Confira os Indicados ao Emmy 2022

Nesta terça (12) a Television Academy anunciou os indicados a 74ª edição do Emmy Awards, apresentados pelos atores J.B Smoove e Melissa Fumero. Como grande novidade foi anunciada que a edição deste ano teve recorde de inscritos ao prêmio.

Succession (2018 – atualmente), com 25 indicações, Ted Lasso (2020 – atualmente), The White Lotus (2021), com 20 indicações cada, Hacks (2021 – atualmente) e Only Murders In The Building (2021 – atualmente), ambas com 17, formam o top 5 de produções mais indicadas ao prêmio. A HBO sai na frente na disputa, com três das cinco séries mais indicadas em seu catálogo: Succession, Hacks e The White Lotus.

A premiação ocorrerá dia 12 de setembro, e até o momento não foi anunciado nenhum apresentador.

Confira a lista dos indicados nas principais categorias.

SÉRIE DE COMÉDIA

  • Abbott Elementary
  • Barry
  • Curb Your Enthusiasm
  • Hacks
  • Maravilhosa Sra. Maisel
  • Only Murders in the Building
  • Ted Lasso
  • What We Do in the Shadows

ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Rachel Brosnahan (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Quinta Brunson (Abbott Elementary)
  • Kaley Cuoco (The Flight Attendant)
  • Elle Fanning (The Great)
  • Issa Rae (Insecure)
  • Jean Smart (Hacks)

ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Donald Glover (Atlanta)
  • Bill Hader (Barry)
  • Nicholas Hoult (The Great)
  • Steve Martin (Only Murders in the Building)
  • Martin Short (Only Murders in the Building)
  • Jason Sudeikes (Ted Lasso)

ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Alex Borstein (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Hannah Einbinder (Hacks)
  • Janelle James (Abbott Elementary)
  • Kate McKinnon (Saturday Night Live)
  • Sarah Niles (Ted Lasso)
  • Sheryl Lee Ralph (Abbott Elementary)
  • Juno Temple (Ted Lasso)
  • Hannah Waddingham (Ted Lasso)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Anthony Carrigan (Barry)
  • Brett Goldstein (Ted Lasso)
  • Toheeb Jimoh (Ted Lasso)
  • Nick Mohammed (Ted Lasso)
  • Tony Shalhoub (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Tyler James Williams (Abbott Elementary)
  • Henry Winkler (Barry)
  • Bowen Yang (Saturday Night Live)

SÉRIE DE DRAMA

  • Better Call Saul
  • Euphoria
  • Ozark
  • Ruptura
  • Round 6
  • Stranger Things
  • Succession
  • Yellowjackets

ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA

  • Jodie Comer (Killing Eve)
  • Laura Linney (Ozark)
  • Melanie Lynskey (Yellowjackets)
  • Sandra Oh (Killing Eve)
  • Reese Witherspoon (The Morning Show)
  • Zendaya (Euphoria)

ATOR EM SÉRIE DE DRAMA

  • Jason Bateman (Ozark)
  • Brian Cox (Succession)
  • Lee Jung-jae (Round 6)
  • Bob Odenkirk (Better Call Saul)
  • Adam Scott (Ruptura)
  • Jeremy Strong (Succession)

 ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

  • Patricia Arquette (Ruptura)
  • Julia Garner (Ozark)
  • Jung Ho-yeon (Round 6)
  • Christina Ricci (Yellowjackets)
  • Rhea Seehorn (Better Call Saul)
  • J. Smith-Cameron (Succession)
  • Sarah Snook (Succession)
  • Sydney Sweeney (Euphoria)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

  • Nicholas Braun (Succession)
  • Billy Crudup (The Morning Show)
  • Kieran Culkin (Succession)
  • Park Hae-soo (Round 6)
  • Matthew Macfadyen (Succession)
  • John Turturro (Ruptura)
  • Christopher Walken (Ruptura)
  • Oh Yeong-su (Round 6)

MINISSÉRIE

  • Dopesick
  • The Dropout
  • Inventando Anna
  • Pam & Tommy
  • The White Lotus

ATRIZ EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Toni Collette (A Escada)
  • Julia Garner (Inventando Anna)
  • Lily James (Pam & Tommy)
  • Sarah Paulson (American Crime Story: Impeachment)
  • Margaret Qualley (Maid)
  • Amanda Seydried (The Dropout)

ATOR EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Colin Firth (A Escada
  • Andrew Garfield (Under the Banner of Heaven)
  • Oscar Isaac (Cenas de Um Casamento)
  • Michael Keaton (Dopesick)
  • Himesh Patel (Station Eleven)
  • Sebastian Stan (Pam & Tommy)

ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Connie Britton (The White Lotus)
  • Jennifer Coolidge (The White Lotus)
  • Alexandra Daddario (The White Lotus)
  • Kaitlyn Dever (Dopesick)
  • Natasha Rothwell (The White Lotus)
  • Sydney Sweeney (The White Lotus)
  • Mare Winningham (Dopesick)

ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Murray Bartlett (The White Lotus)
  • Jake Lacy (The White Lotus)
  • Will Poulter (Dopesick)
  • Seth Rogen (Pam & Tommy)
  • Peter Sarsgaard (Dopesick)
  • Michael Stuhlbarg (Dopesick)
  • Steve Zahn (The White Lotus)

TALK SHOW

  • The Daily Show with Trevor Noah
  • Jimmy Kimmel Live!
  • Last Week Tonight with John Oliver
  • Late Night with Seth Meyers
  • The Late Show with Stephen Colbert

REALITY SHOW DE COMPETIÇÃO

  • The Amazing Race
  • Lizzo Procura por Mulheres Grandes
  • Nailed It
  • Rupaul’s Drag Race
  • Top Chef
  • The Voice

Você poderá conferir a cobertura em tempo real do Emmy Awards pelo nosso Instagram e Twitter.

FRENEZI EXPLICA: Fernanda Montenegro, A Grande Dama do Cinema e da Dramaturgia do Brasil

Quando se fala em cinema nacional, o típico humor brasileiro ganha espaço na cinematografia, assim como as críticas sociais e políticas. Bye Bye Brasil (1980), Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), Marighella (2019) e Minha Mãe é uma Peça (2013) são alguns filmes que representam a cultura brasileira no cinema, seja pela militância por trás ou pelo cotidiano cômico.

Em 1999, o clássico Central do Brasil (1998), dirigido por Walter Salles, levou Fernanda Montenegro a concorrer ao Oscar de Melhor Atriz, na ocasião a estrela foi a única latino-americana e única brasileira a concorrer nesta categoria, o que mostrou Brasil afora tamanha importância e relevância da artista.

Fernanda Montenegro no Oscar 1999 Foto: reprodução/The Academy

Fernanda Montenegro é o nome artístico de Arlette Pinheiro Monteiro Torres, conhecida por ser escritora, atriz, pela alcunha de A Grande Dama do Cinema e da Dramaturgia do Brasil, carioca e imortal para a cadeira número 17 da Academia Brasileira de Letras. 

Durante seus 55 anos de carreira, participou de mais de 70 obras, incluindo séries, filmes, novelas e peças de teatro. Além de ter sido a primeira mulher latino-americana e a única brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz por um trabalho em língua portuguesa, também foi a pioneira ao levar o Emmy Internacional na categoria de melhor atriz pela atuação em Doce de Mãe‘ (2013).

De Arlette à Fernanda

Fernanda Montenegro Foto: reprodução/ GloboPlay

Filha de uma dona de casa e de um mecânico, Arlete Pinheiro Esteves da Silva nasceu na Zona Norte do Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1929. Ainda cedo, aos 8 anos, teve sua estreia como atriz em uma peça na Igreja, logo depois, com 15 anos foi contratada como redatora, locutora e radioatriz da rádio MEC.

