[Crítica] Elvis: a Ilusão de Ser uma Estrela do Rock

Elvis foi lançado nos cinemas brasileiros há praticamente um mês prometendo contar a história de vida e carreira de um dos maiores ícones do rock. Abusando do exagero nas roupas, cenas e fotografia, a obra mostrou potencial para conquistar a audiência, não é atoa que estreou com 86% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Até agora, os comentaristas fizeram diversos elogios para a atuação do elenco, principalmente para a performance de Austin Butler como o protagonista titular, um exemplo disso é a crítica feita pelo The Wrap, ‘há energia e substância o suficiente […] e Butler se joga em uma performance selvagemente física, mas nunca cartunesca ou desrespeitosa’. Mas também não deixaram de comentar sobre a desequilibrada condução de direção e roteiro.

Apesar disso, quando se fala que o longa de Elvis Presley é um grande exagero, não necessariamente é um ponto negativo, já que tudo que se refere a ele sempre foi exagerado. Então, a produção de duas horas e quarenta minutos não poderia assumir um tom blaseé – um termo francês que classifica a atitude de uma pessoa cética ou indiferente – e isso inclusive, acaba sendo um dos maiores acertos do diretor Baz Luhrmann.

Elvis conta a história do astro desde a infância até a queda, passando é claro, pela ascensão, quando ele se torna um dos cantores mais famosos e bem pagos dos Estados Unidos. Nascido em Tupelo, Mississippi, em 1953, o menino tinha um irmão gêmeo, chamado Jesse, que morreu após o parto.

Mas as tragédias da família Presley não cessaram por aí: seu pai foi preso por estelionato, e por conta disso, Elvis e sua mãe foram despejadados de onde viviam, indo morar em um bairro de pessoas negras – vale lembrar que durante essa época, o racismo e a segregação racial eram muito fortes.

Após esses episódios, a vida do garoto segue, na maioria das vezes, rodeado por influências negras. Então, Elvis começa a cantar em uma banda e sua voz é reconhecida pelo Coronel Tom Parker – interpretado por Tom Hanks – um homem ganancioso que vivia de dar golpes nas pessoas. É inclusive sob o ponto de vista de Parker que a história é contada, com a primeira meia hora de tela focada totalmente no empresário, onde ele mesmo diz “sem mim, não haveria Elvis Presley”.

[Imagem: Reprodução/Warner Bros]

Querendo ou não, o Coronel é importante na trama, porque há quem associe a degradação do astro à tirania com que o então empresário comandava a carreira de Presley. Tom Parker era um produtor de parques de diversão e circos que passou a empresariar o astro logo no início de sua caminhada. Entretanto, o título não expressa sua verdadeira origem, já que ele não era coronel, nem se chamava assim e tinha um passado misterioso na Holanda.

Seu nome verdadeiro é Andreas Cornelis van Kuijk. Nascido na Holanda em 1909, e que aos 20 anos, imigrou ilegalmente para os Estados Unidos. A sua partida ocorreu no mesmo dia em que a sua suposta amante, Anna, foi espancada e morreu em decorrência dos ferimentos. Quando chegou ao país, assumiu a identidade Tom Parker e se alistou ao exército, onde serviu por dois anos, até 1933. Na época, ele foi afastado por indisciplina e teve uma crise nervosa, diagnosticado com depressão aguda psicogênica, estado de psicopatia constitucional e psicose. Tom também foi descrito pelos especialista como um homicida em potencial.

Essa descrição é vista em certo momento da cinebiografia de Luhrmann. O diretor cita em entrevista durante o Festival de Cannes, a parte do filme em que o homem, vivido por Tom Hanks, está deitado em uma cama de hospital sob efeito de morfina se defendendo das acusações de ser uma má pessoa, que explorou Elvis Presley, impediu sua carreira internacional e acabou pressionando tanto o cantor, que ele se viciou em remédios e acabou morrendo prematuramente, aos 42 anos de idade. “Ele está dizendo que não é o vilão. Que só fez seu trabalho, que era fazer com que a carreira de Elvis fosse a mais lucrativa possível”, declarou.

“Parker diz que fez seu trabalho tão bem que nós amamos Elvis, e ele nos ama. Que o cantor só se sentia bem quando estava sendo amado pelos seus fãs e amando-os de volta”, incita Baz sugerindo que a culpa é voltada para os fãs do cantor. E que ‘graças’ a sua morte, seus discos bateram recordes de vendas, tornando-o memorável até os dias atuais.

O cineasta ainda comenta sobre trazer algo mais autoral em um momento onde os super-heróis dominam as salas de cinema, uma colocação não só muito inteligente do ponto de vista mercadológico, como também fiel ao tom mítico do longa. “Elvis é o super-herói original. Ele vem da sujeira e em alguns momentos ofuscantes, sobe tão alto, encontra sua kryptonita e cai”.

Fora a decisão de escolher o empresário para narrar a história, Elvis quase foi intitulado de O Rei e O Coronel, mas com o desgosto declarado de Presley desde sempre pelo apelido, a ideia não vingou. “Você tem algum amigo que conta histórias de maneira confiável?”, provocou Luhrmann. “Documentários são aparentemente a verdade e em geral trazem aquela narração típica. Mas daí a gente vê na internet como é fácil manipular as pessoas a acreditarem que algo é a verdade, quando não é. Eu acho que os dramas são mentiras contadas por alguém para chegar a uma verdade maior”, explicou.

Baz encerra a entrevista comparando a narrativa de Elvis com a de Amadeus, filme de Milos Forman de 1984 que ganhou oito Oscars, por também ser uma cinebiografia, mas sobre o compositor e músico Wolfgang Amadeus Mozart. “O filme é sobre inveja”, pontuou ele. Ele tem suas suspeitas de que Parker sentia-se de forma parecida. “Os dois tiveram infâncias muito complicadas, ambos tinham um buraco no peito e eram sonhadores. Parker queria ser grande. E Elvis, também”, finalizou.

Agora falando do próprio Elvis, o ator Austin Butler merece todo o reconhecimento ao estrelar o papel do cantor, o mais engraçado é que no inicío do longa, há um grande mistério em revelar o rosto dele, que a princípio só aparece de costas ou de lado, porque por mais que todo mundo soubesse que era Butler em cena, ninguém havia visto nada além dos trailers.

Ele encarnou brilhantemente a personalidade do astro, obviamente abusando do exagero. Desde o jeito de dançar rebolando os quadris até o tom de voz, passando pela maneira de falar com a boca semi aberta olhando para baixo, tudo parece milimetricamente bem encaixado. “Ele era punk antes do punk existir. Ele estava rolando no palco, cuspindo. Temos que mostrar o que você não consegue ver nas filmagens de arquivo”, declara o ator em entrevista a revista Elle.

Além disso, muitos artistas talentosos foram cogitados para o papel titular, incluindo supostamente, Harry Styles e Miles Teller, mas quando Luhrmann se deparou com um vídeo de Butler “em uma bola de emoção, tocando e cantando ‘Unchained Melody’ em um roupão de banho em um piano”, ele sabia que tinha encontrado seu Elvis. “Daquele momento em diante, e a cada momento que o conheci durante o processo de audição, ele literalmente viveu a vida de Elvis”, afirmou o diretor na mesma conversa.

A caracterização é tão bem feita que, somado ao fato do efeito granulado de alguns trechos do filme para parecer uma filmagem antiga, pode fazer com que o espectador se confunda e não tenha certeza se está vendo Austin ou o verdadeiro Elvis. Isso fica mais evidente em uma cena quase no final do longa, quando mostra o cantor já deprimido, doente e com sobrepeso, sentado em frente ao piano em seu último show antes de morrer.

Conhecido pelo seu rebolado único, Elvis foi perseguido pelos grupos conservadores da época que viam nesse estilo de dança luxúria e pecado. Nos jornais tradicionalistas, recebeu o apelido de ‘Elvis The Pelvis’ pelo modo de se apresentar nos palcos. Dito isso, Tom Parker tenta mudar a fim de não desagradar essa elite e continuar ganhando dinheiro. Mas, o que incomodava não era apenas o rebolado, o cabelo ‘de menina’ e a maquiagem nos olhos, e sim o fato dele cantar e dançar igual um homem negro.

O cantor viveu boa parte de sua vida rodeado de pessoas negras – chamadas na época de pessoas de cor – e isso é bem retratado no filme que mostra, inclusive, a relação de Elvis e B.B King – interpretado por Kelvin Harrison. Foi na igreja de negros que ele aprendeu a dançar e rebolar, o que mais tarde viria a se tornar sua marca registrada.

Ao misturar soul, gospel e folk, ele conquistou os Estados Unidos. Mas, em uma época em que o segregacionismo estava tão presente, onde haviam barreiras físicas separando negros e brancos, cantar como um negro era uma grande ofensa para a sociedade.

Portanto, pode-se dizer que Elvis tinha o talento de um negro com a passabilidade de um branco, e isso lhe permitiu emergir e se tornar um astro, ainda que tivesse que ir contra a corrente. Ele também abusava dos movimentos de dança para chocar as garotas brancas que não tinham visto giros como aqueles porque elas não saíam para os juke joint – pequeno estabelecimento informal de música, dança, jogos e bebidas, operados sobretudo por afro-americanos – ou até mesmo as tendas gospel. “Ele era um gosto de fruta proibida”, diz Parker em uma das cenas enquanto observa uma garota desmoronar em gritos. “Ela poderia ter comido ele inteiro […] Foi a maior atração de carnaval que eu já vi”.

Um outro momento que reforça essa situação, ocorre quando Elvis comenta com B.B King que estão querendo lhe prender devido ao seu jeito de dançar. O amigo retruca dizendo que Elvis é branco e pode fazer o que quiser, enquanto ele, sendo negro, pode ser preso apenas por atravessar a rua. Em seguida, uma das melhores e mais inesquecíveis cenas musicais do filme acontece na música Trouble

Registrado em gloriosa câmera lenta por Luhrmann e pela diretora de fotografia Mandy Walker, ele se atira na direção do público, o rosto a centímetros da plateia enquanto declama que “não aceita ordens de nenhum tipo de homem”. Desse modo, Elvis quer, acima de qualquer coisa, fazer com que os espectadores entendam a euforia que Elvis Presley provocava ao vivo, o coquetel irresistível de rebeldia, ritmo e carisma que mexia com uma parte visceral do público.

A obra desenvolve uma trama em torno de uma magia particular do seu biografado, ao ponto de ser uma parte mística inexplicável, que contém um apelo atemporal, mas que de certo modo também usufrui da apropriação cultural. Afinal, pode-se dizer que Presley era o artista certo, na hora certa e no lugar certo.

Há algo quase cômico na forma como Baz Luhrmann mostra a reação do público em algumas das primeiras apresentações de Elvis, mas o filme também reconhece os fatores históricos e artísticos dessa ascensão. De um jeito um pouco caótico, o script assinado pelo diretor ao lado de dois colaboradores de longa data, Craig Pearce e Sam Bromell, se desdobra relativamente bem para retratar as facetas mais complexas do artista durante as quatro décadas em que ele esteve presente.

A relação do astro com a música de sua época e a relativa injustiça de sua imortalização no panteão do rock n’ roll acima dos originadores das técnicas que ele usava, são parte tão integral da história da produção quanto a dimensão política e moral de sua subida à fama. Então, é possível ver Elvis como um ‘branqueamento’ do rock e Elvis como símbolo de transformação moral em momentos de virada importantes do século XX nos EUA.

Elvis não está realmente interessado em Elvis Presley, o homem, embora dê a ele a prerrogativa de qualidades tremendamente humanas dentro do contexto melodramático do filme. Seu luto pela mãe, a generosidade que pautava suas relações pessoais, a admiração genuína que ele sentia por artistas com a coragem de se expressar, a relação visceral com a música, datada de seus primeiros contatos com ela na infância. Tudo está aqui, reconhecido e estilizado no ritmo inconfundível de Luhrmann, mas essa fundação humana serve apenas para apoiar uma exploração que é muito mais sobre Elvis Presley, o mito, o ícone, o símbolo – e ainda bem que é.

É verdade, é claro, que Elvis foi um homem. Tantas biografias, no entanto, se perdem no caminho de tentar decifrar algo intrinsecamente indecifrável: as idas e vindas, os cantos mais escuros e complicados, as partes mais íntimas e privadas da vida de uma pessoa de verdade. O diretor, até por sua natureza como artista, foge dessa armadilha quando cria, ao invés disso, uma ode – poema lírico – audiovisual a Elvis, uma jornada biográfica contada em linguagem pop, e que fala sobre cultura pop, cuja relação com a realidade é meramente incidental, quando ela existe.

Tudo isso é embrulhado em um pacote cintilante de espetáculo teatral, modelado tanto na decadência opulenta dos shows de magia e música de Las Vegas quanto na tragédia. O ponto é que Elvis, como de costume para as obras de Luhrmann, só funciona realmente se aceito dentro de sua própria lógica. O melhor jeito de aproveitá-lo é imaculado por preocupações morais sobre a integridade de cinebiografias, por regras arbitrárias de bom gosto estético e, principalmente, pelo apego insistente a uma ideia rígida de cinema e narrativa ‘de qualidade’. Sob os parâmetros de quem não se desprende de nada disso, alguns momentos do filme mal poderão ser considerados cinema, em sua abordagem distorcida e caótica da linguagem dessa mídia.

Acontece que, sob o olhar de quem reconhece entretenimento e arte pop como propósitos por si mesmos, ele é certamente um belo espetáculo. Talvez, o maior ponto que o filme tem em comum com o verdadeiro Elvis Presley é esse: no fim das contas, render-se aos prazeres que ele oferece é muito melhor do que tentar entendê-lo a partir de um molde no qual ele nunca teve vontade nenhuma de caber.

Algumas situações no filme que não acontecem na realidade

Assim como ocorreu com outras cinebiografias, especialmente de música, Elvis não é 100% preciso em seus relatos, e isso não é um problema, visto que algumas adaptações são necessárias para dar ritmo à trama. A equipe capitaneada pelo diretor Baz, retratou alguns fatos com certa fidelidade enquanto outras situações não aconteceram na vida real.

O próprio Elvis Presley interpretado por Austin Butler está um pouco diferente, como era de se esperar. O filme mostra que quase todas as influências musicais de Presley vieram da música negra. Alanna Nash, escritora de diversos livros sobre a vida e carreira do Rei do Rock, garante que não foi bem assim. Em entrevista à Variety, ela declara que: “Elvis também teve muitas influências brancas e disse, quando ainda estava na sétima série, que se apresentaria na Grand Ole Opry – famoso local de apresentações de country na cidade de Nashville. Lembre-se, ele entrou em um concurso na infância cantando ‘Old Shep’ – um clássico da música country”.

O filme também ignorou por completo as parceiras que Elvis teve no final de sua vida após terminar seu casamento com Priscilla Presley, além de ter mudado algumas coisas na sua relação com o coronel Tom Parker. E por falar no empresário de Elvis, ele também não passou ileso de situações que foram criadas para a obra.

O personagem de Tom Hanks tem um jeito mais exagerado e meloso, além de ser uma pessoa cheia de ideias que poderiam ter consequências desastrosas. Em uma cena da cinebiografia, Parker sugere a Presley dar uma maneirada no seu estilo para evitar críticas dos conservadores. Alanna revelou que o empresário, na realidade, pensava o contrário. “(Parker) gostava do fato que Elvis atraía muita gente para seus shows. Parker amava o fato de Elvis ser visto como um stripper masculino. Aquilo vendia muitos ingressos”. Ela também garantiu que o Coronel nunca chegou a ser ameaçado pelo governo por conta das apresentações de Elvis, algo que ocorre no longa.

[Imagem: Reprodução/Warner]

Além disso, Tom Hanks optou por dar um sotaque considerado ‘europeu’ – afinal, ele nasceu nos Países Baixos – ao seu personagem. Coisa que pouco lembrava o do Tom Parker de verdade, como é possível perceber em uma gravação de entrevista realizada na década de 80.

A obra também retrata que, após ouvir bons comentários sobre Elvis Presley, Tom foi até o programa de TV Hayride para conhecer o cantor, que começou a ganhar fama. Então, essa seria a primeira apresentação do Rei do Rock no lugar – e no mesmo dia, os dois se conheceram.

Na realidade, as coisas se desenrolaram de outro modo. O coronel não estava presente nesse evento. O astro de fato estava nervoso ao se apresentar, mas após uma pausa, se acalmou e conquistou o público. Apenas meses mais tarde que o empresário foi até o local para assistir a um show de Elvis, e eles se conheceram semanas depois, em um espetáculo do cantor na cidade de Memphis.

Em Elvis, é possível ver que Presley era próximo do lendário bluesman B.B. King. Uma das cenas do longa mostra o cantor após um ataque de fúria, ‘fugindo’ para uma casa de shows frequentada por King e outros artistas negros, como Sister Rosetta Tharpe e Little Richard. No entanto, na vida real, as coisas eram bem diferentes. Nash, agora para o jornal USA Today, afirmou: “Elvis e B.B. se conheciam, mas não eram amigos próximos. Eles provavelmente cruzaram caminhos pela primeira vez no estúdio Sun, mas foi algo breve”.

Além disso, uma das críticas mais fortes e repetidas em relação ao Elvis era como ele teria se apropriado de características da música negra em um ainda altamente segregado Estados Unidos. E com isso, o empresário junto a gravadora, venderam uma imagem pioneira do artista mesmo sabendo de todas as barreiras raciais, e só ofereceram uma versão mais ‘diluída’ do que muitos já conheciam através de nomes como Chuck Berry.

Em contrapartida, o próprio B.B King refutou qualquer percepção de Presley ao se tratar de uma pessoa preconceituosa. O fã-clube australiano de Elvis resgatou um artigo do San Antonio Examiner, onde contém uma entrevista do bluesman realizada em 2010 – 5 anos antes de sua morte. Nela, ele declara: “Nascemos pobres no Mississippi, passamos por infâncias desprivilegiadas. Aprendemos e conquistamos nosso caminho através da música. Veja bem, eu conversei com Elvis sobre música desde o início, e eu sei que uma das grandes coisas no seu coração era esta: a música é propriedade de todo o universo. Não é exclusividade do negro ou do branco ou de qualquer outra cor. É compartilhado em e por nossas almas”.

Em dezembro de 1968, o canal americano NBC exibiu um especial que marcou a primeira apresentação de Elvis Presley em sete anos. O material foi gravado, mas representou a volta do cantor aos palcos diante de um pequeno público. A atração ganhou o nome de ’68 Comeback Special’ – em tradução ‘O Especial de Retorno de 68’.

No filme, enquanto Presley gravava a apresentação, o senador Robert Kennedy foi assassinado, mas de acordo com Alanna, a gravação do especial e o assassinato do senador não aconteceram ao mesmo tempo. A escritora revelou que na realidade, apenas um dos ensaios ocorreu no dia em que Kennedy foi atingido pelos tiros que tiraram sua vida – 5 de junho de 1968. “Elvis chegou para iniciar as semanas de gravações em 3 de junho de 1968, e Kennedy levou os tiros em 5 de junho, morrendo no dia seguinte, 6 de junho”.

Além disso, o longa chega a retratar a gravação sendo interrompida pelo barulho dos tiros que mataram Kennedy. Na vida real, o hotel em que o assassinato ocorreu era distante do estúdio em que o especial era produzido. Mas, a produção ao menos acertou em retratar que Elvis ficou abalado pelas mortes de Kennedy e do ativista Martin Luther King, assassinado dois meses antes do político. A música If I Can Dream, composta por Walter Earl Brown especialmente para o programa de TV, foi inspirada por trechos do famoso discurso I Have a Dream, de King.

Em Elvis, há um momento em que ele se alista ao exército para evitar uma possível prisão devido a sua péssima influência para os conservadores e um incidente violento em um show.

Elvis, de fato, se alistou no exército americano e cumpriu serviço militar entre 1958 e 1960, mas não teve relação alguma com uma possível prisão. Nash lembrou que a presença do astro entre os militares teve outro intuito e foi arranjada pelo Coronel Parker. “(Parker) negociou com o intuito de ser uma jogada de relações públicas, para fazer dele (Elvis) um garoto americano”.

O artista também se aventurou no mundo dos cinemas e participou de vários filmes, apesar de nunca terem sido grandes sucessos nas telonas. Há uma cena do longa em que Tom garante que Elvis se tornou o ator mais bem pago de Hollywood, mas não foi bem assim. Ele recebia salários de respeito para gravar algumas produções, justamente por conta de sua fama. Em 1965, por exemplo, ganhou US$1 milhão para gravar Feriado no Harém.

No entanto, três anos antes, Marlon Brando recebeu US$250 mil a mais para gravar O Grande Motim, e em 1963, Elizabeth Taylor ganhou a mesma quantia de Elvis para estrelar o clássico Cleopatra.

Ao decorrer do filme, Elvis Presley demite o Coronel em meio a um show em Las Vegas. Esse episódio até aconteceu na vida real, mas de uma maneira diferente. No espetáculo, ocorrido em setembro de 1973, Elvis destilou sua fúria contra Barron Hilton – dono da rede de hotéis homônima e que também era o proprietário do local em que ele teve que se apresentar por muito tempo.

O astro ficou insatisfeito ao saber que Hilton havia demitido um empregado do hotel com o qual simpatizava. Por conta do incidente, Parker teve uma discussão acalorada com Presley. Foi neste momento que o cantor, de fato, demitiu seu empresário – que foi recontratado após mostrar uma conta do que o cantor estaria devendo a ele.

Além disso, na produção, é revelado que Tom combinou esta série de apresentações no hotel como forma de bancar suas dívidas – afinal, ele perdeu muito dinheiro com jogos de azar. Na vida real, ele realmente se endividou desta forma ao longo de sua vida, mas Alanna Nash garante que os shows que Elvis fazia no hotel não tinham ligação com os problemas financeiros do empresário.

Como a caracterização em Elvis foi essencial

Para o desenrolar de toda a história, é necessário que os personagens tenham uma boa construção de imagem através de figurinos que complementem o roteiro. Com Elvis não seria diferente, principalmente por conta da responsabilidade em dar vida a uma persona lembrada não apenas pelas roupas e maquiagem, mas por uma história complexa, que passa por uma relação polêmica, por vezes violenta, e assistida pelo mundo em uma época com outro olhar em relação às estruturas do patriarcado.

Atender às expectativas do público era um dos maiores desafios que Shane Thomas, chefe de cabelo e maquiagem do filme, enfrentaria. Não só ele, mas também a equipe de figurino, com Catherine Martin e a participação de ninguém mais, ninguém menos que, Miuccia Prada. A designer italiana foi responsável por boa parte dos looks dos protagonistas através de suas duas empresas de roupas, Prada e Miu Miu, onde pode fezer esboços e desenhos para Austin Butler, que interpreta Elvis e para Olivia DeJonge, que interpreta Priscilla Presley.

[Imagem: Reprodução/Prada]

Além disso, a colaboração entre Miuccia Prada, Baz Luhrmann Catherine Martin é renovada depois que os três já deram vida às roupas para dois outros filmes do diretor: os de O Grande Gatsby, em 2013 , e o que Leonardo DiCaprio usou em Romeu+Julieta, em 1996.

Martin, figurinista quatro vezes vencedora do Oscar e criadora de roupas para a maioria dos filmes de Luhrmann -ambos são casados ​​desde 1997 e têm dois filhos – explicou que o centro da narrativa em Elvis é o amor lendário entre Elvis e Priscilla, destacando a beleza e o estilo icônico, justamente por ser um marco a cultura contemporânea. “Por isso, era importante para Baz e eu permanecermos fiéis ao seu verdadeiro legado, não simplesmente imitando as roupas da Sra. Presley, mas encontrando uma maneira moderna de conectar o público com seu estilo distinto e histórico”, afirma Catherine.

Priscilla é um dos pontos-chave da trama de Baz, afinal ela é um exemplo do que era a representação da estética e dos padrões de beleza norte-americanos em meados dos anos 60 e 70, abusando de cabelos volumosos, olhos bem marcados em delineados impecáveis, e até mesmo o formato das unhas. AFinal, nada é banal ou fútil quando se fala em narrativas cinematográficas.

Além disso, ela remonta a trajetória e as fontes de cultura negra das quais bebeu Elvis Presley. É por meio dela e do figurino que se marcam as passagens de tempo no longa. E, para o diretor, o visual dos personagens era tão importante quanto a história. “Baz tem muita certeza de como quer ver os personagens retratados. O meu trabalho era reproduzir sua visão junto de Catherine”, comenta Shane.

“Evitei replicar o visual dela. Priscilla é um pilar da cultura americana, então era muito mais sobre representá-la na frente das câmeras de forma respeitosa e homenagear seu status de ícone de beleza”, conta o beauty artist à Vogue Austrália. “Também precisei entender como trazer a beleza de Priscilla no rosto de outra pessoa; era sobre respeitá-la, mas também traduzi-la no rosto de Olivia DeJonge”.

[Imagem: Divulgação/Warner Pictures]

O início da história de Priscilla e Elvis é problemático, já que ela tinha apenas 14 anos quando eles se conheceram, e ele era 10 anos mais velho. A produção não retrata essa informação, mas, na ocasião, ela é representada como uma jovem esperta, porém sem grandes destaques em termos de elementos estéticos, sendo apenas uma garota comum.

Quando ela se casa com Elvis, em 1967, há um certo amadurecimento no estilo e o ícone começa a se consolidar. É como se ela tivesse, de fato, mergulhado na atmosfera que envolve uma estrela do rock. “Cilla usava uma maquiagem pesada. Eram três pares de cílios postiços em cima, além de cílios nas pálpebras inferiores e um super delineado”, comenta o expert, em entrevista ao POPSUGAR.

De acordo com o profissional, Olivia passava quase duas horas na cadeira de maquiagem todos os dias para chegar ao resultado visto nas telonas. E a parte mais complicada era acertar as sobrancelhas, já que, na vida real, Priscilla adorava mudá-las.

Além do olhar, não dá para falar da Presley sem lembrar do topete enorme, como aquele usado no casamento com o cantor. “Eu olhava para fotos e achava que aquilo era mentira”, entrega Shane. Para recriá-lo, ele lançou mão de duas até bater a altura. Em um segundo momento do filme, após a crise no casamento com Elvis seguida do divórcio, Olivia assume fios loiros, representados por quatro laces diferentes.

[Imagem: Divulgação/Warner Pictures]

Agora partindo para a estrela do rock and roll, além de bonito e talentoso, Elvis usava a estética de uma forma inteligente e consciente para se sobressair e construir uma imagem. A roupa passou a ser sua melhor aliada, compondo perfeitamente com seu cabelo e com os movimentos de seu corpo.

Para a obra, Austin Butler reviveu o cantor por meio do topete e da alfaiataria larga, que por muitas vezes não possui um gênero específico. O ‘estilo Presley’ inspirou muitos astros, como Bruno Mars, e grifes, como Versace e Cavalli.

A colaboração da Prada foi muito importante, principalmente nos ternos sob medida, em cores como marrom ou bordô, com lapelas largas e detalhes, como óculos escuros ou cintos coloridos. Já no caso da esposa, vestiu Miu Miu, com vestidos de chiffon, saias curtinhas, calças de campanha e paetês. Absolutamente tudo para ajudar a caracterizar os personagens sem cair no grotesco ou no disfarce.

Para as peças, os criadores se inspiraram em momentos específicos vividos por Elvis e Priscilla, como um macacão de paetês que ela usou em um show em Las Vegas, ou um vestido de lã que ela usou com uma jaqueta em um especial da NBC dedicado a Elvis, uma peça que, por exemplo, foi literalmente recriada.

A caracterização de Butler acontece até mesmo nos mínimos detalhes. O ator, que é loiro, tingiu o cabelo para a produção, mas também abusou de próteses e perucas. Ou até mesmo na maquiagem com os olhos esfumados – usados pelo cantor na vida real – tudo para contar sua jornada, da ascensão à decadência.

A música como ferramenta principal da obra

Elvis Presley é um nome imediatamente associado ao rock and roll. Não é atoa que ele é conhecido como Rei do Rock, sendo um dos maiores pioneiros do gênero, um verdadeiro símbolo da cultura dos Estados Unidos e de tudo que a engloba.

Hoje em dia, quando se fala do rock, o termo soa quase que obsoleto em seu significado mais literal. Existem pessoas gente vão dizer que, atualmente, o rap é o rock. Para outros, o rock realmente só cabe quando há uma banda, com guitarra, baixo e bateria. Mas também, há quem diga que o gênero não está ligado à música e sim à atitude.

Entender isso é, sem dúvidas, um dos grandes méritos do filme Elvis e de sua excelente trilha sonora, que não foi feita apenas para respeitar o legado de Presley, mas entender que é preciso se conectar com passado, presente e futuro, para conversar com todos os públicos que irão assistir a obra. Essa compreensão permite não apenas que a trilha seja uma das mais interessantes do ano, como também faz com que ela cumpra um papel fundamental em ressignificar a carreira do Rei do Rock, mostrando como a sua influência foi muito além do formato tradicional.

Um dos maiores exemplos disso isso é Vegas, faixa assinada por Doja Cat que usa um sample de Hound Dog. Famosa na voz de Elvis, a canção aparece em sua versão cantada por Shonka Dukureh e mostra como é possível construir algo totalmente diferente a partir de um grande clássico do ritmo.

Mais do que isso, a presença desse sample é uma homenagem as verdadeiras origens do rock – algo que, em vida, Presley sempre pareceu entender e respeitar, como foi retratado no longa de Luhrmann. O mesmo é válido para outras canções que trazem trechos de clássicos, como a ótima The King and I, de Eminem e CeeLo Green, que utiliza de Jailhouse Rock.

Da mesma forma, a presença de uma versão espetacular de Stevie Nicks e Chris Isaak para Cotton Candy Land é o pedido certo para quem esperava versões mais próximas das originais, sem contar as próprias mixagens especiais feitas para o filme de clássicos como I’m Coming Home, Suspicious Minds, Polk Salad Annie e muitas outras.

Também existe a versão de Can’t Help Falling in Love, assinada por Kacey Musgraves, sendo um ótimo exemplo de como essa trilha foi capaz de ‘traduzir’ as canções tão antigas para um contexto atual. E o mesmo vale para If I Can Dream, regravada pela banda italiana Måneskin.

Até agora, é possível entender o passado e o presente, mas e o futuro? Quando se trata de Elvis Presley, o futuro está sempre no presente – afinal de contas, o pioneirismo e a quebra de barreiras são marcas registradas do Rei do Rock, como ficou claro para qualquer um que tenha assistido ao filme.

Mas falar de futuro nesse ponto, é se permitir ir um pouco além nas hipóteses. É acreditar que, graças a uma trilha sonora como essa, algum fã de Doja Cat, de Eminem ou de Diplo, possa mergulhar de cabeça na história do rock.

Ao fim do filme, duas coisas permaneceram na memória. A primeira é como a decadência de um astro é aplaudida de forma cruel pelos próprios fãs, desde que o show business tomou conta da maneira como o ser humano consome a arte. De Kurt Cobain e Amy Winehouse, chama a atenção como essa sanha por testemunhar o fracasso, de vangloriar-se por estar diante da fragilidade de uma pessoa que não aguenta mais o peso do próprio talento. Por isso, ao longo de anos, milhares de pessoas compareciam semanalmente a Las Vegas para assistir à mais uma apresentação do Rei do Rock, por mais que seu corpo e sua voz pedissem socorro.

A segunda, é a frustração do cantor pelas inúmeras maneiras como seu empresário freou o processo de internacionalização de sua turnê, que acabou virando uma residência. Algo que a produção dá conta de esmiuçar e esclarecer as motivações pelo lado de Parker. Um apátrida viciado em jogo que fez de Vegas a prisão do homem mais famoso do mundo. Um desgaste que fez com que, em uma das cenas finais, o rosto e a voz de Austin Butler, tão bem no papel de Elvis Presley, revelasse um milionário de quarenta anos que se sente incapaz de sonhar, podendo ser uma tragédia aos olhos de qualquer um, ou um espetáculo pelo olhar de Baz Luhrmann.

E apesar de tudo isso, Elvis Presley não morreu e nem nunca morrerá, uma vez que ele vive através de suas obras que marcaram o mundo, e principalmente a indústria musical.

Confira os Indicados ao Emmy 2022

Nesta terça (12) a Television Academy anunciou os indicados a 74ª edição do Emmy Awards, apresentados pelos atores J.B Smoove e Melissa Fumero. Como grande novidade foi anunciada que a edição deste ano teve recorde de inscritos ao prêmio.

Succession (2018 – atualmente), com 25 indicações, Ted Lasso (2020 – atualmente), The White Lotus (2021), com 20 indicações cada, Hacks (2021 – atualmente) e Only Murders In The Building (2021 – atualmente), ambas com 17, formam o top 5 de produções mais indicadas ao prêmio. A HBO sai na frente na disputa, com três das cinco séries mais indicadas em seu catálogo: Succession, Hacks e The White Lotus.

A premiação ocorrerá dia 12 de setembro, e até o momento não foi anunciado nenhum apresentador.

Confira a lista dos indicados nas principais categorias.

SÉRIE DE COMÉDIA

  • Abbott Elementary
  • Barry
  • Curb Your Enthusiasm
  • Hacks
  • Maravilhosa Sra. Maisel
  • Only Murders in the Building
  • Ted Lasso
  • What We Do in the Shadows

ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Rachel Brosnahan (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Quinta Brunson (Abbott Elementary)
  • Kaley Cuoco (The Flight Attendant)
  • Elle Fanning (The Great)
  • Issa Rae (Insecure)
  • Jean Smart (Hacks)

ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Donald Glover (Atlanta)
  • Bill Hader (Barry)
  • Nicholas Hoult (The Great)
  • Steve Martin (Only Murders in the Building)
  • Martin Short (Only Murders in the Building)
  • Jason Sudeikes (Ted Lasso)

ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Alex Borstein (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Hannah Einbinder (Hacks)
  • Janelle James (Abbott Elementary)
  • Kate McKinnon (Saturday Night Live)
  • Sarah Niles (Ted Lasso)
  • Sheryl Lee Ralph (Abbott Elementary)
  • Juno Temple (Ted Lasso)
  • Hannah Waddingham (Ted Lasso)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Anthony Carrigan (Barry)
  • Brett Goldstein (Ted Lasso)
  • Toheeb Jimoh (Ted Lasso)
  • Nick Mohammed (Ted Lasso)
  • Tony Shalhoub (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Tyler James Williams (Abbott Elementary)
  • Henry Winkler (Barry)
  • Bowen Yang (Saturday Night Live)

SÉRIE DE DRAMA

  • Better Call Saul
  • Euphoria
  • Ozark
  • Ruptura
  • Round 6
  • Stranger Things
  • Succession
  • Yellowjackets

ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA

  • Jodie Comer (Killing Eve)
  • Laura Linney (Ozark)
  • Melanie Lynskey (Yellowjackets)
  • Sandra Oh (Killing Eve)
  • Reese Witherspoon (The Morning Show)
  • Zendaya (Euphoria)

ATOR EM SÉRIE DE DRAMA

  • Jason Bateman (Ozark)
  • Brian Cox (Succession)
  • Lee Jung-jae (Round 6)
  • Bob Odenkirk (Better Call Saul)
  • Adam Scott (Ruptura)
  • Jeremy Strong (Succession)

 ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

  • Patricia Arquette (Ruptura)
  • Julia Garner (Ozark)
  • Jung Ho-yeon (Round 6)
  • Christina Ricci (Yellowjackets)
  • Rhea Seehorn (Better Call Saul)
  • J. Smith-Cameron (Succession)
  • Sarah Snook (Succession)
  • Sydney Sweeney (Euphoria)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

  • Nicholas Braun (Succession)
  • Billy Crudup (The Morning Show)
  • Kieran Culkin (Succession)
  • Park Hae-soo (Round 6)
  • Matthew Macfadyen (Succession)
  • John Turturro (Ruptura)
  • Christopher Walken (Ruptura)
  • Oh Yeong-su (Round 6)

MINISSÉRIE

  • Dopesick
  • The Dropout
  • Inventando Anna
  • Pam & Tommy
  • The White Lotus

ATRIZ EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Toni Collette (A Escada)
  • Julia Garner (Inventando Anna)
  • Lily James (Pam & Tommy)
  • Sarah Paulson (American Crime Story: Impeachment)
  • Margaret Qualley (Maid)
  • Amanda Seydried (The Dropout)

ATOR EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Colin Firth (A Escada
  • Andrew Garfield (Under the Banner of Heaven)
  • Oscar Isaac (Cenas de Um Casamento)
  • Michael Keaton (Dopesick)
  • Himesh Patel (Station Eleven)
  • Sebastian Stan (Pam & Tommy)

ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Connie Britton (The White Lotus)
  • Jennifer Coolidge (The White Lotus)
  • Alexandra Daddario (The White Lotus)
  • Kaitlyn Dever (Dopesick)
  • Natasha Rothwell (The White Lotus)
  • Sydney Sweeney (The White Lotus)
  • Mare Winningham (Dopesick)

ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Murray Bartlett (The White Lotus)
  • Jake Lacy (The White Lotus)
  • Will Poulter (Dopesick)
  • Seth Rogen (Pam & Tommy)
  • Peter Sarsgaard (Dopesick)
  • Michael Stuhlbarg (Dopesick)
  • Steve Zahn (The White Lotus)

TALK SHOW

  • The Daily Show with Trevor Noah
  • Jimmy Kimmel Live!
  • Last Week Tonight with John Oliver
  • Late Night with Seth Meyers
  • The Late Show with Stephen Colbert

REALITY SHOW DE COMPETIÇÃO

  • The Amazing Race
  • Lizzo Procura por Mulheres Grandes
  • Nailed It
  • Rupaul’s Drag Race
  • Top Chef
  • The Voice

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[Crítica] Stranger Things é uma das melhores séries da atualidade mesmo com algumas ressalvas dessa quarta temporada

Após uma espera de praticamente três anos desde o último lançamento, Stranger Things retornou com a quarta temporada no final de maio, levando todos os fãs de volta a Hawkins para contar mais uma história sombria dos irmãos Duffer.

O primeiro volume possui 7 episódios muito bem construídos do início ao fim, ainda mais pelo tempo: a maioria ultrapassa uma hora, o último chega a uma hora e quarenta minutos. No dia 01 de julho, os dois últimos episódios foram liberados, que somados entre si dão quatro horas de duração e encerram esse arco, que até agora pode ser considerado um dos melhores.

Relembre um pouco do que aconteceu nas temporadas anteriores

O início da série se passa em 1983, em Hawkins, Indiana. O jovem Will Byers (Noah Schnapp) desparece e seus amigos, Mike (Finn Wolfhard), Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin (Gaten Matarazzo) decidem procurá-lo com a sua família e a polícia da cidade. Com isso, eles se deparam com uma série de eventos sobrenaturais e é nesse momento que eles começam a entender um pouco sobre o Mundo Invertido.

[Imagem: Divulgação/Netflix]

Nancy (Natalia Dyer), que é a irmã de Mike, Steve (Joe Keery), namorado de Nancy, e Jonathan (Charlie Heaton), irmão de Will, investigam por conta própria o que pode ter acontecido com o menino e Barb (Shannon Purser) – a melhor amiga de Nancy que é morta por um Demogorgon no início da história.

Nesse meio-tempo, aparece Eleven (Millie Bobby Brown), uma garota que tem superpoderes e não sabe muito sobre seu passado ou conviver em sociedade. No final, eles salvam Will, graças a um sacrifício de El, mas os problemas e a ligação do menino com o Mundo Invertido estão longe de acabar.

[Imagem: Reprodução/Netflix]

A segunda temporada avança para 1984, onde todos tentam seguir em frente após tudo o que rolou no ano anterior. Porém, uma nova ameaça aparece direto do Mundo Invertido para ameaçar os protagonistas, e além desse novo inimigo, também há uma nova personagem Max (Sadie Sink), que chega na cidade junto com seu irmão problemático, Billy (Dacre Montgomery).

[Imagem: Reprodução/Netflix]

Enquanto isso, o detetive de Hawkins, Jim Hooper (David Harbour), decide criar Eleven, que sobreviveu aos acontecimentos do final da 1ª temporada, e é nesse ano que aborda mais sobre seu passado, sua mãe biológica, que ficou viva, mas teve sequelas após enfrentar uma terapia de eletrochoque, e a existência de uma irmã, a Eight/Kali (Linnea Berthelsen).

Eleven fica escondida na cabana de Hopper e só Mike sabe que ela está lá. Cansada dessa realidade, ela foge e, quando volta, aprende a verdade sobre sua história. Depois disso, seus amigos enfrentam um Demodog e Eleven entende que precisa fechar de vez o portal para o Mundo Invertido.

No final, ela consegue destruir o Monstro das Sombras, que está conectado a Will e ameaçando a todos, e fica com Mike no baile da escola. Só que há uma vítima no meio disso tudo: Bob (Sean Astin), o novo interesse amoroso de Joyce (Winona Ryder). Ainda nessa temporada, Nancy termina com Steve e fica com Jonathan.

No terceiro ano da série, em 1985, o verão chega e um shopping novo na cidade de Hawkins também, deixando o amado grupo ainda mais sintonizado com sua juventude e com novos casais no ar. Aparecem cientistas russos como vilões tentando abrir um portão para o Mundo Invertido embaixo desse shopping, como revela Alexei (Alec Utgoff), um dos envolvidos nisso. Eleven descobre que o irmão de Max está possuído pelo Devorador de Mentes e, em uma futura batalha com o monstro, acaba sendo ferida e perdendo seus poderes.

Já no final da trama, Billy se sacrifica para proteger o grupo após El entrar em sua mente e o Hopper tenta destruir a máquina usada pelos russos para manter o portal para a outra realidade aberto mas é dado como morto. Eleven, então, vai morar com os Byers, que se mudam para a Califórnia.

Agora, nessa quarta temporada, é possível ver o que aconteceu com cada personagem e todo o mistério por trás de uma nova ameaça do Mundo Invertido: o Vecna, que marca suas vítimas através de um vínculo psíquico e as mata das formas mais tenebrosas e brutais, para se alimentar.

ALERTA DE SPOILER

[GIF: Reprodução/Giphy]

Ao longo de toda essa trama, foi possível ver três núcleos separados: Eleven, Will, Jonathan e Mike estavam na Califórnia; Joyce, Murray e Hopper na Rússia e os demais em Hawkins. Essa dissonância do grupo afeta um pouco a fluidez dos episódios, porque para conciliar tantas linhas narrativas simultâneas, Stranger Things opera na constante quebra de ritmo, ou seja, desenvolve uma situação e, assim que ela estoura, muda de núcleo em uma tentativa de manter a tensão sempre alta.

Durante a primeira parte, parecia que essa divisão entre os personagens não funcionaria em sintonia para salvar Hawkins e o mundo de Vecna, deixando os papéis de cada personagem um tanto quanto confusa. No entanto, o segundo volume acaba mostrando como todos esses enredos funcionam bem para a primeira conclusão desta ameaça de fim do mundo.

A protagonista Eleven ou Jane, vive um difícil período de adaptação nesta season. Apesar de seus esforços, a jovem sofre para se encaixar na escola e é constantemente vista como “a esquisita” por seus colegas de escola. Para piorar, ela está sem os seus poderes, passa pelo luto da morte de Hopper e lida com as saudades dos amigos e do namorado Mike. Porém, após um início movimentado nos primeiros episódios, a jornada de Eleven se torna mais solitária, no entanto poderosa, no final. Millie Bobby Brown consegue sustentar um núcleo inteiro praticamente sozinha, ditando os pontos de virada e provando que nasceu para interpretar esse papel.

Outro grande destaque da temporada, se não for o maior, é Sadie Sink, que volta à pele de Max. É possível acompanhar um lado da jovem nunca visto antes, o que está marcado pelo trauma e culpa. Reclusa de todos, Max passa por uma interessante jornada de reconexão consigo mesma e com os amigos, enquanto carrega um dos principais e mais emocionantes acontecimentos do quarto ano da série.

Ela é capturada por Vecna mas escapa ao som de Running Up That Hill de Kate Bush, música favorita da personagem. A crença de que a canção seria capaz de salvar Max, foi baseada em uma conexão astuta feita por Robin Buckley e Nancy Wheeler depois que uma das primeiras vítimas de Henry, seu pai Victor Creel, parecia ter sido salvo por ouvir Dream A Little Dream Of Me de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong.

No entanto, como Vecna ​​revelou na conclusão da primeira parte da quarta temporada de Stranger Things, a música não foi a razão pela qual seu pai, Victor, sobreviveu. Em vez disso, foi simplesmente porque que Henry ultrapassou os limites de seus poderes, o que o levou a entrar em coma antes que pudesse acabar com seu pai.

Isso não deve minimizar a importância da canção de Kate Bush para a sobrevivência de Max. Nancy descreve isso como “uma ponte de volta à realidade” e deve haver pouca dúvida de que ela estava certa. A música evoca memórias fortes que são boas e ruins, então faz sentido que ela pudesse abrir uma porta para fora da alienação opressiva de trauma, desespero e culpa em que Max se encontrava. Além disso, também faz sentido que se ela não tivesse memórias tão positivas e o amor de seus amigos para retornar, não haveria como escapar da maldição de Vecna.

É importante mencionar também Eddie e Argyle, os novos personagens incluídos nessa história. Ambos são completamente diferentes, um é viciado no jogo D&D e é metaleiro, e o outro um completo maconheiro entregador de pizza, mas os dois são um alívio cômico no meio de tantos acontecimentos.

Eduardo Franco, que interpreta o personagem Argyle, esteve presente no MTV Movie&TV Awards e declarou ser uma honra fazer parte de uma série de tanto sucesso. “Todo mundo do elenco, da produção foram maravilhosos e gentis comigo. Todos me receberam muito bem, é como se fosse uma família mesmo”, afirmou o ator.

Inclusive, mesmo Eddie sendo um novo rosto, ele protagoniza a melhor cena do segundo volume da série, onde sobe no topo do próprio trailer no Mundo Invertido com uma guitarra e um amplificador e toca Masters Of Puppets da banda de heavy metal Metallica para atrair os morcegos de Vecna.

O mais curioso dessa cena é que Tye Trujillo, filho do baixista da banda, Robert Trujillo, participou da quarta temporada gravando as faixas de guitarra utilizadas nessa versão. Além dele, o guitarrista do Metallica, Kirk Hammet, colaborou nas gravações.

Além da escolha da música refletir bem as características do personagem, que é fã de thrash metal. A letra de Master of Puppets combinou muito com Stranger Things. James Hetfield, líder da banda, fala da perda de controle e do uso de drogas na música, então os versos sombrios fazem jus a atmosfera ameaçadora do Mundo Invertido. “Master of Puppets lida com drogas. Como as coisas ficam de cabeça pra baixo, em vez de você assumir e fazer, as drogas controlam você” o vocalista afirmou sobre a faixa em entrevista à Thrasher Magazine.

Porém, infelizmente no final dessa trama o Eddie morre nos braços do Dustin, mas os fãs ainda não possuem 100% de certeza, talvez porque não querem acreditar ou porque não têm uma confirmação de fato. De qualquer maneira, isso é uma pena e que chega a ser revoltante, principalmente por ter sido um personagem inserido na penúltima temporada da série, onde foi muito bem desenvolvido e aceito por parte do público.

Uma das grandes surpresas do quarto ano da série, foi a junção de Nancy e Robin como uma dupla. As atrizes apresentam uma ótima sintonia e as personagens, surpreendentemente, se completam, rendendo cenas memoráveis. Já Steve e Dustin, voltam a chamar atenção por sua incrível e divertida dinâmica em conjunto.

Por outro lado, alguns personagens perdem completamente o destaque e ficam à deriva durante a narrativa. É o caso dos irmãos Byers, na qual é possível contar nos dedos quantas falas tiveram ao longo de todos os episódios. Mike e Lucas também não apresentam tanta relevância, mas ainda conseguem aparecer mais do que os primeiros.

O mais revoltante é que o Will saiu de personagem principal para um mero coadjuvante, e que o maior arco gira em torno do personagem ser gay e estar apaixonado por Mike. Já o Jonathan, foi reduzido a maconheiro e que até a trama entre ele e a Nancy que poderia ser explorada, foi deixada de stand by.

Apesar disso, Will protagoniza uma das cenas mais tocantes da quarta temporada. Sem qualquer ambição de grandiosidade, nem ameaça monstruosa pelo caminho, o adolescente demonstra toda sua coragem quando, de coração partido, aconselha Mike sobre seu relacionamento com a Eleven. E, como se suas lágrimas não fossem suficientes para dar conta da sua vulnerabilidade, os olhares furtivos de Jonathan pelo retrovisor denunciam o quanto dói no irmão mais novo estender a mão para seu melhor amigo dessa maneira.

Apesar disso, a direção consegue equilibrar melhor o tempo de tela dos núcleos, onde é possível identificar perfeitamente o motivo pelo qual eles estão separados, como é o caso de Joyce e a Rússia. A história flui em um bom ritmo e se mostra mais madura em relação às outras temporadas. Ao mesmo tempo, referências aos anos anteriores estão mais presentes, assim como pontos narrativos que se conectam com o início da série.

Como é o caso do grande vilão da temporada, Vecna. Ele vem do jogo de RPG Dungeons & Dragons, citado na série desde a primeira temporada. No game, ele é uma criatura que usa um tipo proibido de mágica para se tornar imortal, e é quase isso que Stranger Things mostra. Na série, o monstro se torna ainda mais forte a cada humano que mata. A escolha de suas vítimas, no entanto, não é aleatória. Vecna prefere possuir pessoas que passaram por algum evento traumático e estão vulneráveis emocionalmente, e as tortura com memórias dolorosas antes de acabar com suas vidas.

Voltando a D&D, no jogo Vecna nasceu humano séculos atrás, e sua mãe, Mazzell, foi executada por praticar feitiçaria. Então, em busca de vingança, Vecna se tornou um mestre das magias obscuras, chegando a um nível em que nenhum outro mortal havia alcançado. Em Stranger, os adolescentes começaram a comparar o monstro do Mundo Invertido com Vecna, devido aos seus poderes e pela aparência. Tão poderoso quanto o personagem do jogo, o Vecna de Hawkins é mais perigoso que o Demogorgon, mais complexo de se entender e mais difícil de ser combatido.

Não é só no RPG que Vecna tem um passado traumático com a família. Na série, se descobre que o monstro é Henry Creel, agora conhecido como Peter. O personagem, interpretado por Jamie Campbell, foi uma criança que demonstrava comportamentos estranhos. Com isso, sua mãe buscou ajuda profissional para tratar sua “natureza perturbada” e ele não gostou nada disso. Henry começou a usar seus poderes, primeiramente, para matar animais, até acabar matando a própria família. Victor Creel, o pai, foi o único sobrevivente para poder carregar a culpa pelos crimes.

Também é revelado a origem dos poderes de Eleven, mostrando que Henry, agora Peter, é o paciente 001 dos experimentos do laboratório de Hawkins. Levado à força para lá, Martin Brenner usou o sangue de Henry para criar outras crianças com os mesmos poderes. Para isso, no entanto, precisaria suprimir suas habilidades com a ajuda de um dispositivo implantado em seu pescoço.

Ao longo de todos esses anos, Peter esteve no laboratório de Hawkins auxiliando Brenner nos experimentos, quando descobriu que Eleven era tão poderosa quanto ele. Então, nos flashbacks de 1979 no episódio 7, O massacre no laboratório de Hawkins, os fãs podem ver que ela foi manipulada por Peter e acabou removendo o dispositivo que controlava seus poderes.

Então, Henry provoca um massacre no laboratório, matando as crianças e funcionários da instalação, mas é detido por Eleven, que acaba abrindo o portal para o Mundo Invertido e empurrando ele para lá. Ao cair, ele é queimado por um raio e se transforma em Vecna, o que é comprovado com a marca 001 no pulso.

É inegável como Jamie, que já tem grandes nomes no currículo, como Caius Vulturi em Crepúsculo, Jace em Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos e Gellert Grindelwald em Harry Potter, se sobressaiu fazendo o Vecna. Em entrevista a Vanity Fair, o ator declarou que não enxerga necessariamente o seu personagem como um vilão.

“Eu sou capaz de vê-lo como um vilão? Eu certamente sou capaz de vê-lo como um ponto de conflito”, afirmou. “Mas em termos de, tipo, ele é mau ou [é um] vilão? Quero dizer, eu o entendo e o amo. E eu me relaciono com ele. Fiquei com os olhos lacrimejados ao dizer isso – talvez eu devesse calar a boca! Tipo, eu o entendo, então sempre estarei do lado dele”. Ele ainda acrescenta que: “Acho que ainda há um nível de humanidade nele, mesmo onde ele está agora, mas acho que a humanidade dele estar onde está agora é um fato com o qual posso me relacionar. Tenho certeza que todos nós podemos.”

Com um aspecto bizarro, Vecna tem uma aparência tétrica, que até mesmo fez Millie Bobby Brown chorar quando viu o ator caracterizado. Em conversa com The Verve, Barrie Gower, designer de próteses e maquiador, revelou que o personagem foi feito à base de efeitos especiais e muito lubrificante.

“No dia [da filmagem] ele tem que estar superviscoso, então usamos produtos como lubrificante K-Y. Também usamos um produto chamado UltraWet, um gel transparente, que passamos em todo o corpo dele”, declarou ele. “É o tipo de coisa que, no set, se você colocava a mão no ombro dele, você se arrependia porque ficava todo melecado”, enfatizou Barrie.

O perfil oficial da Netflix compartilhou um vídeo que mostra a impressionante transformação de Jamie Campbell Bower no poderoso vilão da 4ª temporada de Stranger Things. O processo, que inclui a aplicação de diversas camadas de tecido e maquiagem no rosto e no corpo do ator, impressionou os internautas.

Além disso, a caracterização dos personagens carrega um estilo oitentista em seu auge, onde os penteados e figurinos tentam rejuvenescer o elenco, mas não é com todos que consegue. No entanto, tudo não se torna um mero detalhe assim que adentra a nostalgia da série. Os produtores da série reveleram algumas características sobre os looks, que vão desde tênis personalizados da Converse, até referências a nomes como o cantor britânico David Bowie e o filme Grease – Nos Tempos da Brilhantina.

Nessa temporada, Natalie Dyer fez uma permanente mas também usou uma peruca parcial para chegar ao visual de Nancy. Já Mike, deixou o cabelo crescer para ficar parecido com Eddie, em quem se inspira, mantendo um pouco mais comprido atrás e com camadas curtas.

Para os cenários da Califórnia nessa temporada, a figurinista Amy Parris usou diversas referências visuais, como a Thrasher Magazine, Skateboard Magazine, Surfer Magazine, além de anuários reais de escolas do ensino médio americano.

A equipe de figurino colaborou com a Quiksilver para criar o visual tipicamente californiano de Argyle: os tênis do personagem foram customizados pela Vans, e ele usa meias tie-dye igualmente customizadas. O figurino de Mike na Califórnia também foi feito pela Quiksilver, com o intuito de combinar com as roupas do personagem de Eduardo Franco.

O visual de Jonathan nessa season foi influenciado pelo Argyle e pelas atividades extracurriculares que eles fazem juntos. Consequentemente, ele está usando estampas mais psicodélicas. Já para o visual dos alunos do Colégio Hawkins, a Converse fez tênis personalizados em três cores para combinar com a paleta da escola.

No capítulo 4 dessa quarta temporada, a roupa da Robin parece que saiu do armário da Nancy e foi inspirada por catálogos antigos da coleção primavera-verão da Sears, Montgomery Ward e JCPenney em 1986.

Originalmente, os irmãos Duffer queriam que o cabelo do Eddie fosse parecido com o penteado clássico do David Bowie como Jareth em Labirinto – A Magia do Tempo, mas a equipe responsável pelos cabelos dos atores baseou o visual final em Ozzy Osbourne e outros integrantes de bandas famosas dos anos 1980.

E por fim, o penteado de Chrissy foi inspirado na personagem de Olivia Newton-John chamada Sandy em Grease – Nos Tempos da Brilhantina, no estilo líder de torcida americana, mas com franjas bem anos oitenta.

A fotografia de Stranger Things sempre foi bastante mutável e na quarta temporada isso não foi diferente. A depender do contexto de cada cena, a iluminação transita entre o claro e o escuro, também dando bastante destaque para a cor vermelha no mundo de Vecna. As transições do mundo real para o mundo invertido também acontecem e apresentam um bom jogo de câmeras.

Como foi dito anteriormente, a trama se divide entre núcleos diferentes, portanto, a cenografia é intercalada entre a Califórnia, Hawkins, a Rússia e o Mundo Invertido. São muitos os cenários que carregam a história neste ano, entre novos e já conhecidos, mas o destaque vai para a mansão que habita Vecna. O local é cheio de detalhes e uma importante peça para a narrativa, que inclusive por fora, lembra um pouco da casa do filme A Casa Monstro.

A trilha sonora da série também é um grande marco e que trouxe boas posições nos charts. A música de Kate Bush, Running Up That Hill por exemplo, na época de lançamento alcançou a posição mais alta do Hot 100 da Billboard da carreira da cantora, com um 30º lugar. Mas a série da Netflix mostrou o poder de uma plataforma de streaming, levando a música à 1ª posição do ranking no Spotify. Agora, a canção do Metallica, Masters Of Puppets, é a próxima a atingir bons lugares nas paradas musicais.

Outra música dessa quarta temporada que caiu no gosto do público foi Pass the Dutchie, do grupo Musical Youth. A trilha de Argyle e Jonathan, alcançou o 9º lugar no ranking da Apple Music. Além disso, embala vários vídeos divertidos nas redes sociais.

Mas não são apenas esses três sucessos resgatados. A quarta temporada também trouxe o hit da banda The Beach Boys, California Dreamin e Detroit rock city, do KISS. Afinal, Stranger Things aposta na nostalgia para conquistar o público, inclusive aqueles que nem viveram nos anos 80, e essa fórmula se repete desde a primeira temporada.

Quais as pontas soltas?

Com os dois episódios finais da quarta temporada de Stranger Things, muita coisa foi respondida mas algumas situações ainda ficaram pendentes para o grande final da série. Como prometido pelos criadores, os irmãos Duffer, a temporada não terminou com tudo resolvido, muito pelo contrário. O maior desafio de todos foi anunciado, e a próxima temporada precisa dar um jeito para resolver tudo o que ficou para trás, mas já foi confirmado que a produção terá um salto temporal.

Max morre?

Depois de ter escapado da morte por muito pouco, Max encerra a temporada em uma cama de hospital em coma. Além disso, parece que ela não está dentro de sua mente, que Eleven encontrou vazia. Então, fica um questionamento de que talvez ela esteja presa dentro da mente do Vecna e se ela vai ficar sem enxergar ou andar.

[Imagem: Reprodução/Twitter]

O que vai acontecer com Hawkins?

A season encerra com as quatro mortes causadas por Vecna abrindo portais que permitiram que o Mundo Invertido invadisse Hawkins. As partículas começaram a cair lentamente e a matar a vegetação que encontravam pelo caminho, então resta saber se os civis que sobreviveram continuarão por lá mesmo ou se a cidade abrigará apenas algumas pessoas, além dos protagonistas e possivelmente agentes do governo.

Vecna vivo

Vecna apesar de ter ficado bem ferido com o ataque de Nancy, Robin e Steve, conseguiu fugir e, muito provavelmente, passará estes anos do salto temporal reunindo forças a fim de concretizar seu plano de uma vez por todas. A não ser que um novo personagem poderoso seja introduzido, Eleven é a única capaz de enfrentar Henry frente a frente.

[Vídeo: Reprodução/Twitter]

Nancy, Jonathan e Steve

A relação de Nancy e Jonathan sofreu bastante com a distância física e emocional entre os dois. A diferença de planos do casal pode acabar terminando com o relacionamento, enquanto Steve está pronto para levar uma vida de família com Nancy e seus seis futuros filhos.

Will e a ligação com o Mundo Invertido

Os criadores da série já confirmaram à Collider que Will terá um grande foco na última temporada da série, o que faz sentido já que no final do nono episódio, é possível ver o personagem se arrepiando devido a ligação com o Vecna. É importante lembrar que a conexão entre ele e o Devorador de Mentes foi estabelecida na 1ª temporada, antes de ser resgatado do Mundo Invertido. Alguns fãs já estão especulando que como tudo começou com ele, faz sentido toda essa história ser finalizada com ele também.

Stranger Things continua encontrando mais força nos indivíduos e menos na jornada. A fórmula dos Irmãos Duffer funciona e entretém justamente porque eles amam seus personagens, fazem todo mundo amar seus personagens e gostam de permanecer o máximo possível em seus conflitos e emoções. Também ajuda bastante quando há consequências brutais, como no último episódio – e é de se esperar que os criadores tornem o impacto permanente.

A escala do seriado só tem aumentado, com a produção dando um show visual cada vez maior, seja esteticamente, seja cinematograficamente. Por mais desnecessariamente extenso que seja a finalização da quarta temporada, é impossível negar que foi o ano mais épico e macabro da série, mas, como sempre, mantendo o lado humano que torna a obra tão empática e divertida de acompanhar.

De uma série de mistério ao tom de terror, o seriado caminha para o seu desfecho carregando uma legião de fãs consigo. Dá para ter uma noção do que esperar do fatídico quinto ano, se considerar que apenas dois episódios foram tratados como um verdadeiro evento da cultura pop de 2022. É possível aguardar uma sequência com toda qualidade e potencial que trouxeram até aqui. Principalmente quando a promessa é grande demais para se esperar tanto.

Lindsay Lohan: The Rise, The Fall and The Comeback

Umas das atrizes mais icônicas dos anos 2000, Lindsay Lohan era considerada a próxima estrela de sua geração. Atuações aclamadas e sucesso repentino, Lohan tinha tudo para ter uma longa carreira: o que aconteceu? Quem (ou o quê) deve-se culpar pela queda de Lindsay? Sua família; a indústria; más companhias; drogas ou talvez uma combinação de todos esses fatores? 

Apesar de termos crescido vendo Lindsay nas telinhas, éramos novos demais para entender todas as polêmicas e escândalos que levaram a atriz prodígio a clínicas de reabilitação e um hiatus de trabalho que durou até esse ano, 2022. Hoje, no seu aniversário de 36 anos, fizemos um deepdive na carreira e vida pessoal de Lohan, assim como também aguardamos ansiosos pelo retorno da atriz na Netflix em dezembro deste ano.

THE RISE

O começo

Nascida em 1986 em Nova York, Lindsay cresceu em Merrick e em Cold Spring Harbor, ambas no estado de Nova York. Sua história familiar não era ótima: seu pai Michael foi preso por insider trading quando ela tinha apenas três anos, além do notório vício em drogas que ele mantinha. Seus pais se separaram e voltaram algumas vezes, e Michael continuou a assombrar a vida de Lindsay à medida que ela ficou rica e famosa. A mãe de Lindsay, Dina, também acusou Michael de violência doméstica e disse que isso afetou a filha. Sobre sua infância com seu pai, Lindsay disse para o Irish Examiner:

“Ele fez eu e minha mãe e os pais de minha mãe passar pelo inferno – desde ameaças de morte, a jogar sapatos na cabeça do meu avô e causá-lo uma concussão, a ameaçar a matar minha mãe na frente do meu irmão mais novo, Dakota.” “Eu cresci muito rápido por causa das situações a que fui submetida pelo meu pai. Minha mãe tentava me proteger daquilo o máximo possível, mas eu escolhi ficar no meio dos meus pais minha vida toda.”

Em meio a uma vida turbulenta, Lindsay e seus irmãos foram estimulados desde cedo a trabalharem. Aos três anos, em 1989, Lohan assinou contrato com a Ford Models, sendo a primeira modelo ruiva da agência. Nessa época ela apareceu em diversos comerciais, sendo um deles para a grife Calvin Klein. 

Aos dez, ela já atuava em uma novela chamada Another World, e foi aqui que ela foi descoberta pela Disney. Operação Cupido estreou em 1998 e obteve grande aclamação da crítica. Lindsay foi elogiada pela sua atuação e se tornou a nova promessa de Hollywood. Apesar de ter assinado um contrato de mais três filmes com a Disney, além de entrar para o elenco de um seriado com Bette Midler, ela decidiu voltar para casa para ser uma criança normal. Enquanto isso, Life Size (2000) e Get a Clue (2002) foram lançados.

Lindsay na première de Operação Cupido, em 1998

Lindsay x Hillary

Aqui se iniciam as famosas polêmicas que alimentaram os tabloides por anos: a briga Lindsay Lohan x Hillary Duff. Tudo começou com um garoto chamado Aaron Carter (irmão do Nick Carter do Backstreet Boys). Carter namorava Duff na época, até que no aniversário de dezesseis anos de Lohan, ele decide trocar Duff pela aniversariante. Isso apenas colocou mais lenha na fogueira da competição que a mídia criou entre as duas atrizes.

Em 2003, Freaky Friday estreou e foi mais um hit para Lindsay. Nesse filme ela contracena com o queridinho Chad Michael Murray, que depois também fará parte dessas polêmicas. No mesmo ano, Lindsay e Carter terminam e ele volta correndo para Duff. Em julho, no famoso shooting da Vanity Fair com as atrizes mais populares daquela geração, Hillary aparece com Carter, causando incômodo em Lindsay, fazendo com que o shooting fosse pausado por diversas horas. 

Vanity Fair (2003)

Na première de Freaky Friday, Hillary leva Chad Michael Murray como seu acompanhante, apenas servindo de combustível para os sites de fofoca. A fim de devolver na mesma moeda, Lindsay aparece na premiére de Doze É Demais, estrelada (entre alguns protagonistas) por Hillary Duff. Os boatos são de que Duff ficou tão chateada com a presença de Lohan, que ela ou sua mãe pediram para expulsarem Lindsay.

Essa confusão continuou a se perpetuar por mais alguns anos, com rumores de que Lindsay havia ganhado o papel de Confessions of a Teenage Drama Queen ao invés de Hillary e a ideia de que Duff era a all american good girl e Lohan a má influência. Nessa época, aos dezessete anos, Lindsay já estava começando a sair em baladas com pessoas mais velhas como Nikki e Paris Hilton e Nicole Richie, que tinham reputação de serem party girls, abusarem de drogas e se envolver em polêmicas. Também não foi nada bom para a imagem de Lindsay seu namoro com o ator sete anos mais velho Wilmer Valderrama.

O auge e as drogas

Apesar de tudo, ela não poderia estar indo melhor. Em 2004, Mean Girls chega às telonas, solidificando Lindsay como uma estrela. Ela chega num patamar onde nenhuma outra pessoa de sua idade havia chegado. 

Lindsay apresenta o Saturday Night Live, grande marco de sucesso para celebridades americanas, e nele se “reconcilia” com Duff em uma cena parodizada. No mesmo ano, ela aparece na People Magazine na lista dos 50 mais bonitos, apresenta o MTV Awards e sai na capa da Vanity Fair. Ainda em 2004, seu pai é preso de novo, aumentando a atenção em Lindsay. Ela assina contrato com a Casablanca Records para seu primeiro álbum de estúdio e recebe 7.5 milhões de dólares por Herbie: Meu Fusca Turbinado (2005), algo fora dos padrões para atrizes da sua geração.

Pouco tempo depois, Lohan é internada por infecção no rim, devido desidratação por estar trabalhando demais e perde seis quilos, fato que a afetará no futuro. O álbum é adiado e Lindsay e Wilmer terminam, alegando que ela era muito nova e que o relacionamento estava indo rápido demais. Os rumores de que Lindsay era usuária de drogas só aumentam a partir disso. 

Fotos dela com amigas de infância supostamente fumando maconha vazam na internet, e em uma de suas saídas com Hilton, ela perde sua bolsa. A pessoa que encontrou a bolsa diz ter visto saquinhos com cocaína dentro, mas o agente de Lohan desmentiu e o rumor morreu ali. Nas gravações de Just My Luck (2006), relatos de que Lindsay frequentava todas as festas em New Orleans e chegava de ressaca nos sets do filme só aumentavam. Em 2013, o pai de Lindsay conta para o The Sun UK que Lindsay havia tido uma overdose por cocaína durante as filmagens:

Documentos encontrados na bolsa perdida de Lohan

“Lindsay estava filmando em New Orleans e recebi uma ligação dizendo que ela havia tido uma overdose por cocaína.” “Um de seus assistentes havia lhe dado a droga. Eu estava tão bravo que peguei uma arma de casa e planejei ir para New Orleans matá-lo.”

THE FALL

O começo do fim

Após aparecer super magra em uma festa da Cartier, a imprensa só falava sobre Lindsay. Revistas vendiam a “dieta de Lindsay”, outras condenavam seu peso. Existia até um site que dizia arrecadar comida para ela. Anoréxica, drogada e viciada em cocaína eram os apelidos mais usados. 

Durante isso, seu pai era preso de novo, significando mais atenção dos paparazzi e manchetes ruins. Em junho, fugindo dos paparazzi, ela bate o carro e os tabloides a acusam de ser irresponsável e querer tirar a atenção da mídia sobre a prisão de Michael. São incertas essas acusações, pois o abuso de paparazzi nesta época era absurdo, levando uma lei ser criada em Los Angeles que proíbe paparazzi de seguir carros.

Enquanto as polêmicas rolavam, Lindsay tentava se provar como atriz séria em um filme novo, A Última Noite (2006), ao lado de Meryl Streep e Woody Harrelson. Lohan queria se desvencilhar da imagem infantil, ao mesmo tempo que fazia parceria com a Mattel, lançando sua boneca própria. Mais tarde, ela se envolve em mais um acidente de carro, com pouca repercussão na mídia.

Lindsay pinta o cabelo de preto e começa as gravações de Chapter 27 (2007) com Jared Leto, sobre o assassinato de John Lennon. Em dezembro lança seu segundo álbum A Little More Personal (e realmente era), que mais uma vez recebe críticas ruins, apesar de músicas sentimentais como Confessions of a Broken Heart (Daughter to Father). Na mesma época vaza a famosa lista dos “36 lucky fellas”, nomes dos homens famosos com quem Lindsay teria dormido.

Sua imagem continua a ficar mais suja depois de faltar uma entrevista por suposta intoxicação alimentar, mas depois ser vista no MTV TRL Awards. No ano seguinte, ela causa barraco no evento Man of the Year da GQ e no mesmo mês é vista saindo com Kate Moss (notória por seu vício em pó), que estaria a guiando para um bom caminho. Não muito tempo depois, o Daily Mirror denunciou os vícios de Kate em cocaína, então duvidamos que quão bom esse caminho era.

Lindsay x Paris, a carta e mais polêmicas

Em fevereiro de 2006, ela sai na capa da Vanity Fair, onde assume ter usado drogas e leva a mídia a confirmar que a sua magreza era devida a abuso de drogas. Em maio Just My Luck estreia e Lindsay recebe sua primeira indicação ao Framboesa de Ouro por Pior Atriz, e mais uma vez seu filme não decola (apesar de ser um dos meus guilty pleasures). Apesar disso, recebe boas críticas pelo seu filme com Meryl Streep, mas a imprensa não presta atenção devido a uma richa com Paris Hilton causada por ex namorado Brandon Davis. Davis logo depois vai para a reabilitação tratar seu vício por cocaína, enquanto Paris e Lohan continuam brigando. No CFDA Awards, Anna Wintour supostamente teve que pedir para Karl Lagerfeld controlar sua convidada (Lindsay), que foi ao banheiro várias vezes para “retocar a maquiagem”. 

Em seu aniversário de vinte anos, ela conhece Harry Morton, que se torna seu namorado. Aqui ela começa a gravar Georgia Rule (2007) com Jane Fonda, e as notícias de suas festas constantes, ressacas e inconstância cresciam. Lindsay é internada por “exaustão por calor” (aqui em aspas, porque essa desculpa parece ser usada várias vezes pela equipe de Lindsay quando querem encobrir seu uso de drogas) e as coisas vão de mal a pior. O CEO da produtora, James G. Robinson, escreve uma carta denunciando os maus hábitos de Lindsay e os danos que ela causou à produção do filme.

Isso prejudicou sua carreira de forma irreparável, pois agora nenhum estúdio queria se arriscar a contratar Lindsay. Ninguém poderia confiar mais nela, e talvez isso tenha sido um breve wake-up call. Após esse evento, ela começou a chegar mais no horário das gravações e assumiu mais responsabilidade.

Ainda no mesmo ano, Lindsay perde uma bolsa Birkin com um milhão de dólares em jóias no aeroporto de Heaththrow, ao mesmo tempo que ela e Harry terminam. Em novembro, é vista com um um pin de 90 dias de sobriedade do Alcoólatras Anônimos, enquanto ela ainda era menor de idade (maioridade nos Estados Unidos é de 21 anos). Pouco tempo depois, Paris é vista com Harry e recebemos o grande momento da cultura pop, em que Lindsay diz “Paris is a cunt”.

Rumores de que ela havia tido uma overdose e foi ressuscitada por um médico surgem, mas nunca foram confirmados. Lindsay aparece em vídeo dizendo que Paris bateu nela e quase em seguida, a famosa foto de Lindsay, Britney e Paris acontece. A foto foi totalmente um golpe de publicidade e Paris depois disse que Lindsay era uma drogada e que não era mais bem-vinda. Apesar disso, o assistente de Lindsay vai a público dizer que ela está no AA há um ano.

Fall from grace

Em 2007, Lindsay é vista chorando em corredor de hotel depois de levar um fora do James Franco (pelo amor de Deus) no Globo de Ouro. Ela se interna em uma clínica de reabilitação para ficar longe dos paparazzi. Pouco depois, ela é acusada por uma modelo de ter roubado milhares de dólares em roupas, com fotos de mensagens de textos (mundo pré print) contendo muita baixaria.

No mês de maio, uma amiga de Lindsay vaza um vídeo dela cheirando cocaína no banheiro de uma festa, essa é a primeira evidência concreta do seu uso de drogas. Após a festa do Memorial Day de Nicole Richie, Lohan é vista com Samantha Ronson, alimentando rumores de que estavam juntas. Em uma festa no dia seguinte, Lindsay bate o carro (de novo) e surgem essas fotos icônicas. Logo depois, Lindsay vai para reabilitação (de novo).

Lindsay sai da clínica e pouco tempo depois volta para a rotina de festas, fazendo a mídia questionar sua sobriedade. Tabloides diziam que ela colocava vodka em garrafas de água e trocava cocaína por MD. Ela é vista festejando a noite toda e usando a tornozeleira de sobriedade durante o dia tomando sol. Nessa semana aconteceu um acidente em uma festa com suas assistentes. Após ser flagrada bebendo, ela briga com o namorado de sua assistente, pega o carro e sai correndo. Aqui, Lindsay é presa pela segunda vez por dirigir sob influência. Ela vai para a reabilitação de novo e admite culpa pelo uso de drogas.

O ano é 2008 e Lindsay é capa da NY Magazine, canalizando o ícone Marilyn Monroe. Ela faz aparição especial em Ugly Betty, mas teve seus episódios reduzidos por não ter se dado bem com a protagonista, America Ferrera. No mesmo ano, lançou uma marca de roupas chamada 6126, que vendia leggings de grife. Apesar disso, os tabloides só falavam sobre seu namoro com Samantha, e as especulações sobre sua sexualidade aumentaram (em 2013, Lindsay disse que é héterossexual). Em abril, elas terminam.

Em agosto sua casa é assaltada pela mesma gangue de adolescentes que furtaram a casa de Paris Hilton e Orlando Bloom. Você deve achar essa história semelhante com a de The Bling Ring (2013) dirigido por Sofia Coppola, e é porque o filme foi baseado nisso.

A Bling RIng da vida real

(Mais) problemas com a justiça

Em outubro, sua liberdade condicional concedida após sua prisão é estendida para ela completar um programa de educação sobre uso de álcool, que ela ainda não havia feito. Já em 2010, Lindsay estava em Cannes. Ela não comparece ao tribunal para responder sobre as aulas do tal programa, ela alega terem roubado seu passaporte. Apesar das desculpas esfarrapadas, o juiz intima ela a não beber mais, a fazer testes de drogas toda semana e usar mais uma tornozeleira de sobriedade. Lohan paga fiança e sai. Na próxima audiência, ela recebe 90 dias por não ter completado o programa e nem os encontros no AA. Ela se entrega e serve apenas duas semanas, devido a superlotação, e pode ficar em condicional.

Lindsay tuita que está se responsabilizando por seus atos e fazendo testes de drogas toda semana, mas que testou positivo para anfetaminas (provavelmente Adderal) no sangue. Uma semana depois, ela perde a condicional e é presa de novo, mas na mesma noite recebe fiança, mais uma tornozeleira e vai para a reabilitação. Nesse meio tempo, fotos de Lindsay supostamente usando heroína são vazadas.

Em 2011, Lindsay sai da clínica e é pega roubando um colar. Ela é acusada e recusa acordo, pegando 120h em serviço comunitário por violar a condicional e o roubo vira contravenção. Em abril, ela fica 5h na cadeia, saindo depois de pagar fiança. Admite culpa pelo colar, ganha mais horas de serviço comunitário, uma tornozeleira eletrônica e fica em casa (dando festas). Seu novo filme ao lado de Robert DeNiro, Machete, estreia, mas Lindsay legalmente não pode promover o filme. Em outubro, ela perde a condicional (de novo) por não cumprir os serviços comunitários, é presa por 2h e sai por fiança. Lindsay deve servir 30 dias e completar o serviços.

Após as diversas prisões, Lindsay parece estar retomando o controle da sua vida. Aparece no SNL mais uma vez, fazendo graça de si mesma, e aparecendo em Glee (mais rumores dela ser uma diva). Ela começa a gravar o filme Liz and Dick (2012) e em junho bate o carro (de novo) e é internada por exaustão por calor (de novo). Em um final de semana na casa de sua mãe, Lindsay liga histérica para seu pai, dizendo que sua mãe estava drogada em cocaína (a ligação foi vendida para imprensa pelo próprio pai).

Lindsay é presa mais uma vez por socar uma mulher em uma balada, mas acaba saindo impune. No fim de 2012, a IRS (Receita Federal dos EUA) apreende todas as contas bancárias da atriz, devido a mais de 200 mil dólares que Lohan devia em impostos ao governo desde 2009. Enquanto ela gravava Scary Movie 5 (2013), Charlie Sheen supostamente pagou 100 mil dessa dívida para ela. O resto, segundo a imprensa, foi pago por três bilionários com quem Lindsay saiu: o Príncipe Abdulaziz da Arábia, o hoteleiro Vikram Chatwal e o artista Domingo Zapata.

No ano seguinte, 2013, Lindsay vai para o tribunal por ter batido o carro (de novo) e pega 90 dias de reabilitação e terapia mandatória. Em agosto ela é entrevistada pela Oprah, e anunciam uma série documental sobre a vida dela. Em 2014, a série é lançada e nela, Lindsay diz que Oprah salvou sua vida, além de revelar que havia sofrido um aborto espontâneo. Apesar de várias cenas chocantes, a série não fez sucesso. Mais tarde no ano, ela se muda para Londres e cria um aplicativo chamado Lindsay Lohan: The Price of Fame.

Em 2015, Lindsay está finalmente fora da condicional depois de oito anos, além de ter contratado um novo agente. Ela começa um namoro com o herdeiro russo Igor Tarabasov em 2016, noivando depois de cinco meses e terminando depois de quatro meses depois do noivado. Lindsay diz que Igor a traiu, mas não se tem certeza. Em uma ocasião, a polícia quebra a porta de sua casa após ouvirem gritos de Lohan dizendo que Igor estava a estrangulando, nenhum boletim de ocorrência foi feito.

A fatídica mudança para Dubai acontece em 2017, e aqui Lindsay se afasta um pouco dos tabloides. Durante o infeliz julgamento de Harvey Weinstein, Lindsay defende o abusador e causa polêmica na internet. A atriz Rose McGowan disse:

“Por favor, vão com calma com Lindsay Lohan. Ser uma estrela infantil transformada em sex symbol muda sua cabeça de formas que vocês não compreendem.”

A última polêmica de Lindsay foi em 2018, quando ela fez uma live no Instagram gravando uma família de moradores de rua e querendo levar eles para a casa. A atriz foi acusada de tentativa de sequestro e preocupou seus fãs pelo comportamento.

THE COMEBACK

A Renascença de Lohan

Em 2019, Lindsay lançou um show na MTV chamado Lindsay Lohan’s Beach Club, mas desapontou quem assistiu pois ela não aparecia no show. Ela modelou um pouco, participou do The Masked Singer, fez as reuniões de elenco de Mean Girls e Operação Cupido. Em 2020, Lindsay lança sua primeira música em anos, Back to Me.

Lohan disse no podcast de sua mãe, THE OG MAMA D!, que estaria pensando em voltar para os Estados Unidos e retomar sua carreira. Em 2021, essa vontade vira verdade e Lindsay anuncia contrato de dois filmes originais da Netflix, um sendo lançado em dezembro desse ano, chamado Falling for Christmas. Ela também anuncia, em abril de 2022, seu próprio podcast The Lohdown, disponível em todas as plataformas. No mesmo mês, Lindsay participa do vídeo My Life in Looks da Vogue Americana.

Lindsay está longe das más línguas dos tabloides há uns bons anos e parece que, agora, definitivamente, ela está tomando controle da sua vida e tendo hábitos saudáveis. Não é desconhecido para ninguém os perigos de crescer dentro da indústria hollywoodiana. Outras estrelas que tiveram seu big break ainda crianças passaram por eventos traumáticos, polêmicas e abuso de álcool e drogas, como Drew Barrymore e Miley Cyrus, por exemplo. Lindsay passou por muito enquanto era apenas uma jovem sem orientação adulta.

A esperança é de que, assim como Robert Downey Jr. conseguiu dar um 360 na carreira, Lindsay também consiga. O talento ainda está dentro dela, o que falta é a mudança de comportamento e a oportunidade da indústria em confiar nela de novo. Lindsay ainda pode continuar a ser uma grande estrela e impressionar com suas atuações. Abuso de substâncias é uma doença séria, que deve parar de servir como alimento para a imprensa, que ama ver jovens adultas cheias de potencial perder tudo. A partir de agora, o que podemos fazer é apoiar Lindsay e continuar a proteger estrelas mirins, a fim de evitar mais traumas.

FRENEZI EXPLICA: Fernanda Montenegro, A Grande Dama do Cinema e da Dramaturgia do Brasil

Quando se fala em cinema nacional, o típico humor brasileiro ganha espaço na cinematografia, assim como as críticas sociais e políticas. Bye Bye Brasil (1980), Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), Marighella (2019) e Minha Mãe é uma Peça (2013) são alguns filmes que representam a cultura brasileira no cinema, seja pela militância por trás ou pelo cotidiano cômico.

Em 1999, o clássico Central do Brasil (1998), dirigido por Walter Salles, levou Fernanda Montenegro a concorrer ao Oscar de Melhor Atriz, na ocasião a estrela foi a única latino-americana e única brasileira a concorrer nesta categoria, o que mostrou Brasil afora tamanha importância e relevância da artista.

Fernanda Montenegro no Oscar 1999 Foto: reprodução/The Academy

Fernanda Montenegro é o nome artístico de Arlette Pinheiro Monteiro Torres, conhecida por ser escritora, atriz, pela alcunha de A Grande Dama do Cinema e da Dramaturgia do Brasil, carioca e imortal para a cadeira número 17 da Academia Brasileira de Letras. 

Durante seus 55 anos de carreira, participou de mais de 70 obras, incluindo séries, filmes, novelas e peças de teatro. Além de ter sido a primeira mulher latino-americana e a única brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz por um trabalho em língua portuguesa, também foi a pioneira ao levar o Emmy Internacional na categoria de melhor atriz pela atuação em Doce de Mãe‘ (2013).

De Arlette à Fernanda

Fernanda Montenegro Foto: reprodução/ GloboPlay

Filha de uma dona de casa e de um mecânico, Arlete Pinheiro Esteves da Silva nasceu na Zona Norte do Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1929. Ainda cedo, aos 8 anos, teve sua estreia como atriz em uma peça na Igreja, logo depois, com 15 anos foi contratada como redatora, locutora e radioatriz da rádio MEC.

Conheceu o ator Fernando Torres, com 16 anos, na mesma rádio em que trabalhava, foram casados de 1953 a 2008 e tiveram dois filhos, a atriz Fernanda Torres e o diretor Cláudio Torres. 

Assim como muitas estrelas que não usam o nome de batismo como artístico, Arlette adotou o nome “Fernanda Montenegro” como seu pseudônimo, mas durante seu trabalho na rádio,  ainda manteve sua assinatura como “Arlete Pinheiro”.

“Tirei do século XIX, de livros como o ‘Conde de Montecristo’ e das Fernandas dos romances franceses.”, revelou em entrevista ao “Damas da TV” do Canal Viva. “Acho que sou duas pessoas. Está de acordo com a minha profissão. O velho Shakespeare já tinha razão, somos todos atores. Sei que sou também a dona Arlete. Essa é bem resguardada. Poucos me chamam ainda assim. Uma prima, um primo. Meus pais me chamavam também, minha irmã. Mas é para uso interno. Eu acho bom. Dentro de uma toca. E tem essa outra entidade aí, que, de vez em quando, se exibe muito.”

A trajetória artística e Premiações 

Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo em “A Falecida” Foto: reprodução/divulgação 

Aos 15 anos de idade, Arlette entrou para a Rádio do Ministério da Educação e Cultura (MEC), através de um concurso para locutores, se mantendo lá por 10 anos, alternando entre locutora e atriz de rádio-teatro. Posteriormente, fez parte do teatro da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, começando sua carreira e participando futuramente do Teatro Ginástico – um renomado teatro que integrou a comunidade luso-brasileira, inaugurado em 1938, e, que recebeu consagrados talentos da arte cênica brasileira.

A década de 1950 marcou sua entrada na TV, pelo canal TV Tupi, sua participação na Companhia Maria Della Costa, e no Teatro Brasileiro de Comédia.  Em 1959 fundou sua própria companhia teatral, a Companhia dos Sete, em parceria com seu marido, Fernando Torres. E em 1965, consagra sua estreia na TV Globo, e inicia sua era de ouro na teledramaturgia que a levou ao reconhecimento nacional.

O longa A Falecida (1965), foi o primeiro filme estrelado por Fernanda como Zulmira. Conta a história do sonho da protagonista de ter um enterro luxuoso, para realizar seu sonho, o marido pede dinheiro a Guimarães, o homem mais rico do bairro, o qual não concorda em pagar e conta que teve um caso com a falecida, sem saber que está falando com o viúvo, o marido, então enfurecido, passa a chantagear Guimarães. O papel consagrou Montenegro com o prêmio de Melhor Atriz para o Festival Nacional de Brasília em 1965.

Baila Comigo (1981), Guerra dos Sexos (1983), Cambalacho (1986), Rainha da Sucata (1990), são algumas obras que a consagrou como a rainha das novelas. No cinema, atuou em clássicos, como Eles Não Usam Black-Tie‘ (1981), O Que É Isso, Companheiro? (1997) e  O Auto da Compadecida (2000).

Fernanda Montenegro no Emmy Internacional Foto: reprodução/divulgação

Não ter levado o Oscar de 1999 como Melhor Atriz, não diminuiu seu potencial como artista, Montenegro foi indicada a diversas categorias tanto internacionais como nacionais.

Dentre os principais feitos da atriz estão o prêmio em 1998 no Festival de Berlim como Melhor Atriz (Urso de Prata) com Central do Brasil; em 2000, por Traição, levou o Prêmio Guarani do Cinema Brasileiro de Melhor Atriz Coadjuvante; O outro Lado da Rua proporcionou em 2005 o troféu de Melhor Atriz pelo Grande Prêmio do Cinema Brasileiro; em 2013 o Emmy Internacional concedeu à Fernanda o prêmio de Melhor Atriz por seu papel em Doce de Mãe. Com mais de 100 indicações, esses são só alguns exemplos dos 91 prêmios que A Grande Dama do Cinema do Brasil totaliza.

Fernanda Montenegro é considerada um símbolo no cinema nacional, sua presença e importância é inigualável, principalmente durante a época dos anos 1990, em que aconteceu o chamado Cinema da Retomada, foi um período em que a Embrafilme, principal responsável pelo financiamento, coprodução e distribuição de filmes no país, foi extinta pelo governo. Um momento frágil para os atores e diretores nacionais, devido à falta de auxílio econômico e incentivo cultural, a partir disso, o Cinema da Retomada marca a revitalização da atividade cinematográfica no Brasil. 

Depois de anos trabalhando exclusivamente para a TV, o novo filme Dona Vitória (2022)  marca sua volta às telas do cinema. O longa conta sobre Vitória, uma aposentada alagoana, que desmascarou uma quadrilha de traficantes e policiais do Rio de Janeiro através de filmagens feitas pela janela do seu apartamento, no bairro de Copacabana.

A Imortal 

Fernanda Montenegro recebendo medalha de imortal da ABL Foto: Daniel Pereira/AgNews

Em março de 2022, aos 92 anos, Fernanda assumiu a cadeira 17 como “Imortal” na Academia Brasileira de Letras, sucedendo o acadêmico e diplomata Affonso Arinos de Mello Franco.

Fernanda recebeu 32 votos para integrar o grupo, sua incorporação expressa um forte laço da Academia com as Artes Cênicas.

Como prólogo desta minha fala, devo esclarecer que sou uma incansável autodidata, cuja origem intelectual, emocional sempre me chegou e ainda me conduz através da vivência inarredável de um ofício: atriz. Sou atriz. Veio dessa mítica, mística arte arcaica, eterna, que é o teatro. Sou a primeira representante da cena brasileira, do palco brasileiro a ser recebida nessa casa“, declarou durante a cerimônia de posse.

A atriz também é escritora e autora de dois livros publicados, sendo Prólogo, Ato, Epílogo (2019) em parceria com a jornalista Marta Góes, onde conta suas memórias, e Fernanda Montenegro: Itinerário Fotobiográfico, um livro em que é narrado sua história por meio de fotos de diferentes épocas.

Nascida em 16 de outubro de 1929, esses são os feitos da carioca para o rádio, TV, cinema e a dramaturgia brasileira. A atriz é considerada uma das mais importantes para a cultura nacional, seu legado é consagrado.

Guia para o curso de Cinema 101: tudo o que você gostaria que te contassem sobre

O mercado de trabalho, especialmente na área artística, pode ser instável, por isso se quiser se formar na área é bom considerar o que o curso escolhido tem a oferecer. O curso superior em Cinema no Brasil não é muito popular, ainda assim existem três modalidades disponíveis para a graduação: Bacharelado, Licenciatura e Tecnólogo; vamos focar no primeiro por ser o mais completo.

Bastidores de O Iluminado (1980) [Reprodução Esquire]

Um Bacharelado ou uma Licenciatura em Cinema e Audiovisual duram em média 4 anos, já o Tecnólogo 2 a 3 anos. Todos abordam conhecimentos gerais da área como roteiro, preparo de equipamento, fotografia, som, direção, edição, distribuição, entre outros. 

No Bacharelado, são abordados diversos aspectos da produção audiovisual, possibilitando que cada aluno se encontre no seu setor de maior interesse; desde a pré-produção de um conteúdo, que envolve a elaboração do roteiro, storyboards e planejamento financeiro, até a distribuição e exibição da obra. Já a licenciatura trabalha os diversos aspectos da produção audiovisual, mas priorizando a capacitação de seus alunos para lecionar em projetos culturais, museus e escolas, no formato de cursos livres. Dependendo da instituição de ensino, existe também um enfoque na área de Comunicação Social, abrindo portas para matérias que analisam estética, filosofia, psicologia, política e história no Cinema.

Graduação Cinema e Audiovisual [Reprodução ESPM]

Durante o curso são ensinadas as mais variadas formas de se produção de conteúdo audiovisual, desde o longa-metragem live action até uma série animada em 2D, 3D e/ou stop motion. Algumas matérias comuns são:

  • Análise de Imagem 
  • Crítica de filme 
  • Teoria do Cinema
  • Cinema Brasileiro e Internacional 
  • Roteiro e Storyboard
  • Oficina de Câmera e Iluminação
  • Direção de Atores 
  • Direção de Produção
  • Animação
  • Comunicação e Mercado
  • Marketing 
  • Dramaturgia 
  • Sonoplastia e Trilha Sonora
  • Edição e Pós-Produção

Grande parte da grade curricular é composta por matérias práticas que visão desenvolver as habilidades do aluno, até serem utilizadas no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), ou como em algumas instituições, em pequenas produções estimuladas no decorrer dos semestres. Para a conclusão da graduação a maioria das universidades exige também a realização de estágio supervisionado, cobrando um mínimo de por volta de 200 horas.

Graduação Cinema e Audiovisual [Reprodução ESPM]

O PROFISSIONAL

Algumas características muito importantes para o profissional (ou futuro profissional) da área são a criatividade, boa comunicação, comprometimento e responsabilidade com o cronograma do projeto, e claro, perseverança para a conclusão dos trabalhos mesmo que aconteçam imprevistos. 

Sempre existe aquela pessoa que sonha em crescer na área e acredita que não precisa da ajuda de ninguém, mas um filme não é feito por uma só pessoa, por isso é importante exercitar as suas habilidades para o trabalho em equipe, já que todo o processo de uma produção audiovisual tende a se estender por alguns meses e durante esse tempo você depende do seu time e ele de você. Falta de consideração pelos colegas e pelas suas responsabilidades pode criar uma má reputação para você no futuro, lembre-se de que as pessoas com quem você estuda podem se tornar futuros parceiros ou competidores, no Cinema as conexões são tudo!

Bastidores de O Grande Hotel Budapeste (2014) [Reprodução LiveMaster]

Outro fator importante é o seu repertório, é claro que o seu portfólio será desenvolvido durante os seus anos de formação e em diante, mas o repertório deve ser algo a se desenvolver mesmo antes do curso e continuamente na sua vida, pessoal ou profissional. Um conhecimento amplo das produções e dos grandes nomes da área não tem como te prejudicar, não é mesmo?

Bastidores de A Noiva Cadáver (2005) [Reprodução LiveMaster]

O MERCADO 

Não é fácil ser artista no Brasil, mas não é impossível, se o seu desejo é se tornar um diretor de Cinema, por exemplo, um bom curso te ensinará não só a preparar seus atores, equipamento e a iluminação, mas também como se comunicar com seus produtores e financiadores sobre as burocracias que englobam a produção do seu projeto. Licenciamento, direitos autorais, Classificação Indicativa e etc., enfim, tudo que diz respeito a uma produção cultural que precisa seguir os critérios do Ministério da Justiça. 

Normalmente produzidos em equipes menores e com baixo orçamento os filmes independentes sempre estiveram presente na nossa história, desde o Cinema Novo com obras de Glauber Rocha, até os dias de hoje. Essas obras seguem uma tendência mais autoral, e expressam temáticas do Brasil em novos ângulos. Os maiores desafios desse setor são o financiamento e a distribuição, já que o cinema nacional já é pouco valorizado e mesmo dentro dele, o grande dominador é o setor comercial. Por conta dessas dificuldades, o objetivo de grande parte dos cineastas é a competição em festivais que podem ser a única oportunidade que um filme terá de ser exibido na telona, além do fato de que nas amostras é possível fazer e fortalecer conexões que podem abrir mais portas. Para que isso aconteça deve-se inscrever seu projeto no festival desejado, levando em consideração o que a curadoria deseja.

Bastidores de Central do Brasil (1998) [Reprodução Palavras de Cinema]

Existem muitas possibilidades de festivais no nosso país, alguns exemplos são:

  • Festival de Cinema de Gramado
  • Festival de Brasília de Cinema Brasileiro 
  • Festival Internacional do Rio
  • Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

A indústria brasileira de audiovisual está se expandido principalmente por conta da verba pública proveniente de editais da Ancine e prefeituras, além de outros programas federais de incentivo que podem envolver Festivais Internacionais.

O profissional de Cinema pode trabalhar em produtoras institucionais, emissoras de televisão, agências de publicidade, produzindo filmes longa ou curta-metragem, séries, novelas e até documentários, ou em cinematecas e acervos de preservação cultural. Conseguindo atuar como roteirista, produtor, diretor, fotógrafo, sonoplasta, editor, animador, compositor, dublador, ou mesmo no que diz respeito a distribuição e divulgação de filmes como agente, programador, produtor executivo ou curador de festivais. 

