Conheça um pouco mais sobre Baz Luhrmann, o diretor por trás de ‘Elvis’

Baz Luhrmann é considerado um dos cineastas mais inovadores em Hollywood atualmente, tendo sua carreira resumida em um curto repertório de filmes sempre visualmente extravagantes e estilísticamente emblemáticos.

Filho de uma professora de dança de salão e um administrador de posto de gasolina, Luhrmann nasceu em uma pequena zona rural no norte de New South Wales, Austrália, em 17 de setembro de 1962. Nasceu com o nome de Mark Anthony, porém é mais conhecido pelo seu pseudônimo originado de um apelido de infância.

Diretor, produtor e escritor, sua carreira no Cinema teve início em 1992 com Vem Dançar Comigo, o primeiro filme da sua trilogia Red Curtain (Cortina Vermelha), adaptação de uma produção teatral autoral, baseada em suas experiências de infância no mundo da dança de salão. O filme foi feito em colaboração com outros alunos da National Institute of Dramatic Art e supostamente aplaudido de pé por 15 minutos na sua estreia em Cannes.

Fonte: blu-ray.com

Também inclusos nessa trilogia estão: Romeo + Julieta (1996) e Moulin Rouge: Amor em Vermelho (2001). Esses filmes não se completam na narrativa e nem coexistem em um mesmo universo cinematográfico, mas se assemelham na maneira como a sua narrativa é conduzida; enredos relativamente simples envolvidos de tragédia, comédia e alguma temática teatral: dança, poesia e música. Luhrmann em entrevista com Geoff Andrew para o The Guardian:

“a Cortina Vermelha requer algumas noções básicas. Uma é que o público saiba como terminará quando começar, é fundamental que a história seja extremamente rasa e extremamente simples – isso é muito trabalho. Então, é colocada num mundo criado e intensificado. Depois há um meio – o mundo elevado de ‘Strictly Ballroom’, a praia de Verona. Há ainda outro dispositivo – dança ou pentâmero iâmbico ou canto, e que está lá para manter a audiência acordada e empenhada”.

A Trilogia da Cortina Vermelha

Poster de divulgação. Fonte: Festival de Cannes / IMDb

Vem Dançar Comigo (1992)

Vem Dançar Comigo (1992). Fonte: National Film and Sound Archive

Um dançarino rebelde e uma jovem de pé esquerdo se unem no amor e na dança para quebrar padrões convencionais e lutar pela liberdade artística.

Romeo+Julieta (1996)

Fonte: Everett Collection para Vogue

A clássica tragédia de William Shakespeare sobre dois jovens que amam em meio a tanto ódio, mas não resistem às suas consequências. Primeiro trabalho de Leonardo DiCaprio com Luhrmann, esse é um filme que envolve a poesia shakespeariana em anacronismos incrivelmente bizarros.

Moulin Rouge: Amor em Vermelho (2001)

Moulin Rouge: Amor em Vermelho (2001). Fonte MUBI

Estrelando Nicole Kidman e Ewan McGregor como um casal de artistas lutando pela verdade, beleza, liberdade e amor em uma Paris boêmia do final do século 19. Moulin Rouge fecha a trilogia com oito indicações ao Oscar, incluindo de Melhor Filme, além de garantir o Globo de Ouro de Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Trilha Sonora.

Trajetória da sua Carreira

Como é comum com grandes diretores, Baz tem o costume de trabalhar múltiplas vezes com os mesmos atores. Com Kidman, por exemplo, colaborou no Nº 5 “Le Film”, um curta publicitário para o emblemático perfume da Chanel, e mais uma vez em um filme de 2004 chamado Austrália.

Chanel N° 5 “Le Film”. Fonte: MUBI

Em 2013 o diretor adaptou o clássico de F. Scott Fitzgerald trazendo às telonas O Grande Gatsby, estrelando Leonardo DiCaprio como o famigerado bilionário Jay Gatsby em uma Nova York eletrizante no auge dos anos 1920; repleto de anacronismos incluindo uma trilha sonora que mescla elementos do jazz da época com um som moderno composto por Jay-Z, Beyoncé e Lana Del Rey. Este filme arrecadou mais de 353 milhões de dólares ao redor do mundo, dois Oscars e elogios da neta de Fitzgerald, “Scott teria ficado orgulhoso”.

O Grande Gatsby. Fonte: Entertainment Weekly

Em 2016, Luhrmann colaborou com Stephen Adly Guirgis na criação da série The Get Down para a Netflix. A série é dividida em duas partes e conta a história das origens do hip-hop na década de 1970, com a ajuda de alguns dos artistas mais conhecidos da época, Nas, Kurtis Blow, DJ Kool Herc, entre outros que atuaram como produtores.A mais recente das suas obras, que tem recebido muito destaque da mídia, é a biopic de Elvis (2022). Estrelando Austin Butler como o “Rei do Rock”, bem como o incrível Tom Hanks e o irmão mais velho que todos amam odiar em Stranger Things, Dacre Montgomery.

Elvis (2022). Fonte: Claudia

Durante os seus 40 anos de carreira Baz Luhrmann desenvolveu um repertório curto, mas repleto de sucessos. Além de ter uma habilidade admirável para a direção, o australiano também envolve seus filmes de uma identidade artística que os torna clássicos instantâneos e imediatamente reconhecíveis.

Baz traz à sua audiência uma visão tão inovadora e verdadeiramente artística que, apesar de suas obras serem poucas, cada uma se torna uma quase eterna fonte de entretenimento. A história em si tem seu devido valor, mas a frenesi, energia e teatralidade caótica e constante que fazem seus filmes tão prazerosos de ver e rever, havendo sempre algo de novo para chamar a sua atenção.

Confira Elvis (2022), já nos cinemas!

Confira os Indicados ao Emmy 2022

Nesta terça (12) a Television Academy anunciou os indicados a 74ª edição do Emmy Awards, apresentados pelos atores J.B Smoove e Melissa Fumero. Como grande novidade foi anunciada que a edição deste ano teve recorde de inscritos ao prêmio.

Succession (2018 – atualmente), com 25 indicações, Ted Lasso (2020 – atualmente), The White Lotus (2021), com 20 indicações cada, Hacks (2021 – atualmente) e Only Murders In The Building (2021 – atualmente), ambas com 17, formam o top 5 de produções mais indicadas ao prêmio. A HBO sai na frente na disputa, com três das cinco séries mais indicadas em seu catálogo: Succession, Hacks e The White Lotus.

A premiação ocorrerá dia 12 de setembro, e até o momento não foi anunciado nenhum apresentador.

Confira a lista dos indicados nas principais categorias.

SÉRIE DE COMÉDIA

  • Abbott Elementary
  • Barry
  • Curb Your Enthusiasm
  • Hacks
  • Maravilhosa Sra. Maisel
  • Only Murders in the Building
  • Ted Lasso
  • What We Do in the Shadows

ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Rachel Brosnahan (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Quinta Brunson (Abbott Elementary)
  • Kaley Cuoco (The Flight Attendant)
  • Elle Fanning (The Great)
  • Issa Rae (Insecure)
  • Jean Smart (Hacks)

ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Donald Glover (Atlanta)
  • Bill Hader (Barry)
  • Nicholas Hoult (The Great)
  • Steve Martin (Only Murders in the Building)
  • Martin Short (Only Murders in the Building)
  • Jason Sudeikes (Ted Lasso)

ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Alex Borstein (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Hannah Einbinder (Hacks)
  • Janelle James (Abbott Elementary)
  • Kate McKinnon (Saturday Night Live)
  • Sarah Niles (Ted Lasso)
  • Sheryl Lee Ralph (Abbott Elementary)
  • Juno Temple (Ted Lasso)
  • Hannah Waddingham (Ted Lasso)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Anthony Carrigan (Barry)
  • Brett Goldstein (Ted Lasso)
  • Toheeb Jimoh (Ted Lasso)
  • Nick Mohammed (Ted Lasso)
  • Tony Shalhoub (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Tyler James Williams (Abbott Elementary)
  • Henry Winkler (Barry)
  • Bowen Yang (Saturday Night Live)

SÉRIE DE DRAMA

  • Better Call Saul
  • Euphoria
  • Ozark
  • Ruptura
  • Round 6
  • Stranger Things
  • Succession
  • Yellowjackets

ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA

  • Jodie Comer (Killing Eve)
  • Laura Linney (Ozark)
  • Melanie Lynskey (Yellowjackets)
  • Sandra Oh (Killing Eve)
  • Reese Witherspoon (The Morning Show)
  • Zendaya (Euphoria)

ATOR EM SÉRIE DE DRAMA

  • Jason Bateman (Ozark)
  • Brian Cox (Succession)
  • Lee Jung-jae (Round 6)
  • Bob Odenkirk (Better Call Saul)
  • Adam Scott (Ruptura)
  • Jeremy Strong (Succession)

 ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

  • Patricia Arquette (Ruptura)
  • Julia Garner (Ozark)
  • Jung Ho-yeon (Round 6)
  • Christina Ricci (Yellowjackets)
  • Rhea Seehorn (Better Call Saul)
  • J. Smith-Cameron (Succession)
  • Sarah Snook (Succession)
  • Sydney Sweeney (Euphoria)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

  • Nicholas Braun (Succession)
  • Billy Crudup (The Morning Show)
  • Kieran Culkin (Succession)
  • Park Hae-soo (Round 6)
  • Matthew Macfadyen (Succession)
  • John Turturro (Ruptura)
  • Christopher Walken (Ruptura)
  • Oh Yeong-su (Round 6)

MINISSÉRIE

  • Dopesick
  • The Dropout
  • Inventando Anna
  • Pam & Tommy
  • The White Lotus

ATRIZ EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Toni Collette (A Escada)
  • Julia Garner (Inventando Anna)
  • Lily James (Pam & Tommy)
  • Sarah Paulson (American Crime Story: Impeachment)
  • Margaret Qualley (Maid)
  • Amanda Seydried (The Dropout)

ATOR EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Colin Firth (A Escada
  • Andrew Garfield (Under the Banner of Heaven)
  • Oscar Isaac (Cenas de Um Casamento)
  • Michael Keaton (Dopesick)
  • Himesh Patel (Station Eleven)
  • Sebastian Stan (Pam & Tommy)

ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Connie Britton (The White Lotus)
  • Jennifer Coolidge (The White Lotus)
  • Alexandra Daddario (The White Lotus)
  • Kaitlyn Dever (Dopesick)
  • Natasha Rothwell (The White Lotus)
  • Sydney Sweeney (The White Lotus)
  • Mare Winningham (Dopesick)

ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Murray Bartlett (The White Lotus)
  • Jake Lacy (The White Lotus)
  • Will Poulter (Dopesick)
  • Seth Rogen (Pam & Tommy)
  • Peter Sarsgaard (Dopesick)
  • Michael Stuhlbarg (Dopesick)
  • Steve Zahn (The White Lotus)

TALK SHOW

  • The Daily Show with Trevor Noah
  • Jimmy Kimmel Live!
  • Last Week Tonight with John Oliver
  • Late Night with Seth Meyers
  • The Late Show with Stephen Colbert

REALITY SHOW DE COMPETIÇÃO

  • The Amazing Race
  • Lizzo Procura por Mulheres Grandes
  • Nailed It
  • Rupaul’s Drag Race
  • Top Chef
  • The Voice

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[Crítica] Stranger Things é uma das melhores séries da atualidade mesmo com algumas ressalvas dessa quarta temporada

Após uma espera de praticamente três anos desde o último lançamento, Stranger Things retornou com a quarta temporada no final de maio, levando todos os fãs de volta a Hawkins para contar mais uma história sombria dos irmãos Duffer.

O primeiro volume possui 7 episódios muito bem construídos do início ao fim, ainda mais pelo tempo: a maioria ultrapassa uma hora, o último chega a uma hora e quarenta minutos. No dia 01 de julho, os dois últimos episódios foram liberados, que somados entre si dão quatro horas de duração e encerram esse arco, que até agora pode ser considerado um dos melhores.

Relembre um pouco do que aconteceu nas temporadas anteriores

O início da série se passa em 1983, em Hawkins, Indiana. O jovem Will Byers (Noah Schnapp) desparece e seus amigos, Mike (Finn Wolfhard), Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin (Gaten Matarazzo) decidem procurá-lo com a sua família e a polícia da cidade. Com isso, eles se deparam com uma série de eventos sobrenaturais e é nesse momento que eles começam a entender um pouco sobre o Mundo Invertido.

[Imagem: Divulgação/Netflix]

Nancy (Natalia Dyer), que é a irmã de Mike, Steve (Joe Keery), namorado de Nancy, e Jonathan (Charlie Heaton), irmão de Will, investigam por conta própria o que pode ter acontecido com o menino e Barb (Shannon Purser) – a melhor amiga de Nancy que é morta por um Demogorgon no início da história.

Nesse meio-tempo, aparece Eleven (Millie Bobby Brown), uma garota que tem superpoderes e não sabe muito sobre seu passado ou conviver em sociedade. No final, eles salvam Will, graças a um sacrifício de El, mas os problemas e a ligação do menino com o Mundo Invertido estão longe de acabar.

[Imagem: Reprodução/Netflix]

A segunda temporada avança para 1984, onde todos tentam seguir em frente após tudo o que rolou no ano anterior. Porém, uma nova ameaça aparece direto do Mundo Invertido para ameaçar os protagonistas, e além desse novo inimigo, também há uma nova personagem Max (Sadie Sink), que chega na cidade junto com seu irmão problemático, Billy (Dacre Montgomery).

[Imagem: Reprodução/Netflix]

Enquanto isso, o detetive de Hawkins, Jim Hooper (David Harbour), decide criar Eleven, que sobreviveu aos acontecimentos do final da 1ª temporada, e é nesse ano que aborda mais sobre seu passado, sua mãe biológica, que ficou viva, mas teve sequelas após enfrentar uma terapia de eletrochoque, e a existência de uma irmã, a Eight/Kali (Linnea Berthelsen).

Eleven fica escondida na cabana de Hopper e só Mike sabe que ela está lá. Cansada dessa realidade, ela foge e, quando volta, aprende a verdade sobre sua história. Depois disso, seus amigos enfrentam um Demodog e Eleven entende que precisa fechar de vez o portal para o Mundo Invertido.

