Island Records sob nova direção

A Island Records é uma das principais gravadoras do ramo, sendo reconhecida mundialmente por seus trabalhos, originada na Jamaica em 1959 por Chris Blackwell e Graeme Goodall. Hoje em dia, pertence a Universal Music Group e opera como uma divisão denominada The Island Def Jam Music Group desde 1999, quando foi comprada pela Polygram e, logo em seguida, foi fundida com a Def Jam Recordings, também chamada de Universal Music na Austrália, Reino Unido e alguns países europeus.

A gravadora já chegou a ser considerada a maior no cenário da música indie na década de 80, quebrando recordes de vendas e rendendo a primeira certificação de ouro com o álbum Exodus, de Bob Marley & The Wailers. Após a morte repentina de Bob Marley, a gravadora ficou em maus lençóis até encontrar um novo foco, que seria o rock progressivo, se destacando por seus diversos trabalhos, principalmente com o fenômeno da época, a banda U2. Chegando ao presente, carrega grandes nomes, como Justin Bieber, Demi Lovato, Bon Jovi, Mariah Carey, Big Sean, Elton John, Shawn Mendes, Madison Beer e Sabrina Carpenter.

[Imagem: Reprodução/Universal Music Group]

O ano de 2022 chegou com muitas inovações para Island Records, a começar pela diretoria. No início de 2021, a gravadora publicou uma nota anunciando a renúncia de Darcus Beese, o então presidente desde 2018 e envolvido com a gravadora desde 2008, por motivos pessoais. No texto, é explicado que o diretor teria que retornar ao seu país de origem, Reino Unido, para correr atrás de novas oportunidades, que a gravadora apoiou completamente sua decisão, e são gratos por suas contribuições durante todo esse período. Beese foi uma grande parte nas carreiras de Florence + The Machine, Amy Winehouse e muitos outros.

[Imagem: Reprodução/Music Week]

A gravadora ficou sem diretoria durante mais da metade do ano passado, atrasando diversos trabalhos e implantando o caos completo nos contratos e na internet. Mesmo sem a mesa diretora, tivemos diversos lançamentos em 2021, como os álbuns Justice, Life Support e Dancing with the Devil: The Art of Starting Over. de Justin Bieber, Madison Beer e Demi Lovato, as músicas Summer of Love e It’ll be Okay de Shawn Mendes, Skin e Skinny Dipping de Sabrina Carpenter  e Story of Love de Bon Jovi.

A problemática envolvida nos casos de lançamentos sem um CEO no comando é a falta de investimento, estratégia e marketing por parte da gravadora para estes artistas. A música demora ou nem chega a ir para rádios e playlists de destaque nas plataformas de streaming, possui baixo orçamento e atraso para gravação e lançamento de videoclipes e não é submetida as grandes premiações, como o Grammys.

Essa falta total de impulsionamento do lançamento por parte da gravadora é extremamente prejudicial, as consequências da falta de gestão resultaram em muitos números menores que o esperado, e uma legião de fãs bem nervosos.

Aos corajosos que botaram a cara a tapa e lançaram seus trabalhos mesmo em meio aos obstáculos, os resultados, em números, não foram tão positivos. Um exemplo é o desempenho de It´ll be Okay, de Shawn Mendes, acostumado ao topo, a música debutou em #78 na Billboard e custou para subir, mas com muita instabilidade.

A música foi lançada logo após o término de seu longo relacionamento com a cantora Camila Cabello, a letra demonstra todos seus sentimentos e pensamentos mais íntimos, sendo recebida com muito carinho em todas as redes sociais. Esse período foi visto pelos fãs do Twitter como uma oportunidade para lançamentos mais intimistas e simples, conectando o artista ao espectador com maior profundidade e proximidade.

Com altos e baixos, 2021 foi o ano em que fãs e empresários suaram para destacar seus artistas em um cenário de pandemia e com a falta de ação da gravadora. Esse esforço surtiu frutos em alguns casos, como a ótima colocação nos charts da música Peaches, de Justin Bieber, que ficou em primeiro lugar no Billboard Hot 100 logo na semana de lançamento, e a gigantesca produção cinematográfica ao redor do clipe Dancing with the Devil, de Demi Lovato.

[Imagem: Reprodução/Universal Music Group]

Os novos CEO´s da Island Records são Imran Majid e Justin Eshark, empossados desde o primeiro dia de 2022. A parceria entre os dois se iniciou em 2004, quando ambos trabalhavam na própria Universal Music Group, e depois se reencontraram na Columbia Records em 2013. Na época, Justin estava envolvido no desenvolvimento do álbum debut de Hozier, que vendeu mais de 2 milhões de cópias, enquanto Imran estava empenhado em Rachel Platten e os rappers Lil Tjay e Russ.

Durante o anúncio, grandes promessas foram feitas pela nova mesa diretora, entre elas, o aumento de artistas do hip hop e rap em seus corredores, permanecer honrando o DNA da gravadora, que sempre descobriu artistas icônicos, incentivou suas essências e possui uma ótima reputação. Eles comentam sobre esta parceria está fadada ao sucesso, por serem companheiros há muito tempo e confiarem muito um no outro, sobre isso, Imran diz: “Justin e eu não desenvolvemos apenas um laço de confiança entre nós, cultivamos essa confiança diante das nossas relações com nossos artistas, empresários e produtores. Nós simplesmente amamos música e descobrir artistas com novos sons ou perspectivas. É um período incrível para retornar a UMG (Universal Music Group) e não podemos esperar para começar logo”.

Mostrando trabalho desde o início da gestão, os presidentes já posaram ao lado de Demi Lovato em uma de suas publicações, anunciando sua nova era voltada para o rock, aumentando as expectativas dos fãs de Demi e dos demais artistas desde já. Novos ares fazem bem, não é mesmo? É um novo começo para os negócios da Island Records, e esse ano promete ser um dos mais promissores para a gravadora!

[Crítica] ‘QVVJFA?’: Baco Exu do Blues versa sobre o amor do homem negro

Baco Exu do Blues lançou na última semana Quantas Vezes Você Já Foi Amado?, seu terceiro álbum de estúdio depois dos grandes sucessos Esú (2017) e Bluesman (2018).

O disco conta com 12 faixas que falam sobre a fragilidade do homem negro se permitir amar e ser amado. Baco expõe dores, memórias e amores na luta contra o racismo estruturado na sociedade brasileira e contra as heranças culturais de um mundo machista.

Produzido por Marcelo de Lamare, a obra apresenta beats criados por Dactes, JLZ e Nansy Silvvz em torno dos gêneros R&B, soul e blues, que são muito utilizados na música negra norte-americana. Além disso, é possível perceber uma sonoridade bem próxima a de grandes artistas como o The Weeknd, mas com um belo toque de música brasileira, usando samples de Gal Costa e Vinícius de Moraes. Também possui uma influência das raízes africanas, principalmente religiosas, que o cantor carrega até em seu nome artístico.

Sinto Tanta Raiva… dá o start no álbum com trechos instrumentais evocativos do jazz e fala sobre as nuances de como receber e dar afeto sendo um homem preto, especialmente nessa faixa introdutória, em que afirma: ‘Eu sinto tanta raiva que amar parece errado’. A solidão do homem negro, muitas vezes é menos discutida – inclusive foi tema do filme ganhador do Oscar, Moonlight (2016) – e que enfrenta o adicional da cultura da masculinidade tóxica, que ensina os homens a não expressarem seus sentimentos.

Em Dois Amores, Baco explora um espaço mais religioso com a Umbanda, onde utiliza um ponto de Pomba-Gira para complementar sua canção, e faz uma interpolação – uso de uma melodia já existente com uma nova letra – de Streets da Doja Cat. Para quem acompanha o rapper por conta do hit Te Amo Desgraça (2017), o álbum QVVJFA fornece uma munição romântica e até mesmo sexual bem similar nas faixas Cigana 20 ligações. Além disso, em Mulheres Grandes, o artista traz uma visão mais sacana de si cantando que ‘mulheres grandes demais, com desejos gigantes, não servem para ser amantes’.

Samba in Paris, feat com a Gloria Groove, é a música mais ouvida do álbum até agora no YouTube, com mais de 530 mil visualizações, e esse destaque se deve a essa belíssima R&B envolvente com uma rima impecável da Gloria, fazendo com que seja o ápice do amor. E a sétima canção, Sei Partir, possui outra parceria, mas com Muse Maya, e mais uma interpolação, mas dessa vez do próprio Baco, com a música Kanye West da Bahia, uma parceria com Bibi Caetano e Deekapz.

Em Autoestima, Baco foge da dor enquanto procura o amor próprio que afirma ter sido roubado, e que demorou 25 anos para se achar bonito. Essa canção reflete o estereótipo de que o homem negro só é bonito quando possui um corpo definido, e isso possui uma relação direta com a mudança de visual recente do cantor.

A música de Baco Exu do Blues levanta questões relevantes que vêm sendo mais discutidas nos últimos anos. Os corpos negros sempre foram animalizados e objetificados, justamente porque a sociedade tardou a agregar valor a eles. As mulheres, por muitas vezes, eram vistas apenas como bons corpos para a reprodução e que não têm necessidade de afeto. Já os homens, eram aqueles bem-dotados. Ambos, hipersexualizados.

Dessa forma, apesar das mudanças em que a sociedade passou ultimamente com estudos e movimentos antirracistas, ainda prevalece um pensamento associado à valorização da comunidade negra que está atrelado às características físicas. Muitas pessoas ainda acreditam que para serem aceitos e considerados bonitos e desejáveis, é necessário ter um corpo dentro dos padrões estéticos e o mais próximo da branquitude, como pele mais clara, traços mais ‘delicados’ e cabelos com uma textura mais lisa.

