Tumblrcore: A Volta da Era de Ouro do Tumblr!

Imagine a seguinte cena: o ano é 2014 e você está indo para a escola com suas botas Doc Martens, calça skinny preta com rasgos no joelho, uma camiseta de banda surrada e uma jaqueta jeans oversized. No seu Iphone 5, você coloca seus fones de ouvido (com fio, óbvio) e dá o play na sua playlist, que consiste em Arctic Monkeys, Lana Del Rey e Marina and the Diamonds. Seu cabelo é roxo e “pessoas normais te assustam”.

Você pode não ter vivido isso, talvez não nessa intensidade, mas com certeza desejou ter vivido ou conhece alguém que viveu. Em 2014, o Tumblr (rede social que funciona como uma espécie de blog onde seus usuários podiam publicar textos, fotos, vídeos e o que mais quisessem) estava no seu auge e todo mundo que era minimamente descolado tinha o seu. Apesar de possuir diversas estéticas e subculturas diferentes, seus usuários mais assíduos faziam parte de uma estética baseada no grunge dos anos 90 e no indie pop do começo dos anos 2010, o chamado Soft Grunge. Se essa estética te traz alguma nostalgia, pode se preparar, pois ela está prestes a ter seu comeback!

Alguns elementos que faziam muito parte da estética soft grunge. (Imagens: Reprodução).

Quando o assunto é tendência, a regra costuma ser clara: a cada 20 anos, o ciclo se reinicia e nos vemos relembrando uma época que, poucos anos atrás, era algo que gostaríamos de esquecer. Apesar desta fórmula ter funcionado por décadas (séculos, talvez), algo mudou. A roda das tendências tem girado tão rápido que em um espaço de dois anos já experienciamos a volta dos 2000 com o Y2K e já se ensaia uma volta dos anos 2010 — mesmo tendo ocorrido há apenas dez anos.

O culpado dessa aceleração é com toda certeza o TikTok, que tem ditado as últimas trends de comportamento, moda e principalmente música. O isolamento causado pela pandemia do covid-19 também foi um fator importante, já que existem indícios de que experiências de crise normalmente nos levam a enxergar o passado como tempos mais simples e, a julgar que a grande maioria do público que viveu a estética tumblr em seu auge durante a adolescência, não é de se assustar que hoje, mais velhos, com mais responsabilidades e vivendo uma pandemia, esta época seria vista com carinho, mesmo que ela não tenha sido tão boa assim.

Algo que preocupa nessa volta do soft grunge com certeza é a glamourização de distúrbios mentais e muitas vezes também alimentares. No seu auge, o foco da estética não era a roupa em si, mas sim o corpo que a vestia, um corpo magro e na maioria das vezes extremamente pálido. O já conhecido thigh gap (espaço entre as coxas) e o thinspo (imagens que serviam de inspiração para para o emagrecimento) eram parte importante do tumblr na época. 

O mesmo acontecia com problemas relacionados à saúde mental, com o sad posting. Durante o auge do tumblr, não era difícil encontrar posts falando abertamente sobre distúrbios mentais, principalmente a depressão. Apesar de ter aberto um diálogo que levou ao que é entendido hoje em dia sobre doenças mentais, a romantização dessas doenças no tumblr era muitas vezes prejudicial à saúde mental de quem consumia aquele conteúdo, já que poderia levar aqueles que de fato lidavam com tais problemas a evitar o tratamento, visto que isso os tornava interessantes, e aqueles que não lidavam com doenças mentais poderiam induzi-las, desejando viver essa “melancolia”.

E o que mudou dessa vez?

Algumas mudanças ocorreram para que o soft grunge, agora chamado de Tumblrcore, agradasse os millennials mais novos e a geração Z. Dessa vez, o batom escuro (às vezes até mesmo preto) foi substituído por tons mais sóbrios, a calça preta skinny foi readaptada ao olhar da geração Z e possui modelagens mais amplas, e a estampa grid, queridinha da época, deu lugar a estampa quadriculada, que lembra um tabuleiro de xadrez. Se antes assistimos  American Horror Story e Skins, a série da vez é Euphoria

Assim como o Y2K, o soft grunge vem de uma época em que assuntos que hoje fazem parte do nosso cotidiano estavam apenas começando a ser discutidos. Hoje, a tendência é enxergar o retorno destes movimentos com um cuidado extra. O padrão de beleza não é mais o mesmo e, apesar de ainda existir uma certa fixação pelo corpo magro, corpos gordos seguem conquistando seu espaço a cada dia. Doenças mentais são amplamente discutidas e seus tratamentos são desestigmatizados e até mesmo recomendados. O ideal é encarar a volta do Tumblr de 2014 como uma oportunidade de experienciar este momento mais uma vez, mas de forma saudável e até mesmo crítica, evitando cair em padrões que não nos levaram a coisas boas.

vídeos relembrando a era de ouro do tumblr viralizaram no tiktok. (vídeo: Reprodução Tiktok).

Por hora, a #2014tumblr possui mais de 100 milhões de views no tiktok, e a tendência é crescer cada vez mais. Se ela vai atingir as massas da mesma forma que o Y2k e outras tendências atingiram ainda é um mistério, mas já se pode dizer que o tumblr não foi só uma fase, e vai marcar toda uma geração para sempre.

QUERIDA FRENEZI #002 – Confissões de uma adolescente em crise

Querida Frenezi,

Sou a “quietinha” do grupo.

Não bebo, não fumo, ainda não me envolvi com ninguém, mas juro que não sou chata nem nerd que julga tudo kkkk.

No entanto, tenho essa personalidade mais responsável e calma pois tive que amadurecer rápido e assumi responsabilidades muito cedo. E vem me incomodando o quanto eu não pareço me “encaixar” no perfil dos meus amigos! Sempre me descrevem como “a quieta”, “careta” e apesar de serem sim muito legais e acolhedores, sinto que sempre fico em plano de fundo só por causa das minhas escolhas… Enfim, juro que sou interessante e legal, só fico p*ta que me julguem assim sem nem me dar uma chance de verdade.

É isso, e aliás, amo a revista!


Cara leitora,

Seu problema é extremamente comum e antes de qualquer coisa quero deixar bem claro que você não está sozinha nessa! Acredito que em certa proporção, todo mundo já se sentiu assim, o isolado do grupo (aliás eu nunca conheci alguém realmente interessante que não tenha passado por isso).

Se você gosta de ser assim, mais na sua, mais quieta, simplesmente seja! Não tem por que fingir ser algo que você não é. Eu não vou te dizer que ninguém consegue segurar um personagem por muito tempo, por que existem pessoas que até conseguem, mas no fim do dia, se você entrar no padrão do seu grupo e moldar sua personalidade só para não se sentir excluída, você vai se sentir você mesma? Vai se sentir completamente realizada e orgulhosa de todas as suas ações? Te garanto que não!

As pessoas falam. Meu deus, como elas falam! Se você fosse de outro jeito você se sentiria mal também, porque com certeza encontrariam alguma outra coisa para comentar. O negócio é fazer seu role, seja ele qual for! Você é jovem e ainda vai ouvir muita opinião não solicitada de um monte de gente! Não leve isso para seu coração! Enquanto você não estiver machucando ninguém e estiver feliz, não tem com o que se preocupar.

Agora uma coisa que me chamou atenção no seu caso: Você diz que seus amigos são legais e acolhedores, mas que você se sente deixada de lado. Será que um pouco disso (ou muito) não está apenas na sua cabeça? Será que por você não se encaixar no padrão de comportamento deles você não acaba se sentindo assim porque você mesma se julga por ser assim? Fica ai o questionamento!

No fim, minha dica é: Assuma sua personalidade e seja você! Não ligue para os comentários e eu te garanto que quem for seu amigo de verdade vai entender e permanecer ao seu lado. Com o tempo você vai acabar filtrando suas amizades e atraindo pessoas que combinam com a sua vibe e vão adorar te ter por perto.

Sinceramente,

Se você tem algum caso e quer nossa ajuda, mande um email para queridafrenezi@gmail.com e nos conte todos os detalhes!

QUERIDA FRENEZI #001 – Fui num encontro às cegas e olha no que deu

*todos os nomes foram alterados para garantir a privacidade e segurança de todos os envolvidos*

Querida Frenezi,

Me chamo M.A e tenho 19 anos. Essa semana fui em um blind date com um rapaz da minha faculdade que achava bonitinho e era muito amigo de uma das minhas melhores amigas, ela fez a ponte e fomos jantar.

No meio do jantar ele me fala que é bissexual e até aí tudo bem, eu também sou, então mais cinco minutos depois ele me fala que conhece meu ex e que eles conversavam no tinder até tipo 2 dias antes de começar nosso namoro de fato e pior ele me conhecia e me stalkeava a pelo menos dois anos.

