Virada Cultural: a importância de ocupar espaços públicos

Nesta última sexta- feira (20), a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo divulgou a programação oficial da Virada Cultural que ocorre neste final de semana, nos dias 28 e 29 de maio. O evento anual é oferecido pela prefeitura do município de São Paulo desde 2005, sendo inspirado no festival parisiense Nuit blanche que ocorre também anualmente desde 2002. A Virada Cultural tem o propósito de promover diversas áreas da arte 24h pela cidade: música, dança, peças teatrais, manifestações populares, exposições de arte e história.

Este ano, o objetivo também é descentralizar o evento, levando-o para outras regiões espalhadas pela cidade que não apenas o Centro Histórico e Centro Novo. Com isso, discute-se a importância da acessibilidade cultural para além da gratuidade do evento, a proximidade com o público se dá, sobretudo, com a ocupação de espaços próximos a ele. A descentralização do evento vem sendo recente, considerando também a realização de forma online nos últimos dois anos devido à pandemia da COVID-19. 

Ocupar esses espaços públicos é essencial para a manutenção da democracia, uma vez que, atinge uma maior diversidade de audiência quando é facilitado o acesso aos palcos que estão em todas as regiões da cidade e também com o consequente aumento da variedade de gêneros musicais e atividades para todos os gostos.

Além disso, há como questão econômica uma grande movimentação para pequenos empreendedores que se locomovem para atender ao público, assim como o comércio em volta dos espetáculos. A democratização da arte e a utilização desses espaços públicos como meio de promoção cultural são de extrema importância para que a cidade se mantenha viva e com propósito. Apesar da crescente violência metropolitana, a manifestação artística não deixa de ser um ato de resistência popular que deve ser mantido, possibilitando a esperança de transformação social.

 Serão sediadas mais de 300 apresentações com grandes nomes, como Ludmilla, Luiza Sonza, Criolo e Glória Groove. Oficinas literárias e saraus serão também grandes atrativos pelas bibliotecas da cidade. Os palcos estarão espalhados por todas as Zonas da cidade e receberam nome indicativo da região:

Zona Sul: 

  • Palco Campo Limpo | LIBRAS
  • Palco Rio Diniz
  • Palco M’Boi Mirim LIBRAS
  • Palco Piraporinha
  • CC Grajaú. Rua Prof. Oscar Barreto Filho, 252.

 Zona Leste:

  • Palco Itaquera | LIBRAS
  • Palco Ribeirão. Av. Nagib Farah Maluf, s/n (Conjunto Habitacional José Bonifácio)
  • Palco São Miguel Paulista | LIBRAS
  • Palco Itaqueruna
  • CC Cidade Tiradentes | LIBRAS
  • Palco Penha

Zona Norte:

  • Palco Parada Inglesa | LIBRAS
  • Palco  Luiz Dumont Villares
  • Palco Freguesia do Ó | LIBRAS
  • Palco Rio das Pedras

Zona Oeste:

  • Palco Butantã | LIBRAS
  • Palco Pirajussara
  • CC Butantã

Centro:

  • Palco Viaduto do Chá | LIBRAS
  • Palco Praça das Artes
  • Festa Praça das Artes. Boulevard São João, 281
  • Palco Praça Ramos
  • Arena Vale, em frente ao Prédio dos Correios

A programação completa com todos os endereços e horários pode ser encontrada no site oficial da Virada Cultural (link). Para mais informações em tempo real acesse o Instagram da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo (link).

Os novos Modernistas: seleção Frenezi de artistas que inovam no cenário artístico brasileiro, assim como na Semana de 22

Texto por Julio Cesar Ferreira

Em comemoração ao Centenário da Semana de Arte Moderna de 22, a editoria de Cultura da Frenezi separa aqui alguns artistas que, assim como naquela data, buscam romper com o conservadorismo e estruturas de poder e renovam o cenário artístico brasileiro atual.

Em meio aos debates sobre a influência da Semana de Arte Moderna, é muito discutido que embora buscassem renovar-se artisticamente, o grupo de criativos selecionados para participar dessa rebelião ainda fazia parte da elite paulistana — com seus privilégios de cor, monetários, entre outros. No entanto, 100 anos depois, ainda acontecem transformações nesse cenário artístico.

Em uma matéria concedida à Revista VEJA, a secretária municipal de Cultura de São Paulo, Aline Torres, relembrou que o Modernismo atual concede mudança não somente às produções artísticas, mas também aos protagonistas. ‘’Se era uma parte da elite que realizou a Semana de 22, escreveu o seu manifesto e dava os rumos da cultura, hoje, é o inverso. É a periferia que está dando a direção da cena artística. São figuras negras, indígenas, LGBTQIA+, asiáticas e mulheres, que estão fomentando o debate”, concluiu.