A gordofobia dentro da comunidade negra se mostra como um problema ainda mais grave do que entre indivíduos brancos, já que os negros devem lidar também com o racismo. Com o lançamento do disco QVVJFA? e a repercussão das fotos de Baco, que mostra o cantor mais magro e musculoso, muitas pessoas começaram a ressaltar a beleza dele, o que já rendeu diversas críticas por parte de alguns internautas.

Lágrimas verte o medo de amar entre os ecos da voz de Gal Costa, sampleada de Lágrimas Negras (Jorge Mautner e Nelson Jacobina, 1974), e uma interpolação de outro clássico brasileiro, Malandragem da eterna Cássia Eller. O clímax do disco é na décima música, Inimigos, com um rap mais sombrio e agressivo, que relembra as obras anteriores do artista. Em seguida, o tema da falta de amor reverbera em Imortais e Fatais 2 – sequência da música original apresentada no álbum Esú – entre sample de versos do afro-samba Tempo De Amor na voz de Vinicius de Moraes (feat Baden Powell, 1966).

No arremate do álbum, o rap 4 da Manhã em Salvador jorra em rimas ágeis o ódio entranhado na jornada de Baco Exu do Blues em busca do amor, incluindo o amor-próprio. O disco ainda traz trechos de Batatinha e Originais do Samba, áudios de personalidades da música da Bahia como Ravi Lobo do Rap Nova Era, JF e Polêmico da Banda O Metrô e o ator Leandro Ramos.

Essa obra já conquistou feitos importantes para o cantor, onde superou a marca de 2 milhões de plays em menos de 24h no Spotify, e todas as 12 faixas na lista das 100 mais ouvidas na plataforma. Também foi reconhecido internacionalmente, onde conseguiu ser o quinto álbum mais ouvido nos lançamentos globais do Spotify e também ganhou destaque na mídia, como no HYPEBEAST:

Por fim, o artista usa de combustível a raiva, o romance e o sexo para a construção desse disco que conta a sua história e de todos os negros, com uma pauta de falta do afeto ou do amor, de si e do outro. Em entrevista ao JC, Diogo Moncorvo – nome de batismo – declara: ‘Quem representou o amor por muito tempo, quem fez ele ser válido ao longo da história, foram as pessoas brancas. Parece que esse amor que criaram não foi feito para negros, e isso é um pouco assustador’.

Baco Exu do Blues desenvolveu uma arte tão profunda, ao ponto de qualquer ouvinte se emocionar e se questionar: Quantas Vezes Você Já Foi Amado?

Avanço da variante Ômicron altera o calendário de premiações

Nos Estados Unidos, uma nova onda de casos da Covid-19 parece ameaçar a estabilidade das premiações e tapetes vermelhos que estavam previstos para acontecer no início deste ano. Em uma tentativa de frear a contaminação, alguns dos eventos marcados precisaram ser adiados ou até cancelados. 

Uma das maiores premiações musicais do mundo, o Grammy Awards, foi um desses eventos. A cerimônia que estava prevista para o dia 31 de janeiro foi adiada para 3 de abril em um novo local em Las Vegas. “O 64º #GRAMMYs foi remarcado e agora será transmitido ao vivo a partir do @MGMGrand Garden Arena em Las Vegas no domingo, 3 de abril no canal @CBS! ✨🎶”.

Originalmente tweetado pela Recording Academy/GRAMMYs (@RecordingAcad) em janeiro 18, 2022.

Essa mudança no calendário das premiações é um reflexo do avanço da nova variante ômicron que vem batendo recorde de novos casos e aumentando o número de óbitos ao redor do mundo. A nova mutação do coronavírus foi descoberta na África do Sul, com seu primeiro caso confirmado em 9 de novembro de 2021. Atualmente, por seu alto poder de contágio, a variante já está presente em todos os continentes e levantou preocupação em vários países.

Em 3 de janeiro, os Estados Unidos registrou mais de um milhão de casos diários de Covid-19 pela primeira vez, quase o dobro das infecções relatadas uma semana antes. Seja pela flexibilização de medidas sanitárias ou as festas de fim de ano, os números de casos no país aumentaram drasticamente.

Segundo dados da agência de notícias Reuters, os EUA estão relatando 696.541 novas infecções em média por dia e lideram o número médio diário de novas mortes, sendo responsável por uma em cada 4 óbitos por Covid-19 em todo o mundo a cada dia. Desses novos casos, a variante ômicron já representa quase todas as infecções no território dos Estados Unidos.

Gráfico de casos e mortes diárias nos Estados Unidos no mês de janeiro.
[Imagem: Reuters]

Apesar disso, de acordo com dados do Our World in Data, a vacinação no país já alcançou 63,6% de pessoas vacinadas, com 535 mil doses aplicadas e 210 mil pessoas com esquema vacinal completo. A diminuição do intervalo da dose de reforço foi uma estratégia dos Estados Unidos para diminuir o surto de casos, e nessa semana, o número de infecções teve uma diminuição positiva

Este é um cenário que parece ser mais favorável e ideal para a realização de premiações e eventos nos próximos meses, mas é indispensável pensar na utilização de medidas contra a Covid-19.

No ano de 2021, a cerimônia do Grammy, que também teve a data adiada para março, aconteceu de maneira diferente: foi realizada no Centro de Convenções de Los Angeles, utilizando o espaço interior e exterior, com quatro palcos diferentes. Pela primeira vez na premiação, não havia público, algumas aparições foram virtuais e as performances foram divididas em ao vivo e pré gravadas. Com equipe reduzida, todos os artistas e seus convidados foram testados e seguiram a recomendação de utilizar a máscara na maior parte do evento.

Já na edição latina do Grammy, que aconteceu em Las Vegas, o cenário da pandemia era de maior normalidade. Assim, a cerimônia foi realizada sem muitas limitações e com duas únicas exigências: o comprovante de vacinação e o teste negativo do Covid-19. O uso da máscara ainda era obrigatório no backstage, mas os artistas tiveram liberdade em suas apresentações ao vivo.

Outras duas grandes premiações da música: o MTV Video Music Awards e o American Music Awards, realizadas no final de 2021, ocorreram de forma semelhante. Nas arenas havia o público normal, comprovante de vacinação e o uso de máscara ainda eram uma obrigatoriedade, mas os artistas e outras celebridades não tinham necessidade rigorosa em estar de máscara nas áreas do evento. Mesmo com uma maior liberdade, ainda houveram artistas que não se sentiram confortáveis em comparecer às premiações. Um dos casos, foi o da cantora neozelandesa Lorde, que desistiu da sua apresentação no VMAs pois as restrições contra o covid não permitiriam a performance idealizada por ela.

No calendário de premiações do primeiro trimestre deste ano, houveram algumas mudanças além do Grammy. O Globo de Ouro, que escolhe os melhores profissionais do cinema e televisão, não teve público, tapete vermelho e nem transmissão ao vivo. Os vencedores das categorias eram anunciados no site oficial do evento. Já o Critics Choice Awards, que reconhece as melhores realizações cinematográficas, teve sua data adiada de 09 de janeiro para o dia 13 de março. O Oscar fez uma decisão parecida, adiando a cerimônia honorária em homenagem a carreira de artistas para outra data ainda não definida.

A instabilidade da pandemia ainda requer adaptações do calendário de eventos, principalmente porque os organizadores esperam fazer um evento incrível e com poucas limitações sem deixar de prezar pela saúde e segurança dos envolvidos. A previsão é que o Grammy e outras premiações adiadas aconteçam de maneira parecida com as do final do ano passado, já que a aplicação da dose de reforço da vacina tem diminuído o número de casos.

O legado de Elza Soares

Considerada uma das maiores cantoras brasileiras e uma das maiores vozes do samba, Elza Soares faleceu nesta última quinta-feira (20), aos 91 anos.

Nascida no Rio de Janeiro em 1930, Elza Gomes da Conceição teve uma infância complicada, interrompida aos seus 12 anos, quando foi obrigada pelo pai a se casar com Antônio Soares, cujo sobrenome herdou para o resto da vida. Aos 13, Elza engravidou do primeiro filho. Sete anos depois, tornou-se viúva. 

Seu primeiro envolvimento na música, de fato, foi ainda aos 13, em um programa da rádio Ary Barroso, em busca de remédios para seu filho recém-nascido. A artista perdeu dois bebês para a fome. De lavadeira a operária de uma fábrica de sabão, somente aos 20 anos realizou seu primeiro teste oficial como cantora, na academia do professor Joaquim Negli.

Seu primeiro destaque foi com uma participação na composição Se Acaso Você Chegasse, em 1959. Embora grande parte do seu sucesso mundial seja por conta da sua marcante voz no samba, Elza transitou no jazz, no hip hop, no funk, e até mesmo na eletrônica. Sua voz chamava atenção por oscilar graves e agudos, de forma extremamente afinada. O timbre característico da cantora se destacava para todos que a ouviam.

Porém, sua carreira artística vingou de forma oficial no início dos anos 60, por volta dos seus 30 anos. Tudo isso em meio a um dos momentos mais marcantes da sua vida: quando Elza Soares se envolveu amorosamente com o craque de futebol Garrincha.

