Ludmilla: Do funk ao pagode revolucionando o mainstream

É impossível não saber quem é Ludmilla Oliveira da Silva hoje no Brasil. Se ainda não acabou em um bar berrando as letras de Numanice, com certeza já esbarrou em uma de suas músicas em trends do TikTok, nas festas de família, nos stories de alguém ou na televisão. Seja no funk, pagode, pop, afrobeat, sertanejo ou reggaeton, Ludmilla deixa sua marca, indo além de uma fábrica de hits, revolucionando a indústria e alcançando lugares históricos.

Sua carreira iniciou-se com vídeos no Youtube cantando, mas sem números impressionantes de visualizações. Até que, em uma festa, o DJ pediu para que alguém da plateia fizesse algumas rimas e a garota de 17 anos subiu e se soltou no palco, sendo muito bem aceita pelo público do local. Foi com essa apresentação que começou a ser chamada para cantar em mais festas e foi apresentada pelo seu tio para seu empresário MC Roba Cena. Em 2012, gravou e lançou a canção Fala Mal de Mim, que levou a então MC Beyonce para outro patamar, somando 15 milhões de visualizações em menos de seis meses e uma agenda lotada de shows e participações na televisão.

Em 2014, fechou contrato com a Warner e adotou seu nome de batismo Ludmilla, devido problemas com Roba Cena, que era detentor do nome “MC Beyonce” e vetou o uso pela cantora em outra gravadora, o atrito gerou um estresse, mas foi resolvido internamente antes de virar um problema judicial. No mesmo ano, seu álbum de estreia Hoje, com participações de Belo e Buchecha, foi lançado e logo de cara cativou os brasileiros, alguns hits atemporais como  Hoje, Sem Querer  e Te Ensinei Certin estão presentes no álbum. E não para por aí, a faixa24 Horas Por Dia chegou a posição #46 na parada musical Billboard Brasil Hot 100 Airplay.

Seu segundo álbum pop de estúdio A Danada Sou Eu, de 2016 e com participações de Filipe Ret, Jeremih e Gusttavo Lima, lhe rendeu uma indicação ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa, mas Tiago Iorc acabou levando o prêmio. Nesse meio tempo, lançou feats com diversos artistas, incluindo Thiaguinho, MC Kekel, Zé Felipe, Papatinho e Felipe Araújo, encerrando a era com o lançamento de Din din din, em junho de 2018.

O ano de 2019 foi certamente uma virada de chave para Ludmilla, dando maior abertura para parcerias internacionais, a cantora começou a expandir seu mercado e se aventurar nos gêneros.  Começou lançando seu primeiro DVD Hello Mundo, gravado na Jeunesse Arena, no Rio de Janeiro. O projeto teve como primeiro single Favela Chegou, com participação de ninguém menos que Anitta, que colaborou novamente na faixa Onda Diferente, com Papatinho e Snoop Dogg. Além de Anitta, o álbum carrega diversas parcerias de peso, como Jão, Simone & Simaria, Ferrugem e Léo Santana.

Em dezembro do mesmo ano, Lud prometeu que se ganhasse o Prêmio Multishow de Música Brasileira, iria lançar um EP de pagode. Cumprindo o combinado, após vencer nas categorias Cantora do Ano e Hit Chiclete, lançou o EP Numanice em 2020, contendo cinco composições autorais inéditas. Todas as músicas estrearam no Top 200 Brasil do Spotify e abriram as portas Ludmilla – e outras dezenas de artistas femininas – no pagode.

O grande sucesso gerou a gravação do EP em 2021 no Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Intitulado Numanice (Ao Vivo), o álbum chegou abalando, contendo ainda mais músicas e participações especiais de Thiaguinho, Orochi, Bruno Cardoso e os grupos Vou Pro Sereno e Di Propósito. 

E então Ludmilla passou a fazer o que quisesse com a própria carreira. Com o senso apurado e maior confiança da gravadora, lançou o projeto Lud Sessions, que consiste em medleys com grandes artistas, por enquanto, já participaram o rapper Xamã, Gloria Groove e Luisa Sonza, os vídeos somam mais de 250 milhões de visualizações. 

A parceriacom Gloria Groove se tornou uma grande febre, detendo mais de 175 milhões de visualizações no Youtube, considerando a gravação original e ao vivo. O medley foi adicionado aos shows de ambas e se mantém até os dias atuais dado seu grande sucesso e o enorme número de pedidos dos fãs, que cantam todas as palavras do remix, que possui mais de 9 minutos.

Chegando ao seu quarto álbum de estúdio e segundo de pagode, lançado em janeiro de 2022, o Numanice #2 ultrapassou o sucesso do anterior. Todas as dez canções entraram no Top 200 do Spotify, sendo seis delas dentro do Top 100, acumulando 1,6 milhões de streams em seu primeiro dia na plataforma. Sua versão ao vivo, gravada no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, contou com algumas participações inéditas e muito especiais, como na faixa Sinais de Fogo, que conta com Péricles, Insônia com Marília Mendonça e Cigana com Delacruz.

Em março de 2022, Ludmilla invadiu o Top 15 do Spotify, contendo três faixas na parada. A canção Maldivas, dedicada a sua esposa Brunna Gonçalves, o smash hit Socadona e a parceria com Luisa Sonza, CAFÉ DA MANHÃ 😛.

Ainda em 2022, a cantora lançou um EP de funk intitulado Back to Be. Com algumas parcerias internacionais, o EP serviu para sanar a saudade do funk de seu público e expandir a visão do funk, além de trazer a estética do início da sua carreira. A capa mostra a Ludmilla atual ao lado de uma caracterizada como MC Beyonce, as músicas são bem características do funk carioca, com uma batida mais rápida e efeitos sonoros.

[Foto: Instagram]

A artista recentemente foi anunciada como atração no Palco Mundo do Rock in Rio de 2024 e do Palco Skyline do The Town em 2023, o movimento ocorreu após Ludmilla esvaziar a plateia Palco Mundo em direção ao Palco Sunset na edição do Rock in Rio de 2022, entregando um espetáculo arrepiante cheio de coreografias, participações especiais e protestos, digno de ser além de headliner do Sunset.

Onde quer que esteja, é melhor nem tentar evitar a presença constante de Ludmilla. Autêntica e versátil, não é difícil se consagrar em qualquer que seja o gênero, se mostrando capaz de alterar realidades e incentivar centenas de cantoras femininas que ainda se sentem muito impedidas dentro de alguns nichos musicais. 

O “Fenômeno Ludmilla” não existe, sua carreira e conquistas são fruto de anos de trabalho, a inteligência de mercado é marcante, considerando que todas suas eras são emblemáticas, a diferença de antes para agora é sua coragem de estourar a bolha e se enxergar em novos horizontes.

[Foto: Chico Cerchiaro]

Ludmilla foi a primeira cantora negra da América Latina a acumular um bilhão de streams no Spotify, hoje são mais de 5.5 bilhões de plays em todas as plataformas de áudio. Sendo no Spotify mais de 2 bilhões e no Youtube 3.3 bilhões de views. Ludmilla é REVOLUCIONÁRIA, em caixa alta.