordo com o perfil de cada profissional, “Tem gente que faz primeiro uma pesquisa de referências de imagens, para depois ir refinando, até chegar no que melhor representa cada personagem. Varia, mas o principal é começar a dar forma, estabelecer cores junto com a direção de arte […] É um trabalho em conjunto!”

Porém, como se trata da criação de uma personalidade, a complexidade é inegável. Segundo Flávia, o maior desafio na construção dessa forma de comunicação é pensar com a cabeça do expectador, de alguém que não sabe nada daquela obra. “Achar quais elementos são essenciais e quais são dispensáveis; limpar toda distração, deixar de ado as questões de moda ou gosto pessoal e colocar o foco na construção do personagem, em representar quem ele é.”

E, como pessoas que são, os personagens também estão sujeitos a mudanças: de vida, de realidade e, em alguns casos, até de personalidade (tragam à memória a Clara – de Bianca Bin – em “O outro lado do paraíso”, que depois de passar por traumas profundos, ressurgiu completamente diferente, por dentro e por fora). Assim como na vida real, a aparência também reflete a essência e, ao passo em que o comportamento muda, a imagem se altera junto. Entretanto, para que a narrativa não seja prejudicada por uma mudança drástica, inesperada ou aleatória, que pode quebrar a conexão já existente com o público e despersonalizar a personagem, é de fundamental importância não deixar de manter o contato com as ideias do diretor para o enredo da trama. “Primeiro há que se entender que um filme, série, peça de teatro, antes de existir para o público, existe em um roteiro e, na maioria das vezes, essas mudanças já são previstas.” Assim, é possível planejar com antecedência como realizar essa transição sem romper com a narrativa, “Quando a construção de um figurino começa pelo perfil psicológico, ou seja, pela humanização – tornar o personagem uma pessoa – a gente também passa a entender, na trama, como essa pessoa reage, os sentimentos dela e como ela se vestiria em diversas situações, […] se fosse pobre, se fosse rica, se fosse para a guerra, para um jantar romântico, para uma entrevista de emprego, enfim. Por isso tudo começa no roteiro e na conversa com a direção!”

De fato, enquanto expectadores e ainda ignorantes em relação ao conteúdo que está por vir, qualquer influência visual conta para criar uma atmosfera, uma linha de raciocínio que instiga nossa imaginação em relação ao que pode acontecer. Que atire a primeira pedra – ou cancele a assinatura na plataforma de streaming – quem nunca julgou um personagem na primeira cena em que ele apareceu, antes mesmo do coitado dizer qualquer coisa – como não interpretar Anna Delvey como uma herdeira multimilionária em Inventando Anna, ou Vivian como uma pessoa rebelde em Uma Linda Mulher? É por isso que o trabalho dos bastidores não pode ser ignorado; o figurino aguça a curiosidade e torna a encenação ainda mais convidativa aos olhos e é por meio da criação dessa imagem de mil palavras que os personagens falam antes mesmo de abrir a boca.

Com a conexão criada 

Do sim ao altar: o cronograma de beleza para noivas

Para algumas noivas, um dos dias mais mágicos da vida delas é o dia do “sim”, porém, quando dizem sim ao pedido de casamento, também estão aceitando os desafios que cercam a preparação para que esse grande dia seja perfeito. Foi-se o tempo em que as preocupações dos noivos se restringiam à decoração, buffet e escolha dos trajes adequados. Agora, principalmente no que diz respeito às noivas de plantão, mais um item entrou no checklist de tarefas a serem realizadas até o dia da cerimônia: o cronograma de procedimentos de beleza. 

Com o avanço da tecnologia nesta indústria, os novos tratamentos com diferentes objetivos e downtimes (tempo de “descanso” necessário para que a região tratada se recupere e atinja o resultado final) têm se popularizado rapidamente devido à versatilidade que oferecem: há tratamentos mais profundos que podem precisar de semanas de recuperação para que se chegue ao resultado final, enquanto existem outros mais superficiais que não possuem downtime e a paciente já pode voltar às atividades cotidianas logo após a realização dos procedimentos. 

Imagem: Reprodução/Organize Casamento

No entanto, quando se tem um planejamento por trás, é possível obter o melhor dos dois mundos: combinar tratamentos – tanto pelos efeitos a longo prazo, fruto dos protocolos que tratam a qualidade da pele de maneira mais profunda, quanto por aqueles que podem ser realizados aos “45 do segundo tempo” e trazem resultados sutis, mas notáveis – e obter resultados progressivos, ou seja, que melhoram com o tempo. Esse é o caso das noivas que cada vez mais têm buscado montar um verdadeiro cronograma de beleza a ser seguido desde o dia do “sim” até chegar ao altar. 

Emanuela, que casou-se recentemente, desde o início dos planejamentos, incluiu em seu “projeto noiva” cuidados específicos com a aparência, “Quando disse ‘sim’ ao meu noivo, também disse sim ao dia dos meus sonhos e por isso fiz questão de chegar nele na minha melhor versão!”. Segundo ela, a preparação começou com um ano de antecedência, logo que noivou, e a escolha dos procedimentos foi um conjunto de desejos dela e recomendações de profissionais.

“Aproveitei a ocasião do casamento para tirar do papel algumas vontades que já tinha, como preencher as olheiras que já me incomodavam há um tempo, com ácido hialurônico (uns três meses antes) e aplicar a toxina botulínica de forma preventiva e para levantar o olhar (mais ou menos dois meses antes da cerimônia). Porém, quando procurei minha dermatologista para realizar esses procedimentos, ela me recomendou alguns outros tratamentos para melhorar o aspecto da pele, como limpezas mais frequentes (realizei uma por mês) e lasers para tratar manchas e textura. Montamos um verdadeiro cronograma que incluiu desde tratamentos no consultório até cuidados em casa.” Emanuela ressaltou ainda que a preparação e o cuidado prévio para com a imagem foram fundamentais para que ela se sentisse mais confiante no dia da cerimônia, “Me senti preparada, mais bonita de verdade, porque tudo o que me incomodava antes já não estava mais lá, eu já tinha tratado!”

Nesse sentido, a Dra. Liliany Lóss Folate, médica dermatologista, diretora da clínica Dermacorpo,  afirma que se preparar com antecedência, porém com calma e responsabilidade, é de extrema importância: “O grande dia da noiva é uma ocasião de muitas emoções e ansiedade! Eu recomendo não acrescentar mais emoção, na ânsia pelo resultado dos procedimentos estéticos. Sempre oriento a realizar os procedimentos de forma programada e antecipada.” Além disso, a dermatologista acrescenta que seis meses de antecedência é o período que considera ideal para dar início aos cuidados de forma mais intensa e que os protocolos a serem adotados são escolhidos após a realização de uma avaliação individual, que é uma etapa fundamental para identificar as necessidades de cada noiva e direcionar o tratamento.