No final, ela consegue destruir o Monstro das Sombras, que está conectado a Will e ameaçando a todos, e fica com Mike no baile da escola. Só que há uma vítima no meio disso tudo: Bob (Sean Astin), o novo interesse amoroso de Joyce (Winona Ryder). Ainda nessa temporada, Nancy termina com Steve e fica com Jonathan.

No terceiro ano da série, em 1985, o verão chega e um shopping novo na cidade de Hawkins também, deixando o amado grupo ainda mais sintonizado com sua juventude e com novos casais no ar. Aparecem cientistas russos como vilões tentando abrir um portão para o Mundo Invertido embaixo desse shopping, como revela Alexei (Alec Utgoff), um dos envolvidos nisso. Eleven descobre que o irmão de Max está possuído pelo Devorador de Mentes e, em uma futura batalha com o monstro, acaba sendo ferida e perdendo seus poderes.

Já no final da trama, Billy se sacrifica para proteger o grupo após El entrar em sua mente e o Hopper tenta destruir a máquina usada pelos russos para manter o portal para a outra realidade aberto mas é dado como morto. Eleven, então, vai morar com os Byers, que se mudam para a Califórnia.

Agora, nessa quarta temporada, é possível ver o que aconteceu com cada personagem e todo o mistério por trás de uma nova ameaça do Mundo Invertido: o Vecna, que marca suas vítimas através de um vínculo psíquico e as mata das formas mais tenebrosas e brutais, para se alimentar.

ALERTA DE SPOILER

[GIF: Reprodução/Giphy]

Ao longo de toda essa trama, foi possível ver três núcleos separados: Eleven, Will, Jonathan e Mike estavam na Califórnia; Joyce, Murray e Hopper na Rússia e os demais em Hawkins. Essa dissonância do grupo afeta um pouco a fluidez dos episódios, porque para conciliar tantas linhas narrativas simultâneas, Stranger Things opera na constante quebra de ritmo, ou seja, desenvolve uma situação e, assim que ela estoura, muda de núcleo em uma tentativa de manter a tensão sempre alta.

Durante a primeira parte, parecia que essa divisão entre os personagens não funcionaria em sintonia para salvar Hawkins e o mundo de Vecna, deixando os papéis de cada personagem um tanto quanto confusa. No entanto, o segundo volume acaba mostrando como todos esses enredos funcionam bem para a primeira conclusão desta ameaça de fim do mundo.

A protagonista Eleven ou Jane, vive um difícil período de adaptação nesta season. Apesar de seus esforços, a jovem sofre para se encaixar na escola e é constantemente vista como “a esquisita” por seus colegas de escola. Para piorar, ela está sem os seus poderes, passa pelo luto da morte de Hopper e lida com as saudades dos amigos e do namorado Mike. Porém, após um início movimentado nos primeiros episódios, a jornada de Eleven se torna mais solitária, no entanto poderosa, no final. Millie Bobby Brown consegue sustentar um núcleo inteiro praticamente sozinha, ditando os pontos de virada e provando que nasceu para interpretar esse papel.

Outro grande destaque da temporada, se não for o maior, é Sadie Sink, que volta à pele de Max. É possível acompanhar um lado da jovem nunca visto antes, o que está marcado pelo trauma e culpa. Reclusa de todos, Max passa por uma interessante jornada de reconexão consigo mesma e com os amigos, enquanto carrega um dos principais e mais emocionantes acontecimentos do quarto ano da série.

Ela é capturada por Vecna mas escapa ao som de Running Up That Hill de Kate Bush, música favorita da personagem. A crença de que a canção seria capaz de salvar Max, foi baseada em uma conexão astuta feita por Robin Buckley e Nancy Wheeler depois que uma das primeiras vítimas de Henry, seu pai Victor Creel, parecia ter sido salvo por ouvir Dream A Little Dream Of Me de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong.

No entanto, como Vecna ​​revelou na conclusão da primeira parte da quarta temporada de Stranger Things, a música não foi a razão pela qual seu pai, Victor, sobreviveu. Em vez disso, foi simplesmente porque que Henry ultrapassou os limites de seus poderes, o que o levou a entrar em coma antes que pudesse acabar com seu pai.

Isso não deve minimizar a importância da canção de Kate Bush para a sobrevivência de Max. Nancy descreve isso como “uma ponte de volta à realidade” e deve haver pouca dúvida de que ela estava certa. A música evoca memórias fortes que são boas e ruins, então faz sentido que ela pudesse abrir uma porta para fora da alienação opressiva de trauma, desespero e culpa em que Max se encontrava. Além disso, também faz sentido que se ela não tivesse memórias tão positivas e o amor de seus amigos para retornar, não haveria como escapar da maldição de Vecna.

É importante mencionar também Eddie e Argyle, os novos personagens incluídos nessa história. Ambos são completamente diferentes, um é viciado no jogo D&D e é metaleiro, e o outro um completo maconheiro entregador de pizza, mas os dois são um alívio cômico no meio de tantos acontecimentos.

Eduardo Franco, que interpreta o personagem Argyle, esteve presente no MTV Movie&TV Awards e declarou ser uma honra fazer parte de uma série de tanto sucesso. “Todo mundo do elenco, da produção foram maravilhosos e gentis comigo. Todos me receberam muito bem, é como se fosse uma família mesmo”, afirmou o ator.

Inclusive, mesmo Eddie sendo um novo rosto, ele protagoniza a melhor cena do segundo volume da série, onde sobe no topo do próprio trailer no Mundo Invertido com uma guitarra e um amplificador e toca Masters Of Puppets da banda de heavy metal Metallica para atrair os morcegos de Vecna.

O mais curioso dessa cena é que Tye Trujillo, filho do baixista da banda, Robert Trujillo, participou da quarta temporada gravando as faixas de guitarra utilizadas nessa versão. Além dele, o guitarrista do Metallica, Kirk Hammet, colaborou nas gravações.

Além da escolha da música refletir bem as características do personagem, que é fã de thrash metal. A letra de Master of Puppets combinou muito com Stranger Things. James Hetfield, líder da banda, fala da perda de controle e do uso de drogas na música, então os versos sombrios fazem jus a atmosfera ameaçadora do Mundo Invertido. “Master of Puppets lida com drogas. Como as coisas ficam de cabeça pra baixo, em vez de você assumir e fazer, as drogas controlam você” o vocalista afirmou sobre a faixa em entrevista à Thrasher Magazine.

Porém, infelizmente no final dessa trama o Eddie morre nos braços do Dustin, mas os fãs ainda não possuem 100% de certeza, talvez porque não querem acreditar ou porque não têm uma confirmação de fato. De qualquer maneira, isso é uma pena e que chega a ser revoltante, principalmente por ter sido um personagem inserido na penúltima temporada da série, onde foi muito bem desenvolvido e aceito por parte do público.

Uma das grandes surpresas do quarto ano da série, foi a junção de Nancy e Robin como uma dupla. As atrizes apresentam uma ótima sintonia e as personagens, surpreendentemente, se completam, rendendo cenas memoráveis. Já Steve e Dustin, voltam a chamar atenção por sua incrível e divertida dinâmica em conjunto.

Por outro lado, alguns personagens perdem completamente o destaque e ficam à deriva durante a narrativa. É o caso dos irmãos Byers, na qual é possível contar nos dedos quantas falas tiveram ao longo de todos os episódios. Mike e Lucas também não apresentam tanta relevância, mas ainda conseguem aparecer mais do que os primeiros.

O mais revoltante é que o Will saiu de personagem principal para um mero coadjuvante, e que o maior arco gira em torno do personagem ser gay e estar apaixonado por Mike. Já o Jonathan, foi reduzido a maconheiro e que até a trama entre ele e a Nancy que poderia ser explorada, foi deixada de stand by.

Apesar disso, Will protagoniza uma das cenas mais tocantes da quarta temporada. Sem qualquer ambição de grandiosidade, nem ameaça monstruosa pelo caminho, o adolescente demonstra toda sua coragem quando, de coração partido, aconselha Mike sobre seu relacionamento com a Eleven. E, como se suas lágrimas não fossem suficientes para dar conta da sua vulnerabilidade, os olhares furtivos de Jonathan pelo retrovisor denunciam o quanto dói no irmão mais novo estender a mão para seu melhor amigo dessa maneira.

Apesar disso, a direção consegue equilibrar melhor o tempo de tela dos núcleos, onde é possível identificar perfeitamente o motivo pelo qual eles estão separados, como é o caso de Joyce e a Rússia. A história flui em um bom ritmo e se mostra mais madura em relação às outras temporadas. Ao mesmo tempo, referências aos anos anteriores estão mais presentes, assim como pontos narrativos que se conectam com o início da série.

Como é o caso do grande vilão da temporada, Vecna. Ele vem do jogo de RPG Dungeons & Dragons, citado na série desde a primeira temporada. No game, ele é uma criatura que usa um tipo proibido de mágica para se tornar imortal, e é quase isso que Stranger Things mostra. Na série, o monstro se torna ainda mais forte a cada humano que mata. A escolha de suas vítimas, no entanto, não é aleatória. Vecna prefere possuir pessoas que passaram por algum evento traumático e estão vulneráveis emocionalmente, e as tortura com memórias dolorosas antes de acabar com suas vidas.

Voltando a D&D, no jogo Vecna nasceu humano séculos atrás, e sua mãe, Mazzell, foi executada por praticar feitiçaria. Então, em busca de vingança, Vecna se tornou um mestre das magias obscuras, chegando a um nível em que nenhum outro mortal havia alcançado. Em Stranger, os adolescentes começaram a comparar o monstro do Mundo Invertido com Vecna, devido aos seus poderes e pela aparência. Tão poderoso quanto o personagem do jogo, o Vecna de Hawkins é mais perigoso que o Demogorgon, mais complexo de se entender e mais difícil de ser combatido.

Não é só no RPG que Vecna tem um passado traumático com a família. Na série, se descobre que o monstro é Henry Creel, agora conhecido como Peter. O personagem, interpretado por Jamie Campbell, foi uma criança que demonstrava comportamentos estranhos. Com isso, sua mãe buscou ajuda profissional para tratar sua “natureza perturbada” e ele não gostou nada disso. Henry começou a usar seus poderes, primeiramente, para matar animais, até acabar matando a própria família. Victor Creel, o pai, foi o único sobrevivente para poder carregar a culpa pelos crimes.

Também é revelado a origem dos poderes de Eleven, mostrando que Henry, agora Peter, é o paciente 001 dos experimentos do laboratório de Hawkins. Levado à força para lá, Martin Brenner usou o sangue de Henry para criar outras crianças com os mesmos poderes. Para isso, no entanto, precisaria suprimir suas habilidades com a ajuda de um dispositivo implantado em seu pescoço.

Ao longo de todos esses anos, Peter esteve no laboratório de Hawkins auxiliando Brenner nos experimentos, quando descobriu que Eleven era tão poderosa quanto ele. Então, nos flashbacks de 1979 no episódio 7, O massacre no laboratório de Hawkins, os fãs podem ver que ela foi manipulada por Peter e acabou removendo o dispositivo que controlava seus poderes.

Então, Henry provoca um massacre no laboratório, matando as crianças e funcionários da instalação, mas é detido por Eleven, que acaba abrindo o portal para o Mundo Invertido e empurrando ele para lá. Ao cair, ele é queimado por um raio e se transforma em Vecna, o que é comprovado com a marca 001 no pulso.

É inegável como Jamie, que já tem grandes nomes no currículo, como Caius Vulturi em Crepúsculo, Jace em Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos e Gellert Grindelwald em Harry Potter, se sobressaiu fazendo o Vecna. Em entrevista a Vanity Fair, o ator declarou que não enxerga necessariamente o seu personagem como um vilão.

“Eu sou capaz de vê-lo como um vilão? Eu certamente sou capaz de vê-lo como um ponto de conflito”, afirmou. “Mas em termos de, tipo, ele é mau ou [é um] vilão? Quero dizer, eu o entendo e o amo. E eu me relaciono com ele. Fiquei com os olhos lacrimejados ao dizer isso – talvez eu devesse calar a boca! Tipo, eu o entendo, então sempre estarei do lado dele”. Ele ainda acrescenta que: “Acho que ainda há um nível de humanidade nele, mesmo onde ele está agora, mas acho que a humanidade dele estar onde está agora é um fato com o qual posso me relacionar. Tenho certeza que todos nós podemos.”

Com um aspecto bizarro, Vecna tem uma aparência tétrica, que até mesmo fez Millie Bobby Brown chorar quando viu o ator caracterizado. Em conversa com The Verve, Barrie Gower, designer de próteses e maquiador, revelou que o personagem foi feito à base de efeitos especiais e muito lubrificante.

“No dia [da filmagem] ele tem que estar superviscoso, então usamos produtos como lubrificante K-Y. Também usamos um produto chamado UltraWet, um gel transparente, que passamos em todo o corpo dele”, declarou ele. “É o tipo de coisa que, no set, se você colocava a mão no ombro dele, você se arrependia porque ficava todo melecado”, enfatizou Barrie.

O perfil oficial da Netflix compartilhou um vídeo que mostra a impressionante transformação de Jamie Campbell Bower no poderoso vilão da 4ª temporada de Stranger Things. O processo, que inclui a aplicação de diversas camadas de tecido e maquiagem no rosto e no corpo do ator, impressionou os internautas.

Além disso, a caracterização dos personagens carrega um estilo oitentista em seu auge, onde os penteados e figurinos tentam rejuvenescer o elenco, mas não é com todos que consegue. No entanto, tudo não se torna um mero detalhe assim que adentra a nostalgia da série. Os produtores da série reveleram algumas características sobre os looks, que vão desde tênis personalizados da Converse, até referências a nomes como o cantor britânico David Bowie e o filme Grease – Nos Tempos da Brilhantina.

Nessa temporada, Natalie Dyer fez uma permanente mas também usou uma peruca parcial para chegar ao visual de Nancy. Já Mike, deixou o cabelo crescer para ficar parecido com Eddie, em quem se inspira, mantendo um pouco mais comprido atrás e com camadas curtas.

Para os cenários da Califórnia nessa temporada, a figurinista Amy Parris usou diversas referências visuais, como a Thrasher Magazine, Skateboard Magazine, Surfer Magazine, além de anuários reais de escolas do ensino médio americano.

A equipe de figurino colaborou com a Quiksilver para criar o visual tipicamente californiano de Argyle: os tênis do personagem foram customizados pela Vans, e ele usa meias tie-dye igualmente customizadas. O figurino de Mike na Califórnia também foi feito pela Quiksilver, com o intuito de combinar com as roupas do personagem de Eduardo Franco.