Entre 1962 e 1982, a artista viveu um relacionamento com o jogador. Os dois se conheceram em um treino do Botafogo, clube carioca em que Garrincha é considerado ídolo até os dias atuais. Casado na época, o jogador viveu um relacionamento escondido com a sambista, até o divórcio com sua ex-esposa. Após o término, Elza e Mané Garrincha ficaram juntos por 15 anos.

[Imagem: Reprodução/Folhapress]

O casamento com o atleta começou a ficar extremamente conturbado. O carioca enfrentou um grave problema com alcoolismo, adquirindo assim, algumas atitudes violentas em casa. Em uma das agressões sofridas por Elza, ela teve os dentes quebrados. O assunto nunca havia sido levado à tona até então.

Garrincha faleceu dia 20 de janeiro de 1983, que por coincidência, foi no mesmo dia da morte da cantora, devido a uma cirrose hepática. O casal teve somente um filho, que também faleceu. O “Garrinchinha”, como era conhecido, foi vítima de um grave acidente de carro, aos nove anos.

Mesmo que tenha se calado por anos, Elza Soares cantou sobre a dor e o trauma de ter convivido com um companheiro alcoólatra e agressivo anos depois, no disco A Mulher do Fim do Mundo, lançado em 2015. Por meio de versos e de batidas bem carregadas, a artista registrou suas dores em forma de música, mas sempre deixando claro que preferia “lembrar dos momentos bons”.

[Imagem: Reprodução/Flickr]

A cantora sempre tentava trazer sobre suas origens e histórias em todos os sambas que compunha. Um dos grandes exemplos foi o álbum Lição de Vida, lançado em 1976, e que contou com um dos maiores sucessos vistos na música nacional: Malandro, uma obra-prima feita em conjunto com Jorge Aragão e Jotabê.

E como todo bom sambista, Elza Soares foi extremamente ligada ao Carnaval.  As presenças da musicista são lembradas, principalmente, pelos desfiles da Salgueiro e Mocidade. O último desfile do qual marcou presença foi em 2020, antes da pandemia, quando foi enredo da Mocidade Independente Padre Miguel. Aos 89 anos, foi o grande destaque do carro alegórico.

[Imagem: Reprodução/Globo]

O significado da cantora ia além da voz. Era uma personalidade de impacto social muito grande. Cantava sobre o direito das mulheres, falava de relacionamentos abusivos, força e questões raciais. Fez história.  Até os últimos dias, trabalhou. Foram 36 discos, um prêmio de “Voz do Milênio”, vencedora do Grammy Latino, entre muitas outras marcas.

A música de Elza costumava falar sobre racismo, gênero e sobre o movimento feminista. Mesmo em uma época que tais assuntos não eram debatidos, a artista sempre deixava claro as causas que apoiava e sempre transparecia tudo em sua arte, algo que muitos não faziam, seja por medo de censuras ou por qualquer outro motivo.

Tal lírica foi de extrema importância. Elza era admirada por artistas no Brasil e no mundo. Cantava sobre a força da mulher negra, sem abrir mão do repertório. Era vista como uma cantora, que por meio da música, levantava uma força que serviu de inspiração para muitas vozes que vieram depois.

A importância de Elza Soares para a música é indiscutível. Além de transitar sobre assuntos importantíssimos de serem debatidos desde o começo da sua carreira, a cantora transitava por todas as plataformas possíveis ao longo do tempo.

A sambista gravou no formato chamado de “78 rotações”, acompanhando a evolução de todas as plataformas, indo do rádio e discos de vinil aos meios digitais e streamings. Algo que somente artistas que mantém um conteúdo bom por toda a carreira tem a capacidade de fazer.

“Rainha do samba”, foi considerada a “Voz do Milênio”, pela BBC, em 1999. Vista como um símbolo de liberdade e força.

A mulher do fim do mundo deixou um legado enorme na música nacional. Elza Soares faleceu dia 20 de janeiro de 2021, em paz, dias depois de finalizar a gravação de um show no Teatro Municipal de São Paulo.

[Crítica] Dawn FM, parte da nova trilogia de The Weeknd!

Abel Tesfaye, mais conhecido por seu nome artístico The Weeknd, é um dos maiores artistas da atualidade. No meio tempo entre álbuns, lança regularmente singles e faz colaborações especiais com outros grandes nomes da indústria musical como Doja Cat, Ariana Grande e Post Malone.

Seu novo álbum, Dawn FM, muito esperado pelos fãs e pela crítica especializada, chegou ao mundo na última sexta-feira (7) e já foi muito bem recebido: em cerca de 24 horas, de acordo com Hits Daily Double, acumulou mais de 60 milhões de streams — além de todas as faixas possuírem mais de 5 milhões de streams cada, com algumas chegando perto dos 20 milhões ainda na primeira semana.

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The Weeknd [Imagem: Reprodução/ Brian Riff]

Além de ótimas músicas, o novo disco é uma experiência. Deve ser tocado na ordem pelo menos uma vez (a primeira, de preferência) para que o ouvinte possa acompanhar toda a trajetória e desenvolvimento da narrativa que Abel quis mostrar. Como nome entrega, Dawn FM se fantasia como uma estação de rádio e seu locutor é o ator Jim Carrey, amigo e vizinho de Abel, que aparece em diversas faixas pelo álbum — inclusive na canção de abertura homônima Dawn FM, na qual o narrador anuncia que “tudo isso é uma jornada em direção à luz”.

Após o lançamento, The Weeknd compartilhou algumas informações sobre o projeto: “Imagine o álbum como se o ouvinte estivesse morto. E eles estão presos neste estado de purgatório, que eu sempre imaginei que seria como estar preso no final do túnel. Enquanto você está preso no trânsito, eles têm uma estação de rádio tocando no carro, com um locutor guiando você para o semáforo e ajudando na transição para o outro lado. Portanto, pode parecer comemorativo, pode parecer desolador, na maneira que você quiser que pareça, mas isso é The Dawn para mim”. O cantor também escreveu em seu Twitter: “Estou pensando… vocês sabem que estão experienciando uma nova trilogia?”, gerando teorias por parte do público.

Os fãs do artista acreditam que seu álbum After Hours, de 2020, é primeira parte desta trilogia e é sua morte; Dawn Fm é a segunda e o purgatório; com a terceira obra sendo sua jornada após a morte com o possível nome de “After Life” — na música Every Angel Is Terrifying, é citado um produto intitulado “After Life” – “Intenso, gráfico, sexy, eufórico / Provocativo, ousado, instigante / Técnicamente e visualmente deslumbrante / Uma obra convincente de ficção científica / Um exposé cheio de suspense / Cinema como você nunca viu antes / O mundo exótico, bizarro e belo de “After Life”.

Tweet de The Weeknd sobre uma misteriosa trilogia

O disco foi produzido por alguns dos gigantes da indústria: Max Martin e Oneohtrix Point Never, também conhecido como Daniel Lopatin, Swedish House Mafia, Calvin Harris e o colaborador de longa data Oscar Holter são alguns dos nomes presentes. Abel conseguiu experimentar mais com seu som. Entre todas as 16 faixas, as músicas são em sua maioria animadas e dançantes. É clara também a influência de Disco Music e New Wave dos anos 80 e 90, apesar de ainda manter os ritmos de pop, R&B e hip hop que reconhecemos em seu trabalho.

Dawn FM pode ser dividido em três partes, todas separadas por interlúdios. A primeira vai até a sexta faixa A Tale By Quincy, o interlúdio de Quincy Jones, onde reflete sobre sua criação difícil e como isso afetou seus relacionamentos futuros. Ainda na primeira parte do álbum, é possível encontrar algumas das faixas mais marcantes e singles: Gasoline, How Do I Make You Love Me?, Take My Breath e Sacrifice são animadas e cativantes, com forte presença de sintetizadores.

Videoclipe do single Gasoline

Os clipes de Gasoline, Take My Breath e Sacrifice tem grande produção e ajudam a passar a narrativa e mostrar o universo do álbum criado pelo cantor. Ao seguir o conceito de purgatório, ele o representa com visuais fortes, coreografias, maquiagens de criaturas e de seu próprio envelhecimento e cenários que definem toda a atmosfera do ambiente. Cada detalhe foi cuidadosamente escolhido — há referências que conectam a trilogia em todos os lugares, desde a melodia, letras, fotografia, cores, figurinos e até um ponto no fundo.

Alguns dos pontos ressaltados por The Weeknd durante a produção do álbum

A segunda parte possui ritmos mais lentos e trabalha na composição, com faixas mais reflexivas e autocríticas. Out of Time dá início à essa sessão e faz uma ótima transição para Here We Go… Again, parceria com Tyler, The Creator, que deu o que falar na internet devido a sua letra “Suas amigas estão tentando juntar você com alguém mais famoso / Mas em vez disso, você terminou com alguém tão básico, sem rosto / Alguém para tirar suas fotos e emoldurá-las / E a minha namorada nova, ela é uma estrela de cinema”. Muitos acreditam que Abel se refere a ex-namorada Bella Hadid e a atriz Angelina Jolie, com quem foi visto em jantares algumas vezes em 2021.

