Artificialmente natural

Quando o assunto é maquiagem, é quase impossível evitar a viagem nostálgica que leva as pessoas de volta às tendências do passado. Seja o visual pin-up dos anos 1950, marcado pelo delineado “gatinho” e batom vermelho, ou talvez as sobrancelhas finas, sombras cintilantes e lábios glossy dos anos 2000 (que, inclusive, é a nova febre, que surge em uma estética denominada de Y2k); uma rápida olhada para trás nos permite ver o quanto as ideias de “belo” mudaram com o passar do tempo.

Imagem: Reprodução Pinterest

Nesse sentido, ao observar a transição de ideais da última década (2010 – 2020) encontra-se uma mudança curiosa e quase extrema. Durante o início da década de 2010, o côncavo marcado, o blush bem rosado e o famoso batom snob (aquele rosa quase branco), eram o verdadeiro sucesso; pouco depois, por volta de 2014, surgiu a técnica cut-crease, que por meio de uma mistura de cores, criava uma produção carregada e marcante. Já em 2016, uma nova estética se tornou o desejo da vez e se estendeu até o fim da década: o famoso visual “Kardashian”. Nele, a festa de cores foi substituída por tons neutros e a marcação que antes acontecia nos olhos, foi transferida para a pele (que passou a ser carregada por meio do uso de base, corretivo, pó, contorno, blush e iluminador) e para os lábios, que passaram a ser contornados para criar uma verdadeira ilusão de ótica e simular um aumento de volume.

Imagem: Reprodução Pinterest

No entanto, com a virada da década parece que também houve uma virada no padrão: surgiu a “make beauty” (maquiagem embelezadora, em tradução do inglês), que tem por base o contrário de tudo o que foi visto até então. Ela usa sim elementos artificiais, mas tudo com o intuito de criar imagens naturais. De acordo com Sabrina Ataide, maquiadora e especialista em maquiagem beauty, o conceito dessa nova “linha” é definido como sendo um conjunto de técnicas e estilo de maquiagem que evidenciam a beleza natural, respeitando os traços e a individualidade de cada um, “É embelezar sem transformar!”.

A expert ainda aponta que as demandas por esse tipo específico de produção mais leve e natural se deu de forma mais intensa nos últimos anos como reflexo dos tempos de pandemia “Acredito que a maquiagem é arte, e todo movimento artístico acompanha o comportamento social e de consumo. Nesses últimos anos, como reflexos de tempos de Covid-19, as pessoas têm se preocupado cada vez mais com sua saúde e bem-estar, o que as levou a se atentar mais às compras de beleza”. Dessa forma, em um cenário anteriormente dominado por grandes mudanças e um contexto em que quem conseguisse transformar mais era considerado o mais competente, Sabrina ressalta que essa mudança de preferências pode ter se dado pelos novos hábitos adquiridos. De acordo com ela, o uso de máscaras, por exemplo, contribuiu com o destaque dado aos olhos com o uso de técnicas como delineado “gatinho, holográfico e smokey eyes coloridos; além disso, a pele fresh se tornou preferência, justamente por ser mais leve e natural, o que vai totalmente “contra” o estilo Kardashian de maquiagem, que usava – e muito – de técnicas de contorno facial.

Se tratando dos motivos que podem ter levado o público à busca pela “leveza”, é inevitável pensar nisso como uma das repercussões das circunstâncias criadas pela pandemia. Os dias incertos serviram, para muitos, como um momento de reflexão e de (re)conexão consigo mesmos e com suas formas, belezas e traços naturais. As pessoas aprenderam a se enxergar novamente como são, sem o peso de se sentirem pressionadas a alterar quem são para se exporem ao mundo, e passaram a admirar isso também.

Assumir a desnecessidade de transformação funcionou como um escape, uma forma de liberdade em um período de restrições. Mesmo que a maquiagem embelezadora continue sendo um jeito de manipular a aparência, isso acontece de maneira mínima, justamente com a intenção que o próprio nome já carrega: apenas ressaltar o que já é belo. Para a maquiadora Sabrina, o porquê da afeição atual por esse tipo de visual se baseia no desejo de ter uma imagem saudável e que expresse a valorização do autocuidado: “O visual ‘limpo’ corresponde ao movimento de conscientização de autocuidado pós-pandemia, ou seja, as tendências de maquiagem se direcionaram a presentar um ‘ar saudável’ e bem cuidado. Então, hoje em dia, ter uma pele viçosa e com acabamentos mais naturais, que conferem um ar de saúde e elegância, transmite a mensagem de ‘estou em dia com meu autocuidado’”.

Imagem: Reprodução Pinterest

Entretanto, ainda nos encontramos em um mundo extremamente globalizado, que cria tendências que se espalham tão rapidamente quanto um piscar de olhos, por isso não se pode descartar a possibilidade de que a busca por transformação retorne. Basta uma ligeira olhada para o crescimento da estética Y2K para sentir que há novos desejos à vista. Nessa lógica, Sabrina destaca que acredita que tudo é possível: “Quando eu penso em comportamento social, moda e estilo, acho que tudo é possível. Os comportamentos sociais são sempre cíclicos, então acredito que possam voltar sim, porém, de uma forma repaginada, até porque o marco deixado pela pandemia é irreversível.

Para mais, ela afirma que a nova tendência à naturalidade levou as pessoas a se interessarem pela composição e nocividade de alguns ingredientes utilizados na indústria de beleza, no entanto, se as marcas se mantiverem transparentes em relação à produção, uma nova mudança não seria um grande problema e finaliza: “Confesso que até gosto da ideia de mudar e inovar, afinal de contas, maquiagem é arte e expressão do indivíduo; não dá pra colocar em uma caixinha”.