O visual de Jonathan nessa season foi influenciado pelo Argyle e pelas atividades extracurriculares que eles fazem juntos. Consequentemente, ele está usando estampas mais psicodélicas. Já para o visual dos alunos do Colégio Hawkins, a Converse fez tênis personalizados em três cores para combinar com a paleta da escola.

No capítulo 4 dessa quarta temporada, a roupa da Robin parece que saiu do armário da Nancy e foi inspirada por catálogos antigos da coleção primavera-verão da Sears, Montgomery Ward e JCPenney em 1986.

Originalmente, os irmãos Duffer queriam que o cabelo do Eddie fosse parecido com o penteado clássico do David Bowie como Jareth em Labirinto – A Magia do Tempo, mas a equipe responsável pelos cabelos dos atores baseou o visual final em Ozzy Osbourne e outros integrantes de bandas famosas dos anos 1980.

E por fim, o penteado de Chrissy foi inspirado na personagem de Olivia Newton-John chamada Sandy em Grease – Nos Tempos da Brilhantina, no estilo líder de torcida americana, mas com franjas bem anos oitenta.

A fotografia de Stranger Things sempre foi bastante mutável e na quarta temporada isso não foi diferente. A depender do contexto de cada cena, a iluminação transita entre o claro e o escuro, também dando bastante destaque para a cor vermelha no mundo de Vecna. As transições do mundo real para o mundo invertido também acontecem e apresentam um bom jogo de câmeras.

Como foi dito anteriormente, a trama se divide entre núcleos diferentes, portanto, a cenografia é intercalada entre a Califórnia, Hawkins, a Rússia e o Mundo Invertido. São muitos os cenários que carregam a história neste ano, entre novos e já conhecidos, mas o destaque vai para a mansão que habita Vecna. O local é cheio de detalhes e uma importante peça para a narrativa, que inclusive por fora, lembra um pouco da casa do filme A Casa Monstro.

A trilha sonora da série também é um grande marco e que trouxe boas posições nos charts. A música de Kate Bush, Running Up That Hill por exemplo, na época de lançamento alcançou a posição mais alta do Hot 100 da Billboard da carreira da cantora, com um 30º lugar. Mas a série da Netflix mostrou o poder de uma plataforma de streaming, levando a música à 1ª posição do ranking no Spotify. Agora, a canção do Metallica, Masters Of Puppets, é a próxima a atingir bons lugares nas paradas musicais.

Outra música dessa quarta temporada que caiu no gosto do público foi Pass the Dutchie, do grupo Musical Youth. A trilha de Argyle e Jonathan, alcançou o 9º lugar no ranking da Apple Music. Além disso, embala vários vídeos divertidos nas redes sociais.

Mas não são apenas esses três sucessos resgatados. A quarta temporada também trouxe o hit da banda The Beach Boys, California Dreamin e Detroit rock city, do KISS. Afinal, Stranger Things aposta na nostalgia para conquistar o público, inclusive aqueles que nem viveram nos anos 80, e essa fórmula se repete desde a primeira temporada.

Quais as pontas soltas?

Com os dois episódios finais da quarta temporada de Stranger Things, muita coisa foi respondida mas algumas situações ainda ficaram pendentes para o grande final da série. Como prometido pelos criadores, os irmãos Duffer, a temporada não terminou com tudo resolvido, muito pelo contrário. O maior desafio de todos foi anunciado, e a próxima temporada precisa dar um jeito para resolver tudo o que ficou para trás, mas já foi confirmado que a produção terá um salto temporal.

Max morre?

Depois de ter escapado da morte por muito pouco, Max encerra a temporada em uma cama de hospital em coma. Além disso, parece que ela não está dentro de sua mente, que Eleven encontrou vazia. Então, fica um questionamento de que talvez ela esteja presa dentro da mente do Vecna e se ela vai ficar sem enxergar ou andar.

[Imagem: Reprodução/Twitter]

O que vai acontecer com Hawkins?

A season encerra com as quatro mortes causadas por Vecna abrindo portais que permitiram que o Mundo Invertido invadisse Hawkins. As partículas começaram a cair lentamente e a matar a vegetação que encontravam pelo caminho, então resta saber se os civis que sobreviveram continuarão por lá mesmo ou se a cidade abrigará apenas algumas pessoas, além dos protagonistas e possivelmente agentes do governo.

Vecna vivo

Vecna apesar de ter ficado bem ferido com o ataque de Nancy, Robin e Steve, conseguiu fugir e, muito provavelmente, passará estes anos do salto temporal reunindo forças a fim de concretizar seu plano de uma vez por todas. A não ser que um novo personagem poderoso seja introduzido, Eleven é a única capaz de enfrentar Henry frente a frente.

[Vídeo: Reprodução/Twitter]

Nancy, Jonathan e Steve

A relação de Nancy e Jonathan sofreu bastante com a distância física e emocional entre os dois. A diferença de planos do casal pode acabar terminando com o relacionamento, enquanto Steve está pronto para levar uma vida de família com Nancy e seus seis futuros filhos.

Will e a ligação com o Mundo Invertido

Os criadores da série já confirmaram à Collider que Will terá um grande foco na última temporada da série, o que faz sentido já que no final do nono episódio, é possível ver o personagem se arrepiando devido a ligação com o Vecna. É importante lembrar que a conexão entre ele e o Devorador de Mentes foi estabelecida na 1ª temporada, antes de ser resgatado do Mundo Invertido. Alguns fãs já estão especulando que como tudo começou com ele, faz sentido toda essa história ser finalizada com ele também.

Stranger Things continua encontrando mais força nos indivíduos e menos na jornada. A fórmula dos Irmãos Duffer funciona e entretém justamente porque eles amam seus personagens, fazem todo mundo amar seus personagens e gostam de permanecer o máximo possível em seus conflitos e emoções. Também ajuda bastante quando há consequências brutais, como no último episódio – e é de se esperar que os criadores tornem o impacto permanente.

A escala do seriado só tem aumentado, com a produção dando um show visual cada vez maior, seja esteticamente, seja cinematograficamente. Por mais desnecessariamente extenso que seja a finalização da quarta temporada, é impossível negar que foi o ano mais épico e macabro da série, mas, como sempre, mantendo o lado humano que torna a obra tão empática e divertida de acompanhar.

De uma série de mistério ao tom de terror, o seriado caminha para o seu desfecho carregando uma legião de fãs consigo. Dá para ter uma noção do que esperar do fatídico quinto ano, se considerar que apenas dois episódios foram tratados como um verdadeiro evento da cultura pop de 2022. É possível aguardar uma sequência com toda qualidade e potencial que trouxeram até aqui. Principalmente quando a promessa é grande demais para se esperar tanto.

Lindsay Lohan: The Rise, The Fall and The Comeback

Umas das atrizes mais icônicas dos anos 2000, Lindsay Lohan era considerada a próxima estrela de sua geração. Atuações aclamadas e sucesso repentino, Lohan tinha tudo para ter uma longa carreira: o que aconteceu? Quem (ou o quê) deve-se culpar pela queda de Lindsay? Sua família; a indústria; más companhias; drogas ou talvez uma combinação de todos esses fatores? 

Apesar de termos crescido vendo Lindsay nas telinhas, éramos novos demais para entender todas as polêmicas e escândalos que levaram a atriz prodígio a clínicas de reabilitação e um hiatus de trabalho que durou até esse ano, 2022. Hoje, no seu aniversário de 36 anos, fizemos um deepdive na carreira e vida pessoal de Lohan, assim como também aguardamos ansiosos pelo retorno da atriz na Netflix em dezembro deste ano.

THE RISE

O começo

Nascida em 1986 em Nova York, Lindsay cresceu em Merrick e em Cold Spring Harbor, ambas no estado de Nova York. Sua história familiar não era ótima: seu pai Michael foi preso por insider trading quando ela tinha apenas três anos, além do notório vício em drogas que ele mantinha. Seus pais se separaram e voltaram algumas vezes, e Michael continuou a assombrar a vida de Lindsay à medida que ela ficou rica e famosa. A mãe de Lindsay, Dina, também acusou Michael de violência doméstica e disse que isso afetou a filha. Sobre sua infância com seu pai, Lindsay disse para o Irish Examiner:

“Ele fez eu e minha mãe e os pais de minha mãe passar pelo inferno – desde ameaças de morte, a jogar sapatos na cabeça do meu avô e causá-lo uma concussão, a ameaçar a matar minha mãe na frente do meu irmão mais novo, Dakota.” “Eu cresci muito rápido por causa das situações a que fui submetida pelo meu pai. Minha mãe tentava me proteger daquilo o máximo possível, mas eu escolhi ficar no meio dos meus pais minha vida toda.”

Em meio a uma vida turbulenta, Lindsay e seus irmãos foram estimulados desde cedo a trabalharem. Aos três anos, em 1989, Lohan assinou contrato com a Ford Models, sendo a primeira modelo ruiva da agência. Nessa época ela apareceu em diversos comerciais, sendo um deles para a grife Calvin Klein. 

Aos dez, ela já atuava em uma novela chamada Another World, e foi aqui que ela foi descoberta pela Disney. Operação Cupido estreou em 1998 e obteve grande aclamação da crítica. Lindsay foi elogiada pela sua atuação e se tornou a nova promessa de Hollywood. Apesar de ter assinado um contrato de mais três filmes com a Disney, além de entrar para o elenco de um seriado com Bette Midler, ela decidiu voltar para casa para ser uma criança normal. Enquanto isso, Life Size (2000) e Get a Clue (2002) foram lançados.

Lindsay na première de Operação Cupido, em 1998

Lindsay x Hillary

Aqui se iniciam as famosas polêmicas que alimentaram os tabloides por anos: a briga Lindsay Lohan x Hillary Duff. Tudo começou com um garoto chamado Aaron Carter (irmão do Nick Carter do Backstreet Boys). Carter namorava Duff na época, até que no aniversário de dezesseis anos de Lohan, ele decide trocar Duff pela aniversariante. Isso apenas colocou mais lenha na fogueira da competição que a mídia criou entre as duas atrizes.

Em 2003, Freaky Friday estreou e foi mais um hit para Lindsay. Nesse filme ela contracena com o queridinho Chad Michael Murray, que depois também fará parte dessas polêmicas. No mesmo ano, Lindsay e Carter terminam e ele volta correndo para Duff. Em julho, no famoso shooting da Vanity Fair com as atrizes mais populares daquela geração, Hillary aparece com Carter, causando incômodo em Lindsay, fazendo com que o shooting fosse pausado por diversas horas. 

Vanity Fair (2003)

Na première de Freaky Friday, Hillary leva Chad Michael Murray como seu acompanhante, apenas servindo de combustível para os sites de fofoca. A fim de devolver na mesma moeda, Lindsay aparece na premiére de Doze É Demais, estrelada (entre alguns protagonistas) por Hillary Duff. Os boatos são de que Duff ficou tão chateada com a presença de Lohan, que ela ou sua mãe pediram para expulsarem Lindsay.

Essa confusão continuou a se perpetuar por mais alguns anos, com rumores de que Lindsay havia ganhado o papel de Confessions of a Teenage Drama Queen ao invés de Hillary e a ideia de que Duff era a all american good girl e Lohan a má influência. Nessa época, aos dezessete anos, Lindsay já estava começando a sair em baladas com pessoas mais velhas como Nikki e Paris Hilton e Nicole Richie, que tinham reputação de serem party girls, abusarem de drogas e se envolver em polêmicas. Também não foi nada bom para a imagem de Lindsay seu namoro com o ator sete anos mais velho Wilmer Valderrama.

O auge e as drogas

Apesar de tudo, ela não poderia estar indo melhor. Em 2004, Mean Girls chega às telonas, solidificando Lindsay como uma estrela. Ela chega num patamar onde nenhuma outra pessoa de sua idade havia chegado. 

Lindsay apresenta o Saturday Night Live, grande marco de sucesso para celebridades americanas, e nele se “reconcilia” com Duff em uma cena parodizada. No mesmo ano, ela aparece na People Magazine na lista dos 50 mais bonitos, apresenta o MTV Awards e sai na capa da Vanity Fair. Ainda em 2004, seu pai é preso de novo, aumentando a atenção em Lindsay. Ela assina contrato com a Casablanca Records para seu primeiro álbum de estúdio e recebe 7.5 milhões de dólares por Herbie: Meu Fusca Turbinado (2005), algo fora dos padrões para atrizes da sua geração.

Pouco tempo depois, Lohan é internada por infecção no rim, devido desidratação por estar trabalhando demais e perde seis quilos, fato que a afetará no futuro. O álbum é adiado e Lindsay e Wilmer terminam, alegando que ela era muito nova e que o relacionamento estava indo rápido demais. Os rumores de que Lindsay era usuária de drogas só aumentam a partir disso. 

Fotos dela com amigas de infância supostamente fumando maconha vazam na internet, e em uma de suas saídas com Hilton, ela perde sua bolsa. A pessoa que encontrou a bolsa diz ter visto saquinhos com cocaína dentro, mas o agente de Lohan desmentiu e o rumor morreu ali. Nas gravações de Just My Luck (2006), relatos de que Lindsay frequentava todas as festas em New Orleans e chegava de ressaca nos sets do filme só aumentavam. Em 2013, o pai de Lindsay conta para o The Sun UK que Lindsay havia tido uma overdose por cocaína durante as filmagens:

Documentos encontrados na bolsa perdida de Lohan

“Lindsay estava filmando em New Orleans e recebi uma ligação dizendo que ela havia tido uma overdose por cocaína.” “Um de seus assistentes havia lhe dado a droga. Eu estava tão bravo que peguei uma arma de casa e planejei ir para New Orleans matá-lo.”

THE FALL

O começo do fim

Após aparecer super magra em uma festa da Cartier, a imprensa só falava sobre Lindsay. Revistas vendiam a “dieta de Lindsay”, outras condenavam seu peso. Existia até um site que dizia arrecadar comida para ela. Anoréxica, drogada e viciada em cocaína eram os apelidos mais usados. 

Durante isso, seu pai era preso de novo, significando mais atenção dos paparazzi e manchetes ruins. Em junho, fugindo dos paparazzi, ela bate o carro e os tabloides a acusam de ser irresponsável e querer tirar a atenção da mídia sobre a prisão de Michael. São incertas essas acusações, pois o abuso de paparazzi nesta época era absurdo, levando uma lei ser criada em Los Angeles que proíbe paparazzi de seguir carros.

