[Resenha] Lorde faz sua volta triunfal em novo álbum “Solar Power”

Quem lembra da Lorde que usava roupas pretas e cantava pop eletrônico oito anos atrás? Pois é, tivemos um comeback diferente na última sexta-feira, 20 de agosto, que dividiu a opinião do público logo no primeiro dia de lançamento. 

Nas primeiras horas de estreia, Solar Power obteve uma média de 67/100 no Metacritic. Comparado aos dois últimos álbuns da cantora, Pure Heroine (2013) e Melodrama (2017), que debutaram respectivamente com médias de 79 e 91, é a nota mais baixa. Mas por que isso aconteceu?

Definitivamente a era “clean” chega para todos! Acompanhada de uma sonoridade orgânica e melodias mais leves, a obra é como um companheiro de verão e conta com 12 músicas feitas para relaxar e apreciar a natureza.

O álbum começa com The Path, onde Lorde fala sobre seu passado e rejeita a ideia de que as celebridades podem de fato ajudar as pessoas. Na letra, a cantora diz que “se você está procurando um salvador, essa pessoa não sou eu”, e reafirma toda a temática “good vibes” do disco. Em seguida, o carro chefe Solar Power, que leva o mesmo nome do álbum e foi o primeiro single. Além de ser uma música um pouco mais animada, retrata a energia contagiante do verão.

Já em California, Lorde lembra do exato momento do Grammy de 2014 em que ganhou o prêmio na categoria de “Canção do Ano” com Royals. A partir daquele momento, sua vida nunca mais seria a mesma dentro da indústria e então a canção expressa sua decisão de deixar tudo para trás e viver a calmaria na Nova Zelândia. A quarta faixa, Stoned at the Nail Salon, foi eleita como segundo single, e além de complementar a música anterior, por questionar as escolhas que tomou, dialoga muito com as pessoas na idade “dos 20 e poucos anos”, que estão se perguntando sobre o envelhecimento e a vida doméstica.

Fallen Fruit – em português  Fruto Caído – lamenta como a geração passada deixou o meio-ambiente, e ela afirma que “mesmo escrevendo um disco sobre o mundo natural, que é uma celebração, ele também contempla uma perda”. Na próxima música, Secrets from a Girl (Who’s Seen it All), é a cantora dizendo a ela mesma com 15 anos que tudo vai ficar bem, e no final, a sueca Robyn declama um texto interpretando uma “aeromoça surreal”.

A faixa The Man with the Axe, possui um ar mais melancólico e pessoal, como se fosse um poema descrevendo um romance. Em contrapartida, Dominoes, pode ser considerado um pop reggae com sirenes de Nova York ao fundo, para retratar o novo começo de alguém, mas esquecendo do seu passado. 

Na sequência, Big Star, é sobre o quanto a Lorde amava seu cachorro Pearl, que faleceu em 2019, e como a vida é preciosa, já que o luto é uma força transformadora. A menor música do álbum, Leader of a New Regime, se passa em um futuro distante, ou às vezes nem tanto, mas é um ambiente insuportável em que estamos fugindo para recomeçar.

Mood Ring, possui um gênero pop bem divertido, trazendo uma sátira sobre a cultura do bem-estar e da espiritualidade. A faixa é o terceiro single e já ganhou um videoclipe dirigido pela própria cantora ao lado de Joey Kefali, inclusive ela aparece loiríssima ao lado de outras mulheres dançando, lendo e fazendo outras práticas, como se fosse parte de um ritual.

O disco encerra com uma canção de quase sete minutos, Oceanic Feeling, que reaproveita todos os elementos usados ao longo da tracklist: o pop anos 2000, folk e os sons da natureza, como o mar e as cigarras. A artista afirmou ser uma música sobre a sua história, envolvendo a Nova Zelândia, sua família, passado e futuro.

Lorde e Jack Antonoff, produtor musical reconhecido no pop feminino, que também desenvolveu o último álbum da cantora, Melodrama, construíram de forma excepcional os sons orgânicos, com baterias e guitarras de verdade, e as melodias mais suaves. Não sabemos se essa nova era irá perdurar por muito tempo, mas todo mundo deveria ouvir essa verdadeira obra de arte.

Escute o álbum completo:

O impacto do TikTok na indústria musical

TikTok, aplicativo que permite criar e compartilhar vídeos de até 3 minutos, foi criado em 2016 e ganhou popularidade internacional no final de 2018. Uma das razões da febre dessa plataforma é o fato de poder adicionar sons e músicas aos vídeos, criando desafios, danças, memes, entre outras coisas. Assim, os usuários têm acesso muito fácil a novos artistas e músicas, o que acaba impactando diretamente a indústria musical.