No entanto, existe uma característica que a Dra. Liliany considera indispensável em qualquer cronograma: a busca por uma pele visivelmente bem zelada, “Estar com a pele bem cuidada, com viço e brilho, faz toda diferença na maquiagem! O Botox também é indispensável!” e para exemplificar uma forma de chegar a esse resultado, ela nos direcionou na montagem de um cronograma de beleza para incentivar as noivas de plantão. Vamos conferir?  

Cronograma de beleza do “sim” ao altar:

  • 6 meses antes: Os bioestimuladores de colágeno – substâncias aplicadas na face para estimular a produção de novas fibras de colágeno, auxiliando na melhora do aspecto do rosto, minimizando os sinais do tempo, atenuando a flacidez e proporcionando uma pele mais uniforme + Ultraformer 3 – um aparelho de última geração que combina a utilização dos ultrassons micro e macrofocado para tratar a flacidez da pele. Essa tecnologia atua através de estímulos para intensificar a produção natural de colágeno no organismo e promover a quebra das células de gordura. 
Imagem: Reprodução/Mealth Clinic
  • 3 meses antes: Preenchedores + Laser.
  • 1 mês antes: Botox e, se necessário, alguma nova etapa com preenchedores.
Imagem: Shutterstock
  • 15 dias antes: Finalizar com Laser para melhorar textura de pele!

Depois de descobrir a importância de um planejamento prévio e com um cronograma em mãos para se inspirar, parece que o caminho para chegar ainda mais bela ao altar ficou mais descomplicado, não é? Porém, não se esqueça: cada planejamento é único e a opção por realizá-lo também. O cronograma de beleza não deve ser visto como uma regra e nem como uma obrigação, mas, sim, como um escape relaxante e um momento de autocuidado para as noivas em meio a um período que é cercado por um turbilhão de emoções. 

Artificialmente natural

Quando o assunto é maquiagem, é quase impossível evitar a viagem nostálgica que leva as pessoas de volta às tendências do passado. Seja o visual pin-up dos anos 1950, marcado pelo delineado “gatinho” e batom vermelho, ou talvez as sobrancelhas finas, sombras cintilantes e lábios glossy dos anos 2000 (que, inclusive, é a nova febre, que surge em uma estética denominada de Y2k); uma rápida olhada para trás nos permite ver o quanto as ideias de “belo” mudaram com o passar do tempo.

Imagem: Reprodução Pinterest

Nesse sentido, ao observar a transição de ideais da última década (2010 – 2020) encontra-se uma mudança curiosa e quase extrema. Durante o início da década de 2010, o côncavo marcado, o blush bem rosado e o famoso batom snob (aquele rosa quase branco), eram o verdadeiro sucesso; pouco depois, por volta de 2014, surgiu a técnica cut-crease, que por meio de uma mistura de cores, criava uma produção carregada e marcante. Já em 2016, uma nova estética se tornou o desejo da vez e se estendeu até o fim da década: o famoso visual “Kardashian”. Nele, a festa de cores foi substituída por tons neutros e a marcação que antes acontecia nos olhos, foi transferida para a pele (que passou a ser carregada por meio do uso de base, corretivo, pó, contorno, blush e iluminador) e para os lábios, que passaram a ser contornados para criar uma verdadeira ilusão de ótica e simular um aumento de volume.

Imagem: Reprodução Pinterest

No entanto, com a virada da década parece que também houve uma virada no padrão: surgiu a “make beauty” (maquiagem embelezadora, em tradução do inglês), que tem por base o contrário de tudo o que foi visto até então. Ela usa sim elementos artificiais, mas tudo com o intuito de criar imagens naturais. De acordo com Sabrina Ataide, maquiadora e especialista em maquiagem beauty, o conceito dessa nova “linha” é definido como sendo um conjunto de técnicas e estilo de maquiagem que evidenciam a beleza natural, respeitando os traços e a individualidade de cada um, “É embelezar sem transformar!”.

A expert ainda aponta que as demandas por esse tipo específico de produção mais leve e natural se deu de forma mais intensa nos últimos anos como reflexo dos tempos de pandemia “Acredito que a maquiagem é arte, e todo movimento artístico acompanha o comportamento social e de consumo. Nesses últimos anos, como reflexos de tempos de Covid-19, as pessoas têm se preocupado cada vez mais com sua saúde e bem-estar, o que as levou a se atentar mais às compras de beleza”. Dessa forma, em um cenário anteriormente dominado por grandes mudanças e um contexto em que quem conseguisse transformar mais era considerado o mais competente, Sabrina ressalta que essa mudança de preferências pode ter se dado pelos novos hábitos adquiridos. De acordo com ela, o uso de máscaras, por exemplo, contribuiu com o destaque dado aos olhos com o uso de técnicas como delineado “gatinho, holográfico e smokey eyes coloridos; além disso, a pele fresh se tornou preferência, justamente por ser mais leve e natural, o que vai totalmente “contra” o estilo Kardashian de maquiagem, que usava – e muito – de técnicas de contorno facial.

Se tratando dos motivos que podem ter levado o público à busca pela “leveza”, é inevitável pensar nisso como uma das repercussões das circunstâncias criadas pela pandemia. Os dias incertos serviram, para muitos, como um momento de reflexão e de (re)conexão consigo mesmos e com suas formas, belezas e traços naturais. As pessoas aprenderam a se enxergar novamente como são, sem o peso de se sentirem pressionadas a alterar quem são para se exporem ao mundo, e passaram a admirar isso também.

Assumir a desnecessidade de transformação funcionou como um escape, uma forma de liberdade em um período de restrições. Mesmo que a maquiagem embelezadora continue sendo um jeito de manipular a aparência, isso acontece de maneira mínima, justamente com a intenção que o próprio nome já carrega: apenas ressaltar o que já é belo. Para a maquiadora Sabrina, o porquê da afeição atual por esse tipo de visual se baseia no desejo de ter uma imagem saudável e que expresse a valorização do autocuidado: “O visual ‘limpo’ corresponde ao movimento de conscientização de autocuidado pós-pandemia, ou seja, as tendências de maquiagem se direcionaram a presentar um ‘ar saudável’ e bem cuidado. Então, hoje em dia, ter uma pele viçosa e com acabamentos mais naturais, que conferem um ar de saúde e elegância, transmite a mensagem de ‘estou em dia com meu autocuidado’”.