Enquanto as polêmicas rolavam, Lindsay tentava se provar como atriz séria em um filme novo, A Última Noite (2006), ao lado de Meryl Streep e Woody Harrelson. Lohan queria se desvencilhar da imagem infantil, ao mesmo tempo que fazia parceria com a Mattel, lançando sua boneca própria. Mais tarde, ela se envolve em mais um acidente de carro, com pouca repercussão na mídia.

Lindsay pinta o cabelo de preto e começa as gravações de Chapter 27 (2007) com Jared Leto, sobre o assassinato de John Lennon. Em dezembro lança seu segundo álbum A Little More Personal (e realmente era), que mais uma vez recebe críticas ruins, apesar de músicas sentimentais como Confessions of a Broken Heart (Daughter to Father). Na mesma época vaza a famosa lista dos “36 lucky fellas”, nomes dos homens famosos com quem Lindsay teria dormido.

Sua imagem continua a ficar mais suja depois de faltar uma entrevista por suposta intoxicação alimentar, mas depois ser vista no MTV TRL Awards. No ano seguinte, ela causa barraco no evento Man of the Year da GQ e no mesmo mês é vista saindo com Kate Moss (notória por seu vício em pó), que estaria a guiando para um bom caminho. Não muito tempo depois, o Daily Mirror denunciou os vícios de Kate em cocaína, então duvidamos que quão bom esse caminho era.

Lindsay x Paris, a carta e mais polêmicas

Em fevereiro de 2006, ela sai na capa da Vanity Fair, onde assume ter usado drogas e leva a mídia a confirmar que a sua magreza era devida a abuso de drogas. Em maio Just My Luck estreia e Lindsay recebe sua primeira indicação ao Framboesa de Ouro por Pior Atriz, e mais uma vez seu filme não decola (apesar de ser um dos meus guilty pleasures). Apesar disso, recebe boas críticas pelo seu filme com Meryl Streep, mas a imprensa não presta atenção devido a uma richa com Paris Hilton causada por ex namorado Brandon Davis. Davis logo depois vai para a reabilitação tratar seu vício por cocaína, enquanto Paris e Lohan continuam brigando. No CFDA Awards, Anna Wintour supostamente teve que pedir para Karl Lagerfeld controlar sua convidada (Lindsay), que foi ao banheiro várias vezes para “retocar a maquiagem”. 

Em seu aniversário de vinte anos, ela conhece Harry Morton, que se torna seu namorado. Aqui ela começa a gravar Georgia Rule (2007) com Jane Fonda, e as notícias de suas festas constantes, ressacas e inconstância cresciam. Lindsay é internada por “exaustão por calor” (aqui em aspas, porque essa desculpa parece ser usada várias vezes pela equipe de Lindsay quando querem encobrir seu uso de drogas) e as coisas vão de mal a pior. O CEO da produtora, James G. Robinson, escreve uma carta denunciando os maus hábitos de Lindsay e os danos que ela causou à produção do filme.

Isso prejudicou sua carreira de forma irreparável, pois agora nenhum estúdio queria se arriscar a contratar Lindsay. Ninguém poderia confiar mais nela, e talvez isso tenha sido um breve wake-up call. Após esse evento, ela começou a chegar mais no horário das gravações e assumiu mais responsabilidade.

Ainda no mesmo ano, Lindsay perde uma bolsa Birkin com um milhão de dólares em jóias no aeroporto de Heaththrow, ao mesmo tempo que ela e Harry terminam. Em novembro, é vista com um um pin de 90 dias de sobriedade do Alcoólatras Anônimos, enquanto ela ainda era menor de idade (maioridade nos Estados Unidos é de 21 anos). Pouco tempo depois, Paris é vista com Harry e recebemos o grande momento da cultura pop, em que Lindsay diz “Paris is a cunt”.

Rumores de que ela havia tido uma overdose e foi ressuscitada por um médico surgem, mas nunca foram confirmados. Lindsay aparece em vídeo dizendo que Paris bateu nela e quase em seguida, a famosa foto de Lindsay, Britney e Paris acontece. A foto foi totalmente um golpe de publicidade e Paris depois disse que Lindsay era uma drogada e que não era mais bem-vinda. Apesar disso, o assistente de Lindsay vai a público dizer que ela está no AA há um ano.

Fall from grace

Em 2007, Lindsay é vista chorando em corredor de hotel depois de levar um fora do James Franco (pelo amor de Deus) no Globo de Ouro. Ela se interna em uma clínica de reabilitação para ficar longe dos paparazzi. Pouco depois, ela é acusada por uma modelo de ter roubado milhares de dólares em roupas, com fotos de mensagens de textos (mundo pré print) contendo muita baixaria.

No mês de maio, uma amiga de Lindsay vaza um vídeo dela cheirando cocaína no banheiro de uma festa, essa é a primeira evidência concreta do seu uso de drogas. Após a festa do Memorial Day de Nicole Richie, Lohan é vista com Samantha Ronson, alimentando rumores de que estavam juntas. Em uma festa no dia seguinte, Lindsay bate o carro (de novo) e surgem essas fotos icônicas. Logo depois, Lindsay vai para reabilitação (de novo).

Lindsay sai da clínica e pouco tempo depois volta para a rotina de festas, fazendo a mídia questionar sua sobriedade. Tabloides diziam que ela colocava vodka em garrafas de água e trocava cocaína por MD. Ela é vista festejando a noite toda e usando a tornozeleira de sobriedade durante o dia tomando sol. Nessa semana aconteceu um acidente em uma festa com suas assistentes. Após ser flagrada bebendo, ela briga com o namorado de sua assistente, pega o carro e sai correndo. Aqui, Lindsay é presa pela segunda vez por dirigir sob influência. Ela vai para a reabilitação de novo e admite culpa pelo uso de drogas.

O ano é 2008 e Lindsay é capa da NY Magazine, canalizando o ícone Marilyn Monroe. Ela faz aparição especial em Ugly Betty, mas teve seus episódios reduzidos por não ter se dado bem com a protagonista, America Ferrera. No mesmo ano, lançou uma marca de roupas chamada 6126, que vendia leggings de grife. Apesar disso, os tabloides só falavam sobre seu namoro com Samantha, e as especulações sobre sua sexualidade aumentaram (em 2013, Lindsay disse que é héterossexual). Em abril, elas terminam.

Em agosto sua casa é assaltada pela mesma gangue de adolescentes que furtaram a casa de Paris Hilton e Orlando Bloom. Você deve achar essa história semelhante com a de The Bling Ring (2013) dirigido por Sofia Coppola, e é porque o filme foi baseado nisso.

A Bling RIng da vida real

(Mais) problemas com a justiça

Em outubro, sua liberdade condicional concedida após sua prisão é estendida para ela completar um programa de educação sobre uso de álcool, que ela ainda não havia feito. Já em 2010, Lindsay estava em Cannes. Ela não comparece ao tribunal para responder sobre as aulas do tal programa, ela alega terem roubado seu passaporte. Apesar das desculpas esfarrapadas, o juiz intima ela a não beber mais, a fazer testes de drogas toda semana e usar mais uma tornozeleira de sobriedade. Lohan paga fiança e sai. Na próxima audiência, ela recebe 90 dias por não ter completado o programa e nem os encontros no AA. Ela se entrega e serve apenas duas semanas, devido a superlotação, e pode ficar em condicional.

Lindsay tuita que está se responsabilizando por seus atos e fazendo testes de drogas toda semana, mas que testou positivo para anfetaminas (provavelmente Adderal) no sangue. Uma semana depois, ela perde a condicional e é presa de novo, mas na mesma noite recebe fiança, mais uma tornozeleira e vai para a reabilitação. Nesse meio tempo, fotos de Lindsay supostamente usando heroína são vazadas.

Em 2011, Lindsay sai da clínica e é pega roubando um colar. Ela é acusada e recusa acordo, pegando 120h em serviço comunitário por violar a condicional e o roubo vira contravenção. Em abril, ela fica 5h na cadeia, saindo depois de pagar fiança. Admite culpa pelo colar, ganha mais horas de serviço comunitário, uma tornozeleira eletrônica e fica em casa (dando festas). Seu novo filme ao lado de Robert DeNiro, Machete, estreia, mas Lindsay legalmente não pode promover o filme. Em outubro, ela perde a condicional (de novo) por não cumprir os serviços comunitários, é presa por 2h e sai por fiança. Lindsay deve servir 30 dias e completar o serviços.

Após as diversas prisões, Lindsay parece estar retomando o controle da sua vida. Aparece no SNL mais uma vez, fazendo graça de si mesma, e aparecendo em Glee (mais rumores dela ser uma diva). Ela começa a gravar o filme Liz and Dick (2012) e em junho bate o carro (de novo) e é internada por exaustão por calor (de novo). Em um final de semana na casa de sua mãe, Lindsay liga histérica para seu pai, dizendo que sua mãe estava drogada em cocaína (a ligação foi vendida para imprensa pelo próprio pai).

Lindsay é presa mais uma vez por socar uma mulher em uma balada, mas acaba saindo impune. No fim de 2012, a IRS (Receita Federal dos EUA) apreende todas as contas bancárias da atriz, devido a mais de 200 mil dólares que Lohan devia em impostos ao governo desde 2009. Enquanto ela gravava Scary Movie 5 (2013), Charlie Sheen supostamente pagou 100 mil dessa dívida para ela. O resto, segundo a imprensa, foi pago por três bilionários com quem Lindsay saiu: o Príncipe Abdulaziz da Arábia, o hoteleiro Vikram Chatwal e o artista Domingo Zapata.

No ano seguinte, 2013, Lindsay vai para o tribunal por ter batido o carro (de novo) e pega 90 dias de reabilitação e terapia mandatória. Em agosto ela é entrevistada pela Oprah, e anunciam uma série documental sobre a vida dela. Em 2014, a série é lançada e nela, Lindsay diz que Oprah salvou sua vida, além de revelar que havia sofrido um aborto espontâneo. Apesar de várias cenas chocantes, a série não fez sucesso. Mais tarde no ano, ela se muda para Londres e cria um aplicativo chamado Lindsay Lohan: The Price of Fame.

Em 2015, Lindsay está finalmente fora da condicional depois de oito anos, além de ter contratado um novo agente. Ela começa um namoro com o herdeiro russo Igor Tarabasov em 2016, noivando depois de cinco meses e terminando depois de quatro meses depois do noivado. Lindsay diz que Igor a traiu, mas não se tem certeza. Em uma ocasião, a polícia quebra a porta de sua casa após ouvirem gritos de Lohan dizendo que Igor estava a estrangulando, nenhum boletim de ocorrência foi feito.

A fatídica mudança para Dubai acontece em 2017, e aqui Lindsay se afasta um pouco dos tabloides. Durante o infeliz julgamento de Harvey Weinstein, Lindsay defende o abusador e causa polêmica na internet. A atriz Rose McGowan disse:

“Por favor, vão com calma com Lindsay Lohan. Ser uma estrela infantil transformada em sex symbol muda sua cabeça de formas que vocês não compreendem.”

A última polêmica de Lindsay foi em 2018, quando ela fez uma live no Instagram gravando uma família de moradores de rua e querendo levar eles para a casa. A atriz foi acusada de tentativa de sequestro e preocupou seus fãs pelo comportamento.

THE COMEBACK

A Renascença de Lohan

Em 2019, Lindsay lançou um show na MTV chamado Lindsay Lohan’s Beach Club, mas desapontou quem assistiu pois ela não aparecia no show. Ela modelou um pouco, participou do The Masked Singer, fez as reuniões de elenco de Mean Girls e Operação Cupido. Em 2020, Lindsay lança sua primeira música em anos, Back to Me.

Lohan disse no podcast de sua mãe, THE OG MAMA D!, que estaria pensando em voltar para os Estados Unidos e retomar sua carreira. Em 2021, essa vontade vira verdade e Lindsay anuncia contrato de dois filmes originais da Netflix, um sendo lançado em dezembro desse ano, chamado Falling for Christmas. Ela também anuncia, em abril de 2022, seu próprio podcast The Lohdown, disponível em todas as plataformas. No mesmo mês, Lindsay participa do vídeo My Life in Looks da Vogue Americana.

Lindsay está longe das más línguas dos tabloides há uns bons anos e parece que, agora, definitivamente, ela está tomando controle da sua vida e tendo hábitos saudáveis. Não é desconhecido para ninguém os perigos de crescer dentro da indústria hollywoodiana. Outras estrelas que tiveram seu big break ainda crianças passaram por eventos traumáticos, polêmicas e abuso de álcool e drogas, como Drew Barrymore e Miley Cyrus, por exemplo. Lindsay passou por muito enquanto era apenas uma jovem sem orientação adulta.

A esperança é de que, assim como Robert Downey Jr. conseguiu dar um 360 na carreira, Lindsay também consiga. O talento ainda está dentro dela, o que falta é a mudança de comportamento e a oportunidade da indústria em confiar nela de novo. Lindsay ainda pode continuar a ser uma grande estrela e impressionar com suas atuações. Abuso de substâncias é uma doença séria, que deve parar de servir como alimento para a imprensa, que ama ver jovens adultas cheias de potencial perder tudo. A partir de agora, o que podemos fazer é apoiar Lindsay e continuar a proteger estrelas mirins, a fim de evitar mais traumas.

Frenezi Meets: Ana Paula do Narrativa Feminina

Por: Vitória Geremias

A Editoria de Cinema & TV da Frenezi entrevistou a Ana Paula do @narrativafeminina para conhecer um pouco mais sobre seu trabalho e sua jornada como criadora de conteúdo no Instagram. O projeto de Ana tem como objetivo destacar as mulheres e pessoas LGBTQIA+ que estão produzindo e atuando na indústria cinematográfica, de recomendar conteúdos com protagonismo feminino ou de temática LGBTQIA+, além de levantar várias pautas importantes para discussão. Confira abaixo a entrevista na íntegra feita pela repórter Vitória Geremias e conduzida pelas editoras Ana Luiza Neves e Ana Antenore. 

(Frenezi) Como surgiu a ideia de criar a @narrativafeminina?

