O racismo cada vez mais violento e explícito no Brasil

Na última segunda-feira (24), o Brasil se deparou com mais uma situação de violência explícita. Moïse Mugenyi Kabagambe, um jovem congolês de 24 anos, foi brutalmente espancado até a morte após cobrar ao seu patrão o pagamento por duas diárias atrasadas. Moïse trabalhava em um quiosque na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, área fortemente dominada por narcomilícias.

O jovem Moïse Kabagambe, de 24 anos. | Imagem: [Instagram]

A vítima apanhou por 15 minutos por 5 homens que, segundo testemunhas, usaram pedaços de madeira e um taco de beisebol. O corpo foi encontrado em uma escada, próxima ao quiosque, amarrado e já sem vida. Segundo o laudo do IML, Moïse sofreu hemorragia e contusão pulmonar, traumatismo torácico, além de broncoaspiração no sangue. Os familiares só foram avisados da morte da vítima no dia seguinte. A DHC do Rio de Janeiro já investiga o crime.

Após assistir ao vídeo das câmeras de segurança, Yannick, primo de Moïse, afirmou que os agressores foram embora e apenas o gerente do quiosque (que também participou da tortura) permaneceu no local. “Ele [Moïse] ficou deitado no chão, como se nada estivesse acontecendo. Trabalhando, atendendo cliente. E o corpo lá”, completou. “Uma pessoa de outro país que veio ao seu país (Brasil) para ser acolhido. E vocês vão matá-lo porque ele pediu o salário dele? Porquê ele disse: ‘Estão me devendo’?”, questionou Chadrac Kembilu, outro primo de Moïse, em entrevista para o G1.

 A vítima deixou sua terra natal em direção ao Brasil em 2011, fugindo, com a família, da guerra e da fome. Apesar do país ser um receptor dos refugiados, com a obrigação de acolher e proteger vidas, o racismo e a xenofobia contra os imigrantes é constante.

Uma matéria da BBC Brasil afirma que, de acordo com o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), os congoleses são o segundo maior grupo a ter a solicitação de refúgio acolhida pelo governo brasileiro depois da Síria, com 953 pedidos reconhecidos entre 2007 e 2017, o equivalente a 13% dos refúgios acatados no período.

A noção de que o Brasil é um país hospitaleiro, onde todos os estrangeiros e imigrantes são bem-vindos, não passa de um “mito”, diz o pesquisador Gustavo Barreto, para o Brasil de Fato, após analisar mais de 11 mil edições de jornais e revistas entre 1808 e 2015.

Em entrevista à jornalistas em Madri, no ano de 2018, Angela Davis já previa o esperado: O racismo estava voltando a ser violento e explícito. Na época, o Brasil e os EUA estavam interligados pelo regime nacionalista supremacista — que continua até hoje em uma cultura de ódio e frequente extermínio da população negra.

Segundo Willians de Jesus Santos, mestre em Sociologia pela Unicamp e pesquisador da Fapesp, toda essa violência presente nos atuais processos de deslocamento para o país tem uma base política, cultural e racista histórica. A estética da modernidade foi até a década de 1930, o modelo político que pautou as imigrações. 

Contudo, o tipo de suspeito padrão no caso dos imigrantes e refugiados é perceptível nos estereótipos presentes nas narrativas cotidianas de brasileiros e da grande mídia: torna-se a principal vítima dos espancamentos; das tentativas de homicídio; do abuso de autoridade ou omissão institucional; e das estratégias para exclusão social segundo a lógica do inimigo interno e externo, que traduzem a existência de problemas sociais que não são resolvidos.

A barbárie da última segunda, que tirou a vida de Moïse, gerou repercussão nas redes sociais. Lideranças do movimento negro cobram por justiça e a punição dos envolvidos. Apesar do envolvimento dos agressores com o tráfico e a milícia, conforme afirmações de denúncias, ativistas ainda possuem esperança de que esses grupos sejam punidos.

A influência do booktok e do bookstagram para o estímulo à leitura

Segundo a pesquisa feita em conjunto pela Nielsen BookScan e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), o mercado literário teve um salto de 38,2% entre os meses de janeiro e agosto deste ano e o mesmo período de 2020. Sendo o Brasil um país com pouco incentivo a literatura, isto marca um grande avanço neste setor.

A carência de programas públicos de incentivo a esse hábito resultou em 79% dos projetos sediados nas redes sociais, aponta o mapeamento feito pelo Itaú Cultural e a PUC-Rio. Ainda, de acordo com os registros, mais da metade desses projetos são de recursos próprios.

Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais comum se deparar com um vídeo no Instagram ou no TikTok acerca de algum livro. De indicações a memes, os perfis literários têm tido, cada vez mais, um papel crucial nessa fomentação à leitura. Apesar desses perfis não serem novidade, as ferramentas de Reels e a For You trouxeram uma nova forma dos leitores se comunicarem e trocarem experiências entre si.

NA VISÃO DO CRIADOR DE CONTEÚDO

“Eu decidi montar um perfil literário porque eu queria conversar com mais pessoas sobre livros. Eu tenho uma irmã que lê também, mas ela tem 13 anos e eu tenho 22. Então eu queria conversar sobre dark romance, romance hot com quem também gostasse de ler e no TikTok eu encontrei isso. Na verdade, eu comecei sem imaginar seguidores e crescer, eu comecei a publicar ali como forma de diversão e daí cada vez mais as pessoas foram aparecendo”, contou Bruna Oliveira, produtora de conteúdo.

Bruna é do interior do Paraná e conta com mais de 40 mil seguidores no seu TikTok. Nele, a influenciadora fala principalmente de ebooks, mas também aborda livros físicos, além de, claro, vários memes super divertidos.

Ao ser perguntada sobre o seu poder de influência, Bruna diz que fica muito feliz em poder influenciar as pessoas nesse quesito e que acha isso maravilhoso.

“Quando me mandam mensagem falando que a lista de leitura delas só tem livros que eu indico, ou quando vão ler um livro entram no meu perfil pra ver se eu  já li e gostei, ou que voltaram a ler por causa de mim. Foi aos pouquinhos que eu fui tendo noção disso e hoje em dia tenho que estar tomando um pouquinho de cuidado quando eu vou falar de um livro. Quando eu estou lendo eu reflito bastante sobre qual nota dar, quais gatilhos tem pra poder avisar as pessoas porque eu sei que eu tenho essa influência e é maravilhoso influenciar as pessoas a ler, sabe? O Brasil é um país que lê tão pouco, então eu fico muito feliz de poder mudar isso.”

Na pesquisa sobre os hábitos culturais dos brasileiros, desenvolvida pelo Itaú Cultural e Datafolha, 40% dos entrevistados declararam ter lido livros digitais durante os anos de 2020 e 2021. Sobre isso, a influenciadora declarou:

“Eu sou uma grandíssima defensora do Kindle (risos). Eu leio muitos romances nacionais, então a maioria das autoras independentes publicam na amazon. Durante a pandemia cresceu muito a quantidade de leitores e o ebook facilita esse acesso porque ele é mais barato e quem não tem o dispositivo do Kindle pode usar o aplicativo de celular. Ele possibilita você ler mais por que sempre tem promoção de 1,99, então ele também abre caminho para essas pessoas lerem mais. A maioria das minhas seguidoras leem muito mais ebooks do que livros físicos. Tem seguidoras minhas que nem leem livros físicos.”

