Confira os Indicados ao Emmy 2022

Nesta terça (12) a Television Academy anunciou os indicados a 74ª edição do Emmy Awards, apresentados pelos atores J.B Smoove e Melissa Fumero. Como grande novidade foi anunciada que a edição deste ano teve recorde de inscritos ao prêmio.

Succession (2018 – atualmente), com 25 indicações, Ted Lasso (2020 – atualmente), The White Lotus (2021), com 20 indicações cada, Hacks (2021 – atualmente) e Only Murders In The Building (2021 – atualmente), ambas com 17, formam o top 5 de produções mais indicadas ao prêmio. A HBO sai na frente na disputa, com três das cinco séries mais indicadas em seu catálogo: Succession, Hacks e The White Lotus.

A premiação ocorrerá dia 12 de setembro, e até o momento não foi anunciado nenhum apresentador.

Confira a lista dos indicados nas principais categorias.

SÉRIE DE COMÉDIA

  • Abbott Elementary
  • Barry
  • Curb Your Enthusiasm
  • Hacks
  • Maravilhosa Sra. Maisel
  • Only Murders in the Building
  • Ted Lasso
  • What We Do in the Shadows

ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Rachel Brosnahan (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Quinta Brunson (Abbott Elementary)
  • Kaley Cuoco (The Flight Attendant)
  • Elle Fanning (The Great)
  • Issa Rae (Insecure)
  • Jean Smart (Hacks)

ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Donald Glover (Atlanta)
  • Bill Hader (Barry)
  • Nicholas Hoult (The Great)
  • Steve Martin (Only Murders in the Building)
  • Martin Short (Only Murders in the Building)
  • Jason Sudeikes (Ted Lasso)

ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Alex Borstein (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Hannah Einbinder (Hacks)
  • Janelle James (Abbott Elementary)
  • Kate McKinnon (Saturday Night Live)
  • Sarah Niles (Ted Lasso)
  • Sheryl Lee Ralph (Abbott Elementary)
  • Juno Temple (Ted Lasso)
  • Hannah Waddingham (Ted Lasso)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Anthony Carrigan (Barry)
  • Brett Goldstein (Ted Lasso)
  • Toheeb Jimoh (Ted Lasso)
  • Nick Mohammed (Ted Lasso)
  • Tony Shalhoub (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Tyler James Williams (Abbott Elementary)
  • Henry Winkler (Barry)
  • Bowen Yang (Saturday Night Live)

SÉRIE DE DRAMA

  • Better Call Saul
  • Euphoria
  • Ozark
  • Ruptura
  • Round 6
  • Stranger Things
  • Succession
  • Yellowjackets

ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA

  • Jodie Comer (Killing Eve)
  • Laura Linney (Ozark)
  • Melanie Lynskey (Yellowjackets)
  • Sandra Oh (Killing Eve)
  • Reese Witherspoon (The Morning Show)
  • Zendaya (Euphoria)

ATOR EM SÉRIE DE DRAMA

  • Jason Bateman (Ozark)
  • Brian Cox (Succession)
  • Lee Jung-jae (Round 6)
  • Bob Odenkirk (Better Call Saul)
  • Adam Scott (Ruptura)
  • Jeremy Strong (Succession)

 ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

  • Patricia Arquette (Ruptura)
  • Julia Garner (Ozark)
  • Jung Ho-yeon (Round 6)
  • Christina Ricci (Yellowjackets)
  • Rhea Seehorn (Better Call Saul)
  • J. Smith-Cameron (Succession)
  • Sarah Snook (Succession)
  • Sydney Sweeney (Euphoria)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

  • Nicholas Braun (Succession)
  • Billy Crudup (The Morning Show)
  • Kieran Culkin (Succession)
  • Park Hae-soo (Round 6)
  • Matthew Macfadyen (Succession)
  • John Turturro (Ruptura)
  • Christopher Walken (Ruptura)
  • Oh Yeong-su (Round 6)

MINISSÉRIE

  • Dopesick
  • The Dropout
  • Inventando Anna
  • Pam & Tommy
  • The White Lotus

ATRIZ EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Toni Collette (A Escada)
  • Julia Garner (Inventando Anna)
  • Lily James (Pam & Tommy)
  • Sarah Paulson (American Crime Story: Impeachment)
  • Margaret Qualley (Maid)
  • Amanda Seydried (The Dropout)

ATOR EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Colin Firth (A Escada
  • Andrew Garfield (Under the Banner of Heaven)
  • Oscar Isaac (Cenas de Um Casamento)
  • Michael Keaton (Dopesick)
  • Himesh Patel (Station Eleven)
  • Sebastian Stan (Pam & Tommy)

ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Connie Britton (The White Lotus)
  • Jennifer Coolidge (The White Lotus)
  • Alexandra Daddario (The White Lotus)
  • Kaitlyn Dever (Dopesick)
  • Natasha Rothwell (The White Lotus)
  • Sydney Sweeney (The White Lotus)
  • Mare Winningham (Dopesick)

ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Murray Bartlett (The White Lotus)
  • Jake Lacy (The White Lotus)
  • Will Poulter (Dopesick)
  • Seth Rogen (Pam & Tommy)
  • Peter Sarsgaard (Dopesick)
  • Michael Stuhlbarg (Dopesick)
  • Steve Zahn (The White Lotus)

TALK SHOW

  • The Daily Show with Trevor Noah
  • Jimmy Kimmel Live!
  • Last Week Tonight with John Oliver
  • Late Night with Seth Meyers
  • The Late Show with Stephen Colbert

REALITY SHOW DE COMPETIÇÃO

  • The Amazing Race
  • Lizzo Procura por Mulheres Grandes
  • Nailed It
  • Rupaul’s Drag Race
  • Top Chef
  • The Voice

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Lindsay Lohan: The Rise, The Fall and The Comeback

Umas das atrizes mais icônicas dos anos 2000, Lindsay Lohan era considerada a próxima estrela de sua geração. Atuações aclamadas e sucesso repentino, Lohan tinha tudo para ter uma longa carreira: o que aconteceu? Quem (ou o quê) deve-se culpar pela queda de Lindsay? Sua família; a indústria; más companhias; drogas ou talvez uma combinação de todos esses fatores? 

Apesar de termos crescido vendo Lindsay nas telinhas, éramos novos demais para entender todas as polêmicas e escândalos que levaram a atriz prodígio a clínicas de reabilitação e um hiatus de trabalho que durou até esse ano, 2022. Hoje, no seu aniversário de 36 anos, fizemos um deepdive na carreira e vida pessoal de Lohan, assim como também aguardamos ansiosos pelo retorno da atriz na Netflix em dezembro deste ano.

THE RISE

O começo

Nascida em 1986 em Nova York, Lindsay cresceu em Merrick e em Cold Spring Harbor, ambas no estado de Nova York. Sua história familiar não era ótima: seu pai Michael foi preso por insider trading quando ela tinha apenas três anos, além do notório vício em drogas que ele mantinha. Seus pais se separaram e voltaram algumas vezes, e Michael continuou a assombrar a vida de Lindsay à medida que ela ficou rica e famosa. A mãe de Lindsay, Dina, também acusou Michael de violência doméstica e disse que isso afetou a filha. Sobre sua infância com seu pai, Lindsay disse para o Irish Examiner:

“Ele fez eu e minha mãe e os pais de minha mãe passar pelo inferno – desde ameaças de morte, a jogar sapatos na cabeça do meu avô e causá-lo uma concussão, a ameaçar a matar minha mãe na frente do meu irmão mais novo, Dakota.” “Eu cresci muito rápido por causa das situações a que fui submetida pelo meu pai. Minha mãe tentava me proteger daquilo o máximo possível, mas eu escolhi ficar no meio dos meus pais minha vida toda.”

Em meio a uma vida turbulenta, Lindsay e seus irmãos foram estimulados desde cedo a trabalharem. Aos três anos, em 1989, Lohan assinou contrato com a Ford Models, sendo a primeira modelo ruiva da agência. Nessa época ela apareceu em diversos comerciais, sendo um deles para a grife Calvin Klein. 

Aos dez, ela já atuava em uma novela chamada Another World, e foi aqui que ela foi descoberta pela Disney. Operação Cupido estreou em 1998 e obteve grande aclamação da crítica. Lindsay foi elogiada pela sua atuação e se tornou a nova promessa de Hollywood. Apesar de ter assinado um contrato de mais três filmes com a Disney, além de entrar para o elenco de um seriado com Bette Midler, ela decidiu voltar para casa para ser uma criança normal. Enquanto isso, Life Size (2000) e Get a Clue (2002) foram lançados.

Lindsay na première de Operação Cupido, em 1998

Lindsay x Hillary

Aqui se iniciam as famosas polêmicas que alimentaram os tabloides por anos: a briga Lindsay Lohan x Hillary Duff. Tudo começou com um garoto chamado Aaron Carter (irmão do Nick Carter do Backstreet Boys). Carter namorava Duff na época, até que no aniversário de dezesseis anos de Lohan, ele decide trocar Duff pela aniversariante. Isso apenas colocou mais lenha na fogueira da competição que a mídia criou entre as duas atrizes.

Em 2003, Freaky Friday estreou e foi mais um hit para Lindsay. Nesse filme ela contracena com o queridinho Chad Michael Murray, que depois também fará parte dessas polêmicas. No mesmo ano, Lindsay e Carter terminam e ele volta correndo para Duff. Em julho, no famoso shooting da Vanity Fair com as atrizes mais populares daquela geração, Hillary aparece com Carter, causando incômodo em Lindsay, fazendo com que o shooting fosse pausado por diversas horas. 

Vanity Fair (2003)

Na première de Freaky Friday, Hillary leva Chad Michael Murray como seu acompanhante, apenas servindo de combustível para os sites de fofoca. A fim de devolver na mesma moeda, Lindsay aparece na premiére de Doze É Demais, estrelada (entre alguns protagonistas) por Hillary Duff. Os boatos são de que Duff ficou tão chateada com a presença de Lohan, que ela ou sua mãe pediram para expulsarem Lindsay.

Essa confusão continuou a se perpetuar por mais alguns anos, com rumores de que Lindsay havia ganhado o papel de Confessions of a Teenage Drama Queen ao invés de Hillary e a ideia de que Duff era a all american good girl e Lohan a má influência. Nessa época, aos dezessete anos, Lindsay já estava começando a sair em baladas com pessoas mais velhas como Nikki e Paris Hilton e Nicole Richie, que tinham reputação de serem party girls, abusarem de drogas e se envolver em polêmicas. Também não foi nada bom para a imagem de Lindsay seu namoro com o ator sete anos mais velho Wilmer Valderrama.

O auge e as drogas

Apesar de tudo, ela não poderia estar indo melhor. Em 2004, Mean Girls chega às telonas, solidificando Lindsay como uma estrela. Ela chega num patamar onde nenhuma outra pessoa de sua idade havia chegado. 

Lindsay apresenta o Saturday Night Live, grande marco de sucesso para celebridades americanas, e nele se “reconcilia” com Duff em uma cena parodizada. No mesmo ano, ela aparece na People Magazine na lista dos 50 mais bonitos, apresenta o MTV Awards e sai na capa da Vanity Fair. Ainda em 2004, seu pai é preso de novo, aumentando a atenção em Lindsay. Ela assina contrato com a Casablanca Records para seu primeiro álbum de estúdio e recebe 7.5 milhões de dólares por Herbie: Meu Fusca Turbinado (2005), algo fora dos padrões para atrizes da sua geração.

Pouco tempo depois, Lohan é internada por infecção no rim, devido desidratação por estar trabalhando demais e perde seis quilos, fato que a afetará no futuro. O álbum é adiado e Lindsay e Wilmer terminam, alegando que ela era muito nova e que o relacionamento estava indo rápido demais. Os rumores de que Lindsay era usuária de drogas só aumentam a partir disso. 

Fotos dela com amigas de infância supostamente fumando maconha vazam na internet, e em uma de suas saídas com Hilton, ela perde sua bolsa. A pessoa que encontrou a bolsa diz ter visto saquinhos com cocaína dentro, mas o agente de Lohan desmentiu e o rumor morreu ali. Nas gravações de Just My Luck (2006), relatos de que Lindsay frequentava todas as festas em New Orleans e chegava de ressaca nos sets do filme só aumentavam. Em 2013, o pai de Lindsay conta para o The Sun UK que Lindsay havia tido uma overdose por cocaína durante as filmagens:

Documentos encontrados na bolsa perdida de Lohan

“Lindsay estava filmando em New Orleans e recebi uma ligação dizendo que ela havia tido uma overdose por cocaína.” “Um de seus assistentes havia lhe dado a droga. Eu estava tão bravo que peguei uma arma de casa e planejei ir para New Orleans matá-lo.”