(Ana Paula) Surgiu na faculdade, faço Jornalismo e no primeiro período, na disciplina de Inovação e Criatividade, havia um projeto cujo objetivo era criar algo pessoal e que fosse a “nossa cara”. Na época, em 2018, a Greta Gerwig havia sido indicada ao Oscar de Melhor Direção, e foi nesse momento que despertou em mim uma necessidade de repensar o consumo de filmes e valorizar mais as produções feitas por mulheres. Fui atrás de sites e pessoas que falavam sobre o assunto e levantavam essa discussão, mas percebi que não haviam muitos. A jornalista Luísa Pécora, do site “Mulheres no Cinema”, foi a minha primeira inspiração para o projeto. Para continuar com o trabalho, era preciso entrevistar alguém de nossa admiração e assim consegui contato com Luísa, que me incentivou ainda mais na criação do Narrativa (Feminina).  Em conjunto com a pauta feminista, também surgiu a necessidade de abordar narrativas LGBTQIA+, justamente por também fazer parte da comunidade e entender a urgência em trazer esses assuntos para discussão. Mas, por conta da faculdade, tive que deixar um pouco de lado por alguns anos, e em 2020, quando resolvi retomar, aproveitei para aprimorar o design dos posts, com cores e carrosséis, tentando trazer conteúdo de maneira divertida e descontraída para atingir um público maior.

(FZ) Quais eram as suas expectativas e objetivos iniciais? Eles mudaram ao longo do tempo? 

(AP) No começo, eu não acreditava que chegaria num nível onde poderia se tornar lucrativo e profissional. Não imaginava que meu hobbie, que era criar conteúdo, se tornaria meu trabalho e, possivelmente, fonte de renda. Hoje, além de trabalhar com o Narrativa, eu também trabalho para a Carol Moreira (@carolmoreira3), que além de chefe, também é uma grande parceira, fonte de inspiração e apoiadora do meu trabalho.

(FZ) O que você espera do futuro do @narrativafeminina? Quais as metas e objetivos que deseja alcançar?

(AP) Além de transformar em minha fonte de renda, quero criar um canal no YouTube, porque aqueles “textões” que não cabem nos carrosséis dariam ótimos vídeos na plataforma. Também gostaria muito de aumentar a equipe, que por enquanto é formada por mim e pelo meu namorado que é designer e responsável pelas artes do Narrativa… Assim que conseguir ganhar dinheiro com esse trabalho eu, com certeza, quero trazer mais pessoas!

(FZ) Para você, qual a importância de mulheres e pessoas LGBTQIA+ na liderança de projetos cinematográficos e televisivos?

(AP) Basicamente como essas pessoas são representadas. Sabemos que a indústria é dominada por homens cis brancos, que tomam as principais decisões e que comandam tudo, então se não pensarmos em quem consumimos, ou não demonstrarmos interesses em outras perspectivas e narrativas, teremos mais histórias de mulheres e LGBTQIA+ com uma representação ruim, mal feita e distante da realidade. Existe uma diferença clara na representação quando ela tem uma perspectiva feminina, e além de toda essa questão do male gaze, é importante também tirar o domínio cis heteronormativo, que resultou numa indústria cinematográfica misógina, racista… Uma maneira de mudar isso é mostrando para a indústria quais histórias queremos e estamos interessadas em ver, ou seja, apoiando outras narrativas e consumindo mais produções feitas por mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIA+. 

(FZ) Você citou em seus stories do Instagram durante a semana sobre a sua indignação com a Netflix e a falta de representatividade através do queercoding. Poderia nos contar um pouco mais sobre o assunto?

(AP) Essa nova temporada de “Stranger Things” é um exemplo: as suspeitas sobre a sexualidade do Will já existem há um tempo, mas nunca foram confirmadas. Essas insinuações são chamadas de queerbaiting, pois agradam os públicos LGBTQIA+ e o cis hétero e conservador sem comprometer a série. As pessoas acham que não é queerbaiting porque temos a Robin como personagem lésbica, mas ela não é a protagonista, não é uma das crianças… é aquele tabu de que não se pode falar de sexualidade com crianças, não se pode dizer que o Will é gay mas a Eleven e o Mike estão ali namorando, sabe? Fico tão agoniada com isso.

(FZ) Em “Heartstopper”, a escritora da graphic novel que inspirou a série, Alice Oseman, é também a roteirista da produção da Netflix. Você acha que esse cuidado com a fidelidade da adaptação influenciou no sucesso da série? 

(AP) Acho que sim, com certeza… é muito parecido! Já li os quadrinhos duas vezes antes de ver a série. Não acho que o roteirista da série precise necessariamente ser o autor do livro, até porque nem todo escritor é um bom roteirista e vice-versa, mas a Alice Oseman se mostrou muito boa no que faz. Reforça a necessidade desse cuidado, e se não fosse ela a roteirista, deveria ser algum LGBTQIA+ jovem e que entende dessa vivência. Podemos notar que foi uma pessoa desse mundo que criou, pois há uma fidelidade e respeito na representação, e faz muita diferença quando a pessoa entende sobre o que está falando, e o sucesso da série se deu justamente devido a isso.

(FZ) Quem é sua maior inspiração feminina no ramo do cinema?

(AP) A Greta Gerwig foi a minha primeira inspiração. Hoje em dia eu tenho uma grande admiração pela Céline Sciamma, que é a diretora de “Retrato de uma Jovem em Chamas”, amo tudo que ela faz, já vi todos os filmes. Hoje em dia é minha diretora favorita, e por ser uma mulher lésbica todos os filmes dela tem essa narrativa feminina e queer… acho que hoje ela é uma das minhas principais influências no cinema. Em relação à criação de conteúdo, além da Luísa Pécora de “Mulher no Cinema”, tem também a Carissa Vieira que é uma das poucas que fala sobre esse assunto no YouTube, acho que no Brasil, uma das únicas… 

(FZ) Quais suas expectativas para o futuro do cinema? Você percebe o surgimento de alguma tendência? 

(AP) Esse ano, especificamente, estou vendo uma grande mudança na representação LGBTQIA+. Acredito que está sendo o ano com as melhores narrativas da comunidade, como por exemplo: “Owl House”, “Doctor Who”, “Minha Bandeira é a Morte”, “Heartstopper”, “First Kill”, “Crush”… então estou percebendo que isso está se tornando mais frequente, como é difícil ter uma história com um arco LGBTQIA+ que não fosse dramático, trágico, triste… E hoje em dia é maravilhoso que isso está se tornando algo mais comum, os streamings estão arrasando nesse quesito. 

(FZ) O que você espera da adaptação de Barbie por Greta Gerwig? 

(AP) Olha, eu acreditava que seria uma comédia romântica clichê dos anos 90, 2000, afinal. Mas acharam o Letterboxd da Margot Robbie com os filmes que ela teve que assistir pro papel, sendo um deles “O Show de Truman”, e foi aí que começaram a teorizar de que seria uma distopia… quem sabe vai ser uma mistura dos dois? Só sei que vai ser surpreendente, talvez seja o clichê com mais ficção… Esse filme se tornou o maior mistério de Hollywood, mas é a Greta e o Noah Baumbach, não tem como ser ruim!

(FZ) Entre os lançamentos de filmes e séries que já tivemos esse ano, qual o seu favorito? 

(AP) Com certeza “Heartstopper” e “Minha Bandeira é a Morte” são minhas séries favoritas. E de filme acho que meu preferido é “Fresh”, fiquei muito surpresa… parece muito “Corra”. Foi escrito e dirigido por mulheres, o que faz muito sentido porque é um medo que muitas têm de conhecer um cara perfeito e no fim ele se mostra um psicopata… Nos primeiros 30 minutos do filme parece ser uma comédia romântica e depois vira um terror bizarro.

(FZ) Qual filme você está mais ansiosa para ver nos cinemas ainda esse ano?

(AP) Tem vários, mas o que estou mais ansiosa é “Don’t Worry Darling”, da Olivia Wilde, que também parece ter uma pegada distópica… Uma mistura de “Mulheres Perfeitas” com “O Show de Truman”. Depois de “Booksmart” eu sinto a necessidade de mais filmes feitos pela Olivia. Outro que também estou ansiosa para assistir é “The Woman King”, com a Viola Davis como protagonista, baseado numa história real de uma guerreira africana e um exército feminino do séc XVIII… e a diretora também é ótima, Gina Prince-Bythewood, ela dirigiu “The Old Guard” da Netflix. Acho que são esses dois filmes que estou mais ansiosa para ver.
Você pode conferir mais sobre o trabalho da Ana Paula pelo Instagram @narrativafeminina.

Beleza no audiovisual: O papel da caracterização nas artes cênicas

Em 1981, o aclamado O Homem Elefante de David Lynch saiu do Oscar de mãos vazias, apesar de suas 8 indicaçoes. A indignação da crítica com a falta de reconhecimento da Academia ao filme foi tamanha, especialmente pelas técnicas impactáveis de caracterização que a película mostra, que a Organização estruturou a nova categoria para premiar profissionais de cabelo e maquiagem.

A caracterização desperta atenção dos espectadores e tem seu espaço próprio nas grandes premiações. Mas muito mais que uma categoria no Oscar, é um importante elemento na narrativa de uma peça, produção cinematográfica e televisiva ao complementar outros aspectos e pode ser até mesmo ser parte ativa na história de um personagem.

Breve história sobre a maquiagem cênica

O teatro se popularizou na Grécia Antiga e, ainda que peças fossem encenadas com as famosas máscaras de Comédia e Tragédia, existem evidências de que chumbo branco e vermelho, material extremamente tóxico, chegaram a ser utilizados na época como parte da caracterização de atores. Na Europa, com o passar dos séculos, a maquiagem passou a ser bastante utilizada por atores – ainda que fosse discriminada pela Igreja, principalmente na Idade Média – até ser plenamente aceita no século XX e a função de maquiador ser vista como profissão. 

Mas foi no oriente que a técnica se popularizou. Os shows de encenação chineses tinham os “cara pintada”, figuras que como o nome já indica apareciam com rosto inteiramente pintado de branco. Já no Japão, os tradicionais teatros Kabuki se utilizavam de forte maquiagem (kumadori) para encenar personagens e mostrar símbolos.

Em Hollywood, a família Westmore revolucionou a área. O britânico George Westmore fundou o primeiro departamento da área no local e seis de seus filhos trilharam o mesmo caminho, cada um deles liderou trabalhos nos maiores estudos e foram responsáveis por clássicos como Rebecca, E O Vento Levou, Casablanca, Guerra dos Mundos, Sabrina entre outros. Já são quatro gerações de atuantes no segmento.  Um dos integrantes mais recente, Michael Westmore já ganhou 9 Emmys e 1 Oscar por Marcas do Destino.

O papel da caracterização no cênico

Primeiramente é importante entender as diferenças entre maquiagem para TV, cinema e palco.

No que diz respeito à maquiagem, existe uma diferença importante entre o que é visto na tela e o que é visto pessoalmente. O maquiador de Cinema e TV se preocupa com os mínimos detalhes, principalmente com a tecnologia de alta definição. Qualquer falha ou exagero é visível. Principalmente no cinema, onde a tela é gigantesca e as proporções aumentam drasticamente. Já no teatro, quanto mais você destacar e exagerar, mais será possível o público enxergar a arte e as expressões. Mesmo que esteja sentado nas últimas poltronas.”, aponta Mirella Oliveira, maquiadora de cinema e fundadora do portal Maquiagem No Cinema.

Por conta disso, as técnicas utilizadas também, se diferem.

[…] as técnicas de envelhecimento costumam ser diferentes para teatro e vídeo. No vídeo, a preocupação é sempre com o realismo, o espectador não deve enxergar a maquiagem. Geralmente são utilizadas técnicas de efeitos especiais (que envolvem próteses, produtos químicos que encolhem a pele, próteses capilares e de pelos postiços, lentes de contato e até próteses dentárias). Já no teatro é mais comum o uso de técnicas de luz e sombra e perucas, que, mesmo de longe, podem ser vistas. As marcas e linhas de expressão podem ser feitas através de um jogo de cores, gerando um efeito de ilusão de ótica. Além disso, no cinema e na TV, as cenas são rodadas diversas vezes, em ângulos diferentes, muitas vezes numa cronologia diferente do roteiro e, por fim, são editadas.  As maquiagens podem ser retocadas a cada corte de câmera e existe uma preocupação com a continuidade de cenas. No teatro, tudo acontece ao vivo.”

O papel da maquiagem é, em conjunto com outros elementos, comunicar a narrativa proposta para a produção. Por meio da caracterização entendemos não apenas a aparência do personagem – no sentido mais literal – mas seu espírito, ambiente, motivações e impressões. A maquiadora completa: “A criação de um personagem parte da concepção de suas características físicas e psicológicas descritas no roteiro, somadas à construção estética por parte dos departamentos de arte, figurino e caracterização, trazendo elementos físicos que contribuem para a atuação. Os personagens são criados a partir desta somatória de especialidades e a caracterização é, na minha opinião, tão importante quanto as demais.”

Moonrise Kingdom, de Wes Anderson, conta a história de dois pré-adolescentes que se sentem deslocados em seus meios, e após se conhecerem em uma apresentação de teatro, se apaixonam, passam a trocar cartas e decidem fugir. Suzy Bishop, a jovem protagonista do filme, é vista por seus pais como depressiva e problemática. A personagem usa maquiagem mais escura nos olhos e o cabelo levemente bagunçado, que trazem ar rebelde, impulsivo, uma certa tentativa de parecer madura no meio de adultos disfuncionais, e contrastam com o ambiente aparentemente harmônico (e um tanto exaustivo) que a garota vive. Suzy é o ponto fora da curva da família, é não apenas compreensível, mas perfeitamente planejado, que seus elementos visuais fujam do senso comum dos locais que passam.

Esse é só um exemplo de trabalho dentro de produções cinematográficas, trabalho de caracterização do filme é reconhecido justamente por carregar tantos simbolismos dentre outros presentes em roteiro, trilha e direção de arte.

Com tudo isso, é fácil notar quer  trabalho que equipe de maquiagem de uma produção é mais complexa do que pode-se imaginar, visto que a caracterização é um elemento essencial para se contar uma história e deve ser minuciosamente pensada para atender o plataforma que a história é contada, fazer sentido para toda a equipe envolvida, ajudar atores no processo de encenação e abraçar todas as características de um personagem.  

