[CRÍTICA] Rebelde Netflix acerta na nostalgia mas comete deslizes

Desde que o trailer oficial de Rebelde Netflix (2022) lançou, comentários relacionando a nova geração da novela mexicana com o seriado Elite (2018 – atualmente)  foram muito presentes. Isso se deve, principalmente, pela mesmice da Netflix em seus roteiros que dificilmente inova em suas produções adolescentes. A nova série é uma continuação da telenovela mexicana de 2004, dirigida por Santiago Limón, que também é o diretor do filme No, porque me enamoro (2020).

A atriz e produtora Cris Morena criou a novela argentina Rebelde Way (2002), estrelada por Luisana Lopilato, Camila Bordonaba, Benjamin Rojas e Felipe Colombo, juntamente à produção  também foi formada a banda ErreWay. Por conta do grande sucesso foram desenvolvidos remakes da obra em outros países, como, por exemplo: México, Portugal, Índia e Brasil. 

Rebelde (2004), foi a versão mexicana produzida por Pedro Damián, também diretor de Clase 406 (2002), e estrelada por Anahí (Mia), Alfonso Herrera (Miguel), Maite Perroni (Lupita), Christian Chávez (Giovanni), Dulce María  (Roberta) e Christopher Uckermann (Diego), além da novela o elenco principal formou o grupo musical RBD, que se tornou a banda mais premiada do mundo.

Foto reprodução/ montagem: RBD (esquerda) e ErreWay (direita)

A Netflix produziu a sequência que se passa no mesmo universo de Rebelde México, que conta com a presença de personagens da 1ª geração como Celina Ferrer (Estefania Villarreal), que é a nova diretora do Elite Way School, e Pilar Gandía (Karla Cossío),  a mãe da protagonista Jana Cohen (Azul Guaita). A ex chiquitita Giovanna Grigio interpreta Emília e o elenco principal também é formado pelo primo da Mia, Luka Colucci (Franco Masini), M.J. (Andrea Chaparro), Dixon (Jerónimo Cantillo), Sebas (Alejandro Puente), Andi (Lizeth Selene) e Esteban (Sérgio Mayer).

Após o gigantesco legado deixado pela banda, o EWS que, até então, era um colégio bem tradicional, aderiu o programa de música a sua grade escolar, e passou a realizar  anualmente uma batalha de bandas em que o vencedor poderá ter um contrato com uma gravadora renomada.

Logo no começo do primeiro episódio, é possível notar o apelo a nostalgia  ao iniciar a trama com uma conversa entre  Jana e Pilar. A introdução de Dixon  também trouxe lembranças de quando Giovanni ingressou no colégio, ambos pedindo para a mãe não chamar muita atenção e escondendo a verdadeira identidade, mudando de nome. A elite, assim como na telenovela de 2004, está sempre presente, desta vez através  de Sebastian Langarica, o filho da próxima chefe de governo. Será que sua mãe será tão bruta como era León Bustamante com o Dieguinho?

Foto reprodução Netflix/ Emília (Giovanna Grigio) e Andi (Lizeth Selene) em cena

Os 8 episódios, que duram em torno de 40 minutos, garantiram um enredo leve sobre adolescentes com problemas de adolescentes. O desenvolvimento de cada personagem foi um tanto raso, assim como dos casais e das amizades. Os plots twists foram previsíveis e a história foi muito rápida separando-se entre a  audição, a formação da banda e o final, talvez, por isso, não foi possível passar a audiência um vínculo de amizade entre os personagens. Assim que chegaram ao colégio os protagonistas já tiveram que se preparar para a batalha das bandas, com isso a relação entre eles gira em torno de desmascarar a seita e vencer a competição sem todo o envolvimento esperado entre as personagens.

O maior deslize da série foi a forma que a seita La Logia foi trabalhada. Tanto na versão original como na primeira geração mexicana, o foco da associação secreta era criar o terror com os bolsistas, uma guerra de classes entre os alunos de elite com os mais pobres, além das “pegadinhas” que eram agressões pesadas a ponto de quase matar. Em RBN a seita foi totalmente ridicularizada, ao invés dos bolsistas o novo alvo foram os novatos e o trote foi (alerta de spoiler) vestir-se com o uniforme dos RBD e fazer eles cantarem a música Rebelde. Esse foi, com certeza, um grande erro para para os fãs e para o que representava a La Logia e a problemática envolvendo o preconceito dos alunos de elite com os bolsistas que era retratada na novela.

Montagem/Reprodução

Mia Colucci foi o centro das referências. Entre algumas delas, por exemplo, M.J usa a estrela vermelha na testa e Jana  o celular flip na bota. Por ser típico dos  Colucci não apoiarem seus filhos no mundo musical, a história de seu primo, Luka, também se assemelha com a de Mia. Assim como Franco, Marcelo prefere que seu filho entre para os negócios da família ao invés de fazer música.

Mas e Roberta, Lupita, Diego, Miguel e Giovanni? Os outros RBD ‘s foram esquecidos pela Netflix? As referências foram poucas e até mesmo inexistentes,  uma falta de consideração com os outros personagens e que causou grande descontentamento a muitos RBDManiacos. 

Porém, o legado da banda foi muito bem retratado com a exposição na parede do corredor, os uniformes, prêmios, o chapéu de Salvame, fotos e alguns instrumentos. O mural, além de ser um bom incentivo para os alunos e validar o prestígio da banda para o Elite Way, é de longe o momento mais nostálgico e sentimental para todos os fãs.

Reprodução Twitter @rebelde_netflix

Pensando no público alvo, a atuação de maneira geral é mediana e nada surpreendente ou inovadora. Até mesmo Esteban (Sérgio Mayer) que possui  um plot importante,  tornou-se o menos interessante, devido a falta de expressão em quase todas as cenas. Mayer acabou se envolvendo em polêmicas dizendo que não gostava de RBD, o que causou certo aborrecimento com os fãs.

A Netflix também pecou ao não colocar uma interação entre Pilar e Celina. É  de conhecimento dos fãs  o trauma que Gandía tem em relação ao EWS, mas uma conversa de velhas amigas ou até mesmo um telefonema sobre Jana, que compareceu diversas vezes na diretoria, seria ainda mais nostálgico, mas quem sabe fique para a próxima temporada?


Ainda sem data de estreia, a segunda temporada foi gravada simultaneamente e com novos covers, como Besame Sin Miedo, novos personagens e a confirmação de todos os principais. Por mais que não tenha tido um gancho no último episódio, ainda é esperado que a história se aprofunde assim como o desenvolvimento de cada um, dos casais e também das amizades. A Netflix precisa sair da mesmice do roteiro de séries adolescentes e procurar inovar sem medo, RBN já conquistou o seu espaço e não é preciso forçar Rebelde México em seu enredo.

A história por trás de ‘Um Conto de Natal’, de Charles Dickens e suas diversas adaptações

Durante milhares de anos, os norte-americanos guardaram as histórias de fantasmas somente para o mês de outubro, quando é comemorado o único feriado mal-assombrado conhecido, o Halloween. Porém, antes disso, reunir-se ao redor de uma fogueira para compartilhar histórias de fantasmas era, na verdade, a tradição mais amada de Natal no final de 1800 até o início de 1900. Sendo assim, não é mera coincidência que a história de fantasmas mais famosa seja uma história de Natal – ou melhor, que a história de Natal mais famosa seja uma história de fantasmas.

À noite, na véspera de Natal, o rabugento Ebenezer Scrooge recebe uma visita do fantasma de seu antigo parceiro de negócios, Jacob Marley. O extremo egoísmo de Marley o condenou à miséria na vida após a morte, e ele diz à Scrooge que não consegue descansar em paz precisamente por não ter sido generoso durante toda sua vida. Desse modo, Marley avisa que Scrooge irá receber três fantasmas que o farão recomeçar sua história: o primeiro é o fantasma do Natal passado, em seguida o fantasma do Natal presente e, por fim, o fantasma do Natal futuro.

Um Conto de Natal, escrito pelo romancista Charles Dickens, foi publicado pela primeira vez em 19 de dezembro de 1843, sem o apoio de seus editores, e sua história sobre um homem assombrado por uma série de fantasmas na véspera de Natal fazia parte dessa tradição outrora amada e agora (quase) esquecida de contar histórias de fantasmas nessa época de festas. Embora as histórias de fantasmas não se encaixem nas celebrações de hoje, elas já fizeram sucesso durante o feriado de Natal, atingindo o seu pico de popularidade na Inglaterra vitoriana. A obra de Dickens foi um sucesso instantâneo, um sucesso tão grande que consolidou a produção como um clássico natalino, permanecendo assim até hoje.

Um Conto de Natal, de Charles Dickens [Imagem: Reprodução/The New York Times]

O sucesso do terror natalino foi intrinsecamente relacionado à herança das histórias de fantasmas do feriado no Reino Unido. Em 1898, após a publicação da história A volta do parafuso, o autor Henry James introduziu a tradição misteriosa na cultura dos Estados Unidos. A volta do parafuso narra uma série de episódios fantasmagóricos que uma jovem governanta passa a presenciar após ser contratada para cuidar de duas crianças em uma mansão inglesa. A história de James começa justamente com homens ao redor de uma calorosa fogueira compartilhando histórias de fantasmas na véspera de Natal. Contudo, essa tradição oral persistiu apenas até o início do século 20, no decorrer da Revolução Industrial, com o auxílio de várias revistas que constantemente publicavam histórias de fantasmas em edições natalinas, tornando-se assim uma tendência.

Desde a publicação de Um Conto de Natal, a história já foi adaptada muitas vezes pelo teatro e, a partir de 1901, após o lançamento do filme mudo Scrooge, or, Marley’s Ghost, recebeu diversas adaptações para filmes e séries. Em 1951, tivemos uma das primeiras adaptações, Contos de Natal. Hoje, o filme protagonizado por Alastair Sim e dirigido por Brian Desmond Hurst, é reconhecido por ser o mais perto que uma adaptação já chegou de dar vida às páginas da obra de Dickens. Em 1970, tivemos a bem-feita produção musical Adorável Avarento, dirigido por Ronald Neame, que conseguiu quatro indicações no Oscar: melhor direção de arte, melhor figurino, melhor canção original e melhor trilha sonora original. E, em 5 de dezembro de 1999, Conto de Natal, dirigido por David Jones e protagonizado por Patrick Stewart, o Professor Charles Xavier de X-Men, foi televisionado pela primeira vez na TNT.

Contos de Natal (1951) [Imagem: Reprodução/Britannica]

Entretanto, a adaptação mais popular de Um Conto de Natal com certeza é a animação da Walt Disney Pictures de 2009, Os Fantasmas de Scrooge, dirigida por Robert Zemeckis, que também dirigiu a trilogia De Volta para o Futuro, Forrest Gump e O Expresso Polar. A animação é estrelada pelo comediante Jim Carrey, dublador e intérprete não só de Scrooge, assim como dos fantasmas do Natal. Gary Oldman, Colin Firth e Robin Wright também estão no elenco.

Os Fantasmas de Scrooge (2009) [Imagem: Reprodução/Tumblr]

Os Fantasmas de Scrooge, ainda assim, não é a única adaptação da Walt Disney. Em 1983, quando a história de Dickens fez 140 anos, tivemos o curta-metragem de animação O Conto de Natal do Mickey, dirigido por Burny Mattinson. Já em 1992, Os Muppets também ganharam sua própria adaptação, O Conto de Natal dos Muppets, dirigido por Brian Henson.

