Artificialmente natural

Quando o assunto é maquiagem, é quase impossível evitar a viagem nostálgica que leva as pessoas de volta às tendências do passado. Seja o visual pin-up dos anos 1950, marcado pelo delineado “gatinho” e batom vermelho, ou talvez as sobrancelhas finas, sombras cintilantes e lábios glossy dos anos 2000 (que, inclusive, é a nova febre, que surge em uma estética denominada de Y2k); uma rápida olhada para trás nos permite ver o quanto as ideias de “belo” mudaram com o passar do tempo.

Imagem: Reprodução Pinterest

Nesse sentido, ao observar a transição de ideais da última década (2010 – 2020) encontra-se uma mudança curiosa e quase extrema. Durante o início da década de 2010, o côncavo marcado, o blush bem rosado e o famoso batom snob (aquele rosa quase branco), eram o verdadeiro sucesso; pouco depois, por volta de 2014, surgiu a técnica cut-crease, que por meio de uma mistura de cores, criava uma produção carregada e marcante. Já em 2016, uma nova estética se tornou o desejo da vez e se estendeu até o fim da década: o famoso visual “Kardashian”. Nele, a festa de cores foi substituída por tons neutros e a marcação que antes acontecia nos olhos, foi transferida para a pele (que passou a ser carregada por meio do uso de base, corretivo, pó, contorno, blush e iluminador) e para os lábios, que passaram a ser contornados para criar uma verdadeira ilusão de ótica e simular um aumento de volume.

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No entanto, com a virada da década parece que também houve uma virada no padrão: surgiu a “make beauty” (maquiagem embelezadora, em tradução do inglês), que tem por base o contrário de tudo o que foi visto até então. Ela usa sim elementos artificiais, mas tudo com o intuito de criar imagens naturais. De acordo com Sabrina Ataide, maquiadora e especialista em maquiagem beauty, o conceito dessa nova “linha” é definido como sendo um conjunto de técnicas e estilo de maquiagem que evidenciam a beleza natural, respeitando os traços e a individualidade de cada um, “É embelezar sem transformar!”.

A expert ainda aponta que as demandas por esse tipo específico de produção mais leve e natural se deu de forma mais intensa nos últimos anos como reflexo dos tempos de pandemia “Acredito que a maquiagem é arte, e todo movimento artístico acompanha o comportamento social e de consumo. Nesses últimos anos, como reflexos de tempos de Covid-19, as pessoas têm se preocupado cada vez mais com sua saúde e bem-estar, o que as levou a se atentar mais às compras de beleza”. Dessa forma, em um cenário anteriormente dominado por grandes mudanças e um contexto em que quem conseguisse transformar mais era considerado o mais competente, Sabrina ressalta que essa mudança de preferências pode ter se dado pelos novos hábitos adquiridos. De acordo com ela, o uso de máscaras, por exemplo, contribuiu com o destaque dado aos olhos com o uso de técnicas como delineado “gatinho, holográfico e smokey eyes coloridos; além disso, a pele fresh se tornou preferência, justamente por ser mais leve e natural, o que vai totalmente “contra” o estilo Kardashian de maquiagem, que usava – e muito – de técnicas de contorno facial.

Se tratando dos motivos que podem ter levado o público à busca pela “leveza”, é inevitável pensar nisso como uma das repercussões das circunstâncias criadas pela pandemia. Os dias incertos serviram, para muitos, como um momento de reflexão e de (re)conexão consigo mesmos e com suas formas, belezas e traços naturais. As pessoas aprenderam a se enxergar novamente como são, sem o peso de se sentirem pressionadas a alterar quem são para se exporem ao mundo, e passaram a admirar isso também.

Assumir a desnecessidade de transformação funcionou como um escape, uma forma de liberdade em um período de restrições. Mesmo que a maquiagem embelezadora continue sendo um jeito de manipular a aparência, isso acontece de maneira mínima, justamente com a intenção que o próprio nome já carrega: apenas ressaltar o que já é belo. Para a maquiadora Sabrina, o porquê da afeição atual por esse tipo de visual se baseia no desejo de ter uma imagem saudável e que expresse a valorização do autocuidado: “O visual ‘limpo’ corresponde ao movimento de conscientização de autocuidado pós-pandemia, ou seja, as tendências de maquiagem se direcionaram a presentar um ‘ar saudável’ e bem cuidado. Então, hoje em dia, ter uma pele viçosa e com acabamentos mais naturais, que conferem um ar de saúde e elegância, transmite a mensagem de ‘estou em dia com meu autocuidado’”.

Imagem: Reprodução Pinterest

Entretanto, ainda nos encontramos em um mundo extremamente globalizado, que cria tendências que se espalham tão rapidamente quanto um piscar de olhos, por isso não se pode descartar a possibilidade de que a busca por transformação retorne. Basta uma ligeira olhada para o crescimento da estética Y2K para sentir que há novos desejos à vista. Nessa lógica, Sabrina destaca que acredita que tudo é possível: “Quando eu penso em comportamento social, moda e estilo, acho que tudo é possível. Os comportamentos sociais são sempre cíclicos, então acredito que possam voltar sim, porém, de uma forma repaginada, até porque o marco deixado pela pandemia é irreversível.

Para mais, ela afirma que a nova tendência à naturalidade levou as pessoas a se interessarem pela composição e nocividade de alguns ingredientes utilizados na indústria de beleza, no entanto, se as marcas se mantiverem transparentes em relação à produção, uma nova mudança não seria um grande problema e finaliza: “Confesso que até gosto da ideia de mudar e inovar, afinal de contas, maquiagem é arte e expressão do indivíduo; não dá pra colocar em uma caixinha”.

Por fim, até mesmo a beleza e as maneiras de implementá-la representam momentos e movimentos da história, sendo a crescente valorização da make beauty um deles, pois como já foi mencionado, esse novo conceito tem relação com a busca por uma aparência naturalmente saudável que surgiu como reflexo da pandemia enfrentada recentemente. Dessa forma, seja mais intensamente, com a intenção de criar uma máscara e transformar o exterior, seja para apenas ressaltar a beleza inata de cada um, o uso de elementos artificiais, como a maquiagem, não deixa de ser uma ferramenta útil para traduzir o espírito do tempo vivido, sendo o atual o da exaltação do – artificialmente – natural.

Autoestima e beleza no Dia dos Namorados

Em datas comemorativas, é comum que as pessoas curtam fazem produções e celebrar em grande estilo, e no Dia dos Namorados, isso não é diferente. Para muitas, um dia de selfcare nunca é demais e nós da Frenezi pensamos o mesmo. Porém, o problema mora quando este autocuidado tem como única intenção agradar seu amado ou amada.

Não nos leve a mal: não há problemas em agradar a quem você ama, mas quando há um exagero em mudar sua aparência por outra pessoa que não seja você, sua autoestima pode ser afetada. Em muitos filmes e séries como Sex And The City (1998), Bridgerton (2020) ou até mesmo nos contos de fadas, as personagens principais sempre estão em busca de seu grande amor – e sua beleza também está muitas vezes ligada a o que esta terceira pessoa pensa. E é aí quando a autoestima pode começar a ficar abalada. 