THE FALL

O começo do fim

Após aparecer super magra em uma festa da Cartier, a imprensa só falava sobre Lindsay. Revistas vendiam a “dieta de Lindsay”, outras condenavam seu peso. Existia até um site que dizia arrecadar comida para ela. Anoréxica, drogada e viciada em cocaína eram os apelidos mais usados. 

Durante isso, seu pai era preso de novo, significando mais atenção dos paparazzi e manchetes ruins. Em junho, fugindo dos paparazzi, ela bate o carro e os tabloides a acusam de ser irresponsável e querer tirar a atenção da mídia sobre a prisão de Michael. São incertas essas acusações, pois o abuso de paparazzi nesta época era absurdo, levando uma lei ser criada em Los Angeles que proíbe paparazzi de seguir carros.

Enquanto as polêmicas rolavam, Lindsay tentava se provar como atriz séria em um filme novo, A Última Noite (2006), ao lado de Meryl Streep e Woody Harrelson. Lohan queria se desvencilhar da imagem infantil, ao mesmo tempo que fazia parceria com a Mattel, lançando sua boneca própria. Mais tarde, ela se envolve em mais um acidente de carro, com pouca repercussão na mídia.

Lindsay pinta o cabelo de preto e começa as gravações de Chapter 27 (2007) com Jared Leto, sobre o assassinato de John Lennon. Em dezembro lança seu segundo álbum A Little More Personal (e realmente era), que mais uma vez recebe críticas ruins, apesar de músicas sentimentais como Confessions of a Broken Heart (Daughter to Father). Na mesma época vaza a famosa lista dos “36 lucky fellas”, nomes dos homens famosos com quem Lindsay teria dormido.

Sua imagem continua a ficar mais suja depois de faltar uma entrevista por suposta intoxicação alimentar, mas depois ser vista no MTV TRL Awards. No ano seguinte, ela causa barraco no evento Man of the Year da GQ e no mesmo mês é vista saindo com Kate Moss (notória por seu vício em pó), que estaria a guiando para um bom caminho. Não muito tempo depois, o Daily Mirror denunciou os vícios de Kate em cocaína, então duvidamos que quão bom esse caminho era.

Lindsay x Paris, a carta e mais polêmicas

Em fevereiro de 2006, ela sai na capa da Vanity Fair, onde assume ter usado drogas e leva a mídia a confirmar que a sua magreza era devida a abuso de drogas. Em maio Just My Luck estreia e Lindsay recebe sua primeira indicação ao Framboesa de Ouro por Pior Atriz, e mais uma vez seu filme não decola (apesar de ser um dos meus guilty pleasures). Apesar disso, recebe boas críticas pelo seu filme com Meryl Streep, mas a imprensa não presta atenção devido a uma richa com Paris Hilton causada por ex namorado Brandon Davis. Davis logo depois vai para a reabilitação tratar seu vício por cocaína, enquanto Paris e Lohan continuam brigando. No CFDA Awards, Anna Wintour supostamente teve que pedir para Karl Lagerfeld controlar sua convidada (Lindsay), que foi ao banheiro várias vezes para “retocar a maquiagem”. 

Em seu aniversário de vinte anos, ela conhece Harry Morton, que se torna seu namorado. Aqui ela começa a gravar Georgia Rule (2007) com Jane Fonda, e as notícias de suas festas constantes, ressacas e inconstância cresciam. Lindsay é internada por “exaustão por calor” (aqui em aspas, porque essa desculpa parece ser usada várias vezes pela equipe de Lindsay quando querem encobrir seu uso de drogas) e as coisas vão de mal a pior. O CEO da produtora, James G. Robinson, escreve uma carta denunciando os maus hábitos de Lindsay e os danos que ela causou à produção do filme.

Isso prejudicou sua carreira de forma irreparável, pois agora nenhum estúdio queria se arriscar a contratar Lindsay. Ninguém poderia confiar mais nela, e talvez isso tenha sido um breve wake-up call. Após esse evento, ela começou a chegar mais no horário das gravações e assumiu mais responsabilidade.

Ainda no mesmo ano, Lindsay perde uma bolsa Birkin com um milhão de dólares em jóias no aeroporto de Heaththrow, ao mesmo tempo que ela e Harry terminam. Em novembro, é vista com um um pin de 90 dias de sobriedade do Alcoólatras Anônimos, enquanto ela ainda era menor de idade (maioridade nos Estados Unidos é de 21 anos). Pouco tempo depois, Paris é vista com Harry e recebemos o grande momento da cultura pop, em que Lindsay diz “Paris is a cunt”.

Rumores de que ela havia tido uma overdose e foi ressuscitada por um médico surgem, mas nunca foram confirmados. Lindsay aparece em vídeo dizendo que Paris bateu nela e quase em seguida, a famosa foto de Lindsay, Britney e Paris acontece. A foto foi totalmente um golpe de publicidade e Paris depois disse que Lindsay era uma drogada e que não era mais bem-vinda. Apesar disso, o assistente de Lindsay vai a público dizer que ela está no AA há um ano.

Fall from grace

Em 2007, Lindsay é vista chorando em corredor de hotel depois de levar um fora do James Franco (pelo amor de Deus) no Globo de Ouro. Ela se interna em uma clínica de reabilitação para ficar longe dos paparazzi. Pouco depois, ela é acusada por uma modelo de ter roubado milhares de dólares em roupas, com fotos de mensagens de textos (mundo pré print) contendo muita baixaria.

No mês de maio, uma amiga de Lindsay vaza um vídeo dela cheirando cocaína no banheiro de uma festa, essa é a primeira evidência concreta do seu uso de drogas. Após a festa do Memorial Day de Nicole Richie, Lohan é vista com Samantha Ronson, alimentando rumores de que estavam juntas. Em uma festa no dia seguinte, Lindsay bate o carro (de novo) e surgem essas fotos icônicas. Logo depois, Lindsay vai para reabilitação (de novo).

Lindsay sai da clínica e pouco tempo depois volta para a rotina de festas, fazendo a mídia questionar sua sobriedade. Tabloides diziam que ela colocava vodka em garrafas de água e trocava cocaína por MD. Ela é vista festejando a noite toda e usando a tornozeleira de sobriedade durante o dia tomando sol. Nessa semana aconteceu um acidente em uma festa com suas assistentes. Após ser flagrada bebendo, ela briga com o namorado de sua assistente, pega o carro e sai correndo. Aqui, Lindsay é presa pela segunda vez por dirigir sob influência. Ela vai para a reabilitação de novo e admite culpa pelo uso de drogas.

O ano é 2008 e Lindsay é capa da NY Magazine, canalizando o ícone Marilyn Monroe. Ela faz aparição especial em Ugly Betty, mas teve seus episódios reduzidos por não ter se dado bem com a protagonista, America Ferrera. No mesmo ano, lançou uma marca de roupas chamada 6126, que vendia leggings de grife. Apesar disso, os tabloides só falavam sobre seu namoro com Samantha, e as especulações sobre sua sexualidade aumentaram (em 2013, Lindsay disse que é héterossexual). Em abril, elas terminam.

Em agosto sua casa é assaltada pela mesma gangue de adolescentes que furtaram a casa de Paris Hilton e Orlando Bloom. Você deve achar essa história semelhante com a de The Bling Ring (2013) dirigido por Sofia Coppola, e é porque o filme foi baseado nisso.

A Bling RIng da vida real

(Mais) problemas com a justiça

Em outubro, sua liberdade condicional concedida após sua prisão é estendida para ela completar um programa de educação sobre uso de álcool, que ela ainda não havia feito. Já em 2010, Lindsay estava em Cannes. Ela não comparece ao tribunal para responder sobre as aulas do tal programa, ela alega terem roubado seu passaporte. Apesar das desculpas esfarrapadas, o juiz intima ela a não beber mais, a fazer testes de drogas toda semana e usar mais uma tornozeleira de sobriedade. Lohan paga fiança e sai. Na próxima audiência, ela recebe 90 dias por não ter completado o programa e nem os encontros no AA. Ela se entrega e serve apenas duas semanas, devido a superlotação, e pode ficar em condicional.

Lindsay tuita que está se responsabilizando por seus atos e fazendo testes de drogas toda semana, mas que testou positivo para anfetaminas (provavelmente Adderal) no sangue. Uma semana depois, ela perde a condicional e é presa de novo, mas na mesma noite recebe fiança, mais uma tornozeleira e vai para a reabilitação. Nesse meio tempo, fotos de Lindsay supostamente usando heroína são vazadas.

Em 2011, Lindsay sai da clínica e é pega roubando um colar. Ela é acusada e recusa acordo, pegando 120h em serviço comunitário por violar a condicional e o roubo vira contravenção. Em abril, ela fica 5h na cadeia, saindo depois de pagar fiança. Admite culpa pelo colar, ganha mais horas de serviço comunitário, uma tornozeleira eletrônica e fica em casa (dando festas). Seu novo filme ao lado de Robert DeNiro, Machete, estreia, mas Lindsay legalmente não pode promover o filme. Em outubro, ela perde a condicional (de novo) por não cumprir os serviços comunitários, é presa por 2h e sai por fiança. Lindsay deve servir 30 dias e completar o serviços.

Após as diversas prisões, Lindsay parece estar retomando o controle da sua vida. Aparece no SNL mais uma vez, fazendo graça de si mesma, e aparecendo em Glee (mais rumores dela ser uma diva). Ela começa a gravar o filme Liz and Dick (2012) e em junho bate o carro (de novo) e é internada por exaustão por calor (de novo). Em um final de semana na casa de sua mãe, Lindsay liga histérica para seu pai, dizendo que sua mãe estava drogada em cocaína (a ligação foi vendida para imprensa pelo próprio pai).

Lindsay é presa mais uma vez por socar uma mulher em uma balada, mas acaba saindo impune. No fim de 2012, a IRS (Receita Federal dos EUA) apreende todas as contas bancárias da atriz, devido a mais de 200 mil dólares que Lohan devia em impostos ao governo desde 2009. Enquanto ela gravava Scary Movie 5 (2013), Charlie Sheen supostamente pagou 100 mil dessa dívida para ela. O resto, segundo a imprensa, foi pago por três bilionários com quem Lindsay saiu: o Príncipe Abdulaziz da Arábia, o hoteleiro Vikram Chatwal e o artista Domingo Zapata.

No ano seguinte, 2013, Lindsay vai para o tribunal por ter batido o carro (de novo) e pega 90 dias de reabilitação e terapia mandatória. Em agosto ela é entrevistada pela Oprah, e anunciam uma série documental sobre a vida dela. Em 2014, a série é lançada e nela, Lindsay diz que Oprah salvou sua vida, além de revelar que havia sofrido um aborto espontâneo. Apesar de várias cenas chocantes, a série não fez sucesso. Mais tarde no ano, ela se muda para Londres e cria um aplicativo chamado Lindsay Lohan: The Price of Fame.

Em 2015, Lindsay está finalmente fora da condicional depois de oito anos, além de ter contratado um novo agente. Ela começa um namoro com o herdeiro russo Igor Tarabasov em 2016, noivando depois de cinco meses e terminando depois de quatro meses depois do noivado. Lindsay diz que Igor a traiu, mas não se tem certeza. Em uma ocasião, a polícia quebra a porta de sua casa após ouvirem gritos de Lohan dizendo que Igor estava a estrangulando, nenhum boletim de ocorrência foi feito.

A fatídica mudança para Dubai acontece em 2017, e aqui Lindsay se afasta um pouco dos tabloides. Durante o infeliz julgamento de Harvey Weinstein, Lindsay defende o abusador e causa polêmica na internet. A atriz Rose McGowan disse:

“Por favor, vão com calma com Lindsay Lohan. Ser uma estrela infantil transformada em sex symbol muda sua cabeça de formas que vocês não compreendem.”

A última polêmica de Lindsay foi em 2018, quando ela fez uma live no Instagram gravando uma família de moradores de rua e querendo levar eles para a casa. A atriz foi acusada de tentativa de sequestro e preocupou seus fãs pelo comportamento.