Em termos numéricos, segundo o estudo de Emprego no Setor Audiovisual 2019 feito pela Ancine, os setores que apresentaram maior crescimento (em relação a atividade por estabelecimento) são os de Produção e Pós-Produção, Exibição Cinematográfica e é claro TV Aberta. Além disso o setor com maior número de empregos é a TV Aberta, chegando a 50.132 de um total de 88.053 na área. Sendo assim pode-se dizer que o setor televisivo possui grande impacto na indústria nacional, dito isso as plataformas de streaming garantiram uma relativa estabilidade de produção durante a pandemia e vem crescendo desde então, portanto não é impossível imaginar uma futura dominação desse setor já que mesmo a Globo que é a maior emissora da TV aberta brasileira vem tentando competir com outros pesos pesados dos streamings como Netflix e Amazon Prime.

Por ser um curso relativamente novo no Brasil, não existem tantas ofertas de cursos em comparação a uma formação mais tradicional como Administração, ainda assim cursar Cinema e Audiovisual pode trazer muitos benefícios e enriquecer o conhecimento na área. É importante se certificar de que o seu curso vai disponibilizar tudo aquilo que você acredita ser necessário para sua formação e seus objetivos.

[Crítica] Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, além de louca, é a obra mais macabra do MCU

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura estreou na última quinta-feira, dia 5 de maio, nos cinemas brasileiros. O quinto filme da Fase 4 do Universo Cinematográfico da Marvel é estrelado por Benedict Cumberbatch, Elizabeth Olsen, Benedict Wong e Xochitl Gomez. A direção tem o retorno de Sam Raimi, responsável por trazer a trilogia do Homem-Aranha nos anos 2000, aos filmes de heróis.

[GIF: Reprodução/ Pinterest]

CRÍTICA SEM SPOILERS

Após o sucesso estrondoso de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, o segundo filme do herói dos magos prometia ser impactante, visto que, quando se trata do Multiverso, tudo pode sair do controle e inclusive ter algumas participações especiais. 

O longa acompanha a jornada do Doutor Estranho rumo ao desconhecido. Além de receber ajuda de novos aliados místicos e outros já conhecidos do público, o personagem atravessa as realidades alternativas incompreensíveis e perigosas do Multiverso para enfrentar um novo e misterioso adversário.

A temática do multiverso começou a ser introduzida em algumas produções, como WandaVision, Loki, What If…? e Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa. Nesta ocasião, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura explora sobre as outras realidades e versões dos personagens e possui uma pegada que nunca foi vista no MCU.

[Imagens: Divulgação/ Marvel Studios]

Escrito por Michael Waldron (Loki, 2021), o roteiro é direto, sem enrolação e explicações e com muitas cenas de ação. Talvez seja, até mesmo, muito rápido para uma duração de 2 horas, visto que, poderia ter explorado mais o seu tema central: o multiverso. A correria na narrativa afeta os diálogos e explicações sobre alguns casos curiosos do multiverso. É possível viajar profundamente com o filme em relação às viagens de um universo para o outro e também a presença de muitas cores e formatos deixa a experiência muito louca e eletrizante. O público da sala de cinema pode entrar em delírio momentâneamente, com a aparição de alguns personagens que serão mais detalhados na crítica com spoilers.

O longa adota elementos de terror que nunca foram vistos em qualquer produção do Universo Cinematográfico da Marvel. Em alguns momentos, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura consegue estabelecer o jump scare, uma técnica usada para o telespectador pular da cadeira pelo susto. Inclusive, o longa consegue referenciar alguns filmes de horror, como Carrie, A Estranha (1976), O Chamado (2002), Invocação do Mal (2013) e A Morte do Demônio (1981). Em adição, a obra traz inovações, como cenas violentas, sombrias e muita magia, o que pode causar aflição, porém, como em alguns filmes do universo, não deixa o humor de lado.

Sam Raimi entrega uma direção de forma corajosa, com certeza, ele realizou um dos projetos ousados de sua carreira e do MCU. Ele trabalha o longa com primazia e mostra progressivamente mais sua ambição de trazer as referências e os componentes de terror para a trama.

[Imagem: Reprodução/ Marvel Studios]

Após o incidente envolvendo o Homem-Aranha, Doutor Estranho/ Stephen Strange percebe que perdeu o controle do multiverso e mostra que não tem como conter toda a situação. O personagem não podia ser de outro ator sem ser do Benedict Cumberbatch, mais uma vez o astro realizou um trabalho competente e com muito carisma se envolvendo em uma jornada bastante louca interpretando o Mago. 

Elizabeth Olsen entrega uma atuação excepcional como Wanda Maximoff/ Feiticeira Escarlate. Após os acontecimentos em Westview que foram mostrados em WandaVision (2021), a dor que a personagem carrega por ter perdido Visão (Paul Bettany) e seus filhos gêmeos, Billy (Julian Hilliard) e Tommy (Jett Klyne), é perceptível e não tem como ficar sensibilizado assistindo o seu sofrimento.

[Imagem: Divulgação/ Marvel Studios]

O longa apresenta uma nova personagem para o universo: America Chavez, interpretada por Xochitl Gomez, a nova heroína do MCU. A jovem heroína é introduzida de forma não muito detalhada, porém a narrativa consegue mostrar mais sobre a sua habilidade de abrir diversos portais para o multiverso.

Por fim, com efeitos especiais esplêndidos e uma pegada única, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura tem seus pontos positivos e negativos, mas é um dos filmes mais diferenciados já feitos pela MCU. O trabalho criativo de Sam Raimi não deixa a desejar e entrega sem medo um evento grandioso de deixar arrepios do começo ao fim. 

ATENÇÃO!

CRÍTICA COM SPOILERS + FINAL EXPLICADO

Embora a parte técnica, as cenas impactantes e o protagonismo e antagonismo de alguns personagens sejam positivos, na crítica com spoilers, será explicado com mais detalhes o motivo do filme ter decepcionado alguns fãs e telespectadores.

Desde diversas divulgações de teasers e trailers, os internautas questionaram-se sobre qual seria o estopim do novo longa, ao assistir o filme percebe-se que a Feiticeira Escarlate é a grande vilã de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura onde mostra o seu comportamento impiedoso e sombrio sob a influência do Darkhold. Seu arco narrativo se constrói a partir da obsessão que Wanda possuía de ter seus filhos de volta, após os acontecimentos de WandaVision, e, inclusive, na cena pós-créditos do seriado, a personagem estuda o livro Darkhold para tentar mudar de realidade e conviver com Billy e Tommy novamente. Repara-se que as histórias dos seriados do MCU, disponíveis no Disney+, começam a entrelaçar-se com as futuras produções, como o caso da série da vingadora que traz uma conexão significativa para o enredo do filme.

[Imagem: Reprodução/ Marvel Studios]

Para realizar esse feitiço, ela precisa capturar America Chavez e apanhar seu poder de se deslocar de uma realidade para outra. Toda essa perseguição começa logo na primeira cena bastante eletrizante, com a presença de Estranho Defensor, uma variante do Mago e provindo de outro universo, ajudando a personagem de Xochitl Gomez, mas ele acaba morrendo durante a batalha contra uma criatura, mandada pela Feiticeira, que tentava raptar a jovem. Contudo, Chavez consegue escapar para o mundo de Doutor Estranho.

[Imagem: Divulgação/ Marvel Studios]

Doutor Estranho descobre todo o plano da Feiticeira Escarlate e arrisca-se para salvar a vida de America. O Mago foge e passa por diversas dimensões para proteger a personagem de Xochitl Gomez, logo, várias viagens pelos universos são mostradas, em uma delas aparece o cenário de What If…?, e a passagem é visualmente fascinante e bem trabalhada. Além de conhecer novos personagens que podem levar o telespectador à loucura.

Com a viagem pelo multiverso, a Marvel não podia negligenciar a presença de algumas participações especiais que todos esperavam: o surgimento dos Illuminati. Em um outro universo, Doutor Estranho e América ficam presos em uma instituição de pesquisa e, nesse momento, o Mago é levado para conhecer o grupo de heróis, composto por Mordo (Chiwetel Ejiofor), a Capitã Carter (Hayley Atwell), o Raio Negro (Anson Mount), a Capitã Marvel (Lashana Lynch),Reed Richards (John Krasinski) de Quarteto Fantástico e a aparição de ninguém mais e ninguém menos que Professor Charles Xavier (Patrick Stewart). O aparecimento deles trouxe uma nostalgia para os fãs e foi capaz de arrancar gritos na sala de cinema.

[Imagens: Marvel Comics/ Marvel Studios]

Nesse encontro com os Illuminati, Doutor Estranho descobre que sua outra versão desse universo, Estranho Supremo, foi morta, dado que, para derrotar o Thanos, ele recorreu ao Darkhold. Mas o Mago acabou sendo sacrificado por causar uma Incursão, que é quando acontece a colisão de dois universos obliterados, causando a destruição de um ou ambos. 

Todavia, o que é bom dura pouco e esse seria um dos pontos negativos do filme que decepcionaram os fãs; o pouco tempo de tela dos Illuminati que tiveram um destino brutal causado pela Feiticeira Escarlate, essa aparição era o momento mais esperado pelo público e acabou decepcionando pela passagem quase insignificante do grupo. Mas, há a possibilidade de surgirem novamente em outros universos e serem mais desenvolvidos futuramente, visto que a Marvel Studios confirmou uma produção do Quarteto Fantástico, então é possível chegar muitas novidades em breve.

Um outro ponto que surgiu nos trailers, mas não foi tão explorado: a presença do Estranho Sinistro (Strange de Três Olhos), a expectativa de ter uma batalha grandiosa entre ele e o Doutor Estranho, na verdade, foi rápida. Contudo, os efeitos especiais são inovadores e envolviam as notas musicais juntamente com um som clássico. A versão sombria do Mago deixou um alerta: se praticar a possessão do Darkhold, pagará um preço alto.

[imagem: Reprodução/ Marvel Studios]

O tão aguardado momento do filme, no entanto, aconteceu, para quem acompanhou a série What If…?, o Doutor Estranho zumbi, usando o cadáver do Estranho Defensor. O Mago usa a magia perigosa do Darkhold e entra no corpo do Defensor para impedir a Feiticeira Escarlate de sacrificar America, essa com certeza é uma das cenas mais assustadoras e sombrias da obra. No final, quem consegue também acabar com os planos de Wanda é a personagem de Xochitl Gomez que consegue ter o controle de seus poderes.

[GIF: Reprodução/ Giphy]

América abre mais um portal e Wanda encontra seus filhos que se assustam com sua figura de feiticeira e ela percebe que sua obsessão machucou todas pessoas ao seu redor. Então, ela toma uma atitude corajosa e destrói o livro Darkhold de todos os universos para que não seja usada por ninguém, o castelo na Montanha Wundagore desmorona e a vingadora é soterrada, considerada “morta”. É impossível não ficar impactado com o destino da personagem, mas não tem como afirmar se ela voltará ou se também terá uma outra versão de Wanda futuramente, então o filme deixa essa abertura.

Após impedir Wanda de apanhar os poderes de America, Doutor Estranho volta para o seu universo e caminha pelas ruas de Nova York, porém ele acaba pagando o preço alto por ter usado a magia do Darkhold e, como resultado, aos gritos, revela seu terceiro olho se abrindo na testa. Essa cena final deixa o telespectador chocado e a espera o que acontecerá futuramente com o Mago lidando com as consequências após a prática da dominação onírica.

A primeira cena pós-créditos é um fator importante para o futuro da Marvel, Doutor Estranho é abordado pela Clea, interpretada por Charlize Theron, que o alerta sobre o ínicio de uma incursão, esse evento aconteceu devido ao herói usar a magia para possuir uma mente de outra versão, que no caso foi o cadáver do Estranho Defensor. Então, eles entram para uma outra dimensão e o terceiro olho aparece na testa do Mago. 

[Imagens: Marvel Comics/ Sunday Magazine]

A segunda cena pós-créditos faz uma referência à cena final de A Morte do Demônio II, dirigido por Sam Raimi. O diretor chamou o seu amigo Bruce Campbell, que atuou na trilogia clássica de terror, para interpretar o dono da Pizza Poppa em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. No filme, em um outro universo, o personagem de Campbell foi enfeitiçado pelo Mago para se bater por 3 semanas, após o fim da magia, ele olha para a câmera com um sorriso e falando “acabou”, que se refere ao fim do feitiço e do filme. Esse momento é apenas uma zueira com o telespectador que ficou os últimos segundos da produção.

Em conclusão, embora não tenha agradado uma parte do público e dos críticos, o filme entrega uma obra bem ousada com tons de terror bem encaixado, um introdutório do multiverso bem louco e um bom desenvolvimento dos personagens, mas o filme deixou mais tópicos em aberto e, logo, pode ser um preparativo do que estar por vir. No final, o longa promete que Doutor Estranho voltará, então uma possível sequência pode trazer mais uma jornada árdua sobre a incursão e também introduzir a maga Clea (Charlize Theron). 


Porque O Diabo Veste Prada é um dos melhores filmes do século XXI 

Uma análise intimista sobre o impacto de O Diabo Veste Prada no imaginário cultural e o que faz desse filme uma obra-prima cinematográfica

Baseado no livro de mesmo nome da autora Lauren Weisberger lançado em 2003, O Diabo Veste Prada inova quando ao se tornar uma das poucas exceções da máxima “o livro sempre é melhor que o filme”. Um marco da cultura pop do século XXI, o longa se consagra como um dos melhores filmes já feitos desde, bom… sempre (de acordo com esta que escreve, pelo menos). Constantemente citado nas redes sociais, referência para outros filmes e uma eterna fonte de inspiração, O Diabo Veste Prada foi, e ainda é, a porta de entrada para vários amantes de moda e cinema.

O livro

O ano é 2003. A efervescência da virada do século se reflete na moda, que, cada vez mais rápido, muda com a evolução da tecnologia, o começo das redes sociais e o boom da cultura de celebridades e paparazzi. 

Desde os anos 80 e 90, as personalidades do mundo da moda deixaram de ficar apenas no backstage e começaram a virar celebridades por si só. Designers são cada vez mais reconhecidos e modelos viram quase semideusas, criando uma certa mística sobre suas personalidades: quem são; de onde vieram; o que fazem; com quem fazem e onde fazem? Esse ambiente foi muito propício para a virada cultural do século XXI, onde celebridades não precisavam mais ser dotadas de beleza e/ou talento.

Com a glorificação e o mistério de conhecer quem são as pessoas mais poderosas da moda, aliado ao sempre crescente império da Vogue Americana, outra celebridade havia nascido, quisesse ela ou não Anna Wintour, editora-chefe da revista norte-americana desde 1988 até os dias atuais, ascendeu à posição de Mulher Mais Poderosa na Moda e todos os holofotes se voltaram para ela.

Com sua aparência intrigante (o bob que nunca muda, os óculos escuros) e sua personalidade reservada, Wintour facilmente tornou-se alvo de fofocas e capas de revista. Quem é essa mulher que mexe todos os pauzinhos na revista mais influente do mundo? É fácil imaginar e tentar se colocar nos pés de alguém tão poderoso e aparentemente inalcançável.

É nesse cenário que O Diabo Veste Prada, o livro, nasce. Lauren Weisberger, recém-formada em jornalismo pela Cornell (também Ivy League, como a Brown, universidade que Andy estudou no livro), trabalha como assistente da editora-chefe mais amedrontadora de todas: Anna Wintour. Meio ficção, meio crítica, O Diabo Veste Prada é uma espiada nos bastidores da revista mais badalada do mundo e uma crítica venenosa sobre os membros dessa elite nova-iorquina. 

Weisberger é perspicaz ao perceber que suas experiências poderiam se tornar um best-seller e transforma tudo isso em nada mais, nada menos, do que um dos livros mais icônicos dos anos 2000. É impossível não ter curiosidade sobre o backstage de uma das indústrias mais lucrativas do mundo, que, decorada com modelos lindas, roupas fabulosas e os eventos mais comentados do ano, mascara péssimas condições trabalhistas, chefes abusivos e jogos de poder.

Dotado de uma ótima escrita e de um humor afiado, O Diabo Veste Prada é um must-read para apaixonados por uma boa fofoca, moda e cultura pop.

Tudo isso, pretensiosamente ou não, torna-se praticamente irresistível à uma adaptação nos cinemas. Três anos depois, o filme baseado no livro estreou. 

O que faz um filme brilhante

Na Frenezi, sempre batemos na tecla da importância de uma boa equipe para que o filme seja bem sucedido. Em O Diabo Veste Prada, isso é feito com a maior das maestrias. Do diretor à figurinista, do elenco ao editor: o longa é um exemplo de todas as partes trabalhando em sintonia a fim de criar não só um ótimo filme, mas se arriscar a ser um filme perfeito. Deve-se levar em consideração a opinião parcial da autora desse texto -amante do cinema e estudante de moda-, mas não é grande esforço meu te convencer que, apesar de ser grandemente subestimado como apenas mais um chick flick, O Diabo Veste Prada é, sim, um filme excepcional e que alcança sucesso em todas as categorias importantes para se destacar na minha lista de melhores filmes da história.

O roteiro

Dez páginas. Se em dez páginas você entendeu sobre o que é o filme, então é um bom roteiro. É exatamente isso que O Diabo Veste Prada faz. 

Em dez minutos você sabe quem é Andrea Sachs (Anne Hathaway), entende que ela não liga para moda e que é recém-formada em jornalismo. Conhecemos Emily Carlton (Emily Blunt), a coadjuvante, que é o total oposto de Andy. Nessa hora também somos apresentados à revista Runway, casa de metade do filme, e a Nigel (Stanley Tucci), a força contrária de Miranda, um personagem levemente baseado no eterno André Leon Talley. A vilã é Miranda Priestly (Meryl Streep): fria, rude e impossível de agradar. Essa é a grande narrativa do filme todo: Andy conseguiria ser aceita e respeitada por Miranda?

Uma falha em muitos filmes da época que O Diabo Veste Prada não comete é a falta de aprofundamento de personagens femininas.

Todas, até Emily, são facilmente assimiladas pelo público e suas motivações são sempre claras e justificadas. Um ótimo exemplo disso é a cena em que Andy encontra Miranda em seu quarto de hotel, em Paris. A Miranda do filme é muito mais humana, e é aqui onde percebemos isso. Com um toque da própria Meryl Streep, vemos a tão temida megera finalmente vulnerável, sem maquiagem, se abrindo com Andy. Não temos outra chance senão de nos compadecer com Miranda, pois, como audiência feminina ( na grande maioria), entendemos as dificuldades de obter sucesso em um mundo onde mulheres podem ter ambição, mas nunca mais que os homens. Mulheres poderosas são vistas como monstros quando homens são parabenizados pelas mesmas atitudes.

Essa genialidade é toda da roteirista Aline Brosch McKenna (e claro, também de Weisberger), rainha dos comfort movies como Vestida Para Casar, Compramos um Zoológico e Crazy Ex-Girlfriend. Eu friso aqui a importância de McKenna porque, apesar de ser um ótimo livro, de alguma forma o filme consegue ser melhor. Talvez seja a indulgência visual que o longa oferece, mas o roteiro é, de verdade, excepcional. Apesar de conter vários momentos de improvisação, grande parte do roteiro foi seguido e mesmo assim permaneceu natural, esperto e engraçado. Frases como Flowers? For spring? Groundbreaking; You eat carbs for chrissake!; Can you please spell Gabbana?, e obviamente o monólogo do suéter cerúleo são icônicos e citados até os dias de hoje.

Não é cansativo, te mantém engajado e respeita o tom da autora original. Essa seção é uma salva de palmas para Aline Brosch McKenna!