Imagem: Reprodução Pinterest

Entretanto, ainda nos encontramos em um mundo extremamente globalizado, que cria tendências que se espalham tão rapidamente quanto um piscar de olhos, por isso não se pode descartar a possibilidade de que a busca por transformação retorne. Basta uma ligeira olhada para o crescimento da estética Y2K para sentir que há novos desejos à vista. Nessa lógica, Sabrina destaca que acredita que tudo é possível: “Quando eu penso em comportamento social, moda e estilo, acho que tudo é possível. Os comportamentos sociais são sempre cíclicos, então acredito que possam voltar sim, porém, de uma forma repaginada, até porque o marco deixado pela pandemia é irreversível.

Para mais, ela afirma que a nova tendência à naturalidade levou as pessoas a se interessarem pela composição e nocividade de alguns ingredientes utilizados na indústria de beleza, no entanto, se as marcas se mantiverem transparentes em relação à produção, uma nova mudança não seria um grande problema e finaliza: “Confesso que até gosto da ideia de mudar e inovar, afinal de contas, maquiagem é arte e expressão do indivíduo; não dá pra colocar em uma caixinha”.

Por fim, até mesmo a beleza e as maneiras de implementá-la representam momentos e movimentos da história, sendo a crescente valorização da make beauty um deles, pois como já foi mencionado, esse novo conceito tem relação com a busca por uma aparência naturalmente saudável que surgiu como reflexo da pandemia enfrentada recentemente. Dessa forma, seja mais intensamente, com a intenção de criar uma máscara e transformar o exterior, seja para apenas ressaltar a beleza inata de cada um, o uso de elementos artificiais, como a maquiagem, não deixa de ser uma ferramenta útil para traduzir o espírito do tempo vivido, sendo o atual o da exaltação do – artificialmente – natural.

O autocuidado em diferentes culturas

Os ideais de beleza ao redor do globo podem mudar, mas além de “o que” é considerado belo, a forma de atingir esse ideal também pode variar. Sejam os produtos utilizados, a ordem de aplicação deles ou a maneira de conduzir os rituais de skincare, quando o assunto diz respeito aos hábitos de beleza adotados em diferentes culturas, uma coisa é unânime: a diferença.

É claro que os hábitos têm a intenção de desenvolver ou preservar características que se encaixem nos padrões de beleza de cada sociedade, mas existem alguns que ultrapassam as barreiras culturais e se tornam verdadeiros fenômenos reproduzidos em todo o mundo. Podemos citar o caso da rotina de skincare de alguns países do continente asiático, como da Coreia do Sul e do Japão, chamadas de K-beauty (de “korean beauty”) e J-beauty (“japanese beauty”), respectivamente. O ideal desses países envolve peles quase imaculadas e muito bem cuidadas, que remetem à inocência e à elegância prezadas nessas regiões, por isso, os cuidados adotados por lá se tornaram uma febre internacional. 

No continente asiático, como já citado, a K-beauty faz referência à rotina de skincare adotada na Coreia do Sul. A mais famosa rotina que rodeou o mundo é composta por uma série de etapas que giram em torno de 10 passos. Começando pela dupla limpeza (que envolve a remoção das impurezas acumuladas ao longo do dia com óleo e com uma espuma de limpeza, respectivamente), passando pela técnica de camadas, chamada de layering, em que ocorre a aplicação de uma série de produtos como uma loção (que equivale ao que conhecemos como tônico), uma essência (um concentrado de ativos que trata a pele de acordo com a necessidade, seja ela hidratação, nutrição, clareamento, etc.) e, por fim, uma emulsão, que tem a função de hidratar e é tido como um “creme finalizador”. E ainda é importante mencionar que as áreas mais sensíveis, como a região dos olhos, recebem um cuidado especial, a fim de evitar olheiras, “bolsas” e rugas. Todas essas etapas contribuem para uma pele sempre impecável, iluminada e com aparência saudável.

Já na Europa, os cuidados existem, porém de forma mais simplificada e prática. A intenção da mulher europeia não é aparentar ser mais jovem do que é, mas sim ser a melhor versão de como se está. Uma pele sem manchas, bem hidratada e cuidada é mais do que bem-vinda, mas não sem expressões. Em entrevista concedida à Harper’s Bazaar e publicada no site da revista, a médica dermatologista Cinthia Sarkis, que viveu na Espanha por mais de uma década, afirmou que esse resultado de beleza europeia é atingido por meio de uma rotina baseada na filosofia já conhecida do “menos é mais”: “algumas visitas ao médico, uso adequado de fotoprotetor, tratamentos feitos esporadicamente em consultório e uso comedido dos cosméticos adequados”. Simples assim. Além disso, como já mencionado na matéria sobre os padrões de beleza em cada cultura, a beleza europeia tem por base a discrição, a valorização da casualidade, por isso é compreensível que os hábitos de beleza adotados por lá sigam a mesma linha.

Reprodução/Pinterest

Quando as rotinas americanas são colocadas em questão, a influência estrangeira é notável nos hábitos relacionados à beauté. Ao mesmo tempo em que há uma grande disponibilidade de produtos para que se construa uma rotina tão complexa quanto a asiática, é possível observar também a preferência por produtos que reúnam vários ativos que proporcionem diversos cuidados de uma vez só, o que remete à praticidade adotada na Europa, fato que pode estar relacionado à vida acelerada, ao famoso “american way of life”. No entanto, um ponto que se destaca na rotina de cuidados vista nos países do continente americano é a alta taxa de adesão por procedimentos mais profundos e invasivos. Peelings, lasers, preenchimentos, aplicação de toxina botulínica, são constantes quando são feitos questionamentos no sentido de “como manter a beleza”.

Reprodução/Pinterest

Enfim, da mesma forma como os ideais de beleza sofrem influência da cultura a que remetem, os hábitos adotados para chegar nesses ideais também são transmitidos por meio de crenças, costumes e perpetuados com base na confiança que se tem nos resultados. Uma boa rotina de cuidados vai muito além da escolha de produtos, ela também envolve e reproduz traços e heranças culturais.

Beleza cultural: a influência das características culturais nos ideais de beleza pelo mundo

Quando pensamos em cultura, as primeiras características que vêm à mente são idiomas falados, costumes de etiqueta, crenças, sistema educacional e marcos históricos. Porém, outro importante ponto que também se destaca na diferenciação entre culturas é a beleza, ou melhor, o que esse termo representa. Formatos de corpo, comprimento dos cabelos, estilo de maquiagem e até mesmo o sorriso, podem ser considerados características culturais de um grupo social e exercem influência direta nos ideais que definem o que é belo nas distintas culturas ao redor do globo. 