THE COMEBACK

A Renascença de Lohan

Em 2019, Lindsay lançou um show na MTV chamado Lindsay Lohan’s Beach Club, mas desapontou quem assistiu pois ela não aparecia no show. Ela modelou um pouco, participou do The Masked Singer, fez as reuniões de elenco de Mean Girls e Operação Cupido. Em 2020, Lindsay lança sua primeira música em anos, Back to Me.

Lohan disse no podcast de sua mãe, THE OG MAMA D!, que estaria pensando em voltar para os Estados Unidos e retomar sua carreira. Em 2021, essa vontade vira verdade e Lindsay anuncia contrato de dois filmes originais da Netflix, um sendo lançado em dezembro desse ano, chamado Falling for Christmas. Ela também anuncia, em abril de 2022, seu próprio podcast The Lohdown, disponível em todas as plataformas. No mesmo mês, Lindsay participa do vídeo My Life in Looks da Vogue Americana.

Lindsay está longe das más línguas dos tabloides há uns bons anos e parece que, agora, definitivamente, ela está tomando controle da sua vida e tendo hábitos saudáveis. Não é desconhecido para ninguém os perigos de crescer dentro da indústria hollywoodiana. Outras estrelas que tiveram seu big break ainda crianças passaram por eventos traumáticos, polêmicas e abuso de álcool e drogas, como Drew Barrymore e Miley Cyrus, por exemplo. Lindsay passou por muito enquanto era apenas uma jovem sem orientação adulta.

A esperança é de que, assim como Robert Downey Jr. conseguiu dar um 360 na carreira, Lindsay também consiga. O talento ainda está dentro dela, o que falta é a mudança de comportamento e a oportunidade da indústria em confiar nela de novo. Lindsay ainda pode continuar a ser uma grande estrela e impressionar com suas atuações. Abuso de substâncias é uma doença séria, que deve parar de servir como alimento para a imprensa, que ama ver jovens adultas cheias de potencial perder tudo. A partir de agora, o que podemos fazer é apoiar Lindsay e continuar a proteger estrelas mirins, a fim de evitar mais traumas.

Frenezi Meets: Ana Paula do Narrativa Feminina

Por: Vitória Geremias

A Editoria de Cinema & TV da Frenezi entrevistou a Ana Paula do @narrativafeminina para conhecer um pouco mais sobre seu trabalho e sua jornada como criadora de conteúdo no Instagram. O projeto de Ana tem como objetivo destacar as mulheres e pessoas LGBTQIA+ que estão produzindo e atuando na indústria cinematográfica, de recomendar conteúdos com protagonismo feminino ou de temática LGBTQIA+, além de levantar várias pautas importantes para discussão. Confira abaixo a entrevista na íntegra feita pela repórter Vitória Geremias e conduzida pelas editoras Ana Luiza Neves e Ana Antenore. 

(Frenezi) Como surgiu a ideia de criar a @narrativafeminina?

(Ana Paula) Surgiu na faculdade, faço Jornalismo e no primeiro período, na disciplina de Inovação e Criatividade, havia um projeto cujo objetivo era criar algo pessoal e que fosse a “nossa cara”. Na época, em 2018, a Greta Gerwig havia sido indicada ao Oscar de Melhor Direção, e foi nesse momento que despertou em mim uma necessidade de repensar o consumo de filmes e valorizar mais as produções feitas por mulheres. Fui atrás de sites e pessoas que falavam sobre o assunto e levantavam essa discussão, mas percebi que não haviam muitos. A jornalista Luísa Pécora, do site “Mulheres no Cinema”, foi a minha primeira inspiração para o projeto. Para continuar com o trabalho, era preciso entrevistar alguém de nossa admiração e assim consegui contato com Luísa, que me incentivou ainda mais na criação do Narrativa (Feminina).  Em conjunto com a pauta feminista, também surgiu a necessidade de abordar narrativas LGBTQIA+, justamente por também fazer parte da comunidade e entender a urgência em trazer esses assuntos para discussão. Mas, por conta da faculdade, tive que deixar um pouco de lado por alguns anos, e em 2020, quando resolvi retomar, aproveitei para aprimorar o design dos posts, com cores e carrosséis, tentando trazer conteúdo de maneira divertida e descontraída para atingir um público maior.

(FZ) Quais eram as suas expectativas e objetivos iniciais? Eles mudaram ao longo do tempo? 

(AP) No começo, eu não acreditava que chegaria num nível onde poderia se tornar lucrativo e profissional. Não imaginava que meu hobbie, que era criar conteúdo, se tornaria meu trabalho e, possivelmente, fonte de renda. Hoje, além de trabalhar com o Narrativa, eu também trabalho para a Carol Moreira (@carolmoreira3), que além de chefe, também é uma grande parceira, fonte de inspiração e apoiadora do meu trabalho.

(FZ) O que você espera do futuro do @narrativafeminina? Quais as metas e objetivos que deseja alcançar?

(AP) Além de transformar em minha fonte de renda, quero criar um canal no YouTube, porque aqueles “textões” que não cabem nos carrosséis dariam ótimos vídeos na plataforma. Também gostaria muito de aumentar a equipe, que por enquanto é formada por mim e pelo meu namorado que é designer e responsável pelas artes do Narrativa… Assim que conseguir ganhar dinheiro com esse trabalho eu, com certeza, quero trazer mais pessoas!

(FZ) Para você, qual a importância de mulheres e pessoas LGBTQIA+ na liderança de projetos cinematográficos e televisivos?

(AP) Basicamente como essas pessoas são representadas. Sabemos que a indústria é dominada por homens cis brancos, que tomam as principais decisões e que comandam tudo, então se não pensarmos em quem consumimos, ou não demonstrarmos interesses em outras perspectivas e narrativas, teremos mais histórias de mulheres e LGBTQIA+ com uma representação ruim, mal feita e distante da realidade. Existe uma diferença clara na representação quando ela tem uma perspectiva feminina, e além de toda essa questão do male gaze, é importante também tirar o domínio cis heteronormativo, que resultou numa indústria cinematográfica misógina, racista… Uma maneira de mudar isso é mostrando para a indústria quais histórias queremos e estamos interessadas em ver, ou seja, apoiando outras narrativas e consumindo mais produções feitas por mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIA+. 

(FZ) Você citou em seus stories do Instagram durante a semana sobre a sua indignação com a Netflix e a falta de representatividade através do queercoding. Poderia nos contar um pouco mais sobre o assunto?

(AP) Essa nova temporada de “Stranger Things” é um exemplo: as suspeitas sobre a sexualidade do Will já existem há um tempo, mas nunca foram confirmadas. Essas insinuações são chamadas de queerbaiting, pois agradam os públicos LGBTQIA+ e o cis hétero e conservador sem comprometer a série. As pessoas acham que não é queerbaiting porque temos a Robin como personagem lésbica, mas ela não é a protagonista, não é uma das crianças… é aquele tabu de que não se pode falar de sexualidade com crianças, não se pode dizer que o Will é gay mas a Eleven e o Mike estão ali namorando, sabe? Fico tão agoniada com isso.

(FZ) Em “Heartstopper”, a escritora da graphic novel que inspirou a série, Alice Oseman, é também a roteirista da produção da Netflix. Você acha que esse cuidado com a fidelidade da adaptação influenciou no sucesso da série? 

(AP) Acho que sim, com certeza… é muito parecido! Já li os quadrinhos duas vezes antes de ver a série. Não acho que o roteirista da série precise necessariamente ser o autor do livro, até porque nem todo escritor é um bom roteirista e vice-versa, mas a Alice Oseman se mostrou muito boa no que faz. Reforça a necessidade desse cuidado, e se não fosse ela a roteirista, deveria ser algum LGBTQIA+ jovem e que entende dessa vivência. Podemos notar que foi uma pessoa desse mundo que criou, pois há uma fidelidade e respeito na representação, e faz muita diferença quando a pessoa entende sobre o que está falando, e o sucesso da série se deu justamente devido a isso.

(FZ) Quem é sua maior inspiração feminina no ramo do cinema?

(AP) A Greta Gerwig foi a minha primeira inspiração. Hoje em dia eu tenho uma grande admiração pela Céline Sciamma, que é a diretora de “Retrato de uma Jovem em Chamas”, amo tudo que ela faz, já vi todos os filmes. Hoje em dia é minha diretora favorita, e por ser uma mulher lésbica todos os filmes dela tem essa narrativa feminina e queer… acho que hoje ela é uma das minhas principais influências no cinema. Em relação à criação de conteúdo, além da Luísa Pécora de “Mulher no Cinema”, tem também a Carissa Vieira que é uma das poucas que fala sobre esse assunto no YouTube, acho que no Brasil, uma das únicas… 

(FZ) Quais suas expectativas para o futuro do cinema? Você percebe o surgimento de alguma tendência? 

(AP) Esse ano, especificamente, estou vendo uma grande mudança na representação LGBTQIA+. Acredito que está sendo o ano com as melhores narrativas da comunidade, como por exemplo: “Owl House”, “Doctor Who”, “Minha Bandeira é a Morte”, “Heartstopper”, “First Kill”, “Crush”… então estou percebendo que isso está se tornando mais frequente, como é difícil ter uma história com um arco LGBTQIA+ que não fosse dramático, trágico, triste… E hoje em dia é maravilhoso que isso está se tornando algo mais comum, os streamings estão arrasando nesse quesito. 

(FZ) O que você espera da adaptação de Barbie por Greta Gerwig? 

(AP) Olha, eu acreditava que seria uma comédia romântica clichê dos anos 90, 2000, afinal. Mas acharam o Letterboxd da Margot Robbie com os filmes que ela teve que assistir pro papel, sendo um deles “O Show de Truman”, e foi aí que começaram a teorizar de que seria uma distopia… quem sabe vai ser uma mistura dos dois? Só sei que vai ser surpreendente, talvez seja o clichê com mais ficção… Esse filme se tornou o maior mistério de Hollywood, mas é a Greta e o Noah Baumbach, não tem como ser ruim!

(FZ) Entre os lançamentos de filmes e séries que já tivemos esse ano, qual o seu favorito? 

(AP) Com certeza “Heartstopper” e “Minha Bandeira é a Morte” são minhas séries favoritas. E de filme acho que meu preferido é “Fresh”, fiquei muito surpresa… parece muito “Corra”. Foi escrito e dirigido por mulheres, o que faz muito sentido porque é um medo que muitas têm de conhecer um cara perfeito e no fim ele se mostra um psicopata… Nos primeiros 30 minutos do filme parece ser uma comédia romântica e depois vira um terror bizarro.

(FZ) Qual filme você está mais ansiosa para ver nos cinemas ainda esse ano?

(AP) Tem vários, mas o que estou mais ansiosa é “Don’t Worry Darling”, da Olivia Wilde, que também parece ter uma pegada distópica… Uma mistura de “Mulheres Perfeitas” com “O Show de Truman”. Depois de “Booksmart” eu sinto a necessidade de mais filmes feitos pela Olivia. Outro que também estou ansiosa para assistir é “The Woman King”, com a Viola Davis como protagonista, baseado numa história real de uma guerreira africana e um exército feminino do séc XVIII… e a diretora também é ótima, Gina Prince-Bythewood, ela dirigiu “The Old Guard” da Netflix. Acho que são esses dois filmes que estou mais ansiosa para ver.
Você pode conferir mais sobre o trabalho da Ana Paula pelo Instagram @narrativafeminina.

Beleza no audiovisual: O papel da caracterização nas artes cênicas

Em 1981, o aclamado O Homem Elefante de David Lynch saiu do Oscar de mãos vazias, apesar de suas 8 indicaçoes. A indignação da crítica com a falta de reconhecimento da Academia ao filme foi tamanha, especialmente pelas técnicas impactáveis de caracterização que a película mostra, que a Organização estruturou a nova categoria para premiar profissionais de cabelo e maquiagem.

A caracterização desperta atenção dos espectadores e tem seu espaço próprio nas grandes premiações. Mas muito mais que uma categoria no Oscar, é um importante elemento na narrativa de uma peça, produção cinematográfica e televisiva ao complementar outros aspectos e pode ser até mesmo ser parte ativa na história de um personagem.

Breve história sobre a maquiagem cênica

O teatro se popularizou na Grécia Antiga e, ainda que peças fossem encenadas com as famosas máscaras de Comédia e Tragédia, existem evidências de que chumbo branco e vermelho, material extremamente tóxico, chegaram a ser utilizados na época como parte da caracterização de atores. Na Europa, com o passar dos séculos, a maquiagem passou a ser bastante utilizada por atores – ainda que fosse discriminada pela Igreja, principalmente na Idade Média – até ser plenamente aceita no século XX e a função de maquiador ser vista como profissão. 