          O algoritmo desse aplicativo funciona de forma diferente de outras redes sociais, que costumam favorecer quem tem mais seguidores e pagam por anúncios. O Tiktok possibilita que qualquer pessoa consiga viralizar com seus vídeos independentemente desses fatores, e por entregar vídeos personalizados na página “Para Você”, usuários com gostos e interesses similares recebem esse conteúdo. Dessa maneira, pequenos e novos artistas têm mais chances de ter um hit de sucesso.

          Esse foi o caso de artistas como Lil Nas X, Doja Cat e Olivia Rodrigo, são apenas alguns dos nomes que alcançaram o topo das paradas da Billboard e Spotify ao viralizar no Tiktok com suas músicas Old Town Road (17 semanas em 1º na Billboard Hot 100), Say So (1 semana em 1º na Billboard Hot 100) e Drivers Licence (9 semanas em 1º na Billboard Hot 100), respectivamente, que foram além dessa rede social e hoje continuam fazendo extremo sucesso e são consideradas estrelas do mundo da música.

          Além desses artistas que todos conhecem, há outros casos, como o de Tai Verdes, um jovem de 25 anos. Tentou diversas vezes participar de programas como ‘American Idol’ e ‘The Voice’, mas nunca foi aceito. Seu sucesso começou ao postar seu primeiro single Stuck In The Middle no Tiktok com a legenda “se esse vídeo tiver 1000 likes eu lanço essa música” e de noite para o dia, já acumulava milhares de curtidas. O hit virou tão popular que alcançou primeiro lugar no Viral 50 – USA no Spotify e foi considerada pelo New York Times como uma das melhores músicas de 2020. Hoje, tem milhões de streams e visualizações, e Tai continua fazendo sucesso com outros singles e seu novo álbum TV.

@taiverdes

If this gets 1000 likes I’ll put this song out.

♬ original sound – taiverdes

          Esse fenômeno não acontece somente com lançamentos, mas também com músicas de décadas atrás, como foi o caso de Dreams do Fleetwood Mac, lançada em 1977, em que Idahoan Nathan Apodaca, um tiktoker famoso, postou um vídeo com ela de fundo e logo estava entre as músicas mais procuradas do momento. Para ter noção do impacto, ela voltou a Billboard Hot 100 pela primeira vez em quatro décadas na 21ª posição, a melhor colocação do Fleetwood Mac desde 1988, quando Everywhere ocupou o 17º lugar. A música também ficou em 2º no Hot Rock & Alternative Songs, 20º no Global 200, e 68º na Global Excluding US. Fora que, de acordo com a Nielsen Music/ MRC Data, a música teve 13,4 milhões de streams e um aumento de 197% nos downloads. Além disso, o álbum Rumours e outros singles também receberam atenção do púbico e tiveram ainda mais conquistas.

          Pelo Tiktok ter toda essa influência, cada vez mais a indústria musical está tendo que se adequar à plataforma, lançando pedaços de músicas para teste, fazendo remixes e remasterizações. Gravadoras e produtores musicais têm até pagado grandes tiktokers para gravarem danças e trends com suas músicas, pois o alcance desses influencers como Charlie D’Amelio (122,8 milhões de seguidores) e Addison Rae (82,7 milhões de seguidores) é extremamente alto e isso tem mostrado dar dado muito resultado. Alguns exemplos são; a rapper Flo Milli, que pagou $200 ao tiktoker Michael Pelchat, para tornar a dança de Beef Flomix mais popular, o vídeo foi um sucesso, logo após assinou com a RCA Records e hoje tem milhões de seguidores e streams em praticamente todas suas músicas. Outro caso foi de The Kid LAROI com sua música Addison Rae chamou a atenção da mesma e hoje está nominado a Artista em Ascensão no VMA 2021.

@addisonre

moms reaction to hearing the song @sherinicolee

♬ Addison Rae – The Kid LAROI

          O TikTok é além de tudo, uma ferramenta de marketing. Ele continua a controlar quais músicas são ouvidas e quais se tornam populares. Assim, há a controvérsia, de que tudo isso faz os artistas pensarem apenas no sucesso de vendas imediato e colocação nas paradas ao invés de qualidade da produção a longo termo, já que músicas estouram e semanas ou dias depois são consideradas “velhas”. Mas, isso também se relaciona ao momento que estamos vivendo, onde sempre tem muitas coisas acontecendo, muito rápido e como temos acesso fácil a todas essas coisas, nossa capacidade de manter atenção diminui, consumimos demais e acabamos nos cansando rapidamente.

          Ainda não se sabe os totais efeitos do Tiktok, em nós, nem na indústria musical, se músicas feitas para vídeos curtos podem separá-la como forma de arte. Porém, é um fato que o aplicativo tem proporcionado inúmeras oportunidades e mudado a vida de muitas pessoas.