O gestor educacional Júlio César de Lima, graduado em Ciências Sociais pela Universidade Metodista de São Paulo responsável pela página Sociologia Cotidiana, pontua que cada sociedade possui sua cultura que vai se modificando ao longo do tempo a partir de contato com outras, em um processo ininterrupto. “No passado, o contato entre diferentes culturas era físico, através de imigrações, invasões, por exemplo. […] Atualmente, as chamadas mídias sociais vem acelerando ainda mais a difusão cultural.” Com base nesse raciocínio, ele dispõe que cada grupo cultural, cada povo e sociedade possui seu ideal de beleza, moda e costumes, no entanto, eles são fluidos e modificam-se muito rapidamente “Se o ideal de beleza é o estilo, padrão ou modelo socialmente definido como belo, ele existe em toda e qualquer sociedade, mas a questão é que ele é marcado pela fluidez.”.

Ademais, a busca pelo encaixe perfeito nos padrões de uma sociedade também podem ser resultantes da vontade de gerar um sentimento de pertencimento a um grupo específico, funcionando como uma forma de validação de valor social. Nesse sentido, Júlio César menciona: “O homem é um animal gregário, só existe porque vive em grupo. Com a chamada sociedade de consumo, a necessidade de se viver em grupo divide espaço com a necessidade de se sentir parte desse grupo. […] Fazer parte dele requer sim ser validado em alguns quesitos estabelecidos.”

Mesmo em países multiculturais, como o Brasil, sabemos que existem algumas características que são intrínsecas à construção social do que é belo. Porém, de um ponto de vista mais “macro”, podemos notar que determinados padrões são vistos de forma mais ampla nos diferentes continentes. 

Em se tratando das Américas, no Norte, como nos Estados Unidos, observamos que bustos volumosos, pele, cabelos e olhos claros são as características mais apreciadas nas mulheres, enquanto dos homens é esperado um físico atlético e uma barba bem cuidada, em um visual conhecido como “lumbersexual”. Já na região Central e Sul, peles bronzeadas, cabelos longos e corpo curvilíneo, o famoso “corpo violão”, formam o ideal estético feminino, ao passo que o masculino é composto pela pele também “beijada pelo sol”, cabelos escuros e um porte malhado, em uma mistura de casualidade elegante com um toque sensual. 

Nas terras europeias, continente em que a população tende a ser mais reservada e discreta no que tange ao comportamento, observamos que corpos esguios e um visual casual são as características gerais dos padrões de beleza que, todavia, podem sofrer pequenas alterações de país para país. Se estivermos falando sobre a França, pele bem cuidada, físico magro, cabelo levemente bagunçado e maquiagem leve são o combo apreciado – também compartilhado pela Inglaterra, com a diferença de que esta opta por um visual mais aristocrático e sério, menos despretensioso que o francês. Em se tratando da Itália, os padrões ficam levemente mais extravagantes, o corpo segue magro, mas o busto aumenta de tamanho, as pernas ficam mais torneadas, os cabelos ganham mechas e um comprimento maior; enquanto a Espanha preza por ares mais sexy, de pele morena, olhos e cabelos castanhos, corpos curvilíneos e bem torneados, enquanto, em contraponto, a beleza nórdica preza por peles alvas, cabelos bem claros e uma imagem quase etérea.   

O continente africano também conta com variações no ideal que o compõem, se observadas suas diferentes partes. Em se tratando da região sul, que sofreu grande influência da cultura europeia por conta da colonização, observamos um apreço por traços delicados, poucas curvas e um físico esguio, levemente malhado. O que vai de encontro ao observado em partes da África Ocidental, em localidades como a Mauritânia, em que os corpos volumosos são almejados por serem a representação de prosperidade financeira e disponibilidade de recursos. 

No continente asiático, onde a praticidade, discrição e agilidade são pontos fortes de sua cultura, o que é visto como belo possui traços finos, uma pele bem cuidada e clara, a união de características que, juntas, consigam formar uma imagem de inocência e leveza que são associadas à elegância. 

Porém, mesmo sendo tão discutidos e abordados com mais intensidade nos tempos atuais, o estabelecimento de ideais de beleza têm um histórico longo e notável. Os primeiros registros de uma espécie de padrão no tocante ao belo foram observados na Pré-História, quando o uso de garras e dentes de animais como adornos representava o poder masculino e a obesidade feminina era vista como sinônimo de prosperidade em recursos e símbolo de fertilidade. Posteriormente, na Grécia Antiga, onde muito se valorizava a questão da harmonia e equilíbrio, os corpos compostos por quadris largos e seios volumosos – que eram associados à fertilidade – além de um pele clara, uma aparência etérea e que transmitisse a ideia de saúde acabaram por ser interpretados como o ideal; enquanto no Egito Antigo (em que a aparência física era de grande importância), corpos esguios, pele bronzeada e ausência de pelos representavam a imagem almejada. Sob esse panorama, observa-se que mesmo com a passagem do tempo e a alteração de muitos pontos tidos como representantes do bela por motivos diversos, como os de cunho religioso e cultural, o que perdura até os dias de hoje é a constante mutação do que é compreendido como parâmetro. Dessa forma, com o entendimento de que as raízes dos padrões de beleza são profundas, ainda que disformes, o questionamento é: será possível vislumbrar uma sociedade livre desses ideais? Júlio César de Lima pontua que acredita ser improvável que isso aconteça. “Acredito ser improvável a existência de uma sociedade livre das amarras dos padrões de beleza e então, a discussão que cabe pode tomar outro rumo, como por exemplo, no campo da ética, que pode lançar reflexões sobre consequências para a saúde física, mental e até social dos excessos causados pela busca irrefletida por estar bonito, com o corpo ideal, com o cabelo da mocinha da novela […] Em resumo, continuaremos tentando estar belos, mas provados por questões sobre como estar belo de maneira mais racional.”

Por fim, em uma comparação meramente singela, podemos analisá-los como uma faca de dois gumes que corta um mesmo entendimento em duas questões, pois, o questionamento de um padrão pode representar o entendimento de que há outro “melhor” para ser colocado em seu lugar. Mesmo sendo rechaçados por muitas pessoas e transformados em pauta de discussões acaloradas ou, em outros casos, tendo sua existência negada dada a diversidade de ideais presentes nos diferentes continentes, os padrões de beleza reverberam para além do campo da estética, porque, como foi exposto, por meio deles conseguimos diferenciar momentos históricos, grupos sociais e até mesmo entendimentos culturais. Conseguimos, então, observar que a pluralidade da cultura faz com que o belo não seja uma afirmação, mas, sim, um eterno questionamento. 