De Alaister Sim e George C. Scott a Patrick Stewart e Michael Caine, Ebenezer Scrooge foi interpretado por alguns dos atores mais conceituados do século 20. Em Os Fantasmas Contra Atacam, de 1988, dirigido por Richard Donne, Bill Murray, protagonista de Os Caça-Fantasmas e Feitiço do Tempo, é Frank Cross, um antipático executivo de televisão bem-sucedido, uma representação moderna de Scrooge. Já em Minhas Adoráveis Ex-Namoradas, de 2009, dirigido por Mark Waters, Matthew McConaughey, protagonista de Clube de Compras Dallas e Interestelar, é Connor Mead, um fotógrafo mulherengo que, às vésperas do casamento de seu irmão, começa a ser atormentado pelos espíritos de suas ex-namoradas rejeitadas.

Os Fantasmas Contra Atacam (1988) [Imagem: Reprodução/Paramount Pictures]
Minhas Adoráveis Ex-Namoradas (2009) [Imagem: Reprodução/Everett Collection]

A aclamada série de ficção científica Doctor Who, produzida e transmitida pela BBC desde 1963, também ganhou um episódio natalino especial baseado na história de Scrooge. O episódio foi exibido em 25 de dezembro de 2010 e foi visto por doze milhões de pessoas no Reino Unido. Hoje, em razão das inúmeras adaptações, paródias e citações de Um Conto de Natal, muitas pessoas conhecem o enredo mesmo sem nunca ter lido a história original. Em 2019, tivemos mais de vinte adaptações para filmes e séries da novela de Dickens.

Há mais de cem anos atrás, Dickens publicou a história que mudou a história da literatura natalina para sempre e, por conseguinte, do audiovisual. Um Conto de Natal é uma história de redenção na qual o amargo Ebenezer Scrooge percorre uma jornada de autorreflexão, encerrando em uma significativa mudança de coração. Além disso, o enredo de Dickens enfatiza o mal do capitalismo – um sistema que Scrooge só recusa no final – que prioriza o dinheiro acima da bondade e dignidade humana. Traz uma mensagem de amor, caridade e esperança constituída em tradições do Natal, eternizada ao longo das décadas.

Os Fantasmas de Scrooge (2009) [Imagem: Reprodução/Tumblr]

Mas de onde exatamente vêm essa curiosa tradição de compartilhar histórias de fantasmas nesse período? Recorrendo à história, na realidade, em vez de ter uma relação com o cristianismo, o dia 25 de dezembro tinha uma relação mais próxima com comemorações pré-cristãs que homenageavam o solstício de inverno, assim dizendo, o Natal abrange elementos de diversas festividades pagãs – viscos, azevinhos e grinaldas, por exemplo, são todos símbolos pagãos. O Natal simbolicamente celebra a “morte” da luz e a noite mais longa do ano, quando o “véu” entre o reino dos vivos e o reino dos mortos fica “transparente”. Por isso, a data foi considerada a mais assombrada.

Ou também seja porque sem a riqueza da medicina moderna e dos cuidados essenciais para mantermos a saúde hoje em dia, o sopro frio da morte sempre parecia mais próximo no inverno, uma estação carregada de doenças. Em dezembro, em países onde o inverno é rigoroso, as condições eram propícias para deixar a imaginação fluir e pensar em muitas histórias sobrenaturais. Mais à frente, graças às tradições de imigrantes irlandeses e escoceses, o Halloween foi assumido nos Estados Unidos e designado o verdadeiro feriado de terror à medida em que o Natal era “purificado”, tornando-se a mágica celebração que nós conhecemos hoje.

Confira a lista de indicados para o Globo de Ouro 2022

Nesta segunda-feira (13) foi divulgada a lista de indicados para o Globo de Ouro 2022. A cerimônia acontecerá no dia 09 de janeiro.

Confira a lista completa:

MELHOR FILME – DRAMA

• Belfast
• No Ritmo do Coração
• Duna
• King Richard: Criando Campeãs
• Ataque dos Cães

MELHOR DIREÇÃO – FILME

• Kenneth Branagh, Belfast
• Jane Campion, Ataque dos Cães
• Maggie Gyllenhaal, A Filha Perdida
• Steven Spielberg, Amor, Sublime Amor
• Denis Villeneuve, Duna

MELHOR ATOR EM FILME – DRAMA

• Mahershala Ali, Swan Song
• Javier Bardem, Being the Ricardos
• Benedict Cumberbatch, Ataque dos Cães
• Will Smith, King Richard: Criando Campeãs
• Denzel Washington, A tragédia de Macbeth

MELHOR ATRIZ EM FILME – DRAMA

• Jessica Chastain, The Eyes of Tammy Faye
• Olivia Colman, A Filha Perdida
• Nicole Kidman, Being the Ricardos
• Lady Gaga, Casa Gucci
• Kristen Stewart, Spencer

MELHOR FILME – COMÉDIA/MUSICAL

• Cyrano
• Não Olhe Para Cima
• Licorice Pizza
• Tick, Tick… Boom!
• Amor, Sublime Amor

MELHOR ATOR EM FILME – COMÉDIA/MUSICAL

• Leonardo DiCaprio, Não Olhe Para Cima
• Peter Dinklage, Cyrano
• Andrew Garfield, Tick, Tick… Boom!
• Cooper Hoffman, Licorice Pizza
• Anthony Ramos, Em Um Bairro em Nova York

MELHOR ATRIZ EM FILME – COMÉDIA/MUSICAL

• Marion Cotillard, Annette
• Alana Haim, Licorice Pizza
• Jennifer Lawrence, Não Olhe Para Cima
• Emma Stone, Cruella
• Rachel Zegler, Amor, Sublime Amor

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM FILME

• Ben Affleck, The Tender Bar
• Jamie Dornan, Belfast
• Ciarán Hinds, Belfast
• Troy Kotsur, No Ritmo do Coração
• Kodi Smit-McPhee, Ataque dos Cães

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM FILME

• Caitriona Balfe, Belfast
• Ariana DeBose, Amor, Sublime Amor
• Kirsten Dunst, Ataque dos Cães
• Aunjanue Ellis, King Richard: Criando Campeãs
• Ruth Negga, Identidade

MELHOR TRILHA SONORA EM FILME

• Alexandre Desplat, A Crônica Francesa
• Germaine Franco, Encanto
• Jonny Greenwood, Ataque dos Cães
• Alberto Iglesias, Madres Paralelas
• Hans Zimmer, Duna

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL EM FILME

Be Alive – Beyoncé (King Richard: Criando Campeãs)
Dos Oruguitas – Sebastian Yatra (Encanto)
Down to Joy – Van Morrison (Belfast)
Here I Am (Singin’ My Way Home) – Jennifer Hudson (Respect)
No Time to Die – Billie Eilish (007 – Sem Tempo Para Morrer)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

• Compartment Number 6
• Drive My Car
• A Mão de Deus
• A Hero
• Madres Paralelas

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Encanto
• Flee
• Luca
• My Sunny Maad
• Raya e o Último Dragão

MELHOR ROTEIRO EM FILME

• Paul Thomas Anderson, Licorice Pizza
• Kenneth Branagh, Belfast
• Jane Campion, Ataque dos Cães
• Adam McKay, Não Olhe para Cima
• Aaron Sorkin, Being the Ricardos

MELHOR SÉRIE DE TV – DRAMA

• Lupin
• The Morning Show
• Pose
• Round 6
• Succession

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE TV – DRAMA

• Brian Cox, Succession
• Lee Jung-jae, Round 6
• Billy Porter, Pose
• Jeremy Strong, Succession
• Omar Sy, Lupin

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE TV – DRAMA

• Uzo Aduba, In Treatment
• Jennifer Aniston, The Morning Show
• Christine Baranski, The Good Fight
• Elizabeth Moss, The Handmaid’s Tale
• Mj Rodriguez, Pose

MELHOR SÉRIE DE TV – COMÉDIA/MUSICAL

• The Great
• Hacks
Only Murders in the Building
• Reservation Dogs
• Ted Lasso

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE TV – COMÉDIA/MUSICAL

• Anthony Anderson, Black-ish
• Nicholas Hoult, The Great
• Steve Martin, Only Murders in the Building
• Martin Short, Only Murders in the Building
• Jason Sudeikis, Ted Lasso

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE TV – COMÉDIA/MUSICAL

• Hannah Einbinder, Hacks
• Elle Fanning, The Great
• Issa Rae, Insecure
• Tracee Ellis-Ross, Black-ish
• Jean, Hacks

MELHOR SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME

• Dopesick
• Impeachment: American Crime Story
• Maid
• Mare of Easttown
• The Underground Railroad

MELHOR ATOR EM SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME

• Paul Bettany, WandaVision
• Oscar Isaac, Scenes from a Marriage
• Michael Keaton, Dopesick
• Ewan McGregor, Halston
• Tahar Rahim, The Serpent

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME

• Jessica Chastain, Scenes from a Marriage
• Cynthia Ervio, Genius: Aretha
• Elizabeth Olsen, WandaVision
• Margaret Qualley, Maid
• Kate Winslet, Mare of Easttown

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM TV

• Billy Crudup, The Morning Show
• Kieran Culkin, Succession
• Mark Duplass, The Morning Show
• Brett Goldstein, Ted Lasso
• Oh Yeong-su, Round 6

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM TV

• Jennifer Coolidge, The White Lotus
• Kaitlyn Dever, Dopesick
• Andie McDowell, Maid
• Sarah Snook, Succession
• Hannah Waddingham, Ted Lasso

Retrospectiva de Cinema & Tv 2021

2021 foi um ano e tanto para o Cinema e Televisão. Aliás, depois de tanto tempo praticamente sem estreias e premiações, a ansiedade para um ano melhor era gigante. E, apesar da volta gradual ao que era antes da pandemia começar em 2020, como sempre, nem tudo foi um mar de rosas. Além de olhar para os melhores e mais encantadores momentos da indústria em 2021, essa retrospectiva também passa por alguns dos acontecimentos mais tristes e difíceis que rolaram nessa fração do mundo do entretenimento durante o ano.

Premiações

As fabulosas premiações do cinema voltaram a ocorrer presencialmente. Uma das maiores delas é o Oscar e a produção que mais brilhou na noite do dia 25 de abril foi Nomadland (2020). E, claro, Chloé Zhao, a diretora do filme, também. Ela se tornou a segunda mulher e a primeira asiática em 93 anos de premiação a levar a categoria de melhor direção 

[Imagem: Reprodução/G1]

Ainda falando sobre esse tópico, outra premiação que teve seus destaques (alguns, inclusive, polêmicos) foi o Emmy, a maior premiação da televisão americana, que aconteceu dia 19 de setembro. A grande vencedora da noite foi a série The Crown (2016 – atualmente), que ganhou todas as 7 categorias que estava concorrendo. Foi o primeiro ano que isso aconteceu na categoria de drama.

[Imagem: Reprodução/Aventuras na História]

O momento de maior importância, no entanto, foi quando Michaela Coel, escritora e protagonista de I May Destroy You (2020), levou a estatueta de Melhor Roteiro para Série Limitada ou Filme. Durante seu discurso emocionante após ter se tornado a primeira mulher preta a ganhar a categoria, Coel dedicou a vitória para sobreviventes de abuso sexual. Isso porque a roteirista se baseou em uma experiência pessoal real de estupro para escrever a produção.

Entretanto, parece que é sempre um passo para frente e dois para trás. Mesmo sendo o ano com maior número de pessoas pretas indicadas à premiação, nenhuma das categorias de atuação foi entregue a uma pessoa não-branca. Na verdade, só dois artistas pretos foram premiados individualmente. Uma das maiores injustiças da premiação foi o fato da série Pose (2018-2021) não ter levado nenhuma estatueta para casa. A série estava concorrendo com sua última temporada então, infelizmente, foi a última oportunidade de ser premiada. Em meio a tantas indicações para artistas que representam diversidade, o Emmy premiou pouquíssimas delas, mostrando que não está preocupado em mudar (pelo menos, não tão cedo). 