Por fim, até mesmo a beleza e as maneiras de implementá-la representam momentos e movimentos da história, sendo a crescente valorização da make beauty um deles, pois como já foi mencionado, esse novo conceito tem relação com a busca por uma aparência naturalmente saudável que surgiu como reflexo da pandemia enfrentada recentemente. Dessa forma, seja mais intensamente, com a intenção de criar uma máscara e transformar o exterior, seja para apenas ressaltar a beleza inata de cada um, o uso de elementos artificiais, como a maquiagem, não deixa de ser uma ferramenta útil para traduzir o espírito do tempo vivido, sendo o atual o da exaltação do – artificialmente – natural.

O autocuidado em diferentes culturas

Os ideais de beleza ao redor do globo podem mudar, mas além de “o que” é considerado belo, a forma de atingir esse ideal também pode variar. Sejam os produtos utilizados, a ordem de aplicação deles ou a maneira de conduzir os rituais de skincare, quando o assunto diz respeito aos hábitos de beleza adotados em diferentes culturas, uma coisa é unânime: a diferença.

É claro que os hábitos têm a intenção de desenvolver ou preservar características que se encaixem nos padrões de beleza de cada sociedade, mas existem alguns que ultrapassam as barreiras culturais e se tornam verdadeiros fenômenos reproduzidos em todo o mundo. Podemos citar o caso da rotina de skincare de alguns países do continente asiático, como da Coreia do Sul e do Japão, chamadas de K-beauty (de “korean beauty”) e J-beauty (“japanese beauty”), respectivamente. O ideal desses países envolve peles quase imaculadas e muito bem cuidadas, que remetem à inocência e à elegância prezadas nessas regiões, por isso, os cuidados adotados por lá se tornaram uma febre internacional. 

No continente asiático, como já citado, a K-beauty faz referência à rotina de skincare adotada na Coreia do Sul. A mais famosa rotina que rodeou o mundo é composta por uma série de etapas que giram em torno de 10 passos. Começando pela dupla limpeza (que envolve a remoção das impurezas acumuladas ao longo do dia com óleo e com uma espuma de limpeza, respectivamente), passando pela técnica de camadas, chamada de layering, em que ocorre a aplicação de uma série de produtos como uma loção (que equivale ao que conhecemos como tônico), uma essência (um concentrado de ativos que trata a pele de acordo com a necessidade, seja ela hidratação, nutrição, clareamento, etc.) e, por fim, uma emulsão, que tem a função de hidratar e é tido como um “creme finalizador”. E ainda é importante mencionar que as áreas mais sensíveis, como a região dos olhos, recebem um cuidado especial, a fim de evitar olheiras, “bolsas” e rugas. Todas essas etapas contribuem para uma pele sempre impecável, iluminada e com aparência saudável.

Já na Europa, os cuidados existem, porém de forma mais simplificada e prática. A intenção da mulher europeia não é aparentar ser mais jovem do que é, mas sim ser a melhor versão de como se está. Uma pele sem manchas, bem hidratada e cuidada é mais do que bem-vinda, mas não sem expressões. Em entrevista concedida à Harper’s Bazaar e publicada no site da revista, a médica dermatologista Cinthia Sarkis, que viveu na Espanha por mais de uma década, afirmou que esse resultado de beleza europeia é atingido por meio de uma rotina baseada na filosofia já conhecida do “menos é mais”: “algumas visitas ao médico, uso adequado de fotoprotetor, tratamentos feitos esporadicamente em consultório e uso comedido dos cosméticos adequados”. Simples assim. Além disso, como já mencionado na matéria sobre os padrões de beleza em cada cultura, a beleza europeia tem por base a discrição, a valorização da casualidade, por isso é compreensível que os hábitos de beleza adotados por lá sigam a mesma linha.

Reprodução/Pinterest

Quando as rotinas americanas são colocadas em questão, a influência estrangeira é notável nos hábitos relacionados à beauté. Ao mesmo tempo em que há uma grande disponibilidade de produtos para que se construa uma rotina tão complexa quanto a asiática, é possível observar também a preferência por produtos que reúnam vários ativos que proporcionem diversos cuidados de uma vez só, o que remete à praticidade adotada na Europa, fato que pode estar relacionado à vida acelerada, ao famoso “american way of life”. No entanto, um ponto que se destaca na rotina de cuidados vista nos países do continente americano é a alta taxa de adesão por procedimentos mais profundos e invasivos. Peelings, lasers, preenchimentos, aplicação de toxina botulínica, são constantes quando são feitos questionamentos no sentido de “como manter a beleza”.

Reprodução/Pinterest

Enfim, da mesma forma como os ideais de beleza sofrem influência da cultura a que remetem, os hábitos adotados para chegar nesses ideais também são transmitidos por meio de crenças, costumes e perpetuados com base na confiança que se tem nos resultados. Uma boa rotina de cuidados vai muito além da escolha de produtos, ela também envolve e reproduz traços e heranças culturais.

Conheça o signo de gêmeos: Os camaleões do zodíaco!

A season de gêmeos é sempre caracterizada por comunicação e curiosidade. Ela começa aproximadamente dia 20 de maio e dura até 20 de junho. Gêmeos é um signo de ar, dominado pelo planeta Mercúrio, o qual é o planeta da comunicação em si. Pessoas desse signo costumam se dar bem em interações sociais, já que gêmeos é mutável, é assim flexível, mente aberta e adaptável. Devido a isso, podem ser consideradas falsas por alguns.

É representado pelo símbolo com gêmeos celestiais, o que confirma a dualidade dos geminianos. Porém, isso não significa necessariamente um motivo ou agenda escondida para a sociabilidade deles. São brincalhões e curiosos, gostam muito de ter hobbies e paixões. Conseguem se sair muito bem em qualquer situação, de jantares formais à festas em baladas. Por outro lado, costumam ser impacientes e não possuem um filtro adequado. 