“Eu sou alguém que está procurando por amor. Amor de verdade. Ridículo, inconveniente, consumidor, não-consegue-viver-sem-o-outro tipo de amor” Reprodução: HBO

A autoestima

Em diversos comerciais de beleza no ‘mês dos namorados’, a linha de raciocínio é a mesma, de que você precisa de alguém amado neste dia. Porém, em questões de autocuidado, o dia dos namorados é tanto para quem está em algum relacionamento quanto para quem está solteiro: não há motivos para ficar para baixo e não cultivar o amor próprio se você não tem algum interesse romântico rolando.

Talita Belém, 36, nos conta que adora se arrumar pro dia dos namorados. “Acho que é uma data especial, que você compartilha com quem você está todos os dias e, por ser uma vez ao ano (como as outras datas), vale fazer um esforcinho a mais pra quem a gente gosta e, no final, nem se torna um esforço.”

Maria Julia, 20, compartilha conosco um pouco dessa visão dos dias atuais: “Eu acho que, querendo ou não, no dia dos namorados as mulheres querem se sentir mais bonitas, comprar uma lingerie especial, essas coisas. Acho que tem muito disso sim. Eu não me arrumaria toda (hoje em dia). Acho que isso é mais em começos de namoro, em casais que não têm tanta intimidade.” 

O que é o caso de Daniela Santos, 26, que costumava se arrumar sempre em seu antigo namoro. “Eu me produzia toda, sempre pra agradar ele. Virou um ciclo vicioso, não me aceitava natural, sem maquiagem”, diz ela. “Chegava o dia dos namorados, a gente costumava sair, então eu sempre fazia as unhas antes, me maquiava em casa, arrumava cabelo, pensava numa roupa e às vezes até comprava uma nova! Comecei a não ficar mais desarrumada perto dele.” completa.

De pouco em pouco, a autoestima pode ir acabando nesses casos e começa a ser difícil de recuperá-la – mas nunca impossível! Por isso, pensamos numa rotina ideal para quem quer celebrar o amor próprio – ou até mesmo voltar a tê-lo – por meio da beleza neste dia especial.

Cuidando de seu grande amor: você!

Reprodução: Instagram (@badgalriri)

Primeiro: é sempre bom lembrar-se que este dia celebra o amor e, dentre todas as formas de amor, também está o amor próprio. Seja para quem vai ficar em casa ou quem irá sair para algum date ou festa, começar o dia com um banho quente e relaxante ajuda a aumentar o astral. Fazer uma hidratação nos cabelos, esfoliar a pele, utilizar óleos de banho e máscaras faciais: tudo vale no skincare. Após o banho, se presenteie com uma massagem com seu creme favorito, deixando a pele sempre macia e cheirosa.

Reprodução: Pinterest

Para as que são do time de se produzir: não tenha medo de ser feliz. Maquiagens temáticas ou básicas, apostando no novo – como um chamativo batom vermelho, vinho ou preto (alô, Rihanna!) – ou na produção que você mais gosta podem te ajudar a se sentir mais bela do que nunca. Testar um novo penteado, uma nova nail art enquanto ouve alguma de suas músicas favoritas pode ser um ótimo ritual para distrair o corpo e a mente.

Por fim, agora que você está pronta, caso você decida ficar em casa, prepare um prato especial, uma sobremesa gostosa e curta sua ótima companhia ao assistir um filme. Ou se você é do time das que gostam de sair: partiu! Seja sozinha, com amigas ou alguém especial, você estará exalando amor próprio e qualquer lugar irá se tornar incrível. E aí, quais seus planos pro dia dos Namorados?

Beleza no audiovisual: O papel da caracterização nas artes cênicas

Em 1981, o aclamado O Homem Elefante de David Lynch saiu do Oscar de mãos vazias, apesar de suas 8 indicaçoes. A indignação da crítica com a falta de reconhecimento da Academia ao filme foi tamanha, especialmente pelas técnicas impactáveis de caracterização que a película mostra, que a Organização estruturou a nova categoria para premiar profissionais de cabelo e maquiagem.

A caracterização desperta atenção dos espectadores e tem seu espaço próprio nas grandes premiações. Mas muito mais que uma categoria no Oscar, é um importante elemento na narrativa de uma peça, produção cinematográfica e televisiva ao complementar outros aspectos e pode ser até mesmo ser parte ativa na história de um personagem.

Breve história sobre a maquiagem cênica

O teatro se popularizou na Grécia Antiga e, ainda que peças fossem encenadas com as famosas máscaras de Comédia e Tragédia, existem evidências de que chumbo branco e vermelho, material extremamente tóxico, chegaram a ser utilizados na época como parte da caracterização de atores. Na Europa, com o passar dos séculos, a maquiagem passou a ser bastante utilizada por atores – ainda que fosse discriminada pela Igreja, principalmente na Idade Média – até ser plenamente aceita no século XX e a função de maquiador ser vista como profissão. 

Mas foi no oriente que a técnica se popularizou. Os shows de encenação chineses tinham os “cara pintada”, figuras que como o nome já indica apareciam com rosto inteiramente pintado de branco. Já no Japão, os tradicionais teatros Kabuki se utilizavam de forte maquiagem (kumadori) para encenar personagens e mostrar símbolos.

Em Hollywood, a família Westmore revolucionou a área. O britânico George Westmore fundou o primeiro departamento da área no local e seis de seus filhos trilharam o mesmo caminho, cada um deles liderou trabalhos nos maiores estudos e foram responsáveis por clássicos como Rebecca, E O Vento Levou, Casablanca, Guerra dos Mundos, Sabrina entre outros. Já são quatro gerações de atuantes no segmento.  Um dos integrantes mais recente, Michael Westmore já ganhou 9 Emmys e 1 Oscar por Marcas do Destino.

O papel da caracterização no cênico

Primeiramente é importante entender as diferenças entre maquiagem para TV, cinema e palco.

No que diz respeito à maquiagem, existe uma diferença importante entre o que é visto na tela e o que é visto pessoalmente. O maquiador de Cinema e TV se preocupa com os mínimos detalhes, principalmente com a tecnologia de alta definição. Qualquer falha ou exagero é visível. Principalmente no cinema, onde a tela é gigantesca e as proporções aumentam drasticamente. Já no teatro, quanto mais você destacar e exagerar, mais será possível o público enxergar a arte e as expressões. Mesmo que esteja sentado nas últimas poltronas.”, aponta Mirella Oliveira, maquiadora de cinema e fundadora do portal Maquiagem No Cinema.

Por conta disso, as técnicas utilizadas também, se diferem.

[…] as técnicas de envelhecimento costumam ser diferentes para teatro e vídeo. No vídeo, a preocupação é sempre com o realismo, o espectador não deve enxergar a maquiagem. Geralmente são utilizadas técnicas de efeitos especiais (que envolvem próteses, produtos químicos que encolhem a pele, próteses capilares e de pelos postiços, lentes de contato e até próteses dentárias). Já no teatro é mais comum o uso de técnicas de luz e sombra e perucas, que, mesmo de longe, podem ser vistas. As marcas e linhas de expressão podem ser feitas através de um jogo de cores, gerando um efeito de ilusão de ótica. Além disso, no cinema e na TV, as cenas são rodadas diversas vezes, em ângulos diferentes, muitas vezes numa cronologia diferente do roteiro e, por fim, são editadas.  As maquiagens podem ser retocadas a cada corte de câmera e existe uma preocupação com a continuidade de cenas. No teatro, tudo acontece ao vivo.”

