Caleb Toliver não é um desconhecido para os ouvidos brasileiros. Com passagens no Brasil pelo Cena 23K e pelo The Town 25, o rapper de Houston entra em 2026 com seu novo álbum, Octane. O quinto trabalho promete ser uma espécie de Rally, mas acaba entregando uma corrida de tartarugas que vão se cansando depois das primeiras músicas.
No meio de 2024, Toliver lançou seu quarto álbum, Hardstone Psycho, que até agora é o seu melhor projeto, por conseguir misturar a estética Opium, com sons mais pesados e com seu estilo mais lento e melódico. Apesar de não ser um artista reconhecido por ser um grande letrista ou um rapper conceitual, o artista de Houston tem a habilidade de escolher um tema e ambientação, e seguir através dele, o que é algo muito bom em uma cena que, no geral, busca mais músicas que gerem um clima. Porém, isso não acontece em Octane, onde você sai de um som pesado e entra em um reboot de uma música da Shiloh Dynasty de 2016.
A produção do projeto é meio perdida. Um bom exemplo disso é a introdução E85, que começa com uma melodia agitada para terminar em um violino com um dos refrões mais fracos do álbum, que inclui uma citação a Debi & Loide em “Rimos o dia inteiro como Debe & Lóide”. Outro sinal disso é a escolha dos beats, que no geral são genéricos e “antiquados”, batidas que tentam voltar ao tempo do cloudrap de 2016 a 2018, com batidas mais leves, distorções fortes e uma sensação meio chapada.
Don também não está tão bem como normalmente, seus vocais às vezes parecem cansados e outras vezes estão com tanto efeito que fica difícil de ouvir. Isso sem contar que ele é extremamente monótono, vai para um flow com os finais puxados e som nasalado que parece que saiu de uma disputa de Cinturão do UFC para o estúdio ou puxa um flow no estilo do Travis Scott. Que é, na realidade, um dos principais problemas do álbum, mesmo que ele só esteja em Rosary, a pior faixa do trabalho. Caleb é da gravadora Cactus Jack, de Travis, e é o maior nome do selo depois do dono. Toliver decidiu seguir o caminho desse estilo antigo do amigo, o que foi uma escolha ruim, pois Octane não consegue trazer nada novo para o gênero, o que o deixou mais parado ainda.
O ponto alto do projeto está nos Feats, o que é irônico, já que o artista de Houston é conhecido por fazer boas participações. Yeat salva Rendezvous de ser só mais uma música genérica de 2018 com um refrão e verso interessantes que fogem até mesmo do seu estilo padrão, enquanto Rema consegue dar a sorte de pegar um beat que é mais diferente e carrega a música com seu ritmo pesado. Por outro lado, nomes mais conhecidos como Travis Scott e Teezo Touchdown pouco se destacam. Scott traz um verso bem medíocre em Rosary, mas não tem culpa dela ser uma das músicas mais chatas do álbum, enquanto Teezo realmente foi mal em All The Signs, trazendo aquela velha estrutura gritada, melodramática e com um apelo retrô.
Fora das músicas com participação, o grande destaque fica para Gemstone, que traz uma estrutura mais pesada e parecida com Hardstone Psycho, além de ser um dos momentos em que Toliver parece realmente com vontade de rimar. Além dela, Tiramisu, ATM e Body que conta com uma sample de Rock Your Body do Justin Timberlake, são outras boas faixas solo do projeto.
O grande problema de Octane foi a necessidade. Atualmente, um artista tem que estar sempre soltando projetos, músicas e tours de maneira muito rápida para se manter na mesma posição. Caleb afirmou em 25 de julho que já tinha um novo projeto a caminho, sendo que a sua turnê acabou em 13 de julho, ou seja, o trabalho foi feito em parte no meio da Psycho Tour enquanto o resto foi finalizado durante os seis meses seguintes. Produzir músicas nesse ritmo não deu certo e fez Octane parecer mais um conjunto de músicas nostálgicas ou prévias de TikTok.

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