Diante às mudanças constantes no mundo da arte, selecionamos 5 artistas que estão inovando e são os novos protagonistas nas manifestações artísticas brasileiras.

Ventura Profana

[Imagem: Igor Furtado]

Ventura é cantora, escritora, compositora, performer e artista visual. Nascida na Bahia, em sua arte trabalha questões da vivência negra e travesti. Foi doutrinada em templos batistas, e agora mergulha na crença para construir suas obras — sempre de forma crítica, desconstruindo os preceitos da igreja.

Você precisa conhecer… O álbum ‘Traquejos Pentecostais para Matar o Senhor’ e a música ‘RESPLANDESCENTE – Ventura Profana – podeserdesligado’.

Instagram: @venturaprofana

Samuel de Saboia

[Imagem: Helena Cebrian]

Samuel é pintor e artista autodidata, e aos 15 anos passou a usar sua paixão também como carreira. Com a arte abstrata como maior foco, seu trabalho explora no imaginário pessoal a figura e protagonismo do jovem negro no Brasil.

Você precisa conhecer… As exposições ‘Samuel de Saboia | A Bird Called Innocence’ e ‘O Guia de Sobrevivência Para Adolescentes Incomuns – Por Samuel Saboia’.

Instagram: @samueldesaboia

Grace Passô

[Imagem: Ana Paula Mathias]

Atriz, diretora e dramaturga, em seu trabalho Grace mistura o cinema e o teatro para criar obras que trabalham as experiências de um grupo marginalizado. O ‘filme-teatro’ é como se fosse uma obra cinematográfica, mas mais dinâmica por acompanhar os personagens e as narrativas que são encenadas numa peça.

Você precisa conhecer… Os curtas ‘Vaga Carne’ e ‘República’.

Instagram: @gracepasso

Aun Helden

[Imagem: Arquivo pessoal]

Aun Helden é um espetáculo por si só: seu corpo é seu próprio objeto de trabalho, e a artista utiliza dele para se expressar com modificações — em sua maioria bem distantes da anatomia humana. Sem se apegar a gêneros, a performer usa da maquigem, efeitos especiais e jogos de luz para criar estudos sobre o pós-humano.

Você precisa conhecer… ‘AUN Helden #perfo’.

Instagram: @aunhelden

Ingrid Rizzieri

[Imagem: Arquivo pessoal]

Ingrid é designer e escultora, o que reflete muito bem em suas obras: as jóias não são meros acessórios aqui, mas sim obras de arte que questionam o comum. A ‘Entre Cubos’, sua marca autoral, produz peças para diversas partes do corpo, que tomam seu lugar e chamam a atenção — detalhe para o acessório de nariz na imagem acima.

Você precisa conhecer… Todo o Instagram profissional de Ingrid, o @entrecubos.

A semana de 22 em 2022

Vendo cada um dos criativos que mostramos aqui, fica claro que o movimento criado a 100 anos segue forte no país — temos muitos Modernistas, e agora com ainda mais rostos e vozes: cada vez mais, os grupos esquecidos pela história se levantam para mostrar sua potência. Que possamos valorizá-los.

Quem foi Nise da Silveira?

No dia 10 de outubro foi comemorado o Dia Mundial da Saúde Mental e a Frenezi traz uma das figuras femininas nacionais mais importantes para a psiquiatria.

Nise da Silveira nasceu no dia 15 de fevereiro de 1905, em Maceió, e foi casada com o seu primo sanitarista Mário Magalhães. Filha única, o pai era professor de matemática e jornalista, quanto à mãe, pianista. Aos 15 anos, Nise ingressou no curso de medicina e foi a primeira mulher a se formar na Faculdade de Medicina da Bahia, sendo a única figura feminina em uma classe de 157 homens — nem mesmo banheiro feminino havia na universidade. Aos 21 anos, quando concluiu os estudos e voltou para Maceió, enfrentou a perda de seu pai e, junto a Mário, mudou-se para o Rio de Janeiro.  

Sua jornada de convivência com os pacientes começa em 1932, quando passa a morar no Hospício da Praia Vermelha e se prepara para o concurso de médico psiquiatra: uma trajetória que durou a vida toda e revolucionou o modo como as doenças psiquiátricas eram tratadas. Contudo, em 1936, sua afinidade ao comunismo a levou à prisão no governo de Getúlio Vargas. Enquanto estava em detenção, Nise conheceu outras presas políticas importantes como Olga Prestes, Maria Werneck e Elisa Berger, além do seu conterrâneo Graciliano Ramos.

”Depois de um ano na prisão, fiquei com mania de liberdade.” — Nise da Silveira

Posterior a isso, em 1944, Nise passa a compor o corpo clínico da primeira instituição psiquiátrica do país, o Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II. Lá, Nise se recusa a utilizar as técnicas de tratamento cruéis como forma de cuidado de seus ”clientes” — maneira como nomeava os internos. Nise queria substituir doentes dopados e alienados por pessoas assistidas e afetadas. Desse modo, em vez de choques, camisa de força, encarceramento e serviços, Nise usou a arte como método de tratamento. 