O prazo de validade da beleza: por que as pessoas estão com medo de envelhecer?

Nas décadas de 1990 e 2000 muitos filmes de dramas adolescentes, apresentavam ao menos uma cena que retratava algum jovem desejando ser, ou ao menos aparentar ser, mais velho por algum motivo. Quem não se lembra do clássico De Repente 30 com Jennifer Garner e Mark Ruffalo? 

Imagem: Reprodução/Veja

Fosse pela autoridade, respeito, sabedoria e reverência que era concedida aos mais velhos ou simplesmente pelo fato de que “ser adulto” era associado à possibilidade de possuir mais liberdades, envelhecer era como se fosse um troféu. Um selo de experiência e competência. No entanto, o que se tem observado nos últimos anos, é uma tendência contrária, pautada no intuito de voltar no tempo com a aparência. É como se envelhecer tivesse deixado de ser o curso natural da vida e se transformado em uma doença a ser combatida. A comunidade passou a ser movida pelo desejo de ser como Benjamin Button.

Em um contexto marcado pela volatilidade, transformação constante e que preza muito a flexibilidade e a capacidade de adaptação, tudo o que é considerado antigo é associado a desatualização e, consequentemente, preterido e ignorado. A tendência pela exaltação da juventude pode ter como um de seus pilares o fato de que esta parcela da sociedade é, aparentemente, a detentora do conhecimento necessário para se compreender o mundo atual. No passado, envelhecer era o desejo, porque significava passar a saber e entender o que os mais novos não sabiam, porém, nos dias de hoje, qual seria o motivo de desejar isso sendo que são os mais jovens os conhecedores do funcionamento das tecnologias que imperam no mundo globalizado contemporâneo?

Imagem: Reprodução/Onze.com

Nesse sentido, o desejo por se manter jovem passou a nortear não apenas os comportamentos das pessoas (que tendem a ficar ligeiramente mais infantilizados com a intenção de parecer cool e descolado), mas a guiar suas escolhas em relação à sua estética também. A aparência é considerada a maior responsável por “denunciar” os anos de vivência e é o primeiro alvo de ataques quando se tenta desmoralizar e desconsiderar alguém com base na idade (prática denominada etarismo); por essa razão, à beleza passa-se a atribuir uma espécie de prazo de validade que faz com que as pessoas pensem que não serão mais aceitas, nem belas no mundo atual a partir do momento que atingirem uma idade mais “avançada”.

De acordo com a psicóloga Natália Tozo, as pessoas têm sentido tanto receio em envelhecer, porque a sociedade não valoriza o processo de envelhecimento, veem os idosos como pessoas que não são mais produtivas e não valorizam sua história e seus saber. “Com a tecnologia veio o acesso rápido ao consumismo e a ideia de padrão de beleza. A indústria veio com muitas novidades e promessas de uma imagem de que ficar mais jovem traz mais aceitação. […] Claro que se cuidar é importante e faz bem para o ser humano, mais nada em excesso é saudável nem para a mente, nem para o físico.”, ressalta a profissional.

Sendo assim, inicia-se uma busca intensa por maneiras que mantenham a imagem livre de rugas, linhas de expressão ou qualquer tipo de marca que possa “entregar a idade”. O investimento cada vez mais intenso na busca pelo corpo perfeito e a vontade de se inserir em um dos muitos padrões sociais, comportamentos esses que representam a manifestação do angústia em envelhecer: “o medo também vem acompanhado de sintomas de ansiedade com alteração do humor, intercalando dias mais eufóricos com dias mais deprimidos, excesso de cobrança pessoal, tensão e uma sensação de que ‘se eu não der conta, sou um fracasso”.

Seguindo esse ritmo, procedimentos invasivos e não invasivos, suplementos e até mesmo medicações para impedir que o corpo externe os sinais começam a ser frequentes nos planejamentos das pessoas. No entanto, é importante entender quais são, de fato, esses sinais e como tratá-los corretamente e dentro do necessário. A médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Amanda Vilela destaca que os primeiros sinais que indicam a chegada da idade se manifestam a partir dos 30 anos, quando a produção de colágeno começa a diminuir: “A partir dos 30 anos, diminuímos nossa produção intrínseca de colágeno e iniciamos o processo de degradação dos fibroblastos. […] Começamos a observar uma diminuição leve da espessura da pele, e as marcas de expressão também já se iniciam.”.

Todavia, o processo de envelhecimento, apesar de natural, pode ser feito com mais qualidade que, a dermatologista explica ser envelhecer com as suas características, mantendo os seus padrões e de uma forma natural, “É as pessoas te observarem e falarem: “Você está tão bem, igual a quando te conheci! O tempo só te faz bem!”. Dessa forma, alguns cuidados podem ser tomados para que o avanço da idade torne-se mais leve: “Primeiramente, ter um dermatologista de confiança, um especialista com olhos treinados, técnica e know-how para saber o que indicar é fundamental. Deve-se investir em procedimentos que estimulem colágeno como Ultraformer3, Bioestimuladores, fios de PDO e pontos de preenchimento com ácido hialurônico e a toxina botulínica!”, recomenda Dra. Amanda Vilela.

Imagem: Reprodução/Hypeness

É válido destacar que, apesar de existirem meios que permitam que o envelhecimento ocorra com mais qualidade e menos impacto, ele ainda assim é um acontecimento orgânico, inato, por isso, todo receio exagerado em relação a ele precisa ser questionada e observada com atenção. De acordo com a psicóloga Natalia, o tratamento dessas questões deve vir, especialmente, por meio da sociedade, que precisa mudar a mentalidade de que a felicidade é um sentimento próprio da juventude: “envelhecer é um processo natural e precisa começar a ser aceito e respeitado, principalmente por quem está nessa fase. A aceitação e o compromisso começam com o sujeito e o olhar dele para consigo mesmo, para que ele não deixe que o olhar do outro o defina […] Sua saúde mental precisa estar em equilíbrio com seu corpo”.

Por fim, é importante ressaltar que valorizar os mais velhos não significa desmerecer o conhecimento da juventude dos dias de hoje, apenas não deixar que as inseguranças fundamentadas em padrões distorcidos impeçam a sociedade de apreciar o avanço da idade e todas as experiências e aprendizados que cada etapa pode trazer. A beleza não possui um prazo de validade, mas sim estágios de maturidade que são resultado da constante transformação natural.