Ai ok ele me solta essa BOMBA, eu sem saber o que fazer e ele começa a tentar sensualizar e falar umas coisas sem sentido pra falar de sexo “o que você gosta de fazer “(ele pergunta) “ah eu gosto de ler, ver série e tal” “ah porque eu gosto de SEXO sou viciado em SEXO “. Aí eu perguntei a última vez que ele transou e ele responde “ah em abril”. Me segurei pra n cuspir de tanto rir.

E pra completar o louco também tinha hipoglicemia segundo ele e começou a tremer o corpo todo, achei que ele teve um ataque. Pedi a sobremesa e fugi do restaurante.

Enfim foi isso, agora não sei se ele é psicopata ou só exótico.


Cara M.A,

Que história absurda!

Enquanto eu lia seu caso, fiquei pensando no impacto que temos na vida das pessoas e como as vezes não fazemos ideia do que acontece ao nosso redor. Você não conhecia esse rapaz, não fazia ideia da existência dele e mesmo assim sua existência causou tanto impacto que ele não pôde evitar mas te stalkear por pelo menos dois anos. Ele pode ser apenas um admirador seu que tentou te impressionar de todas as maneiras possíveis. Eu levaria isso como um elogio.

Se a sua pergunta é: devo sair com ele novamente? Minha resposta é um belo talvez. Não posso esconder meu lado romântico e dizer que não há nada de poético em um viciado em sexo com hipoglicemia tendo um ataque no primeiro encontro. Às vezes essa pode ser a história que você vai contar aos seus netos sobre como você conheceu o avô deles. O pior que pode acontecer é você ter uma história pior que essa para contar (e se isso acontecer, por favor me conte). Agora, se a sua pergunta é se EU sairia com ele de novo: com certeza não. Sair com um maluco desse? Nessa economia? Nunca…Aliás eu teria levantado e ido embora no momento que ele disse que conhecia seu ex.

E para finalizar, um conselho: Não vá jantar quando for à um blind date! Um jantar tem entrada, prato principal e sobremesa, então você é obrigada a ficar no mínimo uma hora com uma pessoa que você talvez odeie. A melhor opção é tomar um drink, já que pode ser só um drink de no máximo 15 minutos caso seu date seja horrível (como no seu caso), mas pode se estender para horas de conversar caso ele seja incrível e não seja um psicopata.

Espero ter te ajudado de alguma forma.

Sinceramente,

COMO PERDER UM MATCH EM 10 DIAS: um manual de etiqueta (e sobrevivência) para aplicativos de relacionamento

Depois de quase dois anos em isolamento social, é completamente normal bater aquela carência. Então por que não aproveitar o tempo livre e conhecer novas pessoas? Um ótimo lugar para isso são os aplicativos de relacionamento! Seja para fazer novas amizades, networking ou apenas para dar risada de perfis bizarros, estes apps já se tornaram indispensáveis nos smartphones de qualquer pessoa.

Aqui você encontra 5 dicas para se dar bem neles, não ser deselegante e talvez até encontrar um novo amor…

1. Saiba escolher o aplicativo certo para você

As opções são muitas! Existem aplicativos de relacionamento em que você encontra qualquer pessoa na área e faixa etária de sua preferência; que mostram apenas pessoas que passaram por você durante o dia; só para universitários e até apps que te fazem um milhão de perguntas e mostram pessoas compatíveis com as suas respostas. Não importa em quantos ou em quais você estiver, qualquer um deles pode te trazer experiências muito legais (ou nem tão legais assim…). O bacana é testar e achar aquele que mais combina com a sua personalidade e o seu estilo de vida.

2. Esteja onde você quer estar

Talvez pareça confuso, mas eu explico. Digamos que você é o tipo de pessoa que ama a cidade e detesta o campo. Se todas as fotos do seu perfil forem tiradas numa praça perto da sua casa, naturalmente quando alguém olhar estas fotos e for te convidar para um encontro, ele (ou ela) vai acabar te convidando para um piquenique ou algo parecido.

Seu perfil é um convite ao seu mundo! É onde você precisa mostrar o máximo da sua personalidade no mínimo de espaço, então foque em colocar fotos que te representam e que mostrem os lugares que você gosta de frequentar, coisas que você ama fazer, etc. Assim, a pessoa que conversar com você vai procurar semelhanças entre vocês e o match vai ser perfeito.

3. Não faça exigências

Preferências são naturais e todos nós temos, mas precisa mesmo deixar isso explícito? O pior perfil em aplicativos de relacionamento é aquele que ao invés de usar sua biografia para contar de si, prefere criar uma lista com o que não quer numa pessoa. Se você encontrou alguém e não gostou, é só não retribuir o like, simples assim. A maioria das pessoas que possuem uma lista com coisas que não querem em alguém geralmente soam bem arrogantes.