Best Friends, Is There Someone Else e Starry Eyes, próximas faixas da sequência, tem influência de R&B mais forte e o tema principal são relacionamentos, seus erros e aprendizados. Narrada por Jim Carrey, Every Angel Is Terrifying, como diz o título, se refere e faz uma crítica à representação dos anjos, muitas vezes retratados como seres bonitos e delicados, mas que de acordo com a Bíblia são bem diferentes e até mesmo “aterrorizantes”

A seguinte e última fração do álbum chega com Dont Break My Heart, que poderia ter saído diretamente dos anos 80. I Heard You Are Married com Lil Wayne e produzida por Calvin Harris, e Less Than Zero, continuam com o amor como tema geral, apesar de interpretado por situações e pontos de vista diferentes. O encerramento é dado por Phantom Regret by Jim, voltando com a narração de Jim Carrey e uma auto-reflexão. A faixa final fala sobre a alma, suas muitas experiências ao longo da vida — e o que está por vir depois dela; ficar em paz com suas escolhas e arrependimentos para seguir em frente, o poder de suas decisões, o que te faz sentir vivo, o amor e a aceitação de tudo.

É a maneira perfeita para terminar o disco. Ao trabalhar em toda uma narrativa e imersão nesse universo físico-espiritual, o desfecho é certeiro e se encaixa perfeitamente. A experiência de ouvi-lo na ordem e acompanhar a trama com os visuais dos clipes é única e faz com que o ouvinte se sinta uma parte desse mundo. São as experiências e emoções de Abel sendo contadas na “rádio”. Para além disso, há o ponto da criação: é um som original que o diferencia de seus trabalhos anteriores e outros artistas, mostrando sua potência e qualidade como músico.

Videoclipe de Take My Breath

O disco continua a fazer sucesso e cresce mais a cada dia. The Weeknd se tornou o primeiro artista masculino a ter 2 álbuns que atingiram o #1 na Apple Music em mais de 100 países, além de liderar as paradas no Spotify. Dawn FM segue com impressionantes 89 pontos no Metascore e nota 9,3 no Metacritic, e até o momento e ainda recebe críticas positivas como de Alexis Petridis da The Guardian “[…] Mas a coisa mais notável sobre Dawn FM é como ela se sente sem esforço e confiante, como se Tesfaye tivesse sido fortalecido em vez de intimidado pelo sucesso de seu antecessor. Escrito, produzido e cantado de forma brilhante, ele oferece o som cativante de um artista que sabe que está no topo de seu jogo, em um ponto feliz em que cada melodia adere e cada ideia de produção funciona exatamente assim”


The Weeknd já anunciou também a turnê mundial para o seu quarto e quinto álbuns de estúdio, After Hours e Dawn FM, A ‘The After Hours til Dawn Stadium Tour’, realizada somente em estádios. A tour promete ir a todos os continentes, porém ainda segue sem datas.

1964: quando a música não cedeu à censura

A cultura faz parte do dia a dia das pessoas e pode servir como um refúgio da realidade, assim como pode servir como denúncia dessa mesma realidade. Exatamente por refletir diversos contextos, ela é capaz de alcançar uma audiência enorme e ter influência direta na relação do público com questões possivelmente abordadas, como na música, pelas canções.

Com um papel fundamental na comunicação, a música se tornou um dos principais veículos de delação ao assassinato da democracia no Brasil de 1964 a 1985. Foi em um ambiente de instabilidade econômica, fragilidade social e censura fervorosa, que a arte escolheu a liberdade e tomou a linha de frente em incentivo à busca dos cidadãos pela esperança e pela mobilização. Por conta de seu papel insubstituível, a intensidade do silenciamento não foi o suficiente para calar os artistas.

Brasil e as feridas do golpe de 1964

A história desse país é marcada por repressões em doses cíclicas. A Ditadura Militar que se estabeleceu com o golpe de 1964 durou 21 anos. Com a renúncia do presidente Jânio Quadros, após seu vice, João Goulart assumir, as forças militares que já programavam uma tomada de poder perceberam o ato como a oportunidade de dar o golpe. As motivações tinham relação com a polarização política entre os sistemas socioeconômicos do comunismo e capitalismo, geradas pela Guerra Fria, entre Estados Unidos e a antiga União Soviética. As forças militares eram contrárias aos ideais comunistas e acreditavam que Jango — apelido de Goulart —, por suas propostas, estaria alinhado à doutrina.

Em 1964, o primeiro presidente ditatorial, marechal Humberto Castelo Branco, assumiu o governo sem ser eleito ao cargo. Foi em seu mandato que o primeiro Ato Institucional — conhecido como AI — foi estabelecido. Esses atos foram criados para expandir determinadas ações políticas dos governantes, responsáveis por mantê-los no poder. O AI-1 foi o responsável pela abolição das eleições diretas à presidência da república, logo, a realização feriu o princípio mais importante da democracia e gerou, ainda, os populares protestos das Diretas Já anos depois.

No governo seguinte, de Costa e Silva, após outros três atos, o AI-5 tomou forma. Talvez o mais intenso, o decreto dava liberdade ao presidente da vez de ordenar recesso do Congresso Nacional, assim como sua reabertura limitada às vontades governamentais. A partir da força do ato, a censura ganhou potência e garantiu aos militares a responsabilidade de decidir o que seria liberado ao público e o que não era permitido, sem que houvesse dependência de coerência explícita. 

Com a entrada do general Emílio Médici, em 1969, os chamados “anos de chumbo” se iniciaram. Seu nome veio, principalmente, do controle rígido da cultura, o silenciamento dos meios de comunicação e a inibição dos protestos. Contrariar as ordens rendia em tortura, morte, exílio ou prisão.

Após anos e mais anos de crises econômicas, intensificação da desigualdade social, aumento expressivo da pobreza, contenção cultural e afastamento das noções de democracia, a ditadura que durou 21 anos teve fim em 1985, quando Tancredo Neves foi o primeiro presidente diretamente eleito à república, porém quem assumiu foi seu vice, José Sarney.

Canções que driblaram a censura

Como a arte foi usada ao longo da história como ferramenta política em busca da resistência a atos abusivos, durante o período ditatorial brasileiro, muitos artistas driblaram a censura com suas canções que incentivavam a esperança da população por dias melhores. Muitas delas fazem parte do cotidiano MPB atual.

Apesar de você, Chico Buarque 

Chico Buarque foi um grande inimigo da repressão do período. Com muitas das suas canções contra o contexto político, Apesar de Você (1970), a princípio, foi aprovada, mas após meses o governo percebeu a crítica e retirou de circulação.

Na letra, busca transparecer o senso de esperança que é necessário em momentos de tensão como o vivenciado no período. Tal rigidez é igualmente criticada na letra da canção.

Cálice, Chico Buarque e Gilberto Gil

Por outro lado, a música Cálice (1973), de Buarque e Gilberto Gil, foi vetada sem demora. O trecho “Pai, afasta de mim esse cálice” busca referência à frase bíblica de Jesus Cristo, porém, a palavra “cálice” soa como “cale-se” e leva ao entendimento do silêncio endossado pela censura.

O bêbado e o equilibrista, Elis Regina

A canção da grandiosa Elis Regina foi lançada em 1979. Composta por João Bosco e Aldir Blanc, é considerada o hino da Lei da Anistia, decreto estabelecido no mesmo ano após enorme mobilização popular. Ela trouxe de volta diversos brasileiro exilados pelo regime militar por desavenças políticas.

Aquele Abraço, Gilberto Gil

Um marco na música popular brasileira, Aquele Abraço (1969) está presente na memória de todos os cidadãos, sem restrição de gerações. Nos versos da canção, Gilberto Gil se despede do país quando está a caminho de seu exílio. Exalta as belezas de sua cidade, o Rio de Janeiro, e outras que conheceu durante sua vida.

Pra não dizer que não falei das flores, Geraldo Vandré

Uma das mais importantes de todas, Pra não dizer que não falei das flores (1979) representa com força o simbolismo de resistência da população — em especial dos movimentos civil e estudantil. Apesar de ter sido censurada, tornou-se o hino da resistência ao incentivar que houvesse mobilização contra o regime.

Existem muitas outras canções marcantes, como Vaca Profana (1984) e É Proibido Proibir (1988), ambas de Caetano Veloso. O movimento artístico foi incisivo, em muito, para garantir a volta à liberdade e ressaltar que essa deve ser valorizada.

Arte é política

[Imagem: Arquivo Nacional]

O papel da arte não pode estar somente ligado ao entretenimento, mas deve igualmente gerar alguma reflexão sobre o mundo. Ela é uma forma de gerar esperança e conforto, mas ao mesmo tempo, ser realista e ocasionar o máximo de desconforto possível. E, em momento sombrios, servir não como uma luz no fim do túnel, mas aquela feita no escuro e que será o lembrete constante de que há saída, sem deixar para trás a ideia do porquê ser necessário, naquele momento, buscar por uma saída.

O período ditatorial teve enorme impacto no Brasil. O passado desse país assombra gerações e mais gerações, porém recordar de quem o brasileiro foi, quando posto em uma situação de descrença, reforça a importância de que, em muito, a arte produzida pelo povo e para o povo teve impacto na queda do regime.

Hoje, não se pode ignorar o passado por medo do que aconteceu, senão compreender a importância da liberdade e da democracia para um lugar mais justo. Por isso, não há meios de negar que a música e todas as outras artes foram um combustível e tanto para que as pessoas tivessem suas vozes de volta e para que muitos outros tenham uma voz agora, que por muito tempo não puderam expressar.

Retrospectiva de Música 2021

 O ano que passou não foi fácil e o mundo das artes foi para muitas pessoas, a maior forma de lidar com tudo que acontecia. Desde músicas, até premiações, tapetes vermelhos, polêmicas e performances, o que não faltou foi entretenimento.

2022, é um novo começo para todos, mas vale lembrar alguns dos bons momentos que aconteceram na indústria musical em 2021.