Mirella concorda: “Eu mesma só fui entender a proporção da importância do maquiador quando realizei meu primeiro trabalho em um set. Até então, como espectadora, eu acreditava que as pessoas estavam daquela forma por mero acaso e que o maquiador de cinema só cuidava das grandes transformações. Quando entendi que tudo é estudado nos mínimos detalhes, desde os figurantes até os protagonistas, e que cada um desses elementos é minuciosamente pensado e criado, me fascinei! E é essa a minha iniciativa com o portal, contribuir para que o mundo entenda a importância do nosso trabalho. Questionar o porquê de, na maioria das vezes, os créditos do maquiador estarem entre os últimos a serem apresentados, enquanto o figurino, por exemplo, é um dos primeiros. Não os desmerecendo, muito pelo contrário. Ambos são importantes, na mesma proporção.”

Quando a beleza sai do audiovisual

Muitas vezes o trabalho é tão marcante que ultrapassa as barreiras da tela não somente como fantasia (o que sempre foi bastante comum) mas como parte da vida de seus espectadores.

O exemplo recente – e já clássico – é o de Euphoria. Por um lado, temos Cassie, uma personagem cuja beleza é um elemento de autoaceitação tão grande que se torna quase uma tortura. A jovem acorda de madrugada para seguir longo processo de skincare, e se certifica de estar sempre chamando atenção, linda, sexy e adequada mesmo que isso a coloque em um lugar destrutivo O ritual da personagem, porém, viralizou nas redes e hoje é fácil encontrar postagens que explicam e ensinam os passos.

Esse é só um exemplo da influência que a série tem no meio. As produções estilo Euphoria (delineados ousados, cores, pedras, brilhos) hoje são comuns de se ver, e a maquiadora do show, Doni Davy, lançou uma linha de beleza. Além disso, outras produções também inspiraram linhas de beleza em parceria com marcas de cosméticos, como Bridgerton, Stranger Things, Pantera Negra e Capitão América.

Euphoria. Imagem/Reprodução HBO

Alguns trabalhos marcantes

FRENEZI EXPLICA: Fernanda Montenegro, A Grande Dama do Cinema e da Dramaturgia do Brasil

Quando se fala em cinema nacional, o típico humor brasileiro ganha espaço na cinematografia, assim como as críticas sociais e políticas. Bye Bye Brasil (1980), Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), Marighella (2019) e Minha Mãe é uma Peça (2013) são alguns filmes que representam a cultura brasileira no cinema, seja pela militância por trás ou pelo cotidiano cômico.

Em 1999, o clássico Central do Brasil (1998), dirigido por Walter Salles, levou Fernanda Montenegro a concorrer ao Oscar de Melhor Atriz, na ocasião a estrela foi a única latino-americana e única brasileira a concorrer nesta categoria, o que mostrou Brasil afora tamanha importância e relevância da artista.

Fernanda Montenegro no Oscar 1999 Foto: reprodução/The Academy

Fernanda Montenegro é o nome artístico de Arlette Pinheiro Monteiro Torres, conhecida por ser escritora, atriz, pela alcunha de A Grande Dama do Cinema e da Dramaturgia do Brasil, carioca e imortal para a cadeira número 17 da Academia Brasileira de Letras. 

Durante seus 55 anos de carreira, participou de mais de 70 obras, incluindo séries, filmes, novelas e peças de teatro. Além de ter sido a primeira mulher latino-americana e a única brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz por um trabalho em língua portuguesa, também foi a pioneira ao levar o Emmy Internacional na categoria de melhor atriz pela atuação em Doce de Mãe‘ (2013).

De Arlette à Fernanda

Fernanda Montenegro Foto: reprodução/ GloboPlay

Filha de uma dona de casa e de um mecânico, Arlete Pinheiro Esteves da Silva nasceu na Zona Norte do Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1929. Ainda cedo, aos 8 anos, teve sua estreia como atriz em uma peça na Igreja, logo depois, com 15 anos foi contratada como redatora, locutora e radioatriz da rádio MEC.

Conheceu o ator Fernando Torres, com 16 anos, na mesma rádio em que trabalhava, foram casados de 1953 a 2008 e tiveram dois filhos, a atriz Fernanda Torres e o diretor Cláudio Torres. 

Assim como muitas estrelas que não usam o nome de batismo como artístico, Arlette adotou o nome “Fernanda Montenegro” como seu pseudônimo, mas durante seu trabalho na rádio,  ainda manteve sua assinatura como “Arlete Pinheiro”.

“Tirei do século XIX, de livros como o ‘Conde de Montecristo’ e das Fernandas dos romances franceses.”, revelou em entrevista ao “Damas da TV” do Canal Viva. “Acho que sou duas pessoas. Está de acordo com a minha profissão. O velho Shakespeare já tinha razão, somos todos atores. Sei que sou também a dona Arlete. Essa é bem resguardada. Poucos me chamam ainda assim. Uma prima, um primo. Meus pais me chamavam também, minha irmã. Mas é para uso interno. Eu acho bom. Dentro de uma toca. E tem essa outra entidade aí, que, de vez em quando, se exibe muito.”

A trajetória artística e Premiações 

Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo em “A Falecida” Foto: reprodução/divulgação 

Aos 15 anos de idade, Arlette entrou para a Rádio do Ministério da Educação e Cultura (MEC), através de um concurso para locutores, se mantendo lá por 10 anos, alternando entre locutora e atriz de rádio-teatro. Posteriormente, fez parte do teatro da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, começando sua carreira e participando futuramente do Teatro Ginástico – um renomado teatro que integrou a comunidade luso-brasileira, inaugurado em 1938, e, que recebeu consagrados talentos da arte cênica brasileira.

A década de 1950 marcou sua entrada na TV, pelo canal TV Tupi, sua participação na Companhia Maria Della Costa, e no Teatro Brasileiro de Comédia.  Em 1959 fundou sua própria companhia teatral, a Companhia dos Sete, em parceria com seu marido, Fernando Torres. E em 1965, consagra sua estreia na TV Globo, e inicia sua era de ouro na teledramaturgia que a levou ao reconhecimento nacional.

O longa A Falecida (1965), foi o primeiro filme estrelado por Fernanda como Zulmira. Conta a história do sonho da protagonista de ter um enterro luxuoso, para realizar seu sonho, o marido pede dinheiro a Guimarães, o homem mais rico do bairro, o qual não concorda em pagar e conta que teve um caso com a falecida, sem saber que está falando com o viúvo, o marido, então enfurecido, passa a chantagear Guimarães. O papel consagrou Montenegro com o prêmio de Melhor Atriz para o Festival Nacional de Brasília em 1965.

Baila Comigo (1981), Guerra dos Sexos (1983), Cambalacho (1986), Rainha da Sucata (1990), são algumas obras que a consagrou como a rainha das novelas. No cinema, atuou em clássicos, como Eles Não Usam Black-Tie‘ (1981), O Que É Isso, Companheiro? (1997) e  O Auto da Compadecida (2000).

Fernanda Montenegro no Emmy Internacional Foto: reprodução/divulgação

Não ter levado o Oscar de 1999 como Melhor Atriz, não diminuiu seu potencial como artista, Montenegro foi indicada a diversas categorias tanto internacionais como nacionais.

Dentre os principais feitos da atriz estão o prêmio em 1998 no Festival de Berlim como Melhor Atriz (Urso de Prata) com Central do Brasil; em 2000, por Traição, levou o Prêmio Guarani do Cinema Brasileiro de Melhor Atriz Coadjuvante; O outro Lado da Rua proporcionou em 2005 o troféu de Melhor Atriz pelo Grande Prêmio do Cinema Brasileiro; em 2013 o Emmy Internacional concedeu à Fernanda o prêmio de Melhor Atriz por seu papel em Doce de Mãe. Com mais de 100 indicações, esses são só alguns exemplos dos 91 prêmios que A Grande Dama do Cinema do Brasil totaliza.

Fernanda Montenegro é considerada um símbolo no cinema nacional, sua presença e importância é inigualável, principalmente durante a época dos anos 1990, em que aconteceu o chamado Cinema da Retomada, foi um período em que a Embrafilme, principal responsável pelo financiamento, coprodução e distribuição de filmes no país, foi extinta pelo governo. Um momento frágil para os atores e diretores nacionais, devido à falta de auxílio econômico e incentivo cultural, a partir disso, o Cinema da Retomada marca a revitalização da atividade cinematográfica no Brasil. 

Depois de anos trabalhando exclusivamente para a TV, o novo filme Dona Vitória (2022)  marca sua volta às telas do cinema. O longa conta sobre Vitória, uma aposentada alagoana, que desmascarou uma quadrilha de traficantes e policiais do Rio de Janeiro através de filmagens feitas pela janela do seu apartamento, no bairro de Copacabana.

A Imortal 

Fernanda Montenegro recebendo medalha de imortal da ABL Foto: Daniel Pereira/AgNews

Em março de 2022, aos 92 anos, Fernanda assumiu a cadeira 17 como “Imortal” na Academia Brasileira de Letras, sucedendo o acadêmico e diplomata Affonso Arinos de Mello Franco.

Fernanda recebeu 32 votos para integrar o grupo, sua incorporação expressa um forte laço da Academia com as Artes Cênicas.

Como prólogo desta minha fala, devo esclarecer que sou uma incansável autodidata, cuja origem intelectual, emocional sempre me chegou e ainda me conduz através da vivência inarredável de um ofício: atriz. Sou atriz. Veio dessa mítica, mística arte arcaica, eterna, que é o teatro. Sou a primeira representante da cena brasileira, do palco brasileiro a ser recebida nessa casa“, declarou durante a cerimônia de posse.

A atriz também é escritora e autora de dois livros publicados, sendo Prólogo, Ato, Epílogo (2019) em parceria com a jornalista Marta Góes, onde conta suas memórias, e Fernanda Montenegro: Itinerário Fotobiográfico, um livro em que é narrado sua história por meio de fotos de diferentes épocas.

Nascida em 16 de outubro de 1929, esses são os feitos da carioca para o rádio, TV, cinema e a dramaturgia brasileira. A atriz é considerada uma das mais importantes para a cultura nacional, seu legado é consagrado.

Guia para o curso de Cinema 101: tudo o que você gostaria que te contassem sobre

O mercado de trabalho, especialmente na área artística, pode ser instável, por isso se quiser se formar na área é bom considerar o que o curso escolhido tem a oferecer. O curso superior em Cinema no Brasil não é muito popular, ainda assim existem três modalidades disponíveis para a graduação: Bacharelado, Licenciatura e Tecnólogo; vamos focar no primeiro por ser o mais completo.

Bastidores de O Iluminado (1980) [Reprodução Esquire]

Um Bacharelado ou uma Licenciatura em Cinema e Audiovisual duram em média 4 anos, já o Tecnólogo 2 a 3 anos. Todos abordam conhecimentos gerais da área como roteiro, preparo de equipamento, fotografia, som, direção, edição, distribuição, entre outros. 

No Bacharelado, são abordados diversos aspectos da produção audiovisual, possibilitando que cada aluno se encontre no seu setor de maior interesse; desde a pré-produção de um conteúdo, que envolve a elaboração do roteiro, storyboards e planejamento financeiro, até a distribuição e exibição da obra. Já a licenciatura trabalha os diversos aspectos da produção audiovisual, mas priorizando a capacitação de seus alunos para lecionar em projetos culturais, museus e escolas, no formato de cursos livres. Dependendo da instituição de ensino, existe também um enfoque na área de Comunicação Social, abrindo portas para matérias que analisam estética, filosofia, psicologia, política e história no Cinema.

Graduação Cinema e Audiovisual [Reprodução ESPM]

Durante o curso são ensinadas as mais variadas formas de se produção de conteúdo audiovisual, desde o longa-metragem live action até uma série animada em 2D, 3D e/ou stop motion. Algumas matérias comuns são:

  • Análise de Imagem 
  • Crítica de filme 
  • Teoria do Cinema
  • Cinema Brasileiro e Internacional 
  • Roteiro e Storyboard
  • Oficina de Câmera e Iluminação
  • Direção de Atores 
  • Direção de Produção
  • Animação
  • Comunicação e Mercado
  • Marketing 
  • Dramaturgia 
  • Sonoplastia e Trilha Sonora
  • Edição e Pós-Produção

Grande parte da grade curricular é composta por matérias práticas que visão desenvolver as habilidades do aluno, até serem utilizadas no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), ou como em algumas instituições, em pequenas produções estimuladas no decorrer dos semestres. Para a conclusão da graduação a maioria das universidades exige também a realização de estágio supervisionado, cobrando um mínimo de por volta de 200 horas.

Graduação Cinema e Audiovisual [Reprodução ESPM]

O PROFISSIONAL

Algumas características muito importantes para o profissional (ou futuro profissional) da área são a criatividade, boa comunicação, comprometimento e responsabilidade com o cronograma do projeto, e claro, perseverança para a conclusão dos trabalhos mesmo que aconteçam imprevistos. 

Sempre existe aquela pessoa que sonha em crescer na área e acredita que não precisa da ajuda de ninguém, mas um filme não é feito por uma só pessoa, por isso é importante exercitar as suas habilidades para o trabalho em equipe, já que todo o processo de uma produção audiovisual tende a se estender por alguns meses e durante esse tempo você depende do seu time e ele de você. Falta de consideração pelos colegas e pelas suas responsabilidades pode criar uma má reputação para você no futuro, lembre-se de que as pessoas com quem você estuda podem se tornar futuros parceiros ou competidores, no Cinema as conexões são tudo!

Bastidores de O Grande Hotel Budapeste (2014) [Reprodução LiveMaster]

Outro fator importante é o seu repertório, é claro que o seu portfólio será desenvolvido durante os seus anos de formação e em diante, mas o repertório deve ser algo a se desenvolver mesmo antes do curso e continuamente na sua vida, pessoal ou profissional. Um conhecimento amplo das produções e dos grandes nomes da área não tem como te prejudicar, não é mesmo?

Bastidores de A Noiva Cadáver (2005) [Reprodução LiveMaster]

O MERCADO 

Não é fácil ser artista no Brasil, mas não é impossível, se o seu desejo é se tornar um diretor de Cinema, por exemplo, um bom curso te ensinará não só a preparar seus atores, equipamento e a iluminação, mas também como se comunicar com seus produtores e financiadores sobre as burocracias que englobam a produção do seu projeto. Licenciamento, direitos autorais, Classificação Indicativa e etc., enfim, tudo que diz respeito a uma produção cultural que precisa seguir os critérios do Ministério da Justiça. 