Entretanto, com o sucesso desses livros digitais, muitos acabam pirateando livros de autores nacionais independentes. Além de ser caracterizado como crime de direitos autorais, a prática prejudica muito tais autores.

“É muito difícil, sabe? É um assunto que me deixa muito irritada quando eu vou falar sobre porque eu conheço autoras independentes e tem algumas que passam 1 ano escrevendo um livro. Diagramação, capa, revisão, não é algo barato. Tem escritoras que gastam de mil a dois mil reais ou até mais para publicar um livro porque querem fazer algo muito bom. Recentemente teve uma que publicou às 20h, às 22h o livro já estava sendo pirateado em grupos. Tem grupos de leituras que a quantidade de leitores é maior do que na Amazon. As autoras ganham menos de 1 centavo por página lida, se o livro custa 2 reais elas ganham menos do que isso porque fica uma porcentagem na Amazon e o que é mais revoltante é que tem administradoras desses grupos que vendem os pdfs desses livros por 5/10 reais”, disse Bruna a respeito dessa situação.

Finalizando, ela ainda deixou uma crítica ao estigma associado a livros clássicos, o mercado literário e ao sistema educacional brasieiro.

“Ainda há um estigma das pessoas, por exemplo quem lê romance, fantasia, não é leitor. E isso é porque aqui acham que a gente tem que crescer lendo os clássicos, com 11 anos ler Machado de Assis e é impossível uma criança de 11 anos gostar Machado de Assis. Eu fui me interessar por ler quando eu já era mais velha. E também tem as questões dos valores, o mercado literário brasilierio é caro, mas depois que veio as redes, deu pra ver que tem outras formas de você conseguir ler, mostrar que tem livros muito mais legais que os clássicos. Na verdade é uma discussão enorme porque o sistema educacional brasileiro é muito difícil, é uma bola de neve que vai ficando cada vez maior  e chega num ponto que para conseguir reverter isso é uma mudança em vários âmbitos.”

NA VISÃO DO LEITOR

Jamile Oliveira, estudante de fisioterapia, tem 20 anos e é uma leitora e seguidora assídua de perfis literários, ela afirma não saber mensurar a importância deles para ela e que todos os livros que ela leu foram por indicação.

“Eu não consigo mensurar a importância que esses perfis têm pra mim, nesse ano, em meio a pandemia, o que me salvou de enlouquecer foi ler, era um costume que eu sempre tive mas com a correria da vida acabei diminuindo um pouco, aí veio o covid e o isolamento e me fez recuperar o costume de ler mais e o booktook e o bookstagram foram preciosos nesse momento, absolutamente todos os livros que eu li foram por alguma indicação de lá.

Ela ainda diz que a dinâmica que os livros são apresentados é o que a faz ir atrás deles.  “Inclusive houve uma trend no tiktok a era chamada fofoca literária que consistia no tiktoker contar uma história como se tivesse se passado com ele e no final revelar o nome do livro”, conta Jamile

NA VISÃO DO LOJISTA

Para Haynna, CEO da Bello Sebo, essas indicações e a procura dos leitores por ela cooperam para a venda de certos títulos.

“São considerados os livros hypados porque muita gente começa a comprar. Eu inclusive acompanho muito essa demanda na amazon, as vezes um livro fica em primeiro lugar na amazon essa semana porque um perfil literário indicou, então a influência que tem nesse meio é muito boa. Inclusive a gente já fez parceria com vários bookstagram, agora vamos começar também com booktok, isso influencia e muito desde os mais contemporâneos aos clássicos no mercado literário.”

Encontrar esses livros com mais hype em sebos comuns é mais difícil e isso acontece devido a faixa etária das pessoas que frequentam até a baixa procura por esses livros, sobre isso Haynna comentou.

“Aqui no Bello Sebo a gente preza muito os desapegos, as pessoas estão acostumadas a trocar/vender e como aqui na região não tem muitos sebos que não compram, só trocam, o pessoal gosta de vim aqui. Trabalhamos de uma forma honesta, pagamos aquilo que é justo e com isso a gente acaba recebendo uns títulos bem legais, também temos contato com muitos IGs literário e muitos recebem de editoras para resenha, então pra não acumular eles desapegam, por esse motivo temos muitos livro hypado.”

Ademais a CEO também informou a forma como o seu Sebo atua, diferente dos outros, a Bello Sebo conta também com uma loja online além da física em São Paulo. Com isso, Haynna buscou inovar nesse mercado.

“A gente procurou ser o diferencial, tanto no atendimento, como nas formas de envio porque hoje em dia os sebos que existem são de pessoas mais velhas que estão na administração e dai eu vim pra inovar, tanto que depois que a gente passou a alimentar mais as redes sociais, criar o site, muitos sebos se inspiraram na gente”, disse ela.

Haynna também diz que a forma como trabalham com compra, venda e troca é mais um diferencial do seu negócio.

“A gente trabalha com compra, venda e troca. A compra seria diretamente na loja física porque a gente ainda não tem possibilidade de comprar de outras regiões por conta do frete porque aí o preço do produto para revenda não vai compensar, fazemos uma avaliação dos preços que estão atualmente dos novos e seminovos e o valor você pode utilizar na loja para troca ou então a gente faz um pix do valor. Além da opção de trazer seus livros para trocar, aqui temos uma prateleira na loja física onde pega um livro e deixa outro no lugar e isso é pra incentivar a leitura do pessoal da região.”

Ao ser perguntada a respeito da importância dos sebos atualmente, vigente ao fechamento de várias livrarias no país, Haynna afirmou ser uma situação muito triste e que acredita que toda forma de incentivo a leitura é importante.


“Muita gente ainda tem um conceito de sebo de livro velho, mofado, sujo. Todos os nossos livros são higienizados principalmente agora com a Covid. Isso é muito triste porque eu mesma acabei fazendo amizade com muitos donos de sebo, inclusive um que ajudou muito a gente no começo, ele fechou e eu fiquei muito triste com aquilo porque os livros já não são valorizados no brasil, autor nacional não ganha nada e se a gente não valoriza essa literatura, não vai ser um estrangeiro que vai valorizar. Então isso me deixa muito triste quando uma livraria, um sebo fecham porque estão indo muitas histórias com ele. É o que eu sempre falo, livro não tem só uma história, o livro de sebo ele tem mais de uma, a de quem era o antigo dono e a dele mesmo. Então eu fico muito chateada quando vejo um perfil literário entrando em contato para oferecer um lote de livros porque não vai mais funcionar, eu acho que é muito importante qualquer forma de incentivo a literatura no Brasil principalmente”, finalizou.