Clipes Memoráveis

Uma coisa que com certeza não pode passar batido são os clipes, com superproduções, coreografias e conceitos cada um melhor que o outro, os artistas se superaram e entregaram tudo que a gente esperava e mais um pouco.

No ano novo, Harry Styles com a participação especial de Phoebe Waller-Bridge, mais conhecida pela sua série Fleabag, lançava seu quinto single do álbum Fine Line, Treat People With Kindness, com uma estética de “Old Hollywood” e muita dança. Já Dua Lipa em We’re Good e Olivia Rodrigo em Good 4 U, não decepcionaram nos looks. Todos esses clipes têm um fator em comum que os diferenciam dos outros: referências a clássicos do cinema. Tempestade de Ritmo (1943), Titanic (1997) e Garota Infernal (2009) respectivamente.

No Brasil, existem muitos artistas ótimos, mas alguns deles elevaram os padrões em 2021. Gloria Groove se superou novamente com os clipes de A Queda e Leilão. Luísa Sonza, cresce cada dia mais e VIP com 6LACK e ANACONDA com Mariah Angeliq são mais uma prova de seu potencial. Pabllo Vittar, como sempre, não desapontou. Ama Sofre Chora e Number One com Rennan da Penha foram marcantes e é impossível não menciona-los.

E talvez com um dos melhores do ano, Lil Nas X parou o mundo com Montero, com efeitos especiais impecáveis ele conseguiu chamar atenção de todos, o que causou até mesmo certas polêmicas, e contar toda uma história, mas não parou por aí, pois com Industry Baby com Jack Harlow e THAT’S WHAT I WANT fez a mesma coisa, mas com menos efeitos dessa vez.

Mas não dá para falar de clipes sem falar de duas cantoras que não pararam um minuto esse ano. Cardi B, que lançou e esteve presente em faixas como: Up; Rumors da Lizzo e Wild Sides da Normani, e Doja Cat que fez e participou de alguns dos maiores hits do ano como: O remix de 34+35 de Ariana Grande com Megan Thee Stallion; Best Friend de Saweetie; Streets; Kiss Me More com SZA; Need To Know; You Right com The Weeknd; Woman  e Handstand de  French Montana e Saweetie.

Artistas Revelação

2021 foi um ano muito forte para a indústria musical, trouxe popularidade para artistas muito bons, não somente aos que já eram grandes. A rede social TikTok foi um forte contribuinte para isso, como explicado mais a fundo na nossa matéria “O impacto do TikTok na indústria musical”, o algoritmo da plataforma funciona de maneira diferente das outras e facilita que um vídeo qualquer viralize, assim vários pequenos e novos artistas tem a chance de ter grande sucesso. Esse foi o caso desses nomes que surgiram ou ganharam força no ano passado.

Chloe Bailey [Imagem: Reprodução/Twitter]

Chlöe, que cantava antes junto com sua irmã Halle, não é tão nova na indústria, mas agora começou sua carreira solo. Com apenas uma prévia de seu primeiro single, a cantora viralizou no Tiktok e uma nova trend de dança foi criada. O acúmulo de ansiedade e curiosidade do público devido ao som de 24 segundos fez com que a música Have Mercy se tornasse um sucesso instantâneo.

Com muita dança e vocais fortes que a acompanham, ela lançou um clipe para acompanhar que já conta com mais de 40 milhões de visualizações, além disso, também se apresentou em algumas das premiações mais importantes do ano.

Måneskin [Imagem: Reprodução/Instagram]

Måneskin é a banda do momento, mas poucos sabem da onde ela surgiu. Em 2017, a banda participou do programa X Factor Itália, chegaram em segundo lugar e logo após lançaram seu primeiro EP Chosen que conta com as músicas cantadas no programa, que inclui o famoso cover: Beggin’. Ele só se popularizou mais alguns anos depois, devido ao fato de terem ganhado o Eurovision Song Contest 2021, uma das competições mais importantes da Europa no mundo da música. Até então, já ganharam diversos prêmios e aclamações, e hoje seguem com sua onda de sucesso e estão com shows marcados ao redor do globo, inclusive no Rock in Rio em setembro deste ano.

Olivia Rodrigo [Imagem: Reprodução/Vogue]

Com a queridinha de 2021, Olivia Rodrigo, não foi muito diferente. A cantora, que também é atriz, faz a série da Disney High School Musical: A Série: O Musical onde conheceu seu agora ex-namorado Joshua Basset. Apesar de triste, o término rendeu músicas muito boas para os dois, mas as de Olivia superou expectativas. Após postar vídeos onde cantava trechos do single Driver’s Licence, e todos já estavam mais do que preparados para ouvi-la, pois logo que saiu, ele já quebrou recordes, como continua a fazer até hoje. Ganhou muitos prêmios ao longo do ano e neste deve seguir no mesmo caminho já que foi indicada em 6 categorias para o Grammy.

Além deles, artistas como The Kid LAROI, Clarissa, Marina Sena, Willow, Ashiniko e muitos outros, se destacaram fortemente no ano passado e prometem grandes coisas.

Premiações

Foi em 2021, com os avanços da vacina contra COVID-19 que as premiações voltaram a ser presenciais. Ainda no primeiro trimestre do ano, aconteceu o Grammy, a premiação que pode ser considerada a mais renomada da música, e foi tão empolgante quanto o esperado.As performances foram surpreendentes e uma melhor que a outra, Harry Styles com seu boá de penas, o medley de Dont Start Now e Levitating de Dua Limpar, o cenário direto de um conto de fadas de Taylor Swift e a referência ao Brasil de Cardi B com Megan Thee Stallion. Mas um dos maiores momentos foi quando Beyoncé teve sua quarta vitória da noite, acumulou um total de 28 prêmios e se tornou a artista mais premiada da história do Grammy.

Beyonce no Grammy 2021 [Imagem: Reprodução/Getty Images]

No MTV Video Music Awards (VMAs) 2021, as performances de Chlöe, Lil Nas X e Doja Cat deram o que falar. Todos serviram conceito, coreografia e vocais, mas a da Normani roubou a cena. A apresentação de Wild Side, que contou com a presença de Teyana Taylor, fez homenagem a Janet Jackson e suas icônicas performances de Would You Mind.

Já mais no final do ano ocorreu o American Music Awards (AMAs) e novamente as performances ficaram em evidência. Coldplay e BTS juntos, Tyler The Creator, Silk Sonic, Olivia Rodrigo, Chlöe mais uma vez e Måneskin mantiveram o nível das apresentações de premiações anteriores. Mas similar a Beyoncé no Grammy, Taylor Swift, apesar de não comparecer, venceu em duas categorias e se tornou a artista mais premiada da história, com 34 vitórias ao todo.

Eles dominaram

O mundo da música é muito grande, o que significa que tem espaço para muita gente fazer sucesso. Esses artistas, mesmo com estilos e públicos diferentes foram alguns dos mais falados de 2021 e por boas razões. O esforço e qualidade são fatores que levam a sério e por isso continuam no topo.

Taylor Swift, que está no processo de regravar sua discografia, em novembro lançou o Red (Taylor’s Version), o álbum conta com 30 músicas regravadas e inéditas. Taylor sabe como fazer seu trabalho e usar a narrativa a seu favor. Provavelmente o mais impactante foi a música All Too Well (10 Minute Version) (Taylor’s Version) (From The Vault) e o curta que a acompanha. Dirigido pela própria cantora e estrelado por Sadie Sink e Dylan O’Brien, ela inovou e mostrou que não é só mais uma artista.

A banda de K-pop formada em 2013, BTS, está cada vez maior e continua a provar que são os melhores no que fazem. Mesmo sem um álbum novo foram o grupo e artista asiático mais ouvido do Spotify e com os singles Butter, Permission To Dance e My Universe em parceria com Coldplay, eles quebraram ainda mais recordes. Além disso, no final do ano, se apresentaram em premiações e fizeram shows nos Estados Unidos, o que fez com que ninguém esquecesse da qualidade de suas performances. 

BTS no AMAs [Imagem: Reprodução/Twitter]

Um pouco diferente dos anteriores, em comparação Doja Cat é relativamente nova na indústria, entretanto, 2021 provou que ela veio para ficar e seus clipes, apresentações, looks e visuais só melhoram a cada lançamento. Apesar do TikTok tê-la ajudado a crescer muito ano passado assim como os artistas revelação, esse fator começou para Doja em 2019 com Juicy e 2020 com Say So e mais outras. A cantora foi apresentadora do VMAs 2021 e além de ser muito engraçada, ela ainda entende de moda e serviu looks maravilhosos e únicos, mas não o bastante, ela também foi indicada em 6 categorias ao Grammy 2022 e soma agora 9 indicações ao total.

Adele, uma das artistas mais renomadas da geração, fez seu comeback com o single Easy On Me, após 5 anos sem lançar nada. A cantora tem um som original e até hoje nenhum outro artista chegou perto, o álbum 30, como esperado, foi um dos melhores do ano, não só pelos recordes de vendas e streams, mas pelo talento dela e da qualidade do projeto. Ela descreve o álbum como uma tentativa de explicar seu divórcio para seu filho e isso é possível perceber pela natureza honesta e profunda de suas composições.

Mesmo depois de anos sem contato com o público, Adele conseguiu deixar sua marca neste ano e confirmou novamente seu lugar entre os melhores.