Normalmente produzidos em equipes menores e com baixo orçamento os filmes independentes sempre estiveram presente na nossa história, desde o Cinema Novo com obras de Glauber Rocha, até os dias de hoje. Essas obras seguem uma tendência mais autoral, e expressam temáticas do Brasil em novos ângulos. Os maiores desafios desse setor são o financiamento e a distribuição, já que o cinema nacional já é pouco valorizado e mesmo dentro dele, o grande dominador é o setor comercial. Por conta dessas dificuldades, o objetivo de grande parte dos cineastas é a competição em festivais que podem ser a única oportunidade que um filme terá de ser exibido na telona, além do fato de que nas amostras é possível fazer e fortalecer conexões que podem abrir mais portas. Para que isso aconteça deve-se inscrever seu projeto no festival desejado, levando em consideração o que a curadoria deseja.

Bastidores de Central do Brasil (1998) [Reprodução Palavras de Cinema]

Existem muitas possibilidades de festivais no nosso país, alguns exemplos são:

  • Festival de Cinema de Gramado
  • Festival de Brasília de Cinema Brasileiro 
  • Festival Internacional do Rio
  • Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

A indústria brasileira de audiovisual está se expandido principalmente por conta da verba pública proveniente de editais da Ancine e prefeituras, além de outros programas federais de incentivo que podem envolver Festivais Internacionais.

O profissional de Cinema pode trabalhar em produtoras institucionais, emissoras de televisão, agências de publicidade, produzindo filmes longa ou curta-metragem, séries, novelas e até documentários, ou em cinematecas e acervos de preservação cultural. Conseguindo atuar como roteirista, produtor, diretor, fotógrafo, sonoplasta, editor, animador, compositor, dublador, ou mesmo no que diz respeito a distribuição e divulgação de filmes como agente, programador, produtor executivo ou curador de festivais. 

Em termos numéricos, segundo o estudo de Emprego no Setor Audiovisual 2019 feito pela Ancine, os setores que apresentaram maior crescimento (em relação a atividade por estabelecimento) são os de Produção e Pós-Produção, Exibição Cinematográfica e é claro TV Aberta. Além disso o setor com maior número de empregos é a TV Aberta, chegando a 50.132 de um total de 88.053 na área. Sendo assim pode-se dizer que o setor televisivo possui grande impacto na indústria nacional, dito isso as plataformas de streaming garantiram uma relativa estabilidade de produção durante a pandemia e vem crescendo desde então, portanto não é impossível imaginar uma futura dominação desse setor já que mesmo a Globo que é a maior emissora da TV aberta brasileira vem tentando competir com outros pesos pesados dos streamings como Netflix e Amazon Prime.

Por ser um curso relativamente novo no Brasil, não existem tantas ofertas de cursos em comparação a uma formação mais tradicional como Administração, ainda assim cursar Cinema e Audiovisual pode trazer muitos benefícios e enriquecer o conhecimento na área. É importante se certificar de que o seu curso vai disponibilizar tudo aquilo que você acredita ser necessário para sua formação e seus objetivos.

Porque O Diabo Veste Prada é um dos melhores filmes do século XXI 

Uma análise intimista sobre o impacto de O Diabo Veste Prada no imaginário cultural e o que faz desse filme uma obra-prima cinematográfica

Baseado no livro de mesmo nome da autora Lauren Weisberger lançado em 2003, O Diabo Veste Prada inova quando ao se tornar uma das poucas exceções da máxima “o livro sempre é melhor que o filme”. Um marco da cultura pop do século XXI, o longa se consagra como um dos melhores filmes já feitos desde, bom… sempre (de acordo com esta que escreve, pelo menos). Constantemente citado nas redes sociais, referência para outros filmes e uma eterna fonte de inspiração, O Diabo Veste Prada foi, e ainda é, a porta de entrada para vários amantes de moda e cinema.

O livro

O ano é 2003. A efervescência da virada do século se reflete na moda, que, cada vez mais rápido, muda com a evolução da tecnologia, o começo das redes sociais e o boom da cultura de celebridades e paparazzi. 

Desde os anos 80 e 90, as personalidades do mundo da moda deixaram de ficar apenas no backstage e começaram a virar celebridades por si só. Designers são cada vez mais reconhecidos e modelos viram quase semideusas, criando uma certa mística sobre suas personalidades: quem são; de onde vieram; o que fazem; com quem fazem e onde fazem? Esse ambiente foi muito propício para a virada cultural do século XXI, onde celebridades não precisavam mais ser dotadas de beleza e/ou talento.

Com a glorificação e o mistério de conhecer quem são as pessoas mais poderosas da moda, aliado ao sempre crescente império da Vogue Americana, outra celebridade havia nascido, quisesse ela ou não Anna Wintour, editora-chefe da revista norte-americana desde 1988 até os dias atuais, ascendeu à posição de Mulher Mais Poderosa na Moda e todos os holofotes se voltaram para ela.

Com sua aparência intrigante (o bob que nunca muda, os óculos escuros) e sua personalidade reservada, Wintour facilmente tornou-se alvo de fofocas e capas de revista. Quem é essa mulher que mexe todos os pauzinhos na revista mais influente do mundo? É fácil imaginar e tentar se colocar nos pés de alguém tão poderoso e aparentemente inalcançável.

É nesse cenário que O Diabo Veste Prada, o livro, nasce. Lauren Weisberger, recém-formada em jornalismo pela Cornell (também Ivy League, como a Brown, universidade que Andy estudou no livro), trabalha como assistente da editora-chefe mais amedrontadora de todas: Anna Wintour. Meio ficção, meio crítica, O Diabo Veste Prada é uma espiada nos bastidores da revista mais badalada do mundo e uma crítica venenosa sobre os membros dessa elite nova-iorquina. 

Weisberger é perspicaz ao perceber que suas experiências poderiam se tornar um best-seller e transforma tudo isso em nada mais, nada menos, do que um dos livros mais icônicos dos anos 2000. É impossível não ter curiosidade sobre o backstage de uma das indústrias mais lucrativas do mundo, que, decorada com modelos lindas, roupas fabulosas e os eventos mais comentados do ano, mascara péssimas condições trabalhistas, chefes abusivos e jogos de poder.

Dotado de uma ótima escrita e de um humor afiado, O Diabo Veste Prada é um must-read para apaixonados por uma boa fofoca, moda e cultura pop.

Tudo isso, pretensiosamente ou não, torna-se praticamente irresistível à uma adaptação nos cinemas. Três anos depois, o filme baseado no livro estreou. 

O que faz um filme brilhante

Na Frenezi, sempre batemos na tecla da importância de uma boa equipe para que o filme seja bem sucedido. Em O Diabo Veste Prada, isso é feito com a maior das maestrias. Do diretor à figurinista, do elenco ao editor: o longa é um exemplo de todas as partes trabalhando em sintonia a fim de criar não só um ótimo filme, mas se arriscar a ser um filme perfeito. Deve-se levar em consideração a opinião parcial da autora desse texto -amante do cinema e estudante de moda-, mas não é grande esforço meu te convencer que, apesar de ser grandemente subestimado como apenas mais um chick flick, O Diabo Veste Prada é, sim, um filme excepcional e que alcança sucesso em todas as categorias importantes para se destacar na minha lista de melhores filmes da história.

O roteiro

Dez páginas. Se em dez páginas você entendeu sobre o que é o filme, então é um bom roteiro. É exatamente isso que O Diabo Veste Prada faz. 

Em dez minutos você sabe quem é Andrea Sachs (Anne Hathaway), entende que ela não liga para moda e que é recém-formada em jornalismo. Conhecemos Emily Carlton (Emily Blunt), a coadjuvante, que é o total oposto de Andy. Nessa hora também somos apresentados à revista Runway, casa de metade do filme, e a Nigel (Stanley Tucci), a força contrária de Miranda, um personagem levemente baseado no eterno André Leon Talley. A vilã é Miranda Priestly (Meryl Streep): fria, rude e impossível de agradar. Essa é a grande narrativa do filme todo: Andy conseguiria ser aceita e respeitada por Miranda?

Uma falha em muitos filmes da época que O Diabo Veste Prada não comete é a falta de aprofundamento de personagens femininas.

Todas, até Emily, são facilmente assimiladas pelo público e suas motivações são sempre claras e justificadas. Um ótimo exemplo disso é a cena em que Andy encontra Miranda em seu quarto de hotel, em Paris. A Miranda do filme é muito mais humana, e é aqui onde percebemos isso. Com um toque da própria Meryl Streep, vemos a tão temida megera finalmente vulnerável, sem maquiagem, se abrindo com Andy. Não temos outra chance senão de nos compadecer com Miranda, pois, como audiência feminina ( na grande maioria), entendemos as dificuldades de obter sucesso em um mundo onde mulheres podem ter ambição, mas nunca mais que os homens. Mulheres poderosas são vistas como monstros quando homens são parabenizados pelas mesmas atitudes.

Essa genialidade é toda da roteirista Aline Brosch McKenna (e claro, também de Weisberger), rainha dos comfort movies como Vestida Para Casar, Compramos um Zoológico e Crazy Ex-Girlfriend. Eu friso aqui a importância de McKenna porque, apesar de ser um ótimo livro, de alguma forma o filme consegue ser melhor. Talvez seja a indulgência visual que o longa oferece, mas o roteiro é, de verdade, excepcional. Apesar de conter vários momentos de improvisação, grande parte do roteiro foi seguido e mesmo assim permaneceu natural, esperto e engraçado. Frases como Flowers? For spring? Groundbreaking; You eat carbs for chrissake!; Can you please spell Gabbana?, e obviamente o monólogo do suéter cerúleo são icônicos e citados até os dias de hoje.

Não é cansativo, te mantém engajado e respeita o tom da autora original. Essa seção é uma salva de palmas para Aline Brosch McKenna!

O figurino

O Oscar de Melhor Figurino de 2007 foi uma das disputas mais acirradas. Maria Antonieta (2006) é um filme incrível e um dos favoritos da Editoria de Cinema & Tv da Frenezi. A modernização do figurino de época foi extremamente bem feita por Milena Canonero, que nos poupou da previsibilidade de mais um filme histórico que não oferece nada visualmente. Dreamgirls (2006), estrelado por Beyoncé e Jennifer Hudson, também foi um ótimo filme, mas, de novo: mais um figurino histórico.

O que talvez muitas pessoas da Academia não entendem é que, apesar de grandes vestidos bufantes e perucas super trabalhadas serem, sim, incríveis, a dificuldade de construir um figurino contemporâneo que consiga representar a história, ao mesmo passo que sobreviver ao teste do tempo, é muito maior.

É nesse aspecto que Patricia Field deveria ter mais reconhecimento. Sim, Sex And The City – um outro brilhante trabalho da figurinista – foi um marco geracional, mas O Diabo Veste Prada alcança algo que SATC não consegue: o bom envelhecimento da moda da época. Em entrevista para a Harpers Bazaar em 2016, Patricia disse: “Eu acho que atemporalidade é um fator muito importante em tudo o que eu faço. É isso que faz um clássico. É óbvio o que é atemporal e o que não é, mas você precisa de tempo para achar essa resposta.” 

Field dá a impressão de, muitas vezes, tentar demais ser vanguarda e fora do normal nos figurinos da famosa série da HBO. Muitos looks de Carrie são completamente sem sentido, tanto para a narrativa quanto para a personagem. Mas, no longa de 2006, ela abaixa o tom, traz um toque de realidade e demonstra o crescimento das personagens de forma mais limpa, clara e primorosa. “Eu amo fazer moda. Eu sempre coloco a moda em todo o meu storytelling porque é quem eu sou, mas eu não estou vendendo roupas, estou contando uma história”, disse Field.

Eu poderia ficar horas e horas apontando o porquê de o figurino desse filme ser  genial, e com certeza, se você já conversou cinco minutos comigo, sabe minha fixação com absolutamente todos os looks. Vamos analisar o figurino de cada personagem e o que faz de Patricia Field uma das melhores figurinistas da geração dela (vamos deixar de lado Emily em Paris, em respeito aos olhos da audiência).

Andrea Sachs

Ah Andy, o patinho feio. Podem tentar discutir, mas ela é a pick-me girl original. Nos primeiros minutos do filme já vimos como ela é diferente das outras, como ela não liga para todas-as-coisas-femininas. Brilhantismo da roteirista? Sim. Ali já entendemos quem é Andy por completo.

Desde o começo ela demonstra desdém pelo mundo da moda, pois acha que é tudo muito superficial (alô, monólogo do suéter cerúleo, vamos chegar lá!). Os mocassins horrorosos, que ironicamente estão muito em alta, e as roupas que não fazem absolutamente nada para valorizar o corpo de Anne Hathaway, representam quem ela é naquele momento: crua e ignorante.

O momento do suéter cerúleo é, na minha opinião, a parte mais brilhante do filme todo. Aqui é o turning point da transformação de Andy, aqui ela entende a importância da indústria da moda.

“[…] esse azul representa milhões de dólares de incontáveis empregos e é quase cômico como você acha que fez uma escolha que te isenta da indústria da moda, quando, na verdade, você está usando um suéter que foi escolhido para você pelas pessoas nessa sala… de uma pilha de ‘coisas’.’’

Depois de vários outros suéteres feios, Andy falha em uma tarefa de Miranda. Procurando consolo em Nigel, que, educadamente, lhe põe no devido lugar quando fala que ela não está levando a sério o trabalho que milhões de garotas matariam para ter, ela percebe que deve mudar. Então chega a parte mais divertida do filme: a transformação. 

Andy abandona as saias medonhas, joga fora o mocassim e aposenta os suéteres desleixados. Com um bom banho de Chanel, agora a silhueta muda para algo mais liso e reto, linhas verticais e um entendimento do corpo de Hathaway. É possível perceber uma mistura do estilo das outras personagens, as cores escuras, texturas de Emily e as golas e vibe preppy de Miranda. Vemos ela experimentar com texturas e acessórios, até chegar a escolher suas próprias roupas em Paris. Quando ela se gaba para Nigel de ter ido do tamanho 40 para o 38: esse é o fim da transformação de Andy em uma das clackers que ela tanto criticava no começo do filme. Um mix de elegância e peças refinadas, a nova Andy é muito chique e totalmente diferente de quem costumava ser. Em Paris, seu estilo chega muito perto do de Miranda, com como por exemplo, o decote dos vestidos que elas usam antes de Andy se demitir (parte que, no livro, é muito mais divertida).