A psiquiatra foi homenageada com o filme Nise – O Coração da  Loucura, dirigido por Roberto Berliner e interpretado pela atriz Glória Pires, no qual retrata essa nova realidade e o primeiro contato dos doentes mentais com a arte através de ferramentas artísticas — o que resultou em verdadeiras obras —, além do tratamento terapêutico por meio da interação com os animais. 

Assista ao trailer:

As artes foram armazenadas no Museu de Imagens do Inconsciente e, nesse momento, estão sendo exibidas no Centro Cultural Banco do Brasil até o dia 15 de novembro. A exposição se chama Nise – a revolução pelo afeto e tem o objetivo de mostrar algumas das artes dos pacientes e contar a história de uma das médicas brasileiras mais importantes na história da psiquiatria.  

Confira as imagens da exposição:

Mulher, militante, médica e nordestina, Nise faleceu em 1999, aos 94 anos, vítima de uma pneumonia. A médica enfrentou toda a sociedade conservadora da época e, com inteligência, afeto, resistência e luta, mudou a vida de muita gente e trouxe um novo rumo à ciência.

Imagens: Divulgação

OSGEMEOS: dupla que levou o estilo brasileiro do grafite para o mundo

O grafite chegou ao Brasil na década de 70 pela maior metrópole do país, São Paulo, influenciados pelo crescimento do movimento nos Estados Unidos. Os artistas se arriscavam com o cenário de um país que vivia um contexto político de ditadura, a manifestação era criminalizada pelo Estado — foi institucionalizado em 2011 e assegurado pela por lei. Através do Sudeste, a prática foi se espalhando para os demais centros urbanos do país. O Brasil é um dos países mais reconhecidos pela arte do grafite, cultura retratada como marginalizada por ser uma arte urbana.

Conhecidos internacionalmente com obras presentes em diversas galerias e museus, Otávio e Gustavo Pandolfo são uma dupla de irmãos gêmeos grafiteros de São Paulo, nascidos em 1974, conhecidos como OSGEMEOS. 

Pintura de OSGEMEOS em muro da cidade de São Paulo.

Quando crianças, viveram no tradicional bairro do Cambuci (SP), desenvolveram um modo distinto de brincar e se comunicar através da arte. Começaram como dançarinos de break, com o apoio da família, e com a chegada da cultura Hip Hop no Brasil nos anos de 1980, eles começaram a pintar grafites em 1987, gradativamente tornaram-se uma das influências mais importantes na cena paulistana, e ajudaram a definir um estilo brasileiro de grafite. As ruas eram o principal ateliê e lugar de estudo dos irmãos. 

Em 1995 surgiu a oportunidade da primeira exposição experimental de arte de rua no Museu da Imagem e do Som, o MIS em São Paulo. No início dos anos 2000, eles foram convidados a participar de um projeto para criação de murais em estações ferroviárias e metrô de São Paulo, o que normalmente não é feito no país. Depois disso, o reconhecimento da dupla cresceu de forma que fossem reconhecidos nacionalmente e internacionalmente, com mostras individuais e coletivas em museus e galerias ao redor do mundo, como Cuba, Chile, Estados Unidos, Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Lituânia e Japão. Em 2014, criaram e executaram a pintura de um avião em um projeto da empresa de aviação Gol, que transportou a seleção de futebol do Brasil durante a Copa do Mundo.

Avião da seleção brasileira, arte pelo OSGEMEOS. [Imagem: Divulgação]

Os temas vão de retratos de família à críticas sociais e políticas onde retratam a realidade vivida nas grandes metrópoles. O estilo obteve referência através do hip hop tradicional e pela pichação. Por o grafite ser considerado uma arte marginalizada, as obras referenciam e criticam também esta característica. A presença de cores vivas, fantasias, lúdicas e a música fazem parte de sua arte. Algumas de suas apresentações em museus contam a história de como começaram, com a presença de músicas, danças de hip hop, cadernetas e desenhos de rascunhos além de obras com críticas sociais.

Mural em Vancouver Biennale-Canadá. [Imagem: Divulgação]

Nunca pararam de fazer sua arte, e com o passar dos anos, este cenário no qual sonhavam foi tomando forma de forma natural, até que conquistaram seu espaço se transformando numa linguagem própria com referências e influências por novas culturas.

Colaboração de OSGEMEOS e Banksy. [Imagem: Divulgação]

Jean-Michel Basquiat: O precursor do início do grafite e da arte urbana

Na última semana de agosto, a Tiffany & Co divulgou sua nova campanha About Love com os Carters traz para cena o diamante Tiffany, e quase ofusca outra obra de arte tão incrível quanto, que faz parte dessa produção, a Equals Pi, quadro de Jean-Michel Basquiat. Mas quem é o grande nome e autor desta obra avaliada em quase US$ 20 milhões?