Mas foi no oriente que a técnica se popularizou. Os shows de encenação chineses tinham os “cara pintada”, figuras que como o nome já indica apareciam com rosto inteiramente pintado de branco. Já no Japão, os tradicionais teatros Kabuki se utilizavam de forte maquiagem (kumadori) para encenar personagens e mostrar símbolos.

Em Hollywood, a família Westmore revolucionou a área. O britânico George Westmore fundou o primeiro departamento da área no local e seis de seus filhos trilharam o mesmo caminho, cada um deles liderou trabalhos nos maiores estudos e foram responsáveis por clássicos como Rebecca, E O Vento Levou, Casablanca, Guerra dos Mundos, Sabrina entre outros. Já são quatro gerações de atuantes no segmento.  Um dos integrantes mais recente, Michael Westmore já ganhou 9 Emmys e 1 Oscar por Marcas do Destino.

O papel da caracterização no cênico

Primeiramente é importante entender as diferenças entre maquiagem para TV, cinema e palco.

No que diz respeito à maquiagem, existe uma diferença importante entre o que é visto na tela e o que é visto pessoalmente. O maquiador de Cinema e TV se preocupa com os mínimos detalhes, principalmente com a tecnologia de alta definição. Qualquer falha ou exagero é visível. Principalmente no cinema, onde a tela é gigantesca e as proporções aumentam drasticamente. Já no teatro, quanto mais você destacar e exagerar, mais será possível o público enxergar a arte e as expressões. Mesmo que esteja sentado nas últimas poltronas.”, aponta Mirella Oliveira, maquiadora de cinema e fundadora do portal Maquiagem No Cinema.

Por conta disso, as técnicas utilizadas também, se diferem.

[…] as técnicas de envelhecimento costumam ser diferentes para teatro e vídeo. No vídeo, a preocupação é sempre com o realismo, o espectador não deve enxergar a maquiagem. Geralmente são utilizadas técnicas de efeitos especiais (que envolvem próteses, produtos químicos que encolhem a pele, próteses capilares e de pelos postiços, lentes de contato e até próteses dentárias). Já no teatro é mais comum o uso de técnicas de luz e sombra e perucas, que, mesmo de longe, podem ser vistas. As marcas e linhas de expressão podem ser feitas através de um jogo de cores, gerando um efeito de ilusão de ótica. Além disso, no cinema e na TV, as cenas são rodadas diversas vezes, em ângulos diferentes, muitas vezes numa cronologia diferente do roteiro e, por fim, são editadas.  As maquiagens podem ser retocadas a cada corte de câmera e existe uma preocupação com a continuidade de cenas. No teatro, tudo acontece ao vivo.”

O papel da maquiagem é, em conjunto com outros elementos, comunicar a narrativa proposta para a produção. Por meio da caracterização entendemos não apenas a aparência do personagem – no sentido mais literal – mas seu espírito, ambiente, motivações e impressões. A maquiadora completa: “A criação de um personagem parte da concepção de suas características físicas e psicológicas descritas no roteiro, somadas à construção estética por parte dos departamentos de arte, figurino e caracterização, trazendo elementos físicos que contribuem para a atuação. Os personagens são criados a partir desta somatória de especialidades e a caracterização é, na minha opinião, tão importante quanto as demais.”

Moonrise Kingdom, de Wes Anderson, conta a história de dois pré-adolescentes que se sentem deslocados em seus meios, e após se conhecerem em uma apresentação de teatro, se apaixonam, passam a trocar cartas e decidem fugir. Suzy Bishop, a jovem protagonista do filme, é vista por seus pais como depressiva e problemática. A personagem usa maquiagem mais escura nos olhos e o cabelo levemente bagunçado, que trazem ar rebelde, impulsivo, uma certa tentativa de parecer madura no meio de adultos disfuncionais, e contrastam com o ambiente aparentemente harmônico (e um tanto exaustivo) que a garota vive. Suzy é o ponto fora da curva da família, é não apenas compreensível, mas perfeitamente planejado, que seus elementos visuais fujam do senso comum dos locais que passam.

Esse é só um exemplo de trabalho dentro de produções cinematográficas, trabalho de caracterização do filme é reconhecido justamente por carregar tantos simbolismos dentre outros presentes em roteiro, trilha e direção de arte.

Com tudo isso, é fácil notar quer  trabalho que equipe de maquiagem de uma produção é mais complexa do que pode-se imaginar, visto que a caracterização é um elemento essencial para se contar uma história e deve ser minuciosamente pensada para atender o plataforma que a história é contada, fazer sentido para toda a equipe envolvida, ajudar atores no processo de encenação e abraçar todas as características de um personagem.  

Mirella concorda: “Eu mesma só fui entender a proporção da importância do maquiador quando realizei meu primeiro trabalho em um set. Até então, como espectadora, eu acreditava que as pessoas estavam daquela forma por mero acaso e que o maquiador de cinema só cuidava das grandes transformações. Quando entendi que tudo é estudado nos mínimos detalhes, desde os figurantes até os protagonistas, e que cada um desses elementos é minuciosamente pensado e criado, me fascinei! E é essa a minha iniciativa com o portal, contribuir para que o mundo entenda a importância do nosso trabalho. Questionar o porquê de, na maioria das vezes, os créditos do maquiador estarem entre os últimos a serem apresentados, enquanto o figurino, por exemplo, é um dos primeiros. Não os desmerecendo, muito pelo contrário. Ambos são importantes, na mesma proporção.”

Quando a beleza sai do audiovisual

Muitas vezes o trabalho é tão marcante que ultrapassa as barreiras da tela não somente como fantasia (o que sempre foi bastante comum) mas como parte da vida de seus espectadores.

O exemplo recente – e já clássico – é o de Euphoria. Por um lado, temos Cassie, uma personagem cuja beleza é um elemento de autoaceitação tão grande que se torna quase uma tortura. A jovem acorda de madrugada para seguir longo processo de skincare, e se certifica de estar sempre chamando atenção, linda, sexy e adequada mesmo que isso a coloque em um lugar destrutivo O ritual da personagem, porém, viralizou nas redes e hoje é fácil encontrar postagens que explicam e ensinam os passos.

Esse é só um exemplo da influência que a série tem no meio. As produções estilo Euphoria (delineados ousados, cores, pedras, brilhos) hoje são comuns de se ver, e a maquiadora do show, Doni Davy, lançou uma linha de beleza. Além disso, outras produções também inspiraram linhas de beleza em parceria com marcas de cosméticos, como Bridgerton, Stranger Things, Pantera Negra e Capitão América.

Euphoria. Imagem/Reprodução HBO

Alguns trabalhos marcantes

FRENEZI EXPLICA: Fernanda Montenegro, A Grande Dama do Cinema e da Dramaturgia do Brasil

Quando se fala em cinema nacional, o típico humor brasileiro ganha espaço na cinematografia, assim como as críticas sociais e políticas. Bye Bye Brasil (1980), Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), Marighella (2019) e Minha Mãe é uma Peça (2013) são alguns filmes que representam a cultura brasileira no cinema, seja pela militância por trás ou pelo cotidiano cômico.

Em 1999, o clássico Central do Brasil (1998), dirigido por Walter Salles, levou Fernanda Montenegro a concorrer ao Oscar de Melhor Atriz, na ocasião a estrela foi a única latino-americana e única brasileira a concorrer nesta categoria, o que mostrou Brasil afora tamanha importância e relevância da artista.

Fernanda Montenegro no Oscar 1999 Foto: reprodução/The Academy

Fernanda Montenegro é o nome artístico de Arlette Pinheiro Monteiro Torres, conhecida por ser escritora, atriz, pela alcunha de A Grande Dama do Cinema e da Dramaturgia do Brasil, carioca e imortal para a cadeira número 17 da Academia Brasileira de Letras. 

Durante seus 55 anos de carreira, participou de mais de 70 obras, incluindo séries, filmes, novelas e peças de teatro. Além de ter sido a primeira mulher latino-americana e a única brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz por um trabalho em língua portuguesa, também foi a pioneira ao levar o Emmy Internacional na categoria de melhor atriz pela atuação em Doce de Mãe‘ (2013).

De Arlette à Fernanda

Fernanda Montenegro Foto: reprodução/ GloboPlay

Filha de uma dona de casa e de um mecânico, Arlete Pinheiro Esteves da Silva nasceu na Zona Norte do Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1929. Ainda cedo, aos 8 anos, teve sua estreia como atriz em uma peça na Igreja, logo depois, com 15 anos foi contratada como redatora, locutora e radioatriz da rádio MEC.

Conheceu o ator Fernando Torres, com 16 anos, na mesma rádio em que trabalhava, foram casados de 1953 a 2008 e tiveram dois filhos, a atriz Fernanda Torres e o diretor Cláudio Torres. 

Assim como muitas estrelas que não usam o nome de batismo como artístico, Arlette adotou o nome “Fernanda Montenegro” como seu pseudônimo, mas durante seu trabalho na rádio,  ainda manteve sua assinatura como “Arlete Pinheiro”.

“Tirei do século XIX, de livros como o ‘Conde de Montecristo’ e das Fernandas dos romances franceses.”, revelou em entrevista ao “Damas da TV” do Canal Viva. “Acho que sou duas pessoas. Está de acordo com a minha profissão. O velho Shakespeare já tinha razão, somos todos atores. Sei que sou também a dona Arlete. Essa é bem resguardada. Poucos me chamam ainda assim. Uma prima, um primo. Meus pais me chamavam também, minha irmã. Mas é para uso interno. Eu acho bom. Dentro de uma toca. E tem essa outra entidade aí, que, de vez em quando, se exibe muito.”

A trajetória artística e Premiações 

Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo em “A Falecida” Foto: reprodução/divulgação 

Aos 15 anos de idade, Arlette entrou para a Rádio do Ministério da Educação e Cultura (MEC), através de um concurso para locutores, se mantendo lá por 10 anos, alternando entre locutora e atriz de rádio-teatro. Posteriormente, fez parte do teatro da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, começando sua carreira e participando futuramente do Teatro Ginástico – um renomado teatro que integrou a comunidade luso-brasileira, inaugurado em 1938, e, que recebeu consagrados talentos da arte cênica brasileira.

A década de 1950 marcou sua entrada na TV, pelo canal TV Tupi, sua participação na Companhia Maria Della Costa, e no Teatro Brasileiro de Comédia.  Em 1959 fundou sua própria companhia teatral, a Companhia dos Sete, em parceria com seu marido, Fernando Torres. E em 1965, consagra sua estreia na TV Globo, e inicia sua era de ouro na teledramaturgia que a levou ao reconhecimento nacional.

O longa A Falecida (1965), foi o primeiro filme estrelado por Fernanda como Zulmira. Conta a história do sonho da protagonista de ter um enterro luxuoso, para realizar seu sonho, o marido pede dinheiro a Guimarães, o homem mais rico do bairro, o qual não concorda em pagar e conta que teve um caso com a falecida, sem saber que está falando com o viúvo, o marido, então enfurecido, passa a chantagear Guimarães. O papel consagrou Montenegro com o prêmio de Melhor Atriz para o Festival Nacional de Brasília em 1965.

Baila Comigo (1981), Guerra dos Sexos (1983), Cambalacho (1986), Rainha da Sucata (1990), são algumas obras que a consagrou como a rainha das novelas. No cinema, atuou em clássicos, como Eles Não Usam Black-Tie‘ (1981), O Que É Isso, Companheiro? (1997) e  O Auto da Compadecida (2000).

Fernanda Montenegro no Emmy Internacional Foto: reprodução/divulgação

Não ter levado o Oscar de 1999 como Melhor Atriz, não diminuiu seu potencial como artista, Montenegro foi indicada a diversas categorias tanto internacionais como nacionais.

Dentre os principais feitos da atriz estão o prêmio em 1998 no Festival de Berlim como Melhor Atriz (Urso de Prata) com Central do Brasil; em 2000, por Traição, levou o Prêmio Guarani do Cinema Brasileiro de Melhor Atriz Coadjuvante; O outro Lado da Rua proporcionou em 2005 o troféu de Melhor Atriz pelo Grande Prêmio do Cinema Brasileiro; em 2013 o Emmy Internacional concedeu à Fernanda o prêmio de Melhor Atriz por seu papel em Doce de Mãe. Com mais de 100 indicações, esses são só alguns exemplos dos 91 prêmios que A Grande Dama do Cinema do Brasil totaliza.