Adele no estúdio [Imagem: Reprodução/Twitter]

A rapper Megan Thee Stallion teve um ano e tanto. Sem contar com os diversos prêmios que ganhou ao longo de 2021, um dos mais importantes foi o Grammy, onde foi indicada pela primeira vez em cinco categorias e levou 3 para casa. Fez muitas músicas de sucesso, que foram parar no topo das paradas, mas Thot Shit e o remix de Butter com o BTS se sobressaem. Além de manter uma carreira de sucesso, Megan ainda se formou em administração de saúde pela faculdade Texas Southern University e fechou seu ano com chave de ouro.

A maior artista do Brasil no momento, Anitta não só fez sucesso aqui, mas cada vez mais conquista o público internacional. Com muitas músicas em espanhol e inglês e parcerias com grandes nomes como Saweetie em Faking Love, a cantora, em 2021, apresentou seu hit Girl From Rio no VMAs; compareceu ao Met Gala, um dos maiores eventos de moda; estrelou uma campanha global do Burger King; além de performar no Grammy Latino 2021; Jingle Ball LA e na final da Libertadores. Anitta não para, ela regularmente lança novas músicas e projetos e ainda tem muitos planos para shows internacionais e nacionais. E se ela está onde está, é por causa de seu trabalho duro, esforço e talento.

2022

Apesar de altos e baixos, 2021 foi um bom ano para a indústria e trouxe ótimas músicas. Foram lançamentos atrás de lançamentos, comebacks de bandas inesperadas como Abba, Jonas Brothers e The Wanted, por exemplo, e muito entretenimento dos nossos artistas favoritos.

O mundo da música cresce constantemente e além de acompanhar o decorrer da carreira de artistas que apareceram no ano que passa e mais antigos, há muitos cantores para ficar de olho.

Como a indústria musical aproveita da época de natal

Entra ano, sai ano, e dezembro traz consigo as luzes de Natal e uma espera ansiosa pelas festas de fim de ano. Na televisão, filmes como O Expresso Polar e Esqueceram de Mim pipocam na programação, e os streamings musicais são invadidos por clássicos natalinos, como All I Want For Christimas Is You da Mariah Carrey, e Rockin’ Around The Christmas Tree da Brenda Lee.

A tradição de comemorar o Natal com canções e músicas em coral se popularizou rapidamente, e se, a princípio as músicas da época possuíam melodias e ritmos musicais muito simples, ao longo do tempo, começaram a se tornar mais complexas e a utilizar mais instrumentos.

As músicas natalinas surgiram na Igreja a fim de celebrar o Nascimento de Jesus Cristo e reforçar os valores cristãos. Assim, os padres ensinavam canções e as crianças cantavam em coro em casas e igrejas. O registro mais antigo de uma música de Natal é da canção “Iesus refulsit omnium, ou seja, “Jesus, luz de todas as nações”, do século IV, atribuída ao Santo Hilário de Poitiers, um dos doutores da Igreja. 

Provavelmente a mais conhecida de todas as músicas natalinas tenha sido “Noite Feliz”, originalmente em alemão chamada de “Stille Nacht”. Escrita na Áustria em 1818 pelo padre Joseph Mohr, em parceria com Franz Gruber para ser tocada na Missa do Galo da paróquia de São Nicolau. A música ficou conhecida mundialmente e já possui mais de 300 traduções diferentes, sendo considerada patrimônio cultural imaterial da humanidade pela Unesco em 2011.

No Brasil, não existe uma tradição muito grande na produção de músicas natalinas, mas ainda assim, cantores como Simone, Aline Barros e Roupa Nova, por exemplo, já dedicaram algumas faixas ao feriado. Já em um cenário internacional, é bastante comum o lançamento de canções natalinas por artistas de todos os gêneros, do pop, blues, rock e do jazz. Entre as músicas de Natal internacionais mais famosas, as canções mais icônicas são de artistas, como Frank Sinatra, John Lennon, Ray Charles e muitos outros.

A Sociedade Americana de Compositores, Autores e Editores (ASCAP) divulgou na semana do dia 10, uma lista que elenca os maiores sucessos de Natal lançados desde 2001 – ou seja, do século XXI até agora. A lista leva em conta apenas composições em que pelo menos um dos autores é membro da ASCAP, mas oferece um bom panorama do cenário natalino dos últimos anos. Segundo a Variety, o ranking foi montado “com base na análise do desempenho nos streamings e rádios de músicas registradas a partir de 2001”.

A instituição, como já é tradição, também liberou um ranking geral, sem corte temporal, das canções natalinas mais populares do ano. Em 2021, o grande hit até o momento é o clássico de 1948 Sleigh Rideoriginalmente lançado pelo grupo The Ronettes, e regravado por nomes como Miley Cyrus, Meghan Trainor, Carpenters e Mariah Carey. Completam o pódio Let It Snow, Let It Snow, Let It Snowde 1945, e A Holly Jolly Christmasde 1962.

A rainha natalina no período foi a Kelly Clarkson, que lidera o ranking com a música Underneath the Tree do álbum Wrapped In (2013) e ainda aparece com outras duas posições: Christmas Isn’t Canceled (Just You) de 2021 na sexta posição e Under the Mistletoe de 2020 em décimo lugar.

Em seguida, Ariana Grande se destaca com Santa Tell Me (2013). A cantora pode ser considerada uma veterana dos clássicos modernos de Natal por estar sempre lançando álbuns, EPs e singles natalinos. Além disso, em 2020 conseguiu o terceiro lugar na lista de músicas com o maior número de reproduções em apenas um dia no Spotify.

Katy Perry também aparece no ranking na oitava posição, com Cozy Little Christmas de 2018. No ano de seu lançamento, vendeu mais de 100 mil cópias mundialmente e atingiu o pico de #53 na Billboard Hot 100.

Curiosamente, All I Want For Christimas Is You da Mariah Carey, campeã no ano passado, aparece apenas na 14ª posição, e é a música mais nova a figurar no top 25 do ano. Além disso, demorou exatos 25 anos após o lançamento para alcançar o topo da Billboard Hot 100 em 2019, e recentemente foi a canção mais ouvida no Spotify Gobal. É inegável que essa canção se tornou um clássico natalino, a própria Billboard a elegeu como a Melhor Música de Natal de Todos os Tempos, inclusive isso faz com que Mariah seja considerada a rainha do natal nas redes sociais, principalmente por ser muito ativa musicalmente nessa época.

Em geral, as músicas natalinas falam sobre fraternidade, amor e paz, e muitas delas são reconhecidas no mundo todo, tornando-se uma linguagem universal da época. Além disso, os lançamentos de álbuns de Natal podem ditar o passo da indústria fonográfica mundial atualmente, mas querendo ou não, foram os grandes clássicos que pavimentaram o caminho do sucesso para além do Jingle Bells.

Confira nossa playlist no Spotify para você ouvir nesse Natal!

A responsabilidade da indústria musical na pandemia

Desde o início da pandemia, com o enfrentamento de uma nova realidade que trouxe dor e melancolia, as pessoas buscaram maneiras de entretenimento que as mantivessem em casa. Muitos artistas da indústria musical, por exemplo, reforçaram a necessidade do distanciamento social, além do respeito às medidas de proteção estipuladas pelos principais órgãos de saúde, como a OMS, e desenvolveram distintos modos de levar a música ao seu público.

As premiações e os espetáculos tomaram formas inusitadas para que a arte chegasse à audiência e não que a audiência fosse até o consumo da arte. Para isso, surgiu a necessidade de tempo e paciência para ponderar as distintas faces que fossem verdadeiramente sustentáveis numa situação tão delicada.

Um modo que se popularizou foi a das lives no Youtube. Uma das primeiras foi a da rainha da sofrencia, Marília Mendonça, em abril de 2020. A “Live Local Marília Mendonça” bateu — e sustenta até hoje — o recorde de live com maior audiência simultânea com o número expressivo de 3,31 milhões de espectadores. Marília foi seguida pelas estrelas do sertanejo, a dupla Jorge e Mateus, que conquistou 3,2 milhões de usuários de olho na apresentação, e muitos outros artistas como Gusttavo Lima, Nando Reis, Anavitória e Sandy & Junior.

No Brasil, as conexões da música com seu público foram de imenso incentivo à estadia dentro dos lares. As lives, em muito, tiveram responsabilidade por oferecer a sensação de que ainda se podia ter alguma distração em meio à morbidez trazida pela pandemia ao considerar todas as perdas — e potenciais perdas — enfrentadas com a propagação do vírus.

A cultura possui um papel inegável na sociedade; ela tem um enorme domínio de influência naqueles que alcança. O papel das lives no início do cenário pandêmico pôde reforçar esse fato ao delinear que não era preciso sair para chegar ao lazer, algo que acabou por render uma resposta positiva nos meses iniciais do período.

As premiações também tiveram seu momento de pausa para refletir sobre como tornar o espetáculo coletivo em celebração à música em algo que ainda envolvesse o público e os premiados sem pôr ninguém em risco. O MTV Video Music Awards de 2020, por exemplo, ocorreu sem plateia e com apresentações de alguns dos artistas que usavam máscaras, como Ariana Grande e Lady Gaga em sua performance do hit Rain On Me — juntamente ao medley de outras canções do álbum Chromatica (2020). Todos eles faziam distanciamento social como nas medidas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde.

A edição do Grammy de 2020 ocorreu no mesmo mês da declaração de estado de pandemia. Porém, o do ano seguinte foi adiado para que as medidas fossem melhor seguidas. As apresentações não contaram com plateia e os artistas indicados ficaram de máscara durante grande parte da cerimônia, além do endossamento constante pelos apresentadores da importância de seguir as estipulações da OMS.

A indústria musical e seu alcance assombroso tinham responsabilidade por como se comunicariam com seus consumidores acerca da situação. Uma palavra ou ato teriam a capacidade de fazer com que fossem reproduzidas por todo o mundo. Assim, a obrigação era — e ainda é — ter comprometimento com a segurança dos consumidores. Apesar de muitos dos membros dessa elite não terem sido adeptos a tal percepção de que suas cargas como figuras de representação cultural seriam refletidas nas ações da audiência, grandes nomes estavam alinhados à ciência.

As turnês foram canceladas a fim de não promover aglomerações, o incentivo à imunização ganhou potência e o uso de máscaras foi reforçado, tal qual o distanciamento social. Figuras públicas e os que estão por detrás das celebridades têm um papel indispensável na sociedade.

Olivia Rodrigo em discurso na Casa Branca [Imagem: Susan Walsh/Associated Press]

Olivia Rodrigo, a garota do momento na indústria musical, foi convidada por Joe Biden,  presidente dos Estados Unidos, para ajudar a promover o entendimento de que todos precisam se vacinar em nome da saúde coletiva. Essa é uma comunicação que dialoga, principalmente, com o público jovem.

No Brasil, a campanha foi orgânica: os tesouros nacionais usaram as redes para falar dos benefícios de se vacinar e no valor do SUS (Sistema Universal de Saúde).

Não apenas relacionada ao entretenimento e à indispensabilidade de um escape na realidade abrupta enfrentada atualmente, a indústria também comporta responsabilidade ao usar seu poder de influência para levar à compreensão geral de que seguir à ciência é a forma principal das coisas melhorarem. Vacina, distanciamento, máscaras de proteção e evitar aglomerações: essas são as formas de seguir a vida em segurança depois de tudo. Além disso, o exemplo que os artistas dão através de suas redes sociais, com seus milhões de seguidores de diversas idades, corrobora para que o exemplo seja seguido em nome da admiração e honra.

A  cultura deve ter compromisso em preservar a memória daqueles que se foram, fazer o possível para aproveitar como as coisas serão depois desse período e buscar respeitar a ciência e o público; o coletivo e o futuro livre desse momento tão devastador.

Miley Cyrus: Uma artista atemporal

Do pop ao country, Miley Cyrus pode ser considerada uma das maiores e melhores vozes da atualidade na indústria. Consolidou sua carreira quando ainda era apenas uma adolescente, perdura no auge de seus 29 anos e faz sucesso entre millennials – geração y – e os novos jovens.

Recentemente, a Revista Forbes concedeu a cantora o destaque de pessoas com menos de trinta anos que revolucionam os negócios e transformam o mundo. De acordo com a Billboard, Cyrus foi anteriormente selecionada para fazer parte dessa listagem em 2014, mas foi convidada a retornar devido a uma série de realizações, que incluem: ter seis álbuns na parada dos cinco primeiros na Billboard 200 ao longo dos anos . A Happy Hippie Foundation da cantora, que apoia pessoas LGBTQIA+ e jovens em situação de risco, também foi levada em consideração em sua inclusão, assim como seus investimentos na FanMade e na empresa de produtos femininos Hers.

Ela é uma superestrela global graças à sua passagem como agente dupla na Disney, Hannah Montana, ao passar espetacularmente por algumas das fases mais emocionantes do pop sem seguir uma ‘receita de bolo’. A eliminação do passado, o momento da maioridade (Can’t Be Tamed de 2010); a era controversa do sexo-positivo e do apelo aos tablóides (Bangerz de 2013); a fase de trip-out psicodélica (experimento Her Dead Petz de 2015); o flerte enraizado e autêntico entre cantores e compositores (Younger Now de 2017) – no tempo que alguns artistas levam para lançar alguns singles e por fim a era mais rock n‘ roll da artista (Plastic Hearts de 2020).

Princesa da Disney

Miley representou uma das personagens mais icônicas na história da emissora Disney, Hannah Montana. Em 2006, quando tinha apenas 14 anos, a sitcom foi ao ar, durou quatro temporadas e mostrou a fama e estrelato de uma artista pop que vivia em meio de um grande dilema entre ser Miley Stewart, ao viver sua tranquila vida ao lado da família e amigos; e de ser Hannah Montana, o fenômeno mundial da música.

Nesse mesmo ano, Cyrus lançou seu primeiro CD, Hannah Montana com todas as músicas do seriado, que na época fez um grande sucesso e atingiu o primeiro lugar nas paradas da Billboard 200. Em 2007, estreou um álbum duplo, Hannah Montana 2 e Meet Miley Cyrus, que também alcançaram o #1 na revista semanal.

As músicas sempre mostraram uma evolução muito evidente. Life’s What You Make It é uma canção animada sobre não abaixar a cabeça, não se frustrar e seguir em diante com um sorriso no rosto. A autoajuda era um tema frequente, encontrado em canções como Make Some Noise ou até mesmo o primeiro single, Nobody’s Perfect. Já no segundo disco, que nos apresentaria Miley, o grande destaque fica para I Miss You, dedicada a seu falecido avô.

Em seguida, lançou o segundo álbum, Breakout (2008), que também ficou no topo das paradas, mas acabou que se tornou um período silencioso e sem lançamentos inéditos para a cantora. No ano seguinte, 2009, a Disney exibiu o filme da Hannah Montana, que serviu como uma espécie de ponte entre a segunda e a terceira temporada do seriado, e o lançamento da trilha sonora coincidiu com o lançamento do EP The Time Of Our Lives, que possui grandes sucessos como Party In The U.S.A. e When I Look At You.

A terceira temporada de Hannah Montana ganhou uma trilha sonora, e fez com que, apenas em 2009, Miley tivesse 3 álbuns lançados. Por mais que ela cantasse sobre a “vida dupla” vivida na ficção, era nítido que essa vida existia na realidade. Provavelmente a temporada mais triste da sitcom, onde os assuntos mais sérios eram retratados nas músicas, como em Mixed Up e Don’t Wanna Be Torn. Mesmo que o seriado continuasse um sucesso extremo, as vendas caíram para 1,2 milhões ao redor do mundo.

A partir disso, a fórmula da série começou a se perder e a artista também não parecia mais tão satisfeita com o posto de atriz, em decorrência disso, Hannah Montana foi renovada para uma última temporada, com uma nova casa, uma nova peruca e, principalmente, uma nova sonoridade. Nos álbuns anteriores, o pop e o rock eram os gêneros dominantes, mas nesse final da fase com um clima de despedida, entregou canções com influências eletrônicas e R&B, como I’ll Always Remember You e Ordinary Girl.

Hannah Montana completou 15 anos de estreia em março de 2021 e através das redes sociais, Miley Cyrus prestou uma homenagem sobre a importância da personagem em sua vida. No texto, a artista também relembra a perda de seu avô, que faleceu um mês antes da estreia, agradece seus companheiros de elenco, Emily Osment, Mitchel Musso e Jason Earles, ao dizer que os colegas de elenco viraram uma verdadeira família, que ela via com mais frequência do que sua própria família, e no final fala que a Hannah estará sempre em seu coração.

O perfil da Hannah Montana respondeu a carta da Miley Cyrus, que até então não havia conta da personagem no Twitter, mas ganhou um perfil oficial e verificado, que já foi desativado nos últimos dias. Sua primeira postagem foi um retweet na carta da cantora, que diz: “Muito bom ouvir de você, Miley. Só se passou uma década”, em alusão ao fim do seriado há 10 anos.

Miley mostra toda a importância do alter ego em sua vida: “Teve momentos em minha vida em que você carregou minha identidade em suas luvas do que eu conseguia segurar com minhas mãos quebradas” – escreveu a artista na carta para Hannah, que de acordo com ela se manteve firme ao seu lado durante todos esses anos e que nunca sairá dela, e finalizou com a frase de uma das músicas da série: “Você estará comigo a onde eu estiver!”.

Além disso, a cantora também fez uma festa de comemoração toda temática da Hannah. “Festa de Hannahversário”, escreveu Miley nas redes sociais, que usou um look personalizado inspirado na personagem e com decoração caprichada, com direito a máscaras e até um enorme bolo em formato de guitarra rosa.

A emancipação da cantora

Com a finalização de Hannah Montana, Cyrus lançou em 2010 o álbum de estúdio Can’t Be Tamed, e oficializou a separação da Disney. O trabalho foi diferente dos discos anteriores, que sempre se moldaram ao conservadorismo da companhia, mas na época, Miley estava mais madura e adulta. Além disso, o primeiro single – que leva o nome do álbum – explicita como a artista quer ser livre e fazer o que realmente gosta.

O vídeo apresenta uma Miley enjaulada em exibição de um museu de arte, soa como uma mistura entre I’m a Slave 4 U da Britney Spears e Paparazzi da Lady Gaga, o que exala um resultado surpreendente e talvez um pouco chocante. A cantora parece quebrar um tabu, mas sem a coragem de suas próprias convicções. 

O álbum se encontra em um tipo de limbo, aonde ela quer se dissociar da Hannah Montana, mas não parece ter uma direção. Com isso, a artista experimenta diferentes identidades, como na faixa de abertura Liberty Walk, aposta em um estilo antigo da Gaga, ou nos hinos de amor como Forgiveness and Love e My Heart Beats for Love. A Billboard declarou que ela fracassou como qualquer outra canção de adolescente cujo alcance artístico excede o seu domínio.