O papel da maquiagem é, em conjunto com outros elementos, comunicar a narrativa proposta para a produção. Por meio da caracterização entendemos não apenas a aparência do personagem – no sentido mais literal – mas seu espírito, ambiente, motivações e impressões. A maquiadora completa: “A criação de um personagem parte da concepção de suas características físicas e psicológicas descritas no roteiro, somadas à construção estética por parte dos departamentos de arte, figurino e caracterização, trazendo elementos físicos que contribuem para a atuação. Os personagens são criados a partir desta somatória de especialidades e a caracterização é, na minha opinião, tão importante quanto as demais.”

Moonrise Kingdom, de Wes Anderson, conta a história de dois pré-adolescentes que se sentem deslocados em seus meios, e após se conhecerem em uma apresentação de teatro, se apaixonam, passam a trocar cartas e decidem fugir. Suzy Bishop, a jovem protagonista do filme, é vista por seus pais como depressiva e problemática. A personagem usa maquiagem mais escura nos olhos e o cabelo levemente bagunçado, que trazem ar rebelde, impulsivo, uma certa tentativa de parecer madura no meio de adultos disfuncionais, e contrastam com o ambiente aparentemente harmônico (e um tanto exaustivo) que a garota vive. Suzy é o ponto fora da curva da família, é não apenas compreensível, mas perfeitamente planejado, que seus elementos visuais fujam do senso comum dos locais que passam.

Esse é só um exemplo de trabalho dentro de produções cinematográficas, trabalho de caracterização do filme é reconhecido justamente por carregar tantos simbolismos dentre outros presentes em roteiro, trilha e direção de arte.

Com tudo isso, é fácil notar quer  trabalho que equipe de maquiagem de uma produção é mais complexa do que pode-se imaginar, visto que a caracterização é um elemento essencial para se contar uma história e deve ser minuciosamente pensada para atender o plataforma que a história é contada, fazer sentido para toda a equipe envolvida, ajudar atores no processo de encenação e abraçar todas as características de um personagem.  

Mirella concorda: “Eu mesma só fui entender a proporção da importância do maquiador quando realizei meu primeiro trabalho em um set. Até então, como espectadora, eu acreditava que as pessoas estavam daquela forma por mero acaso e que o maquiador de cinema só cuidava das grandes transformações. Quando entendi que tudo é estudado nos mínimos detalhes, desde os figurantes até os protagonistas, e que cada um desses elementos é minuciosamente pensado e criado, me fascinei! E é essa a minha iniciativa com o portal, contribuir para que o mundo entenda a importância do nosso trabalho. Questionar o porquê de, na maioria das vezes, os créditos do maquiador estarem entre os últimos a serem apresentados, enquanto o figurino, por exemplo, é um dos primeiros. Não os desmerecendo, muito pelo contrário. Ambos são importantes, na mesma proporção.”

Quando a beleza sai do audiovisual

Muitas vezes o trabalho é tão marcante que ultrapassa as barreiras da tela não somente como fantasia (o que sempre foi bastante comum) mas como parte da vida de seus espectadores.

O exemplo recente – e já clássico – é o de Euphoria. Por um lado, temos Cassie, uma personagem cuja beleza é um elemento de autoaceitação tão grande que se torna quase uma tortura. A jovem acorda de madrugada para seguir longo processo de skincare, e se certifica de estar sempre chamando atenção, linda, sexy e adequada mesmo que isso a coloque em um lugar destrutivo O ritual da personagem, porém, viralizou nas redes e hoje é fácil encontrar postagens que explicam e ensinam os passos.

Esse é só um exemplo da influência que a série tem no meio. As produções estilo Euphoria (delineados ousados, cores, pedras, brilhos) hoje são comuns de se ver, e a maquiadora do show, Doni Davy, lançou uma linha de beleza. Além disso, outras produções também inspiraram linhas de beleza em parceria com marcas de cosméticos, como Bridgerton, Stranger Things, Pantera Negra e Capitão América.

Euphoria. Imagem/Reprodução HBO

Alguns trabalhos marcantes

O autocuidado em diferentes culturas

Os ideais de beleza ao redor do globo podem mudar, mas além de “o que” é considerado belo, a forma de atingir esse ideal também pode variar. Sejam os produtos utilizados, a ordem de aplicação deles ou a maneira de conduzir os rituais de skincare, quando o assunto diz respeito aos hábitos de beleza adotados em diferentes culturas, uma coisa é unânime: a diferença.

É claro que os hábitos têm a intenção de desenvolver ou preservar características que se encaixem nos padrões de beleza de cada sociedade, mas existem alguns que ultrapassam as barreiras culturais e se tornam verdadeiros fenômenos reproduzidos em todo o mundo. Podemos citar o caso da rotina de skincare de alguns países do continente asiático, como da Coreia do Sul e do Japão, chamadas de K-beauty (de “korean beauty”) e J-beauty (“japanese beauty”), respectivamente. O ideal desses países envolve peles quase imaculadas e muito bem cuidadas, que remetem à inocência e à elegância prezadas nessas regiões, por isso, os cuidados adotados por lá se tornaram uma febre internacional. 

No continente asiático, como já citado, a K-beauty faz referência à rotina de skincare adotada na Coreia do Sul. A mais famosa rotina que rodeou o mundo é composta por uma série de etapas que giram em torno de 10 passos. Começando pela dupla limpeza (que envolve a remoção das impurezas acumuladas ao longo do dia com óleo e com uma espuma de limpeza, respectivamente), passando pela técnica de camadas, chamada de layering, em que ocorre a aplicação de uma série de produtos como uma loção (que equivale ao que conhecemos como tônico), uma essência (um concentrado de ativos que trata a pele de acordo com a necessidade, seja ela hidratação, nutrição, clareamento, etc.) e, por fim, uma emulsão, que tem a função de hidratar e é tido como um “creme finalizador”. E ainda é importante mencionar que as áreas mais sensíveis, como a região dos olhos, recebem um cuidado especial, a fim de evitar olheiras, “bolsas” e rugas. Todas essas etapas contribuem para uma pele sempre impecável, iluminada e com aparência saudável.

Já na Europa, os cuidados existem, porém de forma mais simplificada e prática. A intenção da mulher europeia não é aparentar ser mais jovem do que é, mas sim ser a melhor versão de como se está. Uma pele sem manchas, bem hidratada e cuidada é mais do que bem-vinda, mas não sem expressões. Em entrevista concedida à Harper’s Bazaar e publicada no site da revista, a médica dermatologista Cinthia Sarkis, que viveu na Espanha por mais de uma década, afirmou que esse resultado de beleza europeia é atingido por meio de uma rotina baseada na filosofia já conhecida do “menos é mais”: “algumas visitas ao médico, uso adequado de fotoprotetor, tratamentos feitos esporadicamente em consultório e uso comedido dos cosméticos adequados”. Simples assim. Além disso, como já mencionado na matéria sobre os padrões de beleza em cada cultura, a beleza europeia tem por base a discrição, a valorização da casualidade, por isso é compreensível que os hábitos de beleza adotados por lá sigam a mesma linha.