Fernanda Montenegro é considerada um símbolo no cinema nacional, sua presença e importância é inigualável, principalmente durante a época dos anos 1990, em que aconteceu o chamado Cinema da Retomada, foi um período em que a Embrafilme, principal responsável pelo financiamento, coprodução e distribuição de filmes no país, foi extinta pelo governo. Um momento frágil para os atores e diretores nacionais, devido à falta de auxílio econômico e incentivo cultural, a partir disso, o Cinema da Retomada marca a revitalização da atividade cinematográfica no Brasil. 

Depois de anos trabalhando exclusivamente para a TV, o novo filme Dona Vitória (2022)  marca sua volta às telas do cinema. O longa conta sobre Vitória, uma aposentada alagoana, que desmascarou uma quadrilha de traficantes e policiais do Rio de Janeiro através de filmagens feitas pela janela do seu apartamento, no bairro de Copacabana.

A Imortal 

Fernanda Montenegro recebendo medalha de imortal da ABL Foto: Daniel Pereira/AgNews

Em março de 2022, aos 92 anos, Fernanda assumiu a cadeira 17 como “Imortal” na Academia Brasileira de Letras, sucedendo o acadêmico e diplomata Affonso Arinos de Mello Franco.

Fernanda recebeu 32 votos para integrar o grupo, sua incorporação expressa um forte laço da Academia com as Artes Cênicas.

Como prólogo desta minha fala, devo esclarecer que sou uma incansável autodidata, cuja origem intelectual, emocional sempre me chegou e ainda me conduz através da vivência inarredável de um ofício: atriz. Sou atriz. Veio dessa mítica, mística arte arcaica, eterna, que é o teatro. Sou a primeira representante da cena brasileira, do palco brasileiro a ser recebida nessa casa“, declarou durante a cerimônia de posse.

A atriz também é escritora e autora de dois livros publicados, sendo Prólogo, Ato, Epílogo (2019) em parceria com a jornalista Marta Góes, onde conta suas memórias, e Fernanda Montenegro: Itinerário Fotobiográfico, um livro em que é narrado sua história por meio de fotos de diferentes épocas.

Nascida em 16 de outubro de 1929, esses são os feitos da carioca para o rádio, TV, cinema e a dramaturgia brasileira. A atriz é considerada uma das mais importantes para a cultura nacional, seu legado é consagrado.

Exposed da empresa do rato: a falsa representatividade LGBTQIA+

A The Walt Disney Company, mais conhecida apenas como Disney. Marcou gerações com seus desenhos do Mickey Mouse, a abertura do parque mais mágico do mundo, as séries nostálgicas como “Hannah Montana“ (2006), “Feiticeiros de Waverly Place” (2007) em seu canal televisivo, os filmes de animação como “101 Dálmatas” (1961), “O Rei Leão” (1994) e os clássicos das princesas “Branca de Neve e os 7 anões” (1937), “Cinderella” (1950),  “A Pequena Sereia” (1989) e outros. Esses são só alguns exemplos de produções icônicas que fazem parte do maior  conglomerado do cinema atual, fundado pelos irmãos Walt e Roy Disney na década de 20. 

Mas, apesar da clara importância no imaginário de crianças de todas as gerações, polêmicas e Disney na mesma frase tornou-se algo muito comum ultimamente, seja pelos os diretores, atores ou até a abordagem de seus longas. Recentemente, o Jornal Orlando Sentinel revelou que a WDC financiou políticos que apoiam o projeto de lei “Don’t Say Gay”, este que proíbe as discussões sobre a orientação de gênero nas escolas primárias da Flórida. O CEO, Bob Chapek, não declarou-se publicamente sobre o ocorrido, porém, segundo o The Hollywood Reporter, Chapek é contra colocar a Disney em temas que considera insignificantes, seja para a empresa ou para seus negócios.

Em nota a Disney apenas fez o seguinte pronunciamento: “Entendemos o quanto esses assuntos são importantes para nossos funcionários LGBTQ+ e muitas outras pessoas. Por quase um século, a Disney tem sido uma força que une as pessoas. Estamos determinados em fazer com que continue sendo um lugar onde todos são tratados com respeito”.

Protesto em frente ao parque da Disney // foto reprodução G7 News

Como Chapek não se pronunciou, os funcionários da Disney compartilharam suas indignações nas redes sociais, obrigando, dessa forma, o CEO a falar. Chapek pontuou que para não confundirem sua falta de declaração com a falta de apoio, “todos compartilhamos o mesmo objetivo de um mundo mais tolerante e respeitoso”, acrescentou.

Não é de hoje que os fãs das animações da empresa  pedem por personagens que os representem. Desde 2013, com o sucesso “Frozen”, muitos levantaram a tag “dê a Elsa uma namorada”. Outro filme que acabou sendo sabotado foi o live action da “Bela e a Fera” (2017), a estreia foi adiada na Malásia, devido ao personagem Lefou, que mesmo não envolvido em nenhuma cena explícita de afeto, foi considerado um “momento gay”.

Campanha ‘#GiveElsaAGirfriend’ (dê Elsa uma namorada) // foto reprodução Twitter

O famigerado pink money – termo usado para a comercialização de produtos para o público LGBTQIA+ – entra em ação nas produções, como forma de abaixar a poeira frente às polêmicas. A Disney tentou melhorar sua reputação com o beijo de duas mulheres em “Lightyear” (2022), o próximo filme da Pixar que contará a história do Buzz Lightyear de Toy Story (1995). Um detalhe, esse beijo teria sido vetado pela Disney, mas a Pixar manteve.

Em 2018, a GLAAD (Aliança de Gays e Lésbicas Contra Difamação), apontou os estúdios com a menor representatividade da comunidade naquele ano, dos 110 filmes produzidos em Hollywood apenas 18% dos personagens fazem parte da comunidade e nenhum dos longas pertencem ao conglomerado da Walt Disney. A 20th Century Fox, que posteriormente foi comprada pela WD, contribuiu com 10% nas representatividades.

A Pixar, que atualmente faz parte do conglomerado da Disney, possui animações mais adultas comparadas aos filmes produzidos propriamente pela empresa do rato. O estúdio possui uma maior liberdade, um tanto falsa, para ter personagens dentro da comunidade LGBTQIA+, como foi visto em “RED: Crescer é uma fera” (2022), em que em uma das cenas teve a presença de um casal homossexual de mãos dadas. Entretanto, são detalhes que precisam de atenção para não passar despercebidos, já que essas demonstrações de afeto são rápidas.

Trecho de cena do filme “Red: Crescer é uma fera” // foto reprodução Disney +
Cena de “The Owl House” à direita // foto reprodução Disney +

Muitos funcionários da Pixar denunciaram a censura por parte dos executivos da Disney em uma carta resposta divulgada pela Variety, alegando a exigência de cortes em todos os afetos que sejam explicitamente gay. “Mesmo que criar conteúdo LGBTQIA+ fosse a resposta para consertar a legislação discriminatória do mundo, estamos sendo impedidos de criá-lo. Além do ”conteúdo inspirador” que não temos permissão para criar, exigimos ação”, apontam.

Dana Terrace, criadora de “The Owl House” (2020), usou seu Twitter para desabafar, após a série ter sido cancelada por desavenças criativas. “Estou cansada de fazer a Disney parecer boa. Eu sei que tenho contas a pagar, mas trabalhar para essa empresa me deixou perturbada.” O casal protagonista da animação seria formado por um relacionamento homoafetivo.

Ao mesmo tempo que essas grandes empresas apoiam projetos homofóbicos e falsamente representam a comunidade nas suas produções, o merchandising em cima da causa, estampando produtos com o arco íris da bandeira, cresce cada vez mais, tanto nos bonecos como em materiais escolares, por exemplo. 

Que a empresa do rato só pensa em dinheiro isso não é mentira para ninguém, a linha entre produzir e apoiar as causas e lucrar em cima dela é extremamente tênue, muitos acionistas olham apenas para o merchandising se aproveitando do pink money, porém ter esses produtos não significa que de fato apoiam e acolhem a comunidade LGBTQIA+. 

A Disney alcança um público gigantesco, desde seu conteúdo infantil até o adulto-juvenil, os estúdios ajudam a formar opinião de seus telespectadores, por isso que a inclusão de pessoas LGBTQIA+, tanto na equipe como nos personagens, é necessária, além disso promove o sentimento de pertencimento e que é possível ter produções explicitamente homoafetivas na Walt Disney.

FRENEZI EXPLICA: Cinema Além de Hollywood

A explicação do sucesso de Hollywood e análise do cinema ao redor do mundo

Por: Vitória da Rosa Geremias

Quando se fala em cinema, é impossível deixar de mencionar Hollywood. O distrito de pouco mais de 200 mil habitantes faz parte da cidade de Los Angeles, Califórnia, e é o maior responsável pela indústria cinematográfica dos EUA, com grande influência sobre o mundo inteiro. Hollywood é muito popular por seus blockbusters, ou seja, filmes super populares com alto rendimento financeiro, e hoje é considerada o polo mundial do cinema. Mas qual a razão para haver essa concentração produtiva e financeira nos EUA? Por que são os filmes americanos os mais populares, lucrativos, premiados e reconhecidos? O que há em Hollywood que favoreceu suas produções diante das outras indústrias cinematográficas?

Ao analisar a história de como tudo começou, o primeiro personagem a ser discutido é Thomas Edison, o inventor da lâmpada. Acontece que, entre o final do século XIX e início do século XX, o empresário criou um monopólio, juntamente com outros empreendedores que detinham patentes no ramo tecnológico, chamado Motion Pictures Patents Company (MPPC), com a finalidade de controlar e lucrar em cima de todas as produções no setor cinematográfico, causando má remuneração e altas cobranças de produtores e artistas.

O poder que Thomas Edison e a MPPC detinham sobre a cidade de Nova York influenciou essa classe criativa a se mudar para outra cidade em busca de “liberdade”. E então, começou a concentração em Los Angeles, a quase 4500 km de distância da metrópole nova-iorquina, a cidade se mostrava favorável pelo clima californiano, além de estar longe do alcance da MPPC. 

Nesse momento, surge a “Era dos Estúdios”, quando se desenvolveram em Los Angeles os grandes oito estúdios responsáveis pela produção cinematográfica estadunidense: United Artists, Paramount, Metro-Goldwyn-Mayer, Warner Bros, Fox, Universal, Columbia e RKO. Agora com o poder em suas mãos, os estúdios que faziam parte do Big Eight controlavam a produção e distribuição de conteúdo. Datam desse período os clássicos Casablanca (1942) e Cantando na Chuva (1952) que marcaram o cinema da época.

Cena do filme Casablanca com os protagonistas Humphrey Bogart e Ingrid Berman [Imagem: Reprodução/Veja]

No entanto, foi durante a “Era de Ouro” que a potência de Hollywood foi demarcada. Entre as décadas de 20 e 60, os avanços tecnológicos e os sucessos de bilheteria alavancaram a influência hollywoodiana sobre o mundo. Atores como Charles Chaplin, Marilyn Monroe, Carmen Miranda e Audrey Hepburn, se destacaram no cenário mundial. Foi também nesse contexto que surgiu a Academy of Motion Picture Arts and Science e sua primeira premiação honorária, que mais tarde veio a se chamar Oscar e permanece até os dias de hoje. 

O cinema estadunidense tinha uma fórmula extremamente comercial, o que o tornou bem sucedido. Por volta dos anos 60, influenciados pela contracultura, diretores como Martin Scorcese, Francis Ford Coppola, Steven Spielberg e George Lucas mudaram o rumo do cinema.  A “Nova Hollywood” dava mais destaque aos diretores do que aos atores, e havia uma liberdade criativa que não havia se visto antes. Sucessos como O Poderoso Chefão (1973), Taxi Driver (1976) e Star Wars (1977) marcaram o período que se estendeu até os anos 80.

A partir da década de 80, um último movimento surge no cenário hollywoodiano, permanecendo até os dias atuais. Com a popularização das câmeras VHS, o cinema independente ganha maior espaço no setor cinematográfico, são obras com baixo orçamento mas alto potencial de lucro, visto que são produzidas por cineastas já experientes.

Assim, o cinema estadunidense pode ser resumido em três camadas: os blockbusters, altamente comerciais, com grandes orçamentos que são superados pelos sucessos de bilheteria; as produções mais modestas, com mais lucro que investimento; e por fim, o cinema independente. 