Apesar das críticas negativas e do desempenho mais baixo nos charts, o disco foi uma das estratégias mais inteligentes da carreira da cantora. Se ela conquistou espaço entre as grandes pop stars adultas, é porque um dia fez a transição necessária para que isso pudesse acontecer.

Bangerz e a verdadeira Miley

Diferente de Can’t Be Tamed, a era Bangerz mostra uma Miley mais decidida! Três anos atrás no álbum anterior, ela queria que soubessem que se libertava de sua imagem anterior, mas ainda não tinha um plano de backup verdadeiro. Agora, a artista estava igualmente rebelde mas no controle de sua música e imagem ao representar-se de modo único.

O primeiro single do álbum foi We Can’t Stop e era de se esperar que fosse uma música mais dançante e festiva, mas foi inesperado, com uma grande influência dos nomes com quem dividiu o estúdio, apostou em um mid-tempo bem diferente de tudo que já havia lançado e foi fortemente para o lado mais urbano. Não poderia ter sido mais inteligente, a música funcionou como um perfeito chiclete e foi o primeiro smash hit da cantora.

Miley soube manter o buzz ao seu favor. Wrecking Ball foi definida como o segundo single do disco e se não bastasse ser uma das melhores baladas lançadas na época, além de contar com um refrão mais que potente, ganhou um clipe dirigido pelo polêmico Terry Richardson. Afinal, é difícil esquecer a imagem da artista nua em uma bola de destruição.

Assim que o videoclipe foi lançado, choveram artigos com títulos do tipo “Miley Cyrus aparece nua e lambendo marreta em seu novo clipe e isso, por sua vez, despertou o falso conservadorismo de muita gente que achou a situação a coisa mais vulgar do mundo. Talvez, só não mais vulgar que a performance feita por ela semanas antes, no palco do VMA, aonde cantou com o Robin Thicke e dominou o palco com todas as suas ‘maluquices’ e muita sensualidade, de um jeito bem Miley, ao dançar, rebolar, que fez da MTV a sua zona pessoal. 

Desde a primeira faixa, Adore You, Cyrus detalha como andava sua vida no relacionamento com Liam Hemsworth, demonstra amor puro, que começa a passar por festas, curtições e diversões. As primeiras dúvidas e dores chegam no segundo single, traições e mágoas fazem o sofrimento se tornar insuportável, e em FU e Drive, trazem o final do namoro. Maybe You’re Right chega a aceitação e em Someone Else, a artista mostra o que todas as vertentes do relacionamento fizeram com ela.

Bangerz é uma verdadeira bagunça, e mesmo que em uma primeira olhada Miley possa não parecer, ela possui um dos timbres mais belos da música pop, com uma técnica vocal que a deixa superior a muitos artistas com mais extensão e uma criatividade musical, artística e midiática que a deixam sempre um passo a frente dos concorrentes.

Era Malibu

Foram 4 anos de diferença entre o Bangerz e o Younger Now – sem contar com um álbum nesse meio tempo, Miley Cyrus & Her Dead Petz – e não podíamos esperar que a Miley continuasse a mesma. O álbum de 2017 surpreendeu todos, não pelos mesmos motivos de Can’t Be Tamed e Bangerz, mas pela volta da cantora para uma era mais clean.

Younger Now ficou marcada por alguns acontecimentos em sua vida pessoal: a volta do relacionamento com Liam, sua decisão de parar de fumar maconha e o retorno para a música country. No primeiro single, Malibu, ela corre pelo campo e pela praia, segura balões coloridos e rola no chão abraçada com cachorrinhos.

Essa fase traz um ritmo folk e vibrante, muito mais próximo do country de suas raízes em Nashville do que do pop frenético das obras anteriores. Além disso, o visual da cantora é etéreo e ao mesmo tempo despojado, com pouca ou nenhuma maquiagem e raízes do cabelo bastante aparentes.

Diante toda confusão causada na época, Miley disse à revista Harper’s Bazaar: “Eu só quero que as pessoas vejam que essa sou eu agora. Não estou dizendo que não vinha sendo eu mesma. É só que eu tenho sido muitas pessoas, porque eu mudo muito. Ouço muitos comentários do tipo ‘queremos a Miley de volta’, mas você não pode me dizer quem é essa. Eu estou bem aqui”.

Entretanto, talvez a Cyrus de 2020 não concordaria tanto com a de 2017, já que a cantora afirmou que esse período de Younger Now é o único momento na carreira dela que não faz sentido: “Quando eu olho pela minha carreira, há um período de dois anos que realmente não faz sentido. Você provavelmente deve saber que isso aconteceu na era ‘Younger Now’, de ‘Malibu’. Eu acho que isso aconteceu, e acontece com muita gente, porque às vezes a gente se perde em outra pessoa”.

Um legado para a vida toda

Com o lançamento de Midnight Sky, o primeiro single do álbum Plastic Hearts, em agosto de 2020, o público foi capaz de enxergar a Miley com outros olhos. Obviamente mais adulta, com seus 27 anos, mas de uma forma mais madura e bem diferente do que ela apresentou no Bangerz em 2013, que fez o mundo parar de vê-la como uma estrela teen pela primeira vez.

Muitas piadas foram feitas nos últimos anos sobre ela ter ‘diversas personalidades’ em seus álbuns, ao explorar, por exemplo, o country no Younger Now, e um experimental que nem todo mundo entendeu direito no Miley Cyrus & Her Dead Petz. Mas a mistura do disco retrô com o vocal mais rock de Midnight Sky criou a expectativa de que teríamos uma verdadeira estrela do rock.

Ao longo dos últimos quase 15 anos, a cantora sempre fez questão de expressar seu amor pelo gênero: em todas as suas turnês colocava pelo menos um cover de grandes clássicos como I Love Rock ‘n’ Roll, de Joan JettCherry Bomb do The Runaways e até Landslide, do Fleetwood Mac, além de ter em seu álbum Can’t Be Tamed uma versão de Every Rose Has Its Thorn, do Poison. O novo álbum também possui dois covers que seguem o mesmo estilo, Heart of Glass, do Blondie, e Zombie, do The Cranberries.

Na abertura com WTF Do I Know, a guitarra proeminente no refrão e na ponte dão o tom – apesar de não definir o som – do que podemos esperar das próximas faixas. Enquanto as já conhecidas Midnight Sky e Prisoner, com Dua Lipa, trazem uma sonoridade um pouco mais disco e de sintetizadores oitentistas, faixas como Angels Like You e Never Be Me mostram não só um lado diferente musicalmente, mais lentas e focadas nos vocais, mas letras vulneráveis sobre sua dificuldade em ser uma pessoa confiável e leal em seus relacionamentos.

Além de Dua, Miley traz outras três participações mais do que especiais no álbum: Joan Jett em Bad Karma e Billy Idol em Night Crawling, dessa vez explorou os elementos de um bom rock clássico, nostálgico, mas inédito na medida certa, e Stevie Nicks, do Fleetwood Mac, em um remix de Midnight Sky com Edge of Seventeen.

Mas se engana quem acha que nessa obra recente, ela deixou suas outras facetas de lado. High, por exemplo, explora suas raízes country e lembra um pouco de seu trabalho no Younger Now, enquanto a produção mais diferente de Golden G String poderia ter saído direto do controverso Dead Petz.

Nas letras, Cyrus explora principalmente sua liberdade e fala sobre querer estar com uma pessoa por vontade e não por necessidade. Um tema interessante quando lembramos que em 2019 ela terminou seu relacionamento vai e volta de quase 10 anos com Liam Hemsworth apenas alguns meses depois de se casarem.

E se a Miley adolescente de G.N.O. cantava “vou dançar com outras pessoas e não quero pensar em você”, a artista 13 anos mais velha mostra que sua essência não mudou tanto quanto as pessoas imaginam, já que em Gimme What I Want canta: “Me dê o que eu quero ou eu darei para mim mesma”.

Por mais que Plastic Hearts surpreenda com a versatilidade das 12 faixas, é um álbum que não deveria existir. Em novembro de 2018, a casa de LA que Cyrus compartilhava com Liam foi destruída por um incêndio. Seis meses depois, em maio de 2019, a artista lançou um EP, She Is Coming, considerado o primeiro de uma série de EP de três partes. No final do ano, no entanto, ela e Hemsworth se divorciaram e as canções restantes foram consideradas perdidas no incêndio ou sucateadas, o assunto não era mais relevante.

“Bem quando eu pensei que o corpo do trabalho estava concluído, estava TODO apagado”, Miley publicou no Instagram quando anunciou Plastic Hearts: “A natureza fez o que agora vejo como um favor e destruiu o que eu não pude deixar para mim. Perdi minha casa em um incêndio, mas me vi nas cinzas”.

Miley Cyrus tem gerido a carreira de modo a sempre se recriar e faz com que sua marca pessoal e plataforma cresçam continuamente. De princesa da Disney e estrela adolescente à desconstrução e exploração de novas identidades, ela realizou mais transformações do que a maioria dos donos de negócios ousam fazer. É claro que nada é garantido e que experimentar é tomar riscos, e ela é tão conhecida pelas falhas quanto pelos acertos.

Ela é lembrada por contestar regras, ajudar pessoas em situação de rua, apoiar a comunidade LGBTQIA+ e levantar questões de gênero, mesmo quando as pessoas não entendem isso. Cyrus criou um espaço para a sua música e deixa uma mensagem para a indústria de que pode fazer qualquer coisa, se redescobrir, seja como pessoa, trabalhadora, ou em qualquer relacionamento. Miley, mais do que nunca, vive isso ao máximo, e por isso é uma grande estrela ainda em ascensão.