Reprodução/Pinterest

Quando as rotinas americanas são colocadas em questão, a influência estrangeira é notável nos hábitos relacionados à beauté. Ao mesmo tempo em que há uma grande disponibilidade de produtos para que se construa uma rotina tão complexa quanto a asiática, é possível observar também a preferência por produtos que reúnam vários ativos que proporcionem diversos cuidados de uma vez só, o que remete à praticidade adotada na Europa, fato que pode estar relacionado à vida acelerada, ao famoso “american way of life”. No entanto, um ponto que se destaca na rotina de cuidados vista nos países do continente americano é a alta taxa de adesão por procedimentos mais profundos e invasivos. Peelings, lasers, preenchimentos, aplicação de toxina botulínica, são constantes quando são feitos questionamentos no sentido de “como manter a beleza”.

Reprodução/Pinterest

Enfim, da mesma forma como os ideais de beleza sofrem influência da cultura a que remetem, os hábitos adotados para chegar nesses ideais também são transmitidos por meio de crenças, costumes e perpetuados com base na confiança que se tem nos resultados. Uma boa rotina de cuidados vai muito além da escolha de produtos, ela também envolve e reproduz traços e heranças culturais.

O Sucesso dos Alongamentos de Unha – A Beauty Trend Inabalável

Os alongamentos de unhas estão fazendo muito sucesso – seja no Instagram, Pinterest ou TikTok – e nós da Frenezi também amamos essa tendência super atual. Porém, esta prática é comum há muito tempo: por volta do ano 600 a.C., durante a dinastia Chou, na China, mulheres e homens utilizavam acessórios para alongar suas unhas e  protegê-las, como um verdadeiro item de luxo.

[Imagem: Reprodução/Acervo Chinese Antiques UK]

A prática de utilizar esta ‘proteção’ de luxo para as unhas seguiu forte no Oriente até o século 19 e há diversas peças guardadas como acervo histórico, principalmente da dinastia Qing. Na época, quanto maiores suas unhas, melhor você era tratada na sociedade. Um verdadeiro luxo, não?

[Imagem: Reprodução/Pinterest]

Porém, os verdadeiros alongamentos de unha vieram a ser criados alguns anos depois. Em 1934, o dentista Maxwell Lappe criou as primeiras unhas acrílicas para clientes que roíam muito suas unhas. Vinte e um anos depois, outro dentista – Frederick Slack – tentou consertar uma unha quebrada utilizando acrílico e, acidentalmente, inventou o que viria a ser conhecido como alongamento de unha.

A prática começou a se tornar um sucesso e, nos anos 70, os salões de beleza começaram trabalhar especificamente na área de alongamento de unhas. A partir dos anos 2000, as técnicas de alongamento de unhas foram sendo adaptadas e novos tipos de alongamento foram inventados, ganhando um grande sucesso atualmente.

Os principais tipos de alongamento

Quando você vai num salão de beleza especializado em alongamento de unhas, você se depara com diversos tipos de alongamento e pode escolher o que mais irá te agradar. A maioria dos procedimentos costuma durar entre 1h30 a 2h30, podendo variar bastante dependendo do tipo de unha e nail art que você pretende fazer.

FIBRAS DE VIDRO

Imagem: [Reprodução/Pinterest]

Feitas por meio de filamentos de fibra de vidro por cima da unha natural e fixadas com gel, os alongamentos de fibra de vidro são os mais pedidos nas manicures. Seu material é resistente e a manutenção deve ser feita a cada 20 dias.

Principais vantagens: Resultado muito natural e extremamente resistente, recomendado para quem faz trabalhos manuais e de digitação

Valor médio: Aplicação – entre R$150 e R$250 | Manutenção: entre R$50 e R$80

FIBRAS DE SEDA

[Imagem: Reprodução/Pinterest]

Feitas por meio de uma malha de fibra de vidro que funciona como uma unha postiça e protege as naturais. Selada com cola, as unhas de fibra de seda são ideais para quem sofre com unhas roídas e quebradiças. A manutenção deve ser feita a cada 15 dias.

Principais vantagens: Proteção e maior segurança do que alongamentos de acrílico

Valor médio: Entre R$55 e R$100

GEL

[Imagem: Reprodução/Pinterest]

Feitas por meio de camadas de uma esmaltação específica de silicone a base de gel, este alongamento é bastante manuseável e hipoalergênico. Funciona como uma prótese permanente e requer manutenção a cada 15 dias.

Principais vantagens: Muito duradouro

Valor médio: Aplicação R$100 | Manutenção entre R$50 e R$80

ACRÍLICO OU ACRIGEL

[Imagem: Reprodução/Pinterest]

Feitas por meio da colagem de unhas artificiais na ponta das unhas naturais e seladas por um pó acrílico sobre ambas. Também pode ser feita sem as unhas artificiais e ambas requerem manutenção a cada 20 dias por conta do crescimento natural das unhas.

Principais vantagens: Material muito rígido e duradouro

Valor médio: Entre R$100 e R$160

PORCELANA

[Imagem: Reprodução/Pinterest]

Feitas por meio do pó acrílico em tom branco e utilizam moldes colocados por baixo da unha natural, ajudando no desenho desejado. Suas técnicas são complexas e requerem manutenção a cada 20 dias.

Principais vantagens: Resistente e muito durável

Valor médio: R$150

TIPS

[Imagem: Reprodução/Pinterest]

Feitas por meio da colagem de unhas postiças de plástico sobre as naturais. A unha já vem ‘pronta’ e não precisa ser moldada. Sua finalização é feita com gel ou porcelana. Requer manutenção a cada 20 dias.

Principais vantagens: Conservação do esmalte, preço mais acessível, durabilidade

Valor médio: R$80 a R$150

Alongamentos: o luxo moderno

[Imagem: Reprodução/Instagram (@robertamunis)]

É comum ver as celebridades em clipes, ensaios fotográficos, tapetes vermelhos e em shows com alongamentos chamativos e até mesmo de luxo. Essas nail arts mais elaboradas podem ser mais caras e os procedimentos podem passar das 3h. Consultamos a nail artist de celebridades como Lívia, Marina Senna e Maísa e o preço varia um pouco mais do que os dos alongamentos comuns.

No estúdio Roberta Munis, os alongamentos custam entre R$305 e R$350, dependendo do tamanho da unha. A manutenção está entre R$215 e R$260. Para procedimentos específicos como nail arts, o valor é de R$188. Outros são adicionais, como esmaltes especiais (R$62), pigmentos nacionais (R$35) ou importados (R$53) e pedrarias e aplicações em 3D (entre R$80 e R$125).

[Imagem: Reprodução/Instagram (@theestallion e @luisasonza)]

Ouro nas mãos, unhas com mais de 15 cm, decorações exageradas, tudo vale na hora de inovar na nail art – algumas são só possíveis com unhas extremamente longas.

Conversamos com a Nail Artist Victoria Santiago, 20,  sobre o processo dos alongamentos: “A cultura brasileira faz com que a maioria das mulheres optem por unhas um pouco mais comuns, com aspecto mais natural possível, mas isso também varia de acordo com idade e localização do público. Eu particularmente tenho bastante procura por unhas mais elaboradas, com cores fortes, desenhos, pedrarias, formatos longos e diferentes. E sim, estas são mais difíceis de executar […]”

Assim, tem quem aposta nas mais simples – mesmo com cores chamativas, o formato ainda é o tradicional. Isso acontece com Giovanna Minotto, 24, que faz alongamento há mais de 4 anos: “sempre gostei de unhas grandes, desde pequena. Normalmente eu faço nail designs mais chamativas […]”, diz ela. As unhas, além de item de luxo, são um item de beleza que pode ajudar a autoestima de muitas e também ajudar com problemas como por exemplo, de quem rói unhas.