O CINEMA ALÉM DE HOLLYWOOD

Índia: Bollywood, A Maior Indústria Cinematográfica do Mundo

Cartaz do primeiro filme produzido em Bollywood, Raja Harishchandra (1913) [Imagem: Reprodução/IMDb]

Porém, a potência cinematográfica estadunidense tem um concorrente de mesmo nível em termos de produção. Na Índia, mais especificamente, na cidade de Mumbai (também conhecida por Bombaim) fica Bollywood, a Hollywood indiana, onde os filmes de maior orçamento do país são produzidos.

O precursor do cinema bollywoodiano é o cineasta Dadasaheb Phalke, que em 1913 produziu o primeiro filme do país, o curta-metragem silencioso Raja Harishchandra. Com a chegada do cinema sonoro na década de 30, a Índia chegou a produzir mais de 200 filmes por ano, obtendo cada vez mais popularidade e sucesso comercial.  Embora o país estivesse muito afetado nos anos de 1930 e 1940, devido a Grande Depressão e à Segunda Guerra Mundial, o cinema foi como um respiro e uma fuga da realidade, apesar de muitos cineastas da época também abordarem temas políticos e de cunho social.

A “Era de Ouro” de Bollywood foi durante as décadas de 50 e 60, com musicais e melodramas que enchiam as salas de cinema. Foi nesse período que a Índia recebeu a primeira indicação ao Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro”, com Mother India (em português, Honrarás a tua Mãe) de 1957.

Cena do filme Honrarás a tua Mãe (1957) [Imagem: Reprodução/IMDb]

Como forma de rejeição ao mainstream do cinema indiano, surge por volta da década de 60 o “Cinema Paralelo”, um movimento cujo foco eram temáticas políticas, sociais, naturalistas e realistas que conquistaram os críticos da época. Na década seguinte, a indústria bollywoodiana é dominada por produções cinematográficas que incorporavam uma figura de “herói romântico”. Surge então, a primeira super estrela indiana, o ator Rajesh Khanna, que protagonizou 15 filmes do gênero de grande sucesso entre os anos de 1969 a 1971.

É durante a década de 70 que acontece a “Era Clássica” de Bollywood, e também o momento em que o cinema indiano recebe o apelido a partir da junção das palavras Bombaim e Hollywood. Foi nesse período de auge das produções indianas que uma dupla de roteiristas, Salim Khan e Javed Akhtar, redirecionaram o cinema do país. Trazendo narrativas sobre o crime na cidade de Bombaim, com conflitos violentos e que refletiam a precariedade e descontentamento do povo. Surge uma nova figura no cinema, o de “jovem homem revoltado”, que foi frequentemente protagonizado pelo ator Amitabh Bachchan.

Hoje, Bollywood é considerada a maior indústria cinematográfica do mundo e, durante os anos, puderam ser percebidos alguns padrões estéticos do cinema indiano. Por ser um país com uma cultura musical muito forte, os filmes geralmente apresentam cenas de dança e música. A maioria das obras produzidas são melodramáticas e folclóricas, as atuações musicais exageradas criam um espetáculo ainda mais dramático e artístico, se tornando um elemento diferencial do cinema indiano.

Rituais de conquista amorosa são temas muito comuns no cinema indiano, e apesar de romance e sensualidade estarem presentes na narrativa, cenas de sexo são censuradas no país. Os filmes também são famosos por suas tramas clichês: triângulos amorosos, dramas familiares, heróis e vilões, comédia e suspense são enredos que, por vezes, estão todos em uma mesma obra. Características como essas são as que fazem o cinema de Bollywood ser tão lucrativo, pois é o tipo de entretenimento popular que garante sucesso de bilheteria.

Cena do filme Lagaan: A Coragem de um Povo (2001), longa indicado ao Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro” em 2002 [Imagem: Reprodução/MUBI]

Coreia do Sul: A Nova Potência do Entretenimento Mundial

Cena do filme Em Chamas (2018), filme sul-coreano que representou o país no
 Oscar de 2019 [Imagem: Reprodução/IMDb]

Hollywood é a principal indústria cinematográfica do mundo, e Bollywood a maior, no entanto, atualmente um novo país tem se destacado como uma nova potência do cinema mundial: a Coreia do Sul. Até o final da década de 1910, somente filmes estrangeiros, a maioria ocidentais, eram exibidos nos cinemas coreanos. Foi então que Park Seongpil, um produtor e empresário do ramo cinematográfico, comprou um cinema e patrocinou o lançamento do primeiro filme coreano, chamado A Vingança Honrada (의리적구투), de 1919.

Entretanto, devido a colonização japonesa da época, o início do cinema coreano foi um tanto pobre em lançamentos. Os filmes mais famosos da época foram Arirang (아리랑) de 1926 e Ao encontrar o amor (사랑을 찾아서) de 1928, porém, nenhum deles existe mais nos dias de hoje.

Com a libertação do domínio japonês na Coreia, em 1945, o cinema nacional passou a crescer. O primeiro filme que representa e marca essa independência é o romance Viva, Freedom (자유만세), onde o protagonista foge do exército japonês após se envolver com o Movimento  de Independência e se apaixona por uma enfermeira. Ainda na mesma década, outros dois filmes fizeram sucesso e alavancaram o cinema coreano, sendo eles A prosecutor and a teacher (검사와 여선생), de 1948, e Hometown in My Heart (마음의 고향) , de 1949.

Cena do filme Viva, Freedom (자유만세), de 1946 [Imagem: Reprodução/MUBI]

Após a Guerra das  Coreias, na década de 1950, a indústria cinematográfica sofreu para se recuperar. Na Coreia do Sul, filmes com temáticas anticomunistas, além de romances e comédias, eram o foco da produção. Foi nesse período que o sul da península teve sua “Era de Ouro”, com ajuda do governo além de outras contribuições estrangeiras. 

O fim da “Era de Ouro” se deu pelos regimes ditatoriais, com censuras que começaram em 1948 e se tornaram mais brandas somente na década de 80, prejudicando a indústria cinematográfica coreana. A industrialização acelerada que tomou conta da Coreia do Sul, nas décadas de 70 e 80, ajudou o cinema a se reerguer. Entretanto, mais obstáculos surgiram, a crise monetária do FMI em 1997 e os conflitos militares com a Coreia do Norte atrapalharam a produção cinematográfica, mas, apesar dos empecilhos, os cineastas insistiram e assim surgiu um novo movimento.

Cena do filme Oldboy (2003), um dos primeiros blockbusters sul-coreanos 
[Imagem: Reprodução/IMDb]

O Novo Cinema Coreano trouxe consigo a era dos blockbusters, representado pela estreia do filme Shiri em 1999. A partir desse momento, várias produções coreanas passaram a fazer sucesso fora do país, como Oldboy (2003), O Hospedeiro (2006) e Em Chamas (2018). O movimento se mostrou forte durante as décadas seguintes e, em 2020, a Coreia do Sul marcou a história do Oscar. O longa-metragem Parasita (2019) ganhou, não somente, o Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro”, “Melhor Diretor” e “Melhor Roteiro Original”, como também o de “Melhor Filme”, sendo a primeira produção não falada em inglês a receber o maior prêmio da noite. 

Quando o cinema sul-coreano passou a ganhar reconhecimento nos anos 2000, o governo do país criou um sistema de cotas a fim de investir na produção nacional e incentivar filmes independentes. Nasce então o grande diferencial da cinematografia sul-coreana: o balanço entre o comercial e o artístico/original. O diretor Bong Joon-ho (Parasita, O Hospedeiro, Okja, etc), por exemplo, é um dos cineastas que consegue conciliar a produção de um filme blockbuster contentando não somente o público mas também a crítica.

Hoje o cinema da Coreia do Sul é uma das três maiores indústrias cinematográficas do mundo, juntamente com as potências Hollywood e Bollywood.

Momento histórico em que Parasita é premiado com o Oscar de Melhor Filme, 
no ano de 2020 [Imagem: Reprodução/Globo]

França: O Berço do Cinema

Cena do filme Viagem à Lua (1902) [Imagem: Reprodução/Superinteressante]

No ano de 1895, na França, os irmãos Auguste e Luis Lumière inventaram o cinematógrafo, uma máquina de filmar e projetar imagens. Os dois eram engenheiros e filhos de um fotógrafo, e foi na cidade de La Ciutat que a primeira exibição cinematográfica do mundo aconteceu. 

Os primeiros filmes não tinham roteiro, e na verdade, serviam mais como documentários, porque os próprios irmãos Lumière nunca pensaram que a sua invenção teria finalidade comercial no futuro. Somente com o cineasta revolucionário, Georges Méliès, que via a cinematografia como uma extensão dos palcos, é que surgem os primeiros filmes com roteiro. As principais produções de Méliès são Cleópatra (1899), Viagem à Lua (1902), As Viagens de Gulliver (1902) e Fausto (1904).

As duas primeiras décadas do século XX eram dominadas pelo cinema francês. Infelizmente, com a Primeira Guerra Mundial,  a indústria de entretenimento francesa sofreu com a depressão econômica e isso favoreceu as produções estadunidenses, que acabaram ganhando espaço e público na Europa na década de 20. O governo francês a fim de ajudar os cineastas de seu país, estabeleceu uma lei que tornava obrigatória a exibição de um filme nacional a cada sete filmes estrangeiros.

O cinema nacional ainda não tinha se recuperado totalmente até a chegada da Segunda Guerra Mundial e, consequentemente, da invasão alemã ao território francês, o que tornou ainda mais difícil a produção cinematográfica da época. Entretanto, existe uma obra de caráter nacionalista feita no período, que só foi exibida após o fim da guerra, O Boulevard do Crime (1945), filme de Marcel Carné, considerado por muitos críticos como a melhor produção francesa de todos os tempos. 

Cena de O Boulevard do Crime (1945) [Imagem: Reprodução/MUBI]

Entre as décadas de 50 e 60, na recuperação do pós-guerra que reergueu o país , surge um movimento artístico chamado Nouvelle Vague, que via o cinema como uma ferramenta para mudar o mundo. Impulsionados pelo Neorrealismo, o movimento nasceu entre jornalistas e críticos e ia contra o método convencional de fazer filmes. Os cineastas desse movimento eram adeptos de novas técnicas de direção e não necessitavam de grandes orçamentos. 

As principais características estéticas podem ser resumidas a longos planos sequência, roteiros improvisados e falta de continuidade. As temáticas abordadas eram de cunho existencial, com sarcasmo e ironia, principalmente nos momentos em que faziam referência a outras obras cinematográficas. O baixo orçamento também levou a inovações estilísticas no que se refere a cenário e equipamentos, fazendo com que os cineastas buscassem maneiras de expressão artística dentro do que tinham disponível. Mas o maior aspecto da Nouvelle Vague era ir contra a maré do mainstream e desafiar o espectador, revolucionando o cinema e criando novos métodos de direção, como a “quebra da quarta parede”, por exemplo.

A revista Cahiers du Cinéma era o principal meio pelo qual as ideias do movimento se difundiram. Foi lá que os jornalistas, críticos e cineastas da revista começaram a questionar o cinema vigente na França e o padrão narrativo das obras de Hollywood. Os principais nomes do movimento eram François Truffaut, Jean-Luc Godard, Éric Rohmer, Claude Chabrol e Jacques Rivette. O filme considerado como pontapé inicial da Nouvelle Vague é de Chabrol, chamado Le Beau Serge (1958), que foi seguido por outros grandes exemplos do movimento como Os Incompreendidos (1959), de Truffaut e Acossado (1960), de Godard.

Cena do filme Os Incompreendidos [Imagem: Reprodução/MUBI]

O cinema francês na década de 80 passou a competir com as produções americanas, com produções mais caras, e a partir dos anos 90, os franceses levaram o cinema nacional a outro patamar. Liderados pelo cineasta Jean Pierre Jeunet, grandes obras como Delicatessen (1991), Ladrão de Sonhos (1993) e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) marcaram o cinema internacional com atores talentosos e diretores premiados.