Conheceu o ator Fernando Torres, com 16 anos, na mesma rádio em que trabalhava, foram casados de 1953 a 2008 e tiveram dois filhos, a atriz Fernanda Torres e o diretor Cláudio Torres. 

Assim como muitas estrelas que não usam o nome de batismo como artístico, Arlette adotou o nome “Fernanda Montenegro” como seu pseudônimo, mas durante seu trabalho na rádio,  ainda manteve sua assinatura como “Arlete Pinheiro”.

“Tirei do século XIX, de livros como o ‘Conde de Montecristo’ e das Fernandas dos romances franceses.”, revelou em entrevista ao “Damas da TV” do Canal Viva. “Acho que sou duas pessoas. Está de acordo com a minha profissão. O velho Shakespeare já tinha razão, somos todos atores. Sei que sou também a dona Arlete. Essa é bem resguardada. Poucos me chamam ainda assim. Uma prima, um primo. Meus pais me chamavam também, minha irmã. Mas é para uso interno. Eu acho bom. Dentro de uma toca. E tem essa outra entidade aí, que, de vez em quando, se exibe muito.”

A trajetória artística e Premiações 

Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo em “A Falecida” Foto: reprodução/divulgação 

Aos 15 anos de idade, Arlette entrou para a Rádio do Ministério da Educação e Cultura (MEC), através de um concurso para locutores, se mantendo lá por 10 anos, alternando entre locutora e atriz de rádio-teatro. Posteriormente, fez parte do teatro da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, começando sua carreira e participando futuramente do Teatro Ginástico – um renomado teatro que integrou a comunidade luso-brasileira, inaugurado em 1938, e, que recebeu consagrados talentos da arte cênica brasileira.

A década de 1950 marcou sua entrada na TV, pelo canal TV Tupi, sua participação na Companhia Maria Della Costa, e no Teatro Brasileiro de Comédia.  Em 1959 fundou sua própria companhia teatral, a Companhia dos Sete, em parceria com seu marido, Fernando Torres. E em 1965, consagra sua estreia na TV Globo, e inicia sua era de ouro na teledramaturgia que a levou ao reconhecimento nacional.

O longa A Falecida (1965), foi o primeiro filme estrelado por Fernanda como Zulmira. Conta a história do sonho da protagonista de ter um enterro luxuoso, para realizar seu sonho, o marido pede dinheiro a Guimarães, o homem mais rico do bairro, o qual não concorda em pagar e conta que teve um caso com a falecida, sem saber que está falando com o viúvo, o marido, então enfurecido, passa a chantagear Guimarães. O papel consagrou Montenegro com o prêmio de Melhor Atriz para o Festival Nacional de Brasília em 1965.

Baila Comigo (1981), Guerra dos Sexos (1983), Cambalacho (1986), Rainha da Sucata (1990), são algumas obras que a consagrou como a rainha das novelas. No cinema, atuou em clássicos, como Eles Não Usam Black-Tie‘ (1981), O Que É Isso, Companheiro? (1997) e  O Auto da Compadecida (2000).

Fernanda Montenegro no Emmy Internacional Foto: reprodução/divulgação

Não ter levado o Oscar de 1999 como Melhor Atriz, não diminuiu seu potencial como artista, Montenegro foi indicada a diversas categorias tanto internacionais como nacionais.

Dentre os principais feitos da atriz estão o prêmio em 1998 no Festival de Berlim como Melhor Atriz (Urso de Prata) com Central do Brasil; em 2000, por Traição, levou o Prêmio Guarani do Cinema Brasileiro de Melhor Atriz Coadjuvante; O outro Lado da Rua proporcionou em 2005 o troféu de Melhor Atriz pelo Grande Prêmio do Cinema Brasileiro; em 2013 o Emmy Internacional concedeu à Fernanda o prêmio de Melhor Atriz por seu papel em Doce de Mãe. Com mais de 100 indicações, esses são só alguns exemplos dos 91 prêmios que A Grande Dama do Cinema do Brasil totaliza.

Fernanda Montenegro é considerada um símbolo no cinema nacional, sua presença e importância é inigualável, principalmente durante a época dos anos 1990, em que aconteceu o chamado Cinema da Retomada, foi um período em que a Embrafilme, principal responsável pelo financiamento, coprodução e distribuição de filmes no país, foi extinta pelo governo. Um momento frágil para os atores e diretores nacionais, devido à falta de auxílio econômico e incentivo cultural, a partir disso, o Cinema da Retomada marca a revitalização da atividade cinematográfica no Brasil. 

Depois de anos trabalhando exclusivamente para a TV, o novo filme Dona Vitória (2022)  marca sua volta às telas do cinema. O longa conta sobre Vitória, uma aposentada alagoana, que desmascarou uma quadrilha de traficantes e policiais do Rio de Janeiro através de filmagens feitas pela janela do seu apartamento, no bairro de Copacabana.

A Imortal 

Fernanda Montenegro recebendo medalha de imortal da ABL Foto: Daniel Pereira/AgNews

Em março de 2022, aos 92 anos, Fernanda assumiu a cadeira 17 como “Imortal” na Academia Brasileira de Letras, sucedendo o acadêmico e diplomata Affonso Arinos de Mello Franco.

Fernanda recebeu 32 votos para integrar o grupo, sua incorporação expressa um forte laço da Academia com as Artes Cênicas.

Como prólogo desta minha fala, devo esclarecer que sou uma incansável autodidata, cuja origem intelectual, emocional sempre me chegou e ainda me conduz através da vivência inarredável de um ofício: atriz. Sou atriz. Veio dessa mítica, mística arte arcaica, eterna, que é o teatro. Sou a primeira representante da cena brasileira, do palco brasileiro a ser recebida nessa casa“, declarou durante a cerimônia de posse.

A atriz também é escritora e autora de dois livros publicados, sendo Prólogo, Ato, Epílogo (2019) em parceria com a jornalista Marta Góes, onde conta suas memórias, e Fernanda Montenegro: Itinerário Fotobiográfico, um livro em que é narrado sua história por meio de fotos de diferentes épocas.

Nascida em 16 de outubro de 1929, esses são os feitos da carioca para o rádio, TV, cinema e a dramaturgia brasileira. A atriz é considerada uma das mais importantes para a cultura nacional, seu legado é consagrado.

Guia para o curso de Cinema 101: tudo o que você gostaria que te contassem sobre

O mercado de trabalho, especialmente na área artística, pode ser instável, por isso se quiser se formar na área é bom considerar o que o curso escolhido tem a oferecer. O curso superior em Cinema no Brasil não é muito popular, ainda assim existem três modalidades disponíveis para a graduação: Bacharelado, Licenciatura e Tecnólogo; vamos focar no primeiro por ser o mais completo.

Bastidores de O Iluminado (1980) [Reprodução Esquire]

Um Bacharelado ou uma Licenciatura em Cinema e Audiovisual duram em média 4 anos, já o Tecnólogo 2 a 3 anos. Todos abordam conhecimentos gerais da área como roteiro, preparo de equipamento, fotografia, som, direção, edição, distribuição, entre outros. 

No Bacharelado, são abordados diversos aspectos da produção audiovisual, possibilitando que cada aluno se encontre no seu setor de maior interesse; desde a pré-produção de um conteúdo, que envolve a elaboração do roteiro, storyboards e planejamento financeiro, até a distribuição e exibição da obra. Já a licenciatura trabalha os diversos aspectos da produção audiovisual, mas priorizando a capacitação de seus alunos para lecionar em projetos culturais, museus e escolas, no formato de cursos livres. Dependendo da instituição de ensino, existe também um enfoque na área de Comunicação Social, abrindo portas para matérias que analisam estética, filosofia, psicologia, política e história no Cinema.