O figurino

O Oscar de Melhor Figurino de 2007 foi uma das disputas mais acirradas. Maria Antonieta (2006) é um filme incrível e um dos favoritos da Editoria de Cinema & Tv da Frenezi. A modernização do figurino de época foi extremamente bem feita por Milena Canonero, que nos poupou da previsibilidade de mais um filme histórico que não oferece nada visualmente. Dreamgirls (2006), estrelado por Beyoncé e Jennifer Hudson, também foi um ótimo filme, mas, de novo: mais um figurino histórico.

O que talvez muitas pessoas da Academia não entendem é que, apesar de grandes vestidos bufantes e perucas super trabalhadas serem, sim, incríveis, a dificuldade de construir um figurino contemporâneo que consiga representar a história, ao mesmo passo que sobreviver ao teste do tempo, é muito maior.

É nesse aspecto que Patricia Field deveria ter mais reconhecimento. Sim, Sex And The City – um outro brilhante trabalho da figurinista – foi um marco geracional, mas O Diabo Veste Prada alcança algo que SATC não consegue: o bom envelhecimento da moda da época. Em entrevista para a Harpers Bazaar em 2016, Patricia disse: “Eu acho que atemporalidade é um fator muito importante em tudo o que eu faço. É isso que faz um clássico. É óbvio o que é atemporal e o que não é, mas você precisa de tempo para achar essa resposta.” 

Field dá a impressão de, muitas vezes, tentar demais ser vanguarda e fora do normal nos figurinos da famosa série da HBO. Muitos looks de Carrie são completamente sem sentido, tanto para a narrativa quanto para a personagem. Mas, no longa de 2006, ela abaixa o tom, traz um toque de realidade e demonstra o crescimento das personagens de forma mais limpa, clara e primorosa. “Eu amo fazer moda. Eu sempre coloco a moda em todo o meu storytelling porque é quem eu sou, mas eu não estou vendendo roupas, estou contando uma história”, disse Field.

Eu poderia ficar horas e horas apontando o porquê de o figurino desse filme ser  genial, e com certeza, se você já conversou cinco minutos comigo, sabe minha fixação com absolutamente todos os looks. Vamos analisar o figurino de cada personagem e o que faz de Patricia Field uma das melhores figurinistas da geração dela (vamos deixar de lado Emily em Paris, em respeito aos olhos da audiência).

Andrea Sachs

Ah Andy, o patinho feio. Podem tentar discutir, mas ela é a pick-me girl original. Nos primeiros minutos do filme já vimos como ela é diferente das outras, como ela não liga para todas-as-coisas-femininas. Brilhantismo da roteirista? Sim. Ali já entendemos quem é Andy por completo.

Desde o começo ela demonstra desdém pelo mundo da moda, pois acha que é tudo muito superficial (alô, monólogo do suéter cerúleo, vamos chegar lá!). Os mocassins horrorosos, que ironicamente estão muito em alta, e as roupas que não fazem absolutamente nada para valorizar o corpo de Anne Hathaway, representam quem ela é naquele momento: crua e ignorante.

O momento do suéter cerúleo é, na minha opinião, a parte mais brilhante do filme todo. Aqui é o turning point da transformação de Andy, aqui ela entende a importância da indústria da moda.

“[…] esse azul representa milhões de dólares de incontáveis empregos e é quase cômico como você acha que fez uma escolha que te isenta da indústria da moda, quando, na verdade, você está usando um suéter que foi escolhido para você pelas pessoas nessa sala… de uma pilha de ‘coisas’.’’

Depois de vários outros suéteres feios, Andy falha em uma tarefa de Miranda. Procurando consolo em Nigel, que, educadamente, lhe põe no devido lugar quando fala que ela não está levando a sério o trabalho que milhões de garotas matariam para ter, ela percebe que deve mudar. Então chega a parte mais divertida do filme: a transformação. 

Andy abandona as saias medonhas, joga fora o mocassim e aposenta os suéteres desleixados. Com um bom banho de Chanel, agora a silhueta muda para algo mais liso e reto, linhas verticais e um entendimento do corpo de Hathaway. É possível perceber uma mistura do estilo das outras personagens, as cores escuras, texturas de Emily e as golas e vibe preppy de Miranda. Vemos ela experimentar com texturas e acessórios, até chegar a escolher suas próprias roupas em Paris. Quando ela se gaba para Nigel de ter ido do tamanho 40 para o 38: esse é o fim da transformação de Andy em uma das clackers que ela tanto criticava no começo do filme. Um mix de elegância e peças refinadas, a nova Andy é muito chique e totalmente diferente de quem costumava ser. Em Paris, seu estilo chega muito perto do de Miranda, com como por exemplo, o decote dos vestidos que elas usam antes de Andy se demitir (parte que, no livro, é muito mais divertida).

O que mais me aquece o coração é o último look do filme, que representa quem ela é de verdade. Mostra como ela aprendeu com Nigel, Miranda e Emily mas continuou fiel à sua essência. É uma Andy casual, prática e ainda bem arrumada. Não sente mais a necessidade de saltos de dez, mas mantém o bom corte de cabelo e as roupas que lhe servem. A transformação está completa.

Emily Charlton

A melhor personagem do filme inteirinho é Emily. Trabalhadora, determinada, irônica, a fashionista que amamos odiar. Ela leva seu trabalho muito a sério e não deixa ninguém interferir nos seus planos. Emily e Nigel são os mais engraçados do filme todo, pois mesmo com os estereótipos, são uma representação fiel das pessoas de moda. 

Sua personalidade fria e distante é demonstrada em sua paleta de cores: pretos, cinzas e tons escuros. Emily não é só mais uma clacker, ela é mais avant-garde. As escolhas de peças não são óbvias e mostram seu lado mais arrojado, com silhuetas interessantes e linhas afiadas. Vivienne Westwood e Rick Owens estão presentes no seu guarda-roupa, marcas que, na época, eram mais desconhecidas. Os toques de cor vem nas suas maquiagens (sou obcecada pelas sombras que ela usa) e, obviamente, seu cabelo vermelho brilhante, demonstrando sua personalidade forte. 

Ao contrário de Andy, ela não passa por uma transição de estilos pois ela sabe quem é e onde quer chegar. Patricia Field contou para a Bazaar: “[Emily Blunt] foi a atriz com quem eu pude ser um pouco mais expressiva. Eu podia arriscar, ter liberdades, porque ela conseguiria segurar isso dentro do jeito que ela interpretou a personagem. Ela interpretou com ousadia e expressão, então eu juntei isso com o figurino.”.

Miranda Priestly

Miranda é o suprassumo da classe e elegância. Ao conhecer Meryl Streep pessoalmente, Patricia pensou imediatamente em Donna Karan. “Eu fui para os arquivos de Donna Karan, porque quando ela começou nos anos 1980 e 90, suas silhuetas eram clássicas, atemporais, vestiam bem as mulheres e não eram complicadas.”.

A ideia era criar um guarda-roupa para Miranda que não refletisse as tendências da época e, dessa forma, parecesse já ser seu estilo próprio. Para criar a aparência de uma editora-chefe poderosa, Patricia evitou propositalmente fazer a conexão com Anna Wintour. Ela queria criar algo novo, que não tivesse sido feito antes. Junto de Meryl e seu hair stylist, o penteado totalmente branco de Miranda nasceu, parcialmente inspirado pela ex-editora da Harper ‘s Bazaar, Liz Tilberis.

Miranda é clássica, mas também um pouco sexy. Era importante para Streep e Field mostrar esse lado poderoso em mulheres mais velhas. A única vez que vemos Miranda com um look simples é em Paris, quando seu marido pede o divórcio e ela se abre com Andy, mostrando vulnerabilidade.

Os fabulosos casacos de pele, os terninhos, bolsas, óculos escuros e cintos foram todos um mix de Donna Karan, com toques de Valentino e, claro, Prada. 

Field conseguiu dar personalidade a uma das personagens mais memoráveis da cultura pop, fazendo você não só temê-la, mas também desejar ser ela.

O elenco

Boa parte do sucesso de O Diabo Veste Prada veio pelo alto calibre do elenco. Obviamente, quando se tem Meryl Streep a bordo, as coisas vêm muito mais facilmente. 

Anne Hathaway ainda estava no começo da carreira, tendo deixado a Disney depois de O Diário da Princesa, e obteve elogios em seu papel coadjuvante em O Segredo de Brokeback Mountain. Era o seu primeiro filme “sério” como protagonista. Emily Blunt também teve sua estreia em um filme mais reconhecido internacionalmente, impressionando a todos.

Stanley Tucci não precisava de introduções… ator versátil, engraçado e perfeitamente perfeito. Todo filme é um bom filme se tem Stanley Tucci no elenco (amo ele em A Mentira).

Meryl Streep conquistou mais uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, e todo o resto do elenco continuou a ter uma carreira longa e bem sucedida. Apesar de amar todas as atuações, nenhuma delas acima citada é a minha parte preferida do filme. Como falar da genialidade de trazer Gisele Bündchen para fazer uma pontinha?

Faz todo o sentido trazer a melhor e mais famosa modelo do mundo, no melhor e maior filme de moda da história. É engraçado porque Gisele é citada no livro, na parte em que Andy vai para o Met Gala. Ela diz que a Gisele não é tão bonita assim pessoalmente, e adoro a ironia do diretor David Frankel em trazer ela como um membro da Runway. Na verdade, a ideia veio da roteirista Aline, que encontrou Gisele em um voo. A über disse que só participaria se ela não interpretasse uma modelo.

Personalidade intrínseca à moda dos anos 2000, Gisele como Serena não só traz aquele momento de ‘ei! eu conheço ela!’, mas também mostra como em sintonia estavam as pessoas que fizeram o filme com o who is who do mundo da moda.

Outras menções honrosas são Heidi Klum e, claro: Valentino Garavani. Wendy Finerman, a produtora do longa, foi quem conseguiu a aparição do designer. Acerca do medo de muitas pessoas de participar do filme e irritar Anna Wintour, Wendy disse: “Ele tomou uma posição, alguém ia se manifestar e nos apoiar, e isso foi ótimo porque ter Valentino nos deu credibilidade. Ele é um ícone.”. 

A música

Sim, chegou a hora de falarmos da cena de abertura.

O poder que essa sequência tem sobre mim não é normal. Toda vez que eu me arrumo para sair, Suddenly I See da KT Tunstall toca automaticamente na minha cabeça. Julia Michels é a responsável pela supervisão de música de O Diabo Veste Prada e muitos outros filmes como Pitch Perfect (2012) e Nasce Uma Estrela (2018).

Músicas de Madonna, U2, Alanis Morissette e outros artistas incríveis, trazem um toque especial ao filme. Um destaque também para Theodore Shapiro, que compôs a música original do filme, tão icônica quanto às acima citadas.

O legado e o futuro

Dezesseis anos depois, O Diabo Veste Prada se mantém relevante e permanece no topo dos filmes mais amados do século. Um perfeito exemplo de excelência, o longa conquistou um público que excede as barreiras de idade e gênero, sendo apreciado por todos os tipos de telespectadores. 

Após se tornar um ícone da cultura pop, ele ascendeu ao status de obra-prima. É possível para cada pessoa se identificar com alguma parte do filme. Em entrevista à Teen Vogue, Lauren Weisberger disse: “Na final das contas, é sobre uma garota recém-formada da universidade que não só tem o seu primeiro emprego depois da faculdade, mas também uma chefe terrível. É algo que eu ouvi várias e várias vezes de jovens mulheres pelo país todo. Nem sempre se parecia com Miranda Priestly, e nem sempre era na indústria da moda, mas todo mundo teve essa experiência. Pareceu universal.”

O filme não mudou só as nossas vidas, como também o mundo da moda afora. Abriu espaço para mais pessoas desabafarem sobre as péssimas condições de trabalho, abusos e bullying. Anna Wintour até citou o filme no documentário da Vogue The September Issue

Anna também foi em grande parte impactada pelo filme, sempre usando isso a seu favor. Na reunião do elenco em 2021, a roteirista Aline contou para a Entertainment Weekly que Wintour estava presente nas primeiras screenings de O Diabo Veste Prada. “Ela sentou bem na minha frente e do David Frankel com a filha dela e vestiu Prada, o que mostra que ela tem um grande senso de humor!”.

E o legado de Lauren Weisberger não para por aí. Esse ano mesmo, o musical baseado no livro e filme estreia na Broadway, com músicas compostas por ninguém mais, ninguém menos, que Sir Elton John. “É tão legal que ainda seja relevante, que ainda se mantenha”, disse Lauren para o Independent.

A previsão é de que esse legado continue a se expandir, pois, assim como o figurino, o filme é eterno e continuará sendo citado pelos anos seguintes. Sei que ainda vou recorrer a ele em dias que preciso de um comfort movie ou de apenas uma inspiração. O Diabo Veste Prada é um exemplo do poder dos filmes em nos acompanhar pela vida, e ser parte intrínseca dela.

Você pode rever O Diabo Veste Prada no Star+

Exposed da empresa do rato: a falsa representatividade LGBTQIA+

A The Walt Disney Company, mais conhecida apenas como Disney. Marcou gerações com seus desenhos do Mickey Mouse, a abertura do parque mais mágico do mundo, as séries nostálgicas como “Hannah Montana“ (2006), “Feiticeiros de Waverly Place” (2007) em seu canal televisivo, os filmes de animação como “101 Dálmatas” (1961), “O Rei Leão” (1994) e os clássicos das princesas “Branca de Neve e os 7 anões” (1937), “Cinderella” (1950),  “A Pequena Sereia” (1989) e outros. Esses são só alguns exemplos de produções icônicas que fazem parte do maior  conglomerado do cinema atual, fundado pelos irmãos Walt e Roy Disney na década de 20. 

Mas, apesar da clara importância no imaginário de crianças de todas as gerações, polêmicas e Disney na mesma frase tornou-se algo muito comum ultimamente, seja pelos os diretores, atores ou até a abordagem de seus longas. Recentemente, o Jornal Orlando Sentinel revelou que a WDC financiou políticos que apoiam o projeto de lei “Don’t Say Gay”, este que proíbe as discussões sobre a orientação de gênero nas escolas primárias da Flórida. O CEO, Bob Chapek, não declarou-se publicamente sobre o ocorrido, porém, segundo o The Hollywood Reporter, Chapek é contra colocar a Disney em temas que considera insignificantes, seja para a empresa ou para seus negócios.

Em nota a Disney apenas fez o seguinte pronunciamento: “Entendemos o quanto esses assuntos são importantes para nossos funcionários LGBTQ+ e muitas outras pessoas. Por quase um século, a Disney tem sido uma força que une as pessoas. Estamos determinados em fazer com que continue sendo um lugar onde todos são tratados com respeito”.

Protesto em frente ao parque da Disney // foto reprodução G7 News

Como Chapek não se pronunciou, os funcionários da Disney compartilharam suas indignações nas redes sociais, obrigando, dessa forma, o CEO a falar. Chapek pontuou que para não confundirem sua falta de declaração com a falta de apoio, “todos compartilhamos o mesmo objetivo de um mundo mais tolerante e respeitoso”, acrescentou.

Não é de hoje que os fãs das animações da empresa  pedem por personagens que os representem. Desde 2013, com o sucesso “Frozen”, muitos levantaram a tag “dê a Elsa uma namorada”. Outro filme que acabou sendo sabotado foi o live action da “Bela e a Fera” (2017), a estreia foi adiada na Malásia, devido ao personagem Lefou, que mesmo não envolvido em nenhuma cena explícita de afeto, foi considerado um “momento gay”.

Campanha ‘#GiveElsaAGirfriend’ (dê Elsa uma namorada) // foto reprodução Twitter

O famigerado pink money – termo usado para a comercialização de produtos para o público LGBTQIA+ – entra em ação nas produções, como forma de abaixar a poeira frente às polêmicas. A Disney tentou melhorar sua reputação com o beijo de duas mulheres em “Lightyear” (2022), o próximo filme da Pixar que contará a história do Buzz Lightyear de Toy Story (1995). Um detalhe, esse beijo teria sido vetado pela Disney, mas a Pixar manteve.

Em 2018, a GLAAD (Aliança de Gays e Lésbicas Contra Difamação), apontou os estúdios com a menor representatividade da comunidade naquele ano, dos 110 filmes produzidos em Hollywood apenas 18% dos personagens fazem parte da comunidade e nenhum dos longas pertencem ao conglomerado da Walt Disney. A 20th Century Fox, que posteriormente foi comprada pela WD, contribuiu com 10% nas representatividades.

A Pixar, que atualmente faz parte do conglomerado da Disney, possui animações mais adultas comparadas aos filmes produzidos propriamente pela empresa do rato. O estúdio possui uma maior liberdade, um tanto falsa, para ter personagens dentro da comunidade LGBTQIA+, como foi visto em “RED: Crescer é uma fera” (2022), em que em uma das cenas teve a presença de um casal homossexual de mãos dadas. Entretanto, são detalhes que precisam de atenção para não passar despercebidos, já que essas demonstrações de afeto são rápidas.

Trecho de cena do filme “Red: Crescer é uma fera” // foto reprodução Disney +
Cena de “The Owl House” à direita // foto reprodução Disney +

Muitos funcionários da Pixar denunciaram a censura por parte dos executivos da Disney em uma carta resposta divulgada pela Variety, alegando a exigência de cortes em todos os afetos que sejam explicitamente gay. “Mesmo que criar conteúdo LGBTQIA+ fosse a resposta para consertar a legislação discriminatória do mundo, estamos sendo impedidos de criá-lo. Além do ”conteúdo inspirador” que não temos permissão para criar, exigimos ação”, apontam.

Dana Terrace, criadora de “The Owl House” (2020), usou seu Twitter para desabafar, após a série ter sido cancelada por desavenças criativas. “Estou cansada de fazer a Disney parecer boa. Eu sei que tenho contas a pagar, mas trabalhar para essa empresa me deixou perturbada.” O casal protagonista da animação seria formado por um relacionamento homoafetivo.

Ao mesmo tempo que essas grandes empresas apoiam projetos homofóbicos e falsamente representam a comunidade nas suas produções, o merchandising em cima da causa, estampando produtos com o arco íris da bandeira, cresce cada vez mais, tanto nos bonecos como em materiais escolares, por exemplo. 

Que a empresa do rato só pensa em dinheiro isso não é mentira para ninguém, a linha entre produzir e apoiar as causas e lucrar em cima dela é extremamente tênue, muitos acionistas olham apenas para o merchandising se aproveitando do pink money, porém ter esses produtos não significa que de fato apoiam e acolhem a comunidade LGBTQIA+. 

A Disney alcança um público gigantesco, desde seu conteúdo infantil até o adulto-juvenil, os estúdios ajudam a formar opinião de seus telespectadores, por isso que a inclusão de pessoas LGBTQIA+, tanto na equipe como nos personagens, é necessária, além disso promove o sentimento de pertencimento e que é possível ter produções explicitamente homoafetivas na Walt Disney.

FRENEZI EXPLICA: Cinema Além de Hollywood

A explicação do sucesso de Hollywood e análise do cinema ao redor do mundo

Por: Vitória da Rosa Geremias

Quando se fala em cinema, é impossível deixar de mencionar Hollywood. O distrito de pouco mais de 200 mil habitantes faz parte da cidade de Los Angeles, Califórnia, e é o maior responsável pela indústria cinematográfica dos EUA, com grande influência sobre o mundo inteiro. Hollywood é muito popular por seus blockbusters, ou seja, filmes super populares com alto rendimento financeiro, e hoje é considerada o polo mundial do cinema. Mas qual a razão para haver essa concentração produtiva e financeira nos EUA? Por que são os filmes americanos os mais populares, lucrativos, premiados e reconhecidos? O que há em Hollywood que favoreceu suas produções diante das outras indústrias cinematográficas?

Ao analisar a história de como tudo começou, o primeiro personagem a ser discutido é Thomas Edison, o inventor da lâmpada. Acontece que, entre o final do século XIX e início do século XX, o empresário criou um monopólio, juntamente com outros empreendedores que detinham patentes no ramo tecnológico, chamado Motion Pictures Patents Company (MPPC), com a finalidade de controlar e lucrar em cima de todas as produções no setor cinematográfico, causando má remuneração e altas cobranças de produtores e artistas.

O poder que Thomas Edison e a MPPC detinham sobre a cidade de Nova York influenciou essa classe criativa a se mudar para outra cidade em busca de “liberdade”. E então, começou a concentração em Los Angeles, a quase 4500 km de distância da metrópole nova-iorquina, a cidade se mostrava favorável pelo clima californiano, além de estar longe do alcance da MPPC. 

Nesse momento, surge a “Era dos Estúdios”, quando se desenvolveram em Los Angeles os grandes oito estúdios responsáveis pela produção cinematográfica estadunidense: United Artists, Paramount, Metro-Goldwyn-Mayer, Warner Bros, Fox, Universal, Columbia e RKO. Agora com o poder em suas mãos, os estúdios que faziam parte do Big Eight controlavam a produção e distribuição de conteúdo. Datam desse período os clássicos Casablanca (1942) e Cantando na Chuva (1952) que marcaram o cinema da época.

Cena do filme Casablanca com os protagonistas Humphrey Bogart e Ingrid Berman [Imagem: Reprodução/Veja]

No entanto, foi durante a “Era de Ouro” que a potência de Hollywood foi demarcada. Entre as décadas de 20 e 60, os avanços tecnológicos e os sucessos de bilheteria alavancaram a influência hollywoodiana sobre o mundo. Atores como Charles Chaplin, Marilyn Monroe, Carmen Miranda e Audrey Hepburn, se destacaram no cenário mundial. Foi também nesse contexto que surgiu a Academy of Motion Picture Arts and Science e sua primeira premiação honorária, que mais tarde veio a se chamar Oscar e permanece até os dias de hoje. 

O cinema estadunidense tinha uma fórmula extremamente comercial, o que o tornou bem sucedido. Por volta dos anos 60, influenciados pela contracultura, diretores como Martin Scorcese, Francis Ford Coppola, Steven Spielberg e George Lucas mudaram o rumo do cinema.  A “Nova Hollywood” dava mais destaque aos diretores do que aos atores, e havia uma liberdade criativa que não havia se visto antes. Sucessos como O Poderoso Chefão (1973), Taxi Driver (1976) e Star Wars (1977) marcaram o período que se estendeu até os anos 80.

A partir da década de 80, um último movimento surge no cenário hollywoodiano, permanecendo até os dias atuais. Com a popularização das câmeras VHS, o cinema independente ganha maior espaço no setor cinematográfico, são obras com baixo orçamento mas alto potencial de lucro, visto que são produzidas por cineastas já experientes.

Assim, o cinema estadunidense pode ser resumido em três camadas: os blockbusters, altamente comerciais, com grandes orçamentos que são superados pelos sucessos de bilheteria; as produções mais modestas, com mais lucro que investimento; e por fim, o cinema independente. 

O CINEMA ALÉM DE HOLLYWOOD

Índia: Bollywood, A Maior Indústria Cinematográfica do Mundo

Cartaz do primeiro filme produzido em Bollywood, Raja Harishchandra (1913) [Imagem: Reprodução/IMDb]

Porém, a potência cinematográfica estadunidense tem um concorrente de mesmo nível em termos de produção. Na Índia, mais especificamente, na cidade de Mumbai (também conhecida por Bombaim) fica Bollywood, a Hollywood indiana, onde os filmes de maior orçamento do país são produzidos.

O precursor do cinema bollywoodiano é o cineasta Dadasaheb Phalke, que em 1913 produziu o primeiro filme do país, o curta-metragem silencioso Raja Harishchandra. Com a chegada do cinema sonoro na década de 30, a Índia chegou a produzir mais de 200 filmes por ano, obtendo cada vez mais popularidade e sucesso comercial.  Embora o país estivesse muito afetado nos anos de 1930 e 1940, devido a Grande Depressão e à Segunda Guerra Mundial, o cinema foi como um respiro e uma fuga da realidade, apesar de muitos cineastas da época também abordarem temas políticos e de cunho social.

A “Era de Ouro” de Bollywood foi durante as décadas de 50 e 60, com musicais e melodramas que enchiam as salas de cinema. Foi nesse período que a Índia recebeu a primeira indicação ao Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro”, com Mother India (em português, Honrarás a tua Mãe) de 1957.

Cena do filme Honrarás a tua Mãe (1957) [Imagem: Reprodução/IMDb]

Como forma de rejeição ao mainstream do cinema indiano, surge por volta da década de 60 o “Cinema Paralelo”, um movimento cujo foco eram temáticas políticas, sociais, naturalistas e realistas que conquistaram os críticos da época. Na década seguinte, a indústria bollywoodiana é dominada por produções cinematográficas que incorporavam uma figura de “herói romântico”. Surge então, a primeira super estrela indiana, o ator Rajesh Khanna, que protagonizou 15 filmes do gênero de grande sucesso entre os anos de 1969 a 1971.

É durante a década de 70 que acontece a “Era Clássica” de Bollywood, e também o momento em que o cinema indiano recebe o apelido a partir da junção das palavras Bombaim e Hollywood. Foi nesse período de auge das produções indianas que uma dupla de roteiristas, Salim Khan e Javed Akhtar, redirecionaram o cinema do país. Trazendo narrativas sobre o crime na cidade de Bombaim, com conflitos violentos e que refletiam a precariedade e descontentamento do povo. Surge uma nova figura no cinema, o de “jovem homem revoltado”, que foi frequentemente protagonizado pelo ator Amitabh Bachchan.

Hoje, Bollywood é considerada a maior indústria cinematográfica do mundo e, durante os anos, puderam ser percebidos alguns padrões estéticos do cinema indiano. Por ser um país com uma cultura musical muito forte, os filmes geralmente apresentam cenas de dança e música. A maioria das obras produzidas são melodramáticas e folclóricas, as atuações musicais exageradas criam um espetáculo ainda mais dramático e artístico, se tornando um elemento diferencial do cinema indiano.

Rituais de conquista amorosa são temas muito comuns no cinema indiano, e apesar de romance e sensualidade estarem presentes na narrativa, cenas de sexo são censuradas no país. Os filmes também são famosos por suas tramas clichês: triângulos amorosos, dramas familiares, heróis e vilões, comédia e suspense são enredos que, por vezes, estão todos em uma mesma obra. Características como essas são as que fazem o cinema de Bollywood ser tão lucrativo, pois é o tipo de entretenimento popular que garante sucesso de bilheteria.

Cena do filme Lagaan: A Coragem de um Povo (2001), longa indicado ao Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro” em 2002 [Imagem: Reprodução/MUBI]

Coreia do Sul: A Nova Potência do Entretenimento Mundial

Cena do filme Em Chamas (2018), filme sul-coreano que representou o país no
 Oscar de 2019 [Imagem: Reprodução/IMDb]

Hollywood é a principal indústria cinematográfica do mundo, e Bollywood a maior, no entanto, atualmente um novo país tem se destacado como uma nova potência do cinema mundial: a Coreia do Sul. Até o final da década de 1910, somente filmes estrangeiros, a maioria ocidentais, eram exibidos nos cinemas coreanos. Foi então que Park Seongpil, um produtor e empresário do ramo cinematográfico, comprou um cinema e patrocinou o lançamento do primeiro filme coreano, chamado A Vingança Honrada (의리적구투), de 1919.

Entretanto, devido a colonização japonesa da época, o início do cinema coreano foi um tanto pobre em lançamentos. Os filmes mais famosos da época foram Arirang (아리랑) de 1926 e Ao encontrar o amor (사랑을 찾아서) de 1928, porém, nenhum deles existe mais nos dias de hoje.

Com a libertação do domínio japonês na Coreia, em 1945, o cinema nacional passou a crescer. O primeiro filme que representa e marca essa independência é o romance Viva, Freedom (자유만세), onde o protagonista foge do exército japonês após se envolver com o Movimento  de Independência e se apaixona por uma enfermeira. Ainda na mesma década, outros dois filmes fizeram sucesso e alavancaram o cinema coreano, sendo eles A prosecutor and a teacher (검사와 여선생), de 1948, e Hometown in My Heart (마음의 고향) , de 1949.

Cena do filme Viva, Freedom (자유만세), de 1946 [Imagem: Reprodução/MUBI]

Após a Guerra das  Coreias, na década de 1950, a indústria cinematográfica sofreu para se recuperar. Na Coreia do Sul, filmes com temáticas anticomunistas, além de romances e comédias, eram o foco da produção. Foi nesse período que o sul da península teve sua “Era de Ouro”, com ajuda do governo além de outras contribuições estrangeiras. 

O fim da “Era de Ouro” se deu pelos regimes ditatoriais, com censuras que começaram em 1948 e se tornaram mais brandas somente na década de 80, prejudicando a indústria cinematográfica coreana. A industrialização acelerada que tomou conta da Coreia do Sul, nas décadas de 70 e 80, ajudou o cinema a se reerguer. Entretanto, mais obstáculos surgiram, a crise monetária do FMI em 1997 e os conflitos militares com a Coreia do Norte atrapalharam a produção cinematográfica, mas, apesar dos empecilhos, os cineastas insistiram e assim surgiu um novo movimento.

Cena do filme Oldboy (2003), um dos primeiros blockbusters sul-coreanos 
[Imagem: Reprodução/IMDb]

O Novo Cinema Coreano trouxe consigo a era dos blockbusters, representado pela estreia do filme Shiri em 1999. A partir desse momento, várias produções coreanas passaram a fazer sucesso fora do país, como Oldboy (2003), O Hospedeiro (2006) e Em Chamas (2018). O movimento se mostrou forte durante as décadas seguintes e, em 2020, a Coreia do Sul marcou a história do Oscar. O longa-metragem Parasita (2019) ganhou, não somente, o Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro”, “Melhor Diretor” e “Melhor Roteiro Original”, como também o de “Melhor Filme”, sendo a primeira produção não falada em inglês a receber o maior prêmio da noite. 

Quando o cinema sul-coreano passou a ganhar reconhecimento nos anos 2000, o governo do país criou um sistema de cotas a fim de investir na produção nacional e incentivar filmes independentes. Nasce então o grande diferencial da cinematografia sul-coreana: o balanço entre o comercial e o artístico/original. O diretor Bong Joon-ho (Parasita, O Hospedeiro, Okja, etc), por exemplo, é um dos cineastas que consegue conciliar a produção de um filme blockbuster contentando não somente o público mas também a crítica.

Hoje o cinema da Coreia do Sul é uma das três maiores indústrias cinematográficas do mundo, juntamente com as potências Hollywood e Bollywood.

Momento histórico em que Parasita é premiado com o Oscar de Melhor Filme, 
no ano de 2020 [Imagem: Reprodução/Globo]

França: O Berço do Cinema

Cena do filme Viagem à Lua (1902) [Imagem: Reprodução/Superinteressante]

No ano de 1895, na França, os irmãos Auguste e Luis Lumière inventaram o cinematógrafo, uma máquina de filmar e projetar imagens. Os dois eram engenheiros e filhos de um fotógrafo, e foi na cidade de La Ciutat que a primeira exibição cinematográfica do mundo aconteceu. 

Os primeiros filmes não tinham roteiro, e na verdade, serviam mais como documentários, porque os próprios irmãos Lumière nunca pensaram que a sua invenção teria finalidade comercial no futuro. Somente com o cineasta revolucionário, Georges Méliès, que via a cinematografia como uma extensão dos palcos, é que surgem os primeiros filmes com roteiro. As principais produções de Méliès são Cleópatra (1899), Viagem à Lua (1902), As Viagens de Gulliver (1902) e Fausto (1904).

As duas primeiras décadas do século XX eram dominadas pelo cinema francês. Infelizmente, com a Primeira Guerra Mundial,  a indústria de entretenimento francesa sofreu com a depressão econômica e isso favoreceu as produções estadunidenses, que acabaram ganhando espaço e público na Europa na década de 20. O governo francês a fim de ajudar os cineastas de seu país, estabeleceu uma lei que tornava obrigatória a exibição de um filme nacional a cada sete filmes estrangeiros.

O cinema nacional ainda não tinha se recuperado totalmente até a chegada da Segunda Guerra Mundial e, consequentemente, da invasão alemã ao território francês, o que tornou ainda mais difícil a produção cinematográfica da época. Entretanto, existe uma obra de caráter nacionalista feita no período, que só foi exibida após o fim da guerra, O Boulevard do Crime (1945), filme de Marcel Carné, considerado por muitos críticos como a melhor produção francesa de todos os tempos. 

Cena de O Boulevard do Crime (1945) [Imagem: Reprodução/MUBI]

Entre as décadas de 50 e 60, na recuperação do pós-guerra que reergueu o país , surge um movimento artístico chamado Nouvelle Vague, que via o cinema como uma ferramenta para mudar o mundo. Impulsionados pelo Neorrealismo, o movimento nasceu entre jornalistas e críticos e ia contra o método convencional de fazer filmes. Os cineastas desse movimento eram adeptos de novas técnicas de direção e não necessitavam de grandes orçamentos. 

As principais características estéticas podem ser resumidas a longos planos sequência, roteiros improvisados e falta de continuidade. As temáticas abordadas eram de cunho existencial, com sarcasmo e ironia, principalmente nos momentos em que faziam referência a outras obras cinematográficas. O baixo orçamento também levou a inovações estilísticas no que se refere a cenário e equipamentos, fazendo com que os cineastas buscassem maneiras de expressão artística dentro do que tinham disponível. Mas o maior aspecto da Nouvelle Vague era ir contra a maré do mainstream e desafiar o espectador, revolucionando o cinema e criando novos métodos de direção, como a “quebra da quarta parede”, por exemplo.

A revista Cahiers du Cinéma era o principal meio pelo qual as ideias do movimento se difundiram. Foi lá que os jornalistas, críticos e cineastas da revista começaram a questionar o cinema vigente na França e o padrão narrativo das obras de Hollywood. Os principais nomes do movimento eram François Truffaut, Jean-Luc Godard, Éric Rohmer, Claude Chabrol e Jacques Rivette. O filme considerado como pontapé inicial da Nouvelle Vague é de Chabrol, chamado Le Beau Serge (1958), que foi seguido por outros grandes exemplos do movimento como Os Incompreendidos (1959), de Truffaut e Acossado (1960), de Godard.

Cena do filme Os Incompreendidos [Imagem: Reprodução/MUBI]

O cinema francês na década de 80 passou a competir com as produções americanas, com produções mais caras, e a partir dos anos 90, os franceses levaram o cinema nacional a outro patamar. Liderados pelo cineasta Jean Pierre Jeunet, grandes obras como Delicatessen (1991), Ladrão de Sonhos (1993) e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) marcaram o cinema internacional com atores talentosos e diretores premiados.

Cena do filme Piaf – Um Hino ao Amor (2007), que garantiu BAFTA, Globo de Ouro e 
Oscar de Melhor Atriz para Marion Cotillard [Imagem: Reprodução/MUBI]

Brasil: Uma Potência Emergente

Cena do filme Alô Alô Carnaval (1936) [Imagem: Reprodução/IMDb]

Em 19 de junho de 1898, data que hoje é dedicada ao Dia do Cinema Brasileiro, dois irmãos italianos, Paschoal e Affonso Segreto, fizeram gravações da Baía de Guanabara, se tornando então, os primeiros cineastas do Brasil. Entretanto, foi no ano de 1897, no Rio de Janeiro, que o cinema chegou ao país pela primeira vez através de Paschoal Segreto, que trouxe para exibição uma série de curtas-metragens sobre o cotidiano das cidades europeias. Desde então, o cinema brasileiro vem crescendo e conquistando reconhecimento mundial, apesar de momentos de desvalorização e baixo investimento na produção nacional. 

A primeira década da sétima arte no Brasil passou por algumas dificuldades logísticas, visto que, a falta de energia elétrica era uma questão que impedia a propagação de salas de cinema pelo país. Foi entre os anos de 1907 e 1910 que o cinema se estruturou no Brasil, primeiramente exibindo filmes estrangeiros e produzindo documentários. Com uma base fortalecida, atores e atrizes foram surgindo e mais de 30 filmes foram produzidos nessa época. A primeira obra de ficção é de 1908: Os Estranguladores, um curta-metragem de Francisco Marzullo e Antônio Leal e é em 1914 que, O Crime dos Banhados, de Francisco Santos, se torna o primeiro longa-metragem brasileiro.

Foi na década de 30, com a criação do primeiro grande estúdio do Brasil, Cinédia, que a produção brasileira alavancou. É dessa mesma época o primeiro filme sonoro do país, a comédia Acabaram-se os Otários (1929), de Luiz de Barros, que foi seguida por outros grandes títulos como Limite (1931), de Mario Peixoto, A Voz do Carnaval (1933), de Ademar Gonzaga e Humberto Mauro, e Ganga Bruta (1933) de Humberto Mauro.

Cena do filme Ganga Bruta (1933) [Imagem: Reprodução/IMS]

A dominação de Hollywood já era um fator recorrente e o público gostava das narrativas estadunidenses, logo, as histórias românticas e musicais que (quase sempre) terminavam com um final feliz, foram vistas pela Cinédia como uma maneira de aproximar o cinema brasileiro do público novamente. É nesse momento que a estética dos cenários grandes e brilhantes surgem, juntamente com a estrela Carmem Miranda, em produções nacionais como Alô, Alô, Brasil (1935) e Alô, Alô, Carnaval (1936). Para entender melhor a história do cinema brasileiro, leia o texto escrito por Rhaísa Borges, “O cinema brasileiro: dos primórdios à atualidade”.

Nigéria:  Nollywood, A Maior Indústria Cinematográfica Africana

Cena do filme The Amazing Grace (2006) [Imagem: Reprodução/MUBI]

Apelidado de Nollywood, o cinema nigeriano é a maior indústria cinematográfica africana, e está entre as maiores do mundo. Suas narrativas têm propostas autênticas e procuram representar a identidade africana, portanto, não se encaixam no perfil comercial das produções estadunidenses. A língua oficial do país é o inglês, o que ajuda a dar mais visibilidade para a representatividade cultural que os  cineastas propõem.

A indústria cinematográfica é responsável por ser a segunda maior geradora de emprego no país, é autossuficiente, ou seja, não necessita de financiamentos governamentais, e leva ao mercado interno e externo mais de 200 filmes por mês. Apesar do país ser o país com maior população no continente africano, ele não possui muitas salas de cinema, portanto, os lucros comerciais dos filmes são, na sua grande maioria, gerados pela compra de DVDs e aluguel de streaming.

Os filmes nacionais são tão populares para a Nigéria como as novelas são para o Brasil. A produção nigeriana de maior bilheteria é de Jeta Amata, chamado The Amazing Grace (2006), que teve cerca de 25 mil espectadores. As produções de Nollywood são a maior representação da cultura africana na sétima arte, e demonstra a necessidade de restabelecer a identidade e buscar suas raízes após anos de colonização britânica no seu território.

Cena do filme Lionheart (2018) [Imagem: Reprodução/Netflix]