Cena do filme Piaf – Um Hino ao Amor (2007), que garantiu BAFTA, Globo de Ouro e 
Oscar de Melhor Atriz para Marion Cotillard [Imagem: Reprodução/MUBI]

Brasil: Uma Potência Emergente

Cena do filme Alô Alô Carnaval (1936) [Imagem: Reprodução/IMDb]

Em 19 de junho de 1898, data que hoje é dedicada ao Dia do Cinema Brasileiro, dois irmãos italianos, Paschoal e Affonso Segreto, fizeram gravações da Baía de Guanabara, se tornando então, os primeiros cineastas do Brasil. Entretanto, foi no ano de 1897, no Rio de Janeiro, que o cinema chegou ao país pela primeira vez através de Paschoal Segreto, que trouxe para exibição uma série de curtas-metragens sobre o cotidiano das cidades europeias. Desde então, o cinema brasileiro vem crescendo e conquistando reconhecimento mundial, apesar de momentos de desvalorização e baixo investimento na produção nacional. 

A primeira década da sétima arte no Brasil passou por algumas dificuldades logísticas, visto que, a falta de energia elétrica era uma questão que impedia a propagação de salas de cinema pelo país. Foi entre os anos de 1907 e 1910 que o cinema se estruturou no Brasil, primeiramente exibindo filmes estrangeiros e produzindo documentários. Com uma base fortalecida, atores e atrizes foram surgindo e mais de 30 filmes foram produzidos nessa época. A primeira obra de ficção é de 1908: Os Estranguladores, um curta-metragem de Francisco Marzullo e Antônio Leal e é em 1914 que, O Crime dos Banhados, de Francisco Santos, se torna o primeiro longa-metragem brasileiro.

Foi na década de 30, com a criação do primeiro grande estúdio do Brasil, Cinédia, que a produção brasileira alavancou. É dessa mesma época o primeiro filme sonoro do país, a comédia Acabaram-se os Otários (1929), de Luiz de Barros, que foi seguida por outros grandes títulos como Limite (1931), de Mario Peixoto, A Voz do Carnaval (1933), de Ademar Gonzaga e Humberto Mauro, e Ganga Bruta (1933) de Humberto Mauro.

Cena do filme Ganga Bruta (1933) [Imagem: Reprodução/IMS]

A dominação de Hollywood já era um fator recorrente e o público gostava das narrativas estadunidenses, logo, as histórias românticas e musicais que (quase sempre) terminavam com um final feliz, foram vistas pela Cinédia como uma maneira de aproximar o cinema brasileiro do público novamente. É nesse momento que a estética dos cenários grandes e brilhantes surgem, juntamente com a estrela Carmem Miranda, em produções nacionais como Alô, Alô, Brasil (1935) e Alô, Alô, Carnaval (1936). Para entender melhor a história do cinema brasileiro, leia o texto escrito por Rhaísa Borges, “O cinema brasileiro: dos primórdios à atualidade”.

Nigéria:  Nollywood, A Maior Indústria Cinematográfica Africana

Cena do filme The Amazing Grace (2006) [Imagem: Reprodução/MUBI]

Apelidado de Nollywood, o cinema nigeriano é a maior indústria cinematográfica africana, e está entre as maiores do mundo. Suas narrativas têm propostas autênticas e procuram representar a identidade africana, portanto, não se encaixam no perfil comercial das produções estadunidenses. A língua oficial do país é o inglês, o que ajuda a dar mais visibilidade para a representatividade cultural que os  cineastas propõem.

A indústria cinematográfica é responsável por ser a segunda maior geradora de emprego no país, é autossuficiente, ou seja, não necessita de financiamentos governamentais, e leva ao mercado interno e externo mais de 200 filmes por mês. Apesar do país ser o país com maior população no continente africano, ele não possui muitas salas de cinema, portanto, os lucros comerciais dos filmes são, na sua grande maioria, gerados pela compra de DVDs e aluguel de streaming.

Os filmes nacionais são tão populares para a Nigéria como as novelas são para o Brasil. A produção nigeriana de maior bilheteria é de Jeta Amata, chamado The Amazing Grace (2006), que teve cerca de 25 mil espectadores. As produções de Nollywood são a maior representação da cultura africana na sétima arte, e demonstra a necessidade de restabelecer a identidade e buscar suas raízes após anos de colonização britânica no seu território.

Cena do filme Lionheart (2018) [Imagem: Reprodução/Netflix]

A história do Oscar

Neste domingo, 27 de março, a 94ª edição do Oscar, a premiação de cinema mais famosa que existe, aconteceu em Los Angeles, nos Estados Unidos, no tradicional Dolby Theatre. O evento anual é apresentado por uma organização profissional sem fins lucrativos, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, onde os melhores filmes do ano são homenageados. A Academia, sediada em Beverly Hills, foi fundada em 11 de maio de 1927 e teve sua primeira cerimônia realizada em 1929. Hoje, o Oscar é um evento multimilionário transmitido ao vivo pela televisão para mais de 200 países, tornando-se assim um dos maiores eventos midiáticos do mundo.

Louis B. Mayer, um dos fundadores da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), criou a Academia, porém, um dos principais atores norte-americanos do começo do século XX, Douglas Fairbanks, foi eleito o primeiro presidente da associação. Assim, em 16 de maio de 1929, à noite, membros da Academia e 270 convidados, encheram o Blossom Room por somente 20 minutos, no Hotel Roosevelt, para honrar as realizações cinematográficas mais proeminentes de 1927 e 1928.

Apesar da extrema crise econômica causada pela queda da bolsa de valores de Nova York, que deu inicio à Grande Depressão, a indústria cinematográfica passava por uma mudança dramática na época ao introduzir som pela primeira vez em um filme, O Cantor de Jazz (1927). Nesse momento, a indústria gozava de várias produções que movimentaram o evento, porém filmes sonoros de muito sucesso – que lançaram antes do primeiro Oscar – não foram considerados, porque foi visto como injusto compará-los a filmes mudos.

O primeiro vencedor do Oscar foi o ator suíço Emil Jannings, que ganhou o prêmio de Melhor Ator por seus papéis em dois filmes mudos, O Último Comando (1928) e O Caminho de Toda a Carne (1927). O romance Asas (1927), dirigido por William A. Wellmen e ambientado durante a Primeira Guerra Mundial, ganhou o primeiro Oscar de Melhor Filme.

Emil Jannings, nome artístico de Theodor Friedrich Emil Janenz [Imagem: Reprodução/Correio Braziliense]

Uma estatueta dourada do Oscar é uma conquista sublime na carreira de cada diretor, ator ou atriz, compositor ou qualquer outra pessoa envolvida no processo de criação de um filme. O cobiçado troféu tem 34 cm de altura e é revestido com uma fina camada de ouro de 24 quilates, enquanto seu peso de 3,8 kg vem de seu interior de bronze maciço.

Em 1927, Cedric Gibbons, diretor de arte da MGM, projetou o gráfico que serviria de base para a estatueta: um cavaleiro em pé segurando uma espada de modo protetor na frente de um rolo de filme com cinco raios. O rolo simbolizava a indústria cinematográfica e os raios representavam os cinco ramos originais da Academia.

No ano seguinte, Gibbons designou o escultor George Stanley para realizar seu projeto e desde então o design não sofreu mudanças significativas até hoje, nos mais de 90 anos em que já foi entregue, apenas durante a escassez de metal na Segunda Guerra Mundial, quando as estatuetas foram feitas de gesso pintado com tinta dourada. Após o conflito, o gesso foi trocado por metal banhado a ouro, que é como conhecemos hoje a estatueta do Oscar.

As estatuetas do Oscar nos bastidores durante a entrega do troféu em 28 de fevereiro de 2016 [Imagem: Reprodução/The Hill]

Segundo o jornal NY Post, desde que a primeira premiação aconteceu, mais de 80 Oscars foram roubados ou perdidos. Apenas 11 deles nunca foram encontrados – a maior parte das estatuetas foi achada em lixeiras ou catálogos de leilões, retornando para seus vencedores. O maior roubo da história do Oscar ocorreu em 2000, quando uma encomenda com 55 pequenas estátuas ainda não preenchidas com o nome de seus vencedores foi roubada por funcionários da empresa que transportava os prêmios de Chicago à Califórnia.

As origens do nome da estatueta são incertas, mas uma história popular diz que a diretora executiva Margaret Herrick pensou que a estátua se parecia com seu tio Oscar e então a equipe começou a chamar a o prêmio assim. Outra versão diz que a atriz Bette Davis o teria apelidado assim, dado a semelhança da estatueta com seu primeiro marido, Harmon Oscar Nelson. De qualquer maneira, até hoje esse apelido é o nome pelo qual o Prêmio da Academia é conhecido mundialmente.

Em 1953, o Oscar passou a ser uma atração televisionado e, a partir disso, ganhou cada vez mais projeção e status. Atualmente, o evento é transmitido ao vivo para diversos países, mas a Academia sempre está se equilibrando na corda bamba que é manter bons números de audiência. Assim sendo, a Academia está constantemente em busca de entregar modificações que garantam o interesse na premiação, principalmente aos expectadores mais jovens, como por exemplo o acréscimo de categorias, como a de Melhor Filme Estrangeiro visando a internacionalização do prêmio, e as aguardadas apresentações musicais.

Lady Gaga e Bradley Cooper foram o assunto do Oscar de 2019 após fazerem apresentação emocionante no palco da premiação [Imagem: Reprodução/G1]

Em 2019, a audiência do Oscar, somente nos Estados Unidos, atingiu quase 30 milhões de espectadores. A cerimônia de 1998 ainda mantém o recorde da maior audiência da História dos Prêmios da Academia, na qual foi registrado que 57 milhões de pessoas assistiram ao evento.

Os filmes nomeados para concorrer, assim como a escolha dos vencedores do prêmio, são decididos pelos membros da Academia. Na primeira cerimônia do Oscar, apenas 26 membros compunham a Academia. Hoje, presume-se que o número de membros seja de cerca de 8500 pessoas, mas apenas duas categorias são abertas ao voto de todos: Melhor Filme e Melhor Filme Estrangeiro. As demais categorias necessitam de exímio conhecimento para que haja uma avaliação mais crítica, como por exemplo na categoria Melhor Documentário.

Embora a primeira cerimônia do Oscar tenha acontecido no final da década de 1920, muitas mudanças só aconteceram recentemente, como a composição dos membros da Academia. A indignação generalizada do público para que a Academia diversificasse sua composição de homens brancos e velhos e incluísse mais jovens, mais mulheres e mais pessoas de cor repercutiu-se e, felizmente, mostrou resultado nos últimos anos. Até 2012, as estatísticas revelavam que 94% dos membros da Academia eram brancos, 77% eram homens e mais de 50% tinham idade superior a 60 anos.

O procedimento de premiação também mudou. No primeiro Oscar, os convidados já sabiam quem eram os vencedores e, além disso, desembolsaram cinco dólares para possuir o privilégio de participar da cerimônia. No entanto, no próximo ano, a Academia decidiu criar uma sensação de suspense e, em vez disso, enviou de antemão uma lista dos vencedores aos jornais, com publicação embargada até às 23h da noite da cerimônia.

Esse sistema permaneceu em vigor pelos por 10 anos, mas em 1940, o jornal Los Angeles Times, popularmente referido como Times ou LA Times, quebrou o embargo e anunciou os vencedores em sua edição noturna, o que significa que os indicados descobriram seu destino antes de comparecer ao evento. Por isso, em 1941, o sistema do famoso envelope lacrado foi finalmente introduzido e os resultados tornaram-se um segredo bem guardado.

O método do envelope funcionou muito bem até 2017, quando uma confusão nos bastidores causou um embaraçoso anúncio falso: o musical La La Land: Cantando Estações (2016) foi erroneamente declarado como Melhor Filme. Apenas após a intervenção dos organizadores, o prêmio foi entregue para o vencedor correto, a equipe criativa por trás do drama Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016).

Momento histórico da gafe do Oscar de 2017 em que os envelopes de Emma Stone e Moonlight foram trocados [Imagem: Reprodução/Observador]

No decurso dos 90 anos de história do Oscar, algumas produções e artistas do Brasil concorreram em várias categorias. A última vez aconteceu em 2020, quando Democracia em Vertigem (2019), dirigido por Petra Costa, concorreu na categoria Melhor Documentário. Entretanto, antes disso, O Pagador de Promessas (1963), O Quatrilho (1996), O que é isso, Companheiro? (1998) e Central do Brasil (1998) já disputaram na categoria Melhor Filme Estrangeiro.

Cidade de Deus (2004) e O Beijo da Mulher-Aranha (1986) receberam quatro indicações cada um. Contudo, o momento mais memorável para o país provavelmente fora a indicação de Fernanda Montenegro, em 1999, como Melhor Atriz, por Central do Brasil (1998), mesmo que a vencedora tenha sido a atriz Gwyneth Paltrow, por sua atuação em Shakespeare Apaixonado (1998).

