[CRÍTICA] ‘30’: O comeback de Adele

Mesmo sem lançar nada desde 2016, Adele está maior e melhor do que nunca. Com um dos álbuns mais esperados dos últimos tempos, 30 chegou ontem (19) e já quebrou recordes, ao se tornar o primeiro disco feminino a atingir o topo na Apple Music em 120 países, a 6ª maior estreia por um álbum feminino na história do Spotify e está no Top 11 da Apple Music dos EUA e Top 13 do Spotify EUA com todas as faixas.

Inicialmente era para ser lançado em Setembro de 2020, porém foi adiado devido a pandemia do COVID-19. Assim, esse ano as divulgações começaram de maneira misteriosa. O número 30 foi visto em projeções pelo mundo e especulações de um novo álbum da cantora surgiram.

Em Outubro, Adele lançou o single Easy On Me, a música que conseguiu o primeiro lugar 109 países, a primeira a fazer isso na história da Apple Music, e divulgou oficialmente o 30 com uma carta aberta onde conta que começou a escrevê-lo em 2018 quando passava por momentos difíceis e turbulentos, como seus amigos a ajudaram a passar por essas dificuldades e que se sente finalmente pronta para lançar esse álbum.

Além disso, esse mês, Adele continuou as divulgações com photoshoots e particões em eventos e entrevistas. Seu especial da CBS Adele: One Night Only, onde conversou com Oprah Winfrey, cantou seus maiores hits e 3 músicas novas, foi o programa de entretenimento mais assistido do canal com quase 10 milhões de telespectadores. Hoje (20), fez uma permance no NRJ Music Awards e amanhã (21) está previsto outro especial, o An Audience With Adele, onde também cantará mais músicas do novo álbum. Algumas das maiores celebridades do momento mostram seu apoio e amor pela cantora na plateia de ambos os eventos.

Em entrevista para a Apple Music, ela confessa que este é o seu “álbum mais pessoal e sensível até o momento”, é uma maneira de explicar seu divorcio com o empresário Simon Konecki para o filho do casal, a terceira faixa My Little Love, é uma das mais íntimas e abertas, ela representa claramente isso ao incorporar alguns clipes dela conversando com o menino de nove anos sobre o rompimento. Em um momento ela até considerou não lançar o álbum, mas foi muito importante na sua vida nos últimos anos e que “quando sair, será a última porta se fechando naquele capítulo da minha vida”.

A primeira música Strangers By Nature, co-produzida pelo compositor de cinema Ludwig Göransson, passa um ar de filme e mostra o que esperar do resto da coletânea. Adele se arriscou nesse álbum, não somente pelas composições vulneráveis e honestas, mas também pelos novos ritmos e estilos explorados nele. As canções do meio como Cry Your Heart Out, Oh My GodCan I Get It e o interlude All Night Parking com Errol Garner, possuem ritmos mais animados e diferentes do que costumamos ouvir da cantora, mas ainda passam sua essencia e funcionam muito bem. 

Confessa a revista The Face “Eu só queria reconhecer todas as minhas muitas camadas, o que eu acho que definitivamente é algo que vem com a idade. Obviamente, depois de um grande momento de vida, como meu divórcio, é bom experimentar um pouco mais com inspirações ecléticas. Eu queria, mais do que tudo, apenas me confortar. Não era realmente sobre o que eu queria dizer às pessoas . Era mais como:“ O que eu preciso ouvir para mim, liricamente?”

I Drink Wine, uma das favoritas dos fãs, foi descrita por Adele em sua entrevista para a revista Rolling Stone, como “uma canção sobre como se livrar do ego, com um toque de Elton John e Bernie Taupin dos anos setenta”. Também revelou que a faixa originalmente teria mais de 15 minutos e a gravadora pediu para que alguns cortes fossem feitos e a duração fosse menor. “[A gravadora] estava tipo, ‘Ouça, todo mundo te ama, mas ninguém toca uma música de 15 minutos no rádio’”. Agora com o sucesso de Taylor Swift com a versão de 10 minutos de All Too Well, os provou errado e só podemos imaginar como seria ela inteira.

Adele por Simon Emmett [Imagem: Reprodução/ Twitter]

“Eu sinto que este álbum é uma autodestruição, depois uma autorreflexão e depois uma espécie de autorredenção” Adele disse à Vogue Britânica. Ela assume a responsabilidade pela separação, Não houve brigas, gritos, infidelidades, diz ela, apenas uma lenta percepção de que “realmente não estava feliz”. 

Woman Like Me é mais direta, ela repreende seu ex por ser complacente, preguiçoso e inseguro, e desperdiçar o potencial de seu relacionamento, mas  fala também sobre ela mesma, e seu caminho para se encontrar. E Hold On, acompanhada por um coral, continua na sua jornada de autoconhecimento e críticas a si mesma. 

To Be Loved, é uma faixa muito emotiva e profunda, tem sete minutos de duração apenas do piano do co-escritor e produtor Tobias Jesso Jr e de Adele, além da potência dos vocais da cantora e contou com um vídeo caseiro. A última música Love Is A Game, é o encerramento perfeito do álbum. Junta os elementos de canções anteriores e conclui toda a narrativa trabalhada no “30”. 

Adele, nunca decepciona e trouxe novamente um álbum impecavel, aclamado pelos críticos, com a pontuação de 91 no Metacritic. A cantora consegue usar seus piores momentos e transformá-los em arte, compartilha seus sentimentos e emoções de maneira pura, capaz de fazer você chorar sobre um divórcio mesmo sem nunca ter se casado. Ela prova que é uma das maiores vozes da nossa geração e continua maior do que nunca. 

Adele no estúdio [Imagem: Reprodução/ Twitter]

5 dicas para ter uma rotina matinal e deixar seus dias mais produtivos

Na maioria das vezes, o cotidiano das pessoas demanda tarefas que acabam caindo na rotina pelo simples fato de se repetirem com frequência durante a semana. Seja no trabalho, na escola ou na faculdade, o termo “rotina” pode parecer enjoativo para muitos. No entanto, a criação de uma, além de ser fundamental para a organização pessoal, pode trazer inúmeros benefícios para a saúde mental.

A rotina matinal se torna umas das mais importantes, já que as manhãs são as primeiras horas do dia, então nada melhor do que começar com o pé direito. Para a psicóloga e pedagoga Katia Lucas Rosa, uma rotina matinal pode sim trazer vantagens para o psicológico, mas a rigidez em relação à ela não pode acontecer. “Não é porque um dia não deu para fazer algo da rotina, que o seu dia não vai ser bom. Se a gente cria um hábito e fica muito rígido naquilo, deixa de ser bom, nós precisamos de um equilíbrio”, alerta Katia.

O autoconhecimento também é um dos fatores importantes na programação diária e semanal. Entender suas necessidades e conhecer seus próprios limites se faz necessário para a criação de algo realista, concreto e não utópico. Portanto é preciso entender que não é do dia pra noite que você terá uma rotina matinal perfeita e lotada de coisas – o processo de adaptação a esses novos hábitos é lento, então a dica é ir aos poucos para criar cada vez mais consistência.

Para ajudar, a psicóloga Katia listou algumas dicas importantes para a criação de uma boa rotina matinal:

Planejar no dia anterior

Foto: Reprodução

Organização é sempre um dos nossos aliados para o combate à ansiedade. A utilização de planners, bullet journal ou aplicativos pode ajudar no planejamento do seu dia e dos seus hábitos: a dica é sempre se organizar no dia anterior ou no começo da semana, assim ficará mais fácil para visualizar seus compromissos.

Meditar (se conseguir)

Foto: Reprodução

A meditação é necessária para muitos, porém nem todas as pessoas conseguem realizar essa atividade. Nos dias de hoje, existem muitos aplicativos que auxiliam a prática, mas o simples parar, respirar e tomar consciência dos seus pensamentos já é o suficiente.

Atividades físicas

Foto: Reprodução

Não é novidade para ninguém que exercícios físicos trazem benefícios tanto para a saúde mental quanto para a saúde física. Sua prática produz e libera a endorfina, hormônio do bem-estar, o qual estimula sensações de conforto, melhor estado de humor e alegria. Além disso, este hormônio também é responsável pela melhora nos quadros de ansiedade e depressão.

Alimentação

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O café da manhã é conhecido por ser a refeição mais importante do dia. Portanto, ter uma boa alimentação é necessário para que sua rotina matinal seja equilibrada. Além disso, outra boa dica é deixar o celular de lado durante o momento e prestar atenção no que você está ingerindo.

Caderno e uma caneta ao lado da cama

Foto: Reprodução

Segundo Katia, ter sempre um caderno e uma caneta ao lado da cama pode ser essencial no seu relaxamento antes de iniciar sua rotina matinal, pois a cada lembrete do que temos que fazer no dia seguinte pode ser anotado. Assim, tiramos aquela ideia da mente e conseguimos relaxar.

Nós sabemos que nem sempre é fácil organizar tantos hábitos e compromissos – o dia tem só 24h, afinal de contas! – mas é de grande importância ter um esquema para que as obrigações não se tornem um fardo e atrapalhem a vida.

A trajetória das bruxas do cinema: A evolução e os clássicos da feitiçaria nos filmes e séries ao longo dos anos

As bruxas são as protagonistas do Halloween e no cinema não é diferente. O Mágico de Oz (1939), A Feiticeira (1964),  Elvira: A Rainha das Trevas (1988), Convenção das Bruxas (1990) e Abracadabra (1993) são alguns exemplos de filmes e séries em que as personagens foram retratadas de diferentes formas – tanto na sua aparência e modo de se vestir como na personalidade e no estereótipo de bruxa boa ou má.

A Bruxa Má do Oeste, em O Mágico de Oz, foi desenvolvida com o típico estereótipo ocidental: pele verde, verruga, nariz pontudo e jeito maldoso. Os contos de fadas da Disney sempre apresentavam tais personagens como pessoas feias, ou seja: fora do padrão; Além dos elementos de composição como o gato preto e o caldeirão. 

A princípio, o cinema enxergava as feiticeiras sob uma perspectiva negativa, por isso a representação dessas mulheres era feita de uma forma horrorosa. Temos por exemplo a Bruxa do 71 em Chaves (1971), que por ser caracterizada como feia e medonha, era associada como bruxa pelas crianças da vila (mesmo não sendo uma).

A Bruxa Má do Oeste em cena em ‘O Mágico de Oz’ (Foto: Reprodução)

Já Samantha Stephens, protagonista de A Feiticeira (1964), quebrou tais paradigmas sendo uma típica garota americana, como é citado no primeiro episódio, não seguindo essa construção em sua personagem.

Ao longo da série há um desenrolar de uma narrativa paralela a da imagem pejorativa que a mídia passa. Em especial o capítulo ‘As bruxas estão à solta’, quando o marido de Samantha, James Stephens, é contratado para produzir uma campanha para o Halloween. O cliente de Stephens quer utilizar o típico estereótipo norte americano de bruxas como seres ruins, mas Samantha aconselha e pede ajuda a James para promover a ideia de que elas também podem ser pessoas bonitas e gentis.

A Feiticeira – “As Bruxas estão à solta” (Foto: ABC Photo Archives/Disney General Entertainment Content via Getty Images)

A Idade Média e a Santa Inquisição foram épocas que influenciaram nesse modelo de caracterização de que as mulheres são sedutoras e mensageiras do Diabo, ideal seguido pela indústria cinematográfica até hoje – são diversas  as histórias de perseguição às mulheres. Muitas eram taxadas de feiticeiras por seus conhecimentos em medicina natural, considerados encantamentos contra a Igreja Católica e suas preces da época. 

É possível ver essa relação em As bruxas de Eastwick (1987) e Elvira: A rainha das trevas (1988), que já seguem a linha cativante e bela: com roupas mais sexy, decotes e pautas sobre a liberdade sexual em uma sociedade conservadora, as bruxas passam a transmitir outro olhar ao telespectador, que agora já tinha como maioria o público jovem.

Susan Sarandon, Cher e Michelle Pfeiffer em cena de As Bruxas de Eastwick (1987) (Foto: Reprodução)

Salém é outro grande exemplo. A pequena cidade no estado de Massachusetts, Estados Unidos, ficou conhecida pelo maior julgamento e caça às bruxas da história, que resultou na prisão e condenação à morte de mais de 200 pessoas – dentre elas, três mulheres pobres consideradas as “Bruxas de Salém”, que foram enforcadas em público. Em 1692 a cidade era uma colônia inglesa puritana comandada pela Igreja Católica que comandava a inquisição e utilizou trechos da Bíblia fora de contexto para provar o pecado. A cidade também teve grande influência no cinema, sendo sempre considerada o lar das feiticeiras.

Os anos 90 trouxeram a essência cômica e infantilizada para o universo das bruxas, apaziguando o terror, como é visto no clássico filme da Disney, Abracadabra, que conta a história das irmãs Sanderson: Sarah, Winifred e Mary, que foram banidas de Salém pela prática da magia. Com roupas medievais, chapéus pontudos e vassouras, além dos encantos  que são feitos com músicas e danças, o longa mostra mais uma versão das bruxas em filmes.

Sabrina Spellman, Sabrina a bruxinha adolescente e O mundo sombrio de Sabrina (Esquerda, fonte: Viacom Productions/Paramount Television; Direita, fonte: Warner Bros. Television/Netflix)

O fim dos anos 1990 também trouxe a série, filme e desenho animado, Sabrina, a bruxinha adolescente (1996), que manteve a essência de A Feiticeira, sendo Sabrina uma jovem com vida dupla e sem o estereótipo ocidental do que seria uma bruxa. Posteriormente o reboot, O mundo sombrio de Sabrina (2018), trouxe, novamente, uma versão mais macabra com elementos de terror, opostos à série de 96.

Por mais que ao longo dos anos, o cinema tenha alterado a caracterização das bruxas, o estereótipo norte americano foi se quebrando conforme o contexto histórico e  o momento em que vivia o movimento feminista – que desempenhou grande influência na caracterização dessas personagens. O filme A Bruxa (2015) mostra essa relação sobre as mulheres do século 17 que eram retratadas como feiticeiras por não se encaixarem no padrão da época.

Seja em filmes cômicos, infantis ou de terror, as bruxas más não são mais representadas como feias, dentro do padrão de beleza ocidental,  com pele verde e nariz longo, igual era a Bruxa Má do Oeste em O Mágico de Oz. Os elementos de caracterização: chapéus pontudos, roupas medievais e vassouras continuam, porém não mais são utilizados como distinção entre as boas e más, tendo, por fim, a busca por quebrar esse padrão que as desvaloriza

8 livros com temática LGBTQIA+ para se identificar e se informar

Se informar é o melhor jeito de evoluir. Vem com a gente conhecer alguns livros sobre a comunidade e aproveite essas leituras emocionantes!

O Pride Month é só em junho mas o orgulho, a força e o talento duram o ano inteiro. Conheça aqui alguns títulos que trazem histórias e personagens queer para todos os gostos, passando desde clássicos da literatura até leituras mais leves, autobiográficas e histórias em quadrinho. Então, se ficou interessado, se liga nessa lista com algumas indicações MARAVILHOSAS!

1. O quarto de Giovanni – James Baldwin

Narrada em primeira pessoa, a história acompanha David, um jovem americano que viaja para França à espera de sua namorada, Hella, que está na Espanha aguardando uma resposta para seu pedido de casamento; e Giovanni, um garçom francês com quem o personagem desenvolve uma profunda relação ao longo do livro.

O autor discorre na obra a complexidade de amores interrompidos por preconceitos impostos pela sociedade e a dificuldade de se viver um romance homossexual dentro de uma sociedade lgbtfóbica e violenta.

James Baldwin (1924 – 1987) é um autor Americano, negro, homossexual e militante que conseguiu fazer história na literatura americana com o título. Na obra, suas experiências de vida permeiam a história de David e Giovanni tornando o livro um tanto quanto autobiográfico.

2. Os Sete Maridos de Evelyn Hugo – Taylor Jenkins Reid

Em “Os Sete Maridos de Evelyn Hugo”, a autora narra a história de Evelyn, uma famosa atriz que já no fim de sua carreira decide contar todas as suas memórias de vida (sem guardar nenhum detalhe) para uma jornalista, que não tem ideia de por quê foi escolhida. 

Ambientado na antiga Hollywood e todo seu esplendor cinematográfico, a obra acompanha a ascensão da estrela desde sua infância em um bairro pobre, passando pelos seus primeiros papéis como atriz e até vencer um Oscar.

Com uma escrita dinâmica e emocionante, o livro é daqueles que você lê em uma sentada só, perdendo fôlego e segurando as lágrimas. É impossível não se intrigar com a vida e as experiências da protagonista.

3. Dois Garotos se Beijando – David Levithan

Este livro conta quatro histórias diferentes narradas simultaneamente. Acompanhamos Peter e Neil, um casal junto há 1 ano que está com medo de experimentar coisas novas; Cooper, um jovem que passa suas noites em salas de bate-papo online com homens adultos; Avery e Ryan, que se conhecem num baile de escola e despertam o interesse um do outro; e por fim Harry e Craig, ex namorados que se juntam para bater o recorde de beijo mais longo do mundo (com duração de 32 horas).

A grande sacada de “Dois Garotos se Beijando” é sua narração: com um formato de narrador-observador, a voz que conta as histórias e as comenta ao longo da narrativa é a de uma geração passada de homens gays, que morreram na epidemia de AIDS dos Estados Unidos, em 1980, trazendo pontos de vista extremamente emocionantes e necessários para a história.

“(…) A liberdade não é só uma questão de votar e casar e beijar na rua, embora todas essas coisas sejam importantes. A liberdade também é uma questão do que você vai se permitir fazer(…)”, com essa frase o autor sintetiza a dualidade da narração x narrativa. Apesar de viverem um presente com uma sociedade muito mais aberta e livre, os garotos da história ainda vivenciam muitos dos mesmos preconceitos sofridos pelos narradores da década de 80.

4. Stella Manhattan – Silviano Santiago

Ambientada em Nova York, a obra mostra um grupo de brasileiros exilados que planeja um golpe contra o adido militar sediado no consulado brasileiro, ligado ao golpe de 64. A narrativa ficcional acompanha Eduardo Costa e Silva, que mais tarde se descobre como Stella Manhattan.

Considerado o primeiro romance gay da literatura brasileira, Silviano Santiago fez história ao narrar a vida de uma travesti como protagonista de um romance, articulando uma história entre aparência e realidade, opressão e liberdade e criando um ótimo retrato da literatura pós-golpe.

5. A Canção de Aquiles – Madeline Miller

O livro traz uma “releitura da Ilíada” feita por Madeline Miller, porém do ponto de vista de um personagem que na obra original foi deixado de lado. Patroclus é um jovem que após ser exilado, vai morar sob o teto do rei Peleu para entrar em seu exército, porém acaba conhecendo Aquiles, o príncipe, com quem desenvolve uma relação profunda.

Na Ilíada original, Patroclus é descrito por Aquiles como “uma amada companhia”. Muitos gregos acreditavam que os dois realmente foram amantes e possuíam uma relação complexa e extensa, mas como muitos outros casais homossexuais da história, seu relacionamento foi apagado. (“oh, they were just very good friends!”)

Usando essa premissa, a escritora conta sua versão da clássica odisseia grega numa narrativa permeada de poesia e beleza, com passagens de arrancar o fôlego e rolar lágrimas.

6. Variações Enigma – André Aciman

Do aclamado autor de ‘Me Chame Pelo Seu Nome’, ‘Variações Enigma’ acompanha a trajetória do italiano Paul e todas as suas paixões e relacionamentos ao longo de sua vida.

Com a mesma escrita sensual, apaixonante, profunda e rica de ‘Me Chame Pelo Seu Nome’, André Aciman retrata em sua obra a fluidez da sexualidade humana e a amplitude de seu espectro. Nas palavras do próprio autor, “O tema medíocre, você poderia dizer, é a sexualidade humana. O que poderia ser mais estúpido do que a sexualidade humana?

E, no entanto, olhe só, ela domina toda a nossa vida, ela basicamente nos marca e nos faz fazer todo tipo de coisa. É um impulso humano, que nós aceitamos e toleramos, e jogamos segundo as suas regras. Mas, ao mesmo tempo, não é exatamente o aspecto mais lisonjeador da nossa humanidade. Talvez seja, não sei”.

7. Eu, Travesti – Luísa Marilac e Nana Queiroz

Assumida travesti à sua família aos 17 anos de idade, Luísa Marilac é sinônimo de força e resistência – aos dezesseis levou sete facadas nas costas, ficou em coma e perdeu um pulmão devido a um ataque homofóbico “foi a minha primeira experiência com a morte. Ali, eu achei que iria morrer. eu já tinha sofrido muitas outras violências, mas nada comparado a essa, em que pessoas queriam me ver morta”, recorda Luísa.

O livro traz a biografia de Marilac escrita pela jornalista Nana Queiroz, com uma história extremamente forte e dura de se ler mesclada com uma bela mensagem de positividade, aceitação e liberdade.

Pele de Homem – Hubert e Zanzim 

O famoso quadrinista francês, Zanzim, se junta com o escritor Hubert para criar uma história um tanto quanto inovadora em “Pele de Homem”. Bianca é uma jovem italiana que chegou na idade de se casar, e de fato está prestes a fazê-lo – seus pais já lhe encontraram um noivo, o jovem, rico e simpático Giovanni. Porém Bianca não consegue deixar de se frustrar por estar se casando com alguém que mal conhece. 

É então que a dupla de autores introduz o segredo guardado pela família da garota por gerações, uma “pele de homem”. Bianca veste tal pele e se transforma em Lorenzo, um jovem belo e elegante, e passa a desfrutar de todos os benefícios de ser homem na época.

Ambientado na Itália renascentista, esta HQ conquistou o prêmio Fauve de Lycéens em 2021 e diversos outros importantes prêmios franceses e mundiais. Com uma história cativante e extremamente interessante, a obra explora os limites sociais impostos às mulheres, a sexualidade, a curiosidade e o amor.

Como dissemos, o Mês do Orgulho LGBTQIA+ acontece só em junho, mas sempre temos motivos para celebrar e procurar força em artistas que fazem parte desse grupo tão marginalizado.

Na editoria de Cultura traremos muitas resenhas, matérias pautadas em grupos históricamente excluídos e tantos outros motivos pra celebrar a arte que há por aí. E que comece a frenezia!

A Frenezi

Carta das editoras-chefes

Há alguns dias temos pensado em como começar esse texto. Perceber que a Frenezi não é mais só um projeto e que agora faz parte da vida de pessoas que não são nós duas nos assusta e também nos alegra. 3 meses de revista… Onde podemos chegar? O que podemos fazer? O lançamento do site é só mais um início pra nossa trajetória. Não vamos usar falsa modéstia – desde o início tivemos certeza de que esse vai ser muito mais do que um projeto de quarentena pra matar o tédio. Cada dia mais temos certeza de que o destino da Frenezi é plural e será criado por muitas mentes brilhantes.

Esperamos colocar no mundo algo completamente novo. E sim, existem muitas revistas independentes por aí, mas esta é diferente, esta é especial. Para um projeto que nasceu como uma conversa de amigas — sem planos concretos, estratégias ou investimento — lentamente foi se tornando algo real, maior, que existe além de nós e para todos. A Frenezi nasce do amor pelas artes, cultura e entretenimento, da vontade de fazer melhor e incluir a todos. Algo que, de muitas formas, se torna mais do que apenas uma revista.

Hoje dividimos mais uma parte dela com você, um pedaço de um todo esplêndido que vem para molhar os pés de todos aqueles que quiserem conhecer.

Bem-vindos à Frenezi.

Atenciosamente,
Ana Clara Barros e Marina Bittencourt