London Fashion Week: beauty eclética e experimental

A semana de moda de Londres, que teve início na sexta-feira (18 de fevereiro) e fim na terça (22), apresentou ao público as novas apostas e interpretações de diversos designers para a temporada de Outono/Inverno de 2022. Conhecida como a mais experimental das semanas de moda e favorita dos novos estilistas como porta de entrada para a apresentação de suas coleções, a mais recente LFW provou que todo o caráter eclético atribuído a ela vale não somente para as peças desfiladas, mas para as belezas que as complementam também.

Se tratando das makeups exibidas, observamos marcas insistentes da estética limpa e leve que tem imperado nas últimas temporadas na beleza de desfiles como Halpern e Erdem, que optaram por uma imagem limpa, básica, prezando pela naturalidade, sem contornos forçados ou iluminadores exagerados; parece que até o blush tão associado à famosa “carinha de saúde” foi deixado de lado, demonstrando de certa forma, uma mensagem de valorização de uma beleza voltada à praticidade.

No entanto, alguns traços de criatividade e disrupção puderam ser observados por meio de makes que trouxeram cor, luz, brilho e força em pontos estratégicos como forma de criar uma beleza sinestésica e envolvente, que representasse a forma como cada marca deseja se comunicar com o futuro. Matty Bovan nos apresentou olhares fortes, sublinhados por traços marcantes e pesados – trazendo uma vaga lembrança das marcações nos olhos feitas por guerreiros em filmes de ação – demonstrando uma visão focada, firme e determinada do por vir. Já em Simone Rocha, o mesmo olhar forte veio em forma de luz; em uma estética inegavelmente Euphoria like, os delineados que envolveram os olhos por completo eram feitos à base de muito brilho e pedrarias, demonstrando claramente uma visão de dias vindouros ricos, promissores e radiantes – uma verdadeira visão de milhões.

Já quando o assunto são os hairstyles, acende-se o alerta para os adereços capilares e penteados que nos levam a revisitar as épocas passadas, como os altíssimos “rabos-de-cavalo”, em uma vibe anos 80, vistos na passarela de Molly Goddard, ou os lenços brilhosos que cobriam toda a cabeça desfilados pela grife Erdem nos remetendo à estética hippie dos anos 70 – porém, dessa vez, confeccionados em muito brilho e paetês, o que pode ser interpretado como uma forma de ter pensamentos brilhantes em relação ao que nos aguarda – e até mesmo criando uma sutil lembrança dos casquetes da década de 1920, que foi marcada por uma imensa disrupção com padrões anteriormente vistos, o que também pode ser entendido como uma forma de romper com o cinzento e enlutado passado recente. Além disso, adereços, antes tão “desprezados” e vistos como comuns, receberam um novo status de “peças desejo”, como as – polêmicas – balaclavas que marcaram presença na passarela de Simone Rocha. Além disso, o famoso wet hair voltou a dar as caras como aposta de Nensi Dojaka, trazendo um ar de frescor para contrastar com as coleções voltadas para as estações mais frias.

Por fim, a semana de moda londrina seguiu mantendo sua característica de ser um ambiente experimental para o mundo da moda e da beleza, apresentando aos críticos, consumidores e todos os outros espectadores novas formas de revisitar o passado, associá-lo a tendências presentes, sem deixar de expressar desejos para o futuro.

A leve excentricidade da beleza da Alta-Costura

Paris Couture Week: a mais trabalhosa, mas ao mesmo tempo, livre para os designers; a mais aguardada pelos críticos; dotadas dos desfiles mais desejados pelas influencers e, sem dúvidas, uma potência inigualável quando o assunto é lançamento de tendências seja na moda ou na beleza. Ao longo da última semana, mais especificamente dos dias 24 a 27 de janeiro, a cidade das luzes voltou a ser palco de mais um de seus grandes espetáculos anuais: a semana de moda de Alta-Costura que nos apresentou as coleções de Primavera/Verão 2022 das seletas casas que fazem parte da Chambre Syndicale de la Haute Couture

É indiscutível que nos desfiles desse segmento da moda, a atenção é sempre voltada à suntuosidade das criações, porém, como molduras de um quadro valioso para o autor, a beleza de cada apresentação é também criteriosamente pensada, de forma a contribuir para a grandiosidade que se espera do resultado. Sendo assim, pudemos ver que algumas casas buscaram por uma estética que nos trazia à memória a delicadeza que remete aos trabalhos manuais tão valorizados pela alta-costura, enquanto outras optaram pela excentricidade que exala das criações finalizadas. 

Na beleza da Fendi, assinada por Guido Palau e Peter Philips (hairstylist e makeup artist, respectivamente), recebemos uma extensão do que Kim Jones propôs ao criar a coleção: uma mistura entre passado, presente e futuro. Uma pele quase isenta de maquiagem, rememorando as estéticas de pureza associadas aos antigos tempos romanos, associada à dramaticidade e irreverência muito observadas hoje em dia e que, cada dia mais, se consolidam como apostas futuras, expressas por meio da aplicação de pontos de strass por todo o rosto das modelos. O cabelo vem limpo, sem grandes elaborações, deixando que o foco principal seja o mistério apresentado pelas criações e a excentricidade delicada da maquiagem. Em uma análise um pouco mais fantasiosa, pode-se dizer que essa junção estratégica de leveza e brilho criam justamente uma imagem de algo celeste, radiante e puro, associadas aos elementos espirituais de Roma e à esperança de um futuro mais leve que virá após o caos. Descrição essa que poderia ser facilmente aplicada a Antonio Grimaldi (por Maurizio Caruso Morale, Anna Maria Negri Brida e Maurizio Calabró) e Alexandre Vauthier (por Lisa Butler & Sam McKnight) também – ambas casas que também optaram pela beleza do “menos é mais”. 

Já no espetáculo de Giambattista Valli, com make por Helena Vasnier e cabelo por Lewis Ghewy, notamos um contraste da sutileza com a dramaticidade. Algumas modelos cruzaram a passarela de rosto praticamente limpo, isento, enquanto outras carregavam olhares marcados por delineados gráficos, vazados e extravagantes, criando um olhar desafiador e marcante. Essa fusão de estéticas gera uma dualidade, uma sensação de pré-liberdade e co-participação em quem vê: há a ideia de uma tela em branco, na qual a criatividade pode ser exercida e cada um, ao observar a produção, tem a chance de ser responsável por criar em sua própria imaginação a beleza ideal. Ademais, também existe a estética já previamente pensada e exposta, deixando claro que tudo foi inspirado por drama e deve ser combinado ao drama. Os cabelos seguem a mesma linha, alguns transmitem leveza, romantismo e são arrematados por laços, com um ar clássico, enquanto outros são volumosos e compridos, em uma estética que nos leva de volta aos penteados semi-presos da década de 1970. 