Graduação Cinema e Audiovisual [Reprodução ESPM]

Durante o curso são ensinadas as mais variadas formas de se produção de conteúdo audiovisual, desde o longa-metragem live action até uma série animada em 2D, 3D e/ou stop motion. Algumas matérias comuns são:

  • Análise de Imagem 
  • Crítica de filme 
  • Teoria do Cinema
  • Cinema Brasileiro e Internacional 
  • Roteiro e Storyboard
  • Oficina de Câmera e Iluminação
  • Direção de Atores 
  • Direção de Produção
  • Animação
  • Comunicação e Mercado
  • Marketing 
  • Dramaturgia 
  • Sonoplastia e Trilha Sonora
  • Edição e Pós-Produção

Grande parte da grade curricular é composta por matérias práticas que visão desenvolver as habilidades do aluno, até serem utilizadas no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), ou como em algumas instituições, em pequenas produções estimuladas no decorrer dos semestres. Para a conclusão da graduação a maioria das universidades exige também a realização de estágio supervisionado, cobrando um mínimo de por volta de 200 horas.

Graduação Cinema e Audiovisual [Reprodução ESPM]

O PROFISSIONAL

Algumas características muito importantes para o profissional (ou futuro profissional) da área são a criatividade, boa comunicação, comprometimento e responsabilidade com o cronograma do projeto, e claro, perseverança para a conclusão dos trabalhos mesmo que aconteçam imprevistos. 

Sempre existe aquela pessoa que sonha em crescer na área e acredita que não precisa da ajuda de ninguém, mas um filme não é feito por uma só pessoa, por isso é importante exercitar as suas habilidades para o trabalho em equipe, já que todo o processo de uma produção audiovisual tende a se estender por alguns meses e durante esse tempo você depende do seu time e ele de você. Falta de consideração pelos colegas e pelas suas responsabilidades pode criar uma má reputação para você no futuro, lembre-se de que as pessoas com quem você estuda podem se tornar futuros parceiros ou competidores, no Cinema as conexões são tudo!

Bastidores de O Grande Hotel Budapeste (2014) [Reprodução LiveMaster]

Outro fator importante é o seu repertório, é claro que o seu portfólio será desenvolvido durante os seus anos de formação e em diante, mas o repertório deve ser algo a se desenvolver mesmo antes do curso e continuamente na sua vida, pessoal ou profissional. Um conhecimento amplo das produções e dos grandes nomes da área não tem como te prejudicar, não é mesmo?

Bastidores de A Noiva Cadáver (2005) [Reprodução LiveMaster]

O MERCADO 

Não é fácil ser artista no Brasil, mas não é impossível, se o seu desejo é se tornar um diretor de Cinema, por exemplo, um bom curso te ensinará não só a preparar seus atores, equipamento e a iluminação, mas também como se comunicar com seus produtores e financiadores sobre as burocracias que englobam a produção do seu projeto. Licenciamento, direitos autorais, Classificação Indicativa e etc., enfim, tudo que diz respeito a uma produção cultural que precisa seguir os critérios do Ministério da Justiça. 

Normalmente produzidos em equipes menores e com baixo orçamento os filmes independentes sempre estiveram presente na nossa história, desde o Cinema Novo com obras de Glauber Rocha, até os dias de hoje. Essas obras seguem uma tendência mais autoral, e expressam temáticas do Brasil em novos ângulos. Os maiores desafios desse setor são o financiamento e a distribuição, já que o cinema nacional já é pouco valorizado e mesmo dentro dele, o grande dominador é o setor comercial. Por conta dessas dificuldades, o objetivo de grande parte dos cineastas é a competição em festivais que podem ser a única oportunidade que um filme terá de ser exibido na telona, além do fato de que nas amostras é possível fazer e fortalecer conexões que podem abrir mais portas. Para que isso aconteça deve-se inscrever seu projeto no festival desejado, levando em consideração o que a curadoria deseja.

Bastidores de Central do Brasil (1998) [Reprodução Palavras de Cinema]

Existem muitas possibilidades de festivais no nosso país, alguns exemplos são:

  • Festival de Cinema de Gramado
  • Festival de Brasília de Cinema Brasileiro 
  • Festival Internacional do Rio
  • Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

A indústria brasileira de audiovisual está se expandido principalmente por conta da verba pública proveniente de editais da Ancine e prefeituras, além de outros programas federais de incentivo que podem envolver Festivais Internacionais.

O profissional de Cinema pode trabalhar em produtoras institucionais, emissoras de televisão, agências de publicidade, produzindo filmes longa ou curta-metragem, séries, novelas e até documentários, ou em cinematecas e acervos de preservação cultural. Conseguindo atuar como roteirista, produtor, diretor, fotógrafo, sonoplasta, editor, animador, compositor, dublador, ou mesmo no que diz respeito a distribuição e divulgação de filmes como agente, programador, produtor executivo ou curador de festivais. 

Em termos numéricos, segundo o estudo de Emprego no Setor Audiovisual 2019 feito pela Ancine, os setores que apresentaram maior crescimento (em relação a atividade por estabelecimento) são os de Produção e Pós-Produção, Exibição Cinematográfica e é claro TV Aberta. Além disso o setor com maior número de empregos é a TV Aberta, chegando a 50.132 de um total de 88.053 na área. Sendo assim pode-se dizer que o setor televisivo possui grande impacto na indústria nacional, dito isso as plataformas de streaming garantiram uma relativa estabilidade de produção durante a pandemia e vem crescendo desde então, portanto não é impossível imaginar uma futura dominação desse setor já que mesmo a Globo que é a maior emissora da TV aberta brasileira vem tentando competir com outros pesos pesados dos streamings como Netflix e Amazon Prime.

Por ser um curso relativamente novo no Brasil, não existem tantas ofertas de cursos em comparação a uma formação mais tradicional como Administração, ainda assim cursar Cinema e Audiovisual pode trazer muitos benefícios e enriquecer o conhecimento na área. É importante se certificar de que o seu curso vai disponibilizar tudo aquilo que você acredita ser necessário para sua formação e seus objetivos.

Exposed da empresa do rato: a falsa representatividade LGBTQIA+

A The Walt Disney Company, mais conhecida apenas como Disney. Marcou gerações com seus desenhos do Mickey Mouse, a abertura do parque mais mágico do mundo, as séries nostálgicas como “Hannah Montana“ (2006), “Feiticeiros de Waverly Place” (2007) em seu canal televisivo, os filmes de animação como “101 Dálmatas” (1961), “O Rei Leão” (1994) e os clássicos das princesas “Branca de Neve e os 7 anões” (1937), “Cinderella” (1950),  “A Pequena Sereia” (1989) e outros. Esses são só alguns exemplos de produções icônicas que fazem parte do maior  conglomerado do cinema atual, fundado pelos irmãos Walt e Roy Disney na década de 20. 

Mas, apesar da clara importância no imaginário de crianças de todas as gerações, polêmicas e Disney na mesma frase tornou-se algo muito comum ultimamente, seja pelos os diretores, atores ou até a abordagem de seus longas. Recentemente, o Jornal Orlando Sentinel revelou que a WDC financiou políticos que apoiam o projeto de lei “Don’t Say Gay”, este que proíbe as discussões sobre a orientação de gênero nas escolas primárias da Flórida. O CEO, Bob Chapek, não declarou-se publicamente sobre o ocorrido, porém, segundo o The Hollywood Reporter, Chapek é contra colocar a Disney em temas que considera insignificantes, seja para a empresa ou para seus negócios.