Por fim, é bom atentar-se aos cuidados, principalmente depois do procedimento: “Não fazer muita pressão com as unhas, como abrir latas, batucar, usar as unhas como ferramentas para qualquer coisa. Também evitar colocar na boca, mordiscar, ou imergir em produtos de limpeza por muito tempo e com frequência.” nos diz Victoria.

Também é necessário respeitar o período de manutenção, que não pode passar de 30 dias, embora muitos alongamentos durem esse tempo, é prejudicial pra saúde da unha natural, pois a estrutura fica comprometido, facilitando quebras e rachaduras, e também podendo haver descolamentos que geram infiltrações e até mesmo em casos graves, fungos e bactérias.”, complementa.

Embaixadores de Beleza: a estratégia de marketing favorita do mercado

Sempre se falou muito sobre garotos-propaganda, representantes – famosos ou não – escolhidos para representar marcas dentro de um contexto publicitário, mas que muitas vezes ficam tão populares e familiares ao público que virão espécies de rostos e vozes oficiais. Temos exemplos em vários nichos.

Dentro disso, podemos inserir o conceito de embaixador da marca, conhecido como brand ambassador, uma celebridade, um criador de conteúdos ou até mesmo uma figura anônima que, de alguma forma, represente bem o produto. A ideia é ter um contrato de longo prazo que liga os envolvidos em uma parceria que traga autoridade e familiaridade, diferente de um contrato pontual em que o perfil é escolhido para uma ativação mais específica e não necessariamente criará um vínculo do merca. 

Não necessariamente uma marca de beleza precisa chamar um especialista no assunto, como um maquiador, cosmetologista ou pesquisador da área. Mas é importante que o nome escolhido conheça e se identifique, e que ele e o contratante compartilhem valores básicos que o público já conhece em ambos os lados. Um dos principais motivos para apostar no formato é a consistência: o consumidor irá associar os envolvidos, seus gostos, hábitos e princípios e ver essa parceria estampada em todo lugar.  

Tendo todos esses pontos entende-se a diferença de um contrato mais simples para esse formato, e principalmente a essencialidade da sinergia entre todas as pontas. Exemplo nacional é o de Juliette Freire com a Avon. No anúncio, Danielle Bibas, vice-presidente de marketing da Avon, declarou ao Meio e Mensagem que a escolha veio pois “a paraibana carrega muitos propósitos de Avon, como o empoderamento feminino e a luta pela equidade e diversidade”. As características e a ligação organicamente construída entre a personalidade e os produtos durante o BBB – o batom vermelho da marca, por exemplo, virou uma das marcas registradas da participante na casa – foram grandes fatores.

A escolha ideal

O que você quer? Pretende chamar atenção de quem? Do que? Qual é a imagem que se quer passar? Bella Hadid é a escolha da Dior Beauty para aproximação com a GenZ, geração antenada e com grande poder de compra. Tantas celebridades coreanas estão sendo contratadas (especialmente no luxo) nos últimos anos pois o mercado asiático é conhecido pelo grande alcance de grifes.

No final, cada empresa tem questões que pesam na escolha de um embaixador, mas critérios em comum que podemos listar são: identificação genuína, popularidade e poder de marketing e venda. É sempre interessante também analisar o background, pois isso interfere diretamente em como a escolha pode refletir interna e externamente.

Jojo Toddynho foi nomeada embaixadora de Jean Paul Gaultier no Brasil. Pensando que JPG é um criativo, provocador, que aposta no mais inclusivo e expressivo, ter a cantora como parte do time faz muito sentido. A recepção foi bastante positiva, e a popularidade da Jojo resultou numa repercussão dentro e fora dos mercados de beleza e marketing. A cantora até mesmo foi chamada para integrar uma campanha global da marca. Todos os pontos listado podem ser visualizados aqui e  se encaixa muito bem.

Jojo Toddynho para Jean Paul Gaultier. Reprodução/Instagram

A Pantene é famosa por trabalhar com squad, estratégia que vem da preocupação da P&G em mostrar que os produtos podem ser usados por todos. A ideia é refletir  “todo cabelo é um Cabelo Pantene” – frase destaque na comunicação digital da marca. Por isso o casting é composto por celebridades e criadoras de conteúdo de diferentes portes, e diversidade nos tipos de fios, forma de trabalho, alcance e origem.

O trabalho pode ser realizado por campanhas digitais, tv, mídia impressa. É parte do processo alinhar os passos de forma que os conteúdos tenham um bom timing e que a marca seja mostrada como parte real do dia a dia e trajetória do protagonista da campanha.

Na beleza de luxo, que costuma ser mais criteriosa e menos agressiva na abordagem, é uma oportunidade de fazer uma publicidade mais sutil e natural, ainda assim muito certeira. O MET Gala é um grande momento para isso, Kaia Gerber de YSL Beauty e Cara Delevigne para Dior Beauty são dois exemplos da última edição.

Um passo além

A vezes a parceria dá tão certo que criar uma linha exclusiva se torna um passo natural. Os números já conquistados somados ao potencial de vendas desse próximo passo, claro, são alguns dos principais fatores. Mas é essencial que a linha carregue características, gostos e histórias para atrair a atenção do público e passar um sentimento de proximidade. Empolga os fãs saber que seu ídolo se envolveu, foi ouvido durante o processo.

A já citada parceria de Juliette com a Avon resultou em uma edição especial, composta por produtos que já faziam parte do portfólio da marca Avon e agradam a cantora e ex-bbb. Gigi Hadid e Maybelline trabalham juntos desde 2015, e em 2017 a coleção Gigi x Maybelline, inspirada na cidade natal e estilo de vida da modelo, chegou às lojas. Lisa do Black Pink ganhou sua própria linha com a MAC em 2021, um ano após ser anunciada como primeira idol embaixadora da marca. Talento, ousadia e confiança da artista são características que guiaram o trabalho.

Em todos os aspectos, o que pode-se entender é que o trabalho com embaixadores não é simples! Não somente pelo volume de trabalho, mas porque faz parte da construção de imagem e comunicação de uma empresa.

Beleza cultural: a influência das características culturais nos ideais de beleza pelo mundo

Quando pensamos em cultura, as primeiras características que vêm à mente são idiomas falados, costumes de etiqueta, crenças, sistema educacional e marcos históricos. Porém, outro importante ponto que também se destaca na diferenciação entre culturas é a beleza, ou melhor, o que esse termo representa. Formatos de corpo, comprimento dos cabelos, estilo de maquiagem e até mesmo o sorriso, podem ser considerados características culturais de um grupo social e exercem influência direta nos ideais que definem o que é belo nas distintas culturas ao redor do globo. 

O gestor educacional Júlio César de Lima, graduado em Ciências Sociais pela Universidade Metodista de São Paulo responsável pela página Sociologia Cotidiana, pontua que cada sociedade possui sua cultura que vai se modificando ao longo do tempo a partir de contato com outras, em um processo ininterrupto. “No passado, o contato entre diferentes culturas era físico, através de imigrações, invasões, por exemplo. […] Atualmente, as chamadas mídias sociais vem acelerando ainda mais a difusão cultural.” Com base nesse raciocínio, ele dispõe que cada grupo cultural, cada povo e sociedade possui seu ideal de beleza, moda e costumes, no entanto, eles são fluidos e modificam-se muito rapidamente “Se o ideal de beleza é o estilo, padrão ou modelo socialmente definido como belo, ele existe em toda e qualquer sociedade, mas a questão é que ele é marcado pela fluidez.”.