O que mais me aquece o coração é o último look do filme, que representa quem ela é de verdade. Mostra como ela aprendeu com Nigel, Miranda e Emily mas continuou fiel à sua essência. É uma Andy casual, prática e ainda bem arrumada. Não sente mais a necessidade de saltos de dez, mas mantém o bom corte de cabelo e as roupas que lhe servem. A transformação está completa.

Emily Charlton

A melhor personagem do filme inteirinho é Emily. Trabalhadora, determinada, irônica, a fashionista que amamos odiar. Ela leva seu trabalho muito a sério e não deixa ninguém interferir nos seus planos. Emily e Nigel são os mais engraçados do filme todo, pois mesmo com os estereótipos, são uma representação fiel das pessoas de moda. 

Sua personalidade fria e distante é demonstrada em sua paleta de cores: pretos, cinzas e tons escuros. Emily não é só mais uma clacker, ela é mais avant-garde. As escolhas de peças não são óbvias e mostram seu lado mais arrojado, com silhuetas interessantes e linhas afiadas. Vivienne Westwood e Rick Owens estão presentes no seu guarda-roupa, marcas que, na época, eram mais desconhecidas. Os toques de cor vem nas suas maquiagens (sou obcecada pelas sombras que ela usa) e, obviamente, seu cabelo vermelho brilhante, demonstrando sua personalidade forte. 

Ao contrário de Andy, ela não passa por uma transição de estilos pois ela sabe quem é e onde quer chegar. Patricia Field contou para a Bazaar: “[Emily Blunt] foi a atriz com quem eu pude ser um pouco mais expressiva. Eu podia arriscar, ter liberdades, porque ela conseguiria segurar isso dentro do jeito que ela interpretou a personagem. Ela interpretou com ousadia e expressão, então eu juntei isso com o figurino.”.

Miranda Priestly

Miranda é o suprassumo da classe e elegância. Ao conhecer Meryl Streep pessoalmente, Patricia pensou imediatamente em Donna Karan. “Eu fui para os arquivos de Donna Karan, porque quando ela começou nos anos 1980 e 90, suas silhuetas eram clássicas, atemporais, vestiam bem as mulheres e não eram complicadas.”.

A ideia era criar um guarda-roupa para Miranda que não refletisse as tendências da época e, dessa forma, parecesse já ser seu estilo próprio. Para criar a aparência de uma editora-chefe poderosa, Patricia evitou propositalmente fazer a conexão com Anna Wintour. Ela queria criar algo novo, que não tivesse sido feito antes. Junto de Meryl e seu hair stylist, o penteado totalmente branco de Miranda nasceu, parcialmente inspirado pela ex-editora da Harper ‘s Bazaar, Liz Tilberis.

Miranda é clássica, mas também um pouco sexy. Era importante para Streep e Field mostrar esse lado poderoso em mulheres mais velhas. A única vez que vemos Miranda com um look simples é em Paris, quando seu marido pede o divórcio e ela se abre com Andy, mostrando vulnerabilidade.

Os fabulosos casacos de pele, os terninhos, bolsas, óculos escuros e cintos foram todos um mix de Donna Karan, com toques de Valentino e, claro, Prada. 

Field conseguiu dar personalidade a uma das personagens mais memoráveis da cultura pop, fazendo você não só temê-la, mas também desejar ser ela.

O elenco

Boa parte do sucesso de O Diabo Veste Prada veio pelo alto calibre do elenco. Obviamente, quando se tem Meryl Streep a bordo, as coisas vêm muito mais facilmente. 

Anne Hathaway ainda estava no começo da carreira, tendo deixado a Disney depois de O Diário da Princesa, e obteve elogios em seu papel coadjuvante em O Segredo de Brokeback Mountain. Era o seu primeiro filme “sério” como protagonista. Emily Blunt também teve sua estreia em um filme mais reconhecido internacionalmente, impressionando a todos.

Stanley Tucci não precisava de introduções… ator versátil, engraçado e perfeitamente perfeito. Todo filme é um bom filme se tem Stanley Tucci no elenco (amo ele em A Mentira).

Meryl Streep conquistou mais uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, e todo o resto do elenco continuou a ter uma carreira longa e bem sucedida. Apesar de amar todas as atuações, nenhuma delas acima citada é a minha parte preferida do filme. Como falar da genialidade de trazer Gisele Bündchen para fazer uma pontinha?

Faz todo o sentido trazer a melhor e mais famosa modelo do mundo, no melhor e maior filme de moda da história. É engraçado porque Gisele é citada no livro, na parte em que Andy vai para o Met Gala. Ela diz que a Gisele não é tão bonita assim pessoalmente, e adoro a ironia do diretor David Frankel em trazer ela como um membro da Runway. Na verdade, a ideia veio da roteirista Aline, que encontrou Gisele em um voo. A über disse que só participaria se ela não interpretasse uma modelo.

Personalidade intrínseca à moda dos anos 2000, Gisele como Serena não só traz aquele momento de ‘ei! eu conheço ela!’, mas também mostra como em sintonia estavam as pessoas que fizeram o filme com o who is who do mundo da moda.

Outras menções honrosas são Heidi Klum e, claro: Valentino Garavani. Wendy Finerman, a produtora do longa, foi quem conseguiu a aparição do designer. Acerca do medo de muitas pessoas de participar do filme e irritar Anna Wintour, Wendy disse: “Ele tomou uma posição, alguém ia se manifestar e nos apoiar, e isso foi ótimo porque ter Valentino nos deu credibilidade. Ele é um ícone.”. 

A música

Sim, chegou a hora de falarmos da cena de abertura.

O poder que essa sequência tem sobre mim não é normal. Toda vez que eu me arrumo para sair, Suddenly I See da KT Tunstall toca automaticamente na minha cabeça. Julia Michels é a responsável pela supervisão de música de O Diabo Veste Prada e muitos outros filmes como Pitch Perfect (2012) e Nasce Uma Estrela (2018).

Músicas de Madonna, U2, Alanis Morissette e outros artistas incríveis, trazem um toque especial ao filme. Um destaque também para Theodore Shapiro, que compôs a música original do filme, tão icônica quanto às acima citadas.

O legado e o futuro

Dezesseis anos depois, O Diabo Veste Prada se mantém relevante e permanece no topo dos filmes mais amados do século. Um perfeito exemplo de excelência, o longa conquistou um público que excede as barreiras de idade e gênero, sendo apreciado por todos os tipos de telespectadores. 

Após se tornar um ícone da cultura pop, ele ascendeu ao status de obra-prima. É possível para cada pessoa se identificar com alguma parte do filme. Em entrevista à Teen Vogue, Lauren Weisberger disse: “Na final das contas, é sobre uma garota recém-formada da universidade que não só tem o seu primeiro emprego depois da faculdade, mas também uma chefe terrível. É algo que eu ouvi várias e várias vezes de jovens mulheres pelo país todo. Nem sempre se parecia com Miranda Priestly, e nem sempre era na indústria da moda, mas todo mundo teve essa experiência. Pareceu universal.”

O filme não mudou só as nossas vidas, como também o mundo da moda afora. Abriu espaço para mais pessoas desabafarem sobre as péssimas condições de trabalho, abusos e bullying. Anna Wintour até citou o filme no documentário da Vogue The September Issue

Anna também foi em grande parte impactada pelo filme, sempre usando isso a seu favor. Na reunião do elenco em 2021, a roteirista Aline contou para a Entertainment Weekly que Wintour estava presente nas primeiras screenings de O Diabo Veste Prada. “Ela sentou bem na minha frente e do David Frankel com a filha dela e vestiu Prada, o que mostra que ela tem um grande senso de humor!”.

E o legado de Lauren Weisberger não para por aí. Esse ano mesmo, o musical baseado no livro e filme estreia na Broadway, com músicas compostas por ninguém mais, ninguém menos, que Sir Elton John. “É tão legal que ainda seja relevante, que ainda se mantenha”, disse Lauren para o Independent.

A previsão é de que esse legado continue a se expandir, pois, assim como o figurino, o filme é eterno e continuará sendo citado pelos anos seguintes. Sei que ainda vou recorrer a ele em dias que preciso de um comfort movie ou de apenas uma inspiração. O Diabo Veste Prada é um exemplo do poder dos filmes em nos acompanhar pela vida, e ser parte intrínseca dela.

Você pode rever O Diabo Veste Prada no Star+

Exposed da empresa do rato: a falsa representatividade LGBTQIA+

A The Walt Disney Company, mais conhecida apenas como Disney. Marcou gerações com seus desenhos do Mickey Mouse, a abertura do parque mais mágico do mundo, as séries nostálgicas como “Hannah Montana“ (2006), “Feiticeiros de Waverly Place” (2007) em seu canal televisivo, os filmes de animação como “101 Dálmatas” (1961), “O Rei Leão” (1994) e os clássicos das princesas “Branca de Neve e os 7 anões” (1937), “Cinderella” (1950),  “A Pequena Sereia” (1989) e outros. Esses são só alguns exemplos de produções icônicas que fazem parte do maior  conglomerado do cinema atual, fundado pelos irmãos Walt e Roy Disney na década de 20. 

Mas, apesar da clara importância no imaginário de crianças de todas as gerações, polêmicas e Disney na mesma frase tornou-se algo muito comum ultimamente, seja pelos os diretores, atores ou até a abordagem de seus longas. Recentemente, o Jornal Orlando Sentinel revelou que a WDC financiou políticos que apoiam o projeto de lei “Don’t Say Gay”, este que proíbe as discussões sobre a orientação de gênero nas escolas primárias da Flórida. O CEO, Bob Chapek, não declarou-se publicamente sobre o ocorrido, porém, segundo o The Hollywood Reporter, Chapek é contra colocar a Disney em temas que considera insignificantes, seja para a empresa ou para seus negócios.

Em nota a Disney apenas fez o seguinte pronunciamento: “Entendemos o quanto esses assuntos são importantes para nossos funcionários LGBTQ+ e muitas outras pessoas. Por quase um século, a Disney tem sido uma força que une as pessoas. Estamos determinados em fazer com que continue sendo um lugar onde todos são tratados com respeito”.

Protesto em frente ao parque da Disney // foto reprodução G7 News

Como Chapek não se pronunciou, os funcionários da Disney compartilharam suas indignações nas redes sociais, obrigando, dessa forma, o CEO a falar. Chapek pontuou que para não confundirem sua falta de declaração com a falta de apoio, “todos compartilhamos o mesmo objetivo de um mundo mais tolerante e respeitoso”, acrescentou.

Não é de hoje que os fãs das animações da empresa  pedem por personagens que os representem. Desde 2013, com o sucesso “Frozen”, muitos levantaram a tag “dê a Elsa uma namorada”. Outro filme que acabou sendo sabotado foi o live action da “Bela e a Fera” (2017), a estreia foi adiada na Malásia, devido ao personagem Lefou, que mesmo não envolvido em nenhuma cena explícita de afeto, foi considerado um “momento gay”.

Campanha ‘#GiveElsaAGirfriend’ (dê Elsa uma namorada) // foto reprodução Twitter

O famigerado pink money – termo usado para a comercialização de produtos para o público LGBTQIA+ – entra em ação nas produções, como forma de abaixar a poeira frente às polêmicas. A Disney tentou melhorar sua reputação com o beijo de duas mulheres em “Lightyear” (2022), o próximo filme da Pixar que contará a história do Buzz Lightyear de Toy Story (1995). Um detalhe, esse beijo teria sido vetado pela Disney, mas a Pixar manteve.

Em 2018, a GLAAD (Aliança de Gays e Lésbicas Contra Difamação), apontou os estúdios com a menor representatividade da comunidade naquele ano, dos 110 filmes produzidos em Hollywood apenas 18% dos personagens fazem parte da comunidade e nenhum dos longas pertencem ao conglomerado da Walt Disney. A 20th Century Fox, que posteriormente foi comprada pela WD, contribuiu com 10% nas representatividades.

A Pixar, que atualmente faz parte do conglomerado da Disney, possui animações mais adultas comparadas aos filmes produzidos propriamente pela empresa do rato. O estúdio possui uma maior liberdade, um tanto falsa, para ter personagens dentro da comunidade LGBTQIA+, como foi visto em “RED: Crescer é uma fera” (2022), em que em uma das cenas teve a presença de um casal homossexual de mãos dadas. Entretanto, são detalhes que precisam de atenção para não passar despercebidos, já que essas demonstrações de afeto são rápidas.

Trecho de cena do filme “Red: Crescer é uma fera” // foto reprodução Disney +
Cena de “The Owl House” à direita // foto reprodução Disney +

Muitos funcionários da Pixar denunciaram a censura por parte dos executivos da Disney em uma carta resposta divulgada pela Variety, alegando a exigência de cortes em todos os afetos que sejam explicitamente gay. “Mesmo que criar conteúdo LGBTQIA+ fosse a resposta para consertar a legislação discriminatória do mundo, estamos sendo impedidos de criá-lo. Além do ”conteúdo inspirador” que não temos permissão para criar, exigimos ação”, apontam.

Dana Terrace, criadora de “The Owl House” (2020), usou seu Twitter para desabafar, após a série ter sido cancelada por desavenças criativas. “Estou cansada de fazer a Disney parecer boa. Eu sei que tenho contas a pagar, mas trabalhar para essa empresa me deixou perturbada.” O casal protagonista da animação seria formado por um relacionamento homoafetivo.

Ao mesmo tempo que essas grandes empresas apoiam projetos homofóbicos e falsamente representam a comunidade nas suas produções, o merchandising em cima da causa, estampando produtos com o arco íris da bandeira, cresce cada vez mais, tanto nos bonecos como em materiais escolares, por exemplo. 

Que a empresa do rato só pensa em dinheiro isso não é mentira para ninguém, a linha entre produzir e apoiar as causas e lucrar em cima dela é extremamente tênue, muitos acionistas olham apenas para o merchandising se aproveitando do pink money, porém ter esses produtos não significa que de fato apoiam e acolhem a comunidade LGBTQIA+. 

A Disney alcança um público gigantesco, desde seu conteúdo infantil até o adulto-juvenil, os estúdios ajudam a formar opinião de seus telespectadores, por isso que a inclusão de pessoas LGBTQIA+, tanto na equipe como nos personagens, é necessária, além disso promove o sentimento de pertencimento e que é possível ter produções explicitamente homoafetivas na Walt Disney.