[Crítica] Dawn FM, parte da nova trilogia de The Weeknd!

Abel Tesfaye, mais conhecido por seu nome artístico The Weeknd, é um dos maiores artistas da atualidade. No meio tempo entre álbuns, lança regularmente singles e faz colaborações especiais com outros grandes nomes da indústria musical como Doja Cat, Ariana Grande e Post Malone.

Seu novo álbum, Dawn FM, muito esperado pelos fãs e pela crítica especializada, chegou ao mundo na última sexta-feira (7) e já foi muito bem recebido: em cerca de 24 horas, de acordo com Hits Daily Double, acumulou mais de 60 milhões de streams — além de todas as faixas possuírem mais de 5 milhões de streams cada, com algumas chegando perto dos 20 milhões ainda na primeira semana.

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The Weeknd [Imagem: Reprodução/ Brian Riff]

Além de ótimas músicas, o novo disco é uma experiência. Deve ser tocado na ordem pelo menos uma vez (a primeira, de preferência) para que o ouvinte possa acompanhar toda a trajetória e desenvolvimento da narrativa que Abel quis mostrar. Como nome entrega, Dawn FM se fantasia como uma estação de rádio e seu locutor é o ator Jim Carrey, amigo e vizinho de Abel, que aparece em diversas faixas pelo álbum — inclusive na canção de abertura homônima Dawn FM, na qual o narrador anuncia que “tudo isso é uma jornada em direção à luz”.

Após o lançamento, The Weeknd compartilhou algumas informações sobre o projeto: “Imagine o álbum como se o ouvinte estivesse morto. E eles estão presos neste estado de purgatório, que eu sempre imaginei que seria como estar preso no final do túnel. Enquanto você está preso no trânsito, eles têm uma estação de rádio tocando no carro, com um locutor guiando você para o semáforo e ajudando na transição para o outro lado. Portanto, pode parecer comemorativo, pode parecer desolador, na maneira que você quiser que pareça, mas isso é The Dawn para mim”. O cantor também escreveu em seu Twitter: “Estou pensando… vocês sabem que estão experienciando uma nova trilogia?”, gerando teorias por parte do público.

Os fãs do artista acreditam que seu álbum After Hours, de 2020, é primeira parte desta trilogia e é sua morte; Dawn Fm é a segunda e o purgatório; com a terceira obra sendo sua jornada após a morte com o possível nome de “After Life” — na música Every Angel Is Terrifying, é citado um produto intitulado “After Life” – “Intenso, gráfico, sexy, eufórico / Provocativo, ousado, instigante / Técnicamente e visualmente deslumbrante / Uma obra convincente de ficção científica / Um exposé cheio de suspense / Cinema como você nunca viu antes / O mundo exótico, bizarro e belo de “After Life”.

Tweet de The Weeknd sobre uma misteriosa trilogia

O disco foi produzido por alguns dos gigantes da indústria: Max Martin e Oneohtrix Point Never, também conhecido como Daniel Lopatin, Swedish House Mafia, Calvin Harris e o colaborador de longa data Oscar Holter são alguns dos nomes presentes. Abel conseguiu experimentar mais com seu som. Entre todas as 16 faixas, as músicas são em sua maioria animadas e dançantes. É clara também a influência de Disco Music e New Wave dos anos 80 e 90, apesar de ainda manter os ritmos de pop, R&B e hip hop que reconhecemos em seu trabalho.

Dawn FM pode ser dividido em três partes, todas separadas por interlúdios. A primeira vai até a sexta faixa A Tale By Quincy, o interlúdio de Quincy Jones, onde reflete sobre sua criação difícil e como isso afetou seus relacionamentos futuros. Ainda na primeira parte do álbum, é possível encontrar algumas das faixas mais marcantes e singles: Gasoline, How Do I Make You Love Me?, Take My Breath e Sacrifice são animadas e cativantes, com forte presença de sintetizadores.

Videoclipe do single Gasoline

Os clipes de Gasoline, Take My Breath e Sacrifice tem grande produção e ajudam a passar a narrativa e mostrar o universo do álbum criado pelo cantor. Ao seguir o conceito de purgatório, ele o representa com visuais fortes, coreografias, maquiagens de criaturas e de seu próprio envelhecimento e cenários que definem toda a atmosfera do ambiente. Cada detalhe foi cuidadosamente escolhido — há referências que conectam a trilogia em todos os lugares, desde a melodia, letras, fotografia, cores, figurinos e até um ponto no fundo.

Alguns dos pontos ressaltados por The Weeknd durante a produção do álbum

A segunda parte possui ritmos mais lentos e trabalha na composição, com faixas mais reflexivas e autocríticas. Out of Time dá início à essa sessão e faz uma ótima transição para Here We Go… Again, parceria com Tyler, The Creator, que deu o que falar na internet devido a sua letra “Suas amigas estão tentando juntar você com alguém mais famoso / Mas em vez disso, você terminou com alguém tão básico, sem rosto / Alguém para tirar suas fotos e emoldurá-las / E a minha namorada nova, ela é uma estrela de cinema”. Muitos acreditam que Abel se refere a ex-namorada Bella Hadid e a atriz Angelina Jolie, com quem foi visto em jantares algumas vezes em 2021.

Best Friends, Is There Someone Else e Starry Eyes, próximas faixas da sequência, tem influência de R&B mais forte e o tema principal são relacionamentos, seus erros e aprendizados. Narrada por Jim Carrey, Every Angel Is Terrifying, como diz o título, se refere e faz uma crítica à representação dos anjos, muitas vezes retratados como seres bonitos e delicados, mas que de acordo com a Bíblia são bem diferentes e até mesmo “aterrorizantes”

A seguinte e última fração do álbum chega com Dont Break My Heart, que poderia ter saído diretamente dos anos 80. I Heard You Are Married com Lil Wayne e produzida por Calvin Harris, e Less Than Zero, continuam com o amor como tema geral, apesar de interpretado por situações e pontos de vista diferentes. O encerramento é dado por Phantom Regret by Jim, voltando com a narração de Jim Carrey e uma auto-reflexão. A faixa final fala sobre a alma, suas muitas experiências ao longo da vida — e o que está por vir depois dela; ficar em paz com suas escolhas e arrependimentos para seguir em frente, o poder de suas decisões, o que te faz sentir vivo, o amor e a aceitação de tudo.

É a maneira perfeita para terminar o disco. Ao trabalhar em toda uma narrativa e imersão nesse universo físico-espiritual, o desfecho é certeiro e se encaixa perfeitamente. A experiência de ouvi-lo na ordem e acompanhar a trama com os visuais dos clipes é única e faz com que o ouvinte se sinta uma parte desse mundo. São as experiências e emoções de Abel sendo contadas na “rádio”. Para além disso, há o ponto da criação: é um som original que o diferencia de seus trabalhos anteriores e outros artistas, mostrando sua potência e qualidade como músico.

Videoclipe de Take My Breath

O disco continua a fazer sucesso e cresce mais a cada dia. The Weeknd se tornou o primeiro artista masculino a ter 2 álbuns que atingiram o #1 na Apple Music em mais de 100 países, além de liderar as paradas no Spotify. Dawn FM segue com impressionantes 89 pontos no Metascore e nota 9,3 no Metacritic, e até o momento e ainda recebe críticas positivas como de Alexis Petridis da The Guardian “[…] Mas a coisa mais notável sobre Dawn FM é como ela se sente sem esforço e confiante, como se Tesfaye tivesse sido fortalecido em vez de intimidado pelo sucesso de seu antecessor. Escrito, produzido e cantado de forma brilhante, ele oferece o som cativante de um artista que sabe que está no topo de seu jogo, em um ponto feliz em que cada melodia adere e cada ideia de produção funciona exatamente assim”


The Weeknd já anunciou também a turnê mundial para o seu quarto e quinto álbuns de estúdio, After Hours e Dawn FM, A ‘The After Hours til Dawn Stadium Tour’, realizada somente em estádios. A tour promete ir a todos os continentes, porém ainda segue sem datas.

Retrospectiva de Música 2021

 O ano que passou não foi fácil e o mundo das artes foi para muitas pessoas, a maior forma de lidar com tudo que acontecia. Desde músicas, até premiações, tapetes vermelhos, polêmicas e performances, o que não faltou foi entretenimento.

2022, é um novo começo para todos, mas vale lembrar alguns dos bons momentos que aconteceram na indústria musical em 2021.

Clipes Memoráveis

Uma coisa que com certeza não pode passar batido são os clipes, com superproduções, coreografias e conceitos cada um melhor que o outro, os artistas se superaram e entregaram tudo que a gente esperava e mais um pouco.

No ano novo, Harry Styles com a participação especial de Phoebe Waller-Bridge, mais conhecida pela sua série Fleabag, lançava seu quinto single do álbum Fine Line, Treat People With Kindness, com uma estética de “Old Hollywood” e muita dança. Já Dua Lipa em We’re Good e Olivia Rodrigo em Good 4 U, não decepcionaram nos looks. Todos esses clipes têm um fator em comum que os diferenciam dos outros: referências a clássicos do cinema. Tempestade de Ritmo (1943), Titanic (1997) e Garota Infernal (2009) respectivamente.

No Brasil, existem muitos artistas ótimos, mas alguns deles elevaram os padrões em 2021. Gloria Groove se superou novamente com os clipes de A Queda e Leilão. Luísa Sonza, cresce cada dia mais e VIP com 6LACK e ANACONDA com Mariah Angeliq são mais uma prova de seu potencial. Pabllo Vittar, como sempre, não desapontou. Ama Sofre Chora e Number One com Rennan da Penha foram marcantes e é impossível não menciona-los.

E talvez com um dos melhores do ano, Lil Nas X parou o mundo com Montero, com efeitos especiais impecáveis ele conseguiu chamar atenção de todos, o que causou até mesmo certas polêmicas, e contar toda uma história, mas não parou por aí, pois com Industry Baby com Jack Harlow e THAT’S WHAT I WANT fez a mesma coisa, mas com menos efeitos dessa vez.

Mas não dá para falar de clipes sem falar de duas cantoras que não pararam um minuto esse ano. Cardi B, que lançou e esteve presente em faixas como: Up; Rumors da Lizzo e Wild Sides da Normani, e Doja Cat que fez e participou de alguns dos maiores hits do ano como: O remix de 34+35 de Ariana Grande com Megan Thee Stallion; Best Friend de Saweetie; Streets; Kiss Me More com SZA; Need To Know; You Right com The Weeknd; Woman  e Handstand de  French Montana e Saweetie.

Artistas Revelação

2021 foi um ano muito forte para a indústria musical, trouxe popularidade para artistas muito bons, não somente aos que já eram grandes. A rede social TikTok foi um forte contribuinte para isso, como explicado mais a fundo na nossa matéria “O impacto do TikTok na indústria musical”, o algoritmo da plataforma funciona de maneira diferente das outras e facilita que um vídeo qualquer viralize, assim vários pequenos e novos artistas tem a chance de ter grande sucesso. Esse foi o caso desses nomes que surgiram ou ganharam força no ano passado.

Chloe Bailey [Imagem: Reprodução/Twitter]

Chlöe, que cantava antes junto com sua irmã Halle, não é tão nova na indústria, mas agora começou sua carreira solo. Com apenas uma prévia de seu primeiro single, a cantora viralizou no Tiktok e uma nova trend de dança foi criada. O acúmulo de ansiedade e curiosidade do público devido ao som de 24 segundos fez com que a música Have Mercy se tornasse um sucesso instantâneo.

Com muita dança e vocais fortes que a acompanham, ela lançou um clipe para acompanhar que já conta com mais de 40 milhões de visualizações, além disso, também se apresentou em algumas das premiações mais importantes do ano.

Måneskin [Imagem: Reprodução/Instagram]

Måneskin é a banda do momento, mas poucos sabem da onde ela surgiu. Em 2017, a banda participou do programa X Factor Itália, chegaram em segundo lugar e logo após lançaram seu primeiro EP Chosen que conta com as músicas cantadas no programa, que inclui o famoso cover: Beggin’. Ele só se popularizou mais alguns anos depois, devido ao fato de terem ganhado o Eurovision Song Contest 2021, uma das competições mais importantes da Europa no mundo da música. Até então, já ganharam diversos prêmios e aclamações, e hoje seguem com sua onda de sucesso e estão com shows marcados ao redor do globo, inclusive no Rock in Rio em setembro deste ano.

Olivia Rodrigo [Imagem: Reprodução/Vogue]

Com a queridinha de 2021, Olivia Rodrigo, não foi muito diferente. A cantora, que também é atriz, faz a série da Disney High School Musical: A Série: O Musical onde conheceu seu agora ex-namorado Joshua Basset. Apesar de triste, o término rendeu músicas muito boas para os dois, mas as de Olivia superou expectativas. Após postar vídeos onde cantava trechos do single Driver’s Licence, e todos já estavam mais do que preparados para ouvi-la, pois logo que saiu, ele já quebrou recordes, como continua a fazer até hoje. Ganhou muitos prêmios ao longo do ano e neste deve seguir no mesmo caminho já que foi indicada em 6 categorias para o Grammy.

Além deles, artistas como The Kid LAROI, Clarissa, Marina Sena, Willow, Ashiniko e muitos outros, se destacaram fortemente no ano passado e prometem grandes coisas.

Premiações

Foi em 2021, com os avanços da vacina contra COVID-19 que as premiações voltaram a ser presenciais. Ainda no primeiro trimestre do ano, aconteceu o Grammy, a premiação que pode ser considerada a mais renomada da música, e foi tão empolgante quanto o esperado.As performances foram surpreendentes e uma melhor que a outra, Harry Styles com seu boá de penas, o medley de Dont Start Now e Levitating de Dua Limpar, o cenário direto de um conto de fadas de Taylor Swift e a referência ao Brasil de Cardi B com Megan Thee Stallion. Mas um dos maiores momentos foi quando Beyoncé teve sua quarta vitória da noite, acumulou um total de 28 prêmios e se tornou a artista mais premiada da história do Grammy.

Beyonce no Grammy 2021 [Imagem: Reprodução/Getty Images]

No MTV Video Music Awards (VMAs) 2021, as performances de Chlöe, Lil Nas X e Doja Cat deram o que falar. Todos serviram conceito, coreografia e vocais, mas a da Normani roubou a cena. A apresentação de Wild Side, que contou com a presença de Teyana Taylor, fez homenagem a Janet Jackson e suas icônicas performances de Would You Mind.

Já mais no final do ano ocorreu o American Music Awards (AMAs) e novamente as performances ficaram em evidência. Coldplay e BTS juntos, Tyler The Creator, Silk Sonic, Olivia Rodrigo, Chlöe mais uma vez e Måneskin mantiveram o nível das apresentações de premiações anteriores. Mas similar a Beyoncé no Grammy, Taylor Swift, apesar de não comparecer, venceu em duas categorias e se tornou a artista mais premiada da história, com 34 vitórias ao todo.

Eles dominaram

O mundo da música é muito grande, o que significa que tem espaço para muita gente fazer sucesso. Esses artistas, mesmo com estilos e públicos diferentes foram alguns dos mais falados de 2021 e por boas razões. O esforço e qualidade são fatores que levam a sério e por isso continuam no topo.

Taylor Swift, que está no processo de regravar sua discografia, em novembro lançou o Red (Taylor’s Version), o álbum conta com 30 músicas regravadas e inéditas. Taylor sabe como fazer seu trabalho e usar a narrativa a seu favor. Provavelmente o mais impactante foi a música All Too Well (10 Minute Version) (Taylor’s Version) (From The Vault) e o curta que a acompanha. Dirigido pela própria cantora e estrelado por Sadie Sink e Dylan O’Brien, ela inovou e mostrou que não é só mais uma artista.

A banda de K-pop formada em 2013, BTS, está cada vez maior e continua a provar que são os melhores no que fazem. Mesmo sem um álbum novo foram o grupo e artista asiático mais ouvido do Spotify e com os singles Butter, Permission To Dance e My Universe em parceria com Coldplay, eles quebraram ainda mais recordes. Além disso, no final do ano, se apresentaram em premiações e fizeram shows nos Estados Unidos, o que fez com que ninguém esquecesse da qualidade de suas performances. 

BTS no AMAs [Imagem: Reprodução/Twitter]

Um pouco diferente dos anteriores, em comparação Doja Cat é relativamente nova na indústria, entretanto, 2021 provou que ela veio para ficar e seus clipes, apresentações, looks e visuais só melhoram a cada lançamento. Apesar do TikTok tê-la ajudado a crescer muito ano passado assim como os artistas revelação, esse fator começou para Doja em 2019 com Juicy e 2020 com Say So e mais outras. A cantora foi apresentadora do VMAs 2021 e além de ser muito engraçada, ela ainda entende de moda e serviu looks maravilhosos e únicos, mas não o bastante, ela também foi indicada em 6 categorias ao Grammy 2022 e soma agora 9 indicações ao total.

Adele, uma das artistas mais renomadas da geração, fez seu comeback com o single Easy On Me, após 5 anos sem lançar nada. A cantora tem um som original e até hoje nenhum outro artista chegou perto, o álbum 30, como esperado, foi um dos melhores do ano, não só pelos recordes de vendas e streams, mas pelo talento dela e da qualidade do projeto. Ela descreve o álbum como uma tentativa de explicar seu divórcio para seu filho e isso é possível perceber pela natureza honesta e profunda de suas composições.

Mesmo depois de anos sem contato com o público, Adele conseguiu deixar sua marca neste ano e confirmou novamente seu lugar entre os melhores.

Adele no estúdio [Imagem: Reprodução/Twitter]

A rapper Megan Thee Stallion teve um ano e tanto. Sem contar com os diversos prêmios que ganhou ao longo de 2021, um dos mais importantes foi o Grammy, onde foi indicada pela primeira vez em cinco categorias e levou 3 para casa. Fez muitas músicas de sucesso, que foram parar no topo das paradas, mas Thot Shit e o remix de Butter com o BTS se sobressaem. Além de manter uma carreira de sucesso, Megan ainda se formou em administração de saúde pela faculdade Texas Southern University e fechou seu ano com chave de ouro.

A maior artista do Brasil no momento, Anitta não só fez sucesso aqui, mas cada vez mais conquista o público internacional. Com muitas músicas em espanhol e inglês e parcerias com grandes nomes como Saweetie em Faking Love, a cantora, em 2021, apresentou seu hit Girl From Rio no VMAs; compareceu ao Met Gala, um dos maiores eventos de moda; estrelou uma campanha global do Burger King; além de performar no Grammy Latino 2021; Jingle Ball LA e na final da Libertadores. Anitta não para, ela regularmente lança novas músicas e projetos e ainda tem muitos planos para shows internacionais e nacionais. E se ela está onde está, é por causa de seu trabalho duro, esforço e talento.

2022

Apesar de altos e baixos, 2021 foi um bom ano para a indústria e trouxe ótimas músicas. Foram lançamentos atrás de lançamentos, comebacks de bandas inesperadas como Abba, Jonas Brothers e The Wanted, por exemplo, e muito entretenimento dos nossos artistas favoritos.

O mundo da música cresce constantemente e além de acompanhar o decorrer da carreira de artistas que apareceram no ano que passa e mais antigos, há muitos cantores para ficar de olho.

[CRÍTICA] ‘30’: O comeback de Adele

Mesmo sem lançar nada desde 2016, Adele está maior e melhor do que nunca. Com um dos álbuns mais esperados dos últimos tempos, 30 chegou ontem (19) e já quebrou recordes, ao se tornar o primeiro disco feminino a atingir o topo na Apple Music em 120 países, a 6ª maior estreia por um álbum feminino na história do Spotify e está no Top 11 da Apple Music dos EUA e Top 13 do Spotify EUA com todas as faixas.

Inicialmente era para ser lançado em Setembro de 2020, porém foi adiado devido a pandemia do COVID-19. Assim, esse ano as divulgações começaram de maneira misteriosa. O número 30 foi visto em projeções pelo mundo e especulações de um novo álbum da cantora surgiram.

Em Outubro, Adele lançou o single Easy On Me, a música que conseguiu o primeiro lugar 109 países, a primeira a fazer isso na história da Apple Music, e divulgou oficialmente o 30 com uma carta aberta onde conta que começou a escrevê-lo em 2018 quando passava por momentos difíceis e turbulentos, como seus amigos a ajudaram a passar por essas dificuldades e que se sente finalmente pronta para lançar esse álbum.

Além disso, esse mês, Adele continuou as divulgações com photoshoots e particões em eventos e entrevistas. Seu especial da CBS Adele: One Night Only, onde conversou com Oprah Winfrey, cantou seus maiores hits e 3 músicas novas, foi o programa de entretenimento mais assistido do canal com quase 10 milhões de telespectadores. Hoje (20), fez uma permance no NRJ Music Awards e amanhã (21) está previsto outro especial, o An Audience With Adele, onde também cantará mais músicas do novo álbum. Algumas das maiores celebridades do momento mostram seu apoio e amor pela cantora na plateia de ambos os eventos.

Em entrevista para a Apple Music, ela confessa que este é o seu “álbum mais pessoal e sensível até o momento”, é uma maneira de explicar seu divorcio com o empresário Simon Konecki para o filho do casal, a terceira faixa My Little Love, é uma das mais íntimas e abertas, ela representa claramente isso ao incorporar alguns clipes dela conversando com o menino de nove anos sobre o rompimento. Em um momento ela até considerou não lançar o álbum, mas foi muito importante na sua vida nos últimos anos e que “quando sair, será a última porta se fechando naquele capítulo da minha vida”.

A primeira música Strangers By Nature, co-produzida pelo compositor de cinema Ludwig Göransson, passa um ar de filme e mostra o que esperar do resto da coletânea. Adele se arriscou nesse álbum, não somente pelas composições vulneráveis e honestas, mas também pelos novos ritmos e estilos explorados nele. As canções do meio como Cry Your Heart Out, Oh My GodCan I Get It e o interlude All Night Parking com Errol Garner, possuem ritmos mais animados e diferentes do que costumamos ouvir da cantora, mas ainda passam sua essencia e funcionam muito bem. 

Confessa a revista The Face “Eu só queria reconhecer todas as minhas muitas camadas, o que eu acho que definitivamente é algo que vem com a idade. Obviamente, depois de um grande momento de vida, como meu divórcio, é bom experimentar um pouco mais com inspirações ecléticas. Eu queria, mais do que tudo, apenas me confortar. Não era realmente sobre o que eu queria dizer às pessoas . Era mais como:“ O que eu preciso ouvir para mim, liricamente?”

I Drink Wine, uma das favoritas dos fãs, foi descrita por Adele em sua entrevista para a revista Rolling Stone, como “uma canção sobre como se livrar do ego, com um toque de Elton John e Bernie Taupin dos anos setenta”. Também revelou que a faixa originalmente teria mais de 15 minutos e a gravadora pediu para que alguns cortes fossem feitos e a duração fosse menor. “[A gravadora] estava tipo, ‘Ouça, todo mundo te ama, mas ninguém toca uma música de 15 minutos no rádio’”. Agora com o sucesso de Taylor Swift com a versão de 10 minutos de All Too Well, os provou errado e só podemos imaginar como seria ela inteira.

Adele por Simon Emmett [Imagem: Reprodução/ Twitter]

“Eu sinto que este álbum é uma autodestruição, depois uma autorreflexão e depois uma espécie de autorredenção” Adele disse à Vogue Britânica. Ela assume a responsabilidade pela separação, Não houve brigas, gritos, infidelidades, diz ela, apenas uma lenta percepção de que “realmente não estava feliz”. 

Woman Like Me é mais direta, ela repreende seu ex por ser complacente, preguiçoso e inseguro, e desperdiçar o potencial de seu relacionamento, mas  fala também sobre ela mesma, e seu caminho para se encontrar. E Hold On, acompanhada por um coral, continua na sua jornada de autoconhecimento e críticas a si mesma. 

To Be Loved, é uma faixa muito emotiva e profunda, tem sete minutos de duração apenas do piano do co-escritor e produtor Tobias Jesso Jr e de Adele, além da potência dos vocais da cantora e contou com um vídeo caseiro. A última música Love Is A Game, é o encerramento perfeito do álbum. Junta os elementos de canções anteriores e conclui toda a narrativa trabalhada no “30”. 

Adele, nunca decepciona e trouxe novamente um álbum impecavel, aclamado pelos críticos, com a pontuação de 91 no Metacritic. A cantora consegue usar seus piores momentos e transformá-los em arte, compartilha seus sentimentos e emoções de maneira pura, capaz de fazer você chorar sobre um divórcio mesmo sem nunca ter se casado. Ela prova que é uma das maiores vozes da nossa geração e continua maior do que nunca. 

Adele no estúdio [Imagem: Reprodução/ Twitter]

Trilhas sonoras em filmes de terror

Todos sabemos que uma ótima trilha sonora pode mexer com o público e fazer toda a diferença. E em filmes de suspense e terror, música é o que não pode faltar.

Quando bem feita, ela pode se tornar tão marcante que mesmo após décadas, ainda a associamos automaticamente a situações de perigo e medo. Um exemplo disso é a do filme Tubarão (1975), composta por John Williams. Sua icônica trilha é referência até hoje, instantaneamente reconhecível e sem ela, a cena perderia todo seu impacto. Confira a diferença:

O que torna uma trilha sonora assustadora?

Vários elementos contribuem para causar o sentimento de medo, desde os instrumentos utilizados até o timing do filme. Entretanto, existem certas músicas, acordes e técnicas que são comumente usadas e adaptadas em filmes de terror.

Alguns dos casos mais comuns são sons não lineares, que desencadeiam o medo de ser perseguido por predadores; o trítono, também conhecido como “Som do Diabo”, é o intervalo de três tons inteiros entre duas notas, que gera um som dissonante e resulta na sensação de tensão; instrumentos intensos como violinos, pianos e waterphones; vozes e gritos. Um dos casos mais memoráveis é o da música Dies Irae.

A música é um hino em latim do século XIII sobre o Juízo Final, tocada em Missas Réquiem, homenagem aos mortos. Com uma variedade de versões, que incluem até Mozart e Giuseppi Verdi, esteve sempre relacionada à morte. Assim, muitos compositores a utilizam com essa função.

Ela pode ser encontrada em centenas de filmes de todos os tipos e épocas, porém nos filmes de terror o impacto é totalmente diferente. Laranja Mecânica (1971), Alien (1979), O Iluminado (1980), Sexta-Feira 13 (1985, 1986 e 1988) e Rua do Medo: 1994 e 1666 (2021) são apenas alguns exemplos famosos do uso nesse gênero de filme. Uma vez que você identifica a música, é possível reconhecê-la em todo lugar.

Além disso, como visto anteriormente, a música de um filme é o que move o público e intensifica e aprimora a experiência do espectador. O terror é sobre emoção crua e visceral, tem como foco os medos humanos primordiais ou atuais.

Muitos outros filmes de terror têm trilhas marcantes, sejam eles Halloween (1978), filme de sustos, com uma música agitada, que lembra batimentos cardíacos e te faz ficar cada vez mais nervoso; o terror psicológico Corra (2017) com um coral em suaíli, onde você não consegue entender o que é dito, o que deixa espaço para imaginação; ou o alto som dos violinos estridentes de Psicose (1960) incomodam e deixam o telespectador tenso com o que está por vir.

A música se sincroniza com as facadas da cena e o que a faz ficar ainda mais envolvente e assustadora. O compositor Bernard Herrmann fez uma trilha sonora única – só de escutá-la é possível reviver a cena e trazer todos esses sentimentos à tona. Logo, todos realizam a sua proposta: o medo.

Trilha Sonora de Psicose (1960)

A Influência da Bossa Nova no mundo

Desde versões em inglês de canções de sucesso como Garota de Ipanema de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes por Norman Gimbel, até influências diretas nos artistas mais famosos do momento como Billie Eilish em Billie Bossa Nova, a Bossa Nova é um dos estilos musicais brasileiros mais populares internacionalmente.

No começo, seu nome era um termo em relação a um modo diferente de tocar samba, mas com o passar do tempo, com grandes compositores e a mistura do jazz americano com o samba brasileiro, a Bossa Nova se desenvolveu e se tornou um dos maiores movimentos da música popular brasileira, além de referência mundial.

Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes [Foto: Reprodução]

Contexto Histórico

Esse gênero musical teve sua origem na zona sul do Rio de Janeiro, em reuniões de grupos de músicos da classe média carioca que se encontravam para experimentar e fazer música no final da década de 50.

Os artistas de Bossa Nova tinham a intenção de romper padrões e inovar a música brasileira, queriam um ritmo novo e mais moderno. Criaram um modo de cantar com a voz mais suave e baixa, letras mais intimistas e detalhadas sobre o dia a dia, mas com uma linguagem coloquial.

Com o lançamento dos discos Canção Do Amor Demais de Elizeth Cardoso e Chega de Saudade de João Gilberto, ambos com participações de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, 1958 é considerado o marco inicial desse novo ritmo.

Vinícius de Moraes, Elizeth Cardoso e Tom Jobim no disco “Canção De Amor Demais”
[Foto: Reprodução]

Desde o início o gênero fez sucesso, apesar das várias críticas devido à forte relação com estilos norte-americanos, foi um fenômeno comercial e levou a música brasileira a novos patamares, ao ser admirada por outros países.

Bossa Nova mundo afora

Em 1962, apenas alguns anos após o começo oficial da Bossa Nova no Brasil, foi sua estreia internacional em um festival no Carnegie Hall em Nova York. A partir daí, artistas brasileiros passaram a gravar parcerias com músicos estadunidenses, como por exemplo Stan Getz, que ganhou um Grammy em 1963 com a música Desafinado, escrita por Tom Jobim e Newton Mendonça, e também versões em inglês de músicas já existentes.

Capa do LP Bossa Nova at Carnegie Hall, Audio Fidelity, 1962. [Foto: Reprodução]

Norman Gimbel, o letrista norte-americano, traduziu para o inglês as letras das músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Garota de Ipanema, Insensatez e Meditação de Tom Jobim e Newton Mendonça. Desde então, muitas faixas foram regravadas, mas Garota de Impanema é uma das mais gravadas da história e sua lista conta com cantores renomados como Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Amy Winehouse, Andrea Bocelli, Cher, Madonna e muitos outros. 

A música é um marco na indústria musical brasileira. Ganhou grammys, apareceu em diversos filmes, foi colocada no Hall da Fama do Grammy Latino, incluída no Registro Nacional de Gravações pela Biblioteca do Congresso dos EUA, ficou 96 semanas no Top 100 da Billboard e quase todas suas variações fizeram sucesso. Até hoje, serve de referência para artistas contemporâneos estrangeiros como Rosalía, Shakira e mais recentemente Alessia Cara.

Onde em seu terceiro álbum de estúdio In The Meantime leva claramente a influência do estilo, além da menção à canção de Jobim na letra de Find My Boy: “Skating down the block, down in Ipanema” (em portugues “Andando de skate no quarteirão em Ipanema”). E ainda revelou em entrevista ao G1 que a Bossa Nova é um dos seus gêneros musicais favoritos e só escutou isso durante o verão que compôs seu álbum.

No Brasil, um exemplo da continuação do legado de Garota de Ipanema é com Anitta, a artista brasileira com maior sucesso internacional atualmente. Seu single Girl From Rio é um sample, faz alusão a estética da época em seu clipe e traz à tona novamente esse ritmo para o público nacional e de fora.

A música Arrastão cantada por Elis Regina e composta por Vinícius de Moraes e Edu Lobo marca o fim do movimento da Bossa Nova e o início da Música Popular Brasileira. Após o golpe da ditadura militar, as músicas passaram a ser formas protestos e a junção da Bossa Nova com Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes, foi parte da evolução e desenvolvimento da MPB. 

Apesar do movimento não ter durado muito oficialmente, artistas ainda criaram e fizeram Bossa e continuam até hoje. Sua contribuição para a cultura brasileira e mundial é atemporal. 

A volta do rock ao mainstream da música

Se você é uma pessoa que ama música e acompanha essa indústria, então sabe que ela tem fases, e que gêneros musicais vão e voltam da moda o tempo todo. E desde 2020 é possível notar a nova tendência: o rock. Um estilo clássico, com muitas vertentes, mas que infelizmente desde os anos 2000, perdeu força. E ritmos como pop e rap têm ocupado seu lugar, contagiado o grande público e liderado as paradas desde então.

Contexto Histórico

O rock, originalmente chamado de Rock n’ Roll, foi criado nos Estados Unidos no final da década de 40, por afro-americanos a partir do desenvolvimento da fusão de gêneros musicais americanos como o Blues, Jazz, Country, Gospel, R&B e a influência de ritmos europeus.

Ainda que criado por artistas negros, o estilo foi bem recebido pelo público jovem branco e também incorporado por artistas brancos. Em meados de 1950, o estilo começa a ganhar força e destaque nacional. Little Richard; Fats Domino; Bo Didley; Jerry Lee Lewis; Buddy Holly; Gene Vincent; Johnny Cash; Chuck Berry, que introduziu e consolidou o uso da guitarra no rock; e Elvis Presley, um dos cantores mais conhecidos até hoje, que se tornou um fenômeno com a variante Rockabilly; são apenas alguns dos nomes dos pioneiros desse ritmo que definiram o padrão do que ainda estava por vir.

Apesar do rock ter sido um grande sucesso comercial, essa cultura incluía diferentes grupos sociais e raciais, o que gerava desconforto e preocupação por parte dos conservadores. Além de que as músicas falavam sobre temas considerados tabus, como sexo, drogas, questões raciais e revoltas no geral. Ao longo do tempo, o rock, mesmo com diferentes problemas e crises, manteve essa característica de ousadia e rebeldia ao falar sobre assuntos difíceis e controversos.

Entretanto, como sabemos, a partir dos anos 60 até o final dos anos 90, início dos anos 2000, o rock continuou a crescer e se ramificar em subgêneros como pop rock, que utiliza os mesmos instrumentos do rock, mas com o padrão de refrão do pop; punk, tem letras mais fortes, sons, toda uma estética e estilo de vida mais intenso; new wave, vem do punk, mas é mais eletrônica e pop e menos agressivo; grunge, possui letras mais introspectivas e também deriva do punk; alternativo, tem a estrutura do rock, mas influências diversas, dependendo do artista; e muitos outros. Assim dominaram por décadas e revolucionaram a indústria musical e o mundo todo.

O Revival

Os padrões de música mainstream estão em constante mudança. O que resulta em artistas e gêneros musicais perderem relevância eventualmente. Mas como toda tendência, o rock voltou. E existem várias razões para o porquê de isso ter acontecido.

O rock desde o começo, passou mensagens de rebeldia, refletiu mudanças sociais e culturais, influenciou comportamentos, a moda, lifestyle, linguagens, danças e aprimorou a ideia de ídolos, principalmente entre jovens adolescentes. Tudo isso, se conecta às razões desse revival. O fato de estarmos em um período muito difícil em relação à política, saúde, clima e economia, também contribui. Pois, não só incita sentimentos de revolta, como também provoca a volta de hábitos conhecidos e “seguros”, no caso, o rock.

Assim, cada vez mais artistas têm explorado o ritmo. Um dos grandes nomes que contribuiu para essa recente popularização, é Travis Barker. O ex-baterista da banda Blink-182, atualmente, além das próprias músicas, possui uma gravadora chamada DTA Records, onde já assinou com muitos novos artistas e faz diversas parcerias, produz e toca com quem deseja trazer o elemento do rock em suas músicas.

Sua discografia é composta por álbuns e faixas que migram do rock ao rap, trap, emo e pop-punk. Alguns de seus sucessos incluem: Machine Gun Kelly, com o álbum de 2020 Tickets to my downfall e seguintes trabalhos; mais recentemente, Willow Smith, com as faixas t r a n s p a r e n t s o u l, Gaslight e Grow (que conta também com a participação da “Rainha Pop-Punk” dos anos 2000, Avril Lavigne); e outros artistas como Yungblud, Maggie Lindemann, Lil Nas X, KennyHoopla, Halsey, Jxdn e muitos mais.

Willow, Travis Barker e Avril Lavigne
[Imagem: Reprodução/ Twitter]

Além deles, há cantores também, na maioria das vezes do pop ou indie, que experimentaram desse estilo, fizeram valer a pena. Como foi com Miley Cyrus, Post Malone e Olivia Rodrigo. Miley, em seu último álbum Plastic Hearts, conta com covers de clássicos, participações de lendas do rock como Stevie Nicks, Joan Jett e Billy Idol, vocais que combinaram perfeitamente com o estilo e músicas originais de qualidade. Dessa maneira, ela consegue fazer essa retomada da melhor forma possível.

No entanto, nos últimos anos, houve também um comeback de bandas antigas como Mötley Crüe e My Chemical Romance e um aumento da ascensão de novas bandas e artistas como Meet me @ the Altar, Dirty Honey, Blind Channel, Sueco, Spyres, entre outros. Mas, um dos mais populares no momento é Måneskin.

A banda Italiana que ganhou o Eurovision Song Contest 2021, viralizou no Tiktok com seu cover de Beggin’ de Frankie Valli & The Four Seasons e surpreendeu o mundo com seu talento. Eles passam a essência do rock, desde músicas com vocais fortes, muita guitarra, baixo e bateria; até o jeito que se comportam e vestem. E têm chamado atenção de grandes artistas do rock clássico como Iggy Pop, que recentemente fez uma parceria com a banda para uma nova versão do hit I WANNA BE YOUR SLAVE.

Måneskin e Iggy Pop
[Imagem: Reprodução/ Instagram]

O Que Esperar Para o Futuro

Um dos pontos positivos desse revival é que o rock hoje está mais diverso do que nunca, em todos os aspectos. O mundo mudou e com ele fatores que uma vez foram considerados exigências e barreiras já não funcionam mais. Fato que favorece a conquista das gerações mais jovens, que dominam a indústria e definem o que está na moda ou não.

Há uma onda de interesse crescente no rock clássico ao mesmo tempo em que há em bandas emergentes. O Tiktok contibui para isso, pois ele tem grande influência sobre a indústria musical, e como músicas de rock e suas vertentes tem feito cada vez mais sucesso na plataforma, com artistas novos e bandas mais antigas como Paramore, Simple Plan, Aerosmith, Nirvana, Green Day e Mother Mother, é possível dizer que esse ritmo está bem consolidado e não vai mais embora tão rápido.

O impacto do TikTok na indústria musical

TikTok, aplicativo que permite criar e compartilhar vídeos de até 3 minutos, foi criado em 2016 e ganhou popularidade internacional no final de 2018. Uma das razões da febre dessa plataforma é o fato de poder adicionar sons e músicas aos vídeos, criando desafios, danças, memes, entre outras coisas. Assim, os usuários têm acesso muito fácil a novos artistas e músicas, o que acaba impactando diretamente a indústria musical.

          O algoritmo desse aplicativo funciona de forma diferente de outras redes sociais, que costumam favorecer quem tem mais seguidores e pagam por anúncios. O Tiktok possibilita que qualquer pessoa consiga viralizar com seus vídeos independentemente desses fatores, e por entregar vídeos personalizados na página “Para Você”, usuários com gostos e interesses similares recebem esse conteúdo. Dessa maneira, pequenos e novos artistas têm mais chances de ter um hit de sucesso.

          Esse foi o caso de artistas como Lil Nas X, Doja Cat e Olivia Rodrigo, são apenas alguns dos nomes que alcançaram o topo das paradas da Billboard e Spotify ao viralizar no Tiktok com suas músicas Old Town Road (17 semanas em 1º na Billboard Hot 100), Say So (1 semana em 1º na Billboard Hot 100) e Drivers Licence (9 semanas em 1º na Billboard Hot 100), respectivamente, que foram além dessa rede social e hoje continuam fazendo extremo sucesso e são consideradas estrelas do mundo da música.

          Além desses artistas que todos conhecem, há outros casos, como o de Tai Verdes, um jovem de 25 anos. Tentou diversas vezes participar de programas como ‘American Idol’ e ‘The Voice’, mas nunca foi aceito. Seu sucesso começou ao postar seu primeiro single Stuck In The Middle no Tiktok com a legenda “se esse vídeo tiver 1000 likes eu lanço essa música” e de noite para o dia, já acumulava milhares de curtidas. O hit virou tão popular que alcançou primeiro lugar no Viral 50 – USA no Spotify e foi considerada pelo New York Times como uma das melhores músicas de 2020. Hoje, tem milhões de streams e visualizações, e Tai continua fazendo sucesso com outros singles e seu novo álbum TV.

@taiverdes

If this gets 1000 likes I’ll put this song out.

♬ original sound – taiverdes

          Esse fenômeno não acontece somente com lançamentos, mas também com músicas de décadas atrás, como foi o caso de Dreams do Fleetwood Mac, lançada em 1977, em que Idahoan Nathan Apodaca, um tiktoker famoso, postou um vídeo com ela de fundo e logo estava entre as músicas mais procuradas do momento. Para ter noção do impacto, ela voltou a Billboard Hot 100 pela primeira vez em quatro décadas na 21ª posição, a melhor colocação do Fleetwood Mac desde 1988, quando Everywhere ocupou o 17º lugar. A música também ficou em 2º no Hot Rock & Alternative Songs, 20º no Global 200, e 68º na Global Excluding US. Fora que, de acordo com a Nielsen Music/ MRC Data, a música teve 13,4 milhões de streams e um aumento de 197% nos downloads. Além disso, o álbum Rumours e outros singles também receberam atenção do púbico e tiveram ainda mais conquistas.

          Pelo Tiktok ter toda essa influência, cada vez mais a indústria musical está tendo que se adequar à plataforma, lançando pedaços de músicas para teste, fazendo remixes e remasterizações. Gravadoras e produtores musicais têm até pagado grandes tiktokers para gravarem danças e trends com suas músicas, pois o alcance desses influencers como Charlie D’Amelio (122,8 milhões de seguidores) e Addison Rae (82,7 milhões de seguidores) é extremamente alto e isso tem mostrado dar dado muito resultado. Alguns exemplos são; a rapper Flo Milli, que pagou $200 ao tiktoker Michael Pelchat, para tornar a dança de Beef Flomix mais popular, o vídeo foi um sucesso, logo após assinou com a RCA Records e hoje tem milhões de seguidores e streams em praticamente todas suas músicas. Outro caso foi de The Kid LAROI com sua música Addison Rae chamou a atenção da mesma e hoje está nominado a Artista em Ascensão no VMA 2021.

@addisonre

moms reaction to hearing the song @sherinicolee

♬ Addison Rae – The Kid LAROI

          O TikTok é além de tudo, uma ferramenta de marketing. Ele continua a controlar quais músicas são ouvidas e quais se tornam populares. Assim, há a controvérsia, de que tudo isso faz os artistas pensarem apenas no sucesso de vendas imediato e colocação nas paradas ao invés de qualidade da produção a longo termo, já que músicas estouram e semanas ou dias depois são consideradas “velhas”. Mas, isso também se relaciona ao momento que estamos vivendo, onde sempre tem muitas coisas acontecendo, muito rápido e como temos acesso fácil a todas essas coisas, nossa capacidade de manter atenção diminui, consumimos demais e acabamos nos cansando rapidamente.

          Ainda não se sabe os totais efeitos do Tiktok, em nós, nem na indústria musical, se músicas feitas para vídeos curtos podem separá-la como forma de arte. Porém, é um fato que o aplicativo tem proporcionado inúmeras oportunidades e mudado a vida de muitas pessoas.

[Resenha] Billie Eilish abre seu coração em novo álbum “Happier Than Ever”

Billie Eilish, a maior sensação dos últimos anos, lançou 30 de julho seu segundo álbum Happier Than Ever, ele foi bem avaliado pelos críticos e teve conquistas inéditas ainda na primeira semana de lançamento.

Com 16 faixas e 56 minutos de duração, o álbum conta uma história de superação, críticas e amadurecimento, com começo, meio e fim. Com experimentações de melodias e vocais fortes, as músicas exploram de maneira muito honesta e íntima os sentimentos da Billie enquanto passava por esses momentos. O álbum começa com Getting Older, onde ela fala sobre as dificuldades da fama, a pressão que sente, abusos que sofreu, trauma e como as pessoas se cansam rápido das coisas. Uma letra bastante sincera e vulnerável para introduzir o clima do resto do álbum.

Em seguida, na faixa I Didn’t Change My Number, que possui uma batida mais animada, mas ainda com letras profundas, ela canta sobre um relacionamento passado, a separação e se afastamento dessa pessoa e menciona conselhos de amigos sobre a situação. Uma surpresa para nós do Brasil: em Billie Bossa Nova, ela diz ter se inspirado na melodia no grande cantor brasileiro de Bossa Nova Antônio Carlos Jobim, e que Garota de Ipanema é uma de suas músicas favoritas. É fácil notar a referência no ritmo e isso deixa ela uma música muito boa de ouvir para ficar de boa.

my future, primeiro single do álbum, lançado ainda em 2020, Billie diz estar ansiosa para o futuro, mas de uma maneira otimista e como ficar sozinha é importante mesmo que seja difícil. Oxytocin — em português Oxitocina — é um hormônio conhecido como “hormônio do amor”, essa é uma das experimentações do álbum. Com a mistura de ritmos e batidas, a música foi feita para ser tocada ao vivo, de acordo com a cantora.

GOLDWING, a faixa mais curta do álbum, se inicia com vocais parecidos com corais de igreja, mas fica animada conforme passa. Há um contraste no quarto single Lost Cause, que conta sobre seu descontento em uma relação enquanto o clipe mostra Billie e amigas dançando, cantando e se divertindo. Em seguida, temos Halley’s Comet, sobre a sensação de se apaixonar.

Not My Responsibility, anteriormente um interlude, e OverHeated criticam a objetificação de mulheres e celebridades, sua imagem e a forma como as pessoas decidem seu valor com base em seu corpo. Everybody Dies — em português Todo Mundo Morre — é exatamente sobre isso e como é algo assustador e triste, mas reconfortante ao mesmo tempo. A faixa seguinte, Your Power, terceiro single do álbum, é feita para as pessoas se relacionarem com a letra e inspirar mudanças, ela fala sobre passar por diferentes situações em relacionamentos abusivos.

Agora com o quinto single NDA, Eilish retorna com um assunto recorrente pelo álbum: sua dificuldade com lidar com a fama, principalmente ao que se refere a manter relacionamentos privados. Para descontrair um pouco, chega o single “Therefore I Am”, uma faixa mais animada, com um clipe que representa esse sentimento. Dirigido pela própria Billie, ela anda por um shopping vazio se divertindo livremente.

O último single Happier Than Ever, que dá o nome ao álbum e a última música Male Fantasy, de certa maneira se completam. Ambas foram feitas com muito sentimento e emoção e falam sobre um término de relacionamento com uma pessoa que não te fez bem. Apesar de falarem sobre a mesma coisa, Happier Than Ever parece ser mais um desabafo e Male Fantasy, uma crítica, que também traz elementos de Not My Responsibility, dessa maneira, sendo mais forte para fechar o álbum.

Billie e Finneas, seu irmão e produtor musical, são uma ótima dupla, muito talentosa e é possível ver a evolução dos dois desde When We All Fall Asleep, Where Do We Go?. Billie cada vez mais melhora seus vocais e cresce como compositora. Finneas produziu e co-escreveu o albúm excelentemente e hoje já está entre os melhores produtores de Hollywood. Podemos ver facilmente como eles trabalham bem juntos, formam uma combinação que permite transmitir de maneira clara as mensagens de suas músicas. Com os conceitos visuais, a qualidade sonora e lírica, o álbum deve fazer ainda mais sucesso do que já faz.

Escute o álbum completo:

O Que Toca Na Frenezi

A Frenezi é uma revista que fala sobre diversos assuntos e faz todo tipo de conteúdo, desde matérias sérias até até quizzes descontraídos.

E óbvio que para estreia do nosso site não poderia faltar algo especial… Então decidimos fazer várias playlists, para todos os humores e sensações. Para começar, agora você pode acessar o Spotify da revista e já dar play na nossa playlist ‘pov: você está lendo a Frenezi’ para entrar nesse clima de estreia e se contagiar com a frenezia!