Como será o final do ano para os brasileiros que perderam entes queridos para a Covid-19?

Ninguém sabe a resposta. Aliás, parte da “naturalização” dos mais de 600.000 mortos pela doença, são mais que um gatilho para a população, ainda mais para aqueles que perderam amigos e família.

O caloroso retorno das atividades presenciais — o famoso “novo normal”, não aquece o suficiente os corações dos familiares das vítimas. A estudante de psicologia, Julia Bonomo, destrincha este processo e diz que, primeiramente, é preciso que o luto seja vivido e não reprimido.

“Não é saudável esconder certos tipos de sentimentos, eles precisam ser externados, além disso, o luto é um processo necessário que aflora o amadurecimento e autoconhecimento. A psiquiatra suíço-americana Elisabeth Kübler-Ross em seu livro “Sobre a Morte e o Morrer” de 1969, descreve cinco estágios do luto, são eles:

1o – negação
2o – raiva.
3o – barganha
4o – depressão
5o – aceitação”

Julia ainda ressalta: “Apesar de cada indivíduo ter seu tempo de viver o luto, ele tem inicio meio e fim, se o processo da depressão se prolongar e não chegar o estágio da aceitação ou houver muita dificuldade de se adaptar a nova realidade é importante buscar ajuda psicológica. Esse estado é chamado luto patológico, ele ignora todas as etapas que necessitam ser vividas, nele o processo de luto não termina e isso acaba interferindo negativamente na vida e nas atividades diárias da pessoa.”

Para Butler, as diferentes formas de viver o luto também demonstram as desigualdades sociais — enquanto algumas pessoas têm amplo direito de serem enlutadas, outras não o têm e, por isso, as suas mortes seriam mais naturalizadas.

É possível pensar que a morte de uma pessoa não é somente um acontecimento clínico, mas também algo que diz respeito à política e à ética, já que o modo de tratar essas perdas varia a depender de quem morreu, diz Carla Rodrigues, professora de Filosofia na UFRJ ao Estadão.

O luto no contexto da Covid ainda traz uma peculiaridade que, para a mesma, se assemelha à de uma situação de guerra. A experiência de perder sucessivamente um ou diversos entes queridos, como aconteceu com algumas famílias, gera situações muito específicas e diferentes do normal.

Luiz Carlos Azedo, jornalista do Correio Braziliense, em sua coluna relata que, o luto ocorre porque a perda física do ente querido não elimina o afeto. É uma ausência de difícil aceitação no tempo em que ocorre, porque o amor sobrevive. Isso gera uma negação, que se manifesta de forma silenciosa, muitas vezes, como fuga da realidade; num segundo momento, vem a revolta, muitas vezes inconsciente e inexplicável. Leva tempo para que as pessoas superem a depressão subsequentemente e aceitem a perda, para que a vida plena se restabeleça. Mas não existe esquecimento. Aceitar não é deixar de sentir. O luto se torna um marco na vida pessoal. A resiliência diante da morte também gera simpatia ou engajamento em movimentos que sejam antítese da sua causa. Na pandemia, a naturalização das mortes pode ser também uma fase de um luto coletivo. Muito mais amplo e profundo.

A entrevistada, Julia Bonomo, sugere algumas maneiras saudáveis de lidar com o luto.
• Não se cobre pelo tempo tirado para viver o luto, dê tempo a si mesmo
• Ignorar a dor pode trazer consequências piores no futuro, portanto não menospreze
seus sentimentos
• Se ocasionalmente você se sentir confortável, passe seu tempo com amigos e familiares, caso contrário, não há problema em se distanciar um pouco e garantir sua privacidade. Mas nunca deixe, mesmo que aos poucos, de tentar voltar a rotina, procure hobbies novos, se exercite e ocupe sua mente com coisas que goste.

Na pandemia, a AVICO Brasil foi criada, para dar apoio emocional às pessoas que ainda
não conseguem sair do luto.

“Alguns desejam apenas compartilhar a dor enquanto outros pedem apoio para lutar judicialmente por direitos — seja porque perderam seus empregos após curar-se da doença, por não conseguirem provar suas sequelas para alcançar uma licença pelo INSS ou porque perderam parentes que eram as principais fontes de renda e que agora correm até risco de despejo por não conseguirem pagar o financiamento de casa”, diz Paola, assistente social em entrevista ao El País.

“A associação foi fundada em 08 de abril de 2021, na cidade de Porto Alegre/RS, a partir da indignação de dois defensores dos Direitos Humanos, Gustavo Bernardes e Paola Falceta, com a ineficiência e negligência do Estado diante das múltiplas consequências da pandemia de covid-19 na vida dos brasileiros.

Promover debates e discussões sobre o enfrentamento à pandemia da Covid-19 e suas consequências físicas e emocionais; Promover e defender a saúde pública, o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS); Promover e defender a Política Nacional de Imunização (PNI); Apoiar a pesquisa e o desenvolvimento de ações de enfrentamento a Covid-19; Promover o apoio jurídico e psicossocial para as vítimas (sobreviventes) e familiares de vítimas da Covid-19, através dos grupos de apoio”, segundo a história da empresa, disponível no site.

Por fim, para Mariel Corrêa de Oliveira, os atravessamentos causados pela pandemia podem implicar diretamente nos mediadores do luto podendo interferir de forma negativa nas tarefas do mesmo, trazendo assim implicações para a saúde mental dos indivíduos enlutados e a atenção primária à saúde, por sua atuação territorial, bem como por suas características essenciais de acesso aberto e cuidado longitudinal. Considerando que nesse
contexto aumentam suas possibilidades, entendendo esse luto como um processo mais intenso e duradouro, pois “em pandemia temos o processo de luto sofrendo atravessamentos, com desdobramentos que potencializam o risco de agravar os sofrimentos psíquicos individuais e coletivos” (Fiocruz, 2020, p.2).

[…] Entender que todos estamos vivenciando um luto coletivo e como podemos agir com respeito aos nossos próprios sentimentos e com a dor do outro é de extrema importância para que possamos enfrentar melhor o sofrimento que a pandemia vem produzindo, como o luto abordado neste ensaio.

O crescimento do E-Commerce e dos pequenos negócios durante a pandemia

Durante a pandemia do Coronavirus, as taxas de desemprego aumentaram consideravelmente no Brasil. Com isso, muitas pessoas se tornaram autônomas e, por esse motivo, houve o crescimento dos pequenos empreendimentos nesse período.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a taxa de desocupação no país subiu de 7,9% em 2012 para 14,7% em 2021. Algumas regiões como Sudeste e Nordeste chegaram a atingir, respectivamente, 15,2% e 18,6% na sua taxa de desocupação.

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

Devido ao fechamento e a quebra dos comércios durante o lockdown, os brasileiros decidiram sediar seus negócios em plataformas digitais, levando em consideração os benefícios que esta oferece. Em entrevista, a empreendedora Isabela Guedes, dona do Empadinhas da Isa (@empadinhasdaisa), conta que um dos motivos para a abertura da sua loja foi obter uma renda extra.