Na mesma linha de imagem de força e extravagância, não poderíamos deixar de comentar a beleza criativa, irreverente, e provocativa de Schiaparelli, com claras referências ao surrealismo característico da casa e perfeitamente transmitido pelas mãos de Pat McGrath na idealização da make e Guido Palau nos cabelos – que acendem um alerta para a crescente presença do uso de acessórios para os fios. Um flerte com o “extra” também acenou em Valentino (assinada por Pat McGrath & Guido Palau) que, por meio da aposta em olhares marcantes – resultantes de delineados mais espessos e até mesmo com a aplicação de penas (alguém mais se lembrou da coleção de couture de 2019?) em alguns looks – trouxe uma ousada elegância, complementadas por fios unidos em coques baixos e polidos – como perfeito arremate à coleção.

Por fim, em linhas gerais, vimos nas passarelas uma miscelânea de estéticas que passeiam com naturalidade entre o sutil e o excêntrico, o clássico e o dramático, o básico e o exagerado, mas sem jamais perder a inseparável sofisticação que, desde sempre, faz parte da história da alta-costura.

Pretty Hurts: vale tudo para atingir um ideal inatingível?

[Imagem: Reprodução Hysteria]

Procedimentos estéticos, cirurgias invasivas, mudanças drásticas… tudo para chegar perto da perfeição. Mas que perfeição é essa? Quem a definiu? Como ela é? Nesse ciclo vicioso de mudanças e afastamentos das próprias características, as pessoas se distanciam cada vez mais de si mesmas e de sua essência. Na busca incansável pela “harmonização” externa, ocorre a “desarmonização” interna.

Em um mesmo universo em que se declara que a beleza é subjetiva, também são impostos diferentes ideais no que diz respeito a ela, causando uma metamorfose infinita de busca pela perfeição. Em uma comparação de diferentes momentos da história, podemos ver como o que é visto e chamado de “belo” pelas pessoas foi transformado ao longo do tempo: na Antiguidade (VIII a.C. a V d.C.), ter pele clara, quadris largos e lábios volumosos era o desejo geral; já nas décadas de 1990 e 2000, a estética “heroin chic”, difundida pelas supermodels da época, exaltava um corpo absurdamente magro, esguio, com a pele pálida e os cabelos lisos, tudo em torno de “quanto mais reto e menor, melhor”; e nos dias de hoje, encontra-se uma busca mista – e quase obcecada – por esses dois padrões.  

[Imagem: Reprodução Não me Kahlo]

Enquanto parte da sociedade deseja estar esguia e “seca”, outros querem cada vez mais volume, mais curvas e não se importam em gastar “rios de dinheiro” e embarcar nos mais diversos tipos de processos para conseguir isso, sem pensar nos limites e nem nos possíveis riscos. Por incrível que pareça, foi durante a pandemia, em meio a uma crise sanitária mundial que tirou a vida de muitos e fragilizou a saúde de outros tantos, que houve um salto na procura pela realização de procedimentos estéticos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a procura por intervenções não cirúrgicas aumentou 390% desde o início da pandemia e, para alguns especialistas, isso se deve pelo fato das pessoas estarem em homeoffice e, por conseguinte, com mais tempo de planejar e observar o que pretendem mudar em seu corpo. 

Porém, os motivos que levam a essa incessante busca pelo encaixe perfeito no padrão imperfeito são muito mais profundos e sérios do que um simples desejo momentâneo. Nesse sentido, a psicóloga Gabriella Pontes aponta que há uma diversidade de fatores (psicológicos, genéticos e externos) que levam à uma insatisfação em relação à própria aparência e que podem desencadear transtornos de imagem, como padrões estéticos perpetuados na sociedade e comentários de terceiros no que diz respeito à fisionomia de alguém: “Essas insatisfações surgem a partir do momento em que ensinam a gente a não gostar do nosso corpo real e vendem algumas soluções ‘mágicas’. […] O problema é que nos é passado que só vamos ser felizes se tivermos aquele determinado corpo e a chave para essa felicidade é o poder de compra desses procedimentos.” E esse comportamento obsessivo por uma transformação notável não só para os outros , mas também para a própria pessoa , a fim de que ela se sinta diferente, pode ser um alerta para o início de um sério problema: a dismorfia corporal. Ainda de acordo com a psicóloga Gabriella, a dismorfia tem causas multifatoriais que envolvem questões genéticas, contextos socioculturais, discursos difundidos e incorporados ao longo da vida e se manifesta em alguns sinais que tendem a se agravar conforme as ocorrências de “situações gatilho” no cotidiano e, em muitos casos, o distúrbio sofrido por alguém é percebido por terceiros apenas quando já se encontra em patamares mais elevados: “[…] é muito comum que aconteça na adolescência, porque é o momento em que o jovem está lidando com a mudança do próprio corpo.” Sendo assim, é importante que os sinais e mudanças de comportamento não sejam ignorados a fim de que esse comportamento prejudicial não seja transformado em um hábito, e torne mudanças relativas à aparência em condições para determinados acontecimentos da vida e estabelecimento da própria felicidade, o que a profissional chamou de “pontos âncora”, que as pessoas costumam usar para se prender e perpetuar suas inseguranças, que podem trazer como consequência a falta de autoconfiança e a dificuldade em estabelecer relacionamentos e conexões estáveis e duradouras.

Outro ponto importante a ser mencionado é na mudança no perfil dos pacientes que chegam aos consultórios médicos e no desejo que eles expressam em relação à sua imagem. De acordo com a Dra. Amanda Vilela, médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), as maiores queixas das pacientes que chegam ao consultório são relativas às rugas, ao sulco nasogeniano (o famoso “bigode chinês”) e à aparência flácida do rosto, o que costumam chamar de “derretimento da face”. Porém, segundo a especialista, atualmente, com o acesso facilitado às informações por meio da internet e das redes sociais, o foco têm sido direcionado cada vez mais à prevenção, justamente para evitar que as queixas apareçam: “As pessoas mais jovens começaram a entender a importância dos tratamentos preventivos.” Conforme explicado pela dermatologista, a partir dos 30 anos começamos a degradar a produção de nosso próprio colágeno e, por isso, é importante investir em procedimentos que promovam a melhora da qualidade da pele e estimulem uma redensificação da derme; “[…] as pessoas que se interessam por esse tipo de informação já vêm querendo tratar a qualidade da pele desde mais cedo, o que vai evitar futuras intervenções mais invasivas ou até mesmo cirúrgicas”. No entanto, a Dra. destacou que existem casos em que os pacientes desejam ir mais além, e nessas situações é necessário orientá-los quanto aos limites da naturalidade que, para ela, é primordial.