Jean-Michel Basquiat- Equalps Pi, 1982.

Jean-Michel Basquiat nasceu em 22 de dezembro de 1960 no Brooklyn (NY). Desde pequeno desenhava nos papéis que seu pai trazia do escritório de contabilidade, sua mãe o levava em museus e lugares artísticos. Aos 7 anos sofreu um acidente que precisou ficar um tempo no hospital, ainda lá, sua mãe o presenteou com um livro de Grey´s Anatomy, o qual no futuro os desenhos anatômicos inspirariam sua arte. 

Sem título (crânio) da série de anatomia, 1982

Nos anos de 1970, a arte predominante nos Estados Unidos era a pop art, artistas como Andy Warhol e Roy Lichtenstein eram referências, além da arte minimalista e conceitual. 

Enquanto isso, na Alemanha, acontecia um movimento que foi chamado de “Die Jungen Wilden”, do portugês “Os jovens rebeldes”. Em todas as partes do mundo era possível ver jovens reagindo a um frizz intelectual que o minimalismo e a arte conceitual costumavam propor diretamente ou indiretamente.

O mercado de arte estava em alta, artistas produzindo arte apenas para vender. Nos EUA as pessoas passaram a consumir mais galerias do que museus. Muitas vezes essas galerias brincavam entre o que era considerado uma cultura elevada e outra mais trivial. Basquiat entra com o equilíbrio, a cultura do gueto, a chamada arte marginalizada (grafite) e a cultura da aristocracia. Nasce a linha tênue entre isso, o movimento do novo. 

Em 1980, aconteceu o desenvolvimento da West Village. Estavam promovendo o marketing da arte do grafite, a divulgação para o mundo, seja em marcas, galerias ou vestimentas, a vez da ascensão do grafite. Basquiat entrou e foi notado por críticos e historiadores. Desde o colegial pichava com seu amigo Al Diaz a palavra SAMO© (abreviatura de “same old shit”), entre 1977 e 1980. Muros, cafés, galerias e lojas passaram a ser telas deste pseudônimo com frases poéticas, chamando ainda mais atenção nos lugares onde a alta renda estava concentrada. 

Boom for Real: The Late Teenage Years of Jean-Michel Basquiat.

“Escolhia os lugares da moda de Nova York que frequentava, como o Mudd Club, para chamar atenção”. No meio da década de 80, triunfou no meio artístico da cidade. Com o tempo, as artes de rua, os grafites e as escritas passaram a não atrair mais policiais e a diminuição dessa arte como marginalização. Grandes nomes no grafite como Kenny Scharf, Fred Brathwaite e Rammellzee, já não eram nomes ligados a jovens delinquentes, mas sim nomes respeitados e conhecidos, tudo devido ao crescimento do grafite e sua enorme onda de marketing.

Não só suas obras eram negociadas como marca, mas ele mesmo. Os artistas visuais estavam no mainstream e era algo considerado cult. Basquiat conheceu Glenn O´Brien que o convidou para ser personagem principal de um filme chamado New York Beat, baseado na arte de Nova Iorque e no próprio Basquiat. Porém, só foi lançado nos anos 2000 com o nome de Downtown 81. A obra Cadillac Moon, participou de um evento chamado New York, New Scene, mostrando que algo novo estava acontecendo na cidade. Ela representava o fim do Basquiat, do Samo. Uma obra importante que risca o pseudônimo. 

Jean- Michel Basquiat, Cadillac Moon, 1981.

Uma época na qual ainda os artistas eram vistos como marginais, assim como Jackson Pollock ou Van Gogh que não foram reconhecidos como tais durante sua vida, Basquiat era um artista marginalizado pela sociedade, ainda mais pela sua cor de pele. Um dos poucos artistas da época que vendeu milhões. Seus desenhos muitas vezes eram vistos como infantis, retratando a vida urbana; namorou Madonna; teve uma banda chamada Gray que tocava noise music e se apresentavam em clubs que o próprio Basquiat tocava como dj; passou a vender cartões postais desenhados a mão para ganhar dinheiro; viveu no subsolo de colecionadores e galeristas em troca de tintas e telas, que muitas vezes eram vendidas sem nem terem sido finalizadas. 

O seu “fim” estava associado na cena artística da cidade, também a uma postura racista da cena artística de Nova Iorque, e como os brancos reagiram à cor da pele do Basquiat. Jean-Michael Basquiat morreu em Manhattan (NY) aos 27 anos de overdose. Hoje suas obras são leiloadas e avaliadas em milhões, algumas em museus e em acervos particulares espalhados pelo mundo, alguns como França e Jerusalém.