Ademais, a busca pelo encaixe perfeito nos padrões de uma sociedade também podem ser resultantes da vontade de gerar um sentimento de pertencimento a um grupo específico, funcionando como uma forma de validação de valor social. Nesse sentido, Júlio César menciona: “O homem é um animal gregário, só existe porque vive em grupo. Com a chamada sociedade de consumo, a necessidade de se viver em grupo divide espaço com a necessidade de se sentir parte desse grupo. […] Fazer parte dele requer sim ser validado em alguns quesitos estabelecidos.”

Mesmo em países multiculturais, como o Brasil, sabemos que existem algumas características que são intrínsecas à construção social do que é belo. Porém, de um ponto de vista mais “macro”, podemos notar que determinados padrões são vistos de forma mais ampla nos diferentes continentes. 

Em se tratando das Américas, no Norte, como nos Estados Unidos, observamos que bustos volumosos, pele, cabelos e olhos claros são as características mais apreciadas nas mulheres, enquanto dos homens é esperado um físico atlético e uma barba bem cuidada, em um visual conhecido como “lumbersexual”. Já na região Central e Sul, peles bronzeadas, cabelos longos e corpo curvilíneo, o famoso “corpo violão”, formam o ideal estético feminino, ao passo que o masculino é composto pela pele também “beijada pelo sol”, cabelos escuros e um porte malhado, em uma mistura de casualidade elegante com um toque sensual. 

Nas terras europeias, continente em que a população tende a ser mais reservada e discreta no que tange ao comportamento, observamos que corpos esguios e um visual casual são as características gerais dos padrões de beleza que, todavia, podem sofrer pequenas alterações de país para país. Se estivermos falando sobre a França, pele bem cuidada, físico magro, cabelo levemente bagunçado e maquiagem leve são o combo apreciado – também compartilhado pela Inglaterra, com a diferença de que esta opta por um visual mais aristocrático e sério, menos despretensioso que o francês. Em se tratando da Itália, os padrões ficam levemente mais extravagantes, o corpo segue magro, mas o busto aumenta de tamanho, as pernas ficam mais torneadas, os cabelos ganham mechas e um comprimento maior; enquanto a Espanha preza por ares mais sexy, de pele morena, olhos e cabelos castanhos, corpos curvilíneos e bem torneados, enquanto, em contraponto, a beleza nórdica preza por peles alvas, cabelos bem claros e uma imagem quase etérea.   

O continente africano também conta com variações no ideal que o compõem, se observadas suas diferentes partes. Em se tratando da região sul, que sofreu grande influência da cultura europeia por conta da colonização, observamos um apreço por traços delicados, poucas curvas e um físico esguio, levemente malhado. O que vai de encontro ao observado em partes da África Ocidental, em localidades como a Mauritânia, em que os corpos volumosos são almejados por serem a representação de prosperidade financeira e disponibilidade de recursos. 

No continente asiático, onde a praticidade, discrição e agilidade são pontos fortes de sua cultura, o que é visto como belo possui traços finos, uma pele bem cuidada e clara, a união de características que, juntas, consigam formar uma imagem de inocência e leveza que são associadas à elegância. 

Porém, mesmo sendo tão discutidos e abordados com mais intensidade nos tempos atuais, o estabelecimento de ideais de beleza têm um histórico longo e notável. Os primeiros registros de uma espécie de padrão no tocante ao belo foram observados na Pré-História, quando o uso de garras e dentes de animais como adornos representava o poder masculino e a obesidade feminina era vista como sinônimo de prosperidade em recursos e símbolo de fertilidade. Posteriormente, na Grécia Antiga, onde muito se valorizava a questão da harmonia e equilíbrio, os corpos compostos por quadris largos e seios volumosos – que eram associados à fertilidade – além de um pele clara, uma aparência etérea e que transmitisse a ideia de saúde acabaram por ser interpretados como o ideal; enquanto no Egito Antigo (em que a aparência física era de grande importância), corpos esguios, pele bronzeada e ausência de pelos representavam a imagem almejada. Sob esse panorama, observa-se que mesmo com a passagem do tempo e a alteração de muitos pontos tidos como representantes do bela por motivos diversos, como os de cunho religioso e cultural, o que perdura até os dias de hoje é a constante mutação do que é compreendido como parâmetro. Dessa forma, com o entendimento de que as raízes dos padrões de beleza são profundas, ainda que disformes, o questionamento é: será possível vislumbrar uma sociedade livre desses ideais? Júlio César de Lima pontua que acredita ser improvável que isso aconteça. “Acredito ser improvável a existência de uma sociedade livre das amarras dos padrões de beleza e então, a discussão que cabe pode tomar outro rumo, como por exemplo, no campo da ética, que pode lançar reflexões sobre consequências para a saúde física, mental e até social dos excessos causados pela busca irrefletida por estar bonito, com o corpo ideal, com o cabelo da mocinha da novela […] Em resumo, continuaremos tentando estar belos, mas provados por questões sobre como estar belo de maneira mais racional.”

Por fim, em uma comparação meramente singela, podemos analisá-los como uma faca de dois gumes que corta um mesmo entendimento em duas questões, pois, o questionamento de um padrão pode representar o entendimento de que há outro “melhor” para ser colocado em seu lugar. Mesmo sendo rechaçados por muitas pessoas e transformados em pauta de discussões acaloradas ou, em outros casos, tendo sua existência negada dada a diversidade de ideais presentes nos diferentes continentes, os padrões de beleza reverberam para além do campo da estética, porque, como foi exposto, por meio deles conseguimos diferenciar momentos históricos, grupos sociais e até mesmo entendimentos culturais. Conseguimos, então, observar que a pluralidade da cultura faz com que o belo não seja uma afirmação, mas, sim, um eterno questionamento. 

A beleza do Met Gala e suas tendências

Na noite de ontem (2), primeira segunda-feira de maio, aconteceu tradicionalmente o Met Gala, baile do Metropolitan Museum of Art (MET) de Nova Iorque. O baile anual marca a exposição de moda do Costume Institute e tem como objetivo angariar fundos para o museu.

Conhecido por ser o principal evento da moda mundial, o Met Gala reúne todos anos diversas celebridades, entre eles atores, influenciadores, artistas e grandes nomes da sociedade atual — todos selecionados a dedo por Anna Wintour, editora-chefe da Vogue. Além de sua lista de convidados exclusiva, a Gala segue uma tradição: todos os anos há um tema para o evento — que segue o tema da exposição do instituto de moda — e um dress code a ser seguido.

Após longos anos de pandemia e um baile considerado desanimador em 2021, a festa volta com força total em 2022 seguindo o tema ‘In America: An Anthology of Fashion’ com o código de vestimenta sendo a ‘Gilded Age’, um período histórico ocorrido entre 1870 e o início de 1900 — logo após a Guerra Civil e pouco antes da Primeira Guerra Mundial. O pensamento central fala sobre o old e new money americano com suas festas de arromba, as revoluçõs que mudaram o rumo da sociedade, dinastias que surgiam naquele momento e toda a misticidade da Era Dourada.