Discurso de Michaela Coel ao levar a estatueta de Melhor Roteiro para Série Limitada ou Filme no Emmy’s de 2021

Cinema x Streamings

Parece que todo ano é “o ano dos streamings”. Mas é que essas plataformas estão crescendo cada vez mais e tantas opções estão surgindo que é fácil se perder. Segundo um estudo conduzido pela RankMyApp, os aplicativos de streaming tiveram um crescimento de 300% nas buscas da Google Play Store e da Apple Store nos últimos 2 anos. Isso porque a pandemia teve um grande impacto no crescimento desses aplicativos. 

 [Imagem: Reprodução/Forcetech]

Por outro lado, a indústria do cinema, em 2021, começou a dar os primeiros passos para sua recuperação após a crise sofrida no ano anterior devido à COVID-19. E não só isso, além de terem sido atingidos em cheio pela pandemia, também foram diretamente impactados pela revolução do streaming. Agora, depois da tamanha pancadaria, os cinemas estão tentando reencontrar o seu lugar. 

Olhando para o Brasil, é claramente perceptível que o país é um dos maiores consumidores de streamings do mundo. Mais especificamente, o segundo maior. De acordo com o relatório de adoção de Streaming Global do Finder, 65% dos adultos brasileiros têm pelo menos um serviço de streaming, bem acima da média global de 56%. 

E a competição não está tranquila. No início, Netflix e Globoplay lideravam sem muita concorrência, mas agora o cenário é diferente: a disputa pelo topo está cada vez mais acirrada. Apesar da Netflix ainda liderar aqui no país, outros streamings já estão logo em sua cola, mostrando que não existe mais a mesma tranquilidade vista até pouco tempo atrás. Só este ano, outros serviços chegaram ao país, como o tão aguardado HBOMax. Esse rápido crescimento da concorrência é um dos principais motivos pela popularização do streaming no Brasil.

Afinal de contas, qual o futuro do cinema e dos streamings? É difícil dizer. Os cinemas ainda têm alguns blockbusters que vêm, de novo, atraindo o público. Entretanto, de acordo com a CartaCapital, o cinema independente ainda enfrenta grandes dificuldades para se recuperar. As salas que ficam em shoppings de luxo, de um extremo, e em shoppings populares, de outro, são as que estão se saindo melhor. 

 [Imagem: Reprodução/Comando Notícia]

Ao mesmo tempo que existem pessoas totalmente adeptas ao mundo dos streamings e que preferem assistir os filmes do conforto de casa (até porque, vale lembrar que, em vários cinemas, o ingresso custa mais caro do que a assinatura de várias das plataformas disponíveis), também tem aquelas que não abrem mão da experiência de assistir uma produção nas telonas por nada.

O ano da Marvel e a Fase 4

Como citado anteriormente, uma das atividades mais afetadas pela pandemia foram os cinemas. Portanto, muitas estreias tiveram de ser adiadas e não foi diferente para a Marvel. O estúdio, que é característico por lançar pelo menos 3 longas por ano, teve de postergar  seus longas e os fãs ficaram quase um ano sem o gostinho de assistir seus heróis favoritos em cena.

 [Imagem: Reprodução/Disney+]

Mas, em 2021, isso mudou. Foi em janeiro que a Disney+, plataforma de streaming, disponibilizou os primeiros episódios da tão aclamada minissérie WandaVision e deixou as pessoas enlouquecidas. A expectativa era grande e foi superada para a maioria dos fãs (que já começaram a teorizar sobre o futuro do Universo Cinematográfico da Marvel) e para a crítica também. A produção fez tanto sucesso que recebeu, no total, 23 indicações ao Emmy 2021, e se tornou a minissérie com mais indicações da premiação. WandaVision levou o prêmio nas categorias Melhor Figurino de Fantasia/Ficção científica, Melhor Design de Produção (em série de meia-hora) e Melhor Canção Original, com Agatha All Along.

 [Imagem: Reprodução/Central Comics]

E, depois de tamanha euforia com o lançamento de WandaVision, mais 4 séries da Marvel chegaram ao catálogo da Disney+ ao longo do ano. A produção que aterrissou na plataforma após a minissérie da Feiticeira Escarlate foi Falcão e o Soldado Invernal. Nela, vemos a dupla dinâmica queridinha dos fãs em ação. Mas não só de cenas de luta se resume a história dos dois. Na verdade, a série deu um grande passo para a representatividade nas produções da Marvel, que pretende bater bastante nesta tecla em sua nova fase. 

Quando Vingadores: Ultimato (2019) foi lançado, um dos maiores ganchos deixados no seu final foi a passagem do escudo de Steve Rogers para seu leal parceiro Sam Wilson, o Falcão. A série dele e de sua dupla, Soldado Invernal, dedica-se a explorar a jornada de conflitos e aceitação de Sam com essa missão que lhe foi deixada. 

 [Imagem: Reprodução/Plano Crítico]

Foi importante o jeito que a série abordou essa questão: como o Falcão se sentia pressionado por ter que continuar o legado de um herói branco, loiro e de olhos azuis, queridíssimo pelos Estados Unidos, um dos países mais racistas do mundo. Além disso, ao mesmo tempo que ele sentia essa pressão toda, ele também não queria sentir que estava traindo a própria cultura, a própria família e amigos por tomar tal cargo.

Outras séries da Marvel que foram lançadas esse ano são Loki e Gavião-Arqueiro. Ambas são protagonizadas por personagens masculinos, mas também dão espaço para personagens femininas muito fortes. Em Loki, temos Sylvie, uma outra versão de Loki que, na verdade, difere bastante do personagem do Tom Hiddleston. Porém, uma das coisas que os dois têm em comum é que eles carregam uma dose de representatividade LGBTQIA+ pois ambos são bissexuais. Nos quadrinhos, Loki é descrito como pansexual, entretanto, essa sua faceta nunca foi representada nos cinemas até a estreia da série do Disney+.

[Imagem: Reprodução/The Feminist Patronum]

Ademais, recentemente, a série do Gavião Arqueiro foi lançada. Nela, Clint se envolve em uma trama juntamente com Kate Bishop, interpretada por Hailee Steinfeld. Mais uma vez, é muito legal e muito importante ver uma personagem em quem as garotas e mulheres podem se inspirar. Como muitos já estão especulando, o Gavião Arqueiro pode entregar o bastão para Bishop, que futuramente assumirá o manto da Gaviã Arqueira.

[Imagem: Reprodução/Universo Heróico]

Também chegou ao catálogo da Disney+ e aos cinemas em 2021 o tão esperado filme solo da Viúva Negra. Depois de onze anos implorando por um longa que contasse a história da heroína, os fãs finalmente puderam assistir a jornada de Natasha Romanoff. O filme celebra uma das personagens mais amadas do Universo Cinematográfico da Marvel e também é uma evolução em relação aos estereótipos e à sexualização de personalidades femininas nos filmes do estúdio. 

Contudo, algo inesperado aconteceu que envolvia o longa:  a atriz Scarlett Johansson, que interpreta Natasha Romanoff, processou a Disney. A razão da ação judicial foi justamente o lançamento de Viúva Negra simultaneamente nos cinemas e no Disney+. Johansson alega que a empresa desrespeitou os termos que haviam sido assinados e que, por conta disso, o salário que ela recebeu pelo filme ficou bem abaixo do que havia sido combinado no acordo. O mesmo aconteceu com a atriz Emma Stone que estrelou o live-action Cruella (2021), que juntou-se à intérprete da Viúva Negra para processar a Disney, pelos mesmos motivos.

[Imagem: Reprodução/Disney+]

Ainda falando de representatividade na Marvel, algumas outras produções foram lançadas esse ano que abordaram esse tópico. Uma delas foi o filme Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, que apresenta ao público um super-herói asiático e uma narrativa com muita ação, referências a filmes de Kung Fu e reflexões sobre pertencimento. 

Além do diretor, Destin Cretton, que é descendente de japoneses, boa parte do elenco e da produção também é composta por pessoas de raízes asiáticas. O longa fala sobre um imigrante nos Estados Unidos, acompanhado de uma amiga que é descendente de asiáticos e que já não se conectam tanto assim com o idioma. Com isso, Shang-Chi questiona bastante se essas pessoas se sentem em casa na América do Norte ou vão se sentir em casa na China. Ou, até, se eles vão se sentir em casa em algum lugar. 

[Imagem: Reprodução/Jovem Nerd]

Por fim, o tão esperado filme Eternos chegou às telonas do cinema há pouco tempo. Para a era pós-Ultimato, a Marvel aposta bastante na questão da diversidade, como dito anteriormente. A produção traz o primeiro casal gay e a primeira heroína surda para os filmes do Universo Cinematográfico da Marvel, apostando em um elenco com mais representatividade, dando direcionamento para o futuro do estúdio. A obra da diretora Chlóe Zhao já mostrou o rumo a ser tomado: dentre os dez eternos, pelo menos cinco deles não são brancos, com intérpretes negro, paquistanês, sul-coreano e a protagonista do filme que é chinesa. 

[Imagem: Reprodução/Rolling Stones]

As fases quatro e cinco trazem cinco de seus nove filmes com protagonistas não-brancos: Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (2021), Eternos (2021), Black Panther Wakanda Forever (2022), Blade (2022) e The Marvels (2023). Isso sem falar nas inúmeras produções que foram recentemente anunciadas como a da Coração de Ferro, do Máquina de Combate e o quarto filme do Capitão América, estrelado por Sam Wilson. 

Aproveitando o tópico, lembre-se de todos os anúncios da Marvel no Disney+ Day

[Imagem: Reprodução/Viciados]

Personalidades que faleceram em 2021

Como todo ano, não só de momentos bons ele se compõe. Ao longo de 2021, vários artistas e personalidades importantes morreram. Alguns devido ao vírus da COVID-19 e, outros por doenças ou acidentes fatais. De qualquer forma, a perda é sempre dolorosa para os que ficam. Por isso, essa retrospectiva vai passar por alguns dos artistas que abalaram os brasileiros e o resto do mundo com suas mortes.

Paulo Gustavo

 [Imagem: Reprodução/De Fato Online]

A eterna Dona Hermínia no coração dos brasileiros morreu de complicações por Covid-19 em maio deste ano. Um dos artistas mais populares e admirados do país estava internado desde março teve seu quadro piorado quando sofreu uma embolia pulmonar. O que deixou o Brasil inteiro em choque, já que dias antes o humorista havia apresentado melhoras significativas. 

Paulo tinha um estilo de humor baseado em situações de cenas familiares e cotidianas e isso levou o artista a conquistar milhares de fãs e uma trajetória de enorme sucesso. Sua obra mais famosa é a campeã de bilheteria, Minha mãe é uma peça: O filme (2013) que rendeu duas continuações.

Eva Wilma

[Imagem: Reprodução/De Fato Online]

A atriz Eva Wilma faleceu em maio, assim como Paulo Gustavo. Aos 87 anos, Eva deixou o mundo por conta de um câncer de ovário que ela enfrentava. A atriz estava no Hospital Albert Einstein desde o dia 15 de abril para tratar de problemas cardíacos provenientes do tumor.

Eva estrelou diversas novelas como Meu Pé de Laranja Lima (1971) e a primeira versão de Mulheres de Areia (1973), na qual interpretava irmãs gêmeas: Ruth e Raquel. Porém, o papel que rendeu vários prêmios à atriz foi a vilã Altiva, de A Indomada (1997).