Em nota a Disney apenas fez o seguinte pronunciamento: “Entendemos o quanto esses assuntos são importantes para nossos funcionários LGBTQ+ e muitas outras pessoas. Por quase um século, a Disney tem sido uma força que une as pessoas. Estamos determinados em fazer com que continue sendo um lugar onde todos são tratados com respeito”.

Protesto em frente ao parque da Disney // foto reprodução G7 News

Como Chapek não se pronunciou, os funcionários da Disney compartilharam suas indignações nas redes sociais, obrigando, dessa forma, o CEO a falar. Chapek pontuou que para não confundirem sua falta de declaração com a falta de apoio, “todos compartilhamos o mesmo objetivo de um mundo mais tolerante e respeitoso”, acrescentou.

Não é de hoje que os fãs das animações da empresa  pedem por personagens que os representem. Desde 2013, com o sucesso “Frozen”, muitos levantaram a tag “dê a Elsa uma namorada”. Outro filme que acabou sendo sabotado foi o live action da “Bela e a Fera” (2017), a estreia foi adiada na Malásia, devido ao personagem Lefou, que mesmo não envolvido em nenhuma cena explícita de afeto, foi considerado um “momento gay”.

Campanha ‘#GiveElsaAGirfriend’ (dê Elsa uma namorada) // foto reprodução Twitter

O famigerado pink money – termo usado para a comercialização de produtos para o público LGBTQIA+ – entra em ação nas produções, como forma de abaixar a poeira frente às polêmicas. A Disney tentou melhorar sua reputação com o beijo de duas mulheres em “Lightyear” (2022), o próximo filme da Pixar que contará a história do Buzz Lightyear de Toy Story (1995). Um detalhe, esse beijo teria sido vetado pela Disney, mas a Pixar manteve.

Em 2018, a GLAAD (Aliança de Gays e Lésbicas Contra Difamação), apontou os estúdios com a menor representatividade da comunidade naquele ano, dos 110 filmes produzidos em Hollywood apenas 18% dos personagens fazem parte da comunidade e nenhum dos longas pertencem ao conglomerado da Walt Disney. A 20th Century Fox, que posteriormente foi comprada pela WD, contribuiu com 10% nas representatividades.

A Pixar, que atualmente faz parte do conglomerado da Disney, possui animações mais adultas comparadas aos filmes produzidos propriamente pela empresa do rato. O estúdio possui uma maior liberdade, um tanto falsa, para ter personagens dentro da comunidade LGBTQIA+, como foi visto em “RED: Crescer é uma fera” (2022), em que em uma das cenas teve a presença de um casal homossexual de mãos dadas. Entretanto, são detalhes que precisam de atenção para não passar despercebidos, já que essas demonstrações de afeto são rápidas.

Trecho de cena do filme “Red: Crescer é uma fera” // foto reprodução Disney +
Cena de “The Owl House” à direita // foto reprodução Disney +

Muitos funcionários da Pixar denunciaram a censura por parte dos executivos da Disney em uma carta resposta divulgada pela Variety, alegando a exigência de cortes em todos os afetos que sejam explicitamente gay. “Mesmo que criar conteúdo LGBTQIA+ fosse a resposta para consertar a legislação discriminatória do mundo, estamos sendo impedidos de criá-lo. Além do ”conteúdo inspirador” que não temos permissão para criar, exigimos ação”, apontam.

Dana Terrace, criadora de “The Owl House” (2020), usou seu Twitter para desabafar, após a série ter sido cancelada por desavenças criativas. “Estou cansada de fazer a Disney parecer boa. Eu sei que tenho contas a pagar, mas trabalhar para essa empresa me deixou perturbada.” O casal protagonista da animação seria formado por um relacionamento homoafetivo.

Ao mesmo tempo que essas grandes empresas apoiam projetos homofóbicos e falsamente representam a comunidade nas suas produções, o merchandising em cima da causa, estampando produtos com o arco íris da bandeira, cresce cada vez mais, tanto nos bonecos como em materiais escolares, por exemplo. 

Que a empresa do rato só pensa em dinheiro isso não é mentira para ninguém, a linha entre produzir e apoiar as causas e lucrar em cima dela é extremamente tênue, muitos acionistas olham apenas para o merchandising se aproveitando do pink money, porém ter esses produtos não significa que de fato apoiam e acolhem a comunidade LGBTQIA+. 

A Disney alcança um público gigantesco, desde seu conteúdo infantil até o adulto-juvenil, os estúdios ajudam a formar opinião de seus telespectadores, por isso que a inclusão de pessoas LGBTQIA+, tanto na equipe como nos personagens, é necessária, além disso promove o sentimento de pertencimento e que é possível ter produções explicitamente homoafetivas na Walt Disney.

[CRÍTICA] Rebelde Netflix acerta na nostalgia mas comete deslizes

Desde que o trailer oficial de Rebelde Netflix (2022) lançou, comentários relacionando a nova geração da novela mexicana com o seriado Elite (2018 – atualmente)  foram muito presentes. Isso se deve, principalmente, pela mesmice da Netflix em seus roteiros que dificilmente inova em suas produções adolescentes. A nova série é uma continuação da telenovela mexicana de 2004, dirigida por Santiago Limón, que também é o diretor do filme No, porque me enamoro (2020).

A atriz e produtora Cris Morena criou a novela argentina Rebelde Way (2002), estrelada por Luisana Lopilato, Camila Bordonaba, Benjamin Rojas e Felipe Colombo, juntamente à produção  também foi formada a banda ErreWay. Por conta do grande sucesso foram desenvolvidos remakes da obra em outros países, como, por exemplo: México, Portugal, Índia e Brasil. 

Rebelde (2004), foi a versão mexicana produzida por Pedro Damián, também diretor de Clase 406 (2002), e estrelada por Anahí (Mia), Alfonso Herrera (Miguel), Maite Perroni (Lupita), Christian Chávez (Giovanni), Dulce María  (Roberta) e Christopher Uckermann (Diego), além da novela o elenco principal formou o grupo musical RBD, que se tornou a banda mais premiada do mundo.

Foto reprodução/ montagem: RBD (esquerda) e ErreWay (direita)

A Netflix produziu a sequência que se passa no mesmo universo de Rebelde México, que conta com a presença de personagens da 1ª geração como Celina Ferrer (Estefania Villarreal), que é a nova diretora do Elite Way School, e Pilar Gandía (Karla Cossío),  a mãe da protagonista Jana Cohen (Azul Guaita). A ex chiquitita Giovanna Grigio interpreta Emília e o elenco principal também é formado pelo primo da Mia, Luka Colucci (Franco Masini), M.J. (Andrea Chaparro), Dixon (Jerónimo Cantillo), Sebas (Alejandro Puente), Andi (Lizeth Selene) e Esteban (Sérgio Mayer).

Após o gigantesco legado deixado pela banda, o EWS que, até então, era um colégio bem tradicional, aderiu o programa de música a sua grade escolar, e passou a realizar  anualmente uma batalha de bandas em que o vencedor poderá ter um contrato com uma gravadora renomada.

Logo no começo do primeiro episódio, é possível notar o apelo a nostalgia  ao iniciar a trama com uma conversa entre  Jana e Pilar. A introdução de Dixon  também trouxe lembranças de quando Giovanni ingressou no colégio, ambos pedindo para a mãe não chamar muita atenção e escondendo a verdadeira identidade, mudando de nome. A elite, assim como na telenovela de 2004, está sempre presente, desta vez através  de Sebastian Langarica, o filho da próxima chefe de governo. Será que sua mãe será tão bruta como era León Bustamante com o Dieguinho?