A Frenezi fez a cobertura completa dos looks pelo Twitter e Instagram, e é claro que não poderíamos deixar de lado a Beleza! Vem com a gente ver os melhores visuais da noite — e as nossas apostas para trends do momento!

Kaia Gerber

Kaia Gerber é, por si só, um acontecimento. A modelo é tida como uma das principais it girls pelo mundo afora e coleciona visuais icônicos, e dessa vez não poderia ser diferente!

Em um longo prateado Alexander McQueen, Kaia apostou no estilo sereia para o penteado: com a ajuda de extensões para o cabelo, o hairstylist Guido Palau investiu em cachos e muito volume. As mechaa frontais foram presas com presilhas nas laterais da cabeça, dando um efeito ainda mais jovem.

Dove Cameron

A pedraria nas maquiagens segue como aposta forte, em conjunto com o delineado bem marcado no estilo foxy e sobrancelhas penteadas para cima — heranças da série ‘Euphoria’ para a indústria da beleza.

Complementando um look Iris Van Herpen inspirado pelos minuciosos bordados feitos nas roupas no século 18, a cantora Dove Cameron apostou nas jóias como foco da beleza e um penteado semi-preso com raízes bem lisas.

Gigi Hadid

Mais uma no time de apostas 90’s! Gigi Hadid compareceu ao baile do Met em um look custom Versace que combinava diversos signos antigos e atuais.

Sempre atenta, Gigi é especialista em lançar tendências: o sleek bun, coque com raízes hiper-lisas e pontas soltas, vem sendo muito utilizado pela modelo nos últimos meses e fez parte de seu visual na última noite.

A segunda trend na qual Hadid investiu para o baile é também um hit dos anos 90: o batom glossy em tom de vermelho sangue foi utilizado em conjunto com um lápis em tom mais escuro para delinear os lábios, chamando mais atenção para a boca.

Laura Harrier

Laura levou o glamour do Old Money para seu visual, indo muito além de vestimentas e jóias. A atriz investiu em um penteado molhado com ondas estruturadas na raíz, e para a maquiagem o delineado gatinho (que agora volta à moda para evidenciar os cílios) e pele iluminada.

Detalhe para o contorno aplicado no centro das bochechas, evidenciando a estrutura óssea. A técnica vem sendo muito utilizada por maquiadores famosos na internet e promete mudar a forma como nos maquiamos!

Emma Chamberlain

YouTuber e influencer queridinha das fashion girlies, Emma Chamberlain surpreendeu ao chegar a escadaria do Met em um look Louis Vuitton, com grandes jóias e uma recente descoloração no cabelo.

Para o penteado, as mechas foram repartidas ao meio e presas na parte de trás da cabeça, com bastante volume nas pontas e uma coroa em destaque. A maquigem teve como foco um ponto de luz dourado no centro das pálpebras, evidenciado pela sombra vermelha esfumada nos cantos externos dos olhos. Aqui o blush também fica em destaque: aplicado no centro das bochechas e maçãs do rosto, ele serve para demarcar mais o contorno natural do rosto de Emma.

Olivia Rodrigo

Olivia Rodrigo tem o costume de adicionar toques 90’s e 00’s às suas produções, e no Met Gala não seria diferente.

Vestindo um custom Versace cravado de brilhantes, todos os pontos do visual de Olivia chamavam a atenção — mas o que cresceu aos nossos olhos foi a beleza completa, do cabelo à maquiagem.

Para a make, a equipe da cantora seguiu a mesma paleta de cores do vestido e das luvas: foram utilizados tons de rosa, lilás e bege para criar pálpebras cintilantes com delineado fino e cílios dramáticos. A pele e os lábios foram deixados em segundo plano para manter o destaque nos olhos.

Já no penteado o time optou pelo cabelo solto e ondulado, preso por presilhas enfeitadas com grandes borboletas. Quer acessório mais anos 2000?

Billie Eilish

Inspirada pelo retrato de Madame Poirson, de 1885, Billie Eilish apostou em uma beleza natural mas não menos marcante: a pouca maquiagem se assemelhava às mulheres da época, e o penteado em coque com mechas soltas entregou ao look ares góticos.

A pele natural, com efeito corado e glow já é característica das produções de Billie, e retorna aos holofotes como uma forma de repensar a beleza. Nesse cenário brilham as bases de cobertura leve, sombras acetinadas e blushes líquidos para um efeito “nasci assim”.

Tessa Thompson

Se há alguns anos o blush era deixado de lado e substituido pelo contorno, agora o item é indispensável na necessaire de 9 entre 10 dos nossos maquiadores favoritos. Muito vista nas últimas temporadas de moda e red carpets, a tendência do momento é o produto aplicado de forma bem marcada entre as maçãs do rosto, têmporas e pálpebras, dando um efeito dramático ao look.

A trend é democrática: o efeito do blush exagerado pode ser dark ou mais feminino, dependendo de como usado. Em Tessa Thompson a maquiagem foi utilizada de forma quase etérea, apenas como um complementar de seu look em corset e tule cor-de-rosa feito por Carolina Herrera.

Se por um lado os amantes da moda se decepcionaram com a falta de aderência ao tema por parte dos convidados, os amantes da beleza tem o Met Gala de 2022 como um prato cheio.

Como os óleos essenciais podem trazer benefícios para a pele?

Entre os diversos tipos de skincare e produtos para a pele e corpo disponíveis no mercado, a prática de utilizar óleos no dia-a-dia vem se tornando muito comum. O uso de óleos essenciais e vegetais está tão em alta que até a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) reconheceu a aromaterapia como uma prática terapêutica de bem-estar complementar a outros tratamentos. Mas como ela funciona?

AROMATERAPIA

O processo da aromaterapia consiste no uso de óleos concentrados voláteis (os essenciais, com nome derivado da sua essência) e gorduras (óleos vegetais) extraídos de plantas, cujas essências promovem o bem estar e saúde. A técnica consiste em quatro etapas: manutenção da boa forma física, alimentação consciente, relaxamento profundo e direcionamento dos pensamentos. Porém, a aromaterapia tem que ser recomendada por profissionais médicos, aromaterapeutas, psicoterapeutas e profissionais de estética como massagistas. 

As principais formas de utilização destes óleos são os usos aromáticos e tópicos. O uso interno é feito em alguns países e culturas, porém ainda não é permitido no Brasil. Além disso, eles podem ser utilizados em:

  • massagens;
  • banhos e escalda-pés;
  • colares aromáticos;
  • inalação.

Os óleos essenciais podem ser utilizados por meio de inalação, colocando algumas gotas na mão, e após esfregá-las, inspirando seu aroma; ou por uso tópico, sendo diluídos em óleos vegetais e usados para massagens corporais. 

Massagem com óleo essencial [Imagem Shutterstock]

Esfregá-los em partes do corpo como peito, pescoço, pulso, testa, mãos e pés também podem ajudar a relaxar a pele (nunca em contato com a pele, mas sim diluídos em óleos vegetais, por exemplo, para evitar alergias). A dermatologista Dra. Aline Tiemi diz que:

“O óleo essencial nunca deve ser usado puro na pele pois ele pode irritar, causar alergias, e até mesmo pigmentações como é o caso dos óleos cítricos (principalmente associado à exposição solar). […] Seu uso pode ser juntamente com o restante da rotina de cuidados da pele e cabelos, basta acrescentar algumas gotas do óleo essencial nos produtos de uso diário (limpadores, hidratantes, máscara capilar, shampoo ou condicionador)”.