Quem possui sol em gêmeos costuma ser chamado de camaleão, já que têm personalidades muito instáveis com facilidade de adaptação. Sempre aprendem coisas novas e riem de tudo. São interessantes, pensam rápido e vão sempre ser a alma da festa. O ascendente em gêmeos representa mudanças dinâmicas da aparência e atitude para encaixar em alguma situação. São naturalmente intelectuais e animados. Já a lua em gêmeos é versátil, procura mudanças é extremamente comunicativa; Pessoas com essa característica ficam facilmente entediadas e costumam tomar a iniciativa. 

Gêmeos tem o planeta mercúrio como regente, então pessoas com essa colocação no mapa têm uma facilidade altíssima para comunicação. Tem fome de estímulos e gostam de aprender. A Vênus nesse signo flertam por diversão, são desapegados e falam bastante. Quem possui Marte em gêmeos prefere situações com ritmo rápido e não gostam de seguir uma rotina. É um signo muito dinâmico e ativo. 

A personalidade de gêmeos é bem divertida, apesar de ter falhas como qualquer outro signo. São extrovertidos, inteligentes e legais, mas também são impacientes, impulsivos e não tão confiáveis em algumas situações. Como sempre querem tentar coisas novas, são bons amigos e amantes – o entusiasmo deixa tudo muito chamativo. Porém, a impaciência pode significar dificuldade de engajar em relacionamentos e começar amizades mais profundas. Quando são conquistados, a lealdade se torna uma característica principal do signo. Quem conhece alguém de gêmeos, nunca fica no tédio. 

A habilidade de comunicação e a mente brilhante permite uma carreira promissora para geminianos, com o foco em carreiras criativas e que exijam fala, como por exemplo: mídia, artes, jornalismo e até algo relacionado à viagens.

Em 2022, a Gemini season será um pouco mais introspectiva, já que está interligada com o mercúrio retrógrado. Algumas bombas do passado podem voltar, então é necessária atenção redobrada com problemas de comunicação e muita reflexão. O autoconhecimento e a priorização de si mesmo é o melhor caminho para essa próxima era do zodíaco neste ano.

A depilação da antiguidade aos dias de hoje

A depilação tornou-se parte da rotina diária de milhões de pessoas ao redor do mundo, representada pelo ato de tirar a barba, lâmina nas pernas até o processo de corpo todo feito com cera ou laser. É uma prática tão comum que muitas pessoas não fazem o questionamento: “Por que depilamos? Por que temos esse relacionamento estranho com os pelos?”

De onde surgiu a depilação?

Só de pensar que os humanos consideram regular remover e arrancar um cabelo que irá crescer em poucos dias é um tanto estranho. Aparentemente isso pode ter começado com os homens das cavernas, já que várias das pinturas rupestres apresentam um rosto sem a barba. Porém, essa questão foi solidificada com os egípcios 3000-332 A.C., os quais depilavam a cabeça, corpo e rosto – antigamente, a aparência de limpeza não era tão fácil de ser alcançada, e isso indicava poder e status; porém, muitos usavam perucas para proteção do sol e às vezes viam a barba como algo divino.

A prática evoluiu em outros lugares do mundo, Mesopotâmia, Escandinávia e os anciãos Gregos até chegar aos dias atuais. O ‘look’ sem pelos e sem cabelo ainda é visto como ‘clean’ e adequado para situações formais e importantes. Para as mulheres, a depilação é uma questão completamente diferente.

Em 1920, uma menina universitária estava depilando as pernas e se cortou. A história virou notícia nacional, já que prática não era comum.

“Menina se corta ao depilar a perna devido à meia calça aberta” – Seattle Star/Library of Congress (imagem: Reprodução).

Em 1950 a história já era outra, a maioria adquiriu o hábito da depilação. Como isso mudou? No começo do século XX as mulheres não ligavam para o pelo na axila e nas pernas (rosto e pescoço sim), somente atrizes costumavam se preocupar. A mudança veio com uma propaganda da Harper’s Bazaar que focou no pelo da axila, já que estavam representando roupas que expunham o braço todo. Logo as lâminas e os cremes depilatórios entraram em cena, porque para estar dentro dos padrões da época era necessário não possuir pelos embaixo dos braços.

“Sem vergonha – a mulher deve ter axilas imaculadas se ela não quiser sentir vergonha” – Propaganda depilatória da Harper’s Bazaar em 1922 (Imagem: Reprodução).

Na década de 1950, o foco foi também para as pernas. A depilação do pelo da perna já havia sido mencionada, mas não se tornou a norma até os anos 50. As saias mais curtas já eram comuns e, por isso, o cabelo deveria ser removido. Nessa época, várias propagandas incentivaram a depilação nas pernas, delineando a ideia que pelos eram feios e “um problema”. Isso provavelmente afetou toda a história da depilação feminina, já que hoje em dia inúmeras mulheres depilam todas as semanas ou fazem procedimentos todos os meses. 

A necessidade da depilação se consolidou com a popularização da cera (especialmente por causa do Brasil, o qual é famoso no mundo todo pela brazilian wax, que é a depilação do corpo todo), pornografia e a cultura pop. Então, não ser pelos virou a norma, apesar de não ser natural. O cabelo corporal começou a ser visto como ‘sujo’ e ‘não higiênico’. Até desenvolveram o laser. 

Nos dias de hoje, não depilar parece ser algo revolucionário. Parece um ato de resistência. Só que na verdade, é apenas uma mulher existindo do jeito que é. Todas devem ter o direito de escolha sobre o que fazer com os pelos, mas não dá para negar que o condicionamento que a mídia proporciona influencia muito na “escolha” da depilação feminina. Espera-se que as pessoas consigam se desligar dessa ideia de obrigação com a devagar naturalização dos pelos (de novo) – e saber que ninguém precisa raspar as pernas todos os dias ou gastar quatro mil reais em sessões de laser para ser bonita e higiênica.

O prazo de validade da beleza: por que as pessoas estão com medo de envelhecer?

Nas décadas de 1990 e 2000 muitos filmes de dramas adolescentes, apresentavam ao menos uma cena que retratava algum jovem desejando ser, ou ao menos aparentar ser, mais velho por algum motivo. Quem não se lembra do clássico De Repente 30 com Jennifer Garner e Mark Ruffalo? 

Imagem: Reprodução/Veja

Fosse pela autoridade, respeito, sabedoria e reverência que era concedida aos mais velhos ou simplesmente pelo fato de que “ser adulto” era associado à possibilidade de possuir mais liberdades, envelhecer era como se fosse um troféu. Um selo de experiência e competência. No entanto, o que se tem observado nos últimos anos, é uma tendência contrária, pautada no intuito de voltar no tempo com a aparência. É como se envelhecer tivesse deixado de ser o curso natural da vida e se transformado em uma doença a ser combatida. A comunidade passou a ser movida pelo desejo de ser como Benjamin Button.

Em um contexto marcado pela volatilidade, transformação constante e que preza muito a flexibilidade e a capacidade de adaptação, tudo o que é considerado antigo é associado a desatualização e, consequentemente, preterido e ignorado. A tendência pela exaltação da juventude pode ter como um de seus pilares o fato de que esta parcela da sociedade é, aparentemente, a detentora do conhecimento necessário para se compreender o mundo atual. No passado, envelhecer era o desejo, porque significava passar a saber e entender o que os mais novos não sabiam, porém, nos dias de hoje, qual seria o motivo de desejar isso sendo que são os mais jovens os conhecedores do funcionamento das tecnologias que imperam no mundo globalizado contemporâneo?

Imagem: Reprodução/Onze.com

Nesse sentido, o desejo por se manter jovem passou a nortear não apenas os comportamentos das pessoas (que tendem a ficar ligeiramente mais infantilizados com a intenção de parecer cool e descolado), mas a guiar suas escolhas em relação à sua estética também. A aparência é considerada a maior responsável por “denunciar” os anos de vivência e é o primeiro alvo de ataques quando se tenta desmoralizar e desconsiderar alguém com base na idade (prática denominada etarismo); por essa razão, à beleza passa-se a atribuir uma espécie de prazo de validade que faz com que as pessoas pensem que não serão mais aceitas, nem belas no mundo atual a partir do momento que atingirem uma idade mais “avançada”.

De acordo com a psicóloga Natália Tozo, as pessoas têm sentido tanto receio em envelhecer, porque a sociedade não valoriza o processo de envelhecimento, veem os idosos como pessoas que não são mais produtivas e não valorizam sua história e seus saber. “Com a tecnologia veio o acesso rápido ao consumismo e a ideia de padrão de beleza. A indústria veio com muitas novidades e promessas de uma imagem de que ficar mais jovem traz mais aceitação. […] Claro que se cuidar é importante e faz bem para o ser humano, mais nada em excesso é saudável nem para a mente, nem para o físico.”, ressalta a profissional.

Sendo assim, inicia-se uma busca intensa por maneiras que mantenham a imagem livre de rugas, linhas de expressão ou qualquer tipo de marca que possa “entregar a idade”. O investimento cada vez mais intenso na busca pelo corpo perfeito e a vontade de se inserir em um dos muitos padrões sociais, comportamentos esses que representam a manifestação do angústia em envelhecer: “o medo também vem acompanhado de sintomas de ansiedade com alteração do humor, intercalando dias mais eufóricos com dias mais deprimidos, excesso de cobrança pessoal, tensão e uma sensação de que ‘se eu não der conta, sou um fracasso”.

Seguindo esse ritmo, procedimentos invasivos e não invasivos, suplementos e até mesmo medicações para impedir que o corpo externe os sinais começam a ser frequentes nos planejamentos das pessoas. No entanto, é importante entender quais são, de fato, esses sinais e como tratá-los corretamente e dentro do necessário. A médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Amanda Vilela destaca que os primeiros sinais que indicam a chegada da idade se manifestam a partir dos 30 anos, quando a produção de colágeno começa a diminuir: “A partir dos 30 anos, diminuímos nossa produção intrínseca de colágeno e iniciamos o processo de degradação dos fibroblastos. […] Começamos a observar uma diminuição leve da espessura da pele, e as marcas de expressão também já se iniciam.”.

Todavia, o processo de envelhecimento, apesar de natural, pode ser feito com mais qualidade que, a dermatologista explica ser envelhecer com as suas características, mantendo os seus padrões e de uma forma natural, “É as pessoas te observarem e falarem: “Você está tão bem, igual a quando te conheci! O tempo só te faz bem!”. Dessa forma, alguns cuidados podem ser tomados para que o avanço da idade torne-se mais leve: “Primeiramente, ter um dermatologista de confiança, um especialista com olhos treinados, técnica e know-how para saber o que indicar é fundamental. Deve-se investir em procedimentos que estimulem colágeno como Ultraformer3, Bioestimuladores, fios de PDO e pontos de preenchimento com ácido hialurônico e a toxina botulínica!”, recomenda Dra. Amanda Vilela.

Imagem: Reprodução/Hypeness

É válido destacar que, apesar de existirem meios que permitam que o envelhecimento ocorra com mais qualidade e menos impacto, ele ainda assim é um acontecimento orgânico, inato, por isso, todo receio exagerado em relação a ele precisa ser questionada e observada com atenção. De acordo com a psicóloga Natalia, o tratamento dessas questões deve vir, especialmente, por meio da sociedade, que precisa mudar a mentalidade de que a felicidade é um sentimento próprio da juventude: “envelhecer é um processo natural e precisa começar a ser aceito e respeitado, principalmente por quem está nessa fase. A aceitação e o compromisso começam com o sujeito e o olhar dele para consigo mesmo, para que ele não deixe que o olhar do outro o defina […] Sua saúde mental precisa estar em equilíbrio com seu corpo”.

