Beauty Tech: como a beleza trabalha com a tecnologia

Diferentes situações de rotina e ambiente podem afetar o que pensamos, buscamos e desejamos em termos de beleza e estética. Ainda neste raciocínio, ambientes podem também afetar a forma que nós vemos, idealizamos nossa imagem e o que gostaríamos de consumir. Dentro disso, também entra o uso da tecnologia,  já onipresente em nosso dia a dia.

Especificamente no segmento de beleza, tech é muito sobre a experiência e autoafirmação. Faz parte do mercado analisar, evoluir, crescer e inovar para atender essa nova demanda, mas também entender até onde essa relação é respeitosa para cada indivíduo e para o ambiente.

A tecnologia em produtos

Quando o tema é tecnologia aliada a beleza, pensa- se muito em inovações relacionadas a tratamentos estéticos – lasers, imagem, ultrassom e outros. Sim, esse é um formato com grandes e constantes avanços e pleno crescimento, porém a inovação pode ser encontrada também em produtos.

A norte-americana Biossance é um ótimo exemplo de uso de avanços tecnológicos no segmento. A marca surgiu com o propósito de oferecer cuidados para pele com “biotecnologia inovativa para causar um impacto positivo no mundo”.

Dessa forma,  Biossance impulsiona o Clean Beauty (beleza limpa, ao pé da letra) movimento que cada vez mais forte e procurado por consumidores de beleza, que cada vez mais procuram soluções que tragam bons resultados sem deixar a sustentabilidade e responsabilidade social. Clean Beauty apresenta fórmulas não tóxicas e processos benéficos para a pele e o meio ambiente, da embalagem à formulação dos produtos, e chegar nesse resultado exige profunda pesquisa e desenvolvimento de novas fórmulas com ingredientes complexos. O Preenchedor lançado recentemente, por exemplo, contém Peptídeo de Cobre, que estimula a produção natural de colágeno, e diferentes tipos de ácido, todos de baixo risco de toxicidade.

Aplicativos, filtros e a relação da beleza com as redes

Outro importante fator quando se pauta a união de beleza é tecnologia é o poder das redes sociais nesta relação.

O consumo é incentivado pelas redes sociais. Técnicas estão sendo incansavelmente reproduzidas e produtos esgotam de lojas após um conteúdo a respeito se tornar viral. A título de comparação, é como uma música que pega #1 em todas as plataformas após uma trend.

Recentemente, o vídeo da criadora Georgia Barratt ensinando a “passport photo makeup” alcançou 11M de views no TikTok,  o conteúdo de resultado final tem mais de 15 milhões . Variações do conteúdo ensinando como reproduzir o look não param de ser postados e também acumulam números expressivos. 

Conteúdo da brasieleira Renata Santti inspirada no video da Georgia

Ano passado, o Almost Lipstick, tonalidade Black Honey, da Clinique – lançado nos anos 70 – esgotou das lojas após ser utilizado em diversos conteúdos na mesma rede. E surpreendentemente, a Nivea acabou se beneficiando disso, já que muitos criadores e sites especializados em beleza passaram a apontar o lip balm Amora da marca como uma alternativa de fácil acesso ao batom.

Videos sobre Black Honey têm milhões de views e resultaram na gigante procura do batom e divulgação de similares

Por outro lado, temos o debate sobre filtros e autoimagem. Essa, claro, não é uma pauta nova, porém se renova de tempos em tempos. E esse talvez seja o lado mais danoso da relação beleza & tech.

Estudos já provaram que selfies alteram a percepção do rosto, e pesquisa realizada em 2021 pela  Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética mostrou que o Brasil foi o país que mais realizou procedimentos de face em 2020, muito por conta de filtros e outros recursos que alteram a autoimagem, “adiantando” os resultados das cirurgias e servindo como referência de imagem ideal para levar aos consultórios . Também em 2021, a Dove divulgou que 84% das brasileiras a partir dos 13 anos já haviam utilizado filtros e programas de edição, 78% já tentaram mudar ou ocultar alguma parte do corpo antes de postar uma foto, e 60% delas assumem ter baixa auto estima.

Em 2022, porém, a trend Tears in My Heart mostrou uma nova face dessa questão, principalmente entre a Gen Z e Millenials. A ideia é “trocar” sua versão editada por uma imagem natural, como uma manifestação de aceitação ao real, e foi adotada inclusive por grandes celebridades digitais.

@beca

amei mt essa trend, confesso que ambos são lindos 💗

♬ Tear in My Heart – twenty one pilots

No finalentender como os avanços de produtos e técnicas de beleza, e mais, como a imagem criada por ambientes virtuais agem no alcance da imagem dita ideal é importante para sabermos o que estamos gerando e para onde vamos. Com isso enxergamos os resultados, positivos e negativos, que essa união carrega.