[Resenha] Billie Eilish abre seu coração em novo álbum “Happier Than Ever”

Billie Eilish, a maior sensação dos últimos anos, lançou 30 de julho seu segundo álbum Happier Than Ever, ele foi bem avaliado pelos críticos e teve conquistas inéditas ainda na primeira semana de lançamento.

Com 16 faixas e 56 minutos de duração, o álbum conta uma história de superação, críticas e amadurecimento, com começo, meio e fim. Com experimentações de melodias e vocais fortes, as músicas exploram de maneira muito honesta e íntima os sentimentos da Billie enquanto passava por esses momentos. O álbum começa com Getting Older, onde ela fala sobre as dificuldades da fama, a pressão que sente, abusos que sofreu, trauma e como as pessoas se cansam rápido das coisas. Uma letra bastante sincera e vulnerável para introduzir o clima do resto do álbum.

Em seguida, na faixa I Didn’t Change My Number, que possui uma batida mais animada, mas ainda com letras profundas, ela canta sobre um relacionamento passado, a separação e se afastamento dessa pessoa e menciona conselhos de amigos sobre a situação. Uma surpresa para nós do Brasil: em Billie Bossa Nova, ela diz ter se inspirado na melodia no grande cantor brasileiro de Bossa Nova Antônio Carlos Jobim, e que Garota de Ipanema é uma de suas músicas favoritas. É fácil notar a referência no ritmo e isso deixa ela uma música muito boa de ouvir para ficar de boa.

my future, primeiro single do álbum, lançado ainda em 2020, Billie diz estar ansiosa para o futuro, mas de uma maneira otimista e como ficar sozinha é importante mesmo que seja difícil. Oxytocin — em português Oxitocina — é um hormônio conhecido como “hormônio do amor”, essa é uma das experimentações do álbum. Com a mistura de ritmos e batidas, a música foi feita para ser tocada ao vivo, de acordo com a cantora.

GOLDWING, a faixa mais curta do álbum, se inicia com vocais parecidos com corais de igreja, mas fica animada conforme passa. Há um contraste no quarto single Lost Cause, que conta sobre seu descontento em uma relação enquanto o clipe mostra Billie e amigas dançando, cantando e se divertindo. Em seguida, temos Halley’s Comet, sobre a sensação de se apaixonar.

Not My Responsibility, anteriormente um interlude, e OverHeated criticam a objetificação de mulheres e celebridades, sua imagem e a forma como as pessoas decidem seu valor com base em seu corpo. Everybody Dies — em português Todo Mundo Morre — é exatamente sobre isso e como é algo assustador e triste, mas reconfortante ao mesmo tempo. A faixa seguinte, Your Power, terceiro single do álbum, é feita para as pessoas se relacionarem com a letra e inspirar mudanças, ela fala sobre passar por diferentes situações em relacionamentos abusivos.

Agora com o quinto single NDA, Eilish retorna com um assunto recorrente pelo álbum: sua dificuldade com lidar com a fama, principalmente ao que se refere a manter relacionamentos privados. Para descontrair um pouco, chega o single “Therefore I Am”, uma faixa mais animada, com um clipe que representa esse sentimento. Dirigido pela própria Billie, ela anda por um shopping vazio se divertindo livremente.

O último single Happier Than Ever, que dá o nome ao álbum e a última música Male Fantasy, de certa maneira se completam. Ambas foram feitas com muito sentimento e emoção e falam sobre um término de relacionamento com uma pessoa que não te fez bem. Apesar de falarem sobre a mesma coisa, Happier Than Ever parece ser mais um desabafo e Male Fantasy, uma crítica, que também traz elementos de Not My Responsibility, dessa maneira, sendo mais forte para fechar o álbum.

Billie e Finneas, seu irmão e produtor musical, são uma ótima dupla, muito talentosa e é possível ver a evolução dos dois desde When We All Fall Asleep, Where Do We Go?. Billie cada vez mais melhora seus vocais e cresce como compositora. Finneas produziu e co-escreveu o albúm excelentemente e hoje já está entre os melhores produtores de Hollywood. Podemos ver facilmente como eles trabalham bem juntos, formam uma combinação que permite transmitir de maneira clara as mensagens de suas músicas. Com os conceitos visuais, a qualidade sonora e lírica, o álbum deve fazer ainda mais sucesso do que já faz.

Escute o álbum completo:

O Que Toca Na Frenezi

A Frenezi é uma revista que fala sobre diversos assuntos e faz todo tipo de conteúdo, desde matérias sérias até até quizzes descontraídos.

E óbvio que para estreia do nosso site não poderia faltar algo especial… Então decidimos fazer várias playlists, para todos os humores e sensações. Para começar, agora você pode acessar o Spotify da revista e já dar play na nossa playlist ‘pov: você está lendo a Frenezi’ para entrar nesse clima de estreia e se contagiar com a frenezia!