Foto reprodução Netflix/ Emília (Giovanna Grigio) e Andi (Lizeth Selene) em cena

Os 8 episódios, que duram em torno de 40 minutos, garantiram um enredo leve sobre adolescentes com problemas de adolescentes. O desenvolvimento de cada personagem foi um tanto raso, assim como dos casais e das amizades. Os plots twists foram previsíveis e a história foi muito rápida separando-se entre a  audição, a formação da banda e o final, talvez, por isso, não foi possível passar a audiência um vínculo de amizade entre os personagens. Assim que chegaram ao colégio os protagonistas já tiveram que se preparar para a batalha das bandas, com isso a relação entre eles gira em torno de desmascarar a seita e vencer a competição sem todo o envolvimento esperado entre as personagens.

O maior deslize da série foi a forma que a seita La Logia foi trabalhada. Tanto na versão original como na primeira geração mexicana, o foco da associação secreta era criar o terror com os bolsistas, uma guerra de classes entre os alunos de elite com os mais pobres, além das “pegadinhas” que eram agressões pesadas a ponto de quase matar. Em RBN a seita foi totalmente ridicularizada, ao invés dos bolsistas o novo alvo foram os novatos e o trote foi (alerta de spoiler) vestir-se com o uniforme dos RBD e fazer eles cantarem a música Rebelde. Esse foi, com certeza, um grande erro para para os fãs e para o que representava a La Logia e a problemática envolvendo o preconceito dos alunos de elite com os bolsistas que era retratada na novela.

Montagem/Reprodução

Mia Colucci foi o centro das referências. Entre algumas delas, por exemplo, M.J usa a estrela vermelha na testa e Jana  o celular flip na bota. Por ser típico dos  Colucci não apoiarem seus filhos no mundo musical, a história de seu primo, Luka, também se assemelha com a de Mia. Assim como Franco, Marcelo prefere que seu filho entre para os negócios da família ao invés de fazer música.

Mas e Roberta, Lupita, Diego, Miguel e Giovanni? Os outros RBD ‘s foram esquecidos pela Netflix? As referências foram poucas e até mesmo inexistentes,  uma falta de consideração com os outros personagens e que causou grande descontentamento a muitos RBDManiacos. 

Porém, o legado da banda foi muito bem retratado com a exposição na parede do corredor, os uniformes, prêmios, o chapéu de Salvame, fotos e alguns instrumentos. O mural, além de ser um bom incentivo para os alunos e validar o prestígio da banda para o Elite Way, é de longe o momento mais nostálgico e sentimental para todos os fãs.

Reprodução Twitter @rebelde_netflix

Pensando no público alvo, a atuação de maneira geral é mediana e nada surpreendente ou inovadora. Até mesmo Esteban (Sérgio Mayer) que possui  um plot importante,  tornou-se o menos interessante, devido a falta de expressão em quase todas as cenas. Mayer acabou se envolvendo em polêmicas dizendo que não gostava de RBD, o que causou certo aborrecimento com os fãs.

A Netflix também pecou ao não colocar uma interação entre Pilar e Celina. É  de conhecimento dos fãs  o trauma que Gandía tem em relação ao EWS, mas uma conversa de velhas amigas ou até mesmo um telefonema sobre Jana, que compareceu diversas vezes na diretoria, seria ainda mais nostálgico, mas quem sabe fique para a próxima temporada?


Ainda sem data de estreia, a segunda temporada foi gravada simultaneamente e com novos covers, como Besame Sin Miedo, novos personagens e a confirmação de todos os principais. Por mais que não tenha tido um gancho no último episódio, ainda é esperado que a história se aprofunde assim como o desenvolvimento de cada um, dos casais e também das amizades. A Netflix precisa sair da mesmice do roteiro de séries adolescentes e procurar inovar sem medo, RBN já conquistou o seu espaço e não é preciso forçar Rebelde México em seu enredo.

Confira a lista de indicados para o Globo de Ouro 2022

Nesta segunda-feira (13) foi divulgada a lista de indicados para o Globo de Ouro 2022. A cerimônia acontecerá no dia 09 de janeiro.

Confira a lista completa:

MELHOR FILME – DRAMA

• Belfast
• No Ritmo do Coração
• Duna
• King Richard: Criando Campeãs
• Ataque dos Cães

MELHOR DIREÇÃO – FILME

• Kenneth Branagh, Belfast
• Jane Campion, Ataque dos Cães
• Maggie Gyllenhaal, A Filha Perdida
• Steven Spielberg, Amor, Sublime Amor
• Denis Villeneuve, Duna

MELHOR ATOR EM FILME – DRAMA

• Mahershala Ali, Swan Song
• Javier Bardem, Being the Ricardos
• Benedict Cumberbatch, Ataque dos Cães
• Will Smith, King Richard: Criando Campeãs
• Denzel Washington, A tragédia de Macbeth

MELHOR ATRIZ EM FILME – DRAMA

• Jessica Chastain, The Eyes of Tammy Faye
• Olivia Colman, A Filha Perdida
• Nicole Kidman, Being the Ricardos
• Lady Gaga, Casa Gucci
• Kristen Stewart, Spencer

MELHOR FILME – COMÉDIA/MUSICAL

• Cyrano
• Não Olhe Para Cima
• Licorice Pizza
• Tick, Tick… Boom!
• Amor, Sublime Amor

MELHOR ATOR EM FILME – COMÉDIA/MUSICAL

• Leonardo DiCaprio, Não Olhe Para Cima
• Peter Dinklage, Cyrano
• Andrew Garfield, Tick, Tick… Boom!
• Cooper Hoffman, Licorice Pizza
• Anthony Ramos, Em Um Bairro em Nova York

MELHOR ATRIZ EM FILME – COMÉDIA/MUSICAL

• Marion Cotillard, Annette
• Alana Haim, Licorice Pizza
• Jennifer Lawrence, Não Olhe Para Cima
• Emma Stone, Cruella
• Rachel Zegler, Amor, Sublime Amor

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM FILME

• Ben Affleck, The Tender Bar
• Jamie Dornan, Belfast
• Ciarán Hinds, Belfast
• Troy Kotsur, No Ritmo do Coração
• Kodi Smit-McPhee, Ataque dos Cães

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM FILME

• Caitriona Balfe, Belfast
• Ariana DeBose, Amor, Sublime Amor
• Kirsten Dunst, Ataque dos Cães
• Aunjanue Ellis, King Richard: Criando Campeãs
• Ruth Negga, Identidade

MELHOR TRILHA SONORA EM FILME

• Alexandre Desplat, A Crônica Francesa
• Germaine Franco, Encanto
• Jonny Greenwood, Ataque dos Cães
• Alberto Iglesias, Madres Paralelas
• Hans Zimmer, Duna

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL EM FILME

Be Alive – Beyoncé (King Richard: Criando Campeãs)
Dos Oruguitas – Sebastian Yatra (Encanto)
Down to Joy – Van Morrison (Belfast)
Here I Am (Singin’ My Way Home) – Jennifer Hudson (Respect)
No Time to Die – Billie Eilish (007 – Sem Tempo Para Morrer)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

• Compartment Number 6
• Drive My Car
• A Mão de Deus
• A Hero
• Madres Paralelas

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Encanto
• Flee
• Luca
• My Sunny Maad
• Raya e o Último Dragão

MELHOR ROTEIRO EM FILME

• Paul Thomas Anderson, Licorice Pizza
• Kenneth Branagh, Belfast
• Jane Campion, Ataque dos Cães
• Adam McKay, Não Olhe para Cima
• Aaron Sorkin, Being the Ricardos

