Conheça um pouco mais sobre Baz Luhrmann, o diretor por trás de ‘Elvis’

Baz Luhrmann é considerado um dos cineastas mais inovadores em Hollywood atualmente, tendo sua carreira resumida em um curto repertório de filmes sempre visualmente extravagantes e estilísticamente emblemáticos.

Filho de uma professora de dança de salão e um administrador de posto de gasolina, Luhrmann nasceu em uma pequena zona rural no norte de New South Wales, Austrália, em 17 de setembro de 1962. Nasceu com o nome de Mark Anthony, porém é mais conhecido pelo seu pseudônimo originado de um apelido de infância.

Diretor, produtor e escritor, sua carreira no Cinema teve início em 1992 com Vem Dançar Comigo, o primeiro filme da sua trilogia Red Curtain (Cortina Vermelha), adaptação de uma produção teatral autoral, baseada em suas experiências de infância no mundo da dança de salão. O filme foi feito em colaboração com outros alunos da National Institute of Dramatic Art e supostamente aplaudido de pé por 15 minutos na sua estreia em Cannes.

Fonte: blu-ray.com

Também inclusos nessa trilogia estão: Romeo + Julieta (1996) e Moulin Rouge: Amor em Vermelho (2001). Esses filmes não se completam na narrativa e nem coexistem em um mesmo universo cinematográfico, mas se assemelham na maneira como a sua narrativa é conduzida; enredos relativamente simples envolvidos de tragédia, comédia e alguma temática teatral: dança, poesia e música. Luhrmann em entrevista com Geoff Andrew para o The Guardian:

“a Cortina Vermelha requer algumas noções básicas. Uma é que o público saiba como terminará quando começar, é fundamental que a história seja extremamente rasa e extremamente simples – isso é muito trabalho. Então, é colocada num mundo criado e intensificado. Depois há um meio – o mundo elevado de ‘Strictly Ballroom’, a praia de Verona. Há ainda outro dispositivo – dança ou pentâmero iâmbico ou canto, e que está lá para manter a audiência acordada e empenhada”.

A Trilogia da Cortina Vermelha

Poster de divulgação. Fonte: Festival de Cannes / IMDb

Vem Dançar Comigo (1992)

Vem Dançar Comigo (1992). Fonte: National Film and Sound Archive

Um dançarino rebelde e uma jovem de pé esquerdo se unem no amor e na dança para quebrar padrões convencionais e lutar pela liberdade artística.

Romeo+Julieta (1996)

Fonte: Everett Collection para Vogue

A clássica tragédia de William Shakespeare sobre dois jovens que amam em meio a tanto ódio, mas não resistem às suas consequências. Primeiro trabalho de Leonardo DiCaprio com Luhrmann, esse é um filme que envolve a poesia shakespeariana em anacronismos incrivelmente bizarros.

Moulin Rouge: Amor em Vermelho (2001)

Moulin Rouge: Amor em Vermelho (2001). Fonte MUBI

Estrelando Nicole Kidman e Ewan McGregor como um casal de artistas lutando pela verdade, beleza, liberdade e amor em uma Paris boêmia do final do século 19. Moulin Rouge fecha a trilogia com oito indicações ao Oscar, incluindo de Melhor Filme, além de garantir o Globo de Ouro de Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Trilha Sonora.

Trajetória da sua Carreira

Como é comum com grandes diretores, Baz tem o costume de trabalhar múltiplas vezes com os mesmos atores. Com Kidman, por exemplo, colaborou no Nº 5 “Le Film”, um curta publicitário para o emblemático perfume da Chanel, e mais uma vez em um filme de 2004 chamado Austrália.

Chanel N° 5 “Le Film”. Fonte: MUBI

Em 2013 o diretor adaptou o clássico de F. Scott Fitzgerald trazendo às telonas O Grande Gatsby, estrelando Leonardo DiCaprio como o famigerado bilionário Jay Gatsby em uma Nova York eletrizante no auge dos anos 1920; repleto de anacronismos incluindo uma trilha sonora que mescla elementos do jazz da época com um som moderno composto por Jay-Z, Beyoncé e Lana Del Rey. Este filme arrecadou mais de 353 milhões de dólares ao redor do mundo, dois Oscars e elogios da neta de Fitzgerald, “Scott teria ficado orgulhoso”.

O Grande Gatsby. Fonte: Entertainment Weekly

Em 2016, Luhrmann colaborou com Stephen Adly Guirgis na criação da série The Get Down para a Netflix. A série é dividida em duas partes e conta a história das origens do hip-hop na década de 1970, com a ajuda de alguns dos artistas mais conhecidos da época, Nas, Kurtis Blow, DJ Kool Herc, entre outros que atuaram como produtores.A mais recente das suas obras, que tem recebido muito destaque da mídia, é a biopic de Elvis (2022). Estrelando Austin Butler como o “Rei do Rock”, bem como o incrível Tom Hanks e o irmão mais velho que todos amam odiar em Stranger Things, Dacre Montgomery.

Elvis (2022). Fonte: Claudia

Durante os seus 40 anos de carreira Baz Luhrmann desenvolveu um repertório curto, mas repleto de sucessos. Além de ter uma habilidade admirável para a direção, o australiano também envolve seus filmes de uma identidade artística que os torna clássicos instantâneos e imediatamente reconhecíveis.

Baz traz à sua audiência uma visão tão inovadora e verdadeiramente artística que, apesar de suas obras serem poucas, cada uma se torna uma quase eterna fonte de entretenimento. A história em si tem seu devido valor, mas a frenesi, energia e teatralidade caótica e constante que fazem seus filmes tão prazerosos de ver e rever, havendo sempre algo de novo para chamar a sua atenção.

Confira Elvis (2022), já nos cinemas!

Confira os Indicados ao Emmy 2022

Nesta terça (12) a Television Academy anunciou os indicados a 74ª edição do Emmy Awards, apresentados pelos atores J.B Smoove e Melissa Fumero. Como grande novidade foi anunciada que a edição deste ano teve recorde de inscritos ao prêmio.

Succession (2018 – atualmente), com 25 indicações, Ted Lasso (2020 – atualmente), The White Lotus (2021), com 20 indicações cada, Hacks (2021 – atualmente) e Only Murders In The Building (2021 – atualmente), ambas com 17, formam o top 5 de produções mais indicadas ao prêmio. A HBO sai na frente na disputa, com três das cinco séries mais indicadas em seu catálogo: Succession, Hacks e The White Lotus.

A premiação ocorrerá dia 12 de setembro, e até o momento não foi anunciado nenhum apresentador.

Confira a lista dos indicados nas principais categorias.

SÉRIE DE COMÉDIA

  • Abbott Elementary
  • Barry
  • Curb Your Enthusiasm
  • Hacks
  • Maravilhosa Sra. Maisel
  • Only Murders in the Building
  • Ted Lasso
  • What We Do in the Shadows

ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Rachel Brosnahan (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Quinta Brunson (Abbott Elementary)
  • Kaley Cuoco (The Flight Attendant)
  • Elle Fanning (The Great)
  • Issa Rae (Insecure)
  • Jean Smart (Hacks)

ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Donald Glover (Atlanta)
  • Bill Hader (Barry)
  • Nicholas Hoult (The Great)
  • Steve Martin (Only Murders in the Building)
  • Martin Short (Only Murders in the Building)
  • Jason Sudeikes (Ted Lasso)

ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Alex Borstein (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Hannah Einbinder (Hacks)
  • Janelle James (Abbott Elementary)
  • Kate McKinnon (Saturday Night Live)
  • Sarah Niles (Ted Lasso)
  • Sheryl Lee Ralph (Abbott Elementary)
  • Juno Temple (Ted Lasso)
  • Hannah Waddingham (Ted Lasso)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

  • Anthony Carrigan (Barry)
  • Brett Goldstein (Ted Lasso)
  • Toheeb Jimoh (Ted Lasso)
  • Nick Mohammed (Ted Lasso)
  • Tony Shalhoub (Maravilhosa Sra. Maisel)
  • Tyler James Williams (Abbott Elementary)
  • Henry Winkler (Barry)
  • Bowen Yang (Saturday Night Live)

SÉRIE DE DRAMA

  • Better Call Saul
  • Euphoria
  • Ozark
  • Ruptura
  • Round 6
  • Stranger Things
  • Succession
  • Yellowjackets

ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA

  • Jodie Comer (Killing Eve)
  • Laura Linney (Ozark)
  • Melanie Lynskey (Yellowjackets)
  • Sandra Oh (Killing Eve)
  • Reese Witherspoon (The Morning Show)
  • Zendaya (Euphoria)

ATOR EM SÉRIE DE DRAMA

  • Jason Bateman (Ozark)
  • Brian Cox (Succession)
  • Lee Jung-jae (Round 6)
  • Bob Odenkirk (Better Call Saul)
  • Adam Scott (Ruptura)
  • Jeremy Strong (Succession)

 ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

  • Patricia Arquette (Ruptura)
  • Julia Garner (Ozark)
  • Jung Ho-yeon (Round 6)
  • Christina Ricci (Yellowjackets)
  • Rhea Seehorn (Better Call Saul)
  • J. Smith-Cameron (Succession)
  • Sarah Snook (Succession)
  • Sydney Sweeney (Euphoria)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

  • Nicholas Braun (Succession)
  • Billy Crudup (The Morning Show)
  • Kieran Culkin (Succession)
  • Park Hae-soo (Round 6)
  • Matthew Macfadyen (Succession)
  • John Turturro (Ruptura)
  • Christopher Walken (Ruptura)
  • Oh Yeong-su (Round 6)

MINISSÉRIE

  • Dopesick
  • The Dropout
  • Inventando Anna
  • Pam & Tommy
  • The White Lotus

ATRIZ EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Toni Collette (A Escada)
  • Julia Garner (Inventando Anna)
  • Lily James (Pam & Tommy)
  • Sarah Paulson (American Crime Story: Impeachment)
  • Margaret Qualley (Maid)
  • Amanda Seydried (The Dropout)

ATOR EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Colin Firth (A Escada
  • Andrew Garfield (Under the Banner of Heaven)
  • Oscar Isaac (Cenas de Um Casamento)
  • Michael Keaton (Dopesick)
  • Himesh Patel (Station Eleven)
  • Sebastian Stan (Pam & Tommy)

ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Connie Britton (The White Lotus)
  • Jennifer Coolidge (The White Lotus)
  • Alexandra Daddario (The White Lotus)
  • Kaitlyn Dever (Dopesick)
  • Natasha Rothwell (The White Lotus)
  • Sydney Sweeney (The White Lotus)
  • Mare Winningham (Dopesick)

ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE E FILME PARA TV

  • Murray Bartlett (The White Lotus)
  • Jake Lacy (The White Lotus)
  • Will Poulter (Dopesick)
  • Seth Rogen (Pam & Tommy)
  • Peter Sarsgaard (Dopesick)
  • Michael Stuhlbarg (Dopesick)
  • Steve Zahn (The White Lotus)

TALK SHOW

  • The Daily Show with Trevor Noah
  • Jimmy Kimmel Live!
  • Last Week Tonight with John Oliver
  • Late Night with Seth Meyers
  • The Late Show with Stephen Colbert

REALITY SHOW DE COMPETIÇÃO

  • The Amazing Race
  • Lizzo Procura por Mulheres Grandes
  • Nailed It
  • Rupaul’s Drag Race
  • Top Chef
  • The Voice

Você poderá conferir a cobertura em tempo real do Emmy Awards pelo nosso Instagram e Twitter.

Frenezi Meets: Ana Paula do Narrativa Feminina

Por: Vitória Geremias

A Editoria de Cinema & TV da Frenezi entrevistou a Ana Paula do @narrativafeminina para conhecer um pouco mais sobre seu trabalho e sua jornada como criadora de conteúdo no Instagram. O projeto de Ana tem como objetivo destacar as mulheres e pessoas LGBTQIA+ que estão produzindo e atuando na indústria cinematográfica, de recomendar conteúdos com protagonismo feminino ou de temática LGBTQIA+, além de levantar várias pautas importantes para discussão. Confira abaixo a entrevista na íntegra feita pela repórter Vitória Geremias e conduzida pelas editoras Ana Luiza Neves e Ana Antenore. 

(Frenezi) Como surgiu a ideia de criar a @narrativafeminina?

(Ana Paula) Surgiu na faculdade, faço Jornalismo e no primeiro período, na disciplina de Inovação e Criatividade, havia um projeto cujo objetivo era criar algo pessoal e que fosse a “nossa cara”. Na época, em 2018, a Greta Gerwig havia sido indicada ao Oscar de Melhor Direção, e foi nesse momento que despertou em mim uma necessidade de repensar o consumo de filmes e valorizar mais as produções feitas por mulheres. Fui atrás de sites e pessoas que falavam sobre o assunto e levantavam essa discussão, mas percebi que não haviam muitos. A jornalista Luísa Pécora, do site “Mulheres no Cinema”, foi a minha primeira inspiração para o projeto. Para continuar com o trabalho, era preciso entrevistar alguém de nossa admiração e assim consegui contato com Luísa, que me incentivou ainda mais na criação do Narrativa (Feminina).  Em conjunto com a pauta feminista, também surgiu a necessidade de abordar narrativas LGBTQIA+, justamente por também fazer parte da comunidade e entender a urgência em trazer esses assuntos para discussão. Mas, por conta da faculdade, tive que deixar um pouco de lado por alguns anos, e em 2020, quando resolvi retomar, aproveitei para aprimorar o design dos posts, com cores e carrosséis, tentando trazer conteúdo de maneira divertida e descontraída para atingir um público maior.

(FZ) Quais eram as suas expectativas e objetivos iniciais? Eles mudaram ao longo do tempo? 

(AP) No começo, eu não acreditava que chegaria num nível onde poderia se tornar lucrativo e profissional. Não imaginava que meu hobbie, que era criar conteúdo, se tornaria meu trabalho e, possivelmente, fonte de renda. Hoje, além de trabalhar com o Narrativa, eu também trabalho para a Carol Moreira (@carolmoreira3), que além de chefe, também é uma grande parceira, fonte de inspiração e apoiadora do meu trabalho.

(FZ) O que você espera do futuro do @narrativafeminina? Quais as metas e objetivos que deseja alcançar?

(AP) Além de transformar em minha fonte de renda, quero criar um canal no YouTube, porque aqueles “textões” que não cabem nos carrosséis dariam ótimos vídeos na plataforma. Também gostaria muito de aumentar a equipe, que por enquanto é formada por mim e pelo meu namorado que é designer e responsável pelas artes do Narrativa… Assim que conseguir ganhar dinheiro com esse trabalho eu, com certeza, quero trazer mais pessoas!

(FZ) Para você, qual a importância de mulheres e pessoas LGBTQIA+ na liderança de projetos cinematográficos e televisivos?

(AP) Basicamente como essas pessoas são representadas. Sabemos que a indústria é dominada por homens cis brancos, que tomam as principais decisões e que comandam tudo, então se não pensarmos em quem consumimos, ou não demonstrarmos interesses em outras perspectivas e narrativas, teremos mais histórias de mulheres e LGBTQIA+ com uma representação ruim, mal feita e distante da realidade. Existe uma diferença clara na representação quando ela tem uma perspectiva feminina, e além de toda essa questão do male gaze, é importante também tirar o domínio cis heteronormativo, que resultou numa indústria cinematográfica misógina, racista… Uma maneira de mudar isso é mostrando para a indústria quais histórias queremos e estamos interessadas em ver, ou seja, apoiando outras narrativas e consumindo mais produções feitas por mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIA+. 

(FZ) Você citou em seus stories do Instagram durante a semana sobre a sua indignação com a Netflix e a falta de representatividade através do queercoding. Poderia nos contar um pouco mais sobre o assunto?

(AP) Essa nova temporada de “Stranger Things” é um exemplo: as suspeitas sobre a sexualidade do Will já existem há um tempo, mas nunca foram confirmadas. Essas insinuações são chamadas de queerbaiting, pois agradam os públicos LGBTQIA+ e o cis hétero e conservador sem comprometer a série. As pessoas acham que não é queerbaiting porque temos a Robin como personagem lésbica, mas ela não é a protagonista, não é uma das crianças… é aquele tabu de que não se pode falar de sexualidade com crianças, não se pode dizer que o Will é gay mas a Eleven e o Mike estão ali namorando, sabe? Fico tão agoniada com isso.

(FZ) Em “Heartstopper”, a escritora da graphic novel que inspirou a série, Alice Oseman, é também a roteirista da produção da Netflix. Você acha que esse cuidado com a fidelidade da adaptação influenciou no sucesso da série? 

(AP) Acho que sim, com certeza… é muito parecido! Já li os quadrinhos duas vezes antes de ver a série. Não acho que o roteirista da série precise necessariamente ser o autor do livro, até porque nem todo escritor é um bom roteirista e vice-versa, mas a Alice Oseman se mostrou muito boa no que faz. Reforça a necessidade desse cuidado, e se não fosse ela a roteirista, deveria ser algum LGBTQIA+ jovem e que entende dessa vivência. Podemos notar que foi uma pessoa desse mundo que criou, pois há uma fidelidade e respeito na representação, e faz muita diferença quando a pessoa entende sobre o que está falando, e o sucesso da série se deu justamente devido a isso.

(FZ) Quem é sua maior inspiração feminina no ramo do cinema?

(AP) A Greta Gerwig foi a minha primeira inspiração. Hoje em dia eu tenho uma grande admiração pela Céline Sciamma, que é a diretora de “Retrato de uma Jovem em Chamas”, amo tudo que ela faz, já vi todos os filmes. Hoje em dia é minha diretora favorita, e por ser uma mulher lésbica todos os filmes dela tem essa narrativa feminina e queer… acho que hoje ela é uma das minhas principais influências no cinema. Em relação à criação de conteúdo, além da Luísa Pécora de “Mulher no Cinema”, tem também a Carissa Vieira que é uma das poucas que fala sobre esse assunto no YouTube, acho que no Brasil, uma das únicas… 

(FZ) Quais suas expectativas para o futuro do cinema? Você percebe o surgimento de alguma tendência? 

(AP) Esse ano, especificamente, estou vendo uma grande mudança na representação LGBTQIA+. Acredito que está sendo o ano com as melhores narrativas da comunidade, como por exemplo: “Owl House”, “Doctor Who”, “Minha Bandeira é a Morte”, “Heartstopper”, “First Kill”, “Crush”… então estou percebendo que isso está se tornando mais frequente, como é difícil ter uma história com um arco LGBTQIA+ que não fosse dramático, trágico, triste… E hoje em dia é maravilhoso que isso está se tornando algo mais comum, os streamings estão arrasando nesse quesito. 

(FZ) O que você espera da adaptação de Barbie por Greta Gerwig? 

(AP) Olha, eu acreditava que seria uma comédia romântica clichê dos anos 90, 2000, afinal. Mas acharam o Letterboxd da Margot Robbie com os filmes que ela teve que assistir pro papel, sendo um deles “O Show de Truman”, e foi aí que começaram a teorizar de que seria uma distopia… quem sabe vai ser uma mistura dos dois? Só sei que vai ser surpreendente, talvez seja o clichê com mais ficção… Esse filme se tornou o maior mistério de Hollywood, mas é a Greta e o Noah Baumbach, não tem como ser ruim!

(FZ) Entre os lançamentos de filmes e séries que já tivemos esse ano, qual o seu favorito? 

(AP) Com certeza “Heartstopper” e “Minha Bandeira é a Morte” são minhas séries favoritas. E de filme acho que meu preferido é “Fresh”, fiquei muito surpresa… parece muito “Corra”. Foi escrito e dirigido por mulheres, o que faz muito sentido porque é um medo que muitas têm de conhecer um cara perfeito e no fim ele se mostra um psicopata… Nos primeiros 30 minutos do filme parece ser uma comédia romântica e depois vira um terror bizarro.

(FZ) Qual filme você está mais ansiosa para ver nos cinemas ainda esse ano?

(AP) Tem vários, mas o que estou mais ansiosa é “Don’t Worry Darling”, da Olivia Wilde, que também parece ter uma pegada distópica… Uma mistura de “Mulheres Perfeitas” com “O Show de Truman”. Depois de “Booksmart” eu sinto a necessidade de mais filmes feitos pela Olivia. Outro que também estou ansiosa para assistir é “The Woman King”, com a Viola Davis como protagonista, baseado numa história real de uma guerreira africana e um exército feminino do séc XVIII… e a diretora também é ótima, Gina Prince-Bythewood, ela dirigiu “The Old Guard” da Netflix. Acho que são esses dois filmes que estou mais ansiosa para ver.
Você pode conferir mais sobre o trabalho da Ana Paula pelo Instagram @narrativafeminina.

Guia para o curso de Cinema 101: tudo o que você gostaria que te contassem sobre

O mercado de trabalho, especialmente na área artística, pode ser instável, por isso se quiser se formar na área é bom considerar o que o curso escolhido tem a oferecer. O curso superior em Cinema no Brasil não é muito popular, ainda assim existem três modalidades disponíveis para a graduação: Bacharelado, Licenciatura e Tecnólogo; vamos focar no primeiro por ser o mais completo.

Bastidores de O Iluminado (1980) [Reprodução Esquire]

Um Bacharelado ou uma Licenciatura em Cinema e Audiovisual duram em média 4 anos, já o Tecnólogo 2 a 3 anos. Todos abordam conhecimentos gerais da área como roteiro, preparo de equipamento, fotografia, som, direção, edição, distribuição, entre outros. 

No Bacharelado, são abordados diversos aspectos da produção audiovisual, possibilitando que cada aluno se encontre no seu setor de maior interesse; desde a pré-produção de um conteúdo, que envolve a elaboração do roteiro, storyboards e planejamento financeiro, até a distribuição e exibição da obra. Já a licenciatura trabalha os diversos aspectos da produção audiovisual, mas priorizando a capacitação de seus alunos para lecionar em projetos culturais, museus e escolas, no formato de cursos livres. Dependendo da instituição de ensino, existe também um enfoque na área de Comunicação Social, abrindo portas para matérias que analisam estética, filosofia, psicologia, política e história no Cinema.

Graduação Cinema e Audiovisual [Reprodução ESPM]

Durante o curso são ensinadas as mais variadas formas de se produção de conteúdo audiovisual, desde o longa-metragem live action até uma série animada em 2D, 3D e/ou stop motion. Algumas matérias comuns são:

  • Análise de Imagem 
  • Crítica de filme 
  • Teoria do Cinema
  • Cinema Brasileiro e Internacional 
  • Roteiro e Storyboard
  • Oficina de Câmera e Iluminação
  • Direção de Atores 
  • Direção de Produção
  • Animação
  • Comunicação e Mercado
  • Marketing 
  • Dramaturgia 
  • Sonoplastia e Trilha Sonora
  • Edição e Pós-Produção

Grande parte da grade curricular é composta por matérias práticas que visão desenvolver as habilidades do aluno, até serem utilizadas no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), ou como em algumas instituições, em pequenas produções estimuladas no decorrer dos semestres. Para a conclusão da graduação a maioria das universidades exige também a realização de estágio supervisionado, cobrando um mínimo de por volta de 200 horas.

Graduação Cinema e Audiovisual [Reprodução ESPM]

O PROFISSIONAL

Algumas características muito importantes para o profissional (ou futuro profissional) da área são a criatividade, boa comunicação, comprometimento e responsabilidade com o cronograma do projeto, e claro, perseverança para a conclusão dos trabalhos mesmo que aconteçam imprevistos. 

Sempre existe aquela pessoa que sonha em crescer na área e acredita que não precisa da ajuda de ninguém, mas um filme não é feito por uma só pessoa, por isso é importante exercitar as suas habilidades para o trabalho em equipe, já que todo o processo de uma produção audiovisual tende a se estender por alguns meses e durante esse tempo você depende do seu time e ele de você. Falta de consideração pelos colegas e pelas suas responsabilidades pode criar uma má reputação para você no futuro, lembre-se de que as pessoas com quem você estuda podem se tornar futuros parceiros ou competidores, no Cinema as conexões são tudo!

Bastidores de O Grande Hotel Budapeste (2014) [Reprodução LiveMaster]

Outro fator importante é o seu repertório, é claro que o seu portfólio será desenvolvido durante os seus anos de formação e em diante, mas o repertório deve ser algo a se desenvolver mesmo antes do curso e continuamente na sua vida, pessoal ou profissional. Um conhecimento amplo das produções e dos grandes nomes da área não tem como te prejudicar, não é mesmo?

Bastidores de A Noiva Cadáver (2005) [Reprodução LiveMaster]

O MERCADO 

Não é fácil ser artista no Brasil, mas não é impossível, se o seu desejo é se tornar um diretor de Cinema, por exemplo, um bom curso te ensinará não só a preparar seus atores, equipamento e a iluminação, mas também como se comunicar com seus produtores e financiadores sobre as burocracias que englobam a produção do seu projeto. Licenciamento, direitos autorais, Classificação Indicativa e etc., enfim, tudo que diz respeito a uma produção cultural que precisa seguir os critérios do Ministério da Justiça. 

Normalmente produzidos em equipes menores e com baixo orçamento os filmes independentes sempre estiveram presente na nossa história, desde o Cinema Novo com obras de Glauber Rocha, até os dias de hoje. Essas obras seguem uma tendência mais autoral, e expressam temáticas do Brasil em novos ângulos. Os maiores desafios desse setor são o financiamento e a distribuição, já que o cinema nacional já é pouco valorizado e mesmo dentro dele, o grande dominador é o setor comercial. Por conta dessas dificuldades, o objetivo de grande parte dos cineastas é a competição em festivais que podem ser a única oportunidade que um filme terá de ser exibido na telona, além do fato de que nas amostras é possível fazer e fortalecer conexões que podem abrir mais portas. Para que isso aconteça deve-se inscrever seu projeto no festival desejado, levando em consideração o que a curadoria deseja.

Bastidores de Central do Brasil (1998) [Reprodução Palavras de Cinema]

Existem muitas possibilidades de festivais no nosso país, alguns exemplos são:

  • Festival de Cinema de Gramado
  • Festival de Brasília de Cinema Brasileiro 
  • Festival Internacional do Rio
  • Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

A indústria brasileira de audiovisual está se expandido principalmente por conta da verba pública proveniente de editais da Ancine e prefeituras, além de outros programas federais de incentivo que podem envolver Festivais Internacionais.

O profissional de Cinema pode trabalhar em produtoras institucionais, emissoras de televisão, agências de publicidade, produzindo filmes longa ou curta-metragem, séries, novelas e até documentários, ou em cinematecas e acervos de preservação cultural. Conseguindo atuar como roteirista, produtor, diretor, fotógrafo, sonoplasta, editor, animador, compositor, dublador, ou mesmo no que diz respeito a distribuição e divulgação de filmes como agente, programador, produtor executivo ou curador de festivais. 

Em termos numéricos, segundo o estudo de Emprego no Setor Audiovisual 2019 feito pela Ancine, os setores que apresentaram maior crescimento (em relação a atividade por estabelecimento) são os de Produção e Pós-Produção, Exibição Cinematográfica e é claro TV Aberta. Além disso o setor com maior número de empregos é a TV Aberta, chegando a 50.132 de um total de 88.053 na área. Sendo assim pode-se dizer que o setor televisivo possui grande impacto na indústria nacional, dito isso as plataformas de streaming garantiram uma relativa estabilidade de produção durante a pandemia e vem crescendo desde então, portanto não é impossível imaginar uma futura dominação desse setor já que mesmo a Globo que é a maior emissora da TV aberta brasileira vem tentando competir com outros pesos pesados dos streamings como Netflix e Amazon Prime.

Por ser um curso relativamente novo no Brasil, não existem tantas ofertas de cursos em comparação a uma formação mais tradicional como Administração, ainda assim cursar Cinema e Audiovisual pode trazer muitos benefícios e enriquecer o conhecimento na área. É importante se certificar de que o seu curso vai disponibilizar tudo aquilo que você acredita ser necessário para sua formação e seus objetivos.

[Crítica] Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, além de louca, é a obra mais macabra do MCU

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura estreou na última quinta-feira, dia 5 de maio, nos cinemas brasileiros. O quinto filme da Fase 4 do Universo Cinematográfico da Marvel é estrelado por Benedict Cumberbatch, Elizabeth Olsen, Benedict Wong e Xochitl Gomez. A direção tem o retorno de Sam Raimi, responsável por trazer a trilogia do Homem-Aranha nos anos 2000, aos filmes de heróis.

[GIF: Reprodução/ Pinterest]

CRÍTICA SEM SPOILERS

Após o sucesso estrondoso de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, o segundo filme do herói dos magos prometia ser impactante, visto que, quando se trata do Multiverso, tudo pode sair do controle e inclusive ter algumas participações especiais. 

O longa acompanha a jornada do Doutor Estranho rumo ao desconhecido. Além de receber ajuda de novos aliados místicos e outros já conhecidos do público, o personagem atravessa as realidades alternativas incompreensíveis e perigosas do Multiverso para enfrentar um novo e misterioso adversário.

A temática do multiverso começou a ser introduzida em algumas produções, como WandaVision, Loki, What If…? e Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa. Nesta ocasião, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura explora sobre as outras realidades e versões dos personagens e possui uma pegada que nunca foi vista no MCU.

[Imagens: Divulgação/ Marvel Studios]

Escrito por Michael Waldron (Loki, 2021), o roteiro é direto, sem enrolação e explicações e com muitas cenas de ação. Talvez seja, até mesmo, muito rápido para uma duração de 2 horas, visto que, poderia ter explorado mais o seu tema central: o multiverso. A correria na narrativa afeta os diálogos e explicações sobre alguns casos curiosos do multiverso. É possível viajar profundamente com o filme em relação às viagens de um universo para o outro e também a presença de muitas cores e formatos deixa a experiência muito louca e eletrizante. O público da sala de cinema pode entrar em delírio momentâneamente, com a aparição de alguns personagens que serão mais detalhados na crítica com spoilers.

O longa adota elementos de terror que nunca foram vistos em qualquer produção do Universo Cinematográfico da Marvel. Em alguns momentos, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura consegue estabelecer o jump scare, uma técnica usada para o telespectador pular da cadeira pelo susto. Inclusive, o longa consegue referenciar alguns filmes de horror, como Carrie, A Estranha (1976), O Chamado (2002), Invocação do Mal (2013) e A Morte do Demônio (1981). Em adição, a obra traz inovações, como cenas violentas, sombrias e muita magia, o que pode causar aflição, porém, como em alguns filmes do universo, não deixa o humor de lado.

Sam Raimi entrega uma direção de forma corajosa, com certeza, ele realizou um dos projetos ousados de sua carreira e do MCU. Ele trabalha o longa com primazia e mostra progressivamente mais sua ambição de trazer as referências e os componentes de terror para a trama.

[Imagem: Reprodução/ Marvel Studios]

Após o incidente envolvendo o Homem-Aranha, Doutor Estranho/ Stephen Strange percebe que perdeu o controle do multiverso e mostra que não tem como conter toda a situação. O personagem não podia ser de outro ator sem ser do Benedict Cumberbatch, mais uma vez o astro realizou um trabalho competente e com muito carisma se envolvendo em uma jornada bastante louca interpretando o Mago. 

Elizabeth Olsen entrega uma atuação excepcional como Wanda Maximoff/ Feiticeira Escarlate. Após os acontecimentos em Westview que foram mostrados em WandaVision (2021), a dor que a personagem carrega por ter perdido Visão (Paul Bettany) e seus filhos gêmeos, Billy (Julian Hilliard) e Tommy (Jett Klyne), é perceptível e não tem como ficar sensibilizado assistindo o seu sofrimento.

[Imagem: Divulgação/ Marvel Studios]

O longa apresenta uma nova personagem para o universo: America Chavez, interpretada por Xochitl Gomez, a nova heroína do MCU. A jovem heroína é introduzida de forma não muito detalhada, porém a narrativa consegue mostrar mais sobre a sua habilidade de abrir diversos portais para o multiverso.

Por fim, com efeitos especiais esplêndidos e uma pegada única, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura tem seus pontos positivos e negativos, mas é um dos filmes mais diferenciados já feitos pela MCU. O trabalho criativo de Sam Raimi não deixa a desejar e entrega sem medo um evento grandioso de deixar arrepios do começo ao fim. 

ATENÇÃO!

CRÍTICA COM SPOILERS + FINAL EXPLICADO

Embora a parte técnica, as cenas impactantes e o protagonismo e antagonismo de alguns personagens sejam positivos, na crítica com spoilers, será explicado com mais detalhes o motivo do filme ter decepcionado alguns fãs e telespectadores.

Desde diversas divulgações de teasers e trailers, os internautas questionaram-se sobre qual seria o estopim do novo longa, ao assistir o filme percebe-se que a Feiticeira Escarlate é a grande vilã de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura onde mostra o seu comportamento impiedoso e sombrio sob a influência do Darkhold. Seu arco narrativo se constrói a partir da obsessão que Wanda possuía de ter seus filhos de volta, após os acontecimentos de WandaVision, e, inclusive, na cena pós-créditos do seriado, a personagem estuda o livro Darkhold para tentar mudar de realidade e conviver com Billy e Tommy novamente. Repara-se que as histórias dos seriados do MCU, disponíveis no Disney+, começam a entrelaçar-se com as futuras produções, como o caso da série da vingadora que traz uma conexão significativa para o enredo do filme.

[Imagem: Reprodução/ Marvel Studios]

Para realizar esse feitiço, ela precisa capturar America Chavez e apanhar seu poder de se deslocar de uma realidade para outra. Toda essa perseguição começa logo na primeira cena bastante eletrizante, com a presença de Estranho Defensor, uma variante do Mago e provindo de outro universo, ajudando a personagem de Xochitl Gomez, mas ele acaba morrendo durante a batalha contra uma criatura, mandada pela Feiticeira, que tentava raptar a jovem. Contudo, Chavez consegue escapar para o mundo de Doutor Estranho.

[Imagem: Divulgação/ Marvel Studios]

Doutor Estranho descobre todo o plano da Feiticeira Escarlate e arrisca-se para salvar a vida de America. O Mago foge e passa por diversas dimensões para proteger a personagem de Xochitl Gomez, logo, várias viagens pelos universos são mostradas, em uma delas aparece o cenário de What If…?, e a passagem é visualmente fascinante e bem trabalhada. Além de conhecer novos personagens que podem levar o telespectador à loucura.

Com a viagem pelo multiverso, a Marvel não podia negligenciar a presença de algumas participações especiais que todos esperavam: o surgimento dos Illuminati. Em um outro universo, Doutor Estranho e América ficam presos em uma instituição de pesquisa e, nesse momento, o Mago é levado para conhecer o grupo de heróis, composto por Mordo (Chiwetel Ejiofor), a Capitã Carter (Hayley Atwell), o Raio Negro (Anson Mount), a Capitã Marvel (Lashana Lynch),Reed Richards (John Krasinski) de Quarteto Fantástico e a aparição de ninguém mais e ninguém menos que Professor Charles Xavier (Patrick Stewart). O aparecimento deles trouxe uma nostalgia para os fãs e foi capaz de arrancar gritos na sala de cinema.

[Imagens: Marvel Comics/ Marvel Studios]

Nesse encontro com os Illuminati, Doutor Estranho descobre que sua outra versão desse universo, Estranho Supremo, foi morta, dado que, para derrotar o Thanos, ele recorreu ao Darkhold. Mas o Mago acabou sendo sacrificado por causar uma Incursão, que é quando acontece a colisão de dois universos obliterados, causando a destruição de um ou ambos. 

Todavia, o que é bom dura pouco e esse seria um dos pontos negativos do filme que decepcionaram os fãs; o pouco tempo de tela dos Illuminati que tiveram um destino brutal causado pela Feiticeira Escarlate, essa aparição era o momento mais esperado pelo público e acabou decepcionando pela passagem quase insignificante do grupo. Mas, há a possibilidade de surgirem novamente em outros universos e serem mais desenvolvidos futuramente, visto que a Marvel Studios confirmou uma produção do Quarteto Fantástico, então é possível chegar muitas novidades em breve.

Um outro ponto que surgiu nos trailers, mas não foi tão explorado: a presença do Estranho Sinistro (Strange de Três Olhos), a expectativa de ter uma batalha grandiosa entre ele e o Doutor Estranho, na verdade, foi rápida. Contudo, os efeitos especiais são inovadores e envolviam as notas musicais juntamente com um som clássico. A versão sombria do Mago deixou um alerta: se praticar a possessão do Darkhold, pagará um preço alto.

[imagem: Reprodução/ Marvel Studios]

O tão aguardado momento do filme, no entanto, aconteceu, para quem acompanhou a série What If…?, o Doutor Estranho zumbi, usando o cadáver do Estranho Defensor. O Mago usa a magia perigosa do Darkhold e entra no corpo do Defensor para impedir a Feiticeira Escarlate de sacrificar America, essa com certeza é uma das cenas mais assustadoras e sombrias da obra. No final, quem consegue também acabar com os planos de Wanda é a personagem de Xochitl Gomez que consegue ter o controle de seus poderes.

[GIF: Reprodução/ Giphy]

América abre mais um portal e Wanda encontra seus filhos que se assustam com sua figura de feiticeira e ela percebe que sua obsessão machucou todas pessoas ao seu redor. Então, ela toma uma atitude corajosa e destrói o livro Darkhold de todos os universos para que não seja usada por ninguém, o castelo na Montanha Wundagore desmorona e a vingadora é soterrada, considerada “morta”. É impossível não ficar impactado com o destino da personagem, mas não tem como afirmar se ela voltará ou se também terá uma outra versão de Wanda futuramente, então o filme deixa essa abertura.

Após impedir Wanda de apanhar os poderes de America, Doutor Estranho volta para o seu universo e caminha pelas ruas de Nova York, porém ele acaba pagando o preço alto por ter usado a magia do Darkhold e, como resultado, aos gritos, revela seu terceiro olho se abrindo na testa. Essa cena final deixa o telespectador chocado e a espera o que acontecerá futuramente com o Mago lidando com as consequências após a prática da dominação onírica.

A primeira cena pós-créditos é um fator importante para o futuro da Marvel, Doutor Estranho é abordado pela Clea, interpretada por Charlize Theron, que o alerta sobre o ínicio de uma incursão, esse evento aconteceu devido ao herói usar a magia para possuir uma mente de outra versão, que no caso foi o cadáver do Estranho Defensor. Então, eles entram para uma outra dimensão e o terceiro olho aparece na testa do Mago. 

[Imagens: Marvel Comics/ Sunday Magazine]

A segunda cena pós-créditos faz uma referência à cena final de A Morte do Demônio II, dirigido por Sam Raimi. O diretor chamou o seu amigo Bruce Campbell, que atuou na trilogia clássica de terror, para interpretar o dono da Pizza Poppa em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. No filme, em um outro universo, o personagem de Campbell foi enfeitiçado pelo Mago para se bater por 3 semanas, após o fim da magia, ele olha para a câmera com um sorriso e falando “acabou”, que se refere ao fim do feitiço e do filme. Esse momento é apenas uma zueira com o telespectador que ficou os últimos segundos da produção.

Em conclusão, embora não tenha agradado uma parte do público e dos críticos, o filme entrega uma obra bem ousada com tons de terror bem encaixado, um introdutório do multiverso bem louco e um bom desenvolvimento dos personagens, mas o filme deixou mais tópicos em aberto e, logo, pode ser um preparativo do que estar por vir. No final, o longa promete que Doutor Estranho voltará, então uma possível sequência pode trazer mais uma jornada árdua sobre a incursão e também introduzir a maga Clea (Charlize Theron). 


Frenezi no tapete vermelho do Oscar 2022

A temporada de premiações é sempre muito esperada em diferentes ramos da arte, de música à cinema, mas principalmente os tapetes vermelhos que roubam a cena — são muitos os rostos aproveitando o momento para colocarem seus melhores e mais opulentes vestidos para as cerimônias.

De Gwyneth Paltrow no vestido rosa pálido com uma grande saia de tafetá na cerimônia de 1999, Cher usando Bob Mackie com uma coroa de penas e saia brilhante em 1986 e Gillian Anderson com calcinha a mostra em 2001, o evento rendeu alguns momentos memoráveis para a moda.

Na edição de 2022, alguns deixaram a desejar com a escolhas de figurinos — uma onda um pouco mais básica inundou a cerimônia — enquanto são esperados grandes momentos na premiação ano, mas outros…

Confira as escolhas da editoria de moda da Frenezi para os melhores looks da noite:

Izabella Ricciardi – Editora de moda 

Deixando claro como o dia que o meu favorito de toda a noite foi, sem dúvida alguma, Jada Pinkett Smith de Jean Paul Gaultier Couture Spring Summer 2022 por Glenn Martens. Apesar disso, é perceptível no tapete vermelho como um todo uma mudança interessante no vestuário das premiações. Entre os últimos anos, se gostariam de ter um grande impacto na cerimônia, a presença era marcada com uma saia bufante e enorme de tulle assinada pela Giambattista Valli, ou um Valentino assinado por Pierpaolo Piccioli.

Contudo, as silhuetas na Alta-Costura ficaram mais limpas e retas na Valentino, o tule da Giambattista nunca se renovou: talvez a estética tenha oficialmente morrido por ter sido feita diversas vezes — ou talvez porquê o vestido de Ariana Grande no Grammy de 2020 ficou tão conhecido (e era por sua vez tão grande e volumoso) que seja quase impossível fazer algo maior.

Com a estreia de Demna Gvasalia na Alta-Costura da Balenciaga no ano passado — que teve uma boa influência nos vestidos de baile — ao que parece os tapetes vermelhos deram uma virada gótica. Com os momentos de grandes e volumosos vestidos sendo agora de tafetá — amassado ou em babados — o importante é ser grande, assim como o vestido de Kendall Jenner assinado pelo próprio Demna Gvasalia, Billie Eilish de babados Gucci por Alessandro Michele e finalizando com a versão mais comercial da nova estética que conserva o formato do corpo dentro do vestido, Laverne Cox de August Getty.

Luiz Fernando Neves – Repórter de Moda

Certamente o look mais polêmico da noite, Kristen Stewart cruzou o tapete vermelho do Oscar vestindo um conjuntinho de terno e shorts da Chanel, marca que a atriz mantém uma parceria há anos. O look pode até incomodar a primeira vista, mas o fato é que ninguém além de Kristen conseguiria segurar esse visual. A atriz, que declarou recentemente que “não liga a mínima” para a premiação, soube traduzir perfeitamente sua alma e estilo através da composição, sendo coerente com quem ela é — e, de quebra, ainda fez história: foi a primeira pessoa a vestir shorts na história do prêmio.

Kristen Stewart de Chanel (Foto: Reprodução / Vogue)

Julia Ferreira – Repórter de Moda

Dessa vez Hunter Schafer se afastou do seu guarda roupa à la Prada e apostou no universo gótico e pós apocalíptico de Rick Owens da coleção de Outono/Inverno 2022. A modelo/atriz se aventura em um vestido de gala de jeans manchado com costas à mostra e o cabelo molhado repartido ao meio, roubando assim os holofotes do tapete vermelho da after party da Vanity Fair.

Maria Fernanda Rocino – Repórter de Moda

Dakota Johnson de Gucci por Alessandro Michele foi um dos grandes momentos. Não só pelo look exuberante, mas pela escolha de usar no Oscar um look de uma coleção inteira dedicada à Hollywood.

Liz Bichara – Repórter de Moda

Timothée Chalamet surpreendeu, mais uma vez, ao usar Louis Vuitton para a premiação do Oscar. O astro de Duna — filme mais premiado da noite — apostou em um blazer cropped de renda, sem camisa, desfilado na coleção Primavera/Verão 2022 de womenswear.

Mirelle Carvalho – Repórter de Moda

Enquanto diversos artistas buscaram continuar em sua zona de conforto apostando em vestidos básicos convencionais e talvez nada dignos de um tapete vermelho do Oscar, Jada Pinkett Smith escolheu nada mais nada menos que um dos vestidos mais comentados da última coleção de Primavera/Verão Alta-Costura 22 da Jean Paul Gaultier, assinada por Glenn Martens. Acontece que, apesar de o vestido não ser sustentável para todos que possivelmente possam escolhê-lo, parece ter sido desenhado para Jada, que consequentemente sustentou lindamente o look escolhido e arrancou suspiros por onde passou, se consagrando como uma das possíveis personalidades mais bem vestidas da noite.

Jada Pinkett Smith de Jean Paul Gaultier (Foto: Reprodução/ Celeb Mafia)

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A história do Oscar

Neste domingo, 27 de março, a 94ª edição do Oscar, a premiação de cinema mais famosa que existe, aconteceu em Los Angeles, nos Estados Unidos, no tradicional Dolby Theatre. O evento anual é apresentado por uma organização profissional sem fins lucrativos, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, onde os melhores filmes do ano são homenageados. A Academia, sediada em Beverly Hills, foi fundada em 11 de maio de 1927 e teve sua primeira cerimônia realizada em 1929. Hoje, o Oscar é um evento multimilionário transmitido ao vivo pela televisão para mais de 200 países, tornando-se assim um dos maiores eventos midiáticos do mundo.

Louis B. Mayer, um dos fundadores da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), criou a Academia, porém, um dos principais atores norte-americanos do começo do século XX, Douglas Fairbanks, foi eleito o primeiro presidente da associação. Assim, em 16 de maio de 1929, à noite, membros da Academia e 270 convidados, encheram o Blossom Room por somente 20 minutos, no Hotel Roosevelt, para honrar as realizações cinematográficas mais proeminentes de 1927 e 1928.

Apesar da extrema crise econômica causada pela queda da bolsa de valores de Nova York, que deu inicio à Grande Depressão, a indústria cinematográfica passava por uma mudança dramática na época ao introduzir som pela primeira vez em um filme, O Cantor de Jazz (1927). Nesse momento, a indústria gozava de várias produções que movimentaram o evento, porém filmes sonoros de muito sucesso – que lançaram antes do primeiro Oscar – não foram considerados, porque foi visto como injusto compará-los a filmes mudos.

O primeiro vencedor do Oscar foi o ator suíço Emil Jannings, que ganhou o prêmio de Melhor Ator por seus papéis em dois filmes mudos, O Último Comando (1928) e O Caminho de Toda a Carne (1927). O romance Asas (1927), dirigido por William A. Wellmen e ambientado durante a Primeira Guerra Mundial, ganhou o primeiro Oscar de Melhor Filme.

Emil Jannings, nome artístico de Theodor Friedrich Emil Janenz [Imagem: Reprodução/Correio Braziliense]

Uma estatueta dourada do Oscar é uma conquista sublime na carreira de cada diretor, ator ou atriz, compositor ou qualquer outra pessoa envolvida no processo de criação de um filme. O cobiçado troféu tem 34 cm de altura e é revestido com uma fina camada de ouro de 24 quilates, enquanto seu peso de 3,8 kg vem de seu interior de bronze maciço.

Em 1927, Cedric Gibbons, diretor de arte da MGM, projetou o gráfico que serviria de base para a estatueta: um cavaleiro em pé segurando uma espada de modo protetor na frente de um rolo de filme com cinco raios. O rolo simbolizava a indústria cinematográfica e os raios representavam os cinco ramos originais da Academia.

No ano seguinte, Gibbons designou o escultor George Stanley para realizar seu projeto e desde então o design não sofreu mudanças significativas até hoje, nos mais de 90 anos em que já foi entregue, apenas durante a escassez de metal na Segunda Guerra Mundial, quando as estatuetas foram feitas de gesso pintado com tinta dourada. Após o conflito, o gesso foi trocado por metal banhado a ouro, que é como conhecemos hoje a estatueta do Oscar.

As estatuetas do Oscar nos bastidores durante a entrega do troféu em 28 de fevereiro de 2016 [Imagem: Reprodução/The Hill]

Segundo o jornal NY Post, desde que a primeira premiação aconteceu, mais de 80 Oscars foram roubados ou perdidos. Apenas 11 deles nunca foram encontrados – a maior parte das estatuetas foi achada em lixeiras ou catálogos de leilões, retornando para seus vencedores. O maior roubo da história do Oscar ocorreu em 2000, quando uma encomenda com 55 pequenas estátuas ainda não preenchidas com o nome de seus vencedores foi roubada por funcionários da empresa que transportava os prêmios de Chicago à Califórnia.

As origens do nome da estatueta são incertas, mas uma história popular diz que a diretora executiva Margaret Herrick pensou que a estátua se parecia com seu tio Oscar e então a equipe começou a chamar a o prêmio assim. Outra versão diz que a atriz Bette Davis o teria apelidado assim, dado a semelhança da estatueta com seu primeiro marido, Harmon Oscar Nelson. De qualquer maneira, até hoje esse apelido é o nome pelo qual o Prêmio da Academia é conhecido mundialmente.

Em 1953, o Oscar passou a ser uma atração televisionado e, a partir disso, ganhou cada vez mais projeção e status. Atualmente, o evento é transmitido ao vivo para diversos países, mas a Academia sempre está se equilibrando na corda bamba que é manter bons números de audiência. Assim sendo, a Academia está constantemente em busca de entregar modificações que garantam o interesse na premiação, principalmente aos expectadores mais jovens, como por exemplo o acréscimo de categorias, como a de Melhor Filme Estrangeiro visando a internacionalização do prêmio, e as aguardadas apresentações musicais.

Lady Gaga e Bradley Cooper foram o assunto do Oscar de 2019 após fazerem apresentação emocionante no palco da premiação [Imagem: Reprodução/G1]

Em 2019, a audiência do Oscar, somente nos Estados Unidos, atingiu quase 30 milhões de espectadores. A cerimônia de 1998 ainda mantém o recorde da maior audiência da História dos Prêmios da Academia, na qual foi registrado que 57 milhões de pessoas assistiram ao evento.

Os filmes nomeados para concorrer, assim como a escolha dos vencedores do prêmio, são decididos pelos membros da Academia. Na primeira cerimônia do Oscar, apenas 26 membros compunham a Academia. Hoje, presume-se que o número de membros seja de cerca de 8500 pessoas, mas apenas duas categorias são abertas ao voto de todos: Melhor Filme e Melhor Filme Estrangeiro. As demais categorias necessitam de exímio conhecimento para que haja uma avaliação mais crítica, como por exemplo na categoria Melhor Documentário.

Embora a primeira cerimônia do Oscar tenha acontecido no final da década de 1920, muitas mudanças só aconteceram recentemente, como a composição dos membros da Academia. A indignação generalizada do público para que a Academia diversificasse sua composição de homens brancos e velhos e incluísse mais jovens, mais mulheres e mais pessoas de cor repercutiu-se e, felizmente, mostrou resultado nos últimos anos. Até 2012, as estatísticas revelavam que 94% dos membros da Academia eram brancos, 77% eram homens e mais de 50% tinham idade superior a 60 anos.

O procedimento de premiação também mudou. No primeiro Oscar, os convidados já sabiam quem eram os vencedores e, além disso, desembolsaram cinco dólares para possuir o privilégio de participar da cerimônia. No entanto, no próximo ano, a Academia decidiu criar uma sensação de suspense e, em vez disso, enviou de antemão uma lista dos vencedores aos jornais, com publicação embargada até às 23h da noite da cerimônia.

Esse sistema permaneceu em vigor pelos por 10 anos, mas em 1940, o jornal Los Angeles Times, popularmente referido como Times ou LA Times, quebrou o embargo e anunciou os vencedores em sua edição noturna, o que significa que os indicados descobriram seu destino antes de comparecer ao evento. Por isso, em 1941, o sistema do famoso envelope lacrado foi finalmente introduzido e os resultados tornaram-se um segredo bem guardado.

O método do envelope funcionou muito bem até 2017, quando uma confusão nos bastidores causou um embaraçoso anúncio falso: o musical La La Land: Cantando Estações (2016) foi erroneamente declarado como Melhor Filme. Apenas após a intervenção dos organizadores, o prêmio foi entregue para o vencedor correto, a equipe criativa por trás do drama Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016).

Momento histórico da gafe do Oscar de 2017 em que os envelopes de Emma Stone e Moonlight foram trocados [Imagem: Reprodução/Observador]

No decurso dos 90 anos de história do Oscar, algumas produções e artistas do Brasil concorreram em várias categorias. A última vez aconteceu em 2020, quando Democracia em Vertigem (2019), dirigido por Petra Costa, concorreu na categoria Melhor Documentário. Entretanto, antes disso, O Pagador de Promessas (1963), O Quatrilho (1996), O que é isso, Companheiro? (1998) e Central do Brasil (1998) já disputaram na categoria Melhor Filme Estrangeiro.

Cidade de Deus (2004) e O Beijo da Mulher-Aranha (1986) receberam quatro indicações cada um. Contudo, o momento mais memorável para o país provavelmente fora a indicação de Fernanda Montenegro, em 1999, como Melhor Atriz, por Central do Brasil (1998), mesmo que a vencedora tenha sido a atriz Gwyneth Paltrow, por sua atuação em Shakespeare Apaixonado (1998).

A cerimônia do Oscar de 2022 não fugiu das mudanças trazidas pela pandemia de coronavírus, do domínio das mídias sociais, do decréscimo de consumo da televisão (graças em parte às mídias sociais), do surgimento de plataformas de streaming de grande sucesso e da cultura do binge-watching. Entretanto, a Academia, assim como a indústria cinematográfica que o Oscar celebra anualmente, foi resiliente e primorosa em readaptar-se de acordo com a necessidade do momento.

O Prêmio da Academia retornou ao Dolby Theatre após uma cerimônia reduzida no ano passado com convidados que respeitavam o distanciamento social e medidas de proteção, sem a presença do público. Neste ano, o evento não teve mais uma vez a presença do público, mas teve a presença exclusiva dos indicados e de seus acompanhantes e, pela primeira vez na história, um trio feminino comandou a cerimônia: Regina Hall, Amy Schumer e Wanda Sykes. Ademais, o Oscar não tinha anfitriões desde 2018, quando Jimmy Kimmel exerceu a função – as atrizes de Descompensada, Família Upshaw e Todo Mundo em Pânico retomaram à tradição após quatro anos.

Quem foi Edith Head?

Edith Head, nascida em 28 de outubro de 1897, foi uma das mais ilustres e influentes estilistas na história do cinema , ajudando a definir o estilo de uma Hollywood na sua Era de Ouro. Em  seu repertório, que se estende por cinco décadas e mais de 1000 filmes, dentre diversas conquistas, reúne o recorde de oito estatuetas no Oscar por Melhor Figurino.

Pré-Hollywood

Edith nasceu em São Bernardino, Califórnia, filha de pais judeus Max Posener e Anna E. Levy. O casamento de seus pais não sobreviveu e quando Anna voltou a se casar, dessa vez com o católico engenheiro de minas Frank Spare, Edith tornou-se adepta do catolicismo. Durante a infância, sua a família mudava-se frequentemente, à medida que os trabalhos de seu padrasto mudavam e por conta disso, mais tarde, Head só conseguia se recordar de um dos lugares onde viveu quando jovem, Searchlight, Nevada.

Apesar de ter se formado com honras em Letras na Universidade da Califórnia em 1919 e no ano seguinte conquistado um mestrado em Línguas Românticas da Universidade de Stanford, Edith sempre foi muito interessada em design.

Procurando aumentar o seu salário como professora na Bishop’s School, ela se ofereceu como professora de artes, mesmo sem ter domínio completo de suas capacidades artísticas. Para compensar por essa falta, Head frequentou a Otis Art Institute e a Chouinard Art College no período noturno.

[Imagem: Getty Images]

“You can have anything in life if you dress for it”

Incrivelmente, pouco tempo depois Edith Head foi contratada como sketch artist, a trabalhar sob Howard Greer, figurinista principal na Paramount Pictures, lá ela permaneceu durante 43 anos. Mais tarde ela admitiu ter pegado “emprestado” alguns dos desenhos dos seus colegas para sua entrevista de emprego.

No início ela produziu trajes para filmes mudos, mas já na década de 1930 ela era considerada uma das mais importantes figurinistas em Hollywood. A princípio Head foi ofuscada pelos estilistas principais do estúdio, Howard Greer e depois Travis Banton, entretanto Edith foi instrumental na conspiração contra Banton que por conta do seu alcoolismo foi demitido, assim ela foi de assistente para Designer Principal.

Durante o tempo em que trabalhou para a Paramount Studios, Edith Head chamou a atenção do público com um vestido de pele de visom para a Ginger Rogers em A Mulher Que Não Sabia Amar (1944), estimado em 35 milhões de dólares, que é considerado um dos figurinos mais caros já feitos.

[Imagem: Shutterstock]

Já em 1949, com a criação da categoria de Melhor Figurino no Oscar seu nome ficou ainda mais conhecido, a estilista alcançou mais de 30 indicações e ganhou oito delas, a começar por A Valsa do Imperador (1948).

Head era a favorita de muitas estrelas femininas da época como Tippie Hedren, Audrey Hepburn, Elizabeth Taylor, entre outros. Ela se destacava por manter ótimas relações com os atores que vestia, além de consultá-los extensivamente. Grace Kelly foi uma de suas parcerias favoritas, vestindo-a em quatro filmes diferentes, um dos seus looks icônicos é, por exemplo, o vestido azul em Ladrão de Casaca (1955) de Alfred Hitchcock.

[Imagem: Academy Film Archive]

Tornou-se uma personalidade reconhecível, por conta d seu estilo pessoal diferenciado e por sua personalidade sincera que inspirou a personagem Edna Moda de Os Incríveis (2004) e Os Incríveis 2 (2018). O visual de Edith era sempre simples e icônico. A estilista tinha uma preferência por óculos de armação grossa, tons neutros e peças conservadoras não apenas por se sentir bem, mas também para não tirar o foco de suas estrelas durante as provas de roupa.

[Gif: Tenor/Pixar]

Além de seus trabalhos principais, Edith ainda encontrou tempo em 1959 e 1967 para reaplicar o seu conhecimento em letras escrevendo os livros The Dress Doctor e How to Dress for Success, respectivamente.

Da Paramount para a Universal

Em 1967, possivelmente por influência de Alfred Hitchcock com já havia assinado as peças de 11 filmes, Edith Head iniciou um novo contrato com a Universal Studios trabalhou até seus últimos dias em 1981. 

Apesar de ainda ser muito admirada, a Hollywood dos anos 1940-50 já não era a mesma na década de 1970, Edith então passou a dar mais atenção a TV onde fez, por exemplo, o guarda roupa de Endora da série A Feiticeira.

Em 1974 a figurinista foi reconhecida por Hollywood e ganhou a sua estrela na calçada da fama. No mesmo ano ela recebeu seu último Oscar por seu trabalho em Golpe de Mestre (1973).

[Imagem: Everett]

Edith Head, não teve filhos e foi casada primeiramente com Charles Head, de 1925 até 1936, depois de se divorciar manteve o nome pelo qual ficou conhecida e só casou-se novamente em 1940 com Wiard Ihnen. Seu segundo casamento duraria até a morte dele em 1979. Até que quatro dias antes de seu aniversário e 24 de outubro de 1981 ela faleceu, vítima de uma doença na medula óssea.

[Imagem: Academy Film Archive]

Ainda que muito associada hoje em dia à personagem Edna Moda, Edith Head foi conhecida pela versatilidade de seus designs, entregando desde simplicidade e elegância até trajes excêntricos e chamativos, todos memoráveis na sua própria maneira. 

A queridinha das queridinhas de Hollywood é capaz de trabalhar até com os atores mais temperamentais. A “rainha dos figurinos” segue sendo um exemplo até os dias de hoje, não apenas por sua visão artística, mas por sua total determinação pelo sucesso e uma capacidade empática que permitia simultaneamente a expressividade nos seus designs, segurança aos seus atores e confiança dos seus diretores.

[CRÍTICA] ‘O Beco do Pesadelo’: A Reflexão de Del Toro Sobre os Limites da Ganância Humana

Após quatro anos do sucesso de seu último filme A Forma da Água (2018) o diretor mexicano Guillermo Del Toro volta à Holywood com um remake do filme de 1947 Nightmare Alley (aqui no Brasil com o nome O Beco das Almas Perdidas), e os fãs do diretor puderam checar em primeira mão a interpretação do mexicano sobre o clássico. 

Filme De Guillermo Del Toro Sobre O Beco Do Pesadelo Ganha Nova Data De  Lançamento - DESIGNE
Poster do filme de 1947 que no Brasil chegou com o título Beco das Almas Perdidas

A história, que trata-se de uma adaptação do livro homônimo de William Lindsay Gresham, segue Stanton Carlisle (Bradley Cooper) um jovem atormentado por um passado obscuro que se junta a um circo para trabalhar como ajudante. Sempre observador, prestativo e com certa pose de bom moço, Stan conquista seus colegas de circo, principalmente o casal de mentalistas Zeena (Toni Collette) e Pete (David Strathairn), que logo lhe passam todos os conhecimentos que utilizam em seu show de adivinhação baseado no charlatanismo. 

Apaixonado pela colega de circo, Molly (Rooney Mara), e almejando crescer na vida e proporcionar uma melhor condição à ele e sua amada, o ambicioso Stan logo percebe que os truques de Zeena e Pete podem ser utilizados a seu favor e convence Molly a sair do circo rumo a Nova York, onde passa a aplicar golpes como falso clarividente para a elite local. Sua cobiça aumenta quando conhece a psicanalista Lilith Ritter (Cate Blanchett), uma mulher tão ambiciosa quanto Stanton. Ambos começam a trabalhar juntos para aplicar um golpe em um magnata da cidade, até que as coisas começam a dar errado para o anti herói.  

O Beco do Pesadelo" assume clima de terror em novos trailers
Staton em um de seus shows de falsa clarividência / Imagem Divulgação

Um clássico conto de Ícaro, que narra a ascensão e queda de um personagem, O Beco do Pesadelo pode surpreender o espectador que chega aos cinemas esperando um terror fantasioso (devido ao nome do título), ao melhor estilo do diretor mexicano, mas se depara com um suspense noir dramático e reflexivo, que tem em seu cerne uma fábula sobre os limites da ganância humana ao trazer a história de um jovem atormentado, mas ganancioso e cego que toma escolhas duvidosas em busca da grandeza e de distanciar-se de um passado traumático. Del Toro (que co-escreveu o roteiro em parceria com Kim Morgan) traz em seu filme um verdadeiro conto moral sobre a personalidade humana de forma subjetiva, diferentemente do literalismo de suas outras obras, onde a monstruosidade humana era sempre mostrada na forma de criaturas e universos fantásticos. 

Apesar da surpresa pelo nome do título, o roteiro é um pouco previsível, sendo possível entender nos primeiros segundos que muitas das ações do protagonista se pautam em seu passado misterioso e profundo. E logo quando os primeiros passos do plano de Stan e os traços de sua personalidade passam a aparecer na tela torna-se previsível qual será o final de sua jornada. Fato que não é de todo ruim, já que é o caminho para sua ruína que prende o espectador e o atrai pelo absurdo da história.

Seu desenvolvimento é lento e gradual, repleto de contextualizações e ambientações, o que faz com que suas duas horas e meia de duração, divididas em três atos claros,  pareçam longuíssimas. Apesar da lentidão da trama e da extensa duração – desnecessariamente longo vale pontuar – O Beco do Pesadelo é um bom filme, mas que exige certa dose de paciência que talvez não seja do agrado de muitos espectadores acostumados aos filmes frenéticos e cheios de viradas rápidas de mesa dos heróis da Marvel. Uma jogada audaciosa do diretor mexicano e de sua equipe de produção, que optaram por trazer uma narrativa gradual em tempos de cinema frenético.

O elenco conta com, além de Bradley Cooper interpretando o protagonista, Cate Blanchett, Rooney Mara, Toni Collette, David Strathairn, Willem Dafoe, Richard Jenkins e outros nomes de peso. Bradley Cooper conquista entregando uma boa (apesar de não ser sua melhor) atuação para o vigarista sem escrúpulos, porém profundo, Stanton Carlisle e Cate Blanchett encarna de forma brilhante a personalização da figura de femme fatale – elemento importado das produções noir dos anos 40 – em sua doutora Lilith. A atriz domina as cenas e atrai os olhares na tela, apesar do protagonismo ultra centrado em Bradley Cooper, que atrapalha, de certa forma, o desenvolvimento de sua personagem e dos demais. A química entre ambos funciona e dá corpo à narrativa do segundo e terceiro atos. Willem Dafoe, ainda que apareça em pequenas participações, trás um excelente Cleim, já Rooney Mara e sua ingênua Molly não impressionam, talvez pelo fraco desenvolvimento da personagem.  

O Beco do Pesadelo' tem elenco rico e Del Toro de volta à sua boa forma -  26/01/2022 - Ilustrada - Folha
Rooney Mara e Bradley Cooper contracenando em O Beco do Pesadelo (2022) / Imagem Divulgação

Assim como seus demais longas, o filme segue a primazia pela direção de arte e fotografia, parte da assinatura do diretor e elemento que cria grandes expectativas em torno de suas obras. Guillermo Del Toro sempre foi conhecido por seus filmes esteticamente belos que flertam com o fantástico e preenchem o imaginário da audiência. O mexicano sempre foi excelente em contar histórias através de elementos imagéticos (como a cenografia, o figurino e a direção de arte como um todo) abusando dos recursos cinematográficos, e apesar de diferente, sem todo o exagero fantasioso clássico dos filmes do diretor, O Beco do Pesadelo não perde seu charme e o apelo estético característico de seus trabalhos. 

Del Toro é preciso, trazendo ao filme a atmosfera noir que pede a história através de jogos de câmeras, luz e sombra e ambiguidades que fazem alusão ao gênero, pincelando as cores da história com tons mais escuros de azul, dourado e leves acinzentados à medida que a trajetória de Stan muda de ambiente. 

As cenas iniciais do longa já trazem toda a atmosfera noir que perdura durante todo o filme, resultando em uma primeira impressão chocante à audiência que já está acostumada com a estética do diretor. Logo nos primeiros momentos o personagem de Bradley Cooper é rodeado por um cenário repleto de sombras e escuridão, de seu rosto pouco se vê, e Stan passa os primeiros minutos do longa sem dizer nenhuma palavra. É clara, a partir daí, a homenagem do diretor aos personagens masculinos clássicos de filmes do gênero: misteriosos e sombrios.

O figurino do filme, seguindo a premissa, entrega uma verdadeira ode aos clássicos noir dos anos 1940, sem perder a assinatura e identidade visual características de seus antigos trabalhos, principalmente nos figurinos de circo.

Staton Carlisle se veste como o clássico vigarista da década de 40, utilizando até mesmo o indispensável chapéu cobrindo parte de seu rosto. Já Cate Blanchett foi vestida como a própria femme fatale, com direito a vestidos pretos sensuais e batom vermelho.   

O Beco do Pesadelo” é uma produção sofisticada, mas com desenvolvimento  raso | Crítica
Bradley Cooper e Cate Blanchett como Stanton Carlisle e Lilith Ritter: homenagem ao cinema noir é vista também no figurino /Imagem Divulgação

Mesmo com tal mudança estética palpável, continua sendo um belíssimo filme aos olhos, ainda que o caráter fantástico do diretor esteja menos acentuado e mais diluído, aparecendo em poucos momentos da trama. É justamente nos primeiros momentos do longa, quando Carlisle ainda é um ajudante de circo, onde a assinatura visual do diretor mais aparece. As atrações apresentadas, os figurinos dos colegas de circo e toda a ambientação cenográfica se aproximam muito daquilo que vemos em seus antigos trabalhos.

Em um de seus primeiros momentos no circo, quando o “geek” (pessoa, geralmente usuária de drogas, que é capturada pelo circense para ser utilizada como atração) de Cleim (Willem Dafoe) foge de sua jaula e Stan, ajudando a caçá-lo, acaba por entrar em uma das atrações do circo é onde é possível enxergar aquilo que estamos acostumados a ver de Del Toro, ainda que permeado por uma atmosfera noir muito mais sombria.   

Bradley Cooper em cena da caçada ao “geek” em O Beco do Pesadelo (2022) /Imagem Divulgação

Em suma, O Beco do Pesadelo trata-se de um suspense e drama soturno ao melhor estilo noir e foge em partes das características que deram fama à Del Toro. Desta vez, o fantástico que ele sempre busca retratar não é tão presente – como se pode ver em suas criaturas em O Labirinto do Fauno (2006) e A Forma da Água – mas sim trata-se de uma abordagem mais realista e sutil do seu universo fantasioso. O diretor, no entanto, não perde o lado moral de contar as suas histórias, sempre trazendo à tela uma fábula que gera reflexão ao seu final, porém, desta vez, o filme possui um viés mais pessimista – seguindo a característica noir da trama – e um pouco mais escancarado e obscuro do que suas antigas histórias. 

O longa talvez não seja o melhor trabalho do diretor mexicano, mas é um de seus mais ambiciosos. Del Toro tentou sair de sua zona de conforto, e apesar de não ser brilhante, sua mais nova empreitada tem, no geral, um saldo positivo. 

Mesmo que cansativo e um pouco previsível O Beco do Pesadelo é um filme que vale a pena ser assistido. Até porque, fábulas morais que refletem sobre as facetas da personalidade humana são sempre bem vindas no cinema, e o longa de Del Toro endossa a importância de se utilizar de contos morais para propor a reflexão de até onde o mal caratismo humano pode chegar. E porque não fazer essa reflexão em um filme belo e primoroso que flerta com o fantasioso e o obscuro e que está nas mãos de um dos melhores diretores em atividade na atualidade? Só por esta razão, não há motivos para não vê-lo. 

Confira o trailer:

Séries que se prolongam demais

Algumas produções são marcadas por apresentarem diversas temporadas de vários episódios, o que gera uma eterna discussão entre a audiência: alguns espectadores amam quando são renovadas, enquanto outros esperam um final digno para séries que muitas vezes já esgotaram a sua trama. A audiência fiel e a vontade dos atores em continuar com o projeto são algumas das razões pelas quais séries que já chegaram ao seu limite continuam sendo renovadas.

Portanto, pensando nessa premissa aqui na Frenezi listamos 5 séries que se prolongaram demais, umas que ainda estão em exibição e outras que já foram finalizadas. Lembrando que esta matéria trata-se do ponto de vista da editoria.

Grey´s Anatomy (2005 – presente)

[Imagem: Divulgação/ ABC Studios]

Criada por Shonda Rhimes e estrelada por Ellen Pompeo, a série médica é talvez o maior exemplo quando se fala sobre esse tema. Grey’s – como é carinhosamente chamada pelos fãs – possui 17 temporadas e, em cada episódio, os médicos internos e residentes lidam com diversos casos ao longo do expediente no Grey Sloan Memorial Hospital/Seattle Grace Hospital.

A 18ª temporada já tem data de estreia para fevereiro de 2022 e, recentemente, a ABC renovou oficialmente a série para sua 19ª temporada com estreia prevista somente para 2023, portanto, a série de drama médico norte-americana está longe de acabar no momento.

É inegável que Grey´s Anatomy bate diversos recordes de audiência, e que, apesar da longa maratona, a série ainda possui fãs fiéis que ano após ano continuam acompanhando Meredith Grey e seus colegas em seus dramas profissionais e pessoais.

Mas uma boa base de fãs não necessariamente significa que Grey’s continue com uma trama coerente e aceitável. Nos seus primeiros anos, quando Shonda ainda estava sob comando da série, Grey’s era um drama médico promissor, que se destacava dos demais pelas boas atuações e personagens cativantes facilmente relacionáveis com o público. Mas os anos passaram, e seja por confusões no set que resultaram em demissões ou a debandada de atores -e da própria criadora da série! – para outros projetos, Grey’s já perdeu praticamente todo o seu elenco original e a história já ficou sem sentido há uns bons anos. 
É até doloroso ver a dificuldade dos roteiristas em criar mais histórias para a série que já caminhou para todas as alternativas – e mortes – possíveis (até acidente de avião já teve!)  O que resta aos fãs sensatos de Grey’s Anatomy, que desejam um fim digno para sua série favorita, é a pergunta: o que mais há para contar? Ou melhor, quem mais pode morrer?

Supernatural (2005 – 2020)

[Imagem: Divulgação/ CW]

Após 15 anos de exibição, Supernatural chegou ao fim depois de 15 temporadas. A produção acompanha a história dos irmãos Winchester, Sam (Jared Padalecki) e Dean (Jensen Ackles) que investigam criaturas sobrenaturais pelo mundo. Criada por Eric Kripke, a série foi  pensada inicialmente para se estender até a 5ª temporada onde seria finalizado o enredo principal. 

No entanto, devido ao sucesso da série a The CW decidiu ampliá-la para mais temporadas, mas a partir da sexta temporada, quando Kripke deixou o seriado, a  produção passou pela mão de 4 showrunners, Sera Gamble, Jeremy Carver, Andrew Dabb e Robert Singer. Essa troca mostra que a série podia ter sido finalizada no momento certo, após a saída de Kripke.

Supernatural é um excelente exemplo do que a ganância dos produtores hollywoodianos pode fazer. Eric Kripke idealizou um seriado coeso, com trama fechada que duraria 5 anos. Os irmãos Winchester terminariam sua trajetória de forma brilhante, até porque todos os fãs de Supernatural sabem, a 5ª temporada foi a melhor temporada da série e o arco do Apocalipse foi o mais bem trabalhado. No entanto, a CW tinha uma mina de ouro em mãos e resolveu explorá-la até o fim, foi aí que os irmãos Winchester se perderam em sua história e os roteiristas ficaram sem criaturas mágicas novas para criar, ou vai dizer que ninguém se cansava daqueles monstros que eram para estar mortos retornando num looping eterno? 

Por fim, não foi nada fácil para a equipe de Supernatural nas gravações da última temporada. Assim como aconteceu nas outras produções, ela também foi uma das afetadas pela pandemia da COVID-19 e acabou sofrendo alterações no roteiro para que as filmagens pudessem acontecer com segurança, outro sinal que a CW ignorou para terminar a série logo.

Os Simpsons (1989 – presente)

[Imagem: Divulgação/ Fox Channel]

Não tem como falar do tema e não deixar de comentar de Os Simpsons, o sitcom possui 33 temporadas e também parece que está longe de acabar. Em 2016, após ter sido renovada para sua 30° temporada, o seriado se tornou o mais longo da história.

O sitcom acompanha uma família de classe média americana e já passou por vários produtores, como Matt Groening, James L. Brooks, Sam Simon, Mike Reiss, David Mirkin, Bill Oakley, Josh Weinstein, Mike Scully e, atualmente, quem está no comando é Al Jean. 

Não há fórmula mágica, e se depender dos produtores, Os Simpsons não tem data para acabar. Um dos motivos para argumentar contra seu fim seria o de que a série fala sobre a humanidade e tudo o que está acontecendo no mundo. O seriado até mesmo ficou famoso por eventualmente prever alguns acontecimentos e chocar os espectadores, se tornando uma curiosidade para o público – o que pode ser um pouco assustador. Logo, sua trama parece eterna já que se baseia de forma bem humorada em tudo que os humanos podem fazer.

No entanto, o humor da série parece estar perdendo seu timing e sua graça. É fato que Os Simpsons foi a série que influenciou e abriu as portas para todas as outras comédias de animações adultas atuais como: Futurama, Ricky and Morty dentre outras. Mas os tempos são outros, e a forma de se fazer humor mudou e Os Simpsons não acompanhou essa mudança, fato que a transformou, infelizmente, no tio velho que faz a piada do pavê: é sem graça, mas todo mundo ri por educação.  

Doctor Who (1963 – presente)

[Imagem: Divulgação/ BBC]

Produzida pela BBC, a série de ficção científica é a que a está mais tempo no ar na televisão.  A trama, acompanha um alienígena do planeta Gallifrey, chamado apenas de Doctor, que viaja em uma nave através do tempo junto de seus companheiros. 

Na época das primeiras temporadas de Doctor Who, o astro William Hartnell adoeceu gravemente, então para substituí-lo, os produtores decidiram introduzir o conceito “regeneração” em 1966, ano em que o ator parou de interpretar Doctor. Portanto, passaram 13 atores no total, com idades e características distintas, sendo o último doctor da série, Jodie Whittaker, a primeira mulher a assumir o papel em 2018. 

Entre os anos 1963 e 1989, o seriado apresentou 26 temporadas, então, em 1989, a BBC suspendeu Doctor Who. A produção voltou do hiato em 2005, e ampliou sua história para mais 13 temporadas,  atualmente em exibição. O seriado consegue ser surrealista e realista simultaneamente, em razão que, em um episódio, os personagens estão no espaço lutando com os alienígenas e, no próximo, apresenta um conto de romance voltando ao passado e apresentado personalidades históricas reais como Shakespeare e Agatha Christie. O telespectador nunca sabe o que esperar e é surpreendido com o lançamento de cada capítulo.

Ademais, por retratar de viagem no tempo, Doctor Who consegue abordar assuntos importantes, como preconceito racial, misoginia, religião e diversas culturas. E o papel de Doctor é sempre solucionar estes problemas da humanidade, pois o protagonista acredita na humanidade e faz da vida dele ter bastante sentido. 

Porém, apesar da premissa interessante e da entrada de Jodie como a nova Doctor ter elevado a audiência da série em seu primeiro ano como a personagem, Doctor Who tem sofrido grandes quedas de audiência, o que nos leva a questionar: a série está há mais de 50 anos em exibição, não é hora da BBC dar espaço para novas histórias?    

The Walking Dead (2010 – presente)

[Imagem: Divulgação/ AMC Networks]

A audiência do seriado foi uma montanha-russa durante a exibição. The Walking Dead  foi bastante aclamada pelas crítica e pelo público, inclusive, a estreia da quinta temporada quebrou recordes de audiência e um dos episódios foi um dos mais assistidos da televisão paga americana. É inegável que a produção possui uma legião de fãs que lotam Comic Cons, compram os diversos produtos derivados da série e elevam a audiência dos spin-offs. O grande destaque e diferencial da série em relação a outras produções do gênero, é que a obra não é sobre, apenas, os ataques dos zumbis, na verdade, seu enfoque é mostrar a relação entre os sobreviventes. O que fazia a audiência se afeiçoar aos protagonistas e  os fãs ficarem receosos e torcerem para que alguns dos personagens sobrevivessem.

Apesar da série ter tido ou ainda ter protagonistas que cativam cada vez mais o público e que, frequentemente, possuem torcida. A produção perdeu o sentido a partir da sexta temporada,  com a chegada do vilão Negan (Jeffrey Dean Morgan), as mortes – sem sentido – de determinados personagens importantes e também o desaparecimento de Rick – o antigo líder do grupo de sobreviventes e um dos queridos pelos fãs – afetou a audiência do programa, assim como mostra a curva decrescente do gráfico feito pelo Broadband Choices

A trama, que sempre se caracterizou por ser menos dinâmica do que a maioria das séries, ficou praticamente parada, com pouco ou nenhum desenvolvimento. Por duas temporadas inteiras nada acontecia em The Walking Dead, e o costumeiro sentimento de tragédia iminente que acompanhava o espectador desde a 1ª temporada, deu lugar a um verdadeiro “tanto faz”, onde não importava o que acontecia nada parecia suficientemente bom ou interessante para fazer a audiência se preocupar com o futuro de seus personagens. 

O seriado, no entanto, deu a volta por cima e teve um aumento do número de espectadores a partir da segunda metade da nona temporada, após a troca de showrunners e de apresentar um salto temporal de 6 anos na trama com um novo arco narrativo – já que qualquer nova trama seria mais interessante do que o arco seguido por torturantes duas temporadas. A última temporada ainda está em exibição e termina este ano, podendo ainda dar a The Walking Dead um final mais ou menos digno, deixando caminho livre para que as séries (e possível filme) derivadas da trama tomem seu lugar.

Quando se trata sobre o prolongamento dos seriados, nota-se que existem diversos fatores para as emissoras decidirem renovar várias temporadas, como foram apresentadas na matéria. O enredo prende o telespectador, os personagens cativam, o cuidado e o aperfeiçoamento no trabalho dos efeitos especiais, nas atuações e na ambientação. Portanto, trabalhar mais uma temporada é um grande desafio para toda a equipe da produção para entregar mais um projeto aprimorado e irrepreensível.