Por fim, é importante ressaltar que valorizar os mais velhos não significa desmerecer o conhecimento da juventude dos dias de hoje, apenas não deixar que as inseguranças fundamentadas em padrões distorcidos impeçam a sociedade de apreciar o avanço da idade e todas as experiências e aprendizados que cada etapa pode trazer. A beleza não possui um prazo de validade, mas sim estágios de maturidade que são resultado da constante transformação natural.

Remédios Caseiros: conheça um pouco sobre os ingredientes que passam de geração para geração

Quem nunca ouviu “vamos colocar uma arnica no seu machucado” ou “esse chá de boldo vai te curar rapidinho” de parentes mais velhos? Os “remédios tradicionais” representam ingredientes, plantas e alimentos que foram utilizados no início do desenvolvimento da medicina, quando não existia tecnologia e drogas suficientes para curar todas as doenças. Hoje em dia são considerados ultrapassados e foram substituídos pelos industrializados. Obviamente, vários não apresentam o efeito desejado e são apenas lendas. Mas e os que realmente funcionam?  

A medicina se constituiu basicamente na Grécia e no Egito, na época entre 2.500 a 2000 anos A.C. Na Grécia, as práticas medicinais (especialmente para diagnósticos) se desenvolveram, com o nascimento de Hipócrates (pai da medicina). Já no Egito foi onde o primeiro médico consolidado foi originado, o nome dele era Imhotep. A medicina foi pioneira em saúde da mulher, anatomia e saúde pública.  

Chá de boldo

(Imagem: Reprodução)

O chá de boldo é um dos maiores remédios caseiros na vida dos brasileiros. Caracterizado pelo gosto amargo e difícil de engolir, traumatizou muitas crianças que foram obrigadas a beber. Apesar disso, eles realmente ajudam na dor de estômago e sensação de fígado pesado. Já o própolis é aquele remédio que faz tudo, ajuda na dor de garganta, na imunidade generalizada e no bem estar do ser humano. É recomendado sempre carregar um spray de própolis junto com as coisas porque só há benefícios. 

Arnica

(Imagem: Reprodução)

A arnica é utilizada principalmente em relação a dores musculares, problemas nas articulações e inchaços. Possui um cheiro forte, porém ajuda muito no alívio dessas dores, por ter um efeito anti-inflamatório. Uma técnica para melhorar enxaqueca e dores de cabeça generalizadas são as rodelas de batata na testa. Parece falso, mas realmente aliviam as dores e sintomas ruins. E por fim o chá de camomila, que tem função de calmante e anti-náusea ao mesmo tempo. O gosto é bom e faz parte da vida da maioria dos brasileiros.  

Apesar do avanço da medicina e a recomendação do uso de remédios industrializados na maioria dos casos, os remédios tradicionais caseiros podem ser muito úteis em caso de doenças e condições menores. São também mais baratos e acessíveis que os outros remédios. 

É importante cuidar sempre da saúde, procurar um médico quando necessário e utilizar remédios mais modernos prescritos por profissionais – mas também lembrar que esses auxílios caseiros estão à disposição e que as vovós merecem muito mais crédito do que recebem por essas dicas que salvam muito no dia a dia.

The Tumblr girl is coming back

Os dias se passavam ao som do álbum Ultraviolence da Lana Del Rey, que está na playlist junto com The Neighborhood, Arctic Monkeys, The 1975, Lorde, The xx, entre outras bandas alternativas que se juntam ao indie pop. As fotos eram guiadas de acordo com a roupa. Normalmente jeans skinny, ou meia arrastão – elas sempre rasgavam e isso que era deixado em evidência – com jaqueta de couro, cores escuras, silhuetas simples, gargantilhas no pescoço, às vezes camisa quadriculada e nos pés All Star ou coturno.

Foto reprodução: Pinterest 

Essa estética, marcada pelo ano de 2012 a 2014, é caracterizada à época do Tumblr, uma plataforma na qual era formado por comunidades que tinham pessoas de todos os lugares do mundo, com as mesmas estéticas e pensamentos, com um estilo acessível e não elitizado como o Old Money. 

O rock foi o fundador dos estilos. Seguido pelo grunge com o Nirvana de Kurt Cobain juntamente com as meninas do Bikini Kill. Ele não se importava em comprar roupas, e nem se elas rasgavam. Vivia sua melancolia e as levava em suas músicas. A partir deste estilo, nasce o indie, com The Neighbourhood e Arctic Monkeys. 

Foto reprodução: Pinterest 

Nas telas, a atriz Lucy Hale, que interpreta a Aria Montgomery na série “Pretty Little Liars”, e a personagem Effy Stonem de “Skins”, interpretada por Kaya Scodelario, se enquadra ao estilo desenvolvido da época, já que era o período em que a série estava sendo gravada. Muito se materializa através de séries e da música. Atualmente, vemos a cantora Olivia Rodrigo e a personagem Maeve Wiley de “Sex Education”, explorando todo o esteriótipo, mas com o toque do novo, sem se prender ou resgatar por completo algo que pode se reinventar com novas presenças que são disponibilizadas em todas as áreas de criação.

Os adolescentes de antes cresceram, hoje são os adultos e jovens que, com a memória afetiva da época, resgatam, exploram e, literalmente, compram essas tendências. O que antes era trazido de 30 em 30 anos, com a pandemia, isso tem se acelerado e diminuído para 10 anos. 

Essa estética tem voltado, mas o que antes era baseado nos anos 2000 e toda a característica trazida à tona, hoje ela retorna se embasando nos anos de glória – entre 2012 e 2016 – e tem se reinventado, se reintegrando às novas manifestações artísticas. Contudo, essa estética não vem apenas de uma estética visual, mas também de uma subcultura que trouxe à tona os problemas mentais, pessoas que se identificam com outras e viam que vivem a mesma situação. Isso então incluía falar abertamente sobre depressão, ansiedade e pensamentos suicidas.

As músicas alternativas da época retratavam sobre os problemas, como Lana Del Rey que transformava sua solidão e melancolia em música, e dizia o quanto gostava e aceitava aquilo. Isso fazia com que as meninas da época fizessem o mesmo. Até aquelas que não tinham depressão, induzia este tipo de melancolia para soarem interessantes e fazerem jus às outras pessoas. 

As comunidades, em sua maioria composta por meninas, se identificavam gerando valor e dependência naquilo. Compartilhavam seu diagnóstico, conversas com profissionais sobre o quadro, fotos com frases como “100% triste” escrito em rosa com brilhos, pílulas de remédio em cima da mesa, maquiagens escuras em forma de luto. Mesmo não tendo sido criado pelo Tumblr, a obsessão pelo trágico fez parte da cultura, exacerbaram esse fetiche. Notoriamente, o reconhecimento e a discussão desses assuntos facilitou o tratamento e reconhecimento dos sentimentos e das doenças até hoje, contudo, trouxe à tona a romantização de problemas mentais, de ter um coração partido, solidão, magreza extrema e da rebeldia. 

Com o lançamento de “13 Reasons Why”, reboot de “Gossip Girl” e “Euphoria”, é notável a presença de uma trama que abraça uma cultura de drogas e sexo, apresentando atores glamorizados e vidas mais sofisticadas e fáceis. Um pouco de toda a época do Tumblr está presente, mas com mudanças, gerando algum tipo de demérito e mais conscientização principalmente de quem esteve presente em todo aquele período.

Foto reprodução: Pinterest 

Hoje, o que volta, parte é substituído. Calças skinny que saíram de destaque são alteradas por mom jeans ou calças jeans de perna reta. O batom escuro chega em forma de gloss, maquiagens que antes eram escuras são influenciadas por séries trazendo brilho e com looks mais extravagantes em decotes e transparências. A época Tumblr marcou uma geração de pré-adolescentes e adolescentes ao redor do mundo.

Hoje, eles cresceram e se tornaram adultos com sentimento de pertencimento a esse período e uma memória de descobertas e reencontros que fazem parte de quem são hoje. São os que possuem o poder de compra e também de lançar e repercutir as tendências. Com o TikTok, novos grupos identitários e novos costumes e tendências têm surgido. 

Pode-se dizer que a era Tumblr foi um momento em que os jovens entraram no mundo da internet, esbarram e permaneceram com seu primeiro contato a um grupo digital de acolhimento sem barreiras – o que antes era vivido com barreiras físicas e sólidas, foram se integrando num novo mundo. Hoje, as barreiras se quebraram e todos têm acesso às outras culturas e pessoas, facilitando o encontro de sua identidade.

A grande comunidade do Tumblr retorna citando as consciências de uma identidade coletiva, mostrando às novas gerações – além das características físicas – o poder de um grupo semelhante frente ao auxílio da internet e da união de características iguais. É algo mais significativo que os momentos que estão sendo vividos nesses últimos anos. Foi uma época duradoura e que foi morada e conforto para muitos adolescentes.

Foto reprodução: Pinterest 

O começo da internet como rede de apoio e sem barreiras. Um lugar onde as pessoas encontravam grupos com os mesmos sentimentos e desejos. Eles não estavam sozinhos, nunca estiveram. Estavam apenas perdidos de seus grupos que iriam entender e acolher suas particularidades. 

Leia também:

Masturbação Feminina: Do Tabu ao Conhecimento

A masturbação, ato de buscar prazer com seus próprios estímulos, não é um assunto novo para ninguém. No entanto, em pleno século XXI, ela ainda é motivo de insegurança e vergonha para muitos, principalmente quando estamos falando sobre mulheres. Vista como algo normal e natural na evolução do gênero masculino, a masturbação feminina foi e ainda é considerada suja quando praticada. Isso tudo porque o tema carrega uma questão histórica que reflete até hoje na maneira como a sociedade enxerga a prática nas mulheres. 

Desde as primeiras representações da sexualidade feminina, a mulher sempre teve um papel “desprezível”, como se fosse criada exclusivamente para seguir um padrão de conduta: ser mulher do homem, auxiliar o homem, preservar o casamento, procriar e ser responsável pelo cuidado dos filhos e marido. Podemos observar esse padrão em diversos momentos como na bíblia, com Eva e Maria e na Grécia, onde as mulheres não eram nem consideradas cidadãs, mas servas sexuais dos homens e geradoras de filhos saudáveis.

Na idade média, isso não mudou. Segundo a psicóloga e sexóloga Cristiane Soares Campos Yokoyama, no artigo “O nada”- um passeio pela masturbação feminina na perspectiva da história, publicado na revista brasileira de sexualidade humana, médicos e filósofos condenavam a masturbação sob o ponto de vista ético e moral, por entenderem que a ejaculação deveria ser somente direcionada para a reprodução. Os que tentassem buscar o prazer através do contato com seu próprio corpo eram considerados hereges, ou seja, traidores aos dogmas da religião predominante na época. 

A partir do século XIX, a prática da infibulação feminina, ou seja, a costura dos lábios vaginais deixando um espaço apenas para a passagem da urina e da menstruação, tornou- se comum. Com isso, não existia espaço de prazer para mulher, ficavam restritas ao cuidado com a saúde e bem estar da família, enquanto os homens tinham o direito de aproveitar dos prazeres sexuais. 

A masturbação feminina é um grande tabu. (Imagem: Reprodução).

De acordo com a pesquisa, Mosaico 2.0, conduzida pela psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, divulgada em 2017, dos três mil participantes ouvidos, entre 18 e 70 anos, cerca de 40% das mulheres do país não se masturbam e dessas, 19,5% nunca experimentou a prática. Já entre os homens, apenas 17,3% não se masturbam e 82,7% adotam a prática. 

Apesar de uma grande evolução no tratamento do assunto ao longo dos anos, ainda é notável a desigualdade de gênero. Para Carolina Feitosa Femenias, psicóloga especializada em sexologia, muitos movimentos causaram e ainda causam pressões que são, sem dúvidas, essenciais para mudar a maneira em que a sexualidade feminina é vista. “A mudança é perceptível, mas ainda não é generalizada e infelizmente ainda não é realidade para todas as mulheres, sobretudo para quem não tem acesso às informações e recursos confiáveis e de qualidade”, ressalta Carolina. 

Além da associação do autoprazer ao sentimento de culpa, vergonha e pecado, outra causa dessa visão deturpada é justamente a propagação de informações falsas. Durante anos, persistiram diversos mitos sobre os efeitos físicos e psicológicos da masturbação, os quais persistem até hoje com a intenção de reprimir o ato. Impotência, epilepsia, loucura, ansiedade e depressão eram e ainda são julgados como efeitos prejudiciais e malignos da masturbação. 

No entanto, atualmente estudos mostram que o ato de masturbar-se traz mais benefícios do que problemas. Em entrevista a Frenezi, Carolina Femenias ressalta alguns dos benefícios provindos da mastrubação, como a ativação da musculatura da região pélvica e a liberação de hormônios, como a dopamina (um dos principais hormônios da felicidade), endorfina (analgésico natural, reduz o estresse), ocitocina (também chamado de “hormônio do amor”), testosterona e prolactina (sistema imunológico). Apesar dos benefícios citados, a sexóloga acredita que o maior deles seja o autoconhecimento e ressalta que “acredito que quando a mulher percebe as potências que seu corpo tem, além das mais variadas possibilidades de obter prazer, ela se sente muito mais autoconfiante e isso reflete em como ela se comporta também”. 

Para a sua prática, são diversas as formas, cada pessoa terá respostas sexuais individuais, cada mulher é única. No entanto, o uso de vibradores se tornou o favorito nos últimos anos. De acordo com a pesquisa do portal Mercado Erótico, em maio de 2020, a venda de vibradores aumentou 50% desde o ínicio da quarentena. Segundo a sexóloga Carolina, é preciso se atentar à indústria sexual feminina, pois ao mesmo tempo que existem produtos bons com certificações e testes, existem aqueles que não são seguros e portanto, buscar produtos de marcas sérias e que disponibilizem as informações de segurança nas embalagens ou sites é essencial. 

O uso de vibradores se tornou o favorito nos últimos anos. (Imagem: Reprodução).

Outra dica dada pela sexóloga é em relação a empresas que estão interessadas em vender e não com a saúde íntima das clientes. “Alguns produtos do mercado não são indicados para a região íntima, como, por exemplo, os desodorantes Íntimos.  Muitas ginecologistas alertam para possíveis infecções, além de ser um produto com intuito de deixar a vulva com cheiros que não são característicos dela”, informa. Esses produtos além de danosos à saúde, causam inseguranças no corpo feminino já que passam uma sensação de inadequação do corpo. A região íntima tem cheiro próprio e as pessoas precisam aceitar isso.

Apesar de todas essas mudanças gradativas, o que podemos considerar uma vitória, as mulheres se masturbam menos e possuem mais dificuldade de assumir o prazer. Isso acontece porque as mulheres carregaram e ainda carregam a falsa ideia de que nosso corpo foi feito exclusivamente para satisfazer homens e gerar vidas, reprimindo a nossa própria sexualidade. Hoje, deixando a perspectiva histórica de lado, o autoprazer é visto mais do que uma tentativa de chegar ao orgasmo, mas sim uma chance de autoconhecimento e empoderamento da mulher.

Cultos: O que são, de onde surgiram e como não acabar em um

Os cultos, essencialmente, representam um pequeno grupo religioso que não se encaixa na religião maior do senso comum, já que suas crenças são consideradas extremas e perigosas – não existe uma definição acadêmica unânime para essa palavra, de acordo com Suzanne Newcombe em “Handbook of Religion: A Christian Engagement with Traditions, Teachings and Practices”. A partir do dicionário Merriam Webster, são rituais e devoções criadas por um grupo pequeno de pessoas em relação a algo ou alguém. Popularmente, são organizações estranhas e que devem ser evitadas a todo custo.

A partir da pesquisa de arqueólogos da Universidade de Jerusalém, as primeiras evidências de um comportamento similar a de um culto surgiu na cidade de Khirbet Qeiyafa (30 km ao sul de Jerusalém) no reino do Rei David. Foram encontrados potes, pedras, ferramentas de metal, artes, objetos de culto, além de três santuários voltados à cultos. Durante a história da humanidade, há vários exemplos de como eles se consolidam e como podem ser maiores ou menores, dependendo do tópico de devoção e o quão extremista é. 

Pessoas são vulneráveis. Há dias que são piores, e coisas ruins acontecem. Nessas situações, ouvir alguém dizendo que há melhora e que certa crença ou comportamento irá melhorar a qualidade de vida de si pode ser o divisor de águas para cair em um culto. Obviamente, nem todos os cultos vão parecer chamativos para todos, mas dependendo do tópico não é tão difícil recrutar membros. Ninguém sabe que é um culto, muitas vezes pessoas demoram para perceber e algumas nunca descobrem. Desse modo, indivíduos ficam presos sem nem desconfiar. 

A Dra. Janja Lalich (ex-membro de um culto e atualmente socióloga) respondeu várias perguntas frequentes sobre o assunto em um vídeo para a WIRED, por ser um tema que gera muita curiosidade.