4. Não tenha medo de dar o primeiro passo

Com tantos aplicativos de relacionamento diferentes à nossa disposição, fica difícil ser específico, mas para os que seguem o molde do Tinder onde um dá like no outro e rola o match, a regra é clara: quem deu like por último chama! Não tem porquê ter medo – quebra logo esse gelo e manda um “oi”. Uma piada ou um comentário sobre o perfil da pessoa também serve, o que importa é você mostrar sua personalidade e mais importante ainda, o seu interesse!

5. Fale sobre isso

É difícil encontrar alguém que nunca esteve em um aplicativo de relacionamento. As pessoas podem até falar que não, mas a maioria já baixou algum nem que por pura curiosidade. Por isso, não se sinta nada envergonhado por estar em um desses apps! Conte para seus amigos, troque experiências, peça ajuda para escolher suas fotos! Aliás, cientistas já provaram que é muito melhor deixar outra pessoa escolher sua foto de perfil do que escolher sozinho.  E sem essa de “se der certo a gente finge que se conheceu na fila da padaria”. Não tem nada de errado em conhecer alguém num aplicativo de relacionamento e viver um lindo romance! Encare sua história como ela é sem medo e você pode acabar se surpreendendo.

DICA BÔNUS: Esteja seguro (SEMPRE)

Depois de seguir todas as outras dicas, vem a que talvez seja a mais importante de todas: Conheceu alguém e quer marcar um date? Ótimo! Só não se esqueça de seguir todos os protocolos de segurança contra a Covid-19 (afinal, ainda estamos em uma pandemia) e, principalmente, os protocolos de segurança contra maníacos! Não importa quão perfeita a pessoa pareça nos aplicativos, sempre que for em um primeiro encontro, marque em um local público e mande sua localização para alguém de confiança! Existem aplicativos que compartilham sua localização com alguém em caso de perigo e até possuem um botão de socorro para emergências. Utilizando algum deles ou não, lembre-se sempre de deixar bem claro onde, quando e com quem você vai sair para garantir sua segurança caso algo aconteça.

O autocuidado para além do skincare

Quando o assunto é autocuidado, é muito comum imaginarmos a seguinte cena: toalhas brancas, velas cheirosas, máscaras faciais e uma taça do seu vinho favorito, tudo isso depois de um delicioso banho quente (de preferência numa banheira). Aquele momento relaxante onde tudo se desliga e você se conecta com seu eu interior. Tudo muito lindo, polido e relaxante. Mas será que o autocuidado se resume a isso?

[Imagem: Reprodução Pinterest]

Recentemente me peguei pensando nessa imagem irreal que temos do autocuidado, massificada por trends no Tiktok, vídeos no Youtube e hashtags no Instagram, onde tudo é bonito – quando na realidade nem todo momento de autocuidado é bonito e muito menos “instagramável”. Autocuidado é também olhar para si e perceber tudo que não está certo, e o mais difícil, fazer mudanças para que tudo se endireite.

O autocuidado pode estar no ato de aceitar aquele convite para um projeto que te encanta, mas te desafia e te deixa inseguro. Está naquele momento em que você decide que você merece ser a pessoa que você sonha em ser e toma o primeiro passo. O autocuidado também está presente quando você decide se perdoar, aceitar suas dores, seus defeitos e suas qualidades. Não me entendam mal! Autocuidado é sim assistir aquela série que te deixa feliz, ter aquela sessão fofoca com as amigas, fazer aqueles minutinhos de meditação antes de começar o dia. Tudo que te faz bem e te traz benefícios (sejam eles imediatos ou não) é autocuidado. E sim, skincare também é autocuidado!

Mas as vezes, chega a hora de desligar o chuveiro, lavar a taça suja de vinho e fazer aquele trabalho que você deixou para amanhã. Sem aquela visão também deturpada do “get shit done” ou “trabalhe enquanto eles dormem”, mas sim fazer o que você deve fazer porquê você se ama e merece o sucesso. Autocuidado também é simplesmente dormir quando você está exausto, mesmo que isso signifique que hoje não vai conseguir fazer sua rotina de skincare de 30 passos. Autocuidado é saber seus limites, ou melhor, descobrir seus limites. É se descobrir.

Aqui na editoria de lifestyle da Frenezi, a ideia não é falar sobre estilo de vida de uma forma idealizada, por pura estética. É ajudar você, caro leitor, a ser sua melhor versão seja lá qual ela for, é trazer informações e reflexões com muito humor e leveza, é falar da vida como ela é. E que comece a frenezia!