“Os rótulos desse tipo de produto nem sempre evidenciam todos os componentes da fórmula, pois não há uma regulamentação para isso. Além disso, o objetivo principal dos processos de extração de óleo essencial é capturar aromas. Sendo assim, a maioria dos óleos não deve ser ingerida.” Completa ela.

A PRÁTICA PODE SER REALIZADA EM CASA?

Sim. Os óleos utilizados podem ser encontrados no mercado e você pode fazer ambos os tipos de utilização. Algumas pessoas ainda preferem realizar a inalação por meio de difusores, aparelhos que são feitos especialmente para o uso de óleos essenciais. A aromaterapia também pode ser feita no ambiente, como velas de aromaterapia (que contêm óleos essenciais na cera) ou até mesmo diluídos em água e borrifados no quarto ou em seu travesseiro.

Aromaterapia com velas a base de óleos essenciais. [Imagem Shutterstock]

Outros métodos como adicionar os óleos numa panela com água fervente e inalar o vapor aromatizado ou colocar algumas gotas em sais de banho também são muito utilizados. Porém, a Dra. Aline Tiemi adverte:

“Com relação a seu uso não há dúvidas que trazem uma sensação de bem-estar, no entanto é importante reforçar a falta de estudos de qualidade sobre seus efeitos. Existem diversos estudos, mas com avaliações subjetivas, poucos pacientes, pouca padronização, entre diversos outros problemas. […] O importante é que sejam bem indicados e que sejam sempre usados como um adjuvante no tratamento indicado pelo médico, principalmente pacientes com quadros de doenças de pele mais graves.” 

Assim, é sempre bom ter uma recomendação profissional antes de realizar os procedimentos.

OS ÓLEOS ESSENCIAIS MAIS COMUNS E SUAS PROPRIEDADES

“Os óleos essenciais são basicamente extratos vegetais concentrados obtidos por prensagem ou destilação a vapor de flores, folhas, cascas, frutos ou sementes.” diz Aline. Abaixo, ela lista alguns dos óleos essenciais existentes e suas propriedades:

Óleo essencial de lavanda. [Imagem Shutterstock]
  • Lavanda:  ansiolítica e analgésica 
  • Melaleuca: anti microbiana, anti fúngico, reduz oleosidade
  • Gerânio: Anti-inflamatório.
  • Citronela: Repelente de insetos.
  • Rosa Mosqueta: hidratação.
  • Alecrim: Antioxidante e antimicrobiano.
  • Lemon grass: Anti séptico, tônico e estimulante.
  • Bergamota: despigmentante.
  • Camomila: Calmante e anti-inflamatório.

BENEFÍCIOS DO USO DOS ÓLEOS ESSENCIAIS

Os principais benefícios da utilização de óleos essenciais estão na promoção do equilíbrio físico, mental, espiritual e emocional de quem realiza o processo de aromaterapia.

O alívio de sintomas como estresse e ansiedade também pode ser feito por meio dos óleos, assim como o alívio da insônia, por terem efeitos calmantes. Porém, cada óleo se adapta diferentemente no corpo de cada pessoa, podendo funcionar melhor para alguns do que para outros. Por isso, é importante analisar o desempenho do óleo de acordo com seu uso.

É importante certificar-se de que os óleos sejam 100% puros e não apenas aromas, pois os segundos funcionam apenas como perfumes e são sintéticos, não tendo ligação nenhuma com o bom estar, diferentemente dos óleos essenciais puros.

Além do corpo e bem estar, os óleos essenciais podem também fazer bem aos fios. Alguns óleos podem auxiliar no crescimento capilar de forma saudável, nutrindo a raiz. Além disso, o óleo de lavanda pode acalmar e hidratar o couro cabeludo por conta de suas propriedades cicatrizantes e antimicrobianas.

Wellness: a beleza alinhada com o bem-estar

Recentemente, a Galeries Lafayette, um dos mais icônicos e tradicionais centros de compra da Europa, anunciou a abertura de uma área dedicada ao wellness. Com inauguração prevista para julho, o departamento terá funcionalidades e venda de produtos ligados ao relaxamento e bem estar de dentro pra fora – beauty & care, medicina alternativa, suplementos. Além disso, contará com serviços como massagens, academia com horário de funcionamento estendido e um restaurante. Esse é só mais um passo do movimento do investimento em well being de espaços físicos, virtuais e marcas nos últimos anos.

Galeries Lafayette. Imagem: Arrivals Guide

Será coincidência tantos estarem apostando na mesma ideia? De jeito nenhum! O wellness de fato não é um conceito novo, porém é notável a popularização da ideia nos últimos anos e os pesquisadores de tendências apontam os desdobramentos disso. Hoje, o público procura bens e serviços que não apenas trazem benefícios estéticos, mas também sensação de cuidado, autoestima e conforto. Consequentemente, a área passou a perceber que, a cada dia mais, a beleza é sobre bem pessoal além da aparência e consumo.

TRADUZINDO O CONCEITO

Wellness ao pé da letra significa bem estar. Na prática, a ideia que trazemos aqui se relaciona a um estilo de vida satisfatório e estimulante. É sobre conhecimento e consciência corporal, saúde física e mental, e momentos de relaxamento, alimentos benéficos. Dentro dessa pauta, cabe também a discussão sobre processos de produção éticos e preocupação com ingredientes.

SEXUAL WELLNESS

Neste mesmo segmento, surge a prática que ganha cada vez mais importância: o sexual wellness, bem estar sexual, que propõe o prazer aliado à saúde, educação e liberdade para falar e conhecer o próprio.

Ainda que tabus existam, principalmente se tratando de mulheres cis e corpos trans, atualmente busca-se tratar o assunto com muito mais abertura e respeito. Até mesmo empresas que não são especialistas no segmento, como Amaro, Sephora e Simple Organic já investem na categoria, enquanto veículos diversos têm editorias e plataformas próprias para o assunto.

A Simple Organic lançou uma série de produtos de sexual care.
Imagem: Divulgação/Simple Organic 

EXISTEM PONTOS NEGATIVOS?

É difícil (e parece um pouco improvável) pontuar os malefícios de uma rotina de bem estar próprio. Porém, é inegável que criou-se um ambiente muito idealizado de estilo de vida, que é falsamente dado como correto. A utilização dessa falsa perfeição ser ligada ao wellness é prejudicial e desfoca a ideia real.

De repente, pareceu fácil se equilibrar entre obrigações, lazer e outras demandas do dia, é imprescindível ter um ritual incrementado de skin e bodycare, tempo para longos banhos, momento com velas, incensos e óleos essenciais. A indústria de beleza, por muitas vezes, incentiva tudo isso com lançamentos, anúncios e postagens, enquanto as redes sociais se encheram de pessoas que supostamente vivem esse lifestyle “ideal”. Na vida real, fatores como rotina, local, oportunidades ou realidade financeira nem sempre permitem que quem recebe a mensagem possa realmente se inspirar no que vê, o que pode gerar inúmeras frustrações. Viver influenciado por essa imagem erroneamente vendida como ideia é o problema. Mas precisamos pontuar que esse problema é causado por quem vende essa imagem, e fazer uma separação é importante.