[Imagem: Reprodução RealSelf]

Ademais, essa coragem de se expor vai além da própria saúde: muitas pessoas decidem arriscar e comprometer parte de suas finanças e orçamentos para conseguir realizar as tão sonhadas intervenções. O interesse crescente pela realização destas, fez com que surgisse um novo ramo de financiamentos nas empresas: o consórcio para procedimentos estéticos. No site de uma das empresas que disponibilizam esse tipo de crédito, ainda há a equiparação de uma cirurgia plástica a “qualquer outro produto da categoria de serviços” como festas, reformas, viagens ou estudos, disponibilizando ainda a simulação de financiamentos, parcelas e juros sobre o valor final das intervenções. É claro que o planejamento orçamentário é importante nesses casos e deve, sim, se enquadrar nas condições do paciente, mas o que acende o alerta nestas situações é a banalização do tratamento e da referência a serviços que estão diretamente ligados à saúde física e, consequentemente, mental das pessoas.

[Imagem: Reprodução Metrópoles]

Nesse sentido, tal facilitação do acesso ao crédito para a realização de intervenções contribui para outro cenário que tem se tornado cada vez mais comum: o aumento de procedimentos estéticos entre os jovens que, de acordo com uma matéria publicada pelo Jornal da USP, cresceu em mais de 140%. Motivada pela insatisfação com a própria imagem, e a dificuldade de se encaixar nos – constantemente alterados – padrões difundidos nas redes sociais, a juventude contemporânea usa da coragem característica da idade para se arriscar em centros cirúrgicos e salas de clínicas. Essa mesma juventude é a que passa a adentrar o mercado de trabalho com cada vez mais fervor e, ao adquirir sua independência financeira, encontra sua oportunidade de satisfazer seus desejos momentâneos, causados por um número crescente de procedimentos disponíveis e condições financeiras favoráveis para realizá-los. 

Por fim, é importante destacar e esclarecer que a crítica não é em relação às intervenções estéticas e nem a seus adeptos, muito pelo contrário, mudanças são bem-vindas e, algumas vezes, necessárias, inclusive na área da beleza. O importante é cada um se sentir bem, feliz e confortável, e está tudo bem se, para isso, certas “alterações” queiram ser feitas. Porém, é imprescindível a lembrança de que a beleza é subjetiva e, por isso mesmo, ela se faz presente em cada um de nós da forma como somos, independentemente de qualquer padrão. Um antigo dizer popular menciona que “a beleza dói”, mas o que dói mais ainda é viver em função de tentar atingir um ideal inatingível.

Como é definida a beleza editorial

Um editorial de beleza vai muito além de uma simples fotografia de uma produção feita por um profissional. Por trás de cada campanha veiculada há uma extensa busca pelos ideais que desejam ser transmitidos por meio do ensaio fotográfico e uma longa pesquisa sobre qual é a melhor forma de externá-los. “O que queremos comunicar ao público? E como conseguiremos fazer isso?”, esses, geralmente, são os questionamentos que funcionam como pilares para a construção de um editorial com um propósito bem definido.

[Imagem: Reprodução Vogue Portugal] 

Sejam campanhas publicitárias de marcas de vestuário ou até mesmo àquelas específicas sobre o mercado de beleza, todo o conceito é pensado previamente. A relevância e adequação ao momento é avaliada e, assim, é definido um moodboard – ou quadro de inspiração – que servirá de guia para orientar os profissionais responsáveis por dar vida às ideias definidas. 

[Imagem: Reprodução @kaka.oliveira]

Para saber mais sobre os bastidores da produção editorial, entrevistamos a maquiadora Kaka Oliveira, que esclareceu alguns pontos sobre o trabalho dos profissionais da beleza durante uma campanha.

[Imagem: Reprodução Domestika] 

De acordo com a artista, o primeiro passo a ser dado na realização de um editorial é a montagem do moodboard, que na maioria das vezes já é previamente definido pela diretoria criativa da marca, que, posteriormente, convida um profissional que tenha um trabalho no estilo desejado e consiga entregar o resultado proposto. Depois disso, cabe à equipe de beleza executar o que foi apresentado, sendo raras as vezes em que tais profissionais participem desde o início da delineação da ideia. Porém, isso muda quando o editorial em questão é especificamente sobre beauty & make-up, pois como o foco principal é a beleza, a participação ativa e criativa dos profissionais da área é essencial, exigindo que estejam presentes desde a montagem do quadro de ideias até os retoques finais.

Ainda na etapa de busca por inspirações, existem dois caminhos que grande parte das pessoas pensam que são os únicos seguidos em uma produção: surfar nas tendências mais quentes do momento ou apresentar algo completamente novo e diferente do que já foi visto. No entanto, não é bem assim que funciona. Segundo Kaka, existe um ponto de equilíbrio entre esses dois extremos, “[…] estamos sempre ligados nas tendências, no que está acontecendo e está em alta, então é natural que a gente traga essas informações pro editorial ou campanha, mas sempre colocando isso com um pouco do nosso olhar pessoal e isso varia de acordo com cada profissional. […] Assim considero que seja uma mistura desses três pontos: do antigo, do novo e do olhar de cada profissional.” Deu pra perceber como a beleza é subjetiva até mesmo para quem define como ela vai ser?

[Vídeo: Reprodução Vogue Brasil]

Nesse sentido, em contraste com a subjetividade da beleza, vem a objetividade das escolhas das pessoas que vão compor o conceito de beleza definido. Como já foi dito, os profissionais da beleza que vão fazer trazer à vida as idealizações dispostas no moodboard são escolhidos com base na adequação de seu trabalho à proposta, e o mesmo acontece no momento de escolha das modelos. Elas são escolhidas de acordo com o conceito que se deseja transmitir e serão como a tela em branco para os artistas da beleza.  

[Imagem: Reprodução Vogue Brasil] 

Por fim, conseguimos perceber que existe um extenso percurso por trás da produção de um editorial e da chegada a um consenso no que diz respeito ao resultado final da produção. Do início da montagem do moodboard, passando pela escolha dos profissionais que irão assinar a beleza da obra até a definição da modelo que melhor se encaixa no conceito desejado, tudo é bem pensado, delimitado e baseado na mensagem que deseja ser transmitida por meio do grand finale do projeto. Ele não surge do nada e nem é montado ao longo do caminho; o conceito de um editorial é baseado em pesquisas de mercado, estudo de campo e identificação entre profissional e projeto.