A cerimônia do Oscar de 2022 não fugiu das mudanças trazidas pela pandemia de coronavírus, do domínio das mídias sociais, do decréscimo de consumo da televisão (graças em parte às mídias sociais), do surgimento de plataformas de streaming de grande sucesso e da cultura do binge-watching. Entretanto, a Academia, assim como a indústria cinematográfica que o Oscar celebra anualmente, foi resiliente e primorosa em readaptar-se de acordo com a necessidade do momento.

O Prêmio da Academia retornou ao Dolby Theatre após uma cerimônia reduzida no ano passado com convidados que respeitavam o distanciamento social e medidas de proteção, sem a presença do público. Neste ano, o evento não teve mais uma vez a presença do público, mas teve a presença exclusiva dos indicados e de seus acompanhantes e, pela primeira vez na história, um trio feminino comandou a cerimônia: Regina Hall, Amy Schumer e Wanda Sykes. Ademais, o Oscar não tinha anfitriões desde 2018, quando Jimmy Kimmel exerceu a função – as atrizes de Descompensada, Família Upshaw e Todo Mundo em Pânico retomaram à tradição após quatro anos.

[Crítica] A série De Volta aos Quinze é uma viagem no tempo para os adolescentes dos anos 2000 

Se você tivesse a oportunidade de voltar aos seus 15 anos, voltaria? Reviver todas as experiências, o primeiro dia do ensino médio, reencontrar os crushes e até mesmo aquelas brigas infantis? Foi o que aconteceu com  Anita (Maisa Silva e Camila Queiroz) da série “De volta aos Quinze” (2022) que teve uma experiência maluca viajando no tempo.

A série foi inspirada no livro homônimo de 2013, da escritora e youtuber Bruna Vieira. A história se passa em duas fases: a Anita adolescente, que é interpretada por Maisa e a adulta, protagonizada por Camila Queiroz. O elenco também é composto por Mariana Rios que faz a versão adulta de Luiza, irmã de Anita, João Guilherme, como a versão adolescente de Fabrício, Klara Castanho como  a versão jovem de Carol, entre outros grandes nomes.

Maisa Silva // Foto divulgação Netflix

O sentimento de nostalgia se faz presente em todos os capítulos, tanto nos figurinos marcados pelas calças de cintura baixa, os acessórios coloridos e de miçangas, como nas músicas dos anos 2000, câmeras fotográficas e até mesmo nas comunidades do ORKUT, que automaticamente remetem a uma época de saudade que aperta o coração mostrando como realmente foi a vida dos adolescentes brasileiros nesta época.

A série lembra as comédias românticas “De repente 30” (2004) e “Quero ser grande” (1988), porém neste caso, ao invés da protagonista ser adolescente, ela é  uma adulta insatisfeita com o rumo que sua vida levou. A trama também tem um dedo de “Efeito Borboleta” (2004), perceptível quando Anita, ao  voltar no tempo, não perde a oportunidade de mudar algumas situações e nisso perceber como cada ação refletirá no seu futuro e no das pessoas à sua volta.

O enredo não tem de muito inovador comparado a outros filmes e séries que tem como base a viagem no tempo, mas é uma história gostosa, leve e divertida de acompanhar num fim de noite, do jeito que uma comédia romântica clichê deve ser apreciada. 

De Volta aos 15 é uma ótima série para o público infanto-juvenil da Netflix, quem cresceu vendo a Maisa no SBT se diverte com a sua versão da Anita, brincalhona e impulsiva como toda adolescente deve ser. As atuações de maneira geral são medianas para boas, alguns personagens acabam sendo estereotipados, principalmente na fase adolescente, como é o caso de Fabrício sendo um badboy.

Pedro Vinícius e Alice Marcone / foto divulgação Netflix

Um ponto muito bacana foi na diversidade que a série abordou. César, um dos amigos de Anita, interpretado por Pedro Vinícius, acaba sofrendo muitos preconceitos durante a adolescência, pela forma de se vestir e sua sexualidade, porém sempre foi aceito pelo seu pai. Já na sua fase adulta, César passa a se chamar Camila, interpretada nessa etapa por Alice Marcone, uma atriz trans representando uma personagem trans, o que é uma representatividade muito boa para a comunidade LGBTQIA + no cinema, principalmente no cinema nacional.

Por ser dividido em dois elencos, é bem interessante ver ao longo da série a evolução e o amadurecimento de cada personagem, logo no primeiro episódio quando Anita volta para sua cidade natal e reencontra seus colegas da escola, ainda persiste a opinião de que são pessoas falsas, e os meninos continuam sendo os classificados como os típicos “boys lixo”. Conforme as  mudanças e desenvolvimento da trama ocorrem, as personalidades vão mudando e alguns coadjuvantes começam a ganhar mais destaque na tela perdendo certos rótulos que Anita dava a eles .

A consciência da protagonista permanece a mesma da Anita adulta, elemento  que torna a série curiosa, já que a personagem acaba sendo madura o suficiente em muitas situações e em outras age como se tivesse menos que seus 15 anos, tornando o enredo leve e engraçado, ao mesmo tempo que se deixa bater uma raiva pela  imaturidade da personagem ao não perceber as coisas óbvias.

A série possui  no total 6 episódios com uma média de 35/40 minutos de duração, ou seja, é perfeita para maratonar num dia de preguiça. A segunda temporada ainda não foi confirmada, porém tanto Maisa como Camila anseiam pela sequência, assim como os telespectadores, já que o final tem pontas soltas e que dão muita curiosidade sobre o que pode vir, sendo um possível gancho para uma continuação.

Assista ao trailer abaixo:https://www.youtube.com/watch?v=WLaFr5eem2o

[CRÍTICA] Rebelde Netflix acerta na nostalgia mas comete deslizes

Desde que o trailer oficial de Rebelde Netflix (2022) lançou, comentários relacionando a nova geração da novela mexicana com o seriado Elite (2018 – atualmente)  foram muito presentes. Isso se deve, principalmente, pela mesmice da Netflix em seus roteiros que dificilmente inova em suas produções adolescentes. A nova série é uma continuação da telenovela mexicana de 2004, dirigida por Santiago Limón, que também é o diretor do filme No, porque me enamoro (2020).

A atriz e produtora Cris Morena criou a novela argentina Rebelde Way (2002), estrelada por Luisana Lopilato, Camila Bordonaba, Benjamin Rojas e Felipe Colombo, juntamente à produção  também foi formada a banda ErreWay. Por conta do grande sucesso foram desenvolvidos remakes da obra em outros países, como, por exemplo: México, Portugal, Índia e Brasil. 

Rebelde (2004), foi a versão mexicana produzida por Pedro Damián, também diretor de Clase 406 (2002), e estrelada por Anahí (Mia), Alfonso Herrera (Miguel), Maite Perroni (Lupita), Christian Chávez (Giovanni), Dulce María  (Roberta) e Christopher Uckermann (Diego), além da novela o elenco principal formou o grupo musical RBD, que se tornou a banda mais premiada do mundo.

Foto reprodução/ montagem: RBD (esquerda) e ErreWay (direita)

A Netflix produziu a sequência que se passa no mesmo universo de Rebelde México, que conta com a presença de personagens da 1ª geração como Celina Ferrer (Estefania Villarreal), que é a nova diretora do Elite Way School, e Pilar Gandía (Karla Cossío),  a mãe da protagonista Jana Cohen (Azul Guaita). A ex chiquitita Giovanna Grigio interpreta Emília e o elenco principal também é formado pelo primo da Mia, Luka Colucci (Franco Masini), M.J. (Andrea Chaparro), Dixon (Jerónimo Cantillo), Sebas (Alejandro Puente), Andi (Lizeth Selene) e Esteban (Sérgio Mayer).

Após o gigantesco legado deixado pela banda, o EWS que, até então, era um colégio bem tradicional, aderiu o programa de música a sua grade escolar, e passou a realizar  anualmente uma batalha de bandas em que o vencedor poderá ter um contrato com uma gravadora renomada.

Logo no começo do primeiro episódio, é possível notar o apelo a nostalgia  ao iniciar a trama com uma conversa entre  Jana e Pilar. A introdução de Dixon  também trouxe lembranças de quando Giovanni ingressou no colégio, ambos pedindo para a mãe não chamar muita atenção e escondendo a verdadeira identidade, mudando de nome. A elite, assim como na telenovela de 2004, está sempre presente, desta vez através  de Sebastian Langarica, o filho da próxima chefe de governo. Será que sua mãe será tão bruta como era León Bustamante com o Dieguinho?

Foto reprodução Netflix/ Emília (Giovanna Grigio) e Andi (Lizeth Selene) em cena

Os 8 episódios, que duram em torno de 40 minutos, garantiram um enredo leve sobre adolescentes com problemas de adolescentes. O desenvolvimento de cada personagem foi um tanto raso, assim como dos casais e das amizades. Os plots twists foram previsíveis e a história foi muito rápida separando-se entre a  audição, a formação da banda e o final, talvez, por isso, não foi possível passar a audiência um vínculo de amizade entre os personagens. Assim que chegaram ao colégio os protagonistas já tiveram que se preparar para a batalha das bandas, com isso a relação entre eles gira em torno de desmascarar a seita e vencer a competição sem todo o envolvimento esperado entre as personagens.

O maior deslize da série foi a forma que a seita La Logia foi trabalhada. Tanto na versão original como na primeira geração mexicana, o foco da associação secreta era criar o terror com os bolsistas, uma guerra de classes entre os alunos de elite com os mais pobres, além das “pegadinhas” que eram agressões pesadas a ponto de quase matar. Em RBN a seita foi totalmente ridicularizada, ao invés dos bolsistas o novo alvo foram os novatos e o trote foi (alerta de spoiler) vestir-se com o uniforme dos RBD e fazer eles cantarem a música Rebelde. Esse foi, com certeza, um grande erro para para os fãs e para o que representava a La Logia e a problemática envolvendo o preconceito dos alunos de elite com os bolsistas que era retratada na novela.

Montagem/Reprodução

Mia Colucci foi o centro das referências. Entre algumas delas, por exemplo, M.J usa a estrela vermelha na testa e Jana  o celular flip na bota. Por ser típico dos  Colucci não apoiarem seus filhos no mundo musical, a história de seu primo, Luka, também se assemelha com a de Mia. Assim como Franco, Marcelo prefere que seu filho entre para os negócios da família ao invés de fazer música.

Mas e Roberta, Lupita, Diego, Miguel e Giovanni? Os outros RBD ‘s foram esquecidos pela Netflix? As referências foram poucas e até mesmo inexistentes,  uma falta de consideração com os outros personagens e que causou grande descontentamento a muitos RBDManiacos. 

Porém, o legado da banda foi muito bem retratado com a exposição na parede do corredor, os uniformes, prêmios, o chapéu de Salvame, fotos e alguns instrumentos. O mural, além de ser um bom incentivo para os alunos e validar o prestígio da banda para o Elite Way, é de longe o momento mais nostálgico e sentimental para todos os fãs.

Reprodução Twitter @rebelde_netflix

Pensando no público alvo, a atuação de maneira geral é mediana e nada surpreendente ou inovadora. Até mesmo Esteban (Sérgio Mayer) que possui  um plot importante,  tornou-se o menos interessante, devido a falta de expressão em quase todas as cenas. Mayer acabou se envolvendo em polêmicas dizendo que não gostava de RBD, o que causou certo aborrecimento com os fãs.

A Netflix também pecou ao não colocar uma interação entre Pilar e Celina. É  de conhecimento dos fãs  o trauma que Gandía tem em relação ao EWS, mas uma conversa de velhas amigas ou até mesmo um telefonema sobre Jana, que compareceu diversas vezes na diretoria, seria ainda mais nostálgico, mas quem sabe fique para a próxima temporada?


Ainda sem data de estreia, a segunda temporada foi gravada simultaneamente e com novos covers, como Besame Sin Miedo, novos personagens e a confirmação de todos os principais. Por mais que não tenha tido um gancho no último episódio, ainda é esperado que a história se aprofunde assim como o desenvolvimento de cada um, dos casais e também das amizades. A Netflix precisa sair da mesmice do roteiro de séries adolescentes e procurar inovar sem medo, RBN já conquistou o seu espaço e não é preciso forçar Rebelde México em seu enredo.