De acordo com ela, os líderes de cultos não são tranquilos, são tipicamente narcisistas loucos por poder e acham que são o centro do mundo. Não são necessariamente estranhos, com a possibilidade de ter uma aparência e comportamento público comum – para assim recrutar membros. Muitos cultos apresentam vestimentas parecidas, a falta de individualidade várias vezes é necessária (questão do uniforme), mas não em todos os casos. É uma maneira de reforçar a conexão dos membros.

Como alguém cai em um culto? A pessoa está na beira da insanidade? Tem transtornos psicológicos? Ou está perfeitamente saudável e ainda pode se perder neste caminho? A pessoa não precisa ter nenhum transtorno psicológico. Os cultos procuram recrutar gente com alta produtividade, dinheiro e contatos. Eles precisam que os membros trabalhem bastante, já que os líderes normalmente são preguiçosos e não fazem muito. Essas sociedades não tomam conta do membro, o membro precisa tomar conta dela. Agora, já dentro do culto, a chance de desenvolver problemas psicológicos é bem maior. Deixar um culto não é fácil, já que é uma relação de dependência emocional e, às vezes, física desenvolvida neste processo. É importante que as pessoas de fora estejam abertas para ouvir e abrigar ex-membros de cultos e pessoas que desejam sair. 

Culto x Religião

Qual a diferença entre culto e religião? Cultos podem ser sobre qualquer tipo de sistema de crenças, não necessariamente envolvendo religião e Deus. Porém, existe a possibilidade de uma religião se tornar um culto quando a liberdade do fiel passa a ser inexistente. Exemplo: as religiões têm regras, mas nenhum líder religioso irá invadir a casa de alguém para garantir que todas as regras são cumpridas, existe um discernimento pessoal do certo e errado. Já os cultos privam essa liberdade e pensamento individual dos membros. 

Alguns cultos, ao longo da história, tomaram proporções grandes pela quantidade de membros, falas extremistas e comportamentos completamente bizarros, violentos e sádicos, por exemplo: O templo do povo (Jim Jones), Família Manson, o culto de Rajneesh, Heaven’s gate, Cientologia e até mesmo a seita de João de Deus.

Se perder em um culto não parece ser uma possibilidade tão rara assim para muitas pessoas, já que há inúmeras maneiras de recrutar pessoas. O ideal é sempre ficar atento ao redor, confiar nos próprios instintos e, principalmente, não idolatrar seres humanos.

Bem Estar e Consumo: Quando o Autocuidado vira um produto

O consumismo e capitalismo andam de mãos dadas, e isso não é nenhuma novidade. Um sistema que é voltado para o dinheiro consequentemente irá promover um consumo desenfreado de produtos e mercadorias que, muitas vezes, as pessoas nem precisam. E em que ponto isso influencia a wellness culture, ou seja, a cultura do bem estar?

Com o aumento do uso de redes sociais no começo da década de 2010, o acesso à propaganda foi facilitado ainda mais. A indústria do autocuidado dividiu-se em várias partes, com foco em diferentes aspectos da vida das pessoas, por exemplo: sono, nutrição, mindfulness (atenção na ação momentânea), saúde, aparência e fitness. Na imagem abaixo, retirada do blog da empresa Mckinsey & Company, pode-se ver os países com maiores gastos em produtos e serviços que promovem o bem estar.

(Imagem: Reprodução).

Não há nada de errado em querer promover o autocuidado e lançar produtos que possam auxiliar pessoas nesta jornada, porém há um limite em o que é realmente ajuda e o que é apenas a comercialização do lifestyle “good vibes”. Quantos chás detox alguém precisa? Até que ponto as vitaminas promovidas no instagram são realmente “milagrosas”? Quantos anti-aging creams funcionarão no futuro? São necessários todos os outfits de academia para conseguir um bom treino? O número de empresas, influencers e plataformas que promovem produtos e serviços que aparentemente resolveriam os problemas da população é alto, e não há sinal algum de queda. 

Isso é bem exemplificado em uma recente trend chamada be that girl, popularizada nas redes tiktok, twitter e pinterest, onde pessoas postam fotos visualmente perfeitas do que seria uma vida equilibrada com o essencial do bem estar presente, o que levou a certas críticas por usuários – todas as imagens representavam um estilo de vida privilegiado, o que liga diretamente o autocuidado com capitalismo e a elite. Todas querem ser “aquela garota”. Apesar de não ser algo errado, pode passar uma ideia equivocada de que o que está na imagem é o único caminho para vida balanceada, voltando diretamente ao consumismo. Pessoas podem adquirir hábitos saudáveis que alcancem o bem estar e o equilíbrio de acordo com seu próprio padrão de vida. 

Alguns exemplos de posts que trazem a estética “that girl” (Imagem: Reprodução).

Um ponto chave deste fenômeno são as famosas influencers do instagram, as quais recebem para fazer propaganda de um produto determinado por certa companhia – produto que muitas vezes nunca foi usado pela pessoa que está estimulando a compra. Até que ponto isso é ético? Motivar o consumismo desenfreado faz parte deste processo, mas não significa que está correto.

Outro dilema dessa situação é o quão enganador ele pode ser. Como as redes sociais ditam muitas regras sobre lifestyles e consumo, muitas pessoas se sentem mal ao perceberem que essa glamourização do bem estar é, frequentemente, inalcançável. A rotina e o bolso de grande parcela da população não condiz com este estilo de vida. Existe algum problema com quem tem recursos e gosta de investir e focar seu dinheiro nesta indústria? Não. Mas não é necessário, é completamente possível ter uma vida saudável, com o autocuidado e bem estar intactos sem consumir além da conta – e também é mais amigável ao meio ambiente. 

É essencial ser a favor do bem estar, saúde, autocuidado e qualidade de vida. Isso melhora a vida de inúmeros indivíduos e deve ser estimulado – entretanto, desenhar a linha de separação entre boas intenções e capitalização em cima de pessoas vulneráveis é o divisor de águas para o funcionamento mais ético possível dessa indústria.