“A pandemia veio e pegou todos nós de surpresa. Eu havia começado a vender as empadinhas no colégio, após minha mãe me ensinar a fazê-las. Com a pandemia eu não pude continuar e foi aí que pensei em criar um Instagram e expandir as empadinhas. Foi aí que eu criei o Empadinhas da Isa”, disse a empreendedora.

Com todos os empecilhos que o confinamento trouxe, ela afirma que tinha suas dúvidas quanto ao seu empreendimento.

“No início era incerto e duvidoso, eu tinha medo de não dar certo, mas fluiu tudo bem no início. Tive meus momentos de pensar em desistir, pois ter/manter um negócio, por menor que seja, não é nada fácil”, conta Isabela.

Entretanto, segundo o Relatório E-commerce no Brasil da agência Conversion, o comércio eletrônico registrou, em outubro de 2020, 1,28 bilhão de acessos. O resultado demonstrou um aumento de 9,7% comparado ao mesmo período de 2019, isso apesar da reabertura das lojas físicas em todo o país.

“Não esperava o crescimento que tive, fiquei surpresa com a quantidade de pessoas que eu conquistei como cliente”, explicou a CEO sobre o retorno que obteve do seu projeto.

A visão do consumidor

Graças a evolução da tecnologia, hoje é possível encontrar de tudo a apenas um toque de distância. Conhecido como e-commerce, o comércio eletrônico ganhou destaque nos últimos anos por causa da falta de acessibilidade a shoppings e lojas em virtude da pandemia.

Com destaque para o setor de importados (+91,72%), a Shopee, sozinha, teve em março de 2021 a maior taxa de crescimento da categoria, atingindo +1954%, em comparação a 2020.

Reprodução: Conversion

O estudante de publicidade e comprador assíduo da plataforma, Rafael Rabelo, conta que hoje em dia faz muito mais compras em e-commerces do que em lojas físicas.

“A Shopee e outras plataformas oferecem preços melhores, um catálogo maior de produtos com qualidade, fora as ofertas e cupons disponíveis e também boa velocidade de entrega”, disse o publicitário.

Hoje em dia muitos brasileiros têm preferido fazer suas compras online, uns por maior comodidade, outros pela vastidão de opções.

“Esse novo modelo facilita muito a procura de produtos, você consegue comparar preços mais facilmente em vários lugares diferentes, além da comodidade de pode fazer isso de casa, sem precisar passar horas na rua buscando o que precisa”, explicou Rafael.

A exploração das costureiras na indústria da moda em São Paulo

A indústria da moda é a que mais recebe denúncias por recrutar pessoas em situação insalubre e por utilizar mão de obra análoga à escravidão ou informalidade na legislação. Segundo dados sistematizados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), mais de 1 milhão de mulheres trabalhadoras no setor têxtil do Brasil são informais.

A cadeia de produção das peças de roupas é complexa e longa, passa por etapas intensas desde o plantio de insumo, tratamento dos fios, tecelagem, tinturaria até a confecção. Em busca de minimizar os custos da mão de obra, grande parte das empresas terceirizam a sua produção e as terceirizadas também “quarteirizam” o trabalho.

A superexploração do setor têxtil é recorrente desde o século passado no Brasil, mas, em São Paulo, o crime está fortemente vinculado a questão da imigração: 93,1% das mulheres resgatadas entre 2003 e 2018 eram imigrantes.

Na grande maioria dos casos isso se dá na atividade da costura, fundamental para a indústria da moda e tradicionalmente conhecida como feminina, porém é uma das etapas menos valorizadas por fazer uso extensivo de mão de obra. Por conta dessa desvalorização, a costura é considerada uma das grandes portas de entrada da mulher pouco qualificada para o mercado de trabalho. Não é mera coincidência que grande parte dos trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão inseridos na indústria da moda seja feminina, imigrante e indígena. 

Elaine Paixão, nascida em Belém do Pará e morando em São Paulo há 16 anos, conta que começou a ter interesse pela costura ao fazer roupas para as duas filhas, descosturando as peças e aprendendo a fazer os moldes por conta própria. Seu primeiro trabalho como costureira foi a venda de panos, mas hoje em dia, já conta com um ateliê próprio.

Elaine Paixão. [Imagem: Reprodução Instagram PROVOKE, @prvk]

Sua jornada em São Paulo no ramo da costura foi grande e ainda continua, porém, de acordo com Elaine, é uma história de superação. Em um de seus primeiros trabalhos, ganhava de R$ 30 a R$ 40 reais por dia, só que a pressão para trabalhar é a que mais pesava. No seu primeiro dia, a dona do local se colocou em frente a máquina de costura para observá-la trabalhando. Mesmo com 1h de almoço, Elaine não costumava ficar fora, pois tinha medo de não receber seu pagamento no fim do dia.

“Eu precisava trabalhar porque a minha filha era muito pequena e eu sou sozinha, não tenho marido, se eu não trabalho, eu não tenho dinheiro.”, conta.

 No trabalho atual, Elaine ganha por peça, mas afirma que a pressão continua sendo muito grande. Com uma alta demanda e um curto prazo de tempo para entrega, teve que trabalhar em finais de semana, madrugadas e, algumas vezes, tendo que ir dormir apenas no período da manhã.

Ela já recebeu propostas para trabalhar em lojas grandes de departamento, mas não aceitou pelo salário baixo. Alguns lugares chegavam a oferecer como pagamento 25 centavos por peça.

“Tem lojas grandes que, por exemplo, vendem uma calça por 300 reais, mas a costureira ganha R$4 pela peça.”

Mas, o que Elaine mais sente falta mesmo, é a valorização do trabalho da costureira. A solução que ela encontrou foi investir em seu próprio ateliê porque percebeu que as marcas valorizam mais quando a costura não é realizada em casa e sim, em um micro comércio.

Em uma pesquisa feita através de um questionário, foi relatado que 46,2% das pessoas antes de comprar uma peça de roupa, não questionam quem costurou e em quais condições. E, mesmo que soubessem que a roupa foi confeccionada com mão de obra em condições análogas à escravidão, 19,2% das pessoas compraria a peça, se a quisessem muito.

A falta de uma fiscalização rigorosa é o que acarreta nos inúmeros casos de exploração na indústria da moda em São Paulo. Mas também é imprescindível destacar que, além de ser responsabilidade social das marcas garantirem condições justas às costureiras, é papel do consumidor cobrar atitudes das empresas. Afinal, são as mudanças no comportamento dos consumidores que traçam o caminho à construção de uma moda e sociedade mais justa e sustentável.

Mica: os bastidores do brilho da indústria da beleza

Lábios carnudos, pele aveludada e rosto simétrico são atributos de dar inveja à Geração Z nos dias de hoje. O segmento da beleza é uma das áreas mais exploradas de criação de conteúdo da internet – um exemplo disso são as inúmeras trends nos aplicativos de compartilhamentos de vídeo, como Instagram e TikTok. A influência das blogueiras no ramo também aumenta significativamente o consumo dos itens de maquiagem e skincare.