Tarcísio Meira 

[Imagem: Reprodução/El País]

Outra grande personalidade brasileira que o Covid levou foi o ator Tarcísio Meira. Oícone da dramaturgia e um dos maiores galãs da história da TV brasileira morreu morreu aos 85 anos no dia 19 de agosto, vítima de Covid-19. Ele estava internado no hospital Albert Einstein, tratando-se contra a doença.

Tarcísio Meira fez de tudo: TV, cinema e teatro e interpretou muitos papéis que viverão para sempre na mente dos brasileiros. Ele estreou na TV Globo em 1967, onde atuou em novelas, minisséries e especiais. Alguns de seus personagens são João Coragem, em Irmãos Coragem (1970), Renato Vilar, em Roda de fogo (1986), e Capitão Rodrigo, em O tempo e o Vento (2013).

Seu casamento com Glória Menezes foi um dos mais duradouros e queridos da TV brasileira. Os dois inclusive tiveram um filho, o também ator, Tarcísio Filho.

Luis Gustavo

Morre Luis Gustavo, o tio Vavá de “Sai de Baixo”, aos 87 anos | Poder360
 [Imagem: Reprodução/ G1]

O ator morreu no dia 19 de setembro de 2021, vítima de um câncer no intestino. De acordo com Cássio Gabus Mendes, sobrinho do ator, o tio morreu em casa após passar um tempo internado no hospital.

 O ator nasceu em Gotemburgo, na Suécia. Foi o Beto Rockfeller, na novela da TV Tupi. Dentre os personagens mais marcantes do artista estão Ariclenes Almeida/Victor Valentin em Ti Ti Ti (1985-1986) e Vanderlei Mathias, o Vavá, no programa Sai de Baixo (1996 – 2002), que inclusive ganhou um filme em 2013.

Larry King

 [Imagem: Reprodução/Youtube]

O apresentador de TV dos Estados Unidos Larry King faleceu no dia 23 de janeiro deste ano, aos 87 anos. King apresentava um programa de entrevistas na CNN americana há mais de 20 anos. 

Larry King estava internado desde o início do mês de janeiro por conta de complicações do coronavírus. O apresentador tinha diabetes do tipo 2, um dos fatores de risco para a Covid-19, além de ter retirado um câncer de pulmão em 2017. King deixa três filhos.

As entrevistas de King em seus 25 anos de Larry King Live (1985-2010), Larry King Now e Politicking with Larry King viraram referência para os meios de comunicação de todo o mundo. Foram mais de 50 mil entrevistas transmitidas, segundo uma estimativa feita pela agência de notícias Associated Press.

Cicely Tyson

[Imagem: Reprodução/G1]

A atriz americana Cicely Tyson faleceu aos 96 anos no dia 28 de janeiro. A causa de sua morte não foi revelada até hoje. A informação foi divulgada pela família através do empresário da atriz, Larry Thompson.

Além da indicação ao maior prêmio do cinema por sua participação em Lágrimas de Esperança (1972), a também ex-modelo foi vencedora do prêmio do teatro, o Tony, em 2013, e de três estatuetas do Emmy, sendo dois deles por sua atuação no filme The Autobiography of Miss Jane Pittman (1974). Nos últimos anos, participou de filmes como Histórias Cruzadas (2011) e A Melhor Escolha (2017). Além de que passou por séries como House of Cards (2013-2018) e How To Get Away With Murder (2014-2020).

Michael K. Williams

[Imagem: Reprodução/Metrópoles]

O ator morreu devido a uma overdose de fentanil (opioide sintético), cocaína e heroína no dia 6 de setembro de 2021. A causa da morte foi divulgada pelos médicos legistas que examinaram o caso em Nova York. Aos 54 anos, o ator foi encontrado morto no apartamento em que morava no Brooklyn, em Nova York.

Algumas das atuações de destaque de Williams foram em Boardwalk Empire (2010-2014) e Olhos que Condenam (2019). No cinema, ele fez parte do elenco de 12 anos de Escravidão (2013), Vício Inerente (2014) e Gone Baby Gone (2007). Entretanto, seu papel mais memorável foi na série The Wire (2002-2008), como Omar Little.

Richard Donner

[Imagem: Reprodução/G1]

O diretor conhecido por filmes como Superman: O Filme (1978) e Os Goonies (1985), morreu aos 91 anos no dia 5 de julho. A causa da morte não foi revelada. O falecimento de Donner, diretor também de quatro filmes da série Máquina Mortífera, foi confirmado por sua mulher, a produtora Lauren Shuler Donner, e seu empresário.

Richard Donner conseguiu seu primeiro sucesso nos cinemas com o terror A Profecia (1976), depois de anos trabalhando em séries de TV, como em episódios de The Twilight Zone (1959-2003) e Kojak (1973-1977).

Christopher Plummer

 [Imagem: Reprodução/G1]

No dia 2 de fevereiro de 2021, faleceu o ator Christopher Plummer. De acordo com o site Deadline, o ator morreu em sua casa, em Connecticut, ao lado da mulher, Elaine Taylor. A causa da morte não foi revelada ao público.

Plummer fez história no cinema e é lembrado até hoje por sua atuação em A Noviça Rebelde (1965). Além disso, ele também é o ator mais velho a ganhar um Oscar por Toda Forma de Amor (2011). Entre as últimas aparições de Christopher Plummer nos cinemas estão Verdade e Honra (2019) e Entre Facas e Segredos (2019).

Produções que brilharam em 2021

Seja em bilheteria, amor pelo público ou expectativas não superadas, vários filmes chamaram a atenção do público neste ano. Alguns destaques foram:

Raya e o Último Dragão

[Imagem: Reprodução/Cine Set]

O filme de animação produzido pela Walt Disney Animation Studios e distribuído pela Walt Disney Pictures e Disney+ com Premier Access foi lançado no dia 5 de março de 2021.

Luca

[Imagem: Reprodução/Guia do Estudante]

 Um longa-metragem original da Disney e da Pixar situado numa bela vila costeira na Riviera italiana foi lançado na Disney+ dia 18 de junho de 2021.

Venom: Tempo de Carnificina

[Imagem: Reprodução/Revista Quem Globo]

O segundo filme do vilão, baseado no personagem de mesmo nome da Marvel Comics, produzido pela Columbia Pictures em associação com a Marvel, chegou aos cinemas no dia 10 de outubro de 2021.

Duna 

[Imagem: Reprodução/Rolling Stone]

 A adaptação do clássico de ficção científica de Frank Herbert que contou com a participação de Zendaya e Timothée Chalamet no elenco estreou no dia 21 de outubro de 2021.

Eternos

[Imagem: Reprodução/ The Indian Express]

Campeão de bilheteria, o segundo maior do ano, o vigésimo sexto filme do Universo Cinematográfico da Marvel baseado na equipe de mesmo nome da editora Marvel Comics chegou às telonas no dia 5 de novembro de 2021.

Noite Passada em Soho

[Imagem: Reprodução/Jovem Nerd]

O thriller psicológico de Edgar Wright estrelado por Thomasin McKenzie e Anya-Taylor Joy chegou às telonas no dia 18 de novembro de 2021.

Casa Gucci

[Imagem: Reprodução/Metrópoles]

O longa dramático e policial estadunidense dirigido por Ridley Scott e baseado no livro The House of Gucci: A Sensational Story of Murder, Madness, Glamour, and Greed (2000), de Sara Gay Forden, foi lançado recentemente, no dia 25 de novembro de 2021.

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

[Imagem: Reprodução/Collider]

O último filme da trilogia estrelada por Tom Holland, co-produzido pela Columbia Pictures e Marvel Studios, e distribuído pela Sony Pictures Releasing chegará aos cinemas no dia 15 de dezembro de 2021.

Depois de um ano animado para a indústria, não tem como não se animar para o que está por vir em 2022. Algumas das produções que estreiam ano que vem são Scarface, Uncharted, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, Jurassic World: Dominion, The Batman,  Blade Runner 2089, Thor: Amor e Trovão, e muitas outras. Fique de olho!

Nepotismo no Cinema

A sétima arte, como qualquer outra área do conhecimento, possui seus profissionais que compartilham dessa mesma paixão não somente com amigos de profissão, mas também com seus familiares. Não é difícil encontrar celebridades com algum grau de parentesco na indústria do audiovisual, desde pai e filho, até irmãos e primos —a “veia artística” é um fenômeno muito comum nessa indústria.

Contudo, será que cada um desses “descendentes” de cineastas e atores possui o gene de artista ou são meramente produtos do famoso “nepotismo”? Segundo o dicionário Aurélio, o termo “nepotismo” nasceu do latim nepote, “sobrinhos”, que com o sufixo  -ismo tem-se “governo dos sobrinhos”; que refere-se à proteção escandalosa, favoritismo de parentes em detrimento de pessoas mais aptas à tarefa.

Examinar a trajetória da pessoa em questão é o primeiro passo antes de se pular para conclusões precipitadas, ao considerar que todo indivíduo que possui parentes que também trabalham no seu mesmo ofício não possui talento e tem toda sua carreira “posta em xeque” é sim uma forma de generalização.

O universo do cinema e da televisão já se mostrou ser um fértil ambiente para desabrochar o talento de várias pessoas que já possuem um familiar na frente ou atrás das câmeras. A possibilidade de ter suas habilidades exploradas em um ambiente criativo como nas artes não podia deixar de criar talentos em famílias desse campo, ou até melhor: dinastias do cinema.

Núcleos familiares como o dos Coppola, por exemplo, não só viram seu patriarca, Francis Ford Coppola, tornar-se uma das maiores lendas do audiovisual; Como também presenciaram o talento de sua esposa, Eleanor Coppola e de sua filha Sofia Coppola. Vale lembrar que Sofia viveu toda sua infância em sets de gravação e assim desde pequena foi incentivada a criar seu afeto pelas câmeras.

Cineasta nova-ioquina, Sofia Carmina Coppola. [FOTO: Reprodução/ La Stampa]

Em O Poderoso Chefão III, dir. Francis F. Coppola (1990), o cineasta foi acusado duramente de nepotismo pelos críticos de cinema durante a escolha do elenco: Sofia, com apenas 19 anos de idade, entregou uma performance extremamente fraca durante o longa-metragem, trazendo à tona tal questionamento. Por outro lado,  seus projetos como diretora, mais especificamente em Maria Antonieta’, (2006); e Virgens Suicidas’ (1999), tiveram ótimas repercussões e todas as experiências em estúdios de gravação mostraram-se valiosas para a carreira da então emergente cineasta.

Outro diretor que parece ter sido de grande referência na escolha profissional de seus filhos foi Martin Scorsese. Sua filha, Domenica Scorsese, atuou em alguns filmes de seu pai, como: O Cabo do Medo’ (1991) e A Época da Inocência(1993). Em 2016, Domenica fez sua estreia como cineasta em seu primeiro longa-metragem Almost Paris, e apesar de não ter sofrido duras críticas, o filme também não obteve o sucesso esperado de um herdeiro de Scorsese.

Diretor Martin Scorsese acompanhado de suas duas filhas, Domenica (à direita) 
e Cathy Scorsese (à esquerda). [FOTO: Reprodução/ Getty Images]

Um famoso e intrigante caso envolvendo “familiares” no audiovisual, é o de Steven Spielberg e sua afilhada Drew Barrymore. A primeira aparição de sucesso da atriz nas telonas foi no clássico ‘E.T. o Extraterrestre‘, dir. Steven Spielberg (1982); aos 7 anos, Barrymore conquistou a atenção dos holofotes graças ao padrinho, que a escalou para fazer parte do elenco.

Após seu estouro, a atriz se tornou uma das queridinhas de Hollywood. Durante os anos de 1990 e início dos anos 2000, seu nome era sempre listado em algum novo projeto cinematográfico. Sucessos como: Pânico, dir. Wes Craven (1996); Nunca fui beijada, dir. Raja Gosnell (1999); As Panteras, dir. McG (2003; Como se fosse a primeira vez, dir. Peter Segall (2004) e entre muitos outros, compõem o rico portfólio da artista, e de certa forma tudo graças à Spielberg.

Barrymore, desde muito nova, foi assunto dos grandes tabloides, fosse pelas suas performances ou pelo seu comportamento rebelde na sua vida pessoal. A fama da artista não gira somente em torno de seu currículo, Barrymore além de ser afilhada de um dos maiores cineastas do cinema mundial, durante sua juventude era sempre capa das revistas de fofoca e é claro que esses eventos respingaram na opinião pública sobre a relação de Spielberg e Barrymore. 

No caso da atriz, mesmo com a ajudinha de seu padrasto no início de carreira e com os vários escândalos que surgiram acerca de sua vida, nos anos subsequentes, suas performances poucas vezes deixou a desejar e ela soube usar muito bem a oportunidade que lhe foi dada de graça.

Aparentemente, Spielberg gosta de coletar afilhadas no alto escalão hollywoodiano. Os pais da  intérprete californiana, Gwyneth Paltrow, que não são ninguém mais e ninguém menos que os atores Blythe Danner e Bruce Paltrow, também o escolheram como padrinho de Gwyneth. Assim como teve uma boa intuição sobre Barrymore, Steven Spielberg parece ter tido o mesmo pressentimento em relação à Paltrow.

Gwyneth já teve a chance de trabalhar com a mãe, Blythe Danner, no sucesso de bilheteria Sylvia, dir. Christine Jeffs (2003), longa biográfico que retrata a vida da famosa poeta estadunidense Sylvia Plath. No filme, Paltrow e Danner têm a sorte de interpretar mãe e filha.

 Além disso, Paltrow teve uma pequena participação ao lado de seu padrinho, Steven Spielberg, no clássico de 2002 Austin Powers em O Homem do Membro de Ouro, dir. Jay Roach. Porém, até o momento, a atriz não teve a mesma sorte de trabalhar em mais projetos com Spielberg, como Drew Barrymore. 

Drew Barrymore (à esquerda), Steven Spielberg e Gwyneth Paltrow (à direita). 
[FOTO: Reprodução/ Getty Images]

Todos se surpreenderam quando o nome de Billie Lourd saiu como parte do elenco de Star Wars: O Despertar da Força‘, dir.  J.J. Abrams (2015), levando em conta que a atriz é filha de Carrie Fisher, atriz conhecida pelo seu lendário papel na franquia de Star Wars como princesa Leia. 

Lourd, mesmo seguindo os passos da mãe, tem conseguido trilhar sua própria jornada. A atriz teve seu primeiro pico de ascensão nas séries de terror ‘American Horror Story’, (2011 – …)  e ‘Screams Queens’, (2015 – 2016).

Ao sair um pouco do cinema estadunidense, é possível enxergar esse mesmo padrão também no cinema internacional, como é o caso do diretor de cinema francês Philippe Garrel e seu filho Louis Garrel.

O jovem Garrel, conseguiu um sucesso estrondoso dentro e fora do cinema francês, com o seu filme de maior sucesso Os Sonhadores, dir. Bernardo Bertolucci (2003); Minha Mãe, dir. Christophe Honoré (2004) e mais recentemente o sucesso de bilheteria Mulherzinhas’, dir. Greta Gerwig (2020).

Essa dupla de pai e filho, também já tiveram a chance de trabalharem juntos nas telonas em filmes, como: ‘Amantes Constantes’ (2005); A Fronteira da Alvorada (2008) e O Ciúme(2013), todos dirigidos por Philippe e protagonizado por Louis. 

Talvez cada sucesso do primogênito de Philippe tenha sido sim por conta das influências de um pai que acreditava no talento do filho, mas no fim das contas Philippe Garrel fez bem em apostar no potencial do filho nas frentes das câmeras.

hilippe Garrel e Louis Garrel. [FOTO: Reprodução/ Adorocinema] 

Uma atriz que tem tido uma grande atenção da mídia nos últimos anos é Lily-Rose Depp, filha do grande astro de cinema, Johnny Depp. Com apenas 22 anos, a artista já possui um vasto currículo ao lado de grandes nomes da indústria, mas a pergunta que não quer calar: “Ela tem o que é necessário para estar à altura de trabalhar nesse mercado de trabalho?”

A resposta é um tanto complicada, pois ao mesmo tempo que seu nome indiscutivelmente possui sim um peso de “respeito”nesse meio cinematográfico, é impossível esquecer que quem construiu-o foi seu pai, Johnny. Até o presente momento, a intérprete não abismou verdadeiramente os amantes de cinema ou seus críticos. 

No entanto, não pode-se negar  que o mundo dos artistas já mostrou incontáveis vezes que o talento para as artes pode ser “herdado” pelo DNA. Talvez eventualmente, Lily possa ter a oportunidade de explorar mais o seu talento na arte da performance e honrar o legado de seu pai, ainda assim a atriz e modelo ainda tem um grande caminho para percorrer.

Atriz Lily-Rose Depp. [FOTO: Reprodução/ Evening Standard UK]

E esses artistas citados são alguns da gigantesca legião de profissionais da área que nasceram com a arte já inserida na família. A lista é realmente interminável desde o clã da família Smith, que também atua no universo musical; passando por Angelina Jolie, filha do ator Jon Voight; Zoe Kravitz e seu pai Lenny Kravitz; Emma Roberts, ao lado de sua tia, Julia Roberts; Blake Lively e Ernie Lively; Kate Hudson e sua mãe Goldie Hawn; Jake Gyllenhaal e sua irmã Maggie; até Dakota Johnson e Don Johnson. 

O mundo das artes, como qualquer outra área do conhecimento, possui suas dificuldades para se atingir o sucesso, mas com um bom network, tudo fica mais fácil, não é mesmo? É claro que um incentivo dos pais, tios ou padrinhos sempre ajuda, porém quando se trata de convencer os críticos de cinema sobre seu talento, e fazer valer a oportunidade que lhe foi dada, não é tão fácil assim.

Muitos desses artistas que receberam esse incentivo, souberam usar com sabedoria a chance de mostrarem que eram dignos do reconhecimento que ganharam. Exemplos de intérpretes que souberam provar que mereciam a admiração que receberam foram Angelina Jolie, Dakota Johnson, Jake Gyllenhaal, Kate Hudson e Zoe Kravitz. Por outro lado, ainda existem muitos que necessitam provar serem dignos do espaço que conquistaram nesta indústria, como Emma Roberts, que ainda vive um pouco na sombra de sua tia; Willow e Jaden Smith ; e Lily-Rose Depp.

Ser um filho do “nepotismo” vem com muito mais dúvidas e reservas acerca do seu potencial, e justamente por terem tido esse caminho concedido, é de responsabilidade desses profissionais honrar essa oportunidade, que muitos matariam para conquistar. 

A indústria do cinema, apesar de ser uma terra fértil para a produção de obras de arte incríveis, também possui seu lado sombrio, e como em qualquer outro ofício é preciso “matar um leão por dia” para garantir o seu espaço na frente ou atrás das câmeras.

Técnicas de Atuação

Já se perguntaram como os atores se preparam e estudam para entrarem em cena?

No mundo das artes cênicas, existe uma infinidade de estudos, técnicas e métodos de atuação que um ator pode e deve considerar ao entrar na sua personagem. 

Durante o processo de estudo do roteiro, o elenco passa por vários exercícios como controle vocal, linguagem corporal, estudo e processo de criação da personagem. Esses métodos são algumas ferramentas que ajudam os atores nessa empreitada, dando vida à essa história, que estão prestes a contar.

TÉCNICA 1: MÉTODO DE STANISLAVSKI OU ATUAÇÃO CLÁSSICA

Uma das mais importantes técnicas de atuação que existem e a que foi precursora de muitas, consequentemente, é a Técnica de  Stanislavski. Seu criador é o escritor e dramaturgo Constantin Stanislavski, nascido em Moscou. Intitulada de Método Stanislavski ou Atuação Clássica, ela consiste em estudar diversas capacidades humanas e treiná-las com a finalidade de as transformar em ferramentas no momento da performance do ator. 

Essas habilidades incluem: concentração, voz, memória emocional, análise textual e observação. Tal método trabalha com os sentimentos e experiências pessoais do ator que possam se comunicar com a história da personagem. Stanislavski inspirou diversos outros métodos de interpretação.

Dramaturgo russo, Constantin Stanislavski. [FOTO: Reprodução/ Portal dos Atores]

TÉCNICA 2: MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO PARA ATORES OU O MÉTODO

Em paralelo a técnica de Constantin Stanislavski, outro método que ficou conhecido mundialmente foi o de Lee Strasberg. Chamado de  Método de Interpretação para Atores ou O Método,  foi desenvolvida pelo dramaturgo ucraniano, Lee Strasberg. 

A técnica consiste na ação do ator de desenvolver em si mesmo os pensamentos e sentimentos de seu personagem, com o objetivo de tornar sua interpretação o mais parecida possível com a realidade.

Este ator deve ativar suas próprias  memórias afetivas e sentimentais para facilitar na hora de trazer à tona as emoções do roteiro. Esse método é atingido com a ajuda de exercícios mentais e físicos com o auxílio de um preparador de elenco.

Os estudos sobre O Método se tornaram amplamente difundidos nas artes cênicas desde o alto escalão hollywoodiano até os iniciantes de carreira. Atores como  Jake Gyllenhaal – foi um adepto das técnicas de Strasberg durante o filme O Abutre (2014, dir. Dan Gilroy);  Shia Labeouf em seu longa-metragem Fury (2014, dir. David Ayer); e Joaquin Phoenix, no decorrer das filmagens do filme O Mestre (2012, dir. Paul Thomas Anderson). Estes são alguns dos famosos que se utilizam dessa técnica durante suas gravações.

Ator Jake Gyllenhaal, em O Abutre (2014) [ Foto: Divulgação/ Bold Films]

TÉCNICA 3: TÉCNICA DE STELLA ADLER

Houveram também talentosas artistas mulheres que se arriscaram em estudar a fundo os pilares da performance cênica, e assim traçarem seus próprios caminhos nos estudos da interpretação. Uma delas foi Stella Adler, atriz e diretora nova-iorquina, criadora do método conhecido como a Técnica Stella Adler, que se refere ao uso do poder de influência da imaginação do próprio ator durante a cena.  

Segundo Adler, é necessário que o ator ou atriz use de sua imaginação ativa para  adaptar a realidade da obra que está sendo trabalhada, de forma criativa. Com o intuito de chegar nesse resultado, o intérprete deve focar na criação do passado de seu personagem, como também na criação do local em que a cena acontece.

A atriz sofreu influências tanto de Stanislavski, quanto de Strasberg. Apesar de ter sido discípula de Stanislavski e ser conhecedora do Method Acting, Adler afirmava que ter como foco principal – durante a performance – o acesso às memórias reais do ator, não era uma caminho saudável.

TÉCNICA 4: TÉCNICA DE IMPROVISAÇÃO

Mais uma  grande estudiosa das teses de Stanislavski, foi a atriz Viola Spolin, autora de diversos livros sobre a Técnica de Improvisação. Spolin defendia que os jogos teatrais ensinados aos atores em fase de formação podem ajudá-los em cena, ao trabalhar com a espontaneidade e com suas capacidades intuitivas e não ficar preso somente ao roteiro, é necessário dar voz à criatividade do ator.

O trabalho em grupo do elenco e desapego ao roteiro são noções básicas de todo ator que queira trabalhar com a liberdade dada a ele pelo diretor, segundo a atriz. 

A ferramenta da improvisação já foi e ainda é incentivada por muitos diretores, com o intuito de extrair do intérprete a maior naturalidade possível. No longa-metragem Laranja Mecânica (1971, dir. Stanley Kubrick), o ator britânico Malcolm McDowell seguiu sua intuição em uma das cenas mais tensas e cruciais do enredo. 
Seu personagem Alex, líder uma gangue de delinquentes, durante um de seus assaltos resolve molestar a dona da casa em que o crime está acontecendo. Para “suavizar”a intensa cena, McDowell começa a cantarolar o clássico de Gene Kelly, Singing In The Rain. Kubrick se encantou com a improvisação de McDowell e deixou a cena nos cortes finais do filme, mesmo sendo resultado de uma ação não roteirizada.

Ator Malcolm McDowell, em Laranja Mecânica (1971). [Foto:Divulgação/Warner Bros. Pictures]

TÉCNICA 5: TÉCNICA GROTOWSKI

Além dos métodos americanos, outro método muito importante na preparação de um elenco foi o método implantado pelo diretor e teórico polonês das artes cênicas, Jerzy Grotowski. 

Muito impulsionado pelas teorias de Stanislavski e Brecht, ator e teórico teatral alemão, Grotowski acreditava que o ator deveria usar de suas experiências pessoais para a construção dos sentimentos do personagem, mas ele afirmava que é de responsabilidade do próprio ator cuidar da sua saúde mental.

Mas o que ele quer dizer com isso? Pode soar óbvio ou até mesmo duro essa fala de Grotowski, porém é muito mais fácil de entender seu ponto de vista quando vemos atores como Heath Ledger, durante o filme O Cavaleiro das Trevas (2008, dir. Christopher Nolan). No longa-metragem, onde ele interpretou o lendário Coringa, Ledger afirmou ter tomado medicamentos para dormir durante as gravações do filme por conta da carga emocional intensa que o personagem exigia dele.

Ator Heath Ledger, em O Cavaleiro das Trevas (2008). [Foto: Divulgação/ Warner Bros. Pictures]

Ao traçar este paralelo, conseguimos entender o que Grotowski quis dizer, o ator deve acreditar nas palavras de seu papel mas deve-se permanecer ciente de sua própria realidade e identidade. 

Segundo o alemão, isso pode ser atingido por meio de uma leitura de roteiro acompanhada de uma intensa preparação psicofísica, trazendo sempre o ator a sua realidade e não havendo uma identificação psicologicamente íntima com o papel.   

TÉCNICA 6: TÉCNICA DE PETER BROOK

Outro grande dramaturgo que decidiu colocar sua criatividade e seu conhecimento à prova na formulação de mais uma técnica cênica foi o diretor de elenco londrino, Peter Brook. Ele parte do pressuposto que a platéia deve simpatizar com as emoções das personagens, do contrário, o ator falhou durante sua interpretação.

É necessário que haja uma ligação direta entre os atores e seu público, essa ligação deve acontecer por meio do ato de provocar uma intensa reação emocional dos espectadores. Brook afirma que para conseguir esse efeito era preciso deixar o público desconfortável, contorcendo-se de dentro para fora. Ir além do roteiro, e expressar as emoções de forma física era a receita para firmar essa comunicação entre o artista e sua platéia.

TÉCNICA 7: EXERCÍCIO DA REPETIÇÃO

Sob influência do mestre ucraniano Lee Strasberg , o  ator nova-iorquino Sanford ‘Sandy’ Meisner ficou conhecido por criar uma técnica, resultante dos seus estudos sobre o método de Strasberg, chamada de Exercício da Repetição.  Ela diz respeito à concentração que o ator deve ter, este não pode focar somente no que está fazendo mas deve prestar atenção no outro, naquele instante, como se mais nada importasse no momento da ação, no palco.

Com o intuito de melhorar a compreensão de seus alunos acerca do seu método, Sandy desenvolveu um exercício de preparação para atores chamado de Exercício de Repetição, onde os atores em cena devem sentar-se frente a frente com o outro e repetir a mesma frase com diferentes intenções. 

A cada repetição a entonação, a linguagem corporal e as feições mudam, trazendo à tona a espontaneidade na relação entre os atores.

Dramaturgo, Sanford ‘Sandy’ Meisner. [Foto: Reprodução/ Portal dos Atores]

As possibilidades e artimanhas usadas durante a construção de um personagem são infinitas, e um ator acompanhado de um diretor de elenco experiente sabe usar essas ferramentas para trazer verdade durante sua performance. 

É necessário frisar que muitos desses métodos surgiram do teatro e sofreram muitas adaptações ao longo dos anos para poderem ser usados na frente das câmeras. Além disso, cada artista durante sua carreira e seu processo de experimentações desenvolve sua própria maneira de praticar os métodos de atuação, que hoje são ensinados aos jovens atores como dogmas das artes cênicas.

[Resenha] O retorno de Selena Gomez para a televisão com Only Murders in the Building

Tomates frescos para Only Murders in the Building (2021). A nova série da Hulu e disponibilizada pelo Star + no Brasil, atingiu 100% de aprovação baseada em 70 críticas pelo Rotten Tomatoes Update. Criada por Steve Martin, Doze é Demais (2003) e A Pantera Cor de Rosa (2006), e John Hoffman, Grace and Franklin (2015), a produção com seu ar cômico difere das demais séries de investigação criminal.

Ao invés de chamar a polícia para resolver o assassinato que aconteceu no prédio ou mudar de apartamento, os três vizinhos: Mabel Mora (Selena Gomez), Oliver Putnam (Martin Short) e Charles Savage (Steve Martin) — que viram amigos pela paixão em comum do podcast criminal All is Not OK in Oklahoma, de Cinda Canning —, decidem criar um Podcast e investigar quem matou Tim Kono (Julian Cihi).

A trama tem uma história instigante e que envolve o passar dos episódios, sendo a 1ª temporada composta por 10 episódios com a média de 30 minutos. Mesmo em busca de um assassino, a narrativa da série continua leve com uma comédia peculiar. 

Steve Martin, Martin Short e Selena Gomez em cena de OMITB / Foto via Hulu

O elenco de peso funciona bem e, apesar da diferença de idade, a química do trio cativa os espectadores. A série marca a volta de Selena Gomez para a televisão, que prova sua evolução desde Os Feiticeiros de Waverly Place (2007). Sua personagem tem um humor ácido e personalidade singular, além de ter seus mistérios sendo descobertos junto com o público.

A dupla, Steve Martin e Martin Short, é veterana na comédia americana e garante o humor na dose certa. Antes de Only Murders, os amigos de longa data já colaboraram juntos em diversos projetos, dentre eles: Três Amigos (1986) e o próprio show Steve Martin and Martin Short: An Evening You Will Forget for the Rest of Your Life (2018). 

Oliver, interpretado por Short, é a alma da série. Sua personalidade única, um tanto mentiroso e sempre preparado para gravar o podcast, seja o momento apropriado ou não, o que garante a graça genuína dos episódios. Charles, o personagem de Steve, é um ator que fez sucesso no passado e atualmente está aposentado. Ele tem aquele típico humor de fazer graça com a própria dor ou até mesmo piadas inteligentes que só é hilário para si mesmo, é isso que deixa os episódios engraçados.

Não basta ter um assassino morando no Arconia (nome do prédio onde se passa a história), eles também são vizinhos do Sting, vocalista do grupo The Police. O cantor fez participação especial sendo um dos moradores e chegou a ser uma das opções de quem cometeu o crime. A comediante Tina Fey também aparece como Cida Canning, host do podcast true crime All is Not OK in Oklahoma, e ainda dá o furo com o plot twist na cena final.

Steve Martin, Martin Short, Selena Gomez e Tina Fey em cena de OMITB / Foto via Hulu

A série surpreende em outros aspectos além dos plot twists sobre a investigação da morte de Tim Kono. O sétimo episódio O Garoto do Apartamento 6B tem a narração  sob o ponto de vista de Theo, um personagem surdo. Quase inteiro sem falas, as cenas guiam a história pelas imagens junto dos efeitos sonoros, os poucos diálogos são propostos através de legendas. Além de ser um capítulo emocionante, ter um personagem importante e a história ser mostrada na sua visão é totalmente inclusivo, isso pode servir de inspiração para futuras produções.

As movimentações das câmeras fluem suavemente, os enquadramentos revelam a cidade de Nova York como a verdadeira protagonista do enredo, como é possível ver logo no primeiro episódio onde o trio é apresentado e o telespectador já está inserido no caos novaiorquino.

O desfecho é um tanto surpreendente e quando retoma a primeira cena do primeiro episódio há uma reviravolta chocante. A série prova que nem tudo é o que parece ser. Para quem gosta de mistério, comédia e investigação criminal, Only Murders In The Building é perfeita e garante um bom entretenimento. A segunda temporada já está confirmada e os fãs garantem o pézinho no Emmy.

A trajetória das bruxas do cinema: A evolução e os clássicos da feitiçaria nos filmes e séries ao longo dos anos

As bruxas são as protagonistas do Halloween e no cinema não é diferente. O Mágico de Oz (1939), A Feiticeira (1964),  Elvira: A Rainha das Trevas (1988), Convenção das Bruxas (1990) e Abracadabra (1993) são alguns exemplos de filmes e séries em que as personagens foram retratadas de diferentes formas – tanto na sua aparência e modo de se vestir como na personalidade e no estereótipo de bruxa boa ou má.

A Bruxa Má do Oeste, em O Mágico de Oz, foi desenvolvida com o típico estereótipo ocidental: pele verde, verruga, nariz pontudo e jeito maldoso. Os contos de fadas da Disney sempre apresentavam tais personagens como pessoas feias, ou seja: fora do padrão; Além dos elementos de composição como o gato preto e o caldeirão. 

A princípio, o cinema enxergava as feiticeiras sob uma perspectiva negativa, por isso a representação dessas mulheres era feita de uma forma horrorosa. Temos por exemplo a Bruxa do 71 em Chaves (1971), que por ser caracterizada como feia e medonha, era associada como bruxa pelas crianças da vila (mesmo não sendo uma).

A Bruxa Má do Oeste em cena em ‘O Mágico de Oz’ (Foto: Reprodução)

Já Samantha Stephens, protagonista de A Feiticeira (1964), quebrou tais paradigmas sendo uma típica garota americana, como é citado no primeiro episódio, não seguindo essa construção em sua personagem.

Ao longo da série há um desenrolar de uma narrativa paralela a da imagem pejorativa que a mídia passa. Em especial o capítulo ‘As bruxas estão à solta’, quando o marido de Samantha, James Stephens, é contratado para produzir uma campanha para o Halloween. O cliente de Stephens quer utilizar o típico estereótipo norte americano de bruxas como seres ruins, mas Samantha aconselha e pede ajuda a James para promover a ideia de que elas também podem ser pessoas bonitas e gentis.

A Feiticeira – “As Bruxas estão à solta” (Foto: ABC Photo Archives/Disney General Entertainment Content via Getty Images)

A Idade Média e a Santa Inquisição foram épocas que influenciaram nesse modelo de caracterização de que as mulheres são sedutoras e mensageiras do Diabo, ideal seguido pela indústria cinematográfica até hoje – são diversas  as histórias de perseguição às mulheres. Muitas eram taxadas de feiticeiras por seus conhecimentos em medicina natural, considerados encantamentos contra a Igreja Católica e suas preces da época. 

É possível ver essa relação em As bruxas de Eastwick (1987) e Elvira: A rainha das trevas (1988), que já seguem a linha cativante e bela: com roupas mais sexy, decotes e pautas sobre a liberdade sexual em uma sociedade conservadora, as bruxas passam a transmitir outro olhar ao telespectador, que agora já tinha como maioria o público jovem.

Susan Sarandon, Cher e Michelle Pfeiffer em cena de As Bruxas de Eastwick (1987) (Foto: Reprodução)

Salém é outro grande exemplo. A pequena cidade no estado de Massachusetts, Estados Unidos, ficou conhecida pelo maior julgamento e caça às bruxas da história, que resultou na prisão e condenação à morte de mais de 200 pessoas – dentre elas, três mulheres pobres consideradas as “Bruxas de Salém”, que foram enforcadas em público. Em 1692 a cidade era uma colônia inglesa puritana comandada pela Igreja Católica que comandava a inquisição e utilizou trechos da Bíblia fora de contexto para provar o pecado. A cidade também teve grande influência no cinema, sendo sempre considerada o lar das feiticeiras.

Os anos 90 trouxeram a essência cômica e infantilizada para o universo das bruxas, apaziguando o terror, como é visto no clássico filme da Disney, Abracadabra, que conta a história das irmãs Sanderson: Sarah, Winifred e Mary, que foram banidas de Salém pela prática da magia. Com roupas medievais, chapéus pontudos e vassouras, além dos encantos  que são feitos com músicas e danças, o longa mostra mais uma versão das bruxas em filmes.

Sabrina Spellman, Sabrina a bruxinha adolescente e O mundo sombrio de Sabrina (Esquerda, fonte: Viacom Productions/Paramount Television; Direita, fonte: Warner Bros. Television/Netflix)

O fim dos anos 1990 também trouxe a série, filme e desenho animado, Sabrina, a bruxinha adolescente (1996), que manteve a essência de A Feiticeira, sendo Sabrina uma jovem com vida dupla e sem o estereótipo ocidental do que seria uma bruxa. Posteriormente o reboot, O mundo sombrio de Sabrina (2018), trouxe, novamente, uma versão mais macabra com elementos de terror, opostos à série de 96.

Por mais que ao longo dos anos, o cinema tenha alterado a caracterização das bruxas, o estereótipo norte americano foi se quebrando conforme o contexto histórico e  o momento em que vivia o movimento feminista – que desempenhou grande influência na caracterização dessas personagens. O filme A Bruxa (2015) mostra essa relação sobre as mulheres do século 17 que eram retratadas como feiticeiras por não se encaixarem no padrão da época.

Seja em filmes cômicos, infantis ou de terror, as bruxas más não são mais representadas como feias, dentro do padrão de beleza ocidental,  com pele verde e nariz longo, igual era a Bruxa Má do Oeste em O Mágico de Oz. Os elementos de caracterização: chapéus pontudos, roupas medievais e vassouras continuam, porém não mais são utilizados como distinção entre as boas e más, tendo, por fim, a busca por quebrar esse padrão que as desvaloriza

O Manual do Cinéfilo

Sala escura, pipoca feita na hora, o som dos trailers  e aquele friozinho na barriga no início de um filme, é tudo o que um bom cinéfilo sentiu falta durante a pandemia da Covid-19. 

A oportunidade de apreciar um filme bem feito na atmosfera de uma sala de cinema é realmente indescritível, mas já parou para pensar na dinâmica por trás das câmeras?

Entender o que se passa nos bastidores de um set de gravações pode ser comparado com as engrenagens de um relógio: todas as partes possuem uma função autônoma, mas no fim do dia o relógio só mostra suas horas se todos os elementos trabalharem juntos. 

E para todos aqueles amantes de cinema, entender cada parte dessa peculiar engrenagem é essencial, dessa forma, segue abaixo um manual de como cada parte funciona para resultar em um bom filme!

Direção Geral

Quando pensamos em cinema, pensamos no Oscar, nos cineastas renomados que nos serviram filmes icônicos como E.T. O Extraterrestre (1982)  ou Titanic (1997)… E realmente é poético termos essa primeira visão sobre esse profissional, mas existem muitas camadas para se entender a complexidade de sua função.

O diretor de cinema tem a difícil responsabilidade de “tirar a história do papel”e torná-la real. Sua tarefa consiste em montar uma equipe de produção de audiovisual – isso engloba os cinegrafistas (cameraman), diretor de fotografia, diretor de arte, diretor de som e cada assistente associado ao departamento de audiovisual.  

Outro dever do diretor geral é definir o que chamamos de Proposta de Direção, que explica detalhadamente os caminhos que cada departamento do filme deve seguir. Som, arte, fotografia, cenografia, todos esses setores devem seguir as ordens da proposta de direção como dogmas. O documento em questão também facilita o trabalho de cada atividade dentro do set com referências e informações.

Diretor de Arte

A direção de arte de um filme consiste em planejar o conceito, a atmosfera visual da narrativa. Este profissional raramente trabalha sozinho, dependendo de outros funcionários que o auxiliam a atingir o conteúdo imagético para o filme. 

Existe até mesmo o que chamamos de “hierarquia de Desenho de Produção”no cinema, principalmente em longas metragens de alto valor envolvido. 

Em primeiro lugar, temos o Coordenador de Arte, que é responsável pela gestão administrativa e financeira do departamento de arte; em seguida, temos o próprio Production Designer ou Diretor de Arte, já mencionado; e por fim o Assistente de Arte, que a função geral consiste em acompanhar o planejamento do diretor e assegurar de que nada do plano visual seja esquecido durante as filmagens.

Importante lembrarmos de que dentro da função de Assistente de Arte existe uma subdivisão: primeiro e segundo assistentes. O primeiro assistente deve direcionar as equipes acerca das suas prioridades, organizar os horários de cada atividade, atualizar o plano de filmagem para o dia seguinte e observar os planos de filmagem para que não haja erro de continuação nas cenas seguintes .

Já o segundo assistente recepciona a chegada do elenco controlando os horários definidos para a ordem do dia; é responsável pelo andamento do camarim e supervisiona as atividades paralelas a gravação como provas de figurino, fotos de cenas e ensaios. 

O Grande Hotel Budapeste (2014), dir. Wes Anderson [Foto: Divulgação/Searchlight Pictures]

Diretor de Fotografia

A direção de fotografia possui a responsabilidade de juntar todos os elementos do planejamento de filmagem – sejam eles sonoros, de cenário ou roteiro, e construir com esses elementos as imagens em movimento. Cada cena, enquadramento, ‘take’ das câmeras deve seguir uma linha lógica de raciocínio que está sob a supervisão do diretor de fotografia.

Aspectos do local, dos figurinos e cores podem mudar completamente dependendo do manuseio das câmeras, provando a importância dessa função no set e do seu poder de influência no olhar óptico do espectador. 

O profissional à frente desse departamento deve supervisionar o foquista, o cinegrafista, os eletricistas, assistente de câmeras e equipe de luz para garantir que a atmosfera imagética pensada pelo diretor de arte e roteirista sejam atingidas. 

Detalhes como tipos de lente como uma 40mm ou 50mm, filtros, manuseio da câmera pela mão ou câmera fixa são todas decisões definidas pelo diretor de fotografia também durante o planejamento da Decupagem ou Shooting Board, que refere-se aos enquadramentos dos planos visuais de cada take do filme.

Ter um olhar artístico durante esse processo é o que define o estilo de fotografia de cada diretor, levando em consideração que cada estilo pode ser interpretado como uma assinatura desse especialista. 

Alguns dos diretores com estilos singulares de fotografia são Wes Anderson com sua inusitada paleta de cores em filmes como O Grande Hotel Budapeste (2014); Woody Allen com seus enquadramentos em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977); clássicos como Kubrick em O Iluminado (1980); e Del Toro, que aproveita de sua sensibilidade como um artista plástico em sua filmografia também.

Outras personalidades importantes do cinema como Tarantino e Sofia Coppola também traduzem sua visão artística por meio de um estilo de fotografia específico.  A lista não para desde Scorsese em Goodfellas (1990), passando por Spike Lee, Spielberg e Chloe Zhao, todos diretores que transmitem sua personalidade através da lente de uma boa câmera.

Produção

Podemos dizer que o cargo mais importante na pirâmide hierárquica do cinema é o Produtor. Cada decisão, do início ao fim do projeto, é tomada pelo produtor de cinema. Sua tarefa  começa na tentativa de convencer os investidores de que o projeto vale a pena a ser investido e trará altos números de bilheteria, e alta lucratividade .

Resumindo, seu papel fundamental é garantir a verba necessária para a rodagem do filme. O produtor pode estar envolvido na parte criativa ou pode ser apenas um investidor. 

Escolha de locações, cronograma das filmagens, proteger os direitos da obra, supervisionar o elenco, controle do orçamento, formação de toda a equipe desde o roteirista até o assistente mais básico da cadeia profissional – tudo fica a cargo do departamento de produção. 

A fim de ajudar o produtor, o gerente de locação deve obter a autorização de uso dos locais escolhidos, enquanto o gerente de produção  controla os gastos diários da produção. Torna-se importante também traçarmos a diferença entre Produtor e Produtor-executivo, o primeiro é responsável por administrar o dinheiro enquanto o segundo é encarregado de garantir o financiamento para o filme.

A produção precisa ter uma linha de comunicação direta com os roteiristas e os diretores  para se certificar de que o projeto está seguindo o plano pensado originalmente pelos acionistas e garantir sucesso de vendas.

Nas fases finais do projeto, este especialista continua em negociação com o diretor e equipe de pós-produção para definir as estratégias de marketing para a divulgação do filme.

Roteiro

Todo filme com uma narrativa envolvente é pensado, escrito e reescrito por uma equipe de roteiristas que não só entende de literatura, mas acima de tudo sabe adaptar a história para a sétima arte. Estes profissionais devem estar atentos à proposta do projeto, tipo de obra audiovisual, exigida pelos diretores e produtores. 

O roteiro nada mais é do que um documento sobre o que deve ser capturado pelas câmeras e a forma como isso deve ser orquestrado pela equipe de direção. Cada projeto precisa de técnicas diferentes de linguagem para apresentar a história contada, seus personagens e ambientes por meio do roteiro.

Um bom roteirista sabe aplicar e abusar das boas estruturas narrativas para não só garantir a riqueza do conteúdo mas também para atender aos padrões do mercado de cinema. Depois de várias mudanças na fase de desenvolvimento do roteiro, e com a aprovação da versão final, o projeto começa a ganhar “corpo, nome e sobrenome”, e sua produção finalmente se inicia.

Casting

A escolha do elenco de um filme é papel do diretor de elenco, que organiza o processo de casting, audições, testes de química (interação) e callbacks. O elenco entra no projeto depois de aprovado a versão final do roteiro, que muitas vezes já é escrito com alguns atores pré definidos.

Houveram até casos em que alguns destes atores pré definidos, chegaram a participar da produção (financiamento) do filme em que atuaram. Vale lembrar que os atores pensados previamente são contratados com base em um admirável portfólio ou por estarem em alta na mídia. 

A curadoria de um bom elenco tem o poder de decidir o sucesso ou não da produção, não somente quando pensamos no talento dos atores, mas também na química que estes têm em cena juntos. Quando o teste de interação não é levado a sério, o público tem dificuldade de acreditar na conexão que os personagens possuem, o que pode colocar em cheque toda a narrativa.

Cenário da série de comédia Friends [Reprodução Revista Celebrity Land]

Cenografia

O cenógrafo é responsável por coordenar toda a ambientação do filme, desde lugares já existentes até cenários que precisam ser construídos somente para a gravação.  Ele trabalha lado a lado com o diretor de arte e o produtor durante a montagem dos cenários, com o objetivo de atender a visão artística do diretor de arte e não ultrapassar no orçamento do produtor.

Saber e decorar o roteiro na íntegra é um dos deveres de um cenógrafo durante a projeção dos ambientes. Existem dois tipos de ambientação:  a Externa, locais  reais que necessitam de autorização e locação para a gravação da obra; e a Interna, aquele ambiente que reproduz locais fechados como salas de TV, bares, escolas e entre outros. 

Outra  curiosidade sobre o departamento de cenografia, é que este não só está à frente das decisões acerca da estrutura do cenário mas também seleciona os objetos (Set Props), que em sua maioria são objetos de decoração. 

Ao longo da produção do filme, outros departamentos também dependem das decisões feitas pelo cenógrafo, como a equipe de luz, som e até mesmo figurino, como veremos a seguir.

A Voz Suprema do Blues (2020), dir. George C. Wolfe [Foto: Divulgação/Netflix]

Figurino, Cabelo e Maquiagem

Da mesma forma que há um longo processo de tentativa e erro na estruturação do cenário e da fotografia , é preciso que a aparência dos atores em cena seja condizente com o universo do enredo. Cada figurinista, maquiador e cabeleireiro responde diretamente ao diretor de arte e à proposta exigida pelo roteiro. 

Vários estudos são elaborados para a formação do guarda-roupa das personagens, pesquisa de estéticas diferentes que dialogam com a história, cores, tecidos, acessórios e entre outros. Acompanhado por uma extensa equipe de estilistas, costureiros, peruqueiros e assistentes de guarda-roupa, o figurinista é responsável por trazer para nossa realidade essas personagens.

Além disso, a maquiagem em comunicação com o figurino facilita o trabalho do ator de dar vida ao personagem, criando a fisionomia deste. Um bom maquiador deve retocar a maquiagem pelo menos uma vez durante o dia, sem contar os filmes que necessitam de maquiagens específicas como efeitos especiais.

Vingadores: Ultimato (2019), dir. Anthony Russo e Joe Russo [Reprodução Marvel616]

Edição e Efeitos especiais

A maioria das pessoas acredita que os filmes são produzidos na ordem cronológica da narrativa, como ocorre no teatro, mas na realidade o diretor não se preocupa com essa sequência temporal durante a produção. O montador é o profissional responsável por organizar as diversas partes na ordem definitiva e garantir a aprovação do diretor.

Ele e o diretor após várias discussões terminam o corte provisório do filme com a trilha sonora, mas as cenas ainda não estão exatamente definidas. O corte provisório é a famosa versão do diretor na íntegra, mesmo assim o filme ainda sofre mais alterações na fase de edição que devem passar pela aprovação do diretor de fotografia e do produtor. 

Os efeitos especiais são adicionados durante essa fase para a versão final que chegará nas salas de cinema. Eles podem ser divididos em dois tipos: os visuais, resultado de extensas manipulações de imagem; e os mecânicos, obtidos por dispositivos físicos durante a gravação no set.

 Além do cabelo e maquiagem, elementos como os dublês, tela verde (chroma key), máquinas de chuva, fantoches, transições entre outros também são usados nos efeitos especiais. 

Mesa de mixagem de som [Reprodução Portal da Produção]

Sonoplastia (Som)

Sonoplastia nada mais é do que a manipulação dos sons no meio do audiovisual. Qualquer elemento captado pelos nossos ouvidos, seja ele uma música, ruído ou diálogo em um filme é planejado pela equipe de som. 

A tecnologia das câmeras atuais nos filmes, é capaz de captar os sons com boa qualidade. No entanto, os efeitos sonoros “entram em cena” justamente para tornar mais real a experiência cinematográfica. 

Em Um Lugar Silencioso (2018), o som é incorporado ao roteiro como um personagem com vida própria,  tornando a narrativa do filme muito mais  interessante quando levamos em conta que o filme todo trata-se de um mundo “sem som”.

O sonoplasta possui total liberdade de encontrar ferramentas diversas para a descoberta de novos sons. Técnicas inusitadas como amassar verduras, casquinha de sorvete, manusear grãos e cereais, mexer em rodinhas de móveis de casa são usadas para criação de sons feitos sob medida para o filme.

Na medida em que cada engrenagem do set respeita e trabalha na mesma sintonia que as demais,  o filme se torna coeso e emocionante. “Se você realmente ama cinema com todo o seu coração e tem paixão o suficiente, você não consegue deixar de fazer um bom filme”, com essa frase Quentin Tarantino nos mostra, que no final do dia, a sétima arte é sobre paixão e cooperação, ter profissionais que amam o que fazem é o verdadeiro segredo de um bom cineasta.

[Resenha] ‘The White Lotus’ e a sátira do privilégio branco

The White Lotus (2021) criada, escrita e dirigida por Mike White — roteirista de Escola do Rock (2003) e Freaks and Geeks (1999 – 2000) — rapidamente se tornou a série mais assistida da HBO Max e já foi renovada para a segunda temporada, que contará com um elenco completamente novo. O sucesso da série não é surpresa – a trama engloba um tema extremamente atual e o aborda de forma leve e satírica: o privilégio branco.

A narrativa segue hóspedes brancos de classe alta que se hospedam em um hotel de luxo no Havaí. Ao longo dos episódios, a dinâmica entre os clientes, empregadores e empregados é mostrada de forma clara e a história tem como centro da piada os hóspedes que constantemente fazem demandas estúpidas e mesquinhas; comentários de caráter tão duvidoso que beiram o cômico; e começam brigas que são, no mínimo, fúteis.

Diferente de séries como Gossip Girl (2021 – atualmente), The O.C. (2003 – 2007), Dynasty (2017 – atualmente) e Downton Abbey (2010 – 2015), The White Lotus não procura a redenção ou simpatia pela elite. Pelo contrário, a série os ridiculariza e deixa óbvia a forma como as ações e comentários do grupo são imensamente absurdos.

O elenco dos hóspedes conta com três grupos principais: a família Mossbacher, composta por Nicole (Connie Britton), Mark (Steve Zahn), Olivia (Sydney Sweeney), sua amiga Paula (Brittany O’Grady) e Quinn (Fred Hechinger); os recém casados Shane (Jake Lacey) e Rachel (Alexandra Daddario); e Tanya (Jennifer Coolidge) que foi para o resort para espalhar as cinzas de sua mãe no oceano. Enquanto isso, o elenco dos funcionários conta com Armond (Murray Bartlett), Belinda (Natasha Rothwell) e Dillon (Lukas Cage).

A trama envolvente é atingida pelas atuações brilhantes de todo o elenco, em especial, Alexandra Daddario que surpreende como uma jovem jornalista presa em um debate interno sobre seu recente casamento; e Murray Bartlett, que entrega uma performance impecável de um homem à beira da loucura.

White escreve a crítica social de forma natural, sem piadas forçadas, ações exageradas ou comentários distantes do que se pode encontrar em boa parte da elite branca da vida real. É a proximidade com a realidade que torna a série irresistível. Fica fácil para qualquer um ver semelhança entre os discursos que ocorrem em cena com coisas ditas na vida real, por mais absurdo que pareça ser no papel. Um exemplo disso é a cena que se passa em um dos jantares, onde a matriarca da família Mossbacher, Nicole, tenta defender que homens heterossexuais cisgêneros agora são a minoria e, por isso, merecem atenção, cuidado e mais oportunidades de trabalho.

A construção da narrativa, no entanto, não se mantém apenas no roteiro. Desde a vestimenta, com hóspedes carregando a tiracolo marcas como Goyard, Gucci, Valentino e Louis Vuitton enquanto os empregados trajam — na maior parte das cenas — o uniforme do hotel. A distinção entre as camadas sociais também é construída com os maneirismos e sotaques da elite: o exemplo mais claro é o personagem de Sydney Sweeney que carrega um pesado valley girl accent (“sotaque de garota do vale” na tradução livre, como os nortes-americanos intitulam o jeito de falar das garotas de classe alta ou classe média alta da região de Los Angeles e arredores).

Brittany O’Grady e Sydney Sweeney como Paula e Olivia. [Imagem: Divulgação/HBO]

Além de retratar a clara desconexão da elite estadunidense com o resto do mundo, Mike White captura outros arquétipos dessa mesma camada: a geração “desconstruída”. À medida que a série se desenvolve, a amizade de Paula e Olivia é explorada por ângulos um tanto inusitados. Paula tem na história o papel do olhar dos telespectadores e representa o que, muito provavelmente, a audiência estará pensando e sentindo.

A personagem de O’Grady originalmente não faz parte desse mundo e vai na viagem a convite de Olivia, que sente a necessidade de não ser como seus pais. Isso é convincente pela maior parte da trama até os episódios finais, nos quais o diretor traz uma mensagem um pouco desesperançosa: não importa o quanto tente, a sua família ainda é sua, e querendo ou não, você tem mais em comum com eles do que gostaria.

Ele mostra essa desesperança em outros aspectos do enredo, quando Tanya parece finalmente ter um arco de redenção, ele é quebrado pela aparição de um possível romance e as suas promessas de um negócio com Belinda caem por terra. Em resumo, o diretor lembra que quando dada a escolha, essas pessoas escolherão elas mesmas ou seus iguais.

Além da clara crítica social, The White Lotus traz a tona o conflito adolescente de se encontrar no mundo com Quinn, as dúvidas e incertezas do casamento com Rachel, a dificuldade em lidar com o passado com Mark, o difícil processo do luto com Tanya, o ganho de confiança com Paula, o problema de abuso de substâncias químicas com Armond e o preço que se paga por ser gentil demais em um mundo cruel com Belinda. A série se aproveita de todos os personagens e os traz à vida com personalidades tridimensionais, histórias do passado e tramas do presente, e faz isso sem deixar nenhuma ponta solta.

O pessimismo (ou melhor, realismo) reflete o momento atual e o jeito como as coisas são: apenas os ricos têm um final feliz. Do destino de Kai (Kekoa Kekumano) até Belinda, a elite sempre ganha, sai por cima ou tem uma chance de recomeçar enquanto os outros são deixados para traz para arrumar a bagunça causada por eles e seguir na esperança que um dia as coisas serão diferentes. A sensibilidade na hora de lidar com os hóspedes, não por serem clientes do hotel, mas sim por serem pessoas socialmente e economicamente relevantes, é algo citado pelos empregados diversas vezes durante a série.

O diretor ainda se aproveita da famosa coloração amarelada que estrela os filmes e séries hollywoodianas que se passam em qualquer lugar periférico. O uso das cores, em especial, transparece o clima quente e tropical havaiano. A teleportação para o paraíso também vem com a trilha sonora por Cristobal Tapia de Veer.

O apelo de The White Lotus é óbvio por ser uma série leve e objetiva, não procura ou cria tramas complicadas como Succession (2018 – atualmente). O assassinato que serve de gatilho para o começo da história é rapidamente revelado e explicado no final, já que a série não se trata de um mistério.

No dia 10 de agosto, a série foi oficialmente renovada para a segunda temporada. Em entrevista para TV Line, Mike White diz que gostaria que a continuação fosse em um hotel diferente com um novo elenco, “The White Lotus: Saint Tropez ou algo assim”, disse o diretor. Ele também disse que, logicamente, você não poderia ter todos os hóspedes nas mesmas férias novamente, mas cogita a ideia de trazer alguns personagens de volta em algum momento. “Poderia ser algo tipo o universo Marvel”, diz.

O novo elenco, data de lançamento e outros detalhes ainda não foram divulgados.

Confira o trailer: