O Homem, o Bruxo, o Defunto

Texto por Felipe P. Marcondes

Por que ler Machado de Assis?

Inquieto leitor, pediram-me que tratasse contigo do porquê deverias ler a obra de Joaquim Maria Machado de Assis. Ao final dessas mal traçadas linhas, verás (ao menos é este o meu intento) que a pergunta é bem outra: Como não ler Machado de Assis!? Este espaço, apesar de muito estreito para tamanha matéria, e essas garatujas, embora fugazes demais para dar conta dela satisfatoriamente, podem proporcionar-te não menos que um vislumbre desse autor-abismo e da importância de seus escritos, pois, como diria um efêmero poeta nosso, uma folha bem escrita, ainda que pequena, tem muito valor [1].

I – O Homem

            A vinte um de junho de mil oitocentos e trinta e nove, nascia, no pobre morro do Livramento, em casa de agregados anexa à chácara do cônego Felipe, o franzino, doentio, tímido e gago Joaquim. Era filho de Francisco José de Assis, pintor e dourador, e de Maria Leopoldina Machado de Assis, lavadeira na casa do senhorio. Aquele, na realidade, à inclinação literária do filho não via com bons olhos, supondo que o ofício de homem das letras conservá-lo-ia na miséria. Sua infância, parte mais nebulosa de sua recatada existência, transcorreu no arruar traquinas com os companheiros de mesma idade. Foi quando começou a ter os primeiros sinais do mal que acompanhá-lo-ia e atormentaria por toda a vida, a epilepsia.

            Ainda bem pequeno, morreu-lhe a mãe. Viúvo, Francisco de Assis casou-se com uma mulata, Maria Inês. Esta, com as poucas letras que possuía, assistia aos estudos do enteado, ensinando-lhe todas as noites, às escondidas de Francisco, aquilo que sabia. Parece ter sido ela quem arranjou que o forneiro imigrante da Madame Gallot (dona de padaria na rua S. Luiz Gonzaga) ensinasse o francês a Joaquim – posteriormente, aprenderia ainda o inglês e o alemão. Frequentou a escola primária, mas após esses parcos primeiros estudos, será autodidata, recorrendo a centros literários e relações ilustradas para lograr conhecimento e livros – tome-se, como exemplo, o Gabinete Português de Leitura e a loja de livros do mulato Francisco de Paula Brito que frequentava assiduamente. Sem empregos fixos, e necessitando conquistar o pão diário após a morte do pai, foi vendedor de balas e sacristão na igreja da Lampadosa (o que é convenção, pois não encontrou-se seu nome nos registros da igreja) até que, aos dezessete anos, tornou-se aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional. Lá permaneceu dois anos (1856-1858), sempre lendo pelos cantos, com os bolsos recheados de livros – conduta que, aliás, garantiu-lhe a simpatia e proteção do então diretor da Imprensa, Manoel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um sargento de milícias.

            Trabalhador dedicado, foi também caixeiro e revisor de provas da Livraria de Paula Brito (responsável pela publicação de alguns dos primeiros versos de Machado, lançados em sua revista bimensal, a Marmota Fluminense); colaborador e revisor no Correio Mercantil; redator, aos 21 anos (1860), do jornal de seu amigo, Quintino Bocaiúva, Diário do Rio de Janeiro. Neste, passou a produzir crônicas semanais e crítica literária (valendo-se sempre de pseudônimos como Manassés, Eleazar, Dr. Semana, Jó, Gil, etc.) , antes de ser destacado da redação para atuar como representante da folha junto ao Senado – talvez sua produção mais larga seja essa, a das colaborações em jornais e revistas,  e um dos principais motivos da vulgarização de sua obra, haja visto que, levando em conta só o período de sua mocidade, escreveu para quase todos os veículos impressos de então: O Futuro, A Marmota, Diário do Rio, Correio Mercantil, Jornal das Famílias, Semana Ilustrada, Cruzeiro, O Globo, Almanaque Garnier e paro por aqui, pois a lista é extensa. Foi ainda diretor de publicação no Diário Oficial (a partir de abril de 1867), primeiro oficial nomeado para a reformada Secretaria de Agricultura(dezembro de 1873), tornando-se, nesta, Chefe de Seção, por decreto da Princesa Isabel, em dezembro de 1876; oficial de gabinete do Ministro da Agricultura, Buarque de Macedo, em 1880; diretor da Diretoria de Comércio em 1889 (seria dispensado desta em fins de 1897); presidente da Academia Brasileira de Letras em 1896; secretário do Ministro da Viação, S. Vieira, em 1898 e Diretor Geral da Contabilidade do Ministério da Viação em 1902.

            Como se vê, labutou, sem nunca descuidar de sua vocação literária, galgando a melhora de suas condições materiais e os degraus socioeconômicos da sociedade brasileira oitocentista – auxiliado, sem dúvidas, pelo círculo de relações e amizades que cultivou ao longo de toda a vida: dentre vários, citemos Francisco Otaviano, Casimiro de Abreu, José de Alencar, Joaquim Nabuco e Graça Aranha. Apesar disso, foi modesta sua existência, como modesto era seu temperamento. Repudiando toda publicidade que não dissesse respeito aos seus textos, era avesso à confidências (tomemos sua correspondência como prova: sucinta e objetiva, atenuado um pouco esse modo de escrita ao fim da vida, quando inicia alguma revelação, interrompe-a, ora justificando que não deseja enfadar seu interlocutor, ora suspendendo-a simplesmente) e jamais almejou, quem o diz é o amigo José Veríssimo, que suas humildes condições de origem servissem para realçar-lhe a estima com o público. Exteriormente, como acertadamente pondera Antonio Candido, sua vida não excedeu em sofrimentos aos de toda gente (aos 29 anos já tinha feito um nome como jornalista e havia recebido o Título de cavaleiro da Ordem Rosa), nem aos de seus semelhantes mestiços (que, levadas em consideração as condições dessa realidade histórica, no Império Liberal alcançaram postos representativos). Sua verdadeira luta não era exterior ou estrepitosa, como as polêmicas que lidava com altivez: ela era silenciosa, invisível, interior. Era metido consigo mesmo, com seus livros, refletindo e esculpindo sua arte, com vagarosa paciência, mas continuadamente – Um sonho… As vezes cuido conter cá dentro mais do que a minha vida e o meu século… Sonhos… Sonhos [2].  

II – Bruxo ou Defunto?

            É verdade, sua biografia eram os seus livros, a sua arte era a sua prosápia [3].   A primeira publicação de Machado de que temos notícia, foi o soneto à Dona Petronilha, lançado em 1854 no Periódico dos Pobres, interrompendo-se sua atividade intelectual apenas com a eventualidade de sua morte, em 29 de setembro de 1908. Cinquenta e quatro anos de uma carreira multifacetada que trabalhou a poesia (Crisálidas, 1864; Falenas, 1864; Americanas, 1875; Ocidentais, 1901; Outras Relíquias, 1920; Novas Relíquias, 1932), a crônica, a crítica literária, a dramaturgia (Hoje Avental, Amanhã Luva, 1860; Desencantos, 1861; O Caminho da Porta, 1863; O Protocolo, 1863; Quase Ministro, 1864; As Forcas Caudinas, 1865/1956; Os Deuses de Casaca, 1866; O bote de rapé, 1878; Tu, só Tu, Puro Amor, 1880; Não Consultes Médico, 1896; Lição de Botânica, 1906), a tradução, a arte do conto (Contos Fluminenses, 1870; Histórias da meia-noite, 1873; Papéis Avulsos, 1882; Histórias sem data, 1884; Várias histórias, 1896; Páginas Recolhidas, 1899; Relíquias da Casa Velha, 1906; Outras Relíquias, 1920; Novas Relíquias, 1932) e o romance (Ressurreição, 1872; A mão e a Luva, 1874; Helena, 1876; Iaiá Garcia, 1878; Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881; Casa Velha, 1885; Quincas Borba, 1891; Dom Casmurro, 1899; Esaú e Jacó, 1904; Memorial de Aires, 1908).  

            Não é só multifacetada sua produção, é polissêmica também. Ler Machado de Assis é como jogar uma partida de xadrez (no que, diga-se de passagem, ele era exímio: além de ser o primeiro brasileiro a publicar um problema de xadrez, no primeiro torneio de xadrez disputado em nossa terra, 1880, obteve ele o terceiro lugar): quando parece que essa seguirá um curso natural e esperado, um movimento muda todo o cenário, tornando-se imprevisível. Mestre do humor, narrador que conversa com o leitor, colocando-se entre este e a narrativa, tratou de uma miríade de temas: da graciosidade romântica à vaidade; da traição, da crueldade, da tolice, do cinismo, da insânia, do pessimismo benevolente, do ceticismo e da irônica falta de sentido de nossa existência, da doença que corrói o corpo e subjuga o espírito, dos tipos, costumes e idiossincrasias brasileiras do oitocentos, porém, e sobretudo, tratou da alma humana. Trata a dor e a ilusão com gracejos, ensinando-nos a não levar a vida muito a sério. Nele, a fantasia torna-se verossímil e a realidade é retratada com a acuidade e penetração de observador atento, meticuloso. Tudo isso com uma linguagem prosaica, insinuativa e desabusada; é vernácula e artificiosa sem ser pedante, como que falando ao pé do ouvido do leitor, provocando-o, zombando-o, dissecando-o.

            Quando sua esposa, a portuguesa Carolina, morreu em outubro de 1904, sentia, atesta-o o Soneto à Carolina (1906), que a melhor parte de sua vida acabara, que já era meio defunto – era irmã do editor da revista O Futuro, Xavier de Novaes, que se opôs ao relacionamento dos dois por ser Machado mulato. Companheira fiel, lia para ele jornais e livros quando este teve uma enfermidade nos olhos e passou-lhe para o papel uma narrativa que este ditou à ela durante sua convalescença, eram as Memórias Póstumas. A frágil saúde de Machado foi debilitando-se cada vez mais, ainda assim escreveu e viu seu último livro sair a prelo, o comovente Memorial de Aires – sabia e dizia que seria o derradeiro, estava cansado. Foi, além da epilepsia e da doença dos olhos, acometido por um câncer na língua que atacava também a garganta; sentia dores reumáticas – contudo, não gemia de dor, pois não queria incomodar quem o cercava. Era cuidado com muito zelo pelas amigas da esposa e pelos companheiros que assistiram-no até o leito de morte. Na noite em que expirou, conta Euclides da Cunha em artigo lançado no Jornal do Comércio logo no dia seguinte, que estando reunidos ele e outros amigos do autor na sua casa em Laranjeiras, um garoto desconhecido de cerca de 18 anos bateu, cauteloso, à porta. Não conhecia o mestre, mas havia lido-o, queria vê-lo, pois sabia pelos jornais que seu estado era grave. Foi conduzido ao quarto do doente, e, sem dizer uma palavra sequer, ajoelhou-se, tomou-lhe a mão, beijou-a e aconchegou-o brevemente ao peito. Saiu sem dizer palavra. Veríssimo perguntou-lhe o nome, era Astrojildo Pereira. No entanto, tem uma segunda e representativa identidade esse garoto, soube-a entrever o próprio Euclides: somos nós, a posteridade.  Machado morreu às 3:45 a.m. do dia 29 de setembro de 1908. Tornara-se autor-defunto. Morreu o homem, vive a obra. Oh, aflito leitor, uma vida e obra inteiras resumidas à essas poucas e pobres palavras… Sinto que cometi um crime! Faça-me um favor, sim? Apanhe essa folha e queime-a.  


[1] Carta de Álvares de Azevedo a Domingos Jacy Monteiro, Rio, 09 de setembro de 1850. In: Álvares de Azevedo – Obra Completa. Editora Nova Aguilar S.A., Rio de Janeiro, 2000.

[2] Tu, só Tu, Puro Amor, 1880, Machado de Assis.

[3] J. Veríssimio, História da Literatura Brasileira, p. 182 (1915).

Por que ainda nos importamos como Shakespeare?

Texto por Victor Haruo

Uma homenagem ao Grande Mestre

406 anos se passaram entre sua morte e os dias de hoje, porém, sua relevância permanece presente no século XXI. O alcance dos sonetos do dramaturgo é de uma extensão incalculável, com pessoas do mundo todo, de todas as esferas, que leram e assistiram suas peças, ou acompanharam suas adaptações para as telas do cinema e televisão.

Todos os dias contactamos sua poesia; os teatros se enchem com suas performances, os acadêmicos ainda analisam seus textos e sonetos, leitores criam páginas com as mais prolíficas notas de rodapé espalhadas pelo tempo. Obstante sua contribuição como intérprete da condição humana, ele também é patrono da língua inglesa como a conhecemos; a produção literária Shakespeariana inclui a criação de mais de 1700 palavras, utilizadas até hoje. É algo incrível como uma pessoa possa ter tamanha influência em uma língua. O que Shakespeare nos ensinou é que o sucesso advém da criatividade, jogando com a linguagem e encontrando novos meios de comunicação. Shakespeare foi “redescoberto”  no Romantismo do século XIX, inspiração para aqueles grandes romancistas e poetas do fin de siècle como Victor Hugo, Verlaine, Rimbaud, Balzac, Flaubert, Dumas, entre outros.

 Sua dramaturgia é de suma importância na história artística da humanidade, com seus ecos ressoando inclusive — ainda atualmente — também, na arte brasileira. O teatro shakespeariano atracou nas terras brasileiras em 1835, por meio de apresentações de companhias estrangeiras. Todas as peças encenadas eram de traduções portuguesas feitas do francês ou do italiano, geralmente as pátrias dos atores. Alguns escritores brasileiros traduziram o dramaturgo para o português, como Machado de Assis, Álvares de Azevedo e Olavo Bilac. O próprio Machado  revolucionou a literatura brasileira devido, também, à importantíssima contribuição dramática da influência Shakespeariana aos seus romances. Por consequência, não foi pouca a sua influência na nossa literatura tupiniquim, incluindo nesta lista praticamente todos os nomes que encabeçaram o milieu da alta produção literária brasileira no século XIX até a transição do século XX.

Desde então, não há como falar em literatura transformadora, sem incluir Shakespeare como pedra fundamental. Quem de nós não conhece a famosa indagação do príncipe Hamlet: “Ser ou não ser? Eis a questão”.

Esse é o diálogo mais declamado por todos os atores, no palco ou nas telas de cinema. Suas obras são mais atuais que as obras de qualquer outro dramaturgo, escritor ou cineasta contemporâneo,  já que seus versos penetraram profundamente na essência dos temas arquetípicos que permeiam toda a existência humana, onipresentes em quaisquer sociedades, e preenchendo todos os corações humanos, como vingança, orgulho, adultério, amor,  cobiça, magia, poder, sonhos, anjos e fantasmas. Atualmente, em um mundo de mudanças incessantes, onde todos os referenciais existenciais perderam suas bases, tais temas são, talvez, mais relevantes do que nunca.

Aqui está uma seleção de 2 títulos para despertar o interesse daqueles que buscam um ponto de partida:

1 – Hamlet: é a obra de Shakespeare que mais ganhou destaque. A tragédia é baseada num príncipe que busca vingar a morte de seu pai, com uma densa narrativa reflexiva sobre conflitos de família, amores, loucura e sanidade, filosofia, poder, moralidade e todas as circunstâncias da condição humana. O que define a legitimidade do nosso propósito? Os fins justificam os meios? Qual o ponto de tensão entre Direito e Dever? O que acontece quando nossos fantasmas ganham corpo e movimento?

Othello, 1951. Adaptação cinematográfica.

2 – Otelo: a peça estreou em 1604 e levou para os palcos um casamento inter-racial – assunto polêmico para a época!  É uma das mais comoventes tragédias shakespearianas. Por tratar de temas universais – como ciúme, traição, amor, inveja e racismo, ela pode ser ponto de partida para diversas reflexões e interpretações. Hoje em dia, a nossa sociedade é menos preconceituosa? A cor da pele e a nacionalidade de uma pessoa são motivos para exaltá-la ou diminuí-la? É possível listar formas veladas de preconceito comuns no dia a dia? No mundo atual, qual é o peso da aparência? Levamos muito a sério a opinião dos outros a nosso respeito? As postagens nas redes sociais transmitem a imagem do que realmente somos?

Todos os dramas da vida humana desfilam por seus versos como modelos da existência mais básica do que chamamos de humanidade. Munidas com um simbolismo profundo, as palavras de abertura do monólogo de Hamlet são um ótimo argumento para o debate de por que o trabalho de Shakespeare continua a ressoar em cada geração. Além disso, contribuem para a questão de por que ler os clássicos ainda é algo de suma importância. Em uma época de estímulos instantâneos, onde a arte tornou-se indissociável do mero entretenimento, todo e qualquer prazer contemplativo torna-se difícil de cultivar. Em uma época de estímulos de recompensas imediatas, colher os frutos de uma aventura dentro das florestas literatura, é algo  que demanda vontade e esforço.

Porém, tais aventuras valem cada página. Ler ou não Ler? Eis a Questão.

[Crítica] A série De Volta aos Quinze é uma viagem no tempo para os adolescentes dos anos 2000 

Se você tivesse a oportunidade de voltar aos seus 15 anos, voltaria? Reviver todas as experiências, o primeiro dia do ensino médio, reencontrar os crushes e até mesmo aquelas brigas infantis? Foi o que aconteceu com  Anita (Maisa Silva e Camila Queiroz) da série “De volta aos Quinze” (2022) que teve uma experiência maluca viajando no tempo.

A série foi inspirada no livro homônimo de 2013, da escritora e youtuber Bruna Vieira. A história se passa em duas fases: a Anita adolescente, que é interpretada por Maisa e a adulta, protagonizada por Camila Queiroz. O elenco também é composto por Mariana Rios que faz a versão adulta de Luiza, irmã de Anita, João Guilherme, como a versão adolescente de Fabrício, Klara Castanho como  a versão jovem de Carol, entre outros grandes nomes.

Maisa Silva // Foto divulgação Netflix

O sentimento de nostalgia se faz presente em todos os capítulos, tanto nos figurinos marcados pelas calças de cintura baixa, os acessórios coloridos e de miçangas, como nas músicas dos anos 2000, câmeras fotográficas e até mesmo nas comunidades do ORKUT, que automaticamente remetem a uma época de saudade que aperta o coração mostrando como realmente foi a vida dos adolescentes brasileiros nesta época.

A série lembra as comédias românticas “De repente 30” (2004) e “Quero ser grande” (1988), porém neste caso, ao invés da protagonista ser adolescente, ela é  uma adulta insatisfeita com o rumo que sua vida levou. A trama também tem um dedo de “Efeito Borboleta” (2004), perceptível quando Anita, ao  voltar no tempo, não perde a oportunidade de mudar algumas situações e nisso perceber como cada ação refletirá no seu futuro e no das pessoas à sua volta.

O enredo não tem de muito inovador comparado a outros filmes e séries que tem como base a viagem no tempo, mas é uma história gostosa, leve e divertida de acompanhar num fim de noite, do jeito que uma comédia romântica clichê deve ser apreciada. 

De Volta aos 15 é uma ótima série para o público infanto-juvenil da Netflix, quem cresceu vendo a Maisa no SBT se diverte com a sua versão da Anita, brincalhona e impulsiva como toda adolescente deve ser. As atuações de maneira geral são medianas para boas, alguns personagens acabam sendo estereotipados, principalmente na fase adolescente, como é o caso de Fabrício sendo um badboy.

Pedro Vinícius e Alice Marcone / foto divulgação Netflix

Um ponto muito bacana foi na diversidade que a série abordou. César, um dos amigos de Anita, interpretado por Pedro Vinícius, acaba sofrendo muitos preconceitos durante a adolescência, pela forma de se vestir e sua sexualidade, porém sempre foi aceito pelo seu pai. Já na sua fase adulta, César passa a se chamar Camila, interpretada nessa etapa por Alice Marcone, uma atriz trans representando uma personagem trans, o que é uma representatividade muito boa para a comunidade LGBTQIA + no cinema, principalmente no cinema nacional.

Por ser dividido em dois elencos, é bem interessante ver ao longo da série a evolução e o amadurecimento de cada personagem, logo no primeiro episódio quando Anita volta para sua cidade natal e reencontra seus colegas da escola, ainda persiste a opinião de que são pessoas falsas, e os meninos continuam sendo os classificados como os típicos “boys lixo”. Conforme as  mudanças e desenvolvimento da trama ocorrem, as personalidades vão mudando e alguns coadjuvantes começam a ganhar mais destaque na tela perdendo certos rótulos que Anita dava a eles .

A consciência da protagonista permanece a mesma da Anita adulta, elemento  que torna a série curiosa, já que a personagem acaba sendo madura o suficiente em muitas situações e em outras age como se tivesse menos que seus 15 anos, tornando o enredo leve e engraçado, ao mesmo tempo que se deixa bater uma raiva pela  imaturidade da personagem ao não perceber as coisas óbvias.

A série possui  no total 6 episódios com uma média de 35/40 minutos de duração, ou seja, é perfeita para maratonar num dia de preguiça. A segunda temporada ainda não foi confirmada, porém tanto Maisa como Camila anseiam pela sequência, assim como os telespectadores, já que o final tem pontas soltas e que dão muita curiosidade sobre o que pode vir, sendo um possível gancho para uma continuação.

Assista ao trailer abaixo:https://www.youtube.com/watch?v=WLaFr5eem2o

12 livros para 2022

Um dos eventos mais empolgantes do ano para um amante de livros é organizar a lista de leitura para o ano seguinte. Parar para analisar todos os futuros livros que serão lidos é uma tarefa e tanto, bem como aquela de marcar um check ao fim do ano depois de tantas leituras incríveis. É emocionante.

Com indicações das editorias, separamos uma lista de doze livros que podem – e devem – fazer parte da sua To Be Read List do ano. Se seu gênero favorito é romance, thriller, autobiografia, suspense ou qualquer outro, não precisa se preocupar porque tem o bastante para agradar a todos!

A Metade Perdida, Brit Bennett

Indicação da Editoria de Moda

Escrita pela autora estadunidense Brit Bennet, a narrativa se desenvolve ao redor de duas irmãs gêmeas a viver em uma pequena cidade majoritariamente negra no interior dos Estados Unidos. Traçando um paralelo entre questões raciais e familiares que marcam as irmãs de maneiras distintas, com ênfase nos opostos vivenciados quanto ao preconceito tão intrínseco à sociedade.

Descrito como intenso e envolvente do início ao final, o Best-Seller apresenta uma perspectiva indispensável para a compreensão dos efeitos do preconceito racial. A obra teve seus direitos comprados pela HBO para a produção de uma série acerca da vida das irmãs VIgnes.

Pequena Coreografia do Adeus, Aline Bei

Indicação da Editoria de Música

Imagem: Companhia das Letras

O segundo livro da brasileira Aline Bei insere o leitor em uma dinâmica familiar altamente ostensiva. A jovem Julia Terra, protagonista da narrativa, é submetida a uma série de violências físicas e psicológicas no ambiente doméstico quando ainda era menina. A forma de expressar a dor e o desconforto, seguiu vivendo em busca de encontrar coisas que dessem sentido à vida que sua mente, ainda imatura conforme a idade precoce, não conseguia entender. Ao crescer, Júlia busca espaço para ir atrás de algum conforto com as novas perspectivas que recebe, apesar de carregar marcas latentes e frescas de um passado doloroso.

Vencedora do prêmio São Paulo de Literatura, a obra tem o poder de ser sufocante e libertadora ao mesmo tempo. Um alento aos filhos de lares partidos.

O Estrangeiro, Albert Camus

Indicação da Editoria de Cultura

Imagem: Grupo Editorial Record

Na obra do autor francês, é apresentada a história de um homem simplório que comete um crime sem se dar conta. O protagonista, Meursault, é completamente apático e não esboça interesse algum por coisa alguma. É diante da ação criminosa que inicia uma jornada à tomada de consciência sobre si, o mundo e, primordialmente, sua liberdade.

Descrito como irremediavelmente reflexivo, a leitura sugere a possibilidade de encarar a vida de maneira diferente.

É importante estar atento à saúde mental antes de embarcar nessa leitura, pois a densidade do conteúdo talvez não seja ideal para aqueles que precisam de uma literatura um pouco mais receptiva e suave.

E Não Sobrou Nenhum, Agatha Christie

Indicação da Editora Chefe

Imagem: Globo Livros

A rainha do crime, Agatha Christie, não falha em fazer leitores fiéis. Essa indicação é de um dos títulos mais relevantes da autora consagrada na literatura de suspense.

Dez pessoas são misteriosamente convidadas a uma ilha. Logo, o terror toma conta quando um deles é assassinado. Milhares de perguntas começam a surgir a deixá-los cada vez mais intrigados e… suspeitos. Cativante e detentora de uma reviravolta surpreendente, a obra de Agatha Christie reforça o talento inigualável que a rendeu a alcunha de rainha do crime.

Aprendizados, Gisele Bündchen

Indicação da Editoria de Moda

Imagem: Grupo Editorial Record

Parte da cultura brasileira, Gisele Bündchen pôde compartilhar um pouco de sua vida com o público através de sua autobiografia. Infância, carreira, casamento, maternidade. A maneira singular de encarar as coisas é uma lição importante. Não há meio de sair dessa leitura o mesmo que foi antes. Leitura leve, simples e transformadora

Frankenstein, Mary Shelley

Indicação da Editoria de Moda

Imagem: Penguin Companhia/Companhia das Letras

Um clássico da literatura mundial, o romance gótico conta a história do Dr. Viktor Frankenstein e o seu monstro, criatura peculiar desenvolvida pelo cientista: Frankenstein. Ao tecer uma narrativa atemporal, a grandiosa Mary Shelley apresenta uma metáfora sobre os sentimentos humanos, principalmente a solidão.

A Vida Não É Útil, Ailton Krenak

Indicação da Editoria de Cultura

Imagem: Companhia das Letras

Ailton Krenak, ambientalista e escritor indígena ganhou notoriedade em suas observações indispensáveis para tempos como o atual. Em A Vida Não É Útil, elabora uma reflexão acerca da relação do ser humano e natureza, bem como aprofunda questões do coletivo: funcionamento do sistema capitalista e sentimentos sobre a pandemia. 

Descrito como transformador e inteligente, Krenak é responsável por apresentar um debate elementar de maneira sucinta e esclarecedora.

Duna, Frank Herbert

Indicação da Editoria de Cultura

Imagem: Editora Aleph

Para quem gosta de uma saga de ficção científica envolvente e construída com riqueza, Duna é perfeito! O clássico de Frank Herbert contém seis livros ao todo e narra a trajetória de Paul Atreides. O protagonista possui uma missão em Arrakis,  planeta das dunas onde a água é escassa e o povo anseia por um novo messias.

Recentemente, a obra foi adaptada para o cinema estrelando ninguém menos que Timothée Chalamet e indicada a dez categorias no Oscar 2022. Um sucesso de bilheteria e de venda de exemplares, independente do formato na qual esteja sendo contada, a criação de Herbert é um sucesso

O Alquimista, de Paulo Coelho

Indicação da Editoria de Música

Imagem: Paralela/Companhia das Letras

Paulo Coelho é um dos componentes da Academia Brasileira de Letras e autor de um fenômeno literário mundial com O Alquimista. Na história, há o protagonismo de Santiago, um pastor que abandona suas obrigações para viajar para o Egito em busca de tesouros. No caminho, se depara com várias pessoas que trazem consigo diversas mensagens importantes. Uma cigana, um homem que se diz rei e um alquimista são responsáveis por alterar a narrativa principal de Santiago e oferecer novas perspectivas.

Foi descrito como detentor de uma bela filosofia ao abordar as sincronicidades e o destino com delicadeza.

Verity, Colleen Hoover

Indicação da Editoria de Música

Imagem: Grupo Editorial Record

Colleen Hoover é uma das autoras de maior sucesso editorial atualmente. Em busca de destoar de seu gênero de conforto, embarcou na criação de um thriller de arrepiar sobre uma escritora de sucesso, Verity, que sofre um acidente e fica incapacitada de escrever. Sua equipe acaba por contratar uma jornalista e escritora, Lowen, para terminar sua série de livros cujo êxito tem alcance astronômico.

Em uma temporada na casa da família de Verity para investigar as anotações da autora para a continuação do projeto, Lowen encontra um manuscrito de uma autobiografia contraditória e reveladora, que a coloca em uma situação de indecisão e… medo.

Escrever livros que prendem o leitor do início ao final é o super-poder de Hoover, e com Verity não poderia ser diferente.

Visão noturna, Tobias Carvalho

Indicação da Editoria de Moda

Imagem: Editora Todavia

Tobias Carvalho, uma das principais novas vozes da literatura brasileira, explora os limites e as composições subjetivas acerca dos sonhos em 4 contos que circulam pelos mais diferentes gêneros e prendem o leitor do início ao fim. Envolvente, ritmada e de escrita extraordinária. Sua maneira de resgatar temáticas insistentes como o sono ao lhes dar uma nova vestimenta muito mais interessante é o que caracteriza sua genialidade como autor.

Quarto de Despejo, Maria Carolina de Jesus

Indicação da Editoria de Música

Imagem: Editora Ática

Clássico e atemporal é o que melhor pode apresentar a obra de Maria Carolina de Jesus ao mundo. Quarto de Despejo é o diário de uma catadora de papel, cujos relatos aprofundam sua realidade enquanto moradora da comunidade do Canindé, na cidade de São Paulo, com os filhos. Comovente, realista e indispensável. As palavras de Maria Carolina penetram todas as novas visões que surgirão após a leitura dessa obra quanto ao mundo e tudo aquilo que não é visto, mas existe fora da bolha da cada um.

Com essas indicações extraordinárias, o ano de 2022 irá ser preenchido por perspectivas alteradas, arrepios dos pés à cabeça, muitas noites em claro lendo e, é claro, exemplares novinhos na estante para fazer parte da sua história como leitor e como pessoa.

A influência do booktok e do bookstagram para o estímulo à leitura

Segundo a pesquisa feita em conjunto pela Nielsen BookScan e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), o mercado literário teve um salto de 38,2% entre os meses de janeiro e agosto deste ano e o mesmo período de 2020. Sendo o Brasil um país com pouco incentivo a literatura, isto marca um grande avanço neste setor.

A carência de programas públicos de incentivo a esse hábito resultou em 79% dos projetos sediados nas redes sociais, aponta o mapeamento feito pelo Itaú Cultural e a PUC-Rio. Ainda, de acordo com os registros, mais da metade desses projetos são de recursos próprios.

Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais comum se deparar com um vídeo no Instagram ou no TikTok acerca de algum livro. De indicações a memes, os perfis literários têm tido, cada vez mais, um papel crucial nessa fomentação à leitura. Apesar desses perfis não serem novidade, as ferramentas de Reels e a For You trouxeram uma nova forma dos leitores se comunicarem e trocarem experiências entre si.

NA VISÃO DO CRIADOR DE CONTEÚDO

“Eu decidi montar um perfil literário porque eu queria conversar com mais pessoas sobre livros. Eu tenho uma irmã que lê também, mas ela tem 13 anos e eu tenho 22. Então eu queria conversar sobre dark romance, romance hot com quem também gostasse de ler e no TikTok eu encontrei isso. Na verdade, eu comecei sem imaginar seguidores e crescer, eu comecei a publicar ali como forma de diversão e daí cada vez mais as pessoas foram aparecendo”, contou Bruna Oliveira, produtora de conteúdo.

Bruna é do interior do Paraná e conta com mais de 40 mil seguidores no seu TikTok. Nele, a influenciadora fala principalmente de ebooks, mas também aborda livros físicos, além de, claro, vários memes super divertidos.

Ao ser perguntada sobre o seu poder de influência, Bruna diz que fica muito feliz em poder influenciar as pessoas nesse quesito e que acha isso maravilhoso.

“Quando me mandam mensagem falando que a lista de leitura delas só tem livros que eu indico, ou quando vão ler um livro entram no meu perfil pra ver se eu  já li e gostei, ou que voltaram a ler por causa de mim. Foi aos pouquinhos que eu fui tendo noção disso e hoje em dia tenho que estar tomando um pouquinho de cuidado quando eu vou falar de um livro. Quando eu estou lendo eu reflito bastante sobre qual nota dar, quais gatilhos tem pra poder avisar as pessoas porque eu sei que eu tenho essa influência e é maravilhoso influenciar as pessoas a ler, sabe? O Brasil é um país que lê tão pouco, então eu fico muito feliz de poder mudar isso.”

Na pesquisa sobre os hábitos culturais dos brasileiros, desenvolvida pelo Itaú Cultural e Datafolha, 40% dos entrevistados declararam ter lido livros digitais durante os anos de 2020 e 2021. Sobre isso, a influenciadora declarou:

“Eu sou uma grandíssima defensora do Kindle (risos). Eu leio muitos romances nacionais, então a maioria das autoras independentes publicam na amazon. Durante a pandemia cresceu muito a quantidade de leitores e o ebook facilita esse acesso porque ele é mais barato e quem não tem o dispositivo do Kindle pode usar o aplicativo de celular. Ele possibilita você ler mais por que sempre tem promoção de 1,99, então ele também abre caminho para essas pessoas lerem mais. A maioria das minhas seguidoras leem muito mais ebooks do que livros físicos. Tem seguidoras minhas que nem leem livros físicos.”

Entretanto, com o sucesso desses livros digitais, muitos acabam pirateando livros de autores nacionais independentes. Além de ser caracterizado como crime de direitos autorais, a prática prejudica muito tais autores.

“É muito difícil, sabe? É um assunto que me deixa muito irritada quando eu vou falar sobre porque eu conheço autoras independentes e tem algumas que passam 1 ano escrevendo um livro. Diagramação, capa, revisão, não é algo barato. Tem escritoras que gastam de mil a dois mil reais ou até mais para publicar um livro porque querem fazer algo muito bom. Recentemente teve uma que publicou às 20h, às 22h o livro já estava sendo pirateado em grupos. Tem grupos de leituras que a quantidade de leitores é maior do que na Amazon. As autoras ganham menos de 1 centavo por página lida, se o livro custa 2 reais elas ganham menos do que isso porque fica uma porcentagem na Amazon e o que é mais revoltante é que tem administradoras desses grupos que vendem os pdfs desses livros por 5/10 reais”, disse Bruna a respeito dessa situação.

Finalizando, ela ainda deixou uma crítica ao estigma associado a livros clássicos, o mercado literário e ao sistema educacional brasieiro.

“Ainda há um estigma das pessoas, por exemplo quem lê romance, fantasia, não é leitor. E isso é porque aqui acham que a gente tem que crescer lendo os clássicos, com 11 anos ler Machado de Assis e é impossível uma criança de 11 anos gostar Machado de Assis. Eu fui me interessar por ler quando eu já era mais velha. E também tem as questões dos valores, o mercado literário brasilierio é caro, mas depois que veio as redes, deu pra ver que tem outras formas de você conseguir ler, mostrar que tem livros muito mais legais que os clássicos. Na verdade é uma discussão enorme porque o sistema educacional brasileiro é muito difícil, é uma bola de neve que vai ficando cada vez maior  e chega num ponto que para conseguir reverter isso é uma mudança em vários âmbitos.”

NA VISÃO DO LEITOR

Jamile Oliveira, estudante de fisioterapia, tem 20 anos e é uma leitora e seguidora assídua de perfis literários, ela afirma não saber mensurar a importância deles para ela e que todos os livros que ela leu foram por indicação.

“Eu não consigo mensurar a importância que esses perfis têm pra mim, nesse ano, em meio a pandemia, o que me salvou de enlouquecer foi ler, era um costume que eu sempre tive mas com a correria da vida acabei diminuindo um pouco, aí veio o covid e o isolamento e me fez recuperar o costume de ler mais e o booktook e o bookstagram foram preciosos nesse momento, absolutamente todos os livros que eu li foram por alguma indicação de lá.

Ela ainda diz que a dinâmica que os livros são apresentados é o que a faz ir atrás deles.  “Inclusive houve uma trend no tiktok a era chamada fofoca literária que consistia no tiktoker contar uma história como se tivesse se passado com ele e no final revelar o nome do livro”, conta Jamile

NA VISÃO DO LOJISTA

Para Haynna, CEO da Bello Sebo, essas indicações e a procura dos leitores por ela cooperam para a venda de certos títulos.

“São considerados os livros hypados porque muita gente começa a comprar. Eu inclusive acompanho muito essa demanda na amazon, as vezes um livro fica em primeiro lugar na amazon essa semana porque um perfil literário indicou, então a influência que tem nesse meio é muito boa. Inclusive a gente já fez parceria com vários bookstagram, agora vamos começar também com booktok, isso influencia e muito desde os mais contemporâneos aos clássicos no mercado literário.”

Encontrar esses livros com mais hype em sebos comuns é mais difícil e isso acontece devido a faixa etária das pessoas que frequentam até a baixa procura por esses livros, sobre isso Haynna comentou.

“Aqui no Bello Sebo a gente preza muito os desapegos, as pessoas estão acostumadas a trocar/vender e como aqui na região não tem muitos sebos que não compram, só trocam, o pessoal gosta de vim aqui. Trabalhamos de uma forma honesta, pagamos aquilo que é justo e com isso a gente acaba recebendo uns títulos bem legais, também temos contato com muitos IGs literário e muitos recebem de editoras para resenha, então pra não acumular eles desapegam, por esse motivo temos muitos livro hypado.”

Ademais a CEO também informou a forma como o seu Sebo atua, diferente dos outros, a Bello Sebo conta também com uma loja online além da física em São Paulo. Com isso, Haynna buscou inovar nesse mercado.

“A gente procurou ser o diferencial, tanto no atendimento, como nas formas de envio porque hoje em dia os sebos que existem são de pessoas mais velhas que estão na administração e dai eu vim pra inovar, tanto que depois que a gente passou a alimentar mais as redes sociais, criar o site, muitos sebos se inspiraram na gente”, disse ela.

Haynna também diz que a forma como trabalham com compra, venda e troca é mais um diferencial do seu negócio.

“A gente trabalha com compra, venda e troca. A compra seria diretamente na loja física porque a gente ainda não tem possibilidade de comprar de outras regiões por conta do frete porque aí o preço do produto para revenda não vai compensar, fazemos uma avaliação dos preços que estão atualmente dos novos e seminovos e o valor você pode utilizar na loja para troca ou então a gente faz um pix do valor. Além da opção de trazer seus livros para trocar, aqui temos uma prateleira na loja física onde pega um livro e deixa outro no lugar e isso é pra incentivar a leitura do pessoal da região.”

Ao ser perguntada a respeito da importância dos sebos atualmente, vigente ao fechamento de várias livrarias no país, Haynna afirmou ser uma situação muito triste e que acredita que toda forma de incentivo a leitura é importante.


“Muita gente ainda tem um conceito de sebo de livro velho, mofado, sujo. Todos os nossos livros são higienizados principalmente agora com a Covid. Isso é muito triste porque eu mesma acabei fazendo amizade com muitos donos de sebo, inclusive um que ajudou muito a gente no começo, ele fechou e eu fiquei muito triste com aquilo porque os livros já não são valorizados no brasil, autor nacional não ganha nada e se a gente não valoriza essa literatura, não vai ser um estrangeiro que vai valorizar. Então isso me deixa muito triste quando uma livraria, um sebo fecham porque estão indo muitas histórias com ele. É o que eu sempre falo, livro não tem só uma história, o livro de sebo ele tem mais de uma, a de quem era o antigo dono e a dele mesmo. Então eu fico muito chateada quando vejo um perfil literário entrando em contato para oferecer um lote de livros porque não vai mais funcionar, eu acho que é muito importante qualquer forma de incentivo a literatura no Brasil principalmente”, finalizou.