O grande sucesso da indústria da beleza é capaz de ‘maquiar’ as atrocidades que acontecem durante a produção do brilho e do glamour de cada produto.

Um dos ingredientes mais presentes nos iluminadores, sombras e brilhos labiais é a mica, um mineral escamoso natural, muito comum na Índia. Mas, antes que a mica seja processada e acabe em produtos de beleza, ela precisa ser extraída. O que muitos não sabem é que, na maior parte das vezes, os responsáveis por extraí-la do solo são as crianças.

Apesar do fato de que a mineração da mica representa sérias ameaças à saúde e segurança das crianças, as famílias dependem de sua extração para obter renda. A maioria das comunidades que vivem nas proximidades das minas de mica estão presas em um ciclo interminável de pobreza, exploração e abuso, no qual todos os dias são uma luta para sobreviver. Muitas famílias vivem à beira da fome, portanto não é incomum que as crianças abandonem a escola e se envolvam no trabalho infantil.

Estima-se que 22.000 crianças de até quatro anos trabalham em minas de mica em Jharkhand e Bihar e, devido à natureza ilegal e secreta do trabalho infantil, os números exatos são desconhecidos. A maioria das crianças que trabalham nas minas ganha cinquenta rúpias por dia, o equivalente a cerca de setenta centavos. Por outro lado, os atacadistas podem ganhar mais de mil dólares por 1 kg de mica de boa qualidade. Isso ilustra a escala de exploração e horrendas violações dos direitos humanos que ocorrem nas jazidas.

Trabalho infantil nas minas de mica em Madagáscar. Foto: Jan Joseph Stok, Terre des Hommes
Trabalho infantil nas minas de mica em Madagáscar. Foto: Jan Joseph Stok, Terre des Hommes.

A mineração ilegal de mica está associada a vários perigos para a saúde e segurança das crianças. A exposição constante à poeira pode causar doenças respiratórias e passar horas cavando o solo com as mãos desprotegidas coloca-os em risco de infecções e cortes de pele. Além disso, as minas frequentemente desabam, ameaçando a vida das crianças.

Quando os poços de mineração desabam, as crianças ficam presas sob as rochas e, com os locais sem supervisão, não há como obter ajuda adequada a tempo. As famílias vivem com medo constante de perder seus filhos e, como a mineração não é regulamentada, elas não têm direito a qualquer indenização em caso de acidentes. Trabalhar em minas ilegais também torna as crianças vulneráveis ao abuso sexual e físico ou ao tráfico de pessoas.

“Corri até a mina e vi minha filha deitada ali. Havia uma grande pedra em cima dela, e ela já estava morta”, conta uma mãe arrasada. A mulher é mãe de uma menina que perdeu a vida por conta do desabamento de um túnel numa mina. Ainda assim, a mãe acrescenta que como eles não têm outras opções, o resto da família, incluindo sua segunda filha, continuou a trabalhar no local após o acontecimento doloroso.

A Reuters, maior agência de notícias do mundo, informou que o governo de Jharkhand quer legalizar o setor, mas o processo está se arrastando. Se mais regulamentos fossem implementados, a mineração de mica criaria mais oportunidades de emprego para os moradores, dando-lhes melhores salários e diminuindo a necessidade de envolvimento das crianças. Por sua vez, as crianças teriam uma chance de um futuro que não envolva a sua própria exploração.

Para ajudar a acabar com o ciclo de abuso na mineração, algumas empresas de beleza têm explorado o uso da substância sintética. À primeira vista, parece uma solução sustentável: como a mica sintética é feita em laboratório, não há necessidade de trabalho infantil. Na realidade, porém, sua cadeia de suprimentos nem sempre é transparente e não há garantia de que o tipo alternativo do material seja totalmente livre de trabalho infantil.

Além disso, pode-se pensar que, como usuários finais que compram cosméticos de mica, nos tornamos responsáveis por contribuir para o trabalho infantil. Embora certamente haja alguma verdade nisso, na Índia, a vida de comunidades inteiras gira em torno da extração de mica. Portanto, abandonar completamente esses produtos significaria privar as famílias de sua única atividade geradora de renda.

Por mais explorador que seja o trabalho na mineração, ele permite que milhares de famílias sobrevivam. Sem a mica, a pobreza e o sofrimento em Bihar e Jharkhand atingiriam níveis inimagináveis. Portanto, em vez de apenas boicotar produtos que contenham mica, devemos intensificar os esforços para que sejam estabelecidos uma cadeia de abastecimento limpa, regulamentos para as minas de mica e uma remuneração justa para que as crianças não tenham que trabalhar.

Fonte: Fairplanet/Tradução e Adaptação por Louize Lima

Talibã no Afeganistão: o que está acontecendo no país

No dia 30 de agosto, os Estados Unidos concluíram a evacuação do Afeganistão após vinte anos de ocupação do território. Apesar das diversas oposições quanto à atitude do presidente Joe Biden, o secretário do Estado dos EUA, Antony Bliken, afirmou em depoimento durante o Congresso norte-americano nesta segunda-feira (13) que a não retirada das tropas do país resultaria em mais vinte anos de guerra. A decisão foi tomada um dia antes do prazo final estipulado pelo Talibã após retomar o poder no país.

Desde sua ascensão, o Talibã instaurou um regime totalitário e extremista baseado na lei islâmica. No último sábado (11), aniversário do atentado de 11 de setembro as Torres Gêmeas, o grupo hasteou sua bandeira no palácio presidencial do Afeganistão em Cabul, marcando o início oficial do governo interino do Talibã.

Contrariando as promessas de um gabinete inclusivo – após usurpar os direitos educacionais, trabalhistas e sociais das mulheres e meninas afegãs – o grupo fundamentalista nomeou apenas homens para o poder Executivo. Além disso, o novo governo substituiu o Ministério dos Assuntos da Mulher pelo Ministério da Virtude, departamento responsável por enviar às ruas a polícia religiosa que ficou conhecida por bater em mulheres acusadas de se vestir indecentemente ou de sair de casa sem um acompanhante do sexo masculino.

A EDUCAÇÃO NO AFEGANISTÃO

Neste domingo (12) foi instaurado que as escolas e universidades do país passarão a ser segregadas por gênero e que um novo código de vestimenta será adotado para as estudantes. O ministro do Ensino Superior, Abdul Baqi Haqqani, também anunciou que haverá uma revisão das disciplinas ministradas aos alunos universitários e que as aulas que sejam “contrárias” à lei islâmica (sharia) serão excluídas.

Sendo separados por uma cortina, homens e mulheres sofrem com tal reforma. A agência local “Tolo News” relatou que as instituições estão vazias. Ainda, um estudante contou que não há professores, nem estudantes e que muitos temem pelo seu futuro.

Imagem: John Smith 2021 e Shutterstock

Apesar das restrições aplicadas, o Talibã diz que não vai impedir que as mulheres recebam educação ou tenham emprego. Entretanto, desde que assumiu o controle em 15 de agosto, o grupo determinou o afastamento de todas as mulheres, exceto as do setor público de saúde, até que a “segurança do país melhorasse”.

RETROCESSO EM ANDAMENTO

Segundo a BBC, pelo menos 20 civis foram mortos em Panjshir no Afeganistão em detrimento dos combates entre o Talibã e as forças da oposição. Apesar das promessas de anistia e paz, há evidências de assassinatos cometidos pelo grupo.

Com isto, cresce o índice de cidadãos afegãos que fogem de seu país por medo dos combates, ocasionando em centenas de milhares de pessoas desabrigadas a procurarem refúgio em outros países.

Correndo risco de fome iminente até a chegada do inverno, a ONU (Organização das Nações UNidas), em conferência em Genebra nesta segunda-feira (13), diz que a taxa de pobreza do Afeganistão está em disparada e que os serviços públicos básico estão à beira do colapso.

Independência do Brasil: Por um Brasil independente da anti-democracia

Antidemocracia em fracasso

Por conta do 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, manifestações contra e a favor do presidente Bolsonaro foram realizadas em todo o país. As de maior destaque foram nas cidades de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Este tema ganhou repercussão nas últimas semanas, devido à tensão política no país, provocada por ameaças de intervenção militar pelo presidente e seus apoiadores.

No Rio de Janeiro, manifestantes protestaram a favor da liberdade e contra o passaporte da vacina, que valerá a partir do dia 15. O ato foi em Copacabana, com direito à música e discursos anti-democráticos. Cartazes também pediam por uma nova constituição, a criminalização do comunismo, o fim do pedágio e do IPVA para motociclistas.

Em Brasília, todos os militares se reuniram para garantir a segurança da cidade. Os manifestantes chegaram na parte da noite do dia anterior (6), no palácio do Itamaraty e invadiram o bloqueio, para ocupar a Esplanada dos Ministérios. Apesar do acesso de veículos estar interrompido, carros e caminhões também se transferiram para o local. Vídeos divulgados pela imprensa e que circulam nas redes sociais, mostram que a retirada das grades de contenção e barricadas não parece ter encontrado forte resistência por parte dos policiais. Na parte da manhã (7), houve discurso de Bolsonaro, que apostou em um tom messiânico nas palavras, com direito a chegada na Esplanada em um Rolls-Royce, dirigido pelo ex-piloto da Fórmula 1, Nelson Piquet.

Imagem: Paulo Lopes/São Paulo

Na capital paulista, a Polícia Militar estimou que cerca de 125 mil pessoas foram às ruas por conta do Dia da Independência e também demonstrar apoio ao atual governo. Houve na parte da tarde um discurso do presidente, que insistiu em pautar ações anti-democráticas e atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Trajados com as cores da bandeira e com cartazes contra a imprensa, o STF, e a esquerda, a maioria dos manifestantes não fizeram uso de máscara. Duas pessoas foram presas por furto de celular, e uma foi ferida por um drone.

Em Belo Horizonte, a concentração no Mineirão reuniu apoiadores do presidente usando camisas com os dizeres “Meu partido é o Brasil”, “sorria, não se mate” e “a vontade do povo é soberana”. Também exibiram cartazes evidenciando “STF com juízes de carreira”. A jornalista Malu Gaspar, do O Globo, informou que as manifestações impediram que chegassem cerca de 280 mil doses de vacina na capital, por temerem “represálias”. Cerca de 2,6 milhões de doses estão aguardando liberação para estados do país todo.

Na Bahia, manifestantes se reuniram no Farol da Barra, em Salvador, e pediram reformulação do Supremo, uso da força e voto auditável. O calor da manhã fez com que duas mulheres passassem mal, e foram atendidas pelo Corpo de Bombeiros. Os manifestantes caminharam até o Morro do Cristo, onde encerraram o evento.

Em Santa Catarina, a chuva não impediu que os manifestantes caminhassem. Quatro rodovias foram bloqueadas, inclusive importantes acessos em diferentes cidades do estado. Manifestantes também pediram por ações anti-democráticas. 

Em Goiás, manifestantes usaram máscara e diziam que Bolsonaro era a esperança do Brasil. O evento acabou às 13:30 da tarde.

Apesar dos discursos e cartazes que feriam a Constituição Brasileira, e poucas ocorrências nas manifestações, autoridades garantem que os protestos pelo país foram pacíficos. Embora o público atraído seja de apenas 6% do esperado.

 O Grito dos Excluídos pelo país

Em todo o país, também foram organizadas manifestações contra o governo Bolsonaro. O “Grito dos Excluídos” é um ato que denuncia as condições brasileiras há quase 30 anos. Os protestos pelo “Fora, Bolsonaro” são convocados pela Campanha Nacional Fora Bolsonaro, composta pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, além de partidos políticos, centrais sindicais e movimentos populares.

Imagem: Mídia Ninja/São Paulo

Ações de solidariedade e criatividade foram o marco nas manifestações democráticas. No vale do Anhangabaú, a CUT-SP e organizações parceiras promoveram uma ação contra a fome, com doação de alimentos orgânicos para a população. Grandes personalidades políticas, como Fernando Haddad, garantiram presença na passeata.

No Rio Grande do Sul, o mau tempo fez com que as manifestações fossem canceladas em algumas cidades, como em Jaraguá do Sul, que mensagens críticas ao presidente foram espalhadas pelo centro. Já em Florianópolis, manifestantes passaram pelo centro e se concentraram num terminal da cidade. O movimento estudantil e o MST marcaram presença no ato.

Em Belo Horizonte, Porto Velho e no Ceará, as manifestações foram em defesa da vida, da democracia e pelo direito à comida, educação e saúde.

Imagem: Mídia Ninja/Belo Horizonte

Em Campo dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, houve feijoada e atividades culturais. As manifestações tiveram apoio de organizações, como o MST e centrais sindicais. 

Em Niterói, houve roda de conversa e distribuição de cestas de alimentos agroecológicos.

Já na capital carioca, cartazes e bandeiras diziam “Fora Bolsonaro” e defendiam a cultura, educação e saúde. Pelo percurso, diversos vendedores divulgavam produtos irônicos contra o governo. Pano de chão, camisa do presidente Lula, e outros artigos contrários a Bolsonaro, são destaques nas manifestações.

Um dos importantes artistas em destaque é Roosivelt Pinheiro, amazonense, radicado no Rio de Janeiro. É interessado em refletir o contexto político e social desde 2016 estrategicamente. Cria gravuras em serigrafia com textos e imagens de políticos corruptos envolvidos no Golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff, e as imprime em panos de chão. Atuando diretamente nos espaços urbanos em ações diretas, vende esses panos de chão nas feiras livres e manifestações de rua a R$ 10,00 a unidade. Roosivelt conta que o trabalho iniciou em 2016 com o “Temer Golpista”. 

“A idéia é trabalhar com o conceito de #artedoméstica, que me permite entrar no espaço doméstico, lugar de muita violência. Faço panos de prato, de chão, camisetas e ecobags. As mensagens são de conscientização contra a violência, apesar de o pano de chão ser um tanto violento. 

A ideia é conscientização de liberdade, como a estampa de um pano de prato na que é com os desenhos da minha filha e o Artigo 5 da Constituição. Pretendo também trabalhar com a Lei Maria da Penha e o Estatuto da Criança e do Adolescente, dentre outras.”

Ele também conta que as vendas, como a do pano do Temer tiveram bastante saída, assim como o do “Bolsonazi”, que iniciou em 2017.  

“Agora com toda essas desgovernanças acrescentei o texto Genocida e as vendas aumentaram um pouco.”

Mesmo após um Dia da Independência intenso, o Pós-7 de Setembro foi marcado pela permanência de centenas de bolsonaristas que ameaçaram o bloqueio da Polícia Militar e ir até o prédio do STF. Com a chegada de um grupo de militares, a situação foi controlada. 

Durante o 7 de Setembro, diversas personalidades se posicionaram sobre o assunto. Apesar do fracasso, os atos do 7 de Setembro foram uma forma de circular ideologias fascistas livremente. Contudo, histórias como a de Roosivelt, devem ser somadas às dos brasileiros que foram à luta pela dignidade do país. Inclusive àqueles que participaram do panelaço contra o Governo, que ocorreu na noite de terça-feira (7) pelo país. Doando, criando, gritando. 

São formas de luta e retratos de resistência contra ataques à integridade brasileira, do qual insistem em dizer que é sobre liberdade de expressão. A liberdade e democracia que é estampada, e esconde a realidade de um país em pedaços, só é recuperada com a real consciência social-política de um povo. E essas histórias serão parte da recuperação da nossa bandeira.

Entenda a mobilização indígena e a sua importância

No domingo (22) teve início a maior mobilização nacional indígena desde a redemocratização do país, a “Luta pela Vida”. Cerca de 176 povos indígenas se reuniram na entrada do Palácio do Planalto em um acampamento organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

A mobilização conta com uma programação intensa de plenárias, agendas políticas em órgãos do governo, embaixadas, marchas e manifestações. As atividades buscam reivindicar direitos e promover atos contra a agenda anti-indígena que está em curso no Congresso Nacional e no Governo Federal.

O principal foco do movimento é o julgamento que está em pauta no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Projeto de Lei 490, que criou uma nova tese: “Marco Temporal”. Essa nova tese determina que uma terra indígena só pode ser demarcada se os povos indígenas originários comprovarem que estavam ocupando a área desde 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. 

“O pior é que este Marco Temporal acaba com o direito dos indígenas em relação às terras onde já vivemos. É o fim de todos os direitos que temos registrados em Constituição… Então, é como se estivessem reivindicando a nossa existência e a posse de mais de 300 territórios indígenas.” Conta Zaya, modelo de 20 anos, natural de Porto Velho (RO) e herdeira de raízes indígenas do povo Kamurape. Ela estreou na SPFW N51, que aconteceu em julho de 2021, pela coleção do estilista Isaac Silva.

Entenda mais sobre a PL 490 e a sua problemática

Outro ponto significativo na PL 490 que será alterado na Constituição caso seja aprovada é quanto ao uso exclusivo das áreas pelos povos tradicionais. As novas regras abrem espaço para a exploração hídrica, energética, mineral e garimpeira, e para a expansão da malha viária. Além disso, caso haja interesse do governo, a entrada e permanência das Forças Armadas e da Polícia Federal será liberada, sem a necessidade de consultar as etnias que estiverem habitando o local.

É importante salientar que a PL 490 é apoiada massivamente por ruralistas, madeireiros, latifundiários e garimpeiros, por conta da possibilidade de exploração de recursos e pelo fim da demarcação dessas terras. Já os territórios indígenas, que abrigam 80% da biodiversidade, são conhecidos culturalmente por preservarem as terras, a natureza e as diferentes formas de vida. O desmatamento e a extração de recursos destas terras podem colaborar significativamente para a devastação do país.

“O pior de tudo é que é a Bancada Ruralista que está por trás disso, são os garimpeiros, os latifundiários e eles querem tomar as terras… Isso vai aumentar o desmatamento no Brasil… Nós indígenas, além da nossa cultura, além da gente já lutar pela vida… Nós também temos uma preocupação com a mãe natureza.” Afirma Zaya.

Povos indígenas em risco

Atualmente, há 421 terras indígenas homologadas que somam mais de 106,6 milhões de hectares, nos quais vivem 466 mil indígenas, o que representa 13% do território brasileiro. Já as grandes propriedades rurais existentes ocupam mais de 20% do território do país, o que significa que existem mais terras nas mãos de empresários do que nas mãos de indígenas.

Muitos desses povos sofrem violências e remoções forçadas de seus próprios territórios. Durante a pandemia, estes atos aumentaram 135%. Até setembro de 2020 foram notificadas 33 ameaças de morte, 34 ameaças variadas, 20 homicídios culposos, 24 tentativas de assassinato, 10 casos de violência sexual, 13 casos de lesão corporal dolosa e 16 situações de racismo e discriminação étnico cultural.

Na última quinta-feira (26), o Ministro Fux adiou o julgamento pela 4ª vez em menos de dois meses, para a quarta feira (01).

“É um retrocesso do Governo Bolsonaro e o que a gente tá tentando fazer em Brasília é lutar, sabe? Para que não tomem as nossas terras, para que não terminem de matar o resto da população indígena que ainda existe no Brasil… A gente tá vivendo um momento muito sério, temos mais de 600 etnias em Brasília lutando pelas terras, lutando pela vida, então assim, é muita coisa em jogo.”

Povos indígenas ao redor do país, também manifestaram pela queda da PL 490. Todos estão em busca de preservar sua história de resistência, em meio ao genocídio indígena que acontece desde a colonização.

A aprovação deste projeto será entregar os recursos ambientais e territórios indígenas do país nas mãos de empresários do agronegócio, que não estão nem um pouco preocupados com a preservação da mãe natureza e, muito menos com a história brasileira.

“No dia do índio, as pessoas querem se vestir homenageando a nossa cultura, mas no dia de ir lá protestar, no dia de ir lá fazer a luta acontecer, as pessoas não se importam, então assim, a gente tá vivendo um momento que a gente não pode contar com ninguém, sabe? Ninguém desse governo quer nos ajudar… Nós somos minorias, nós não somos escutados. Eu sou uma das primeiras modelos na indústria da moda indígena aqui no Brasil. Além de eu ter nascido uma mulher indígena, eu tenho uma luta muito maior, sabe? Por sobrevivência, por inclusão, por diversidade, representatividade.”

Finaliza Zaya, que também é co-fundadora do coletivo @indigenasmodabr.

Confira um resumo, feito pela Zaya, de cada pauta que está em processo de aprovação

Marco Temporal: A tese do marco temporal, defendida por ruralistas e atores interessados em áreas de comunidades tradicionais, se baseia na ideia de que as populações indígenas só teriam direito à terra que estivessem ocupando em  5 de outubro de 1988. A data em questão marca a promulgação da atual Constituição Federal. Isso é um absurdo, pois todo território brasileiro é indígena e os invasores tentam decidir qual terra podemos ocupar, mas isso não cabe a eles.

PL 490: Indo contra a Constituição Federal Brasileira, o Projeto de Lei 490/2007, elaborado pela bancada ruralista, usa a ideia do Marco Temporal em sua estrutura e propõe que a demarcação das terras indígenas seja flexibilizada através de leis. O artigo 231 da Constituição reconhece que “as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se à sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes”. Joenia Wapichana, lembra que os direitos indígenas sobre suas terras são cláusula pétrea da Constituição e que, portanto, não podem ser alterados por interesses individuais.  Além disso, o projeto também prevê a abertura das terras indígenas para o garimpo que está destruindo cada vez mais a Amazônia Brasileira.

PL 191:  Esse projeto de lei legaliza a mineração ilegal e autoriza os crimes que já acontecem dentro de terras indígenas como a construção ilegal de hidrelétricas, que já atinge a Amazônia em Belo Monte, no Rio Xingu. Usinas instaladas em áreas de floresta tropical emitem quantidades consideráveis de gases de efeito estufa – dióxido de carbono e metano – como resultado, temos a degradação da vegetação alagada e do solo, além de rios poluídos. As comunidades sofrem com esses crimes que passam por cima da Constituição.

PEC 215: Uma das principais bandeiras da bancada ruralista, a PEC 215 transfere do Governo Federal (poder executivo) para o Congresso (poder legislativo) a atribuição de regularizar as Terras Indígenas, Territórios Quilombolas e Unidades de Conservação. Essa nova sistemática, se aprovada, deverá paralisar de vez o processo de oficialização dessas áreas protegidas, deixando-as vulneráveis para exploração.

PL 2633: O PL 2633/2020 não é apenas oriundo da MP 910, é um projeto de lei contaminado e permanece como “Pacote de Crimes Ambientais”, agora, “PL da Grilagem”.  A bancada ruralista deixa claro seu interesse no patrimônio nacional quando permite, por meio do PL, que criminosos que desmataram tenham direito a compra da terra a preço de “banana”. O projeto mantém a mesma linha de interesse da MP 910 que favorece o desmatamento, a grilagem e principalmente a violação de direitos dos povos originários com a invasão em áreas de preservação.

Apoie e acompanhe as manifestações:

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@apiboficial

@midianinjaoficial

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A História das Paralimpíadas: O Brasil e o mundo

Em 1944, o médico alemão Ludwig Guttman foi chamado pelo governo britânico para chefiar o Centro Nacional de Traumatismos do hospital Stoke Mandeville, que ficava em uma vila no sudeste da Inglaterra. Lá ele passava a maior parte do tempo acolhendo um grande número de soldados feridos pelos combates da 2ª Guerra Mundial.

Guttman, empenhado em encontrar novas maneiras de tratar os ferimentos e os casos de paraplegia dos soldados, começou a usar o esporte como tratamento e ferramenta de motivação para seus pacientes. Os arremessos de bola eram praticados como exercício para os membros superiores e, logo produziram um aumento de resistência física e de autoestima nos feridos.

Jogos Paralímpicos
Roma, 1960

Foi então que, em 1948, na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, Ludwig Guttman organizou a primeira competição esportiva exclusiva para pessoas com deficiências físicas, chamada Jogos de Stoke Mandeville, em homenagem ao hospital.

Em 1952, a Holanda aderiu ao movimento e os Jogos se tornaram internacionais. Este fez com que os jogos no estilo olímpico, para atletas deficientes, ganhassem bastante notoriedade e, em 1960, em Roma, foram realizados os primeiros Jogos Paralímpicos oficiais da história, com 400 atletas de 23 países.

A História do Brasil nos Jogos

No início dos anos 50, Robson Sampaio de Almeida, um alagoano que vivia nos Estados Unidos, sofreu um acidente e ficou paraplégico. Ele passou por diversos tratamentos no hospital, mas o que realmente o transformou, foi o basquete em cadeira de rodas. Motivado em ajudar brasileiros, Robson voltou ao Brasil e, em 1958, fundou no Rio de Janeiro o Clube de Otimismo, o primeiro movimento organizado de prática esportiva para pessoas com deficiência. 

Mesmo a prática já sendo comum no Brasil, o país só participou de sua primeira Paralimpíadas em 1972, em Heidelberg, na Alemanha. 20 atletas homens embarcaram para participar nas competições de tiro com arco, atletismo, natação e basquete com cadeira de rodas.

Mas o país só subiu ao pódio na edição de 1976, em Toronto, no Canadá, quando justamente Robson Sampaio, acompanhado de Luiz Carlos Costa, ganharam a medalha de prata em uma prova de Lawn Bowls.

Em 1995, após o Brasil ter conquistado 63 medalhas nos Jogos Paralímpicos, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) foi fundado no Rio de Janeiro. Até hoje ele atua como Confederação Nacional de cinco modalidades esportivas paralímpicas: atletismo, esgrima em cadeira de rodas, halterofilismo, natação e tiro esportivo. Tem como missão promover o esporte Paralímpico da iniciação ao alto rendimento e a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade.

Em 2001, foi sancionada a Lei Agnelo/Piva, que estabelece o repasse de parte da arrecadação das loterias federais para os comitês olímpico e paralímpico, proporcionando diversos avanços estruturais e técnicos ao paradesporto nacional.

O Primeiro Centro de Treinamento Paralímpico do Brasil foi construído quando o país foi escolhido para sediar os Jogos Paralímpicos de 2016. A obra foi orçada em cerca de R$ 260 milhões e fez parte do Plano Brasil Medalhas do Governo Federal. O CT Paralímpico conta com instalações esportivas indoor e outdoor, para competições, intercâmbios e treinamentos de atletas de seleções em 15 modalidades.

Lorena Silva Spoladore e Renato Ben Hur
[Imagem: Alessandra Cabral]

É essencial salientar a importância da visibilidade do esporte paralímpico, pois em um país desigual como o Brasil, no qual pessoas com deficiência ainda sofrem preconceitos, ele carrega consigo valores fundamentais para toda sociedade como acessibilidade, representatividade e inclusão. O movimento paralímpico reitera o caráter democrático do esporte.

Felizmente, a representatividade do Brasil no esporte cresce ano a ano. Ao longo das 12 edições, os atletas brasileiros já conquistaram 301 medalhas, sendo 87 de ouro, 119 de prata e 95 de bronze.

Na edição de 2021 dos Jogos Paralímpicos realizados em Tóquio o Brasil, com 260 atletas, tem a 5ª maior delegação. Os atletas buscam o sonho de conquistar a 100ª medalha de ouro da história das Paralímpiadas.

As competições já estão sendo transmitidas pelos canais Globo e SporTV.

Bora torcer, Brasil?