Mini Álbum do BLACKPINK mostra que tamanho não é documento

Após uma pausa nas produções coletivas de quase quatro anos, o grupo de K-Pop BLACKPINK retorna com seu novo EP, DEADLINE. Durante a pausa, o girls group não parou realmente, já que Jennie e Lisa lançaram seus álbuns solos e foram headliners do Coachella, enquanto Jisoo soltou o projeto Amortage e Rosé colocou na pista Rosie, que conta com o megahit extremamente chiclete APT com Bruno Mars, que rendeu um show no Grammy deste ano para o duo. 

No ano passado, o conjunto voltou com a Turnê Deadline, que anunciou o retorno do BLACKPINK, e serviu para lançar o primeiro single do EP,  Jump, que conta com a produção do DJ Diplo e mistura o clássico eletrônico  Meet Her at The Loveparade com uma pegada de Velho Oeste e EDM que lembra o som do primeiro álbum delas, The Album. A música abre o projeto de maneira fantástica, trazendo muita energia e ótimos versos das quatro integrantes. 

DEADLINE tem o problema de ser curto, apesar de o grupo não ser muito fã de projetos grandes, os dois álbuns anteriores têm 24 minutos e contam cada um com oito faixas. O EP é um respiro do último projeto, Born Pink, que acabou ficando muito marcado por baladas ao estilo Taylor Swift, tornando a experiência meio maçante. 

Como um fã de música eletrônica, é impossível não notar a influência do gênero no mini álbum, visto que  Jump é seguida por Go, um verdadeiro party anthem. Como Lisa diz na faixa: “Vá para a pista, me diga quando ir, sem música lenta”. A faixa conta com sintetizadores pesados, um ritmo acelerado e ótimos momentos de tensão e calma que fazem você ir se animando conforme o som. A música também é a primeira vez em mais de uma década de grupo em que as quatro integrantes são creditadas como compositoras, além de ter o cantor Chris Martin do Coldplay como letrista.

A terceira música do projeto é Me and My, onde apenas Lisa e Jennie tem versos e é um trap ao maior estilo Braggadocious, o funk ostentação do rap, onde a dupla de rappers se gaba por ser bonita e talentosa. A faixa fala sobre o BLACKPINK chegando em uma balada, virando o centro das atenções e conta com ótimas sacadas como o verso “Golden like we Draymond”, uma piada com ouro, o time de basquete Golden State Warriors e o jogador Draymond Green, jogador da equipe. É uma música animada e conta com a melhor intro do EP, com um metal que, por algum motivo, passa uma sensação meio Kill Bill. 

Champion, a penúltima faixa, é onde o clima começa a mudar. A quarta música começa com uma vibe balada pós-punk, lembrando um pouco A Forest do The Cure. Porém, quando chega no refrão, a faixa vira uma espécie de Boom Clap, do álbum Sucker da Charli XCX, é meio pegajoso, com vocais que possuem um efeito de eco que parece cena de musical, ainda mais com uma letra super motivacional sobre não desistir por ser um campeão. Mas o trem de Champions descarrila mesmo no último pré-refrão, onde ela vira uma espécie de beat de jersey club, um estilo de produção com bateria acelerada e bem repetitiva, um exemplo desse estilo é Jeito Bandido do Veigh. Ainda por cima, essa virada é inútil, já que logo depois o último refrão Boom Clap chega.

BLACKPINK no backstage de um show da DEADLINE WORLD TOUR – fonte: instagram @jennierubyjane

Por fim, a última canção é Fxxxboy, a mais fraca de DEADLINE. A ideia da música é reverter o esquema de um relacionamento tóxico, então dessa vez elas são o “Fuckboy”, termo que designa homens que utilizam um relacionamento para sugar o que podem sem se importar muito com o outro lado. O problema da faixa é a péssima junção do estilo lento de Born Pink, que é bem mais fraco do que o lado mais energético do grupo, com quase todos os versos, pontes e refrões se utilizando de muitos, mas muitos clichês. 

Além do nome/termo da música, as expressões “Karma’s a Bitch”, “Call me icy, icy, yeah, you made me ice cold” e “nenhuma lágrima pode arruinar minha maquiagem” são alguns dos exemplos dos clichês usados.

Apesar de perder um pouco de tração durante a reta final, DEADLINE, é um ótimo projeto com uma grande variedade de estilos em pouco tempo, já que a audição tem 15 minutos. Além disso, a qualidade das primeiras faixas e até mesmo as tentativas de fugir do padrão em Champion fazem o mini álbum ser muito fácil e agradável. É interessante também a escolha de fazer um EP ao invés de um lançamento bombástico de um álbum completo que pudesse até quebrar a regra de lançar oito faixas, algo que vai na contramão da indústria, visto que, por exemplo, o BTS vai lançar um novo projeto, já confirmado que tem 12 faixas e normalmente após o lançamento versões deluxe saem com 15 a 20 músicas. 

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