MELHOR SÉRIE DE TV – DRAMA

• Lupin
• The Morning Show
• Pose
• Round 6
• Succession

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE TV – DRAMA

• Brian Cox, Succession
• Lee Jung-jae, Round 6
• Billy Porter, Pose
• Jeremy Strong, Succession
• Omar Sy, Lupin

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE TV – DRAMA

• Uzo Aduba, In Treatment
• Jennifer Aniston, The Morning Show
• Christine Baranski, The Good Fight
• Elizabeth Moss, The Handmaid’s Tale
• Mj Rodriguez, Pose

MELHOR SÉRIE DE TV – COMÉDIA/MUSICAL

• The Great
• Hacks
Only Murders in the Building
• Reservation Dogs
• Ted Lasso

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE TV – COMÉDIA/MUSICAL

• Anthony Anderson, Black-ish
• Nicholas Hoult, The Great
• Steve Martin, Only Murders in the Building
• Martin Short, Only Murders in the Building
• Jason Sudeikis, Ted Lasso

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE TV – COMÉDIA/MUSICAL

• Hannah Einbinder, Hacks
• Elle Fanning, The Great
• Issa Rae, Insecure
• Tracee Ellis-Ross, Black-ish
• Jean, Hacks

MELHOR SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME

• Dopesick
• Impeachment: American Crime Story
• Maid
• Mare of Easttown
• The Underground Railroad

MELHOR ATOR EM SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME

• Paul Bettany, WandaVision
• Oscar Isaac, Scenes from a Marriage
• Michael Keaton, Dopesick
• Ewan McGregor, Halston
• Tahar Rahim, The Serpent

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME

• Jessica Chastain, Scenes from a Marriage
• Cynthia Ervio, Genius: Aretha
• Elizabeth Olsen, WandaVision
• Margaret Qualley, Maid
• Kate Winslet, Mare of Easttown

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM TV

• Billy Crudup, The Morning Show
• Kieran Culkin, Succession
• Mark Duplass, The Morning Show
• Brett Goldstein, Ted Lasso
• Oh Yeong-su, Round 6

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM TV

• Jennifer Coolidge, The White Lotus
• Kaitlyn Dever, Dopesick
• Andie McDowell, Maid
• Sarah Snook, Succession
• Hannah Waddingham, Ted Lasso

[Resenha] O retorno de Selena Gomez para a televisão com Only Murders in the Building

Tomates frescos para Only Murders in the Building (2021). A nova série da Hulu e disponibilizada pelo Star + no Brasil, atingiu 100% de aprovação baseada em 70 críticas pelo Rotten Tomatoes Update. Criada por Steve Martin, Doze é Demais (2003) e A Pantera Cor de Rosa (2006), e John Hoffman, Grace and Franklin (2015), a produção com seu ar cômico difere das demais séries de investigação criminal.

Ao invés de chamar a polícia para resolver o assassinato que aconteceu no prédio ou mudar de apartamento, os três vizinhos: Mabel Mora (Selena Gomez), Oliver Putnam (Martin Short) e Charles Savage (Steve Martin) — que viram amigos pela paixão em comum do podcast criminal All is Not OK in Oklahoma, de Cinda Canning —, decidem criar um Podcast e investigar quem matou Tim Kono (Julian Cihi).

A trama tem uma história instigante e que envolve o passar dos episódios, sendo a 1ª temporada composta por 10 episódios com a média de 30 minutos. Mesmo em busca de um assassino, a narrativa da série continua leve com uma comédia peculiar. 

Steve Martin, Martin Short e Selena Gomez em cena de OMITB / Foto via Hulu

O elenco de peso funciona bem e, apesar da diferença de idade, a química do trio cativa os espectadores. A série marca a volta de Selena Gomez para a televisão, que prova sua evolução desde Os Feiticeiros de Waverly Place (2007). Sua personagem tem um humor ácido e personalidade singular, além de ter seus mistérios sendo descobertos junto com o público.

A dupla, Steve Martin e Martin Short, é veterana na comédia americana e garante o humor na dose certa. Antes de Only Murders, os amigos de longa data já colaboraram juntos em diversos projetos, dentre eles: Três Amigos (1986) e o próprio show Steve Martin and Martin Short: An Evening You Will Forget for the Rest of Your Life (2018). 

Oliver, interpretado por Short, é a alma da série. Sua personalidade única, um tanto mentiroso e sempre preparado para gravar o podcast, seja o momento apropriado ou não, o que garante a graça genuína dos episódios. Charles, o personagem de Steve, é um ator que fez sucesso no passado e atualmente está aposentado. Ele tem aquele típico humor de fazer graça com a própria dor ou até mesmo piadas inteligentes que só é hilário para si mesmo, é isso que deixa os episódios engraçados.

Não basta ter um assassino morando no Arconia (nome do prédio onde se passa a história), eles também são vizinhos do Sting, vocalista do grupo The Police. O cantor fez participação especial sendo um dos moradores e chegou a ser uma das opções de quem cometeu o crime. A comediante Tina Fey também aparece como Cida Canning, host do podcast true crime All is Not OK in Oklahoma, e ainda dá o furo com o plot twist na cena final.

Steve Martin, Martin Short, Selena Gomez e Tina Fey em cena de OMITB / Foto via Hulu

A série surpreende em outros aspectos além dos plot twists sobre a investigação da morte de Tim Kono. O sétimo episódio O Garoto do Apartamento 6B tem a narração  sob o ponto de vista de Theo, um personagem surdo. Quase inteiro sem falas, as cenas guiam a história pelas imagens junto dos efeitos sonoros, os poucos diálogos são propostos através de legendas. Além de ser um capítulo emocionante, ter um personagem importante e a história ser mostrada na sua visão é totalmente inclusivo, isso pode servir de inspiração para futuras produções.

As movimentações das câmeras fluem suavemente, os enquadramentos revelam a cidade de Nova York como a verdadeira protagonista do enredo, como é possível ver logo no primeiro episódio onde o trio é apresentado e o telespectador já está inserido no caos novaiorquino.

O desfecho é um tanto surpreendente e quando retoma a primeira cena do primeiro episódio há uma reviravolta chocante. A série prova que nem tudo é o que parece ser. Para quem gosta de mistério, comédia e investigação criminal, Only Murders In The Building é perfeita e garante um bom entretenimento. A segunda temporada já está confirmada e os fãs garantem o pézinho no Emmy.

A Era da Nostalgia: O “Boom” Dos Remakes, Revivals e Reboots Em Hollywood

Reboot, remake, revival. Palavras cada vez mais comuns no universo cinematográfico, e que apesar das definições distintas, têm o mesmo propósito: nomear séries, filmes ou novelas que recriam e derivam de alguma outra já existente. 

Mesmo que tais produções sempre tenham existido na trajetória do cinema – os incríveis quatro remakes de Nasce Uma Estrela são a prova –  é inegável que, atualmente, há um grande número de conteúdos desse tipo sendo lançados. Hollywood está vivendo a era da nostalgia, mas qual seria a razão por trás disso? Por que mesmo com histórias já conhecidas pelo público esses lançamentos tornam-se sucesso de audiência? Essas talvez sejam aqueles tipos de perguntas que não tem uma única resposta,

Seguro e Lucrativo

Quando se trata do ponto de vista de Hollywood, a razão por trás dos investimentos em reboots, revivals ou remakes pode ser simples: é um investimento certeiro e seguro, que demanda pouco esforço de marketing por ter um público já formado e personagens já conhecidos, e que gera retorno financeiro significativo. Apesar do audiovisual ser uma forma de arte e proporcionar grandes momentos de genialidade (tanto de atores como daqueles que estão no backstage) há algo sobre a indústria do cinema que não pode ser deixado de lado: o dinheiro.

Mesmo que seja bom, um roteiro precisa se mostrar vendável – ou será engavetado. E, certamente, produções que relembram ou abordam outras de sucesso são vendáveis. Enquanto continuarem assim, serão repetidas diversas vezes pelos estúdios que visam o lucro por trás delas. Em Hollywood, fazer investimentos seguros e não errar é mais desejado do que investir em algo novo e acertar.

Essa postura regida pelo medo se intensifica ainda mais conforme as cifras vão crescendo: os filmes e séries encarecem cada vez mais a cada ano. Por essa razão, não é difícil imaginar que nenhum estúdio tem a intenção de investir milhões de dólares em um filme que não vá gerar o mínimo retorno. As sequências, franquias, remakes, prequels e outros diversos modos de se resgatar obras já conhecidas são a aposta perfeita nesse cenário. 

A Disney, por exemplo, tem colocado seus esforços e dinheiro em produções live-actions de suas animações clássicas, e pouco tem se arriscado em novos projetos (apesar das excelentes novas animações Soul e Luca). O estúdio tornou-se, hoje, um símbolo da era nostálgica que vivemos, já tendo lançado vários live-actions nos últimos anos.

Emma Stone como Cruella, em live action de mesmo nome da Disney. Estúdio tornou-se 
grande símbolo do “boom” dos remakes, reboots e prequels  atualmente.
(Divulgação: Disney,)

No entanto, essa lógica empresarial e industrial de escolher investimentos em projetos que sejam comerciais e com retorno certeiro não faria sentido se não houvesse reação positiva do público, uma vez que todas as decisões são tomadas pensando nela: a audiência.

O ponto de vista do telespectador é mais subjetivo e demanda explicações que ultrapassam a lógica de mercado que os estúdios seguem; essa subjetividade vem de sentimentos como a nostalgia e de características como a memória afetiva, emoções tão poderosas e reconfortantes que fazem as pessoas pagarem o ingresso do cinema ou assinarem um novo serviço de streaming para ver a mesma história.  

O cinema e a televisão como meios de comunicação massificados têm o poder de retratar a sociedade naquele momento. Em todas as gerações sempre haverá filmes e séries que as definirão e irão pautar seus comportamentos. É natural, portanto, que se crie uma memória afetiva por eles e os relacione aos tempos de infância, adolescência ou juventude… O que posteriormente, fará surgir um sentimento de nostalgia ao assistir tais obras novamente, anos depois. 

É esse o ponto que os reboots e remakes  buscam atingir: a volta ao passado. E a sétima arte é a escolha perfeita, já que pode transportar alguém de volta a um certo período como nenhuma outra poderia. 

Afinal, não é sobre isso a nostalgia? O sentimento e a vontade de voltar a um momento do passado onde tudo parecia mais simples, controlável e previsível? As frases “eu era feliz e não sabia” e “tempo bom que não volta mais” utilizadas pelos nostálgicos assumidos elucidam exatamente esse significado. Quando o presente é doloroso a volta a um passado aparentemente mais fácil parece uma ótima saída. Ainda mais em meio a uma pandemia recheada de incertezas políticas e de um iminente caos climático se aproximando. 

Humanos são controladores e pouco adaptáveis a mudanças em um primeiro momento. Um personagem já conhecido, uma história já contada, todos esses são terrenos muito seguros para momentos tão incertos.

Ao mesmo tempo, não se pode esquecer da série de memórias afetivas que rever tais histórias trazem à tona. Não se revê o mesmo filme buscando apreciar a história, se revê buscando resgatar aquelas mesmas memórias de momentos de pipoca, chuva e Sessão da Tarde ou de risadas no cinema com os amigos da escola. Mesmo que de forma inconsciente. 

Não só, a memória afetiva também está ligada diretamente aos personagens da trama, principalmente quando se tratam de séries televisivas. Elas costumam gerar mais memória afetiva em seus espectadores, pois os prendem por anos a fio contando as histórias dos mesmos personagens. Cria-se um laço com eles, uma boa memória, uma relação de proximidade com suas trajetórias e personalidades. É esse um dos componentes da receita de sucesso de Greys Anatomy (2005 – atualmente), por exemplo. Todos se sentem próximos de Meredith Grey.

A carismática protagonista de ‘Grey’s Anatomy’ (2005 – atualmente), Meredith Grey (Ellen Pompeo)
 (Divulgação: ABC)

Tal recurso é algo que pode a vir ser bem explorado para futuros revivals de outras produções que desejam voltar às telas: trazer de volta os sentimentos e as boas memórias que aqueles personagens proporcionaram. 

O uso de símbolos presentes nas produções que buscam o sentimento de nostalgia e memória afetiva também é muito presente. Aquela característica singular daquela produção específica que viria a definir uma geração. Símbolos são ferramentas poderosas de nostalgia, e não é só o cinema que os usam para tal. Quem não se lembra da famosa corneta azul de How I Met Your Mother (2005-2014), do sofá laranja de Friends (1994-2004), da livraria em Um Lugar Chamado Notting Hill (1999) ou da dança final de Dirty Dancing (1987)?

Cena de ‘Friends’ (1994-2004) na famosa cafeteria Central Perk, local que abriga o icônico sofá laranja. 
(Divulgaçao: Warner Bros)

Quando se pensa em tais sentimentos pode-se perceber que diversos filmes e séries têm feito sucesso utilizando-se dessa receita. O novo reboot de ‘Gossip Girl’(2021) traz todo o clima do antigo seriado e resgata vários símbolos bem marcantes da série original:  a personagem Audrey que lembra Blair (e pasmem tem o mesmo nome da ídola de Blair Waldorf; Audrey Hepburn), os uniformes com saias repaginados  e os personagens sentados na escadaria do MET. Símbolos que despertam memórias e sentimentos nostálgicos nos jovens adultos de hoje, então adolescentes quando assistiram ao original. 

Personagens do reboot de ‘Gossip Girl’ (2021)  nas escadarias do MET (The Metropolitan Museum Of Art). Parece familiar? 
(Divulgação: HBO)

O revival de Sex and The City (1998 – 2004), que estreia esse ano, é precedido por dois filmes:  Sex and The City (2008) e Sex and The City 2 (2010).  Longas que souberam sabiamente adaptar suas tramas as vivências de seu público, já que nos dois casos as fases da vida das quatro amigas e suas problemáticas mudaram sem alterar a essência das mesmas, a modo de fortificar a memória afetiva do espectador e sua relação com as personagens que sempre fora de identificação com seus dilemas. Um outro bom exemplo de como usar a memória afetiva e a nostalgia em um comeback. 

Apesar de todas as produções citadas tratarem-se de filmes e séries que surgiram de outros já existentes, é possível vender nostalgia e mesmo assim apresentar um conteúdo original. É o que faz Stranger Things(2016 – atualmente), o produto mais nostálgico possível. Tudo no seriado da Netflix apela para a nostalgia daqueles que viveram sua infância e adolescência nos anos de 1980: os elementos de cena, a homenagem a produções famosas do período, os figurinos, as músicas…A série é um verdadeiro caldeirão de referências, que, mesmo assim,  mantêm sua trama original, sempre com a presença dos elementos oitentistas para contextos condizentes com o século XXI.

‘Stranger Things’ (2016- atualmente): elementos oitentistas fizeram a série tornar-se fenômeno. 
(Divulgação: Netflix)

Vale ressaltar e concluir que não é ruim sentir nostalgia, e que a reciclagem de filmes visando conquistar o público por essas vias também não. Basta que a produção não traga apenas a nostalgia pela nostalgia, o que vem sendo o caso de muitos desses lançamentos, como alguns live actions da Disney. Espera-se que essas obras tragam, também, o entendimento de que é bom valorizar o passado, sem deixar de reconhecer as melhoras e as mudanças do presente. 

Nesse ponto, a ideia por trás dos reboots e dos revivals bem elaborados parecem acertadas: trazer a mesma história, porém com novos personagens e/ou novas tramas que conversem melhor com os dias atuais. Reviver histórias sob outros pontos de vista, consertando passagens anacrônicas parece um bom jeito de trazer o passado de forma mais saudável e consciente. 

[Resenha] ‘The White Lotus’ e a sátira do privilégio branco

The White Lotus (2021) criada, escrita e dirigida por Mike White — roteirista de Escola do Rock (2003) e Freaks and Geeks (1999 – 2000) — rapidamente se tornou a série mais assistida da HBO Max e já foi renovada para a segunda temporada, que contará com um elenco completamente novo. O sucesso da série não é surpresa – a trama engloba um tema extremamente atual e o aborda de forma leve e satírica: o privilégio branco.

A narrativa segue hóspedes brancos de classe alta que se hospedam em um hotel de luxo no Havaí. Ao longo dos episódios, a dinâmica entre os clientes, empregadores e empregados é mostrada de forma clara e a história tem como centro da piada os hóspedes que constantemente fazem demandas estúpidas e mesquinhas; comentários de caráter tão duvidoso que beiram o cômico; e começam brigas que são, no mínimo, fúteis.

Diferente de séries como Gossip Girl (2021 – atualmente), The O.C. (2003 – 2007), Dynasty (2017 – atualmente) e Downton Abbey (2010 – 2015), The White Lotus não procura a redenção ou simpatia pela elite. Pelo contrário, a série os ridiculariza e deixa óbvia a forma como as ações e comentários do grupo são imensamente absurdos.

O elenco dos hóspedes conta com três grupos principais: a família Mossbacher, composta por Nicole (Connie Britton), Mark (Steve Zahn), Olivia (Sydney Sweeney), sua amiga Paula (Brittany O’Grady) e Quinn (Fred Hechinger); os recém casados Shane (Jake Lacey) e Rachel (Alexandra Daddario); e Tanya (Jennifer Coolidge) que foi para o resort para espalhar as cinzas de sua mãe no oceano. Enquanto isso, o elenco dos funcionários conta com Armond (Murray Bartlett), Belinda (Natasha Rothwell) e Dillon (Lukas Cage).

A trama envolvente é atingida pelas atuações brilhantes de todo o elenco, em especial, Alexandra Daddario que surpreende como uma jovem jornalista presa em um debate interno sobre seu recente casamento; e Murray Bartlett, que entrega uma performance impecável de um homem à beira da loucura.

White escreve a crítica social de forma natural, sem piadas forçadas, ações exageradas ou comentários distantes do que se pode encontrar em boa parte da elite branca da vida real. É a proximidade com a realidade que torna a série irresistível. Fica fácil para qualquer um ver semelhança entre os discursos que ocorrem em cena com coisas ditas na vida real, por mais absurdo que pareça ser no papel. Um exemplo disso é a cena que se passa em um dos jantares, onde a matriarca da família Mossbacher, Nicole, tenta defender que homens heterossexuais cisgêneros agora são a minoria e, por isso, merecem atenção, cuidado e mais oportunidades de trabalho.

A construção da narrativa, no entanto, não se mantém apenas no roteiro. Desde a vestimenta, com hóspedes carregando a tiracolo marcas como Goyard, Gucci, Valentino e Louis Vuitton enquanto os empregados trajam — na maior parte das cenas — o uniforme do hotel. A distinção entre as camadas sociais também é construída com os maneirismos e sotaques da elite: o exemplo mais claro é o personagem de Sydney Sweeney que carrega um pesado valley girl accent (“sotaque de garota do vale” na tradução livre, como os nortes-americanos intitulam o jeito de falar das garotas de classe alta ou classe média alta da região de Los Angeles e arredores).

Brittany O’Grady e Sydney Sweeney como Paula e Olivia. [Imagem: Divulgação/HBO]

Além de retratar a clara desconexão da elite estadunidense com o resto do mundo, Mike White captura outros arquétipos dessa mesma camada: a geração “desconstruída”. À medida que a série se desenvolve, a amizade de Paula e Olivia é explorada por ângulos um tanto inusitados. Paula tem na história o papel do olhar dos telespectadores e representa o que, muito provavelmente, a audiência estará pensando e sentindo.

A personagem de O’Grady originalmente não faz parte desse mundo e vai na viagem a convite de Olivia, que sente a necessidade de não ser como seus pais. Isso é convincente pela maior parte da trama até os episódios finais, nos quais o diretor traz uma mensagem um pouco desesperançosa: não importa o quanto tente, a sua família ainda é sua, e querendo ou não, você tem mais em comum com eles do que gostaria.

Ele mostra essa desesperança em outros aspectos do enredo, quando Tanya parece finalmente ter um arco de redenção, ele é quebrado pela aparição de um possível romance e as suas promessas de um negócio com Belinda caem por terra. Em resumo, o diretor lembra que quando dada a escolha, essas pessoas escolherão elas mesmas ou seus iguais.

Além da clara crítica social, The White Lotus traz a tona o conflito adolescente de se encontrar no mundo com Quinn, as dúvidas e incertezas do casamento com Rachel, a dificuldade em lidar com o passado com Mark, o difícil processo do luto com Tanya, o ganho de confiança com Paula, o problema de abuso de substâncias químicas com Armond e o preço que se paga por ser gentil demais em um mundo cruel com Belinda. A série se aproveita de todos os personagens e os traz à vida com personalidades tridimensionais, histórias do passado e tramas do presente, e faz isso sem deixar nenhuma ponta solta.

O pessimismo (ou melhor, realismo) reflete o momento atual e o jeito como as coisas são: apenas os ricos têm um final feliz. Do destino de Kai (Kekoa Kekumano) até Belinda, a elite sempre ganha, sai por cima ou tem uma chance de recomeçar enquanto os outros são deixados para traz para arrumar a bagunça causada por eles e seguir na esperança que um dia as coisas serão diferentes. A sensibilidade na hora de lidar com os hóspedes, não por serem clientes do hotel, mas sim por serem pessoas socialmente e economicamente relevantes, é algo citado pelos empregados diversas vezes durante a série.

O diretor ainda se aproveita da famosa coloração amarelada que estrela os filmes e séries hollywoodianas que se passam em qualquer lugar periférico. O uso das cores, em especial, transparece o clima quente e tropical havaiano. A teleportação para o paraíso também vem com a trilha sonora por Cristobal Tapia de Veer.

O apelo de The White Lotus é óbvio por ser uma série leve e objetiva, não procura ou cria tramas complicadas como Succession (2018 – atualmente). O assassinato que serve de gatilho para o começo da história é rapidamente revelado e explicado no final, já que a série não se trata de um mistério.

No dia 10 de agosto, a série foi oficialmente renovada para a segunda temporada. Em entrevista para TV Line, Mike White diz que gostaria que a continuação fosse em um hotel diferente com um novo elenco, “The White Lotus: Saint Tropez ou algo assim”, disse o diretor. Ele também disse que, logicamente, você não poderia ter todos os hóspedes nas mesmas férias novamente, mas cogita a ideia de trazer alguns personagens de volta em algum momento. “Poderia ser algo tipo o universo Marvel”, diz.

O novo elenco, data de lançamento e outros detalhes ainda não